Refeição Cultural
Neste texto, sigo a leitura da obra de Vladimir Lênin sobre a questão do esquerdismo, recortando alguns excertos que achar interessantes.
Ao longo de minha vida de representação política e sindical da categoria bancária, como membro da maior corrente política da Central Única dos Trabalhadores, a Articulação Sindical, sempre tive claro essa questão do esquerdismo.
A obra de Lênin só confirma o que aprendi na prática política em mais de duas décadas de militância.
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Capítulo VII - Deve-se participar nos parlamentos burgueses?
Lênin avalia o conteúdo de um boletim dos comunistas "esquerdistas" da Alemanha. Eles afirmam que o parlamentarismo caducou e por isso não devem tentar participar e influir naquele sistema de representação política. O ano é 1920.
O líder revolucionário russo discorda dessa leitura, diz que "Mais uma vez, constatamos que os 'esquerdistas' não sabem raciocinar".
E segue:
"(...) poderíamos assegurar sem vacilar que o parlamentarismo na Alemanha ainda não caducou politicamente, que a participação nas eleições parlamentares e na luta através da tribuna parlamentar são obrigatórias para o partido do proletariado revolucionário, precisamente para educar os setores atrasados de sua classe, precisamente para despertar e instruir a massa aldeã inculta, oprimida e ignorante."
Lênin, após criticar também os esquerdistas holandeses e suas infantilidades ao defenderem não disputar os parlamentos, enumera condições específicas da Rússia de 1917 que contribuíram para o êxito da Revolução.
Depois afirma:
"(...) E a repetição dessas condições ou de outras semelhantes não é nada fácil. Por isso, entre outras razões, é mais difícil para a Europa Ocidental que para nós começar a Revolução socialista. Tratar de 'furtar-se' a essa dificuldade 'saltando' por cima do árduo problema de utilizar os parlamentos reacionários para fins revolucionários é pura infantilidade."
O líder russo é claro e objetivo em suas explicações. Há que se conjugar o trabalho legal de organização da classe proletária e camponesa, nos parlamentos, com a ilegal, clandestina.
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Capítulo VIII - Nenhum compromisso?
Lênin nos explica como as classes dominantes e burguesias europeias enganavam as classes populares com uma ideia de compromisso, primeiro "patriótico", durante a guerra de 1914-1918, e depois com a "Sociedade das Nações", no fundo o interesse era o de sempre, espoliar as riquezas do povo.
Fica claro, para mim, que não se deve só apostar em guerras e sim avaliar acordos táticos com outros grupos "mesmo que sejam apenas temporários", diz Lênin, e que possam dividir o inimigo.
O líder revolucionário da única Revolução que havia triunfado até ali, 1920, diz no texto o quanto seguia difícil mantê-la para o proletariado, pois a burguesia era organizada internacionalmente. Além da questão do costume, do hábito mental, dos produtores de quase tudo na própria Rússia (ideologia da classe dominante, eu diria).
Tratado de Versailles
"Finalmente, um dos erros incontestes dos 'esquerdistas' da Alemanha consiste em sua insistência inflexível em não reconhecer o Tratado de Versailles".
Lênin tem posição firme na estratégia e foco em derrotar a burguesia e, para isso, o Tratado seria bom em questões táticas.
"A derrubada da burguesia em qualquer dos grandes países europeus, inclusive Alemanha, é um acontecimento tão favorável para a revolução internacional que, em proveito dessa derrubada, podemos e devemos aceitar, se for necessário, uma existência mais prolongada do Tratado de Versailles. Se a Rússia pôde resistir sozinha durante vários meses ao Tratado de Brest, com proveito para a Revolução, não é nada impossível que a Alemanha Soviética, aliada à Rússia Soviética, possa suportar mais tempo com proveito para a revolução o Tratado de Versailles."
E o líder russo finaliza o capítulo alertando:
"(...) é uma tolice e nada tem de revolucionário. Aceitar o combate quando é claramente vantajoso para o inimigo e não para nós constitui um crime, e não servem para nada os políticos da classe revolucionária que não sabem 'manobrar', que não sabem concertar 'acordos e compromissos' a fim de evitar um combate que todos sabem ser desfavorável.".
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Comentário final
Amigas e amigos leitores, é quase impossível não me lembrar neste exato momento brasileiro e internacional, na véspera do processo eleitoral de 2026, de certas correntes, partidos e grupos que se consideram mais à esquerda que nós, petistas e cutistas, ao ler essa obra seminal de Vladimir Lênin sobre a doença infantil do esquerdismo.
Seguimos nas lutas!
William
23/06/26


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