segunda-feira, 1 de abril de 2013

A memória e o ato de contar



Genésio, uma militante, eu, outro jovem e Rafael na posso de Lula em 1/01/2003.

Refeição Cultural

Dias atrás, pesquisando sobre literatura na rede mundial, soube de uma coisa que mexeu muito comigo. O grande escritor colombiano Gabriel García Márquez (86 anos) se aposentou em 2009 e está com um tipo de demência que o fez perder a memória. Fiquei com isso na cabeça até hoje.

É muito triste alguém que viveu de contar histórias e criar estórias sofrer justamente um problema que lhe faça perder a memória. Que tristeza para ele, família, amigos e para nós amantes da leitura!

Hoje estava no evento de lançamento das comemorações dos 90 anos do Sindicato dos Bancários de São Paulo, Osasco e região. Nosso sindicato tem uma bela história de luta pela democracia e por melhores condições de vida e trabalho para a classe trabalhadora brasileira.

Para resumir o evento de abertura, diria que a cerimônia foi cuidadosa, emocionante e muito bonita. Parabéns a toda a categoria bancária!


A memória das lutas, derrotas e conquistas

A história da classe trabalhadora é construída pela própria classe trabalhadora. Cada dirigente, militante, trabalhadora e trabalhador que participou e ou organizou a luta de classes tem muitas histórias pra contar.

Eu estou sempre pensando em organizar a minha versão dos dez anos que vivi como dirigente sindical. É por isso que minhas pilhas de papel e guardados incomodam onde quer que eu chegue para me instalar em uma nova tarefa designada a mim pelo movimento sindical bancário.

Eu participei de toda a luta dos anos dois mil pela construção da Campanha Unificada entre bancos públicos e privados e pela construção vitoriosa da lógica do Aumento Real ao invés de ficar lutando por tabelas de "perdas" fazendo que as campanhas fossem sempre derrotadas e focadas no passado e não no futuro. A estratégia foi correta para a categoria.

Também tenho orgulho de dizer que estive nas mesas e nas defesas das posições cutistas nas assembleias decisivas do BB entre 2003-12 em nosso Sindicato.

Para eu poder contar minha memória e minhas impressões desses dez anos de campanhas 2003-2012 eu precisaria de uns seis meses para ler, pesquisar e escrever.

Tenho uma memória impressionante do que vivi no movimento nesta década. Mas posso começar a perder isso a qualquer momento. Como vou fazer para escrever esta história, essas memórias?

Eu quero contar um pouco do que vivemos, sobre o que aprendi com a política sindical a partir do meu coletivo de banco (BB) e do Sindicato e que me moldou como dirigente e cidadão militante que atua de forma muito verdadeira e esforçada, mesmo nos momentos de pelejas e divergências de ideias.

Preciso achar uma maneira de por no papel de forma organizada, os acontecimentos que vi e vivi como dirigente da Articulação Sindical da CUT.

É isso! Parabéns ao nosso Sindicato pelos nossos 90 anos. Já tenho mais de 20 anos de sindicalizado e 10 como diretor desta entidade classista e de luta.


Referências

Falando em memória e no ato de contar, estiveram no evento do Sindicato duas referências iniciais na vida deste militante e diretor do sindicato. 

Marcos Martins - O funcionário licenciado do Sindicato e Deputado Estadual pelo PT paulista foi um dos primeiros contatos que tive com esta história de luta de nossa entidade. Eu era bancário do Unibanco e trabalhava na agência do CAU na Raposo Tavares. Fui convencido pelo pessoal do Sindicato a chegar lá umas 4 e meia da manhã em 1989 para ajudar a parar os funcionários naquela greve. Deu certo e foi bem legal.

Deise Lessa - Grande pessoa e militante de esquerda. Eu a conheci como diretora do Sindicato. Ela atuava na base e era muito comprometida em organizar os bancários, respeitar a divergência de ideias nos debates e defender as posições tiradas nos fóruns políticos. Me convidou a disponibilizar o nome para a formação da Chapa Cutista do Sindicato em 2000 (não deu certo) e 2002 (deu certo). Desde que virei diretor eleito, me espelho em ser um dirigente como foi a Deise e os companheiros que conheci logo em seguida no coletivo como o Sasseron, Genésio, Deli, Cláudio e demais camaradas com quem convivi.


SOMOS FORTES, SOMOS CUT!

2 comentários:

Rafael Vieira disse...

Salve William! Parabéns pela memória prodigiosa... Lembro-me com muito carinho e saudade desse momento.
Foi um dia importante para as nossas histórias pessoas e para a história do Brasil.
Abraço...

William Mendes disse...

Valeu irmãozinho! Forte abraço e se cuida!

William