terça-feira, 30 de junho de 2020

Trabalhadores do mundo, uni-vos!





Sobre a greve dos entregadores de aplicativos em 1º de julho

Ao ler uma matéria da Rede Brasil Atual (reportagem no fim do comentário) sobre a greve dos entregadores de aplicativos, marcada para amanhã, quarta-feira, 1º de julho, e tomar conhecimento das condições de trabalho e o nível de super exploração a que estão submetidos milhões de pessoas, a vontade que temos é de chorar. É muita desgraça na nossa cara, no dia a dia e parece que não tem nada a ver conosco!

Mas vamos aos fatos. Chorar não vai sensibilizar os seres humanos exploradores que estão por trás da super exploração dos trabalhadores. Só a luta, só o incômodo, só a mobilização e o transtorno na vida ou nos lucros dos caras que lucram com a desgraça dos outros é que pode gerar alguma condição de mudança de realidade. 

Os explorados precisam se unir e lutar. Às vezes, viver sob certas condições de miséria e sofrimento nos faz até pensar se vale a pena viver. E vale! A vida é um amanhecer de possibilidades, de oportunidades e desafios. Temos que lutar pela vida, pela vida digna. Pela vida com justiça para todos. Com igualdade de oportunidades e tolerância entre as pessoas.

Leiam a reportagem e vejam se alguém decente poderia deixar de apoiar a greve e as reivindicações desses trabalhadores na luta por uma remuneração digna, direitos básicos, condições de trabalho. Nós temos que interromper essa super exploração que vivemos nesse momento de nossa história humana.

A intenção dos poucos humanos que detêm quase tudo, detêm pela força, pela herança, pela manipulação, pela ideologia - o chamado 1% e os lacaios que os mantêm onde estão no topo da cadeia de exploração -, é igualar toda a humanidade por baixo, querem que não existam mais profissões regulamentadas, direitos trabalhistas, previdenciários, sociais, civis, políticos, direitos humanos, para o restante da população fora das bolhas bilionárias nas quais eles se fecham. Vamos aceitar isso?

Não dá! Não dá mesmo! O povo tem que reagir!

William

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Desemprego levou a aumento da procura pela função,
derrubando os rendimentos. Foto: Roberto Parizotti.

Entregadores de aplicativos fazem greve nesta quarta-feira contra exploração


Queda no valor das entregas e fim dos bloqueios indevidos estão entre as principais reivindicações. Consumidor pode ajudar boicotando os aplicativos

Matéria de Tiago Pereira, da RBA. *


São Paulo – Para barrar a sanha dos aplicativos que se alimentam da exploração, entregadores prometem parar as atividades nas principais cidades do Brasil nesta quarta-feira (1º). A greve deve alcançar outros países da América Latina, como Argentina, Chile e México, já que as mesmas empresas estão presentes em diversos locais.

As principais reivindicações são o aumento do valor mínimo das entregas e dos pagamentos recebidos por quilômetro rodado. Eles querem o fim dos bloqueios indevidos. Por outro lado, também consideram injustos os sistemas de pontuação das plataformas.

Em meio à pandemia, pedem ainda o custeio pelas empresas dos equipamentos de proteção individual (EPIs) – luva, máscara, álcool em gel – e licença remunerada para os trabalhadores que foram contaminados. Além disso, os entregadores reivindicam benefícios, como vale-refeição e seguro contra roubo, acidente e de vida.

Em São Paulo, os entregadores marcaram pontos de encontro, às 9h, em cada zona da cidade, na região central, e também em Barueri, Osasco, Embu das Artes e no ABC. Primeiramente, devem percorrer as respectivas regiões, buscando a adesão dos demais colegas. Na sequência, se encontrarão às 14h, na Avenida Paulista, onde realizam uma manifestação.

Posteriormente, ainda na parte da tarde, os entregadores se dirigem até a Ponte Estaiada, na Marginal Pinheiros, zona sul da cidade. Além de “brecar” as entregas do jantar, eles querem que a TV Globo faça a cobertura da manifestação, no horário do jornal local.


Competição

Ifood, Rappi, James, Uber Eats, por exemplo, se definem como empresas de tecnologia, sem vínculos com os trabalhadores. Quando surgiram, as remunerações satisfatórias e a flexibilidade da jornada eram os principais atrativos. Contudo, com o aumento do desemprego e da informalidade, muitos encontraram o seu ganha pão nessa função. Por outro lado, com maior oferta de mão de obra, a concorrência aumentou. Consequentemente, o valor pago aos entregadores caiu.

Pesquisa on-line realizada pela Rede de Estudos e Monitoramento da Reforma Trabalhista (Remir Trabalho), da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), mostra que 68,9% dos entregadores tiveram queda nos ganhos durante a pandemia. Antes, 17% diziam ganhar em torno de um salário mínimo (R$ 1.045). Agora, são 34%, um terço do total. Por outro lado, caiu para 26,7% a proporção dos que afirmavam ganhar acima de dois salários mínimos. Antes da pandemia, eram mais da metade (51%).


Insatisfeitos

A reportagem ouviu relatos de três entregadores para saber mais sobre as condições que levaram à greve. As insatisfações não são recentes. Para além da inexistência de direitos, eles reclamam que não recebem qualquer tipo de apoio das plataformas. Agora, com o aumento dos riscos para a saúde e a queda nos rendimentos, a situação se tornou insustentável.


“Motoca”

O entregador conhecido como Mineiro (preferiu não se identificar para evitar eventuais punições) conta que eles se articulam por meio de grupos de WhatsApp. As conversas com vistas à paralisação começaram há cerca de um mês. Ele tem 30 anos, e trabalha há três como entregador de aplicativo. É morador do Parque Bristol, zona sul de São Paulo, mas se desloca fazendo entregas por toda a região metropolitana.

Na sua percepção, o número de “motocas” aumentou cerca de três vezes nos últimos anos. “Se você parar num semáforo aqui, em São Paulo, tem no mínimo 20 motos naquela área reservada. Dessas 20, 19 são entregadores, entendeu?”. Com o aumento da concorrência, o valor pago pelo quilômetro rodado caiu de cerca de R$ 1,5 para R$ 0,93. “Eles estão de brincadeira com a nossa cara. A gasolina aumentou de novo. E a gente não tem condições de ficar bancando.”

Ele também reclama dos bloqueios indevidos. “Quando você é mandado embora de uma empresa, tem que ter uma justificativa. Mas não, eles simplesmente te bloqueiam. Se a pessoa fica doente, eles te bloqueiam. Sofre um acidente, te bloqueiam. Se o cliente reclama, a gente não tem defesa nenhuma, porque simplesmente não tem como falar com os aplicativos.”

Durante a pandemia, Mineiro diz que uma das empresas passou a oferecer máscaras e álcool em gel por apenas dois dias. Mesmo assim, só depois que cerca de 400 entregadores decidiram protestar. Sobre o auxílio para os trabalhadores contaminados, ficou na promessa. “Nunca foi repassado. Até hoje, o único auxílio que eles receberam foi um bloqueio na tela, sem justificativa.” Por esses motivos, ele espera uma adesão à paralisação de “pelo menos 98%” dos colegas.


