segunda-feira, 12 de outubro de 2015

A despeito da Ilha Desconhecida de cada um





Refeição Cultural - Diário 121015

Estou em Florianópolis, Santa Catarina. Uma ilha.

Hoje é feriado de 12 de outubro. Uma segunda-feira. 

Eu sou um amante da leitura. Fiz Faculdade de Letras e sonhei ser professor de literatura e dedicar minha vida a ler e a ensinar e a ter contato com as pessoas para ler, conversar, estudar, debater e compreender o mundo, e compreendendo, quem sabe mudá-lo para melhor.

As veredas por onde minha vida adentrou, levaram-me a outro destino. Aos quarenta e seis anos, quase não posso mais ler literatura. Não dá mais.

Aí, neste feriado aqui na ilha, após a aventura que vivi ontem (Meia Maratona), acabei comprando um pequeno livro de José Saramago, do tamanho máximo do que posso ler numa sentada, e embarquei na viagem. Li O Conto da Ilha Desconhecida, de 1997. Fiquei pensativo por horas após a leitura. Ainda estou.


Sinopse do livro

O conto narra o caso de um homem que pede ao rei um barco para sair em busca de uma ilha desconhecida. O pedido não é levado a sério por afirmarem que já não existem mais ilhas desconhecidas. O homem é insistente. Sua insistência constrange o rei, que acaba por ceder. O homem consegue o barco. A mulher da limpeza do palácio do rei, decide acompanhar o homem do barco por admirar sua tenacidade e a história se desenvolve a partir daí.



Ponte Hercílio Luz, em reforma. Uma atração turística da cidade.
Passei correndo por baixo dela na meia maratona.

Reflexões

Vivi nesta ilha uma aventura no dia anterior, um domingo, em busca de meus limites desconhecidos. Corri ontem minha primeira prova de meia maratona.

Apesar do planejamento que fiz para o condicionamento físico (ler aqui), e posteriormente, da conclusão que tomei (ler aqui) de abortar os treinamentos na fase final pelas dificuldades que enfrentei ao longo do caminho, cá cheguei nesta ilha e, apesar dos prognósticos, embarquei na aventura e descobri novos limites.

Meu corpo está todo pedrado ainda, mas após embarcar rumo ao novo, sempre se sai diferente.

Interessante ter vindo parar em minhas mãos o livro de Saramago ao flanarmos por uma livraria. Minha esposa o pegou, me mostrou. Acabamos por levá-lo. Eu o li hoje. A busca por uma ilha desconhecida...

Comecei a ver coincidências. Eu vim a esta ilha de Florianópolis em janeiro deste mesmo ano correr uma prova de 10 km na areia (ler aqui) e foi a experiência mais diferente em corrida que havia experimentado até a meia maratona de ontem. Correr em areia é muito difícil.

As metáforas e simbolismos do pequeno conto de Saramago podem parecer simplórios, mas são instigantes.

Nos instigam e nos põem a pensar em utopias, na superação dos impossíveis já tão comuns e determinísticos que ouvimos em nosso meio social. Ai ai ai, se eu fosse viver de desânimos e pusilanimidades por me dizerem que as coisas são impossíveis... não teria ocorrido quase nada em minha vida.

Estou muito necessitado de um barco para encontrar a minha Ilha Desconhecida.

Aliás, mais um barco, porque as veredas de minha vida me colocaram em barcos com destinos quase impossíveis, ou difíceis de alcançar. E a gente ao menos está navegando com diligência. E com muito esforço e transpiração.

A metáfora do conto de Saramago valeu demais para mim.

Não é hora de parar de navegar. Ao contrário, estamos em um barco rumo a novas descobertas.

William Mendes

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