segunda-feira, 27 de outubro de 2008

Mariana, conto de Machado de Assis

Publicado originalmente em Jornal das Famílias, 1871.

"Voltei de Europa depois de uma ausência de quinze anos. Era quanto bastava para vir achar muita coisa mudada. Alguns amigos tinham morrido, outros estavam casados, outros viúvos. Quatro ou cinco tinham-se feito homens públicos, e um deles acabava de ser ministro de Estado. Sobre todos eles pesavam quinze anos de desilusões e cansaço. Eu, entretanto, vinha tão moço como fora, não no rosto e nos cabelos, que começavam a embranquecer, mas na alma e no coração que estavam em flor. Foi essa a vantagem que tirei das minhas constantes viagens. Não há decepções possíveis para um viajante, que apenas vê de passagem o lado belo da natureza humana e não ganha tempo de conhecer-lhe o lado feio. Mas deixemos estas filosofias inúteis."

Neste conto, temos o personagem clássico machadiano: branco, católico, proprietário, escravista, que deve cumprir seu papel de senhor.

Sintaxes diferentes de Machado aqui:

"A doente recusou tomar nenhum remédio" em vez de usar "algum remédio".

"Mariana recusou dizer cousa nenhuma a minha irmã" em vez de usar "alguma cousa".

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