sexta-feira, 31 de outubro de 2008

Um esqueleto, conto de Machado de Assis

Publicado originalmente em Jornal das Famílias, 1875.

"I
Eram dez ou doze rapazes. Falavam de artes, letras e política. Alguma anedota vinha de quando em quando temperar a seriedade da conversa. Deus me perdoe! parece que até se fizeram alguns trocadilhos.

O mar batia perto na praia solitária... estilo de meditação em prosa. Mas nenhum dos doze convivas fazia caso do mar. Da noite também não, que era feia e ameaçava chuva. É provável que se a chuva caísse ninguém desse por ela, tão entretidos estavam todos em discutir os diferentes sistemas políticos, os méritos de um artista ou de um escritor, ou simplesmente em rir de uma pilhéria intercalada a tempo.

Aconteceu no meio da noite que um dos convivas falou na beleza da língua alemã. Outro conviva concordou com o primeiro a respeito das vantagens dela, dizendo que a aprendera com o dr. Belém.

— Não conheceram o dr. Belém? perguntou ele.

— Não, responderam todos."



Este conto já foi bem mais emocionante do que outros do livro Escritos Avulsos I, de Machado de Assis.

Aqui, houve um pouco mais de construção narrativa. Existe história dentro da história e certa tensão do início ao fim. Tanto que se lê no intuito de chegar ao fim e descobrir como terminou a aventura.

Como sempre, há citações e erudições à vontade. Faz-se referência ao Fausto (que já li na adolescência mas não me lembro de quase nada).

É isso.

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