Refeição Cultural
Há tempos reflito sobre a vida e o mundo. Busco compreender as coisas. Não tenho outro objetivo além de entender a mim mesmo, a vida que tive e por quê as coisas foram como foram. Já encontrei quase todas as respostas (acho que todas).
Viver até aqui foi uma oportunidade ao menos para isso. Se tivesse morrido na adolescência (pensei muito nisso), entre os vinte e trinta anos, ou até com quarenta e tantos anos, não teria compreendido a minha existência e um pouquinho do mundo. Viver foi uma oportunidade de compreender as coisas, mesmo não concordando com elas ou não querendo aceitá-las.
A vida foi acontecendo, as realidades foram se impondo, e entre raivas, medos, angústias, dores, amores, desesperos, erros, acertos, fui indo, participando dos acontecimentos ocorridos nas veredas tomadas, os caminhos foram se abrindo, já que eles não existem, e as pegadas foram ficando após minha passagem.
As pegadas se apagam, já que não somos dinossauros que pisaram em lama que virou pedra, e ao final somos o que somos, isso aqui. E só somos enquanto estamos aqui.
Algumas leituras aclararam meu entendimento do mundo como as luzes do sol naquele momento em que se abrem as cortinas do ambiente escuro e tudo se vê com mais clareza. Graças às leituras, entendi algo dessa coisa chamada vida.
Já faz alguns anos, percebi a minha natureza: não desbravei nada, fui um operário honesto e disciplinado. Até serviço com esgoto cheio de merda procurei fazer bem feito porque era o meu trabalho. Um "bicho-grilo", deixei a vida me levar. Não conduzi o meu destino. Tudo, tudo, foi consequência de acontecimentos fortuitos, tudo. Não conduzi nada.
Depois de compreender isso ainda queria entender alguns porquês de situações no entorno do meu viver. Já entendi quase todas elas. Nossa!, é meio assustador isso... Já não estou procurando mais respostas, nem sentidos...
Para seguir, nessa condição, a pessoa tem ou teria que encontrar alguma coisa, um desafio, algo a fazer que realmente a tirasse do conforto mortal da mesmice cotidiana...
Muitas vidas vão sendo vividas porque a própria existência traz benefícios alheios e ou ao mundo e os contratos sociais e as responsabilidades que o nome delas carrega faz a vida seguir indo indo indo.
O olhar daquele menino de doze anos e tudo o que ele estava sentindo e vivendo diz muito sobre a vida e o percurso que ele teve. Ter chegado até aqui foi sorte e foi uma oportunidade. Tiveram coisas boas e que valeram a pena.
Somos o que somos


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