domingo, 3 de janeiro de 2016

Diário - 030116



Pode?

Refeição Cultural


Janeiro de 2016.

Terminei a leitura de meu primeiro livro nas férias: Nove estórias, de J. D. Salinger, livro que reúne contos e foi publicado em 1953.

Depois de assistir ao filme de Chaplin, Luzes da cidade (1931), assistimos ontem ao filme O garoto (1921). Os filmes de Charles Chaplin são muito bons. Esse cara deixou alguma coisa para a posteridade. Continua sendo lembrado, para além de seus últimos familiares.

Uma coisa corriqueira quando tenho algum tempo para pensar é refletir a respeito da vida, do mundo, e sobre a minha vida. O que já fiz, o que já se passou na minha breve existência humana, o que ainda poderia acontecer ou se fazer, a velha questão de valer a pena; se a vida acabar-se neste instante, o que ficará de mim? Não deixa de ser algo egocêntrico, afinal, por que haveria de ter que ficar algo de mim neste mundo, neste Universo, além de meus átomos dispersos novamente?

Outra coisa quando estou com tempo de ser não só o autômato cidadão cumpridor de tarefas e obrigações sociais, é olhar coisas velhas, porque temos que desfazer de coisas velhas. As coisas velhas não cabem no mundo do pequeno espaço físico. Imaginem a dificuldade que tem um ser que gosta de guardar coisas porque gosta de história das coisas e gostaria de organizar a história das coisas junto com a sua própria história de existência.

Mas não terei nem tempo de organizar essas coisas da história, da minha história, nem tenho espaço para guardar essas coisas. Jogar fora é necessário. É tão difícil! Jogo fora meus materiais de mais de uma década de luta sindical? Os sinais já foram dados a mim pelos acontecimentos dos dois últimos anos. Até eu fui jogado fora daquele mundo que ajudei a construir por tanto tempo! Então, por que insistir em guardar coisas da minha lide sindical para um dia organizar e escrever e dar meu ponto de vista histórico dos fatos e acontecimentos? Jogar fora é uma questão quase lógica.

E os meus escritos das aulas da minha faculdade de Letras? Insisto em guardar porque queria rever, reestudar, publicar em meu blog, queria até ser professor de literatura e daquelas coisas todas... fala sério! Já estou com quase cinquenta anos e agora meu trabalho fodeu até minha saúde precocemente. Pra que guardar tudo isso?

Coisas assim fico a pensar quando tenho um tempo que não o de autômato cidadão cumpridor de tarefas e obrigações sociais.

Mas hoje pela manhã, tive um desgosto por causa do tempo. Me peguei obrigado a ler depressa o conto que faltava para acabar o livro do Salinger porque tinha obrigações mesmo na condição desses dias de descanso. Acabei me chateando com o troço.

Olha a pressão aí!

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