quarta-feira, 6 de julho de 2016

Diário - 060716 (Férias? A gente não para de pensar)





Refeição Cultural

- Olá mundo! Pra onde tu caminhas? O que será dos seres vivos nos próximos anos e o que vai rolar com os mamíferos humanos nesses próximos tempos de desconstrução social?

Quando li o livro de Domenico de Masi, O ócio criativo, anos atrás, fiquei pensando como seria aquela sociedade descrita como o futuro próximo e que, a bem da verdade, já era real na época, mundo humano onde não se separaria mais o trabalho, o jogo, o lazer e tudo seria junto ao mesmo tempo. Só tem uma questão nisso: não mudou o fato de que os donos do mundo capitalista continuam sendo alguns e que todo o restante são os bilhões que vendem sua força de trabalho para comer, se reproduzir e ter algum consumo mínimo da produção capitalista.

Eu trabalho 24 horas por dia e não queria trabalhar 24 horas por dia. Mas o que é trabalho e o que não é trabalho? Hoje é o primeiro dos dez dias em que estou exercendo um direito previsto no meu contrato de trabalho bancário e no meu termo de cessão para um mandato de representação em entidade dos bancários do banco em que trabalho. Conforme o conceito que se queira utilizar, posso dizer que trabalhei o dia todo!

Meu trabalho é político. Meu trabalho é técnico. Meu trabalho é com gente. Representar gente. Entender de gente. Tentar influenciar gente. Lutar diariamente para melhorar a vida da gente. Ficar pensando até dormindo como fazer para que nossa missão e tarefas tenham sucesso.

E quando olho o mundo de hoje, seis de julho de dois mil e dezesseis, século vinte e um, fico perplexo com o que vejo. Se a existência humana em sociedade é com evolução linear positivista, se ela é em pêndulos com idas e vindas entre tragédias e momentos gloriosos ou se é em ciclos ou espirais, eu não sei... mas eu sei que tá foda e vejo maus momentos nos próximos anos, tanto para a minha geração como para a de nossos filhos e netos...

Quando olho o meu mundo, um universozinho de nada quando pensamos o planeta Terra e o planeta homem, eu vejo só desagregação, cisões, ódios, gente perdida e desanimada, uns meio boquiabertos com as coisas, outros sem entender, outros revoltados, muitos pusilânimes, eu vejo que por mais que um ser humano tente fazer o que deve ser feito, e eu tento, vejo que o momento é duro para nós, mamíferos humanos, ao considerarmos o lado da classe trabalhadora, o lado dos fodidos que não são donos da máquina capitalista mundial. Vamos passar maus bocados porque nosso lado sequer está ciente do que tá rolando.

Se alguns tiverem interesse, vejam um pouco nos espaços progressistas e de esquerda o que é a disputa global pela hegemonia do petróleo para estas décadas do século 21. Tem gente que não tem a menor noção do que é o poder das empresas americanas de petróleo, e a indústria armamentista do Tio Sam, e da indústria farmacêutica do Tio Sam... Eles estão destruindo toda a soberania dos países que têm em seu solo petróleo, gás e minerais. Operação Lava Jato... que merda é essa, além de um plano para destruir a economia do país, entregar o pré-sal aos americanos. Já avançou bem depois de seu início, quebrou a indústria brasileira no setor, quebrou a indústria de construção civil no país, talvez não tenha volta. Enfim, eu sou só um bobo dando minha opinião...

O mundo todo tá rachado! Hoje li sobre racha no PSTU. Li sobre racha em diretoria de sindicato de bancários de grande importância. Tem rachas internos em tudo quanto é lugar, principalmente no campo dos movimentos sociais, sindicais e dos partidos de esquerda (sei que também tem nos de direita, mas eles têm os meios, o poder, não é a mesma coisa de racha no campo dos trabalhadores). 

