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sexta-feira, 8 de janeiro de 2021

Livro: Las armas secretas - Julio Cortázar



Refeição Cultural - Cem clássicos

Completei a leitura do primeiro de meus livros do escritor argentino Julio Cortázar, Las armas secretas (1959). Algumas narrativas do livro são consideradas verdadeiros clássicos do autor e da literatura hispano-americana do século XX como os contos "Las babas del diablo" e "El perseguidor".

Neste livro temos reunidos os contos: "Cartas de mamá", "Los buenos servicios", "Las babas del diablo", "El perseguidor" e "Las armas secretas". Todos muito bons!

Cortázar é um autor de leitura exigente, pelo menos na minha opinião. O escritor nos coloca a pensar durante a leitura de seus textos. Ele é um dos principais autores do Boom latino-americano dos anos sessenta e setenta.

Ao ouvir um trecho de uma entrevista com Cortázar fiquei encantado com ele. Ao falar sobre o período (Boom), os autores e as obras da época, ele diz ser mentira a tese de que as editoras que teriam sido responsáveis por darem a linha editorial para os contos e romances do Boom

Cortázar explica que o que contribuiu para os argumentos e enredos das narrativas latino-americanas nos anos sessenta foram as consequências da exploração imperialista aos países e povos da região. Alguns bons autores passaram a ser lidos e editados por grandes editores após o público reconhecer suas obras. E não o inverso.

Ele Cortázar disse que produziu suas narrativas na solidão e na miséria e só depois do público leitor reconhecer seu valor foi que as editoras passaram a recepcioná-lo como grande escritor. 

Minha estreia na leitura de Cortázar foi no início do curso de Letras, quando fiz uma disciplina das mais interessantes: vimos como autores latino-americanos abordavam a questão da morte e as diversas crenças no pós morte em seus textos literários. Dele, lemos "Cartas de mamá", o primeiro conto deste livro.

O conto "Las babas del diablo" foi inspiração para o filme Blow-up (1966), do diretor Michelangelo Antonione. O final da estória é aberto e nos coloca a refletir sobre a narrativa. Os textos de Cortázar trabalham muito com o estranho, com situações que sejam incomuns, que chamem a atenção ou que de alguma forma incomodem o leitor. Este conto não é diferente.

O conto "O perseguidor" é muito bom. Traz como pano de fundo o mundo do jazz e o personagem principal, Johnny Carter, é inspirado em Charlie Parker (1920-1955). Bird, como era conhecido, foi um fenômeno incompreendido em seu tempo, que buscou (ou perseguiu) quase o impossível através de suas improvisações musicais.

O último conto do livro, "Las armas secretas" é bem difícil. Li duas vezes, uma após a outra, para compreender melhor a narrativa. Novamente, a estória trabalha com o estranho. 

Enfim, mais um clássico da literatura mundial.

William


quarta-feira, 6 de janeiro de 2021

060121 - Diário e reflexões



Refeição Cultural

Quarta-feira, 6 de janeiro do ano 2 do Covid-19. Que temos visto, lido, ouvido, refletido?

Estou terminando a leitura de um livro de contos de Julio Cortázar, Las armas secretas (1959). Falta um conto agora. Literatura é importante para os seres humanos, para sermos Seres Humanos. Acreditem! Se possível, leiam textos literários diariamente, nem que seja por meia hora. Se não tiverem o hábito, comecem a ter. Podemos salvar a humanidade se salvarmos a linguagem, a cultura, a educação, o cérebro humano.

Estou criando coragem para fazer meu trabalho de conclusão da matéria que estudei no semestre passado na faculdade, temos que entregar o texto no início de fevereiro. Feito isso, encerrarei uma etapa de minha vida, uma das coisas boas que fiz nos últimos dois anos de crise profunda do Brasil golpeado e em destruição. Assim que concluir o bacharelado em Letras, terei que estabelecer outras coisas boas para perseguir e alcançar na vida.

