segunda-feira, 21 de abril de 2014

Pensando a CUT a partir do filme "ABC da Greve" - Leon Hirszman




A fonte do vídeo é um canal 
no youtube chamado caovidaloca.

O FILME É UMA LIÇÃO PARA SINDICALISTAS CUTISTAS

Lendo o capítulo "E Luiz Inácio tornou-se Lula", do livro de Denise Paraná - Lula, o filho do Brasil, acabei por buscar o filme de Leon Hirszman porque ele aborda o mesmo período que o capítulo do livro aborda. O filme nos apresenta cenas e momentos da greve de 1979 dos metalúrgicos do ABC Paulista.

A leitura do capítulo do livro, seguida do filme, é uma aula emocionante e contextualizada do que são as dificuldades enfrentadas pelas lideranças sindicais em momentos cruciais do embate entre o capital e os trabalhadores. Aqui estava nascendo o que é a concepção e prática sindical da Central Única dos Trabalhadores (CUT) - ser classista, de massas e democrática. Principalmente no que balizou a forma de atuação da Articulação Sindical.

Aqui nascia a característica de um sindicato cutista que é pensar a categoria acima de tudo porque fazer greve pela própria greve e não pensar a consequência dela para os trabalhadores não é papel de um dirigente sindical cutista.

Eu me emocionei muito com as imagens do filme. Muitos de nós que nos tornamos sindicalistas cutistas temos momentos em nossa vida militante e de liderança que nos deixaram em situações como essa de avaliar se devemos continuar na greve ou se devemos proteger os trabalhadores e encerrar o movimento sob risco de derrota.

O contexto do que vocês vão ver no filme é que Lula e a diretoria do Sindicato dos Metalúrgicos precisaram defender o fim da greve por ter a real noção de que seguir naquela greve a partir da segunda-feira seria uma derrota fragorosa para a categoria.


LEMBREI-ME DO CONTEXTO DA GREVE 2003 NO BB

É evidente que nada é comparado ao que foi o movimento de massas e o nascimento do Novo Sindicalismo surgido no ABC Paulista entre os anos 70 e 80. Mas a nossa geração viveu um momento de ressurgimento do movimento de massas no início dos anos dois mil, após a eleição de Lula da Silva e após uma década de massacre neoliberal aos trabalhadores e aos seus sindicatos.

Eu vivi um contexto parecido ao ter que falar com os trabalhadores em assembleia que precisávamos aceitar a proposta e finalizar a greve do Banco do Brasil em 2003, após conquistar várias propostas com a primeira greve forte em mais de uma década.

Era meu primeiro ano liderando os bancários em uma greve e eu estava aprendendo a ser um dirigente sindical e após uma forte mobilização em 3 dias de greve, com crescimento diário do movimento e conquista de vários direitos em nova proposta patronal após esses dias de greve, tivemos que ir para uma assembleia lotada na quadra dos bancários e dizer a eles que era a hora de encerrar a greve porque havíamos conquistado muitas das reivindicações que nos levaram à greve e que continuar nela poderia nos levar à derrota com consequências para as próximas lutas.

Uma das pessoas que seria grande referência para mim naquele início de vida sindical foi Deli Soares. Naquele dia, ele me disse que começar greve era fácil, o difícil era liderar os trabalhadores e lhes dizer quando era a hora de parar. Ali comecei meus onze anos liderando as assembleias do Banco do Brasil no Sindicato dos Bancários de São Paulo, Osasco e região entre 2003 e 2013.

A proposta foi aprovada pela massa e após a assembleia caí em choro pela emoção que acabava de viver naquele momento. Muitos bancários que estiveram comigo naqueles dias de greve não compreenderam na hora e ficaram chateados com a minha posição de direção do movimento e após o calor daquele momento me procuraram e elogiaram a minha postura no diálogo travado na assembleia.

A proposta conquistada no BB naquele ano era a seguinte, se não me falha a memória:

- o cumprimento da proposta de índice conquistada pelos bancários em geral (Fenaban) porque o governo tinha proposto menos;
- um acordo de PLR nos moldes do da categoria (não havia no BB);
- a conquista do abono de 5 dias para os colegas que entraram no BB a partir de 1998 (isonomia);
- aumento na cesta alimentação, vale refeição e auxílio creche, igualando com os da categoria (isonomia, pois eram menores);
- a volta do direito de eleger delegados sindicais (perdido desde o governo do PSDB), e
- anistia dos dias parados.

O filme é emocionante e nós não podemos nunca perder as nossas referências e princípios, esteja onde estivermos fazendo a luta.

É isso!

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