Refeição Cultural
Quinta-feira chuvosa. Estou firme na leitura das memórias do companheiro Zé Dirceu.
Quero acabar a leitura. Sempre que lemos grandes livros, no tamanho e no conteúdo de qualidade, chega um momento no qual queremos terminar a tarefa empreendida.
Vamos lá!
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27. QUEDA DE BRAÇO
No meio de uma reunião convocada pelo presidente Lula, uma briga: José Dirceu versus Antônio Palocci
Primeiro ano de governo Lula e Palocci e Meirelles (BC) propõem autonomia do Banco Central. Defendiam mais juros e mais superávit.
Zé Dirceu afirma que "O poder da Fazenda era total e Palocci o exercia com maestria..." (p. 361)
As prioridades da Casa Civil eram o Bolsa Família e o Desmatamento Zero (p. 362). Informa que o Pronaf iria crescer dez vezes (p. 363).
Fortalecer o mercado interno:
"Lula foi tecendo um caminho do meio para evitar o custo social do ajuste e engendrar uma política anticíclica de novo tipo, criando demanda via Bolsa Família, crédito consignado, salário mínimo e benefícios da assistência social e previdência. Quer dizer, induzindo na prática a retomada do investimento, apesar dos altos juros e do baixo investimento público." (p. 363)
Lula forçou os bancos públicos a atenderem o pequeno, o pobre, o excluído, o trabalhador. (p. 364)
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28. DO BRASIL PARA O MUNDO
Contra a vontade da Globo e da oposição, o Bolsa Família é um sucesso e vira notícia mundial
Neste capítulo, Zé Dirceu relembra fatos importantes do primeiro governo Lula, com destaque para a efetivação do Bolsa Família, muito atacado pela Globo e pelas elites.
Uma questão complexa foi a reforma da Previdência. O foco do governo era a aposentadoria dos servidores públicos, principalmente as altas aposentadorias do legislativo, do judiciário e dos militares:
"Salta à vista a iniquidade, afora o fato de que, no INSS, são 22 milhões de beneficiados enquanto no serviço público não alcançam 2 milhões." (p. 368)
Mesmo com o foco descrito acima, Zé Dirceu afirma nas memórias que é irreal pedir uma Previdência Social sem déficit no Brasil por diversos fatores econômicos que beneficiam o andar de cima.
"Faço essa observação para me posicionar perante a reforma da Previdência do governo Lula, que encontrou forte resistência no partido, nas bancadas, na esquerda, nos sindicatos, nas universidades e no serviço público." (p. 370)
A política de aumento real do salário mínimo foi outro grande acerto do governo Lula. Participei das marchas sindicais cutistas dessa luta histórica!
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29. É GUERRA
Os tucanos iniciam uma caminhada para desestabilizar o Governo Lula
Zé Dirceu descreve as armações dos adversários nos primeiros anos do governo Lula.
Destaque para a Gtech na Caixa Econômica Federal. O autor apresenta dados revelados uma década depois, aponta envolvimento de Veja (da Abril) e o bicheiro Carlos Cachoeira e Demóstenes Torres.
Também fala das contas CC5 do escândalo do Banestado. O responsável já naquela época era um tal de Sérgio Moro... não sei se vocês já ouviram falar nele... a CPI do Banestado virou pizza.
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30. O RACHA
Dividido, o Partido dos Trabalhadores perde a presidência da Câmara
Dois petistas, Eduardo Greenhalgh (SP) e Virgílio Guimarães (MG) disputaram a presidência da Câmara na sucessão de João Paulo Cunha (PT-SP). Deu uma merda generalizada. Severino Cavalcanti (PP) foi eleito.
Outro destaque do capítulo: o exército afronta o governo enaltecendo o golpe e a ditadura:
"Uma nota do exército, já em outubro, com uma atitude inacreditável, justificava o golpe em nome da defesa da democracia, falseando a história, como se a ditadura tivesse sido reação a um levante armado comunista. Era a volta da doutrina da segurança nacional, do inimigo interno a serviço do movimento comunista internacional, pretexto para a tortura, crimes e violação dos direitos humanos." (p. 402)
No final do capítulo, Zé Dirceu informa que saiu do governo em novembro de 2005.
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31. "NÃO SABIA QUE TINHA TE NOMEADO MINISTRO DA DEFESA"
O dia em que ouvi essa frase do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, depois de uma palestra
Amigas e amigos leitores, o mais espantoso deste capítulo está em seu final, em uma lembrança de Zé Dirceu sobre a visita de Fidel Castro à casa de Lula em 1989. O líder revolucionário cubano, que sobreviveu a mais de 600 tentativas de assassinato, quase se complicou com um bife a rolê... a cena é desesperadora!
Zé Dirceu também nos conta sobre o fim da Alca, o velório de Arafat, e sua versão sobre a liderança do Brasil no Haiti. Eu nunca tinha pensado na questão sob a ótica que ele apontou.
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COMENTÁRIO FINAL
Foram muitas lembranças e novidades advindas com a leitura dos cinco capítulos desta postagem.
Minha representação política como dirigente da categoria bancária coincidiu com esse período abordado por Zé Dirceu: o primeiro governo Lula e alguns fatos do segundo governo.
Espero terminar essa aventura histórica em mais um sentada. Faltam algumas dezenas de páginas.
William
10/09/26

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