sábado, 21 de janeiro de 2017

Diário e reflexões - 210117



Um por do sol em nosso querido país Brasil.

Sábado, Brasília (DF).

Fiquei vários dias sem acessar as redes sociais. Sem frequentar as bolhas onde estou situado. Falo daquelas bolhas sociais onde os povos do mundo virtual estão alocados e apartados por gostos iguais e sem espaço para as diferenças, as nuanças.

Por outro lado, se achava que "me isolaria" do mundo que conhecemos, conhecíamos, em fase de desfazimento, estava redondamente enganado. Não tem como se isolar no mundo pequeno em que habitamos, o nosso único e pequeno Planeta Terra, porque apesar da imensa dimensão geográfica, é pequeno com a tecnologia que inventamos.

No período que chamamos de "férias", busco as leituras, os balanços, retrospectivas, idealizo formas de voltar dias depois à rotina com estratégias de realizar coisas e ser menos infeliz, ou ter um pouco mais de alegria no viver. É da natureza humana aproveitar esses momentos para essas reflexões e planejamentos pessoais.

Estou lendo muito. Além de ler vários artigos de conhecimento, política, cultura e mundo, li mais dois livros nestes dias de ausência dos blogs que mantenho. Li Mar morto (1936), do grande brasileiro Jorge Amado, e O sol também se levanta (1926), do norte-americano Ernest Hemingway. Ambos me deixaram pensando muito. Ambos, cada um ao seu jeito, me trazem reflexões sobre o mundo em desfazimento em que nos encontramos em 2017.

Estamos num momento da história humana em que alguns estudiosos começam a chamar de época ou era da "pós-verdade". Não importa mais a verdade factual em nossa vida social, a verdade é um detalhe sem importância, caso ela não se vincule ou confirme as teses hegemônicas dos grupos com mais capacidade de influenciar as massas humanas.

De certa forma, para quem sempre lutou por um tipo de sociedade e de mundo como eu, os tempos de pós-verdade trazem desafios quase que intransponíveis, mas estamos refletindo que lutar é preciso, até o fim, sempre, e nunca desistir, mesmo nos situando do lado das minorias, nas contra-hegemonias do sistema que governa o mundo.

Nas revisões que ando fazendo das dezenas de textos que produzi no último período de minha vida, tanto no blog de trabalho quanto no de cultura, estou concluindo que é uma espécie de obrigação deste cidadão seguir escrevendo, registrando, compartilhando o que pensamos e defendemos.

É isso, voltamos para as postagens.

William

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