terça-feira, 31 de outubro de 2023

Diário e reflexões - Outubro



Refeição Cultural - Outubro

Osasco, 31 de outubro de 2023. Terça-feira.


Opinião


INTRODUÇÃO

Nada no horizonte indica a interrupção das guerras e uma pausa na destruição da natureza. As relações humanas utilitárias seguem destruindo o que nos constituía como os tais seres sociais humanos. Temos que mudar essa realidade. 


Este mês de outubro foi um mês de bad, de um forte banzo apertando o peito. Eu não me lembro nos estudos de história da civilização humana de um Estado mandar assassinar crianças em massa, milhares de crianças, como o Estado de Israel vem fazendo desde o início da guerra na Palestina. Pelo menos de forma pública e aberta como estão sendo assassinadas as crianças palestinas.

Estamos assistindo ao assassinato de crianças, mulheres, idosos e civis por um Estado, na maior cara de pau e tudo ao vivo e à cores. Israel tem um governo sionista de extrema-direita. Tudo indica que Israel quer se apropriar totalmente das terras palestinas da Faixa de Gaza e da Cisjordânia expulsando milhões de palestinos que já ocupavam o território antes de 1947. E o império decadente norte-americano foi lá para apertar as mãos do genocida e dizer que apoia incondicionalmente o extermínio da população civil.

Sim, temos outros assassinatos em massa de crianças na história e nas tradições culturais. É de conhecimento da história o Estado da Alemanha mandar assassinar crianças judias durante o governo nazista de Adolf Hitler (1933-45). Também é conhecida a história bíblica, nos relatos de Mateus, sobre o assassinato de bebês pelo rei da Judeia Herodes, o Grande. Ao se sentir enganado pelos Reis Magos, que não disseram a ele quem era o recém-nascido que seria "Rei dos Judeus", Herodes mandou matar todos os meninos com até dois anos de idade em Belém e região.

Enfim, nosso mês de outubro tem sido assim... dezenas de pessoas no mundo mortas diariamente, centenas e milhares, crianças e pessoas indefesas sendo trucidadas por bombas por ordem de alguns homens brancos donos do poder. Difícil alguém consciente sentir uma felicidade pessoal plena como ser humano... o mundo humano tá uma merda!

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EMERGÊNCIA CLIMÁTICA (O CAPITALISMO CONSUMINDO O MUNDO)

A Amazônia enfrenta uma seca violenta neste momento. Rios seculares e caudalosos estão praticamente secos. Incêndios consomem biomas importantes. As camadas de gelo derretem onde elas existem há milhares de anos. A temperatura do planeta Terra aquece perigosamente. Bilhões de seres humanos estão sob risco de morte por absoluta falta de condições de sobrevivência. Estamos presenciando uma extinção em massa de seres vivos na Terra. E o sistema responsável por isso, que consome o planeta em benefício de alguns milhares de homens e suas famílias e agregados não é sequer citado pelas esquerdas e pelos povos do mundo como o responsável por tudo isso. Não se aponta o culpado e não se muda a rota do fim... o capitalismo é o monstro mais poderoso que já apareceu no planeta Terra. Não há conciliação nem reforma no capitalismo que impeça o fim da Terra e, no entanto, vai falar isso com a "esquerda" que você conhece... vai falar de socialismo...

Sem perspectivas de mudança à vista...

Mas não podemos desistir de mudar pessoas e mudar a rota do mundo para o fim.

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IMPACIÊNCIA COM O DESPREZO E A INGRATIDÃO

Em meio a tudo isso que descrevi acima, o mundo no qual vivemos, estou menos resiliente em relação ao desprezo pelo qual todas as pessoas acabam passando em determinados momentos de suas vidas. A forma utilitarista pela qual as relações humanas passaram a se balizar na sociedade me incomoda, me enoja, e até sei que temos que continuar fazendo cara de paisagem ao sermos desprezados, mas o incômodo começa a exigir de mim mudanças para que eu continue a caminhada por esse mundo mundo vasto mundo drummondiano.

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SÃO SILVESTRE, SAÚDE E CONDICIONAMENTO FÍSICO

No início de outubro, decidi me inscrever e correr na 98ª edição da Corrida de São Silvestre (comentário aqui). Ao finalizar o primeiro dos três meses de treinamento, percebi que a realização deste objetivo será mais complicada do que imaginei.

Desenhei uma estratégia de fazer oito treinos de corrida em cada um dos três meses. Deu errado! Já na segunda corrida, dia 8 de outubro, senti uma lesão na parte posterior da perna direita. Foi uma tristeza geral, fiquei bem decepcionado comigo mesmo.

Fechando o mês, analisei a situação, avaliei a mim mesmo, e redefini a estratégia de treinamento possível para atingir um condicionamento físico que me permita percorrer em trote leve os 15 Km da prova no dia 31 de dezembro.

Tenho que diminuir um pouco meu peso porque minha estrutura óssea e muscular do aparelho locomotor não é mais a mesma. A tarefa é difícil porque tenho um peso estável há décadas. Teria que emagrecer uns 3 Kg que adquiri nos últimos anos. Vou fazer um esforço para isso. 

Está difícil lutar contra minha genética (natureza). Tenho que diminuir o volume do abdômen (98 cm) e reduzir meus 76,2 Kg. Preciso mudar minha alimentação, meus horários cotidianos e rotinas. Meus hábitos são muito ruins, durmo tarde, durmo pouco e os horários das refeições são pouco usuais.

Vou estabelecer uma rotina de caminhadas contra o relógio, diminuir o tempo dos quilômetros na caminhada. Isso vai melhorar meu condicionamento cardiorrespiratório e vai me fazer queimar calorias. E vou manter um pouco de musculação para a região do tronco (core) e pernas. Estou saindo de 13' o Km para 10' e isso dá uma diferença grande na caminhada.

Até dezembro, calculo correr umas 12 vezes, ao invés das 24 vezes que havia pensado para os três meses, mais ou menos a metade das corridas, do final do mês de novembro até perto da prova. Vou tentar nadar uma vez por semana também para melhorar o condicionamento físico geral.

Vamos ver o que rola nesta nova estratégia.

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LEITURAS E DEMAIS EXPERIÊNCIAS CULTURAIS

As leituras de livros estão mais lentas em relação ao primeiro semestre deste ano. Eu havia previsto isso.

Já finalizei neste ano a leitura de 28 livros, e não considero isso pouca coisa. Li livros difíceis, densos, que mudam a visão de seus leitores. Quando penso nas leituras políticas que fiz, compreendo por que estou tão modificado em relação ao que avalio que era tempos atrás.

Terminei a leitura de Abdias Nascimento (comentário aqui) e li uma obra sobre Luiz Gama (comentário aqui). Se somar os conhecimentos dessas leituras ao que aprendo com o intelectual Jessé Souza (ler aqui), fica claro por que não consigo mais manter certa inocência que até nós do movimento sindical tínhamos no desempenho de nossos papéis de organizadores e representantes de classe.

Francamente, ao conhecer a história do povo afrodescendente sequestrado e escravizado no Brasil e nas Américas por séculos, ao conhecer as artimanhas dos brancos da casa-grande brasileira ainda hoje, é impossível continuar acreditando de forma quase pueril na conciliação de classes que meu querido presidente Lula acredita, um pacifista que sempre foi uma referência para mim. 