Não sei vocês o que pensam, mas eu tenho claro que os longos dias do ano de 2021 serão para o povo brasileiro iguais ou piores que os dois anos desgraçados sob o regime neofascista implantado pelos tucanos, emedebistas e pelos meios de comunicação empresarial (P.I.G.: Partido da Imprensa Golpista), ferramentas ideológicas da casa-grande que destruiu o país só para interromper os avanços que vinham ocorrendo para a classe trabalhadora durante os governos do Partido dos Trabalhadores (2003-2014). 

Esses golpistas lesas-pátrias da casa-grande e dos partidos de direita e seus servidores infiltrados nos órgãos do Estado deveriam sofrer julgamentos em cortes penais internacionais por crimes contra a humanidade. É só ver o genocídio atual por causa deles em relação à pandemia: 197.732 mortos e 7,8 milhões de contaminados e sequelados. Não teremos vacina contra Covid-19 neste ano e com isso não teremos retomada da economia, dos empregos, da vida. As mortes morridas e matadas, as mortes severinas, vão aumentar no Brasil de Bolsonaro, P.I.G. e elite do atraso. 

Neste momento em que escrevo a postagem, a imprensa divulga que o demente no poder vetou a compra de insumos como seringas para a vacinação contra o novo coronavírus. Já não temos plano de vacinação. Bolsonaro não é impedido porque ele está fazendo nestes dois anos o que a casa-grande quer, destruindo o Estado nacional e os direitos do povo. A pandemia e as mortes são estratégicas para o regime fascista, pois assim parte da vanguarda que poderia estar nas ruas mobilizando está paralisada para não contribuir com a expansão da contaminação pelo vírus.

Como o ano será duríssimo, um ano de impasse na frente de batalha entre capital versus trabalho (1% X 99%), impasse como ocorreu nos anos finais nos fronts da 1ª Guerra Mundial (1914-1918), temos que trabalhar nosso psicológico e nosso físico para sobreviver, para resistir, sob condições ruins de vida, porque não podemos circular por aí por causa da pandemia. Temos que sobreviver a este período de exceção, que começou em 2016. E ao mesmo tempo temos que estudar e nos fortalecer para as batalhas que virão.

Resistir. Vamos ver esses desgraçados golpistas caírem. O clã miliciano e seus principais membros ainda serão julgados, condenados e presos. Mais que isso, eu ainda sonho com o fim do capitalismo e dos capitalistas (o 1%) e a vitória do povo com um novo regime mundial, o socialismo, que pode salvar os 99% da população do mundo e a vida no planeta Terra.

William


terça-feira, 24 de novembro de 2020

Tempo (XV)



Refeição Cultural

"um jazzman, caçador do indizível..." (Davi Arrigucci Jr.)


Retomo a temática do tempo, das diversas formas de configuração do tempo nas narrativas, lendo um texto do professor Davi Arrigucci Jr. sobre o conto "O perseguidor" de Julio Cortázar. As reflexões do intelectual estão no livro O escorpião encalacrado, no capítulo "A destruição anunciada". O conto de Cortázar está no livro Las armas secretas (1959). Este livro eu tenho, ele foi adquirido numa viagem que fiz a Buenos Aires.

Arrigucci Jr. inicia o ensaio elogiando o conto de Cortázar, joia rara em meio a uma produção literária que já é excepcional em seu conjunto. A narrativa vai tratar da complexa questão do debate entre criação e crítica. 

"É desses instantes de alumbramento em que problemas fundamentais que preocupam o autor, constituindo, para ele, tema significativo, conseguem, graças a uma técnica extremamente eficaz, expressão num todo orgânico, capaz de envolver o leitor no dramático debate que nele se trava entre criação e crítica, nos próprios meandros da consciência criadora, dilacerada no mundo contemporâneo." (ARRIGUCCI JR.)

Cortázar vai refletir sobre a linguagem e a poética através da história do jazzman Charlie Parker (1920-55), o Bird, um fenômeno incompreendido em seu tempo, que buscou (ou perseguiu) quase o impossível através de suas improvisações musicais. A estória do personagem Johnny Carter traz muitos traços biográficos do músico na vida real.

