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sexta-feira, 11 de setembro de 2026

Lendo a biografia de Santos Dumont (6)



Refeição Cultural

"E confessou, alguns anos depois, que não saberia descrever, de forma exata, 'a surpresa, a alegria, a embriaguez produzida por esse livre movimento diagonal da proa do aparelho, na ascensão ou na descida, combinado com as bruscas mudanças horizontais de direção, quando a aeronave responde a um comando do leme'. Concluiu estas considerações dizendo que os pássaros deviam experimentar a mesma sensação ao distenderem as suas longas asas e no instante em que, como setas, atravessam o firmamento." (As lutas, a glória e o martírio de Santos Dumont, Fernando Jorge)


Em setembro de 1898, Alberto Santos Dumont conseguiu fazer uma aeronave (aeróstato) que lhe permitiu "navegar" pelos céus de Paris. 

No dia 18, o "Santos Dumont n° 1" levantou voo e se chocou com as árvores, rasgando-se. Ele havia cedido às sugestões dos outros quanto ao ponto de partida. 

Dois dias depois, ele não deu ouvidos aos palpiteiros e partiu de onde havia planejado e conseguiu sobrevoar o local que idealizou.

Quase morreu, pois perdeu sustentação da aeronave, por defeito em uma bomba de ar e perda de hidrogênio. O balão começou a dobrar-se ao meio e cair.

Enquanto caía, viu crianças empinando papagaios nas cercanias do prado de Bagatelle.


"De súbito, uma ideia varou-lhe o cérebro. Gritou a plenos pulmões para os garotos, pedindo que agarrassem a corda principal, já a roçar o solo, e a toda força corressem contra o vento.

   As crianças obedeceram e a manobra suavizou a queda, impedindo talvez um desastre fatal. O balonista salvara-se, graças aos tais meninos. Não foi à toa que Victor Hugo criou, num dos seus romances, a impressiva figura de Gavroche, que com a sua singeleza, ternura e generosidade é o símbolo do garoto parisiense." 

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COMENTÁRIO FINAL 

Que figura inspiradora! Santos Dumont é um exemplo de pessoa com inteligência, persistência e atitude ao perseguir seus sonhos, seus "por quês" como li dias atrás nas palavras da jovem navegadora Tamara Klink, ao realizar sua primeira navegação sozinha aos 23 anos de idade (comentário aqui). 

Os seres humanos são criaturas incríveis!

William 

11/09/26

sábado, 22 de agosto de 2026

Meu pai e Santos Dumont (1)



Refeição Cultural

Na casa de meus pais, em Minas Gerais, tem um livro antigo, dos anos setenta, sobre Alberto Santos Dumont, uma biografia. 

Perguntei sobre o livro, certa vez, e meus pais me disseram que era para meu pai participar de um programa de TV no qual a pessoa respondia sobre a vida de alguma personalidade. Era no Silvio Santos, se não me engano. 

Já folheei o livro diversas vezes ao longo do tempo. É um catatau, tem 500 páginas. O livro se chama As lutas, a glória e o martírio de Santos Dumont, de Fernando Jorge.

Meu querido pai fará 84 anos nos próximos dias. Ele tem uma história de vida incrível. Dias atrás, li um texto dele muito emocionante, no qual descreve sua vida e da família ao longo de décadas (comentário aqui). 

Enquanto lia o memorial de meu pai, via a história do Brasil desde a década de quarenta e os acontecimentos políticos que impactaram a vida de milhões de brasileiros como ele, gente simples da classe trabalhadora. 

Fiquei pensando dias atrás, quando estive lá em Uberlândia no dia dos pais, o que poderia fazer para estimular a memória e a capacidade cognitiva de meu pai, que já não tem a mesma agilidade que sempre teve na criação e imaginação para as coisas do cotidiano. Meu pai sempre foi um inventor e solucionador de problemas domésticos. 

Sugeri a ele reler o livro sobre Santos Dumont. Na verdade a leitura seria como uma primeira vez, devido ao tempo decorrido após o estudo do livro há tantas décadas. A biografia de nosso grande inventor brasileiro, o pai da aviação, deve ser muito interessante. 

Sempre que lemos um livro lido muito tempo antes, fazemos uma nova leitura, porque somos outra pessoa. 

A ideia seria eu ler também e conversar por ligação com meu pai para comentarmos sobre a leitura. 

Meu pai talvez não leia, alegou dificuldades, mas quem sabe eu consiga ativar um pouco a memória dele lendo aos poucos e conversando com ele.

Enfim, a gente não tem receita mágica para tentar interagir e apoiar as pessoas com mais idade e ou com as dificuldades cognitivas que a vida nos impõe. Mas não custa tentar alguma coisa. 

Vamos ler a biografia do grande brasileiro Santos Dumont. Vamos conversar com o senhor Palmério sobre o inventor do avião. 

William 

22/08/26