Ex-empreendedor

Rafael Ferreira, de 33 anos, mora na região da Tijuca, zona norte do Rio de Janeiro. Ele conta que começou a fazer entregas quando era sócio de um restaurante. Com o fim da sociedade, passou a se dedicar exclusivamente aos aplicativos. No início, há cerca de dois anos, trabalhava “no máximo seis horas por dia”, seis dias por semana. Era o suficiente para garantir o sustento da família.

“Agora, só saio da rua quando bato a minha meta em dinheiro. Pode ser 9 horas da noite, 10, 11. Num dia bom, acabo mais cedo. Não é uma coisa fixa. Mas, com certeza, é preciso trabalhar bem mais hoje para sobreviver do que antigamente.”

Rafael relata que trabalhava apenas com o Ifood. Hoje, está cadastrado em seis aplicativos de entrega. Em um deles, o Uber Eats, foi impedido de trabalhar. “Não me deram a menor justificativa. Simplesmente me bloquearam.”

O pagamento inferior a R$ 1 por quilômetro rodado torna a função praticamente inviável, segundo Rafael. Até porque as empresas não pagam pelo deslocamento até a coleta do produto. Também reclama da falta de infraestrutura para os entregadores, que não contam com elementos básicos, como banheiro e local para fazer as refeições.

Ele lembra que são empresas de entrega, mas que não têm uma única motocicleta. “Tomara que, no dia 1º, os entregadores consigam mostrar a sua força”, afirma. Mas ele teme que muitos colegas “furem a greve” para se beneficiar das melhores taxas oferecidas no dia.


Pedalando

Os jovens que fazem entregas com bicicletas recebem valores ainda menores. Adriano Negocek, de 23 anos, é estudante de Física na Universidade Federal do Paraná (UFPR). Morador de Almirante Tamandaré, região metropolitana de Curitiba, ele pedala quase todos os dias cerca de 10 quilômetros até o centro da capital, na hora do almoço. Começou a trabalhar como entregador, no final de 2018, após ser demitido de seu emprego anterior. Apostou na flexibilidade da jornada para poder conciliar o trabalho com os estudos.

Ele conta que tirava, em média, R$ 60 por dia. Agora, durante a pandemia, o rendimento diário caiu para menos de R$ 20 reais. “O valor caiu muito, não só por conta da pandemia. Não sei se é menor o fluxo de pedidos, ou se é pela concorrência que aumentou.” Por conta das entregas, Adriano também revela o receio de contaminar a sua mãe, que é do grupo de risco.

Ele almoça no restaurante universitário, mas sabe que a alimentação é um problema para a maioria dos seus colegas entregadores. Seja pelo preço cobrado pelos restaurantes na região central, onde é maior a demanda por entregas, seja pela falta de um local adequado para aqueles que levam marmita. Adriano também teme que alguns colegas entregadores não participem da greve, com medo de sofrerem bloqueios posteriores.


O consumidor e a greve

Os consumidores também podem ajudar a luta dos entregadores. Acima de tudo, eles solicitam que as pessoas não peçam comida pelos aplicativos neste dia. Se não puderem cozinhar, que se dirijam diretamente aos restaurantes. Além disso, pedem que os consumidores avaliem com a menor nota esses aplicativos, nas lojas virtuais. E deixando também comentários para denunciar a exploração dos trabalhadores.


Fonte: RBA

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*Por que não deixo só o link para a matéria? Porque um tempo depois que as matérias e textos publicados na internet vão ao ar, você não encontra mais eles (Error), simplesmente porque atualizam a página, porque economizam na hospedagem nos servidores etc. Boa parte do conhecimento humano das últimas décadas está desaparecendo porque só estava on-line. Terrível isso!

domingo, 28 de junho de 2020

Sentidos





Sigo buscando um novo sentido para a minha existência. Ao olhar para trás e ver minha trajetória de vida, percebi que dos diversos períodos nos quais poderia dividir meu viver, o período em que estive envolvido nas lutas coletivas da classe trabalhadora foi o que mais me deu sentido em acordar, sair para o mundo e retornar para casa ao fim da jornada. Todas as demais questões da vida privada encontram seus sentidos quando se está resolvida essa ligação do ser com a própria existência. 

Ao refletir e procurar entender porque estou sentindo o vazio e a falta de sentido no fazer as coisas que em tese gostaria de fazer como, por exemplo, ter mais tempo para ler após me retirar do dia a dia do trabalho bancário e militância, percebi que o que eu fazia ou gostaria de fazer era para me preparar para ser melhor naquilo que fazia, ou seja, me esforçar para ler e estudar e conhecer mais era para eu ser um melhor representante da classe trabalhadora. Era para ser alguém que inspirasse, que ajudasse a conduzir as lutas e que somasse com os meus pares.

Eu sempre quis ser intelectual e ter conhecimento enciclopédico porque achava fantástico ver pessoas com grande conhecimento. Mas não era só isso, não poderia ser só isso, porque muita gente com grande conhecimento era gente má, gente que prejudicava os outros, os de minha classe e seus pares também. Essas coisas comecei a perceber bem mais tarde, mas olhando para trás vejo isso.

Avalio que o que eu queria ao estudar e tentar ler (mesmo que não podendo, não perdesse o desejo de) era saber muito para que isso contribuísse no meu trabalho de organizar o meu povo, a classe trabalhadora, para enfrentar a classe adversária, a dos patrões, dos ricos, dos poderosos, inimigos nossos, que querem nos explorar e não ligam a mínima para nós, somos nada para eles e nosso lado da classe precisa ter conhecimento e consciência disso para mudar essa realidade perversa.

É por isso que estou muito perdido. Porque estou com dificuldade de me adaptar a minha nova realidade pós vida laboral no maior banco público do país e no movimento sindical bancário, um dos mais organizados do país, e por isso tão ameaçado pelos golpistas junto com as demais categorias profissionais que efetivamente organizavam lutas combativas e conquistavam direitos não só para suas próprias categorias, mas para toda a classe trabalhadora.

Ler um romance, ver um filme histórico, ler um ensaio, ler história, ler e estudar temas complexos, nada disso tem sentido se for só para eu saber mais, porque sou mortal, morro a qualquer tempo, e não fica nada de útil para a minha comunidade humana, desperdício grande conhecer e criar conhecimento e não multiplicá-lo para o benefício de seus pares, de sua comunidade.

Mas quero viver, quero passar uma mensagem positiva para todos os meus pares que estão sofrendo com a destruição de nosso mundo, construído com tanto suor e lágrimas e alegrias e lutas lutas lutas coletivas para melhorar a vida de todos. Tudo destruído pelos meios de comunicação, que passaram 15 anos nos envenenando 24 horas por dia, em todos os meios - TV, rádios, jornais, revistas -, tudo, pregando ódio contra nós, contra a esquerda, contra a política, contra a democracia, contra os movimentos sociais. 

O bolsonarismo, esse bando de gente cega e odiosa, ignorante e bárbara, de várias idades - bichos-feras -, é projeto da casa grande e não um acaso, é projeto da elite que não soube aceitar um pouquinho mais de melhoria e alegria para a nossa classe, a trabalhadora e popular, como vivemos durante os anos em que a vida de dezenas de milhões de pessoas melhorou (governos do PT). Era proibido o brasileiro ter autoestima. 