No texto de Arrigucci Jr. temos acesso a várias informações muito interessantes. Enquanto leio, ouço uma interpretação da música "Out Of Nowhere" pelo mestre do Bebop, Charlie Parker. (depois fiquei ouvindo diversas músicas de Parker)

"Quando, então, se cotejam os fatos principais da vida de Johnny com os dados biográficos de Parker, salta aos olhos a fidelidade do retrato literário, como um signo icônico da realidade. Traços gerais e alguns muito peculiares coincidem totalmente: a miséria; a toxicomania; a vida atormentada e solitária; a falta, muitas vezes, do instrumento para tocar; o estranho hábito das longas viagens noturnas, sem destino, no metrô; o domínio perfeito de uma técnica musical incomum, nunca utilizada gratuitamente; a fidelidade à busca do alvo esquivo, com riscos de 'imperfeição' formal, de destruição da linguagem (como Parker teria dito certa vez: 'eu já não aguentava as harmonias estereotipadas que qualquer um tocava então. Não parava de pensar que devia haver algo diferente. Às vezes, eu podia ouvi-lo, mas não o podia tocar...'), etc" (idem) 

O sublinhado acima é meu, porque Arrigucci jr. comentou antes no texto essa busca, o que faria de Johnny/Charlie um "perseguidor" do algo novo, inédito, inalcançável.

Ao mesmo tempo em que há certa fidelidade biográfica entre personagem e músico (Johnny/Charlie), vemos também a liberdade poética de Cortázar ao inserir no enredo outras referências do mundo da arte, como o poeta Dylan Thomas (1914-53), mesmo sabendo que o preferido de Parker era Omar Kayyam.

"Mas a mudança para Thomas, poeta contemporâneo de Parker (ele nasceu em 1914 e morreu em 1953), representa uma intuição profunda de Cortázar, um achado notável do ponto de vista da coerência literária, uma vez que capta, por debaixo das diferenças, uma analogia fundamental entre essas duas breves existências, autodestruidoras e lendárias, da arte contemporânea." (idem)

Arrigucci Jr. se pergunta ao final da primeira parte do capítulo: "Como pôde o aparente perseguido deixar à mostra, no texto literário, toda a sua grandeza humana de um autêntico perseguidor do impossível?". E ele mesmo já antecipa o que vai avaliar a seguir, as técnicas narrativas: "A passagem da biografia à narrativa literária, à forma artística, à estrutura de signos, ambígua e polissêmica, capaz de se desprender das circunstâncias genéticas imediatas e ganhar a autonomia estética e o raio de ação dos símbolos, mantendo, ao mesmo tempo, vinculações com a realidade, coloca-se aqui como um problema fundamental." (idem)

Paro por aqui a postagem de leitura.

William


Bibliografia:

ARRIGUCCI JR., Davi. O escorpião encalacrado (A poética da destruição em Julio Cortázar). Editora Perspectiva. (não tenho a edição, é um pequeno trecho do livro fotocopiado para estudo universitário)


sexta-feira, 20 de novembro de 2020

Tempo (XIV)



Refeição Cultural

Estou relendo o conto de Julio Cortázar, "O perseguidor", do livro As armas secretas (1959) e o personagem principal, Johnny, fala sobre a questão do tempo. Ele acha incrível o fato de poder pensar em ações e acontecimentos que duram muito mais tempo do que o tempo físico e cronológico. O caso que ele conta é sobre ver em seus pensamentos sua mãe fazer uma oração enorme, pessoas tocarem músicas de vários minutos e tudo isso acontecer num curto espaço de tempo real, do relógio, entre uma estação e outra do metrô, coisa de um minuto e meio. Ele considera o metrô como um relógio e as estações os minutos.