E, no entanto, não temos correlação de forças para mudar o status quo pela força... foda isso! Nossos inimigos de classe detêm todas as formas de violência estatal e privada.

E o livro da jornalista, escritora e documentarista Eliane Brum (comentário aqui)? Impossível não sentir o banzo que havia aprendido com a leitura de nossa querida Conceição Evaristo (comentário aqui). Banzeiro òkòtó é uma catarse só, nos modifica a cada capítulo do livro-denúncia, do livro-diário, do livro-chamamento para salvar o mundo. O desejo de mudança que falo na introdução fica patente ao ler cada página de Brum. Algo tem que mudar, tem que ser feito!

Enfim, tenho lido obras que gostaria que todas as pessoas deste país lessem, livros que fossem lidos pelas lideranças do movimento dos trabalhadores, lidos pela esquerda e pelos progressistas. Lidos pelas pessoas comuns, pela classe trabalhadora... 

Infelizmente, a imensa maioria só faz trabalhar ininterruptamente de manhã, tarde e noite em trabalhos precários para comer e morar e comprar os itens básicos do viver. Como um motoboy iria ler se trabalha umas 18 horas por dia?

Cada leitura e cada nova tomada de consciência me obriga a ficar vivo! Me obriga a seguir porque é uma ética e uma responsabilidade seguir vivendo e contribuindo de alguma forma para salvar a humanidade e o planeta Terra e até a mim mesmo, um ser vivo. 

Cada dia de estudo me obriga a amar as pessoas, a ser solidário e querer que a vida seja melhor para todas e todos. Me dá consciência e obrigação moral de ser contra a continuidade do capitalismo! Como pode não ser mais o horizonte de lutas da esquerda o fim do capitalismo e a luta pelo socialismo?

Sobre leituras e cultura é isso.

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CONCLUO

Sempre se tem o que dizer sobre mais coisas relevantes do mundo. O Brasil, por exemplo, muito se poderia dizer sobre ele. 

A postagem, no entanto, fica por aqui, já está de bom tamanho para quando olhar para trás, num futuro incerto, aquele outubro de 2023.

Sobre a política, só registro minha tristeza pela entrega da direção da Caixa Econômica Federal aos corruptos do Congresso. Por duas décadas, só havia visto nossa empresa pública nas mãos da direita - parceira da "governabilidade" dos governos do PT - durante os governos dos golpistas, entre 2016 e 2022.

Lula faz o que pode, eu sei. Nós não temos apoio na sociedade para quase nada. A esquerda não tem neste momento capacidade de conquistar maioria neste lugar do mundo, um dos países de formação mais violenta no mundo, racista, misógino, xenófobo e com uma elite branca que odeia a classe trabalhadora e o próprio país.

Viver é uma necessidade! Sigamos!

William


segunda-feira, 30 de outubro de 2023

Vendo filmes (VIII)


O sol que dá a vida é o mesmo
que pode causar a morte.

Refeição Cultural

Catarses através da sétima arte...


Nesta postagem faço breves comentários sobre três filmes bem diferentes um do outro. 

Um filme antigão que só fui ver agora e que me impressionou pela ousadia do tema e da produção: O império dos sentidos.

Um filme muito interessante sobre a história de um rapaz com autismo ou Transtorno do Espectro Autista (TEA) em busca de uma realização. Temática atual de O milagre de Tyson.

E um filme encantador e assustador ao mesmo tempo: Finch. Uma história de amor e amizade entre um homem e um cachorro num mundo apocalíptico.

Todos eles me fizeram refletir sobre os temas e sobre a vida.

William

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FILMES

O império dos sentidos (1976) - Japão e França. Direção: Nagisa Ôshima. Com Eiko Matsuda no papel da ex-prostituta Sada e Tatsuya Fuji no papel de Kichizo. Filme conta a história de amor e paixão de Sada e Kichizo no Japão dos anos trinta. É um filme erótico, mas é considerado um filme de arte e marcou época.

COMENTÁRIO: Nos anos oitenta ouvia-se muito falar sobre esse filme japonês, eu era adolescente e fiquei curioso por muito tempo. Acabou que a vida foi passando e eu nunca vi o filme. A cena do ovo na vagina da atriz era uma das referências desse clássico. Dias atrás, acabei conhecendo finalmente O império dos sentidos, dirigido por Nagisa Ôshima e estrelado pela bela Eiko Matsuda no papel de Sada. Que filme doido! Imagino como deve ter causado impacto nos anos oitenta onde pôde ser visto. O casal de amantes vai se entregando compulsivamente aos novos prazeres que o sexo pode proporcionar a eles e a situação vai ficando cada dia mais extravagante. É doido! Finalmente conheci O império dos sentidos! Nunca é tarde para se conhecer coisas velhas (novas)!

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O milagre de Tyson (2022) - EUA. Direção e roteiro: Kim Bass. Com Major Dodson no papel do jovem Tyson Hollerman. Garoto com TEA (Transtorno do Espectro Autista), educado em casa por sua mãe e filho de um famoso treinador de futebol americano do Estado passa a frequentar a escola onde o pai é técnico e após sofrer bullying decide que quer correr e vencer uma maratona para ser aceito pelo pai. Ele contará com o apoio do maratonista Aklilu (Barkhad Abdi).

COMENTÁRIO: Gostei do filme! É mais comum em filmes que apresentam personagens com algum grau de deficiência física ou intelectual abordar as habilidades desenvolvidas pelos PcD em áreas da cultura ou das intelectualidades. Rain Main (1988) foi um dos filmes que marcaram época com a interpretação do autista Raymond por Dustin Roffman. O filme sobre o jovem Tyson Hollerman tem uns clichês básicos como o pai de Tyson querer ser o pai da moral e dos bons costumes, coisa ridícula sendo ele um típico personagem que caracteriza bem o que é o cidadão médio norte-americano. No entanto, acompanhar o dia a dia do garoto superando o bullying e as dificuldades inerentes à sua condição de não atleta de alta performance na corrida de longa distância é emocionante. Vale a pena ver o filme!

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Finch (2021) - EUA. Direção de Miguel Napochnick. Com Tom Hanks. Num futuro pós-apocalíptico, homem doente cria um robô com a intenção de cuidar de seu cachorro. O filme teria outro nome, Bios, quando foi anunciado em 2017 e produzido em 2019, antes da pandemia de Covid-19, e só foi lançado dois anos depois ao ser vendido para uma empresa de streaming, Apple TV.

COMENTÁRIO: Assisti ao filme em um ônibus de viagem. O enredo é excelente! Tom Hanks interpreta Finch, sobrevivente humano de um mundo superaquecido durante o dia por causa da destruição da camada de Ozônio do planeta Terra. O roteiro é muito bem-feito e deixa o telespectador envolvido na trama do início ao fim. O cenário é assustador e muito realista para as pessoas minimamente informadas sobre as consequências da emergência climática vivida por nós nesta quadra da história. É impossível não nos encantarmos com o cachorro Goodyear, companheiro de Finch naquele mundo quase sem vida e o pequeno robô Dewer. E para completar a equipe que luta pela vida temos Jeff, robô criado para cuidar do cachorro na ausência de Finch. É um road movie que nos deixa pensativos. E muito! A história tem amor, amizade, confiança e momentos de suspense e é difícil não se emocionar. Recomendo. Gostei demais e a trilha sonora é espetacular!

