segunda-feira, 16 de março de 2015

Diário - 150315





Refeição Cultural - Envenenamento (II)

O veneno do fascismo se alastra pelas veias do povo brasileiro



HOSTILIZADO POR CORRER DE BONÉ VERMELHO

O final de semana termina de forma melancólica para o Brasil e o povo brasileiro. Hoje foi o dia das manifestações organizadas pela direita brasileira. Está em curso em nosso país a construção de um novo golpe civil-militar exatamente como ocorreu no início dos anos sessenta contra o então presidente João Goulart. O golpe é organizado pelos mesmos grupos sociais de sempre.

Eu cheguei a Brasília no sábado de tarde, vindo de São Paulo, tão cansado de uma semana muito extenuante de trabalho e não consegui ler, escrever, fazer nada. Estava travado.

Neste domingo, apesar do corpo pedir o contrário, saí para correr e manter a minha disposição de luta e recuperar um pouco de minha condição física para os fronts de batalha. Corro nos arredores do bairro onde moro em Brasília.

Só porque estava com um boné vermelho, fui hostilizado algumas vezes por grupos vestidos de verde e amarelo, que retornavam da tal manifestação fascista clamando por golpe militar e impedimento da presidenta Dilma Rousseff, recém-eleita por 54,5 milhões de votos.


Não estava com a estrela amarela de Davi, mas
me senti como um judeu na Alemanha dos anos 30
por ser hostilizado por "patriotas" de verde e amarelo.

Gente medíocre e ignóbil. Eles não me atrapalharam não, porque eu estava muito concentrado. Corri 8 km em 53', dando quatro voltas no percurso que faço. Estou bem melhor que no ano passado, quando treinei para a São Silvestre. Este foi o momento do dia que me trouxe felicidade porque a última volta foi de superar limites e me saí bem.

O restante do dia foi de uma tristeza imensa. Fomos almoçar no shopping e vimos as caras dos tais manifestantes do "fora Dilma" e do "volta ditadura militar". É triste porque quanto mais eu estudo a história mundial, mais vejo que o cenário está montado. Os burgueses vira-latas brasileiros querem doar o Brasil ao império para virarmos lacaios novamente.

E o poder golpista dos meios de comunicação monopolizados segue exatamente igual ao do século vinte, ou pior em tempos de rede mundial.

LEITURAS E ESTUDOS HISTÓRICOS

Eu li um pouco três livros que nos fazem pensar muito no que está ocorrendo.

- 1984, de George Orwell (1949)

Descreve uma sociedade totalitária com um partido único, a metáfora para mim é o P.I.G. Partido da Imprensa Golpista. O PIG é o Big Brother do romance distópico. É impressionante a semelhança.

- Os miseráveis, de Victor Hugo (1862)

Descreve uma sociedade burguesa de exploração humana que se repete há mais de dois séculos no mundo.

- LTI, a Linguagem do Terceiro Reich, de Victor Klemperer (1946)

Esse livro do filólogo judeu alemão sobrevivente do Nazismo é impressionante. Ele analisa a linguagem do Nazismo desde a ascensão de Hitler e como foi possível conquistar toda a nação a apoiar as atrocidades e monstruosidades nazistas.

A construção por parte da direita brasileira segue o mesmo roteiro que o 3º Reich seguiu contra os judeus. A construção do ódio ao PT é fortemente amparada nos meios de comunicação monopolizados por algumas famílias bilionárias que usurpam o Brasil há décadas. A direita brasileira, sabedora que não tem projetos para derrotar o PT no voto popular, buscou outra forma de apeá-lo do poder legitimamente concedido pelo povo - o golpe e o ódio ao partido e à esquerda.

Ou a população acorda e deixa de ser manipulada, ou vamos nos matar em uma guerra civil e entraremos em um longo período sem paz e sem as liberdades constitucionais que gastamos mais de 20 anos para reconquistar após o último golpe civil-militar de 1964.

PARA PIORAR, A ESQUERDA E O MOVIMENTO SINDICAL ESTÃO DESUNIDOS

Estou muito triste com o que estamos vivendo no movimento sindical de onde sou oriundo. Estamos a uma semana do Congresso da Contraf-CUT. Até o momento não há sinais de unidade com todas as forças e segmentos políticos internos.

Está faltando magnanimidade e grandeza nas lideranças para construirmos a unidade necessária para o maior desafio que a classe trabalhadora enfrenta desde que derrubaram João Goulart em 1964. É loucura e burrice o foco ser a vaidade pessoal ao invés dos projetos coletivos.

Vamos ver se depois deste domingo fascista, todas as partes buscam a unidade e apresentamos uma chapa única no Congresso.

Caso contrário, vai piorar a capacidade de resistência contra o golpe que se organiza para a quebra da institucionalidade no Brasil.

William Mendes
Sigo na luta com firmeza, apesar de um pouco triste.

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