RESISTAM, GUERREIROS E GUERREIRAS, NÓS PODEMOS RECONSTRUIR NOSSO MUNDO, MAIS FELIZ E MAIS SOLIDÁRIO!

William

sábado, 27 de junho de 2020

Nós não somos nada sem os outros




Ao refletir sobre os acontecimentos cotidianos de nossa vida em sociedade podemos permitir que nossa consciência nos demonstre uma coisa óbvia e pouco considerada pela nossa condição de autômatos e seres robotizados: não somos nada sem os outros, sem a ajuda das pessoas.

A pessoa está em casa, cumprindo o isolamento social devido à pandemia do novo coronavírus e de repente precisa do carro para alguma coisa. Ao tentar ligar o carro percebe que a bateria não funciona porque descarregou por falta de uso. Em poucos minutos você consegue a mobilização de duas pessoas que o ajudam a resolver o problema, trazendo cabos e fazendo uma "chupeta" na bateria para ligar o carro.

A pessoa está fazendo a sua declaração de imposto de renda e está cheia de dúvidas sobre questões diversas. Após falar com dois amigos de longa data, que se dispuseram a dedicar horas de seus dias para auxiliar no preenchimento do documento do fisco, você finaliza a tarefa e já pode cumprir o seu compromisso com o governo nos prazos regulamentares.

Quanta gente precisando de ajuda neste momento dramático de nossa vida nacional por estarmos vivendo uma tragédia por causa do golpe de Estado que destruiu as condições mínimas de vida e cidadania da população brasileira; e quanta gente neste momento está se preparando para na manhã de sábado colocar sua máscara contra Covid-19 e sair cedo para distribuir carinho e cestas básicas a partir de arrecadações de voluntários.

Por mais que estejamos cansados das más notícias oriundas ou a respeito do governo federal que representa o mal, neste minuto tem muita gente que ainda representa e faz o bem, sem esperar nada em troca a não ser o conforto que a ação do bem proporciona a si mesma e ao mundo.

Ajude as pessoas se você puder. Ajude inclusive fazendo o básico, não agredindo as pessoas com palavras, gestos ou violência física, algo que nem precisaria ser pedido aqui, não fosse o fato de termos nos tornado bichos estranhos após o envenenamento pelo ódio inoculado em nossos corpos ininterruptamente pelos meios de comunicação desde que o PT assumiu a presidência da república com Lula em janeiro de 2003, eleito pelo povo brasileiro, que contrariou a elite dona da comunicação nacional e local.

Não ser uma fera odiosa não é mais uma coisa simples, desde que viramos uma espécie de monstros sociais, bestas-feras, todos nós, seres que se acham autossuficientes e melhores que os outros, ou que devem cuidar de si mesmos e não ligar para nada ao redor, injustiças, misérias, violências, como se não precisássemos uns dos outros até para comprar o que comer e papel para limpar nossas bundas.

Nós não somos nada sem os outros

Pensem nisso e pensem também no exercício diário da solidariedade. Outro mundo em sociedade é possível, um mundo mais cooperativo, mais equânime, mais tolerante, com mais amor e amizade.

O que definiu o homem que sou do homem que poderia ter sido foi a oportunidade que tive na vida de ser acolhido e me envolver com os movimentos dos trabalhadores. Essa oportunidade me salvou a vida. Me fez estar hoje do lado certo da história. A educação e a formação política me salvaram de não ser um apoiador do mal que se instalou no país.

Eu vi e vivi uma vida de lutas classistas envolvido com o movimento sindical e sei que a cooperação entre as pessoas é algo possível, que dá frutos e que gera o bem coletivo.

William

quinta-feira, 25 de junho de 2020

Leitura: O direito de resistência - Pedro Serrano


Leituras em voz alta

Recomendo a reflexão acerca do artigo do jurista e professor de Direito Constitucional Pedro Serrano. O artigo foi publicado na revista Carta Capital, edição 1.092, de 12/2/20. A tese sobre o direito de resistência dos povos contra as tiranias é muito adequada em face do que estamos vivendo em países como o Brasil, que vive um estado de exceção desde o golpe à democracia em 2016.


sábado, 20 de junho de 2020

200620 (d.C.) - Diário e reflexões




Refeição Cultural

Manhã de sábado. Dia vinte de junho do novo mundo depois da Covid-19. Início do inverno no mundo físico onde vivo (está calor). Continuação da longa noite de trevas que nos enfiaram desde que decidiram destruir o país e alterar o comportamento da população para interromper a democracia tupiniquim, onde a maioria do povo insistia em desafiar a casa grande e votar num partido que estava melhorando a vida do povo oriundo da escravidão de mais de três séculos. Enfim, manhã de sábado em Osasco, São Paulo, Brasil.

Acabei de ler a novela do dia do livro de Giovanni Boccaccio, Decameron, escrita entre os anos de 1.348 e 1.353, no auge de uma das pandemias mais severas que o mundo dos humanos conheceu, a Peste Negra, na Europa do século XIV. Desde o início de abril, decidi ler uma narrativa por dia, ao longo de cem dias.

Boccaccio foi um dos sobreviventes e o livro narra a história de dez jovens, sete moças e três rapazes, que decidem sair de Florença por causa da pandemia, em meio a pilhas de mortos nas calçadas e fim das regras sociais mais comezinhas, e vão para os arredores em busca de lugares aprazíveis (locus amoenus) para se deleitarem com os prazeres da carne - comer, beber, contar histórias - enquanto a vida existe e enquanto não morrem com a Peste. Serão cem narrativas contadas, em dez jornadas diárias, com descansos nas sextas e nos sábados, dias de respeito à religião.

Iniciei a leitura do livro de Boccaccio faz 80 dias. A pandemia mundial do novo coronavírus foi o mola propulsora da ideia de pegar na estante o livro e começar a leitura, já que o contexto narrativo tem como pano de fundo uma pandemia que alterou a vida social e encerrou todos os costumes à época, por exemplo, fim dos velórios e a confraternização de famílias e amigos devido ao grande número de mortos pela Peste, mudanças de hábitos e tradições que imperavam sob o forte domínio de nobres e igreja etc. A peste foi um desses momentos que mudam as coisas devido ao imponderável. 

O livro nos traz o tempo todo a questão da Fortuna, pois nada aconteceria sem autorização ou sem influência decisiva da Sorte. Enfim, brinquei com essa ideia e me coloquei a viver cem dias lendo as narrativas de Boccaccio, isso se a Sorte me permitir. Lá se vão 80 dias, e a deusa Fortuna me permitiu viver e ler 80 narrativas. Tive que ser disciplinado e obstinado. Teve dia que li a novela em pé e de madrugada para não falhar nenhuma jornada diária. Agora faltam 20 dias...

