sábado, 14 de junho de 2014

Filme: A culpa é das estrelas - reflexões...



Poster do filme.

Refeição Cultural


Fiz algo raro atualmente devido à falta de tempo e excesso de trabalho: fui ao cinema com minha esposa assistir ao filme que aborda a questão do câncer em crianças e adolescentes. O filme é muito bonito, emotivo, mostra a dura realidade da contemporaneidade e nos coloca a pensar - pelo menos foi o que aconteceu comigo durante todo o filme e após também.

Foram tantas coisas que se passaram por minhas reflexões acerca da vida e da morte, do amor e ódio, do que vale a pena. Fiquei pensando no que eu e nós todos estamos fazendo no que diz respeito ao mundo que estamos construindo (ou destruindo) e pensei muito a respeito das relações sociais.

A vida humana pode ser bela e bem assistida, se a inteligência humana for (fosse) utilizada para o bem coletivo. O ser humano é a coisa mais fantástica que existe no planeta. Eu não tenho dúvida disso. Cada pessoa é um universo de possibilidades, basta oportunidades iguais. Se houver condições materiais, culturais e educacionais é possível se alcançar um bom grau de felicidade ou satisfação em viver.

Alcançado este estágio em uma determinada sociedade, poderíamos dedicar o nosso tempo e a nossa psique para lidar melhor com questões que estão fora de nosso alcance como, por exemplo, as catástrofes naturais e as doenças que acometem os seres humanos.

Ao ver a história dramática dos adolescentes Hazel e Augustus (Gus), bem como dos demais jovens com diversos tipos de câncer, não tive como evitar pensar na vida que está levando uma grande parte dos jovens em nosso mundo contemporâneo. A mim me parece quase uma vida de faz de conta, um fake do que poderia ser a vida real. Aliás, a vida que os jovens estão levando também tem relação com a tecnologia e com a ideologia que move o mundo (ideologia da classe dominante do poder econômico e de produção material e intelectual geral).

A casca, a imagem é tudo. A roupa, o boné, o eu-mesmo-S.A.-e-dane-se-o-resto... são assustadores!

Mas também fiquei pensando muito nos valores que têm balizado a relação humana. Ao invés do respeito e da tolerância ao outro e ao diferente, da busca de consensos para se construir coisas boas ou achar objetivos coletivos comuns, o que temos é a pregação do ódio, da eliminação do outro ou da posição diferente, da prevalência absoluta do pessoal e individual sobre o bem comum.

No meio desta guerra instalada em nosso meio estão pessoas, seres humanos carentes de atenção, amor, um gesto de respeito e fraternidade.

Cinema, filmes, músicas, pinturas e arte em geral são feitos humanos para nos despertar instantes de reflexão, para emocionar, para sentir, para divertir e dar prazer. Os gregos já faziam teatro há milhares de anos para se atingir a catarse com a exponenciação dos defeitos e dos vícios nas tragédias e nas comédias... as pessoas saíam diferentes das apresentações. Este filme gerou em mim essas ações e sensações.

Eu vivi um período muito duro em minha vida neste semestre. Vivi sensações de amor e ódio exponenciadas e isso me afetou profundamente, mesmo contra a minha vontade. Mas eu busquei em mim uma energia profunda para estar agora em uma nova tarefa determinada pelos trabalhadores que represento. Estou de coração aberto para fazer a vida valer a pena, principalmente de forma coletiva. Estou em novos espaços disposto a buscar consensos em prol do bem comum, sem perder o foco do que represento e dos projetos que devo defender.

Vendo uma história que aborda jovens lutando para viverem e serem felizes, mesmo com o acaso determinando o oposto, me peguei refletindo e penso que estou no caminho correto em buscar apagar os rancores e não perder o rumo das coisas boas que quero fazer para ajudar a coletividade e fazer a vida humana valer a pena. Não quero saber de desânimo e negativas preguiçosas dizendo que "isso não é possível..." ou coisas do gênero.

O filme atinge a cada um de uma maneira. Meu contexto me fez sentir que temos que trabalhar para o mundo ser um lugar melhor, com estrutura social pública e coletiva para as demandas gerais dos seres humanos a fim de termos um foco de atenção constante às questões de saúde porque sem saúde a vida é muito, mas muito mais difícil do que em qualquer outra circunstância.

É isso!


PS: a passagem do filme por Amsterdam e a casa onde ficou escondida a família de Anne Frank até serem pegos pela Gestapo é um momento de muita emoção!!!!

PS2: os momentos de silêncio e de olhares entre Hazel e Gus, a descoberta do amor, a superação e companheirismo nos momentos de dor e sofrimento são cativantes para todos nós.

PS3: fiquei pensando também na questão das marcas e da história que deixamos em nossa passagem pela vida. Espero estar fazendo o meu papel tanto para as pessoas que amo quanto para a coletividade.

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