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Post Scriptum - Caso tenham interesse em ler comentário anterior sobre filmes é só clicar aqui.


sábado, 28 de outubro de 2023

Diário e reflexões



Refeição Cultural

Jaboticabal, 28 de outubro de 2023.


Impotência e desprezo

Fim de noite de sábado. Acabamos de ouvir a vocalização do urutau aqui no quarto de hotel onde estamos. O urutau deve estar nesse bosque da foto acima. Que cantar mais exótico esse do urutau!

Outra coisa prazerosa é acompanhar o casal de quero-quero chocando dois ovinhos na grama do hotel, no meio do descampado, e dá até agonia ver os pássaros desesperados quando carcarás e urubus estão voando acima das cabeças deles. O casal fica num piado só ao redor do ninho protegendo suas crias de teiús e outros predadores.

No lago municipal, aqui perto, é uma cantoria só no final da tarde, alguns tipos de garças, maritacas, papagaios, bem-te-vis, joões-de-barro, curiós e outros pássaros que não sei o nome ficam voando ao redor e andando pela relva e se preparando para a noite que se aproxima. Ia me esquecendo das curicacas, encantadoras ao vocalizarem quando voam.

Esse cenário em meio à natureza de uma cidade do interior paulista não alivia a tristeza e amargura que aperta meu peito. Não alivia. 

Tentei ler e não consegui. Trouxe um livro de romance para tentar terminar a leitura e não rolou. Tentei ver algum filme ou documentário e também não estou com cabeça para isso.

Um genocídio está acontecendo neste momento e como um cidadão do mundo me sinto responsável e impotente ao saber - todos nós sabemos! - que o Estado sionista de Israel está assassinando milhares de crianças palestinas, todos sabemos! 

Minha impressão coincide com a leitura daqueles que veem na ação do governo racista dos sionistas a intenção de tomar as terras que eram dos palestinos, ao invés de cumprir as resoluções criadas após a 2ª Guerra Mundial. O que fazemos para frear o extermínio dos palestinos?

Sinto uma impotência que me tira o ar, que causa uma coisa estranha no fígado e na vesícula, um mal-estar ruim de explicar. A impotência que já venho sentindo faz tempo por não conseguir influenciar sequer meia dúzia de pessoas que amo se soma agora à impotência de sabermos que o mundo está sofrendo as piores injustiças da história e não posso fazer nada para mudar isso.

A floresta Amazônica também está sendo assassinada e junto com ela todas as formas de vida que lá existem, inclusive a espécie humana, os povos originários, povos-floresta como nos ensina Eliane Brum. Poucos caras mandam e poucos caras executam a destruição de tudo. A gente fica aqui no nosso mundinho nos centros urbanos tocando nossas vidas e a destruição segue.

A gente vê por não ser cego o que os canalhas corruptos do capital e da casa-grande estão fazendo, a gente vê os meios de comunicação que pertencem a eles manipulando as massas ignorantes (não sabem por que não tiveram oportunidade de saber), massas humanas ocupadas trabalhando ininterruptamente para ganhar uns tostões em trabalhos precários. Enquanto poucos caras do agro - latifundiários e grileiros -, dos bancos e dos mercados de capitais - putos que não produzem uma agulha -, poucos caras donos de tudo, gozam, riem, comemoram o fim do mundo.

Além da impotência, tem o desprezo, tem aquele sentimento que também aperta nossos órgãos sensíveis aos hormônios corporais. O desprezo é uma arma implacável da sociedade humana. É só tentar pensar no sofrimento das vítimas de injustiças como estas que estão sendo eliminadas, colocadas na condição de desaparecimento enquanto o mundo vê e nada faz.

Se eu fosse o que era décadas atrás, dificilmente teria estrutura para lidar com tanta coisa que vejo ao meu redor. Felizmente sou quem sou e os mantras do poeta Drummond acabaram por se fixarem em minhas abstrações mentais. Viver é essencial! Não adianta morrer! Viver apenas, sem mistificação!

Mas a impotência e o desprezo não podem continuar a causar tanta coisa indescritível dentro de meu reles corpo mortal. Mudança. Sei que preciso de mudança. Não sei ainda como ou o que mudar, mas se não mudar, a natureza vai se encarregar de mudar comigo daqui. Sabedoria, se revele para mim.

William


Post Scriptum: o texto foi atualizado após a leitura de minha esposa, que me lembrou dos teiús e das curicacas, presenças marcantes no cenário dessas reflexões.


terça-feira, 24 de outubro de 2023

Leitura: Banzeiro òkótó: uma viagem à Amazônia centro do mundo - Eliane Brum



Refeição Cultural

Osasco, 24 de outubro de 2023. Terça-feira. (as guerras seguem: na Ucrânia, na Palestina, na Amazônia...)


"Aqueles que têm se mostrado tão competentes em imaginar o fim do mundo — do apocalipse bíblico aos filmes de zumbi, dos vírus a ataques alienígenas, do domínio da inteligência artificial ao holocausto nuclear e agora climático — precisam se tornar capazes de imaginar o fim do capitalismo. Temos de nos tornar capazes, principalmente, de imaginar um futuro onde possamos e queiramos viver. Imaginar é ação política. Imaginar é instrumento de resistência. Imaginar o futuro é agir sobre o presente." (from "Banzeiro òkòtó: Uma viagem à Amazônia Centro do Mundo" by Eliane Brum)

A leitura de Banzeiro òkótó (2021), da escritora, jornalista e documentarista Eliane Brum, foi difícil para mim. Cada capítulo era uma porrada e tinha que parar para recuperar o fôlego e o ânimo. Foi uma leitura deprê. No entanto, foi uma leitura necessária! Terminei a jornada emocionado, com lágrimas nos olhos.

A indicação de leitura do livro foi do curso"13 livros para compreender o Brasil", curso presencial que fiz no Instituto Conhecimento Liberta (ICL). Agradeço aos professores Suze Piza e Lindener Pareto pela referência de leituras que eu não escolheria por conta própria. Estou lendo cada um dos livros que não havia lido ainda. E a cada leitura, mudo, saio diferente.

O primeiro excerto que citei acima, é central! Ou a gente imagina um mundo livre do capitalismo ou não haverá mais mundo para vivermos, nem nós, nem as formas de vida que habitam o planeta Terra.

Eliane Brum nos mostra tanta coisa, tanta coisa, que a gente fica tonto! 

Durante os anos trágicos do mandato canalha e genocida do clã miliciano do Rio de Janeiro, eu pensava em termos exércitos armados para lutar contra os destruidores da Amazônia e Pantanal e biomas do litoral brasileiro. A guerra sempre foi desproporcional, os defensores dos biomas entram com os corpos e os exploradores entram com as balas. Só morrem pessoas de um lado. Matam indígenas, quilombolas e brancos que defendem a natureza. Depois destroem a natureza para sempre... e fica por isso mesmo!