"- Um minuto e meio, nada mais, pela sua conta, pela conta do tempo dessa aí - disse rancorosamente Johnny. - E também pelo do metrô e pelo do meu relógio, malditos. Então, como pode ser que eu tenha pensado durante quinze minutos, hein, Bruno? Como se pode pensar um quarto de hora em um minuto e meio? Juro que naquele dia eu não havia fumado nem um pedacinho, nem uma folhinha - acrescenta, como um menino que pede desculpas. - E depois tornou a me acontecer, agora começa a me acontecer em todos os lugares. Mas - acrescenta astutamente - só no metrô posso perceber porque viajar no metrô é como estar metido num relógio. As estações são os minutos, você entende?, é esse o tempo de vocês, de agora; mas eu sei que existe outro e andei pensando pensando..." (CORTÁZAR, p. 87)

Essa parte do conto de Cortázar me lembrou o conto de Jorge Luis Borges, "O milagre secreto", que também já lemos no programa da disciplina de Literatura Comparada II, com a professora Viviana Bosi. Nele, o personagem no corredor da morte pede a Deus mais tempo para terminar seu romance inacabado. De alguma forma, o personagem recebe esse tempo extra que precisava e consegue terminar sua obra, apesar do tempo físico seguir nos segundos do relógio dos nazistas e do pelotão de fuzilamento. A passagem é muito bonita para nós leitores que soubemos do acontecimento, porque os leitores do mundo ficcional do enredo nunca souberam que Hladik conseguira terminar a obra de sua vida, "Os inimigos". Veja abaixo seu pedido de tempo:

"Pensou que ainda lhe faltavam dois atos e que em breve ia morrer. Falou com Deus na escuridão. 'Se de algum modo existo, se não sou uma de tuas repetições e erratas, existo como autor de Os Inimigos. Para levar a termo esse drama, que pode justificar-me e justificar-te, requeiro mais um ano. Outorga-me esses dias, Tu de Quem são os séculos e o tempo.' Era a última noite, a mais atroz, mas dez minutos depois o sono o inundou como água escura." (BORGES, p. 570)

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A releitura do final do conto de Borges, o drama de Hladik, me comoveu intensamente. Lágrimas! E o ano extra que ele teve para concluir sua obra lhe foi concedido... e tudo durou uma certa quantidade de segundos no tempo do relógio nazista... aff! Que dureza!

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Reflexão após leituras

Todos esses estudos ligados à questão do tempo e das "configurações do tempo em diversas formas de narrativa e poesia" - nome que a professora Viviana Bosi deu à disciplina que estamos fazendo - tem feito com que eu reflita muito e sobre muitas coisas. Sobre a vida, sobre a sociedade, sobre o tempo em tempos de pandemia mundial de Covid-19. Sobre sentidos e busca de sentidos nas coisas. Sobre a história.

Meu curso caminha para seu fim. O fim de um tempo em minha vida. Ao mesmo tempo, o contexto mundial faz com que tenhamos a sensação que muitas coisas caminham para o fim também. O fim de uma época, de uma era. Um ciclo histórico, talvez. E com muitas incertezas sobre o futuro (é claro!); futuro que poderia ser um reflexo distorcido do passado, já que entendo que o passado não se repete, apesar das concepções ideológicas que tentam negar o presente histórico com a tese de buscar no futuro o passado, aliás um passado mítico, inventado, que nunca existiu.

Enfim, vamos seguir lendo e estudando. Tenho que encontrar sentidos mesmo sabendo que não há sentidos a encontrar. A gente cria sentido para as coisas para justificar a existência de algo ou de alguém.

William


Bibliografia:

BORGES, Jorge Luis. Obras completas, Volume 1, 1923-1949. Editora Globo.

CORTÁZAR, Julio. As armas secretas. Tradução de Eric Nepumoceno. 2ª edição, José Olympio Editora.


domingo, 31 de maio de 2020

Instantes (15h34)


Imagem de divulgação.

(atualizado em 24/7/20)

O estudante sabia que tinha que fazer a lição até o dia seguinte, o último dia de prazo. A lição havia sido pedida há uns quinze dias. Mas ele queria descansar um pouco daquele tema, língua japonesa. Deixa que no domingo ele faz e sobe o arquivo. Ao zapear a TV para ver se teria algo interessante na programação, viu que à noite iria passar o filme Blow-Up, de Michelangelo Antonioni. O filme era um clássico de um diretor clássico baseado num conto clássico de Julio Cortázar. Ele nunca leu o conto do escritor argentino, apesar de tê-lo bem ali na estante de casa, numa pequena coleção que comprou numa viagem de passeio a Buenos Aires. Decidiu que veria o filme à noite.