Escrever diários ou textos desse mesmo gênero discursivo tem alguns pontos positivos em termos históricos ou cronológicos, mesmo sendo textos da vida privada, porque ao voltar a eles depois é possível ver o andamento de alguns fatos da vida cotidiana em sociedade. Um exemplo disso é o efeito da pandemia mundial da Covid-19. Ao ler o primeiro texto que fiz sobre o Decameron no dia 4 de abril, podemos ver que a pandemia já havia matado 60 mil pessoas no mundo e mais de um milhão havia contraído o vírus. E os presidentes de dois grandes países, EUA e Brasil, faziam pouco caso da pandemia e diziam que ela era uma 'gripezinha":

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4/4/20: "Neste momento, já passa de um milhão o número de pessoas atingidas pelo vírus e mais de 60 mil perderam suas vidas, sendo que Itália, Espanha e demais países da Europa foram fortemente atingidos. Agora a pandemia avança nas Américas, e um dos novos epicentros dela são os Estados Unidos. Semanas atrás, o presidente de lá e o de cá afirmaram que a pandemia era um exagero, coisa de gente alarmista, e que não passava de uma "gripezinha"." (Blog Refeitório Cultural, ler o texto aqui)
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E hoje, 80 dias depois?

O Brasil é o novo epicentro da doença no mundo. E como aqui tudo é diferente do resto do planeta, as mais de mil mortes por dia não causam comoção a essa gente miserável, embrutecida e bárbara que somos. Enquanto os países do mundo fizeram duras quarentenas e isolamentos sociais quando o vírus se alastrava e contaminava bem menos gente que aqui, com algumas centenas de mortos diários, o que vemos nesta terra é o inverso total, a começar pelo comportamento das autoridades governamentais.

Multidão, multidões, trânsito, aglomerações, transporte público lotado, gente que pode dentro de seus carrões... o comércio e as ruas lotados de gente, com a contaminação pelo coronavírus em curva crescente (e não há vacina nem remédio). 

O inumano que colocaram no poder após o fim da democracia e o golpe de 2016 venceu, e mesmo não sendo uma "gripezinha", ele venceu, e o povo preto, pobre e sem recursos é o povo que está morrendo na amplíssima maioria dos casos. A porcentagem de mortos diminui nas tabelas e gráficos na proporção inversa de rendimento e posse. Mais pobre morre mais. Mais rico morre menos. 

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O menor número de mortos é de brancos e com altos salários e rendas e propriedades. E sobrenomes difíceis de pronunciar. Aqui, a casa grande venceu. Ela vence sempre.
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Finalizo com os números oficiais de ontem, que não são mais tão confiáveis em relação ao Brasil porque o inumano no poder atua para alterar os dados sobre mortos e contaminados. 

Segundo o site da John Hopkins University (manhã de 20/4/20), temos no momento 8.698.234 pessoas no mundo contaminadas pelo vírus, e 460.783 mortos no mundo. Os dois países que trataram a pandemia como "gripezinha" lideram a escalada de mortes e contaminados. EUA com 2.226.282 contaminados e 119.224 mortes. Brasil com 1.032.913 contaminados e 48.954 mortes. 

Dias atrás, estudos já apontavam que 66% dos mortos por Covid-19 na Grande São Paulo ganhavam até 3 mil reais e no outro extremo, cerca de 5% dos mortos eram aqueles que ganhavam acima de 11,5 mil reais, e, dentre esses, 1,2% ganhava acima de 19 mil reais. É preciso dizer mais alguma coisa?

Seguimos vivos e lendo o Decameron e outras leituras que possam nos tornar mais humanos, mais conscientes e menos bárbaros. As estatísticas favorecem pessoas como este que aqui reflete o momento em um diário, a começar porque sua pele é branca, apesar do cabelo "ruim" e sobrenome fácil. Tudo poderia ser diferente e melhor para o povo, bastava os humanos quererem.

William
Um leitor

terça-feira, 16 de junho de 2020

Decamerão (Boccaccio) - 75 novelas lidas




Refeição Cultural

O mundo enfrenta a maior pandemia deste início de século: o novo coronavírus (Covid-19). No século passado, a pandemia da Gripe Espanhola matou dezenas de milhões de pessoas. No século XIV, a Peste Negra também dizimou parte da população da Europa e demais regiões conhecidas do mundo. Giovanni Boccaccio escreveu o Decamerão durante a Peste. Ele foi um dos sobreviventes.

A pandemia mundial do novo coronavírus apresenta números gigantes, por se tratar de uma doença virótica em pleno século XXI - o novo milênio depois da referência de Cristo - período que acumula a ciência de séculos de avanços tecnológicos. 

Nesses seis meses de doença, já são 8 milhões de contaminados no mundo, tendo morrido até o momento 436.406 pessoas. Destas vítimas, 43.959 são brasileiras e brasileiros. A curva de contágio está na ascendente no país da outra pandemia, a do bolsonarismo. (dados da John Hopkins University)

Na obra, sete moças e três rapazes decidem se afastar de Florença, castigada pela mortandade da Peste, e buscam um lugar idílico (locus amoenus) para se refugiarem, gozarem os prazeres da vida e narrarem novelas, contos, casos conhecidos, anedotas e coisas do gênero. 

Eles propõem a si mesmos narrarem as estórias todos os dias na parte da tarde, sempre liderados por algum deles durante aquela jornada, o dia. Todo dia, dez narrativas são contadas. Ao final, serão cem novelas narradas pelos personagens, estórias que atravessaram séculos e chegaram até nós que, de novo, vivemos uma pandemia, uma quarentena mundial e uma mortandade sem previsão de fim. Estabeleci a mim mesmo a leitura de uma novela por dia.

Foi nesse cenário que decidi ler Decamerão e comecei a jornada no dia 2 de abril, durante a nossa quarentena e isolamento social para cumprir as orientações das autoridades de saúde. Como não há remédio nem vacina para o vírus Covid-19, que se espalha com rapidez, causando uma demanda massiva aos sistemas de saúde existentes, os sistemas sofrem um colapso e as pessoas morrem até sem atendimento. Enfim, nesta segunda-feira, 16 de junho, cheguei ao texto 75. 

A Fortuna já me permitiu chegar até aqui. Espero que ela, que é uma das personagens mais importantes do romance de Boccaccio, me permita atravessar os próximos 25 dias para chegar ao final deste clássico da literatura mundial. Nas estórias, ela - a Sorte ou Fortuna - é sempre citada como a rainha dos acontecimentos, sem o consentimento dela, nada aconteceria aos humanos.

Em cada jornada (dia), as personagens definem um tema para nortear as estórias que serão contadas, sempre a partir da hora nona, três da tarde pelo nosso relógio moderno. Algumas jornadas foram bem animadas, outras nem tanto. 

A jornada que terminei dias atrás, a Sétima Jornada, foi muito legal, tratou de mulheres que se saíram melhor nas disputas com os homens, em geral, seus maridos. Boccaccio usa de muita ironia para lidar com um mundo machista, sexista, hipócrita e dominado pelo poder corrupto da igreja.

Bom, seguimos firmes. Eu nunca tinha bolado um tipo de leitura assim, com disciplina espartana ou decamerônica (rsrs). Todos os dias, pego o livro e leio a novela do dia, esteja cansado, compromissado, alegre ou triste. Quando estou com sono, leio em pé, andando pela casa. E assim se foram 75 dias e 75 estórias.

Falta pouco agora.

William
Um leitor


Bibliografia:


BOCCACCIO, Giovanni. Decamerão. Imortais da Literatura Universal, Nova Cultural, São Paulo, 1996.