Durante a leitura do livro-denúncia de Brum, a gente descobre que tem parlamentar petista que homenageia o maior grileiro do Brasil... puta que pariu! A gente descobre a extensão da destruição da usina hidrelétrica de Belo Monte, não feita durante a ditadura e feita por governos de esquerda de Lula e Dilma... puta que pariu!

O mundo é um lugar foda! E nem dá para desistir de lutar ou de viver porque ao desistir o inimigo do mundo, dos povos e da natureza ganha sem a gente lutar, ganha por WO, que foda!

Amig@s leitores, não adiantaria eu ficar falando sobre o livro ou os capítulos do livro de Eliane Brum. O que posso dizer é que a leitura deveria ser obrigatória para gerar algum incômodo e constrangimento em cada pessoa que lesse o que ela nos conta ali.


"É necessário agora redesenhar o movimento feito ao longo deste livro, para que o conceito seja estabelecido. O banzeiro dá mais algumas voltas, mas agora no sentido de “òkòtó”, palavra na língua iorubá que compõe o título deste livro. Ela me foi dada num jogo de búzios com Pai Rodney de Oxóssi, babalorixá, antropólogo e escritor. Ela veio e tomou conta de minha percepção sobre o movimento e também da capa deste livro. Assoprada por Exu, esta foi mais do que uma volta. Òkòtó é um caracol, uma concha cônica que contém uma história ossificada que se move em espiral a partir de uma base de pião. A cada revolução, amplia-se “mais e mais, até converter-se numa circunferência aberta para o infinito”. Amazônia Centro do Mundo é banzeiro em transfiguração para òkòtó." (from "Banzeiro òkòtó: Uma viagem à Amazônia Centro do Mundo" by Eliane Brum)

É isso! Abaixo cito algumas passagens que marcaram este leitor que vos fala.

Leiam o livro, se revoltem, saiam do conforto que talvez tenham adquirido. Poucos brancos bilionários estão destruindo o mundo de bilhões de pessoas humanas e bilhões de outres seres.

A vontade de mudar o rumo do mundo é enorme depois que lemos Banzeiro òkótó... não é possível se sentir à vontade com essa merda toda que está rolando neste exato momento.

William

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BANZEIRO ÒKÓTÓ

O privilégio e a violência por ser um branco no Brasil


"Por mais éticos que nós, brancos, possamos ser no plano individual, a nossa condição de brancos num país racista nos lança numa experiência cotidiana em que somos violentos apenas por existir. Quando eu nasço no Brasil, em vez de na Itália, porque as elites brasileiras decidiram branquear o país importando homens e mulheres brancos como meus bisavós, já sou violenta ao nascer. Quando ao meu redor os negros têm os piores empregos e os piores salários, a pior saúde, o pior estudo, a pior casa, a pior vida e a pior morte, eu, na condição de branca, existo violentamente mesmo sem ser uma pessoa violenta." (from "Banzeiro òkòtó: Uma viagem à Amazônia Centro do Mundo" by Eliane Brum)

Ao ler essa afirmação de Brum, fiquei pensando nas pessoas do meu cotidiano, estejam elas nas ruas e nos faróis pedindo uma ajuda, ou nos postos de trabalho que me atendem de alguma forma, peles de tons diversos entre o pardo e o preto. Brasil.


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Os capitalistas responsáveis pela destruição do mundo


"Quando a pandemia começou, apenas 2153 pessoas — às vezes esquecemos que bilionários são pessoas, têm nome e sobrenome — concentravam mais riqueza material do que 60% de quase 8 bilhões de seres humanes que habitam o planeta. Bilionários representam uma fração tão insignificante no conjunto da população global que os números falham em torná-los visíveis como porcentagem: menos de 0,00003% — ou 1 bilionário para cada 3,7 milhões de pessoas. A desigualdade racial, social, de gênero e de espécie que provocam, porém, é brutalmente visível." (from "Banzeiro òkòtó: Uma viagem à Amazônia Centro do Mundo" by Eliane Brum)

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Nós somos a maior praga do planeta Terra


"Diz Antonio Nobre: 'A floresta sobreviveu por mais de 50 milhões de anos a vulcanismos, glaciações, meteoros, deriva do continente. Mas em menos de cinquenta anos, encontra-se ameaçada pela ação de humanos.'" (from "Banzeiro òkòtó: Uma viagem à Amazônia Centro do Mundo" by Eliane Brum)

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O negacionismo ao lidar com a questão da emergência climática


"O que nos causa mais terror, porém, é o fato de que mesmo diante de evidências tão eloquentes, da enormidade da ameaça, a maioria da população siga negando a realidade que também construiu. Mesmo com a água faltando nas torneiras, com a temperatura mais alta a cada ano, com a vida sendo mastigada dia a dia, a alienação é assombrosa. Padecemos de desconexão com o mundo justamente na época mais conectada da história humana, na qual a maioria vive em rede quase todas as horas de vigília." (from "Banzeiro òkòtó: Uma viagem à Amazônia Centro do Mundo" by Eliane Brum)

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Eliane Brum assumiu seu posto na guerra climática e foi para o front de batalha onde se definirá a história da humanidade e do planeta Terra. Que ato nobre da porra!


"Eu escolhi meu lado na guerra climática, o que levou meu corpo a Altamira, uma das múltiplas linhas de frente do planeta. Meu desafio, como branca, é aprender a pensar e me pensar a partir de relações radicalmente diferentes com humanes e mais-que-humanes. Meu desafio é me desbranquear — ou fazer o movimento do desbranqueamento, que nunca serei capaz de completar. É essa travessia que vocês fizeram comigo no lento caminhar deste livro. Busquei compartilhar o processo que me trouxe até o agora, que me lançou no banzeiro e talvez me lance no òkòtó." (from "Banzeiro òkòtó: Uma viagem à Amazônia Centro do Mundo" by Eliane Brum)

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O fim do mundo não é um fim, mas um meio


"Altamira é uma ruína. É, como o Brasil, uma constante construção de ruínas sobre a mais monumental de todas as ruínas, a da floresta que antes havia ali. Como toda fronteira simbólica, Altamira é vanguarda do mundo. Finalmente compreendi ali, com todo o meu corpo, que o fim do mundo não é um fim, mas um meio." (from "Banzeiro òkòtó: Uma viagem à Amazônia Centro do Mundo" by Eliane Brum)

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Gaúchos: gafanhotos da Amazônia: onde pousam, não sobra nada vivo na natureza...


