domingo, 26 de outubro de 2008

Virginius (narrativa de um advogado) - Machado de Assis, conto de 1864

Publicado originalmente em Jornal das Famílias 1864

I
"Não me correu tranqüilo o S. João de 185... Duas semanas antes do dia em que a Igreja celebra o evangelista, recebi pelo correio o seguinte bilhete, sem assinatura e de letra desconhecida:

O dr. *** é convidado a ir à vila de... tomar conta de um processo. O objeto é digno do talento e das habilitações do advogado. Despesas e honorários ser-lhe-ão satisfeitos antecipadamente, mal puser pé no estribo. O réu está na cadeia da mesma vila e chama-se Julião. Note que o dr. é convidado a ir defender o réu.

Li e reli este bilhete; voltei-o em todos os sentidos; comparei a letra com todas as letras dos meus amigos e conhecidos... Nada pude descobrir."



Reli este conto hoje pela manhã. Acordei com vontade de ler Machado. Em meus livros, o conto pertence aos Escritos Avulsos I, da coleção Obras Completas, da Editora Globo.

Nessa fase da carreira, Machado ainda era bastante tradicionalista em seus escritos. Passou a ousar bem mais a partir de 1880. Percebe-se também que ele faz muitas referências e exibe sua erudição precoce, sendo assim um escritor exigente em relação a seus leitores.

Amigo que se voltara ao culto da deusa Ceres...

Como é bom ter um amigo, dizia o personagem pensando no Conde de Maistre...

E por aí vai.

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