Post Scriptum: as outras postagens sobre o Decamerão estão aqui, em ordem cronológica inversa, da mais recente para a mais antiga.

segunda-feira, 15 de junho de 2020

150620 (d.C.) - Diário e reflexões



Para onde vamos?

Madrugada e início de segunda-feira, 15 de junho pós-Covid-19. Dia frio em Osasco, SP.

Lê-se nos meios de comunicação que o governo fascista decidiu alterar dados oficiais da pandemia do novo coronavírus, afinal de contas aqui é o país jabuticaba, algumas coisas só seriam possíveis neste canto da terra plana (aqui é a divisa do abismo). 

Aqui, a elite branca e golpista tem o governo dela, que desempenha o papel de manipular o povo e colocá-lo a serviço do capital. Os fascistas no poder odeiam o povo, mas conseguem ter o amor fanático de quase um terço do mesmo povo odiado e miserável.

Na disputa política entre governo federal e outros entes da federação, vive-se um estica e puxa de cordas sobre informações da pandemia. Na jabuticabeira decidiu-se "flexibilizar" a tentativa tupiniquim de quarentena e isolamento social (nunca bem sucedida). Doce ilusão!

Estão abrindo tudo e o povão está de peito aberto para esse vírus que mata mesmo, mata muito e atua de forma diferente em cada ser humano que infecta. Parte do povo se expõe porque precisa trabalhar, já que o governo boicotou qualquer ajuda financeira; outra parte vai pra rua por outras questões. Entramos na fase de conhecer as vítimas fatais ou conhecidos que tiveram vítimas fatais na família. Triste demais isso!

Dos dados que temos, foram 43.332 vidas perdidas no Brasil para o vírus, sendo que o número de pessoas infectadas está subindo rapidamente, 867.624 até este domingo. No mundo os números são gigantes: 7,9 milhões de contagiados e 433.019 pessoas falecidas. (informações do site da Carta Capital e da John Hopkins University)

Diferente do que o regime fascista prega por aqui, a infecção por Covid-19 não é uma gripezinha. Diferente do que afirmaram os homens brancos da elite lesa-pátria que apoia o regime fascista, não morreram "umas 7 mil pessoas". Pode ser que ultrapassemos os mais de 100 mil mortos nos Estados Unidos. Mas até aqui o fascismo e o vírus ganharam!

Meus sinceros sentimentos pelas mortes. Essa tragédia não era necessária, a maior parte das mortes era evitável. Mas aqui é uma jabuticabeira país. E os humanos que vivem aqui são jabuticabas, difícil achar povo como o nosso no mundo. Aqui preto é racista, mulher é machista, funcionário público é contra empresa pública, gente com religião prega tortura, ódio e morte em nome de Deus. Olha... difícil manter a sanidade!

Sigo lendo, estudando, tentando ser um ser humano melhor; em casa, respeitamos a quarentena porque temos condições. É uma condição privilegiada a considerar esse país miserável e esse povo miserável.

Para onde vamos?

William
Ser humano

quarta-feira, 10 de junho de 2020

Instantes (12h42)





Aprender algo novo todos os dias. Aprender enquanto existimos, enquanto somos. Algo por sinal breve (o ser, o estar), a considerar o tempo das coisas no planeta e no universo. Poeira é o que somos.

Estudando a diferença de usos das partículas NI (に) e DE (で) na língua japonesa. Aprendendo algo novo dessa língua todos os dias. Meu cérebro agradece o esforço que estou impondo a ele.

Aprendendo a ler poesia. A linguagem poética é um dos tipos de linguagem que existe. Aprender poemas novos, ou melhor, conhecer, porque algumas coisas, se aprende; outras, se toma conhecimento. Estou conhecendo algum poema novo todo dia. Isso é bom.

Roberto Bolaño perseguia muito a ideia de criar algo novo na literatura; experimentar. Conhecer o já realizado e realizar algo novo. Tomar conhecimento de Bolaño no ano passado, me fez pensar bastante a respeito de algumas coisas. Gostaria de criar ou encontrar o novo, a novidade, o diferente. Mas não sei como. Ainda.

Até o pôr-do-sol de hoje, terei aprendido algo novo. Uma palavra, uma informação histórica, uma razão. Gostaria de descobrir o novo, de criar o novo em algum momento, porque ainda estou aqui, ainda vivo, existo, mesmo sendo como poeira.

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Ontem, foi a segunda vez em quase dois meses que saí para fora do condomínio para tentar correr na rua, atividade necessária e que me dá alguma sensação de existir (durante e depois do ato quando nos sentimos bem). Na primeira, dias atrás, não consegui manter a máscara de tuaregue no nariz, sufoca e dá uma sensação de falta de ar tremenda. Ontem, com uma máscara mais fininha, elástico amarrado nos óculos, consegui manter essa porcaria na cara até o fim. Fiquei dialogando comigo mesmo que era como se eu estivesse realizando o sonho de escalar alguma grande montanha e o ar rarefeito exigisse de mim um esforço extra em respirar e cumprir meu objetivo. Coisas de si para si mesmo nesses momentos únicos de superação. Enfim, me esforço para estar aqui, talvez pelas pessoas queridas, talvez por mim mesmo que ainda busco, ainda procuro algo, talvez aquela palavra que sonhava na juventude, a paz, talvez o novo, a compreensão do que seja tudo isso que está, que é. (aliás, vou me iludindo ou me superando porque as dores dos desgastes no quadril vão se acentuando e algo me diz que não poderei mais realizar sonho algum de subir, correr, escalar, correr, fazer kung fu, correr uma maratona, subir numas dez montanhas, fazer longas caminhadas...)

terça-feira, 9 de junho de 2020

Então... para onde vamos (vão)?





O canal de TV criado para apoiar o novo regime de terror implantado naquele país dá voz em seus espaços aos piores tipos da sociedade humana. Tem comentaristas que falam mentiras a cada frase que pronunciam. A última da emissora foi dar voz a um sujeito flagrado cometendo um atentado a bomba e que está fora do país. Nada acontece em relação a isso.

Uma sujeita parlamentar aliada do regime toca o terror no público e no privado, nada acontece com ela. A última sobre a fulana é um áudio vazado de uma outra sujeita, desafeto agora da aliada ao regime, que coloca o público a ouvir a fulana corruptora corrompendo a assessora da desafeto, ameaçando na maior cara de pau usar as forças policiais e da justiça do Estado caso a assessora não mude de lado. Nada acontece com a fulana.

O país está destruído internamente, não há direitos sociais e trabalhistas, os poderosos perderam qualquer freio moral que tinham anteriormente ao novo regime, freios por questões morais e culturais cobrados deles para disfarçarem ser politicamente corretos. Com o terror e o mal no poder formalmente, os poderosos expressam ao vivo e sem pudor algum todo o seu ódio e nojo contra a massa de trabalhadores e povos simples. E nada lhes acontece. A imensidão de leis existentes só existem para perseguir adversários, e ainda assim deturpando as leis.