"Na conversa, apresentou-me, e eu disse, toda animada: 'Ah! Eu também sou gaúcha. De onde tu é?'. A conversa foi rápida e, quando seguimos pelas prateleiras, meu companheiro de compras informou: 'É um grileiro'. E eu, ainda ingênua: 'Puxa, um gaúcho, que vergonha'. Ele então esclareceu: 'É importante que você entenda que os gaúchos são conhecidos como os gafanhotos da Amazônia'." (from "Banzeiro òkòtó: Uma viagem à Amazônia Centro do Mundo" by Eliane Brum)

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O planeta Terra não é nem uma fazendona nem uma espaçonave. O único caminho é se florestar


"Suspeito que todo astronauta será caubói um dia, e não o contrário. Minha proposta e de outras pessoas é que viremos todes indígenas, no sentido de nos compreender como parte orgânica de um planeta vivo e compreender a vida como essa relação fascinante de intercâmbios e de dependência mútua entre diferentes formas de ocupar o mesmo corpo. Me parece que o único caminho é se florestar." (from "Banzeiro òkòtó: Uma viagem à Amazônia Centro do Mundo" by Eliane Brum)

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De novo: a Terra não é um pasto para bandeirantes e terraplanistas explorarem


"O economista inglês, naturalizado estadunidense, Kenneth Boulding (1910-93) criou uma distinção entre o que chamou de a economia do caubói e a do astronauta. Os caubóis — e claramente ele fazia referência aos homens que colonizaram o Velho Oeste dos Estados Unidos e foram mitificados por Hollywood — enxergam o planeta como terra plana: vastos espaços abertos com recursos infinitos, à espera de que os mais fortes os dominem, destruindo os povos originários, os não gente, e a natureza. No Brasil, esse conceito poderia ser chamado de economia do bandeirante e apelidado de Borba Gato. Ou então de economia do pioneiro e apelidada de gafanhoto. Podemos pensar que não é um acaso que na época de déspotas eleitos como Bolsonaro o terraplanismo esteja tão em voga." (from "Banzeiro òkòtó: Uma viagem à Amazônia Centro do Mundo" by Eliane Brum)

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Maior grileiro do país homenageado por parlamentar do PT do Paraná é excomungado por padre na Amazônia


"Padre Patrício foi particularmente iluminado naquela festa. Em seu sermão evocou toda a história de resistência da comunidade na Terra do Meio e excomungou o grileiro Cecílio do Rego Almeida sem nenhuma misericórdia. Lá do fundo um beiradeiro gritou para atualizar o piedoso sacerdote: 'Ele já morreu, padre!'. E padre Patrício ecoou em altos brados, com as mãos levantadas para o céu em júbilo divino: 'Graças a Deus!'." (from "Banzeiro òkòtó: Uma viagem à Amazônia Centro do Mundo" by Eliane Brum)

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Os piores destruidores do mundo são os maiores "cidadãos de bem" do mundo...


"A Amazônia é destruída primeiro para especular, depois, ocasionalmente, alguns vão cogitar produzir soja para o gado comer ou gado para os humanes comerem. O roubo, devidamente lavado e legalizado, vira então “agronegócio”, os criminosos se tornam “cidadãos de bem”, alguns se tornam prefeitos, são reconhecidos nas sociedades locais como “pioneiros” e, com algum empenho, quando morrem, viram nome de rua e estátua na praça." (from "Banzeiro òkòtó: Uma viagem à Amazônia Centro do Mundo" by Eliane Brum)

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O que é um desgraçado de um grileiro?


"Grileiros são pessoas que tomam ilegalmente, em geral pela força, milhares, às vezes milhões, de hectares de terra pública. Na Amazônia, para consolidar seu domínio, usam milícias formadas por pistoleiros para expulsar os povos-floresta — indígenas, beiradeiros e quilombolas. Nesse processo, povos-floresta são assassinados, dando ao Brasil, ano após ano, o pódio dos países onde mais morrem defensores do meio ambiente. Os grileiros derrubam as árvores chamadas nobres, por ter valor no mercado nacional e internacional, e queimam o restante da vida, provocando as queimadas que assombraram o mundo em 2019. Depois, colocam bois apenas para garantir a posse. Com frequência, o trabalho ilegal é realizado por homens escravizados. Caso se revoltem, são enterrados ali mesmo, em covas que jamais serão encontradas." (from "Banzeiro òkòtó: Uma viagem à Amazônia Centro do Mundo" by Eliane Brum)

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Por que "grileiros"? Porque colocam grilos para cagarem em papéis para parecerem papéis antigos e velhos


"A especulação com a terra é o principal objetivo de parte dos grileiros, que ganharam esse nome porque no passado a fraude era consumada colocando-se papéis novos com grilos vivos numa caixa. Os excrementos desses insetos tão mimosos nas produções da Disney, mas conhecidos na Amazônia por outros talentos, forjavam a aparência amarelada típica de antigos títulos de terra, tornando-os portanto mais verossímeis." (from "Banzeiro òkòtó: Uma viagem à Amazônia Centro do Mundo" by Eliane Brum)

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Povos indígenas, beiradeiros e quilombolas são povos da resistência


"É preciso subverter esse olhar para enxergar melhor. O que chamamos de Brasil é um monumental exemplo de resistência. Ou, dito pelo avesso para voltar ao lado certo, o Brasil foi jogado contra indígenas — e os negros foram jogados no Brasil. E ainda assim indígenas e negros têm resistido por séculos. Não só têm resistido, como têm desformado o Brasil." (from "Banzeiro òkòtó: Uma viagem à Amazônia Centro do Mundo" by Eliane Brum)

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As resistências possíveis contra o fim do mundo


"Mas não é sobre isso que escrevo — ou é, mas não principalmente. Escrevo sobre resistência. Sobre como tornar a vida possível apesar de todas as formas de morte — ou, no caso dos povos originários no Brasil, apesar de tentarem matá-los de todas as formas há mais de quinhentos anos. Essa jornada pela Amazônia, para muito além da geografia, é também uma investigação sobre as resistências possíveis no momento em que vivemos o impossível da emergência climática e da sexta extinção em massa de espécies." (from "Banzeiro òkòtó: Uma viagem à Amazônia Centro do Mundo" by Eliane Brum)

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Bibliografia:

BRUM, Eliane. Banzeiro òkótó: uma viagem à Amazônia centro do mundo. Companhia das Letras: 2021.


sábado, 21 de outubro de 2023

Diário e reflexões


Pôr do sol em Uberlândia.

Refeição Cultural

Osasco, 21 de outubro de 2023. Sábado.


Reflexões a respeito da não esperança e a ética de lutar assim mesmo pela vida e por um mundo melhor para a coletividade ao ler Banzeiro òkòtó: uma viagem à Amazônia centro do mundo


"(...) pela primeira vez na trajetória humana, o futuro, em grande medida, está dado. Sabemos que viveremos num planeta muito pior..." (Eliane Brum, em Banzeiro òkòtó)


Essa constatação citada acima, da escritora e jornalista Eliane Brum, de que o amanhã será pior que o presente, por causa do colapso ambiental no planeta, é ousada e chocante, e também responsável. Alguém tem que dizer sem meias palavras algumas verdades factuais para a humanidade. Nós e nossos jovens e crianças de hoje estamos todos fodidos no amanhã por causa do que fizemos ao planeta Terra.

Aliás, os responsáveis diretos por destruírem as condições de vida no planeta podem até ser poucos caras - em geral homens brancos -, os donos do poder real, os capitalistas e endinheirados do mundo e seus lacaios no poder estatal, mas não fazer nada ao termos a consciência da realidade e ficarmos em nosso mundinho pessoal levando a vida nos faz cúmplices da destruição do único mundo possível para se viver.