O filme foi bem interessante. O cinquentenário gosta mais de filmes antigos do que de filmes atuais. Sua companheira detesta filmes assim. Já ele prefere, apesar de conhecer pouco sobre filmes. O filme de Antonioni é de 1966. E o conto de Cortázar que inspirou o diretor é de 1959. No filme, um fotógrafo meio doidão tira fotos num parque e decide fotografar um casal, a mulher se incomoda e pede ao fotógrafo que lhe entregue o filme. Ele diz que depois o fará e vai embora. A mulher é uma morena e o procura depois. O filme é bem psicodélico, com uma cena envolvendo um monte de gente num apartamento em meio a drogas, bebidas e orgias. No filme todos são muito muito magros. Isso chamou a atenção. O filme tem um final que deixa a imaginação pensando a respeito dos acontecimentos. 

O eterno estudante pegou o livro na estante e decidiu que na manhã seguinte iria ler o conto de Cortázar, "Las babas del diablo", do livro Las armas secretas. Logo pela manhã, "logo" seria lá pelo meio-dia porque ele não teve saco de levantar-se cedo e ficou enrolando na cama até tarde. Gostou muito do conto. Gostou. No conto, o casal não é de uma mulher e um homem mais velho; é de uma mulher adulta e loira e um jovem de quatorze para quinze anos. As estórias são diferentes. A marca comum é a paisagem erma no parque, a terceira pessoa que observa, além do fotógrafo, e do vento forte naquele instante. O final é doido também, aberto. 

Esses clássicos são muito instigantes para ele, dão-lhe uma sensação de mais uma etapa vencida em seu antigo desejo de conhecer os clássicos da cultura universal.

O domingo segue. Ele tem que pegar a lição de japonês e estudar aqueles kanjis...

domingo, 14 de setembro de 2014

Diário - 140914 (Dinossauros...)



Eu, Noni e o Tiranossauro Rex.

Refeição Cultural

Acabou o fim de semana.

Já saio de madrugada nesta segunda, para voltar ao trabalho em Brasília - DF. Vou dormir menos que o necessário, de novo.

Estou há uma semana com a garganta inflamada. Como me conheço bem, sei que é devido ao excesso de trabalho e falta de dormir o mínimo necessário para o descanso. Eu preciso me cuidar e rever minha rotina porque o corpo está me dando avisos de que assim não dá.

Neste fim de semana, fui com minha esposa ver a exposição de dinossauros no Shopping Anália Franco, em São Paulo. Foi bem legal e cumpri meu compromisso com ela. Ao final, tomamos um delicioso café.

Tentei fazer coisas que me dão prazer como, por exemplo, ler e andar ou correr. Mas estou sem energia devido à inflamação da garganta e só caminhei hoje (me arrastei).

Li o conto "Liliana llorando", do argentino Julio Cortázar, do livro Octaedro (1974). Preciso ficar atento para não perder meu domínio da língua castelhana. Mas foi só isso.

Limpei meu aquário. Cuidei de meus peixinhos velhinhos. Somos responsáveis por aquilo que cativamos... meus tetras, mato-grossos e acarás não são só tetras, mato-grossos e acarás, são os meus tetras, mato-grossos e acarás.

Falei com meus paizinhos por telefone.

É isso.

É necessário que eu fique atento aos sinais de meu corpo. Tenho que dormir mais, senão vou quebrar.


Post Scriptum (4/01/16):

Pois é, relendo este diário, chateou-me lembrar que meu corpo estava me avisando que eu estava exagerando na agenda e no estresse. Faz dois meses que descobri a alteração em minha pressão arterial, que está alta e isso é bem perigoso para vários órgãos internos como rins, coração, artérias, olhos. Que merda! Eu nunca tive medo de morrer, mas não esperava ficar doente crônico...

Hoje, minha pressão está 12,2 x 9,2.