O líder e os grupos com mandatos eletivos que apoiam o líder do regime de terror, regime baseado na mentira, na ignorância, no ódio e na violência - e mantido pelos poderosos daquela eterna colônia -, o líder tem apoio de praticamente um terço do povo daquele lugar do mundo, um terço!, números que se mantêm estáveis em todas as pesquisas sérias que ainda se fazem naquele país. Um terço! Apesar de uma parcela da sociedade iluminada e humanista ainda demonstrar resistência, nada no cenário institucional aponta mudança de rumo. O regime de terror será longo, maior talvez que o tempo de vida de adultos conscientes.

A vontade é de desistir do ser humano. A vontade é de ser "radical" como apontavam que ele era, desde a tenra idade. Não, não era radical. Gostaria muito de ser, mas não passava de um cuzão. Não era radical.

Para onde vamos (vão)? A sensação real é que a cada momento nos despedimos das coisas, como disse uma pessoa querida em postagem lida naquela manhã.

(Lamentos pelos 37.312 mortos por Covid-19 naquele país jabuticaba, não se saberá mais os números de mortos, mas ainda constam que homens e mulheres naquela terra morreram por complicações daquele vírus. Caminha-se para que toda morte seja porque deus quis, porque era a hora, porque quem morre tinha que morrer mesmo...)

segunda-feira, 8 de junho de 2020

Instantes (2h30)



A lua como uma luz na longa noite.
Foto de Ione.

Madrugada de segunda-feira, 8 de junho de 2020 (d.C.). 

O domingo trouxe ao menos uma momentânea esperança de um porvir diferente do que tem sido a mesmice da existência sob um país destroçado pelo golpe de Estado em 2016, golpe que retirou o PT do governo federal, que alterou a rota que o Brasil seguia com destino a ser uma das potências do século em que estamos. A esperança momentânea foi ver várias capitais do país recebendo atos com brasileiras e brasileiros indignados com o estado das coisas, milhares e milhares de pessoas que foram para as ruas protestarem contra o racismo, contra o fascismo, contra o bolsonarismo, contra os inumanos que tomaram o poder, foram para as ruas defenderem a democracia. Fico feliz pelos atos deste domingo e, neste momento, meus olhos se umedecem de emoção por ver essa pequena luz na longa noite que nos enfiaram ainda antes de 2016, quando os meios de comunicação da casa grande envenenaram o povo brasileiro e transformaram parte dele numa gente odienta, doente, ignorante, bárbara e sem cura.

Não fossem momentos de luz como ver as pessoas nas ruas lutando pelo bem, disputando espaço com os que vêm ocupando as ruas para defender o mal, a gente estaria mais triste do que já estamos. A gente sofre muito ao ver nossos jovens com seus caminhos interrompidos por esse mal em que nos jogaram. Isso dói. E a gente tem que ser forte, inclusive para auxiliar e apoiar aqueles que ainda têm toda uma vida pela frente e precisam acreditar em um amanhã melhor. Se uma década atrás a nossa vida estava melhorando e as perspectivas eram provenientes das decisões políticas da maioria do povo brasileiro, significa que se chegamos naquele momento uma vez, podemos chegar novamente. O ser humano é um animal absolutamente diferente de qualquer outro na natureza. O imponderável é a marca de nossa existência coletiva ao longo de dezenas de milhares de anos de vivência dos animais humanos. O amanhã sempre pode ser diferente, se não para mim, ou para você, porque somos breves, mas pode ser diferente para nós, que somos também legião, além de indivíduos.

Se estiver vivo nesses dias meses anos serei mais um do lado do bem, enfrentando todo esse mal que se abateu sobre nós como um pesadelo sem fim, mas que tem fim. Mesmo que não tenha mais um papel de representação coletiva, cada boa ação que fizer, pode valer alguma coisa, porque o bem pode vencer o mal, numa soma de pequenos atos.

Não aceite o mal como algo normal na sociedade humana! Não aceite o racismo, não aceite o comportamento odiento dos doentes que aderiram ao bolsonarismo, não aceite a destruição de nosso mundo como algo dado. A vida tem que valer a pena, e vale, porque viver já é possibilidade, já é chance para o imponderável.

William

sábado, 6 de junho de 2020

060620 (d.C.) - Diário e reflexões



Onde está Willy? Acho que não é difícil identificar...
(Foto de Rita Mota, 6/6/14)

Vermelho!


Hoje é sábado, mais um dia do novo mundo depois da pandemia de Covid-19 (d.C.).

Registrar é preciso. A espécie humana é a única que registra coisas de forma consciente. Dentre os bilhões de animais humanos que já habitaram esta terra por alguns instantes, parte deles registrou algo que viu, sentiu, viveu. Ao lambuzar a mão com algo e marcar paredes em cavernas, os humanos estavam registrando de forma voluntária e isso foi o início dos registros humanos.

A foto que ilustra esta postagem é um registro. Feita por alguém num determinado instante, num determinado lugar no mundo. Neste caso, a companheira Rita Mota postou em sua rede social a abertura do 25º Congresso Nacional dos Funcionários do Banco do Brasil (há exatos 6 anos). O registro me permite lembrar hoje que naquele momento da foto eu estava coordenando um congresso de trabalhadores do maior banco público do país. 

O registro me permite lembrar do vermelho, a cor que vesti durante minha vida de representação da classe trabalhadora. O registro da foto chama a atenção. Entre 2003 e 2018, vermelhas foram as camisas que usei do sindicato, da confederação, da central sindical; vermelhas foram as camisas com Che, Lula, Dilma; vermelhas foram as camisas da formação política e sindical; vermelhas foram as camisas que confeccionei como diretor de saúde dos bancários do BB. 

Ouvi certa vez que o vermelho simboliza o sangue derramado pelos trabalhadores e escravos, pelos povos explorados e subjugados pelos ricos e por seus lacaios (sejam eles brucutus violentos, sejam eles burocratas e ideólogos); gente vampira, que vive de sugar o sangue dos outros, como ocorre nos sistemas produtivos escravocrata e capitalista. Todas as cores são nossas porque somos natureza, mas vermelho é a minha cor preferida porque sou de esquerda, sou do lado do trabalhador e do povo, e tudo na vida racional e consciente tem significações. Não apoio e não estou do lado dos exploradores.

Estamos em meio às pandemias que causam tragédias humanas. A pandemia do vírus Covid-19 já contabiliza 6.766.997 casos confirmados no mundo, tendo falecido 395.459 pessoas (Jonhs Hopkins University). O número é maior que isso, porque o Brasil, um país jabuticaba, está com os dados desatualizados nos informativos mundiais. De quinta para sexta-feira, o Brasil registrou um aumento de mais de 30 mil casos, mas o regime de exceção sob o qual estamos, sinaliza que vai começar a mexer nos registros oficiais. Que coisa! Até ontem, os registros apontavam 645.771 casos confirmados e 35.026 brasileiros que perderam suas vidas. Boa parte das mortes era evitável, mas o genocídio é fruto de ações políticas. Um país jabuticaba! Não tem nada parecido no mundo.

Só para registrar sem muito me alongar, pois vai que um amigo, um familiar, um conhecido leia, estamos respeitando a quarentena e o isolamento social sugerido pelas autoridades de saúde e, na medida do possível, desde março só saímos de casa para aquisição de víveres, ou algo de extrema necessidade. Eu saio para correr no estacionamento do condomínio, desço e subo pelas escadas e não passo perto de ninguém durante o exercício. É vital para minha sobrevivência. Estou lendo para fortalecer minha mente, e também estudando coisas de cultura para aprender algo em cada dia desta única e frágil existência que temos.