A leitura desse livro-denúncia de Eliane Brum é uma leitura motivada pela minha busca de conhecimento, pela minha participação no Instituto Conhecimento Liberta (ICL). Por fazer parte dos coletivos de humanes que não desistiram de estudar e aprender novos saberes e por fazer o curso "13 livros para compreender o Brasil" me peguei lendo livros que eu não escolheria para ler caso estivesse somente por minhas listas de desejos de leitura. 

O livro é denso demais, doloroso demais. Eu particularmente não consigo embalar a leitura em uma centena de páginas porque a cada capítulo fico mal, pensativo, indignado, querendo abrir a porta de casa e sair para fazer alguma coisa pelo mundo. 

Alguém rapidamente pode pensar: mas então pra quê ler um troço tão deprê desses? Porque é nossa obrigação ética de ser humano politizado e educado estudar e pensar a respeito dos problemas que afetam a vida humana e a vida no único lugar no universo onde há formas de vida desenvolvidas como na Terra. (nunca me esqueci das palavras de Carl Sagan falando sobre o pálido ponto azul visto do espaço)

O capítulo "68. a esperança é superestimada" é muito intenso. Os seguintes também, quando Brum aborda a questão do suicídio dos jovens na região de Altamira. Em certo momento, a escritora vai abrindo o coração para os leitores e nos vemos nela, eu me vi nela. Imagino que cada leitora e leitor se verá nela, se verá no espelho do presente ou do passado de sua própria vida. Eu me vi em Eliane Brum ao ler uma sequência de capítulos duríssimos como os que estou neste momento da leitura.

Eu já sofria com a impotência de indivíduo atomizado no mundo ao ver a mortandade na região da Ucrânia, numa guerra onde os civis são bucha de canhão da disputa hegemônica pelo poder do mundo, sempre com os Estados Unidos por trás das guerras, e agora estamos assistindo ao genocídio do povo palestino por parte do Estado sionista de Israel. E aí fico pensando no relato de Eliane Brum nos contanto sobre a guerra que os humanes estão travando contra a Amazônia e os demais biomas do mundo...

Registro triste. Registro necessário. A gente fica triste, mas não desiste de lutar e de viver e de se envolver em algo que possa contribuir para mudar essa realidade. Estudar e escrever é uma forma de atuar. Sigamos.

É preciso tolerância e unidade para pararmos as guerras, contra pessoas humanas e contra a natureza.

William


terça-feira, 17 de outubro de 2023

Diário e reflexões



Refeição Cultural

Osasco, 17 de outubro de 2023. (pensando os dias passados, nos quais não tive nem tempo nem ânimo para registrar nada)


Estivemos em Uberlândia, Minas Gerais, no fim de semana de feriado. Na quinta-feira 12 foi Dia de Nossa Senhora Aparecida, padroeira do Brasil, e Dia das Crianças. Na sexta-feira aconteceu o casamento de minha sobrinha. Foi um dia feliz para a nossa família. Correu tudo bem. Foi uma alegria imensa ver os familiares e matar saudades das pessoas que amamos.

Enquanto olhava (observava) a natureza no Parque do Sabiá, depois das correrias comuns do casamento, pensava na nossa participação na natureza do planeta Terra e na nossa natureza animal. Tenho tido a oportunidade de ler reflexões e ensinamentos de intelectuais que transmitem grandes lições sobre a vida e o mundo.

Sábios como o filósofo indígena Ailton Krenak nos alertam para a nossa real condição de animal humano: nós apenas compomos a natureza, não somos donos dela ou estamos acima das demais formas de vida na natureza, nós compomos a natureza. Se, por um lado, temos uma capacidade maior de alterar a natureza e de destruí-la também, por outro, a natureza é e seguirá sendo natureza, independente de existirmos ou deixarmos de existir. Aliás, é um fato concreto que se deixássemos de existir (os destrutivos homo sapiens), talvez a natureza e as demais formas de vida e biomas tivessem melhores chances sem a nossa presença destrutiva.

A cada dia que passa, mais penso a respeito dos ensinamentos do neurocientista Miguel Nicolelis que vem estudando o cérebro humano há quarenta anos e nos explica "como o cérebro humano esculpiu o universo como nós o conhecemos" no livro O verdadeiro criador de tudo (comentário aqui). A leitura dessa obra mudou minha forma de compreender a vida e o mundo. Não só esse livro de ciências melhorou minha compreensão, é claro!, pois tenho lido textos esclarecedores de diversas áreas do saber e a cada leitura percebo mais por que as coisas são como são. Entretanto, o livro de Nicolelis foi como um abrir de cortinas para uma nova forma de ver as coisas.

Entender o funcionamento do cérebro do homo sapiens nos ajuda muito na hora de buscar explicações para fenômenos como as religiões e o poder de influência delas, o capitalismo e sua máquina ideológica que destrói o mundo e impede as pessoas de reagirem a isso. Me ajuda a entender coisas banais do cotidiano como a imbecilidade de pessoas beberam até vomitarem, virarem corpos ambulantes e zumbis sem domínio da razão, fazerem merdas por aí e causarem problemas às vezes sem retorno para si e para os outros. 

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Temos que debater urgentemente a cultura do álcool! Inclusive pensar em limitar as propagandas como fizemos no Brasil em relação ao cigarro. O consumo de álcool no Brasil já é um sério problema de saúde pública!

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Compreendo cada dia mais como funciona a cultura do álcool, o consumo de bebida alcoólica que alimenta a riqueza de poucos caras e destroem as pessoas, as famílias, a sociedade humana, inclusive o sistema de saúde. Mas alerto aos leitores que compreender não é perdoar... já dizia Hobsbawm em seu livro A era dos extremos (comentário aqui). E ao ver tanta falta de sabedoria e irresponsabilidade nos homo sapiens a gente acaba sentindo aquele famoso "pessimismo da razão". E por isso preciso buscar entusiasmo diariamente para seguir esperançando com ações. Ler e estudar diariamente é uma forma de seguir lutando porque escrevo baseado no que penso e reflito, e baseado nas minhas experiências de vida.

Enfim, agradeço ao professor Miguel Nicolelis por nos fazer entender melhor nosso cérebro humano e como criamos o mundo no passado e no presente. Agradeço ao professor Eric Hobsbawm por nos fazer conhecer um pouco do passado da sociedade humana. Até entendo os mecanismos que fazem as pessoas beberem de forma estúpida e não pensarem nas consequências nefastas oriundas do uso da droga álcool. Entendo do ponto de vista dos ensinamentos da ciência. Mas penso como Hobsbawm: "o difícil é compreender". 

Neste fim de semana andei pelo Parque do Sabiá, eu amo aquele parque e aquela natureza. Vi curicacas, carcarás, peixes, árvores maravilhosas, ouvi cantos diversos dos pássaros - em especial os pássaros-pretos do Sabiá. Somos natureza! 

Como nem tudo são flores e amores, além da felicidade de ver o casamento de minha sobrinha e do encontro com a família amada, vi também as cenas comuns do consumo do álcool em excesso.

Neste fim de semana, vi pessoas beberem mais que o razoável, é o cotidiano do mundo atual, em qualquer ambiente social. Que dureza isso! É muito comum um instante de embriaguez destruir vidas e relações de toda uma vida. Qual família e qual grupo de amigos já não viu isso? As pessoas precisam refletir sobre o quanto estão exagerando no álcool! Tá foda todo dia ver alguma notícia trágica ligada ao consumo de álcool. Tá foda isso!

