Refeição Cultural
LITERATURA POLÍTICA
O primeiro volume do livro de memórias do Zé Dirceu saiu em agosto de 2018 e eu adquiri imediatamente o meu exemplar. Quem melhor que ele para nos contar um pouco da história do Brasil, da esquerda brasileira e do Partido dos Trabalhadores?
Aquele ano foi um ano difícil para mim. Muitas mudanças em minha vida pessoal, além das mudanças na vida política do Brasil e do povo brasileiro. Quase tudo que li foi de pouca absorção. Estava tudo uma bosta!
Após ler umas duzentas páginas, interrompi a leitura. Anos depois, em 2024, já com outros contextos políticos e pessoais, reli desde o início o que havia lido em 2018 e novamente interrompi a leitura, por estar lendo diversos livros ao mesmo tempo.
Agora, em 2026, vou ler o livro todo e vou aprender um pouco mais com o grande brasileiro Zé Dirceu. O momento de ler e aprender é agora.
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1. SE NÃO ME FALHA A MEMÓRIA
Porque resolvi colocar no papel as minhas vidas e a minha luta
Zé Dirceu ganha o respeito de qualquer pessoa séria só com este capítulo inicial de suas memórias.
Ele informa que leu mais de cem livros para estudar e pesquisar tudo que iria registrar para nós.
Obrigado, companheiro Zé Dirceu!
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2. OS PRIMEIROS PASSOS NA POLÍTICA
De Passa Quatro para São Paulo, um salto para enfrentar a vida como ela é
Zé Dirceu escreve magnificamente bem. Leitura muito agradável a sua. Li pela terceira vez este capítulo.
Imaginando o jovem mineiro pelas ruas de São Paulo nos anos 60, vi também meu pai, apaixonado por essa terra de oportunidades.
Meus pais se casaram em agosto de 1964 e eu nasci na capital paulista sob a égide do AI-5 em abril de 1969.
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3. CORAÇÃO DE ESTUDANTE
Organizando o Movimento Estudantil para enfrentar a ditadura militar
Capítulo bem legal! Zé Dirceu nos conta sobre a força de organização do movimento estudantil nos anos 60.
Além da UNE e das UEEs, ele cita a Juventude Estudantil Católica (JEC), que já vi Frei Betto citando em seus textos.
"A segunda disputa se deu em torno da tática de lutas gerais e reivindicativas e mais uma vez vencemos. Estabelecemos uma combinação entre as reivindicações de mais verbas para a educação, reforma universitária, mais vagas, admissão e matrícula dos excedentes que, aprovados nos vestibulares, não eram matriculados por falta de vagas, com a luta contra a ditadura..." (p. 40)
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Comentário: Zé Dirceu nos lembra no texto da importância das táticas e estratégias no movimento estudantil na hora de encaminhar os objetivos traçados. Em 2002, fiz parte do movimento estudantil da FFLCH-USP que iniciou, dirigiu e encerrou uma das maiores greves de estudantes universitários do país. Foram 104 dias e, desde o início, numa salinha da Letras com 5 pessoas, disse que o foco da greve teria que ser as pautas da faculdade e não as pautas revolucionárias dos partidos dos caras na reunião. E deu certo! Conseguimos forte adesão estudantil, quase 100 professores novos e melhorias na estrutura da FFLCH.
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4. A OPOSIÇÃO E SUAS ARMAS
Quem era quem na luta para enfrentar a ditadura militar
"Organização político-militar e não partido, revolução socialista ou de libertação nacional, luta armada e guerrilha como principal forma de luta - crítica dura ao imobilismo e às teses do PCB, ao seu atrelamento à oposição legal, ao caminho pacífico e à burguesia nacional. Esses eram os divisores de água dentro da esquerda." (p. 51)
Comentário: o capítulo é fascinante para um militante de esquerda. Zé Dirceu descreve as infindáveis siglas e grupos da época, e aponta a eterna divisão na esquerda. Todo grupo se dividia em outros, menores... e assim, não conseguimos enfrentar a ditadura instalada no país.
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ÀS ARMAS, CIDADÃOS!
A luta para enfrentar a ditadura, que não dava sinais de deixar o poder
"(...) Eram intelectuais, estudiosos como Jacob Gorender, militares vividos e cultos como Apolônio, autodidatas como Marighella, leitores de Caio Prado Junior, Sérgio Buarque de Holanda, Gilberto Freyre, Raymundo Faoro, dos clássicos da filosofia e do marxismo." (p. 62)
Comentário: lacunas culturais incríveis as minhas aos 57 anos de idade.
Zé Dirceu, após nos contar a história dos golpes de Estado no Brasil, promovidos pela elite canalha de sempre, conclui:
"Portanto, nada mais normal na história do Brasil do que recorrer às armas para resolver conflitos políticos e sociais. Para tomar o poder e rasgar a Constituição como em 1937, 1955, 1961 e, por fim, 1964. Nada mais brasileiro que erguer o braço armado contra a tirania, como em 1922, 1924, 1930 e 1935." (p. 68/69)
E:
"A luta armada existiu como imperativo moral e político. Por causa dos homens e mulheres que a fizeram com bravura e altíssimo sacrifício pessoal, centenas deles dando o único bem que possuíam, a vida..." (p. 71)
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Comentário final
Estamos às vésperas de mais um processo eleitoral brasileiro, em outubro próximo. O presidente Lula se coloca à disposição para concorrer a um quarto mandato. Pela conjuntura nacional e internacional, acho imprevisível o que pode acontecer nesse futuro próximo.
O companheiro Zé Dirceu está se tratando de um câncer, descoberto há poucas semanas. Ele está bem, otimista, e é pré-candidato a deputado federal pelo Partido dos Trabalhadores de São Paulo. Estamos todos na torcida por sua recuperação e por sua eleição. É um grande homem e uma figura que sempre contribuiu para as lutas do Brasil e do povo brasileiro.
Sigamos lendo e estudando para tentar entender a realidade e avaliar as possibilidades de alterá-la em benefício da coletividade.
William
12/07/26

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