Só para constar, quando digo "pandemias" e não somente a do novo coronavírus é porque uma das pandemias mais trágicas que enfrentamos é a pandemia do bolsonarismo, um vírus de demência cerebral causado pelo ódio e pela ignorância, vírus inoculado pelos meios de comunicação empresarial no Brasil durante mais de uma década, algo intencional e à base de doses diárias de mentiras (fake news) contra os governos populares que melhoraram a vida do povo brasileiro entre 2003 e 2014, governos do PT. Fazer o pobre ascender de vida e ser mais feliz foi fatal para a democracia permitida ao país, as elites estragaram tudo e isso deu no que deu, governos de fraudes, de ódio, mentiras, de morte e violência, gente lesa-pátria e que ataca diariamente a classe trabalhadora.

Todo ato tem consequência...

Chega de registro por hoje.

William

terça-feira, 2 de junho de 2020

Lembranças - Capítulo 5



Um de meus quatorze saltos de paraquedas.

Os tempos são de reclusão e isolamento em casa por causa da pandemia mundial do novo coronavírus. A mortandade afeta a vida das pessoas no Brasil e no mundo: neste momento em que escrevo, temos 6,3 milhões de casos confirmados e 379.709 mortos pela Covid-19 no mundo, sendo 31.199 brasileiros (site da Johns Hopkins University). 

Nossa tragédia é ainda maior porque estamos vivendo sob um regime de ódio e intolerância, o país se desfaz desde o golpe de Estado em 2016. Estamos à beira de um novo golpe por parte do clã de inumanos que chegou ao poder graças à destruição da política promovida por parte dos donos dos meios de comunicação empresariais e bilionários da casa-grande e seus partidos e representantes para tirar do poder os líderes populares do Partido dos Trabalhadores - Lula e Dilma.

Aqueles que podem e que acatam as recomendações das autoridades de saúde do mundo civilizado estão em casa. É o nosso caso.

Ao longo de minha vida adulta, enquanto trabalhava e estudava as horas todas da vida de proletário, fui adquirindo livros, revistas, mídias diversas e gravando vídeos sobre cultura em geral, pois queria ser uma pessoa com conhecimentos diversos. 

A verdade é que ainda aos trinta anos eu não passava de um acumulador de coisas; a dificuldade de estudar o que tinha continuou sendo uma realidade. Aliás, ao me tornar dirigente da classe trabalhadora, aí é que o tempo mudou radicalmente e assumi uma jornada integral de lutas sindicais.

Ao olhar para trás, vejo que tudo que fiz foi às custas de quase não dormir de tanto me dedicar ao mandato de saúde na Cassi. Antes, foram anos de dedicação às atividades de coordenação de negociações do maior banco público do país e da área de formação da Contraf-CUT. Antes ainda, no trabalho dedicado na organização sindical do Sindicato onde fui diretor.

Cheguei até aqui com lacunas culturais insuperáveis; a vida é assim, a realidade se impõe e a gente faz o que tem que ser feito. Tenho a consciência que fiz o que era possível, e minha vida foi uma vida antes do movimento sindical e outra após entrar para o movimento com quase trinta anos de idade.

Algumas lembranças desta postagem são da fase de minha vida anterior ao movimento sindical, só a da visita ao Empire State é do período de sindicalista. Busquei na adrenalina uma forma de escape ao ódio, a uma provável depressão e às frustrações que senti durante muito tempo em minha vida. Citei só alguns eventos relevantes, porque a gente cansa de pensar nesses tempos duros que vivemos.

Estando em casa, revezo os afazeres domésticos com estudos e com o fuçar nas coisas acumuladas. Tenho centenas de fitas cassete e um aparelho que ainda funciona. A hora que quebrar, quebrou, porque não tem onde consertar. Foi assim que assisti a fita sobre o dia de meu primeiro salto de paraquedas no início dos anos dois mil. Fiz quatorze saltos na época e foi uma das coisas mais emocionantes que fiz na vida.

É isso! Depois que entrei para o movimento sindical, a adrenalina passou a ser a luta de classes. Tem adrenalina a mil para quem está à frente de uma das principais categorias profissionais do país, a dos bancários, que trabalham para os donos do mundo capitalista. Tem violência policial contra nós, tem assédio moral, tem muita doença profissional. É adrenalina na veia organizar trabalhadores e enfrentar o patronato e seus lacaios - os capitães do mato da burocracia e a repressão.

Respeito muito essa categoria e sua organização. Por duas décadas, ajudei a organizá-la.

No entanto, o texto hoje foi de relembrar adrenalinas de outra natureza.


Do céu, a gente curtia o Rio de Piracicaba (SP) quando voava.

NAS ALTURAS, NAS CAVERNAS, NA AÇÃO RADICAL, ADRENALINA PARA LIDAR COM A TRISTEZA E A RAIVA DAS INJUSTIÇAS DO MUNDO

ME LEMBRO que a vontade de saltar de paraquedas começou naquele dia em que vi na televisão um pessoal fazendo saltos de paraquedas e surfando no ar - Skysurf. Aquilo foi fascinante! O homem não satisfeito com andar, com saber nadar, inventa uma prancha de surfe; o homem não satisfeito em andar e nadar, inventa uma forma de voar, depois inventa uma forma de saltar e flutuar no ar; não satisfeito em andar, nadar, surfar, voar, saltar e flutuar no ar, o homem inventa uma maneira de surfar no ar... é demais. Estávamos nos anos noventa. Eu decidi que iria saltar de paraquedas. E olha que eu nunca havia voado! Um tempo depois o objetivo seria realizado. Numa manhã de sábado do ano dois mil, lá íamos nós, um grupo de amigos, para Piracicaba no interior de São Paulo, realizarmos o sonhado salto de paraquedas. Havia dois tipos de saltos: o salto acoplado a um profissional, tipo mais comum de experiência, e o salto sozinho para aqueles que se inscrevessem no curso de paraquedismo. Eu e o Sérgio decidimos fazer o curso e saltar sozinhos, sem estar acoplados aos instrutores, e nossos amigos fizeram o salto acoplados. Durante toda a manhã, ficamos em sala de aula aprendendo sobre os procedimentos técnicos do paraquedismo, a mochila e os equipamentos, altura de lançamento, abertura do paraquedas, verificação do velame e manuseio dos batoques para se certificar que o paraquedas não estava com nenhum problema de dirigibilidade, paraquedas de emergência, freios, altímetro, posição do vento, vento de cauda, vento de nariz, aproximação do local de pouso etc. Ao rever a gravação é sempre a mesma emoção, arrepio, lágrimas nos olhos e o sentimento de super-homem. Foram vários os momentos de adrenalina ao máximo: entrar no avião, levantar voo, a abertura da porta lá no céu, chegar até a porta, olhar lá para baixo, sair do avião e se pendurar na asa, receber o "ok" do instrutor e soltar as mãos... a queda... o vazio e o frio no estômago... a abertura do paraquedas... a sensação de estar vivo e salvo e voando... gritos no ar... os pássaros lá embaixo... o silêncio do céu e o som do vento no voo de descida... a chegada ao solo. A sensação incrível de que você realizou aquilo. Foi inesquecível saltar de paraquedas. Eu não fiz o curso inteiro porque os saltos eram caros (30 aulas), mas fiz 14 saltos e foi algo incrível na minha vida.