E ainda temos as guerras atuais, os ódios, as ganâncias e as intolerâncias do mundo humano. Hoje vivemos sob máquinas de manipulação em massa. E tem muita gente para ser manipulada por aí. Quanto mais se investe na desinformação, na destruição da educação e da cultura, mais ignorantes (não sabedoras) estarão as pessoas para caírem nas manipulações daqueles que detêm o poder de manipular.

Temos a destruição acelerada da condição da vida no planeta Terra. A emergência climática, que é uma guerra da espécie humana contra o planeta todo, nos impõe uma tarefa urgente: interromper o processo de destruição do planeta. E aí? O que vamos fazer individual e coletivamente para alterar a rota do fim do mundo?

É isso. Registro feito de algumas impressões deste blogueiro que lê, vê, pensa e escreve neste livro virtual.

William


terça-feira, 10 de outubro de 2023

Diário e reflexões


Cuba: foto de obra no
Memorial da Denúncia.

Refeição Cultural

Osasco, 10 de outubro de 2023. Terça-feira. A paz cada dia mais distante.


PAZ

Já me perguntei várias vezes por que foi que coloquei a "paz" como último objetivo a ser alcançado numa lista de metas que fiz num certo momento complicado de minha vida décadas atrás. Meta: encontrar a paz...

Pode ser que tenha sido a última coisa na lista de desejos por imaginar o quão difícil seria encontrar a paz, de forma que preferi colocar outras coisas na frente para não desistir de viver logo de cara. Seria mais fácil adquirir um bem material do que alcançar a paz, por exemplo.

Pode ser por imaginar que a paz que eu procurava não fosse desse mundo. Talvez na época da confecção da lista de metas a alcançar na vida eu ainda fosse religioso e acreditasse que ao morrer encontraria a paz que tanto procurava num outro mundo.

Paz... a vida andou. A vida mudou. Mudamos. O mundo seguiu mudando diariamente. Mudou mas não mudou, claro! As coisas na sociedade humana são tão repetitivas, às vezes! A história deveria nos ensinar a não repetir erros do passado, mas ninguém liga para a história e ainda convivemos com o revisionismo histórico por parte daqueles que detêm o poder da pauta, da agenda. 

Não estou em paz, não encontrei a paz. Não há paz no mundo. O mundo todo segue em guerra, até onde as bombas não estão caindo, estamos em guerra. A paz está cada dia mais distante de nossa realidade. 

Se fizesse uma lista de desejos hoje, a primeira coisa que eu gostaria de alcançar seria a paz, para mim e para a humanidade, para os seres que compõem o mundo natural.

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HOMO SAPIENS - SEM SABEDORIA...

Culpados somos todos nós, seres humanos! Não culpemos os outros bichos!

Faz mais de um ano que uma guerra assassina seres humanos e destrói os ambientes na região do mundo conhecida como Ucrânia. A economia americana baseada na produção e venda de armas e combustíveis melhorou seus resultados com isso. Se depender dos EUA a guerra na Ucrânia vai até o ano três mil, ou até não existir mais nenhum concorrente ao seu imperialismo.

Faz quatro dias que uma guerra assassina seres humanos e destrói os ambientes na região do mundo conhecida por uns e por outros como Palestina ou Estado de Israel ou outros nomes a depender de quem nomina a região. Há muita história de guerra em andamento com milhares de mortes e destruição de parte dos envolvidos (mortos palestinos) anterior ao ataque dos árabes neste sábado.

Faz tempo que os Estados Unidos vive uma guerra civil esquisita entre duas metades da mesma coisa - seu povo - que se considera "democrata" ou "republicano". Pensam o mesmo sobre quase tudo na vida, mas disputam dentro do país as formas de domínio do poder interno e do poder do seu parque de diversões: o mundo. É a nação que serve de referência para boa parte dos povos do mundo... os caras não colocam sequer o nº 13 nas placas de andares nos elevadores... enganam a si mesmos que o 13º andar não existe. Imaginem só!

A América do Sul e a América Central e a região do Caribe estão em guerra faz tempo. Haiti... Nicarágua... Guatemala... Peru... Bolívia... Argentina... Brasil... Estamos em guerra faz tempo! Há séculos se pensarmos nosso esforço em eliminar os afrodescendentes do solo brasileiro após o fim da legislação que permitia manter pessoas escravizadas; os povos originários que há séculos insistem em existir nas florestas que deveriam seguir existindo; as pessoas que são de regiões discriminadas pelas regiões do centro e sul do país. Os bolsonaristas insistem em não permitir a paz no Brasil, não estão satisfeitos com a destruição que promoveram... querem destruir o que sobrou. Estamos em guerra.

O pior é que das guerras e destruições promovidas pelo bolsonarismo, só peixe pequeno vai pagar caro pela merda que fizeram... não tem um (1) um só peixe grande preso pela desgraça que fizeram com o país. Não tem um militar fdp preso. Não tem um fdp do clã de milicianos respondendo processo penal. E com a impunidade brasileira de sempre aos de cima, teremos uma guerra pior daqui uns dias quando essa canalha voltar...

Cansei de descrever guerras. Gostaria de paz. 

A paz está cada dia mais distante.

William


domingo, 8 de outubro de 2023

Cadernos do Blog Refeitório Cultural - Ano 2008



Refeitório Cultural - Ano 2008

Reler os textos encadernados do Blog Refeitório Cultural é reviver as experiências de vida de uma pessoa em busca de conhecimento e de sentidos para a existência. 

Eu era uma pessoa pública em 2008, representante de uma categoria profissional importante no mundo da política sindical, a categoria bancária, e qualquer coisa que dissesse, escrevesse ou fizesse poderia ter repercussões positivas ou negativas. Esse lugar de fala me ajudou a ter muita responsabilidade como escritor de blogs.

Ao ver a lista dos livros lidos por mim ao longo daquele ano (citados abaixo) percebe-se o esforço do bancário sindicalista, estudante de Letras da USP e pai em evoluir como pessoa e cidadão brasileiro. Essa curiosidade filosófica trago em mim desde muito jovem, de quando ainda morava em Uberlândia, tempos duros no Marta Helena.

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Leituras

1. O velho e o mar, de Ernest Hemingway

2. A montanha mágica, Thomas Mann

3. São Bernardo, de Graciliano Ramos 

4. O mundo é bárbaro, de Luis Fernando Verissimo

5. Ensaio sobre a cegueira, de José Saramago 

6. As representações do intelectual, de Edward Said

7. Dublinenses, de James Joyce

8. Ensaio sobre a lucidez, de José Saramago 

9. Bolívia nas ruas e urnas contra o imperialismo, de Leonardo Severo

10. A importância do ato de ler, de Paulo Freire 

11. O menino no espelho, de Fernando Sabino

12. Na natureza selvagem, de Jon Krakauer

13. O encontro, de Anne Enright

14. A morte de Ivan Ilitch, de León Tolstói 

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Considero uma lista respeitável de leitura, mesmo sendo uma lista pequena. A abrangência cultural contida nela é significativa para aquele leitor de quase quarenta anos em busca de autoconhecimento e de conhecimentos gerais, alguém que gostaria de ser um "homem cultivado", conceito de Mircea Eliade.

