sábado, 1 de agosto de 2026

Aos dez anos, minha vida mudou (23)


A lembrança que tenho é de falar para meus pais que se eles quisessem poderiam vender meus brinquedos pra ajudar na situação ruim que a gente estava vivendo. 

Estava no banco de trás do carro em movimento. Não sei dizer se foi na viagem definitiva para Minas Gerais, deixando para trás meu mundo. A cena é real, o contexto é suposição. 

No futuro, olharia para a primeira infância vivida no Rio Pequeno como o período no qual fui feliz. O sobradinho, os amigos e brincadeiras, nosso cachorro pequinês Leique, o colégio Adolfino. 

Tombos de bicicleta, empinar pipa, jogar bola, os cortes na cabeça com pedrada, latada e dentada, as idas na casa dos tios que moravam na Ricardo Cipicchia, atrás do Adolfino, as demais crianças da família, que eram tipo primas, tudo ficou no passado.

Com dez anos de idade, chegava com meus pais e minha irmã a Uberlândia, para começar uma nova vida. Era 1980. Nossa primeira casa foi no fundo do quintal da Dona Nenzinha. E nossa escola seria o Hortêncio Diniz, na mesma rua de casa. 

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Instantes de uma vida