sábado, 7 de novembro de 2015

Diário - 071115





Refeição Cultural

Sábado. Acordei. Tomei um copo de água. Abri a janela da sala e fiquei minutos vendo o movimento das folhas nas árvores e o movimento dos pássaros. Peguei O processo e li por uma hora. Li o terceiro capítulo.

Lembremos o começo da obra:

"Alguém devia ter contado mentiras a respeito de Joseph K., pois, não tendo feito nada de condenável, uma bela manhã foi preso..."


Passados alguns dias, o personagem começa a viver o processo. Os locais onde deve ir, a forma como as sessões do processo se dão e as pessoas com quem Joseph K. lida são coisas sem sentido, sem lógica. É algo semelhante ao mundo do faz de conta, da fantasia.

Joseph K está preso, mas está livre para ir e vir durante o processo. Mas está preso, porque o processo está em andamento.


Liberdade

Quem de nós está livre? Eu estou preso ou estou livre?

Posso ir e vir... ou seja, estou livre. Mas sou livre?

As obras de Franz Kafka, principalmente O processo, ganharam interpretações às mais variadas ao longo do século 20. É o efeito posterior de boas obras.

Eu li O processo quando era adolescente. Imagine só como era minha cabeça, meu mundo, o mundo, quando li a obra lá nos anos oitenta do Brasil miserável, de minha família em condição financeira miserável, de um mundo miserável, dividido pela Guerra Fria?

E hoje, falamos de um mundo miserável. Falam ou plantam para os jovens de hoje que o Brasil é miserável... Canalhas miseráveis!

Que merda tudo isso! Que processo kafkiano vivemos!

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