domingo, 5 de abril de 2015

Diário - 050415


Vale ou não vale a pena correr embaixo de
 uma floresta como essa?

Domingo à noite.

Acabou o feriado de Páscoa. Estive em Brasília nestes dias.

Hoje tomei chuva duas vezes. A primeira quando fui comprar pão pela manhã. Assim que saí de casa e andei uns 50 metros, tibum! Chuva forte me ensopou. Relaxei e fui fazer o que tinha que fazer. Aqui em Brasília a chuva é assim, de repente.

À tarde, saí para correr. Minha meta hoje era um longão. No meio da corrida, tibum! Uma chuvona da hora. Segui correndo até completar o percurso mentalizado - 8 km, que fiz em 51'. Fiz um percurso entre as alamedas perto de casa embaixo de muito verde. 


Curicaca comum como as que vi hoje.
Foto de Flávio Brandão (internet)

Um casal de pássaros que nunca tinha visto me chamou a atenção durante as quatro voltas. Pesquisando depois, soube que se tratava de curicacas comuns. Já tinha curtido muito as revoadas de maritacas pela manhã. Mas as curicacas comuns foram meu deslumbramento do domingo.

A corrida é uma coisa interessante. Sabe quando você está com o diabinho no cérebro falando "não corre não" ou "pra que fazer o percurso todo... já tá bom!".

Na hora que começou a chover, o bichinho ficou assim na minha orelha. Mas a pessoa que sou e que estou diariamente alimentando, não desiste de nada e não tem espaço para preguiças ou coisas do gênero.

Completei e depois a sensação é de um prazer tão grande que só quem não desiste das coisas sabe o que é isso.

Li um pouco de Alfredo Bosi e seus profundos ensinamentos sobre ideologia e contraideologia. Vivo as consequências dessa coisa de gente sendo influenciada e defendendo os interesses dos outros, que não são os de si próprios enquanto classe trabalhadora. Vivo isso o tempo inteiro!

Ao fim da tarde, assisti ao programa Planeta Terra, na TV Cultura. Foi sobre caranguejos aranha gigantes na Austrália. Eu tenho uma formação pessoal cuja forma de ver o mundo tem muita relação com a percepção do mundo animal.

SOBREVIVÊNCIA DAS ESPÉCIES TEM MELHOR PERSPECTIVA COM APOIO MÚTUO - UNIÃO GARANTE PERPETUAÇÃO DA ESPÉCIE

Quando reflito a respeito de nós, mamíferos humanos, sempre relaciono com o restante da fauna animal no planeta Terra.

Os caranguejos gigantes da Austrália se reúnem uma vez por ano nas áreas mais rasas e próximas ao litoral, no dia da lua cheia porque as ondas mais fortes serão fundamentais para o processo que vão passar de troca das cascas.

Eles se encontram às dezenas de milhares, cobrindo o fundo do mar, para poderem trocar suas cascas e perpetuarem sua espécie, porque durante uma hora eles ficam frágeis e são refeição de um sem número de predadores. Mas por uma questão de volume, se aglomeram e cumprem sua função vital e depois voltam às suas vidas por mais um ano.

Será que é tão difícil o ser humano conseguir se ver como uma espécie animal e entender que o que nos mantém, assim como a história da vida no planeta, é o trabalho em coletivo e pelo bem comum?

O ser humano se achar como o suprasumo do poder e da independência enquanto mamífero é de uma burrice e estupidez dantesca! Basta um resfriado, uma caganeira, um mosquito Aedes Aegypti para o ser humano ver como que sozinho ele não é nada!

Mas vai falar isso para os super ultra liberais que acham que o mundo gira ao redor deles...

Vamos para mais uma semana de luta em prol da nossa Cassi e por um mundo mais justo e solidário porque eu e todos nós somos animais e precisamos uns dos outros em nossa espécie.

William Mendes

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