sábado, 19 de dezembro de 2015

Diário - 191215





Lá vamos nós expressar o que pensamos e sentimos neste instante, e sei que tenho ao menos um leitor, meu velho e querido pai. Quiça cinco, quiça dez leitores. Com certeza eu mesmo, daqui algum tempo.

Acordei sonolento, mole, esquisito, neste sábado de manhã fresca em Brasília. Fui dormir antes da meia-noite na sexta. Estou sozinho. Cheguei de meu trabalho no final da tarde de ontem e saí para caminhar por quase uma hora. Depois disso, não fiz mais nada até virar zumbi acordado e ir dormir.

Por mais que eu queira descansar a cabeça dos problemas de meu trabalho como gestor eleito pelos trabalhadores em uma entidade de saúde, não consigo. Acordei pensando nas decisões que tomar na segunda-feira. Que coisa! Não me desligo de meus compromissos.

No esforço de abstrair a mente, já ouvi música clássica barroca da melhor qualidade - Vivaldi, Bach etc. Já li algumas reflexões do filósofo Cortella, livro que ganhei de presente de um grande amigo e companheiro, Jacy Afonso. Este livro do filósofo, "Não nascemos prontos", é um belo presente para aqueles que ainda se preocupam com o pensar, o refletir para o viver.

Estou às voltas com meu poeta predileto, Drummond, por causa do mundo, do contexto, da materialidade do momento, por causa do tempo e das coisas.

Peguei o grosso volume um de "Os miseráveis" de Victor Hugo. Tão, mas tão apropriado para o momento! Imaginem... com o cansaço que estou, durmo em cima das palavras com poucas páginas. Leitura por prazer, só após o final de minha missão na Cassi.

Enfim, descansar a cabeça não posso, em face dos acontecimentos. Mas resta uma certeza para mim, pensando um texto do Cortella que citou uma passagem de "Alice no país das maravilhas", de Lewis Carroll.

Alice, perdida, pergunta ao gato, na árvore, para onde leva aquele caminho que ela aponta. O gato pergunta para onde ela quer ir. Ela diz que está perdida e não sabe. O gato lhe dá uma resposta certeira e profundamente filosófica: para quem não sabe aonde quer ir, qualquer caminho lhe serve, é a mesma coisa.

Fiquei pensando sobre a resposta do gato para a perdida Alice.

Como gestor eleito da Cassi, onde passei o último ano e meio de minha vida pessoal completamente focado na missão de fortalecer a entidade de saúde dos trabalhadores e ampliar os direitos em saúde dos associados, afirmo que não tenho o problema da personagem Alice no país das maravilhas. Eu sei exatamente qual objetivo persigo e o caminho que estou construindo e que devo seguir em minha missão. O problema é se me deixarão fazer o que tem que ser feito e se o contexto e conjuntura adversos serão impeditivos ou só obstáculos a superar.

Vamos esperar a segunda-feira para seguir nossa missão. Seguirei fazendo o que entendo ser o melhor para a Cassi e para os associados, decidindo o tempo todo, e sob pressão, sobre o que entendemos que deve ser feito, mesmo que minhas decisões desagradem algumas pessoas, setores e a mesmice das estruturas.

William

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