A água já tinha subido mais de um metro em casa. Quando chovia muito forte, o córrego do Rio Pequeno transbordava e a água subia a rua de casa e invadia tudo.
Toda época de chuva, era enchente e perda das coisas em casa. A lembrança do barro fedido nas coisas fica gravada na memória de criança da gente.
Naquele dia de enchente, eu vi pela janela o barquinho azul flutuando naquele oceano de água barrenta em frente de casa. Comecei a gritar para meus pais pegarem o barquinho pra mim.
Era perigoso ir lá fora com água pela cintura, mas algum adulto fez a gentileza e resgatou o barquinho da inundação e me deu.
O barquinho azul ficou comigo até quando fui embora pra Uberlândia, nas Minas Gerais, após os dez anos de idade.
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Instantes de uma vida

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