E os rachas nas famílias e nos grupos de amigos ou conhecidos? Eu praticamente não tenho mais relacionamento com familiares que apoiam a direita, o golpe e os golpistas, as posições fascistas que querem foder a classe trabalhadora que represento e à qual pertenço, aliás eu, minha esposa, meu filho e a maior parte das pessoas de meu convívio ou ex-convívio, mas entendi que é difícil fazê-las verem isso.

As coisas viraram uma merda depois da crise capitalista de 2008 com a quebra de alguns bancos picaretas americanos e o tal do subprime. E nós que dizíamos em coro que não queríamos que o povo trabalhador pagasse a conta... nos fodemos de novo... como sempre na história da disputa de classes.

Leio nosso amigo e grande lutador Eduardo Guimarães, do Blog da Cidadania, nos pedindo para que o nosso lado não desanime. Eu também falo isso todo dia. Acordemos e saiamos para a luta e para fazer nossas tarefas revolucionárias... (não venham me dizer que lutar por saúde pública e autogestão em saúde de trabalhadores não seja algo revolucionário!!!). Faço meu trabalho revolucionário todos os dias. Muitos de nós fazemos. Mas é pouco se pensarmos que não há unidade mínima entre nós. Eu vejo meus amig@s e companheir@s se destruindo uns aos outros após os rachas recentes e choro por dentro todos os dias.

Quando vejo a que ponto chegou neste momento, dia seis de julho de dois mil e dezesseis, a canalhice, podridão e descaramento dos corruptos que tomaram conta do país com o Golpe de Estado, quando vejo a impunidade dos desgraçados do Grande Irmão Globo e demais mídias cartelizadas, dos políticos do PSDB, PMDB e tranqueiras do tipo e seus asseclas enfiados nos órgãos públicos e máquina do Estado nacional, fico meio que catártico. Acho que um monte de militantes de esquerda como eu Brasil afora deve estar assim.

O que vou responder para minha esposa, para alguns amigos, quando me falam que não vale a pena eu pagar pra trabalhar várias vezes como faço desde que cheguei ao meu mandato porque me impõem burocracias para impedir que eu trabalhe. Vocês acham que é simples alguém da família saber que você não dorme para trabalhar, gasta do bolso para trabalhar e ainda tem gente o tempo todo atuando em vários espaços para te frear, te prejudicar e ainda se dão bem... Mas a gente explica que no nosso campo de formação política, nossa ética nos ensinou que vamos dar toda a nossa capacidade para fazer o que tem que ser feito para aqueles e aquilo que representamos.

Chega de desabafar. Eu me sinto um idiota por saber o que está acontecendo no mundo. Me sinto mais idiota quando vejo a Rede Globo em cada bar, casa, hall de hotel, TV de táxi, em cada canto do país, onde até pra mijar e fazer cocô a gente escuta a transmissão dos meios midiáticos deles ou tem uma "revista" ou "jornal" dos transmissores das ordens (deles) a serem seguidas pelas massas de meu povo.

E fiquei pensando estes dias: como posso ficar bravo com pessoas queridas e próximas a mim por gostarem de ver novelas nos canais desses desgraçados que fodem o mundo? Eu sou um amante da literatura e a literatura moderna surgiu a partir de romances e novelas de ficção que têm um caráter interessante na constituição do conhecimento humano. Que merda! O capitalismo se apropria de tudo em benefício dele, é assim que funciona. E o povo é envolvido de forma quase impossível de escapar.

Será que vamos todos terminar como o personagem Winston Smith do "1984"? Será que vou terminar odiando e tendo ojeriza de Política como se trabalha tão bem na direita capitalista, para afastar o povo da política e deixar que eles nos fodam sem nenhuma organização sindical ou política com capacidade de intervir e se opor ao patrimonialismo secular dos donos do capital, fazendo o que querem com a coisa pública assim como fazem com o seu patrimônio privado (que inclui sua mulher, filhos, semoventes, escravos, tudo coisificado)?

Tchau, gente.

William

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