ME LEMBRO que o convite foi meio por acaso. Meu primo e alguns amigos iriam para Brotas, no interior de São Paulo, acampar e fazer rapel nas belas cachoeiras da região. Aceitei o convite e fui com eles. Foram dois dias incríveis! Na época não havia a estrutura que tem hoje na região, era tudo muito rústico nos anos noventa. A experiência mais radical foi logo a primeira cachoeira que descemos, a Cachoeira Saltão, com 75 metros de altura e no negativo, a pessoa fica totalmente dependurada. O frio na barriga ao entrar na água lá em cima e se preparar para a saída já sob a água é incrível. Quando me pendurei, minha mão ficou um pouco presa sob o peso da corda e levei uma bela esfolada. Mas isso não atrapalhou minha descida. Foram minutos de muita emoção. Durante a descida, aprendi com o colega que estava descendo em uma corda ao lado como se fazia para travar o mosquetão e fazer o crucifixo pendurado de cabeça para baixo: demais! No outro dia, depois de acampar e dormir, fizemos descidas na Cachoeira do Astor, com cerca de 30 metros. Mais uma vez, meu corpo e mente ganhavam novas experiências com adrenalina a mil.

ME LEMBRO da escuridão, do barulho da água em meio ao breu total, e do vento úmido da cachoeira lá no fundo da terra. O guia tinha pedido que apagássemos o fogo da lanterna de Carbureto. A sensação foi de medo e de pequeneza. A gente se sente um nada no meio daquilo. Bastavam as lanternas não voltarem a funcionar para termos dificuldade de voltar à superfície, pois não enxergávamos nada na frente do nariz. A caminhada até aquela cachoeira no fundo da terra tinha durado quase uma hora porque o trecho era muito radical, estreito, com locais onde a água gelada estava até o peito, momentos em que só passava no trecho o corpo da gente de perfil. A descida naquela caverna pouco frequentada foi uma das coisas mais irresponsáveis que fiz na minha vida. Acho que o guia era inclusive um amador, que nos propôs uma caverna fora do roteiro mais tradicional do Petar (Parque Estadual e Turístico do Alto Ribeira), a 300 km de São Paulo, indo para o Sul. Já havíamos visitado a famosa Caverna do Diabo, no dia anterior. Linda, grande, iluminada, com passarelas para turistas. Uma infinidade de estalactites e estalagmites, colunas magistrais, formações deslumbrantes. Mas aquela caverna radical, com uma hora pra ir e uma pra voltar no fundo da terra, com água até o peito, breu total e cachoeira no final foi uma coisa de louco. Felizmente deu tudo certo e posso dizer que fiz algo extremamente arriscado em termos de cavernas.

ME LEMBRO que aquele era o dia de ir embora de Nova York, era um sábado, se não me engano. Havia sido uma semana cheia de experiências com os movimentos sociais dos trabalhadores norte-americanos. Estivemos lá para contribuir com as experiências dos brasileiros na organização sindical. Participamos de várias atividades realizadas pelas organizações e movimentos sociais e o tempo para conhecer alguma coisa na cidade foi bem curto. Eu gostaria, ao menos, de visitar o Empire State Building, antes de voltar ao Brasil. Como sairíamos do hotel na hora do almoço, me arrisquei a sair bem cedo para a visita ao famoso prédio. Estava um frio absurdo, já havia nevado naquela semana. Fui à pé, porque era perto de onde eu estava. Chegando perto, comecei a admirar a imponência daquela construção. A decepção inicial foi descobrir que havia uma fila enorme para enfrentar antes de entrar. Eu não poderia desistir assim, tão cedo. Encarei a fila de olho no relógio. Tinha uns agentes ou guias nas calçadas vendendo bilhetes caríssimos para os endinheirados passarem na frente, entrando direto. Que merda de sistema... A hora avançava e não chegava minha vez de entrar no saguão. Mais uma decepção, dentro do saguão havia outra fila gigante. Quase desisti por causa da hora. Mas fiquei mais um pouco. Teria que fazer uma visita sem muito tempo lá em cima. Enfim, consegui subir até o mirante do edifício. O Empire State tem 381 metros de altura, que somados com a antena chegam a 443 metros, são 102 andares. Eu sou apaixonado por altura e valeu muito a pena ver a cidade de Nova York do alto do Empire State. Estava tão frio lá em cima que minhas mãos congelavam para tirar fotos e quase não conseguia apertar o clique da máquina fotográfica. A volta foi uma loucura por causa da hora. Perdi o horário do checkout no hotel, mas depois deu tudo certo e ficou na lembrança aquele passeio de última hora na Quinta Avenida da Ilha de Manhattan.

ME LEMBRO que no final dos anos oitenta e ainda nos anos noventa, eu ia quase todos os anos visitar meus familiares em Barra do Garças (MT), no Vale do Araguaia. Além de ter tios e primos morando lá, sempre gostei muito de regiões com montanhas e abundância em natureza. A cidade conta com um mirante no alto da Serra Azul (700 metros) que permite um olhar panorâmico da região, e lá no alto tem uma imagem do Cristo Redentor. Eu tinha o hábito de subir várias vezes ao "Cristo", enquanto estava na cidade. Era uma subida e tanto. A trilha era escorregadia porque era feita em meio às pedras e ainda hoje me pergunto se era mais difícil subir ou descer, porque ambos percursos pra cima e pra baixo são bem difíceis. Tenho lembranças de passar horas sozinho lá em cima olhando o vale, o rio Araguaia, ouvindo o silêncio da montanha e o som do vento. Chegava um burburinho de cidade ativa em algumas horas do dia. Fui pesquisar na internet e vi que hoje o local é um parque estadual, me pareceu que não se pode mais subir no mirante a hora que der vontade como eu fazia na minha juventude. Eu já sabia que o percurso havia ganhado uma escadaria, já até subi pelas escadas, mas que o acesso era difícil eu não sabia. São 1.200 degraus do pé da serra até o mirante. Enfim, tenho saudosas lembranças daquela serra, da cidade, do balneário de águas quentes, das temporadas de praia no Araguaia, da pastelaria do meu tio Léo, dos encontros em família, dos dias que passava afastado na "roça". Meus tios ainda vivem lá, minha prima se mudou e meus primos faleceram tragicamente jovens. Boas lembranças e saudades. Experimentei muita adrenalina lá também.


Durante um certo tempo em minha vida, o prazer e o escape dos problemas do mundo era acampar, viajar para algum lugar com montanhas, cachoeiras, praia, rio, caverna, mato.

Meu sonho era fazer alpinismo, escalar grandes montanhas; fazer bungee jumping, mergulho e outros esportes radicais. Mas sempre faltou tempo e dinheiro, pois toda atividade assim é muito cara. Fiz algumas coisas. Valeu a pena. Ficaram as lembranças.

William

Post Scriptum:

Capítulo 1, ler aqui.
Capítulo 2, ler aqui.
Capítulo 3, ler aqui.
Capítulo 4, ler aqui.