domingo, 23 de julho de 2017

Leitura: A guerra dos mundos (1898) - H. G. Wells



Leitura de mais um clássico da literatura mundial.
Bela edição de A guerra dos mundos, de H. G.  Wells.

Refeição Cultural

"Ninguém teria acreditado, nos últimos anos do século XIX, que este mundo era atenta e minuciosamente observado por inteligências superiores à do homem e, no entanto, igualmente mortais; que, enquanto os homens se ocupavam de seus vários interesses, eram examinados e estudados, talvez com o mesmo zelo com que alguém munido de microscópio examina as efêmeras criaturas que fervilham e se multiplicam numa gota d'água. Com infinito comodismo, os homens iam de um lado para outro do globo, cuidando de seus pequenos afazeres, na serena segurança de seu império sobre a matéria...."

"(...) No entanto, através do abismo do espaço, mentes que em relação à nossa são como a nossa em relação às dos animais que perecem, intelectos vastos, frios e insensíveis, lançavam sobre este planeta olhares invejosos e, lenta e inexoravelmente, traçavam planos contra nós. E, no início do século XX, veio a grande desilusão..."


Assim começa este clássico fantástico de Herbert George Wells, ou H. G. Wells, publicado no final do século 19 na Inglaterra. Décadas mais tarde (1938), o cineasta Orson Welles adaptaria a ficção para uma interpretação em rádio que traria alvoroço nos Estados Unidos porque parte dos ouvintes achou que a transmissão não era ficção e sim realidade.

Li esta obra neste mês de julho. Ela me foi apresentada por uma estante de livraria, por causa da beleza da edição. Ela me fisgou. Ao ver o livro, tateá-lo e folhear o volume, não resisti e comprei. Esta edição da Editora Schwarcz é belíssima e traz as ilustrações feitas em 1906 pelo brasileiro Henrique Alves Corrêa.


Ilustrações de 1906, do brasileiro Henrique Alves Corrêa.

Ler um clássico da literatura mundial é sempre um passo adiante no autoconhecimento e na busca por se lapidar como um ser humano melhor. Eu alimento grande sonho de ler dezenas e dezenas de obras clássicas de todas as línguas e todas as origens deste mundo. Recomendo aos leitores deste Blog a experiência em ler A guerra dos mundos, de H. G. Wells.

O livro traz um prefácio bem interessante de Braulio Tavares e uma introdução de um membro da H. G. Wells Society, Brian Aldiss, que recomendo ler somente após a leitura do livro, porque revelam partes da obra. Tem também uma entrevista com Wells e Welles ao final bem interessante.


Comentário final

Estou tão amargo, tão triste com o que estão fazendo com o nosso País, que fico o tempo todo pensando se escrevo ou não escrevo o que vai em meus pensamentos.

Passei décadas de minha existência lutando para diminuir o ódio que sentia dos membros da Casa Grande e seus lacaios e capitães do mato nesta sociedade humana em que nasci e cresci. Levei uma vida toda incomodado com a iniquidade, com a exploração da classe trabalhadora a qual pertenço, e depois de aderir à luta de classes pelas vias democráticas de transformação social vem um novo golpe de Estado e acaba todo o processo democrático. Os vilões voltam a tomar conta de todos os órgãos do Estado para retroceder conquistas e direitos humanos em mais de século. E o povo está como sempre esteve, anestesiado com o pão e circo da manipulação proporcionada pela Casa Grande.

Não quero falar a respeito. Minha cabeça está a mil, um turbilhão de sentimentos ruins gira em minha mente. O que fazer? Onde me colocar nessa situação toda? Como agir contra o golpe com todos os contratos sociais que assinamos e estamos cumprindo com fidelidade canina enquanto ator social? Eu já vivo diariamente a minha guerra, no front de batalha para o qual me destacaram.


Espaço Vital - É disso que se tratam as guerras diversas

Ao ler A guerra dos mundos, tive uma percepção clara para o momento presente na metáfora Marcianos/Capitalistas e entendo que os golpistas brasileiros são parte de uma engrenagem maior no mundo, na disputa de hegemonia de poder, semelhante a outras épocas que a humanidade viveu. Não adianta querer argumentar ou dialogar com os marcianos; não adiantava querer argumentar ou dialogar com os nazistas; não adiantava querer argumentar ou dialogar com os imperialistas que chegaram às Américas ou aos países africanos para explorar e roubar nossas riquezas para levar aos palácios na Europa.

Ou se resistia em nome da própria existência, da existência da comunidade e cultura invadidas, e se morria lutando, ou se morria por extermínio, por inação. Não adianta querer argumentar ou dialogar com os deputados e senadores do golpe, com a Presidência do golpe, com a Justiça do golpe, com os meios de imprensa do golpe.

Apesar de meus pares humanos não se atentarem para a história do passado deles próprios, foi isso que aconteceu. É assim que funciona. Não há bandeira branca ou pacto social possível com esses golpistas encastelados nos espaços de poder estatal destruindo o Brasil e os direitos dos brasileiros em benefício deles mesmos. NÃO HÁ!

Acho que estamos na mesma condição real nesta quadra da história que a condição dos humanos enfrentando os marcianos na ficção - não há convivência entre ambos (até porque não há mais política, mataram ela mesmo).

É um pouquinho do que penso...

William

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