Alguns desses livros me marcaram profundamente, me transformaram. Não à toa, vários deles são considerados clássicos da literatura universal.

As 216 postagens daquele ano contêm textos mais engajados e textos leves e de coisas banais.

Vi que eu entrei o ano de 2008 planejando fazer o Caminho de Santiago de Compostela, na Espanha. Isso nunca se realizou. 

Eu postava muitos contos de Machado de Assis, a obra do Mestre do Cosme Velho é de domínio público e ele é um de meus escritores prediletos.

O blog tem várias crônicas minhas e alguns poemas. Tem textos muito interessantes de análises de filmes, de obras literárias, de política e do mundo sindical. Alguns artigos sobre PLR, remuneração variável e organização de campanha salarial tiveram relevância à época.

Eu postei sequências de aulas de meu curso de Letras da Universidade de São Paulo. Tem aulas de Filologia, de Sintaxe e de Morfologia do Português. Deu um trabalhão postar essas aulas da USP.

Em relação às postagens descompromissadas, tenho registrado no blog minha agenda de prática esportiva, corridas e caminhadas e a participação na corrida de São Silvestre.

Os textos estão todos disponíveis, basta abrir o blog em mídias que permitam ver o lado direito da página onde ficam o "arquivo do blog" e os "marcadores" por ordem alfabética de temas. Para quem acessa em celular, no final das postagens da 1ª tela tem um campo chamado "ver versão para web". 

Clicando aqui, os leitores podem ver a página da última matéria para trás.

Enfim, vou iniciar agora a releitura e revisão das postagens do ano de 2009, serão mais de três centenas de textos. Provavelmente, três ou quatro cadernos impressos.

Seguimos lendo, estudando e escrevendo. A intenção deste blogueiro segue sendo o compartilhamento gratuito de conhecimento e opiniões honestas sobre as diversas áreas culturais da sociedade humana.

Abraços a tod@s!

William


sexta-feira, 6 de outubro de 2023

Leitura: O genocídio do negro brasileiro - Abdias Nascimento



Refeição Cultural

Osasco, 6 de outubro de 2023. Sexta-feira.



"GENOCÍDIO – geno-cídio: O uso de medidas deliberadas e sistemáticas (como morte, injúria corporal e mental, impossíveis condições de vida, prevenção de nascimentos), calculadas para o extermínio de um grupo racial, político ou cultural ou para destruir a língua, a religião ou a cultura de um grupo. Webster’s Third New International Dictionary of the English Language, Springfield: G&C Merriam, 1967.

GENOCÍDIO – geno-cídio: Genocídio s.m. (neol.). Recusa do direito de existência a grupos humanos inteiros, pela exterminação de seus indivíduos, desintegração de suas instituições políticas, sociais, culturais, linguísticas e de seus sentimentos nacionais e religiosos. Ex.: perseguição hitlerista aos judeus, segregação racial etc. Dicionário Escolar do Professor, organizado por Francisco da Silveira Bueno. Brasília: Ministério da Educação e Cultura, 1963, p. 580." (from: "O Genocídio do negro brasileiro: Processo de um Racismo Mascarado" by: Abdias Nascimento

REFLEXÃO

A leitura do livro O genocídio do negro brasileiro - Processo de um racismo mascarado (1978), do grande intelectual Abdias Nascimento (1914-2011), foi uma leitura que me trouxe grandes reflexões e novos conhecimentos. A obra de Abdias se incorpora aos textos que tenho lido recentemente que têm impactado profundamente minha forma de ver o mundo. 

Ao ler esse texto-denúncia de Abdias, ficou muito mais claro como eu - um branco - fui enganado ao longo de minha vida sobre o mito da "democracia racial" no Brasil. Como nós fomos enganados! Além de denunciar a mentira da "igualdade" de tratamento aos afrodescendentes, Abdias faz propostas de solução para o problema, propostas que seriam abraçadas pelas lutas antirracistas tempos depois. 

Quando leio e ouço os estudos e reflexões do intelectual Jessé Souza, nos explicando sobre o racismo estrutural na sociedade brasileira, compreendo cada dia mais por que as coisas são como são por aqui. Antes de Jessé, Abdias já nos alertava para a mentira da "democracia racial" para os afrodescendentes no Brasil. 

Devo agradecer ao Instituto Conhecimento Liberta (ICL), e especialmente aos professores Lindener Pareto e Suze Piza, a oportunidade que me deram da referência a Abdias Nascimento, pessoa incrível que eu nem conhecia para ser bem sincero como costumo ser. O livro de Abdias fez parte dos "13 livros para compreender o Brasil", curso que fiz no ICL (ler comentário aqui).

A busca pelo conhecimento é muito facilitada quando temos à disposição boas trilhas de estudos, caminhos a percorrer nas leituras e reflexões. É assim quando entramos em uma graduação de nível superior. As disciplinas e os mestres constroem listas e roteiros de leituras para percorrermos e galgarmos novos conhecimentos.

Escrevo há quase vinte anos que reconheço a minha ignorância (não saber) em quase todas as dimensões do conhecimento humano. Nunca neguei isso. Sou todo lacunas culturais e por isso leio, estudo e escrevo, para tentar melhorar como um ser vivo na natureza, ser que vive em sociedade, e melhorar como homo sapiens.

Os textos do livro são tão profundos - cada capítulo, cada ideia e cada argumento de Abdias Nascimento - que não adiantaria eu fazer diversas citações aqui no blog. E os textos complementares? Um melhor que o outro. Um dos prefácios, por exemplo, é feito por Florestan Fernandes!

No entanto, para deixar a curiosidade aguçar o desejo de leitura da obra, cito abaixo os capítulos do livro:

I. Introdução

II. Escravidão: O mito do senhor benevolente

III. Exploração sexual da mulher africana

IV. O mito do "africano livre"

V. O branqueamento da raça: uma estratégia de genocídio

VI. Discussão sobre raça: proibida

VII. Discriminação: realidade racial

VIII. Imagem racial internacional

IX. O embranquecimento cultural: outra estratégia de genocídio

X. A perseguida persistência da Cultura Africana no Brasil

XI. Sincretismo ou Folclorização?

XII. A bastardização da Cultura Afro-Brasileira

XIII. A estética da brancura nos artistas negros aculturados

XIV. Uma reação contra o embranquecimento: o Teatro Experimental do Negro

XV. Conclusão


Como nos ensinam os bons mestres, nenhuma crítica ou comentário sobre um livro substitui a leitura do próprio livro. LEIAM essa obra de Abdias, é o que posso deixar como sugestão aos que não desistiram de estudar e buscar compreensão da realidade do mundo.

Deixo abaixo, algumas citações só para instigar leitoras e leitores a lerem a obra de Abdias.

Antes disso, comento que achei emocionante ver que o 3º Governo Lula retomou o programa de bolsas de estudos Abdias Nascimento, criado no Governo Dilma em 2015, antes do golpe de Estado, e sem recursos desde então. Lula retomou o programa em junho de 2023 e hoje há recursos para as bolsas de estudos para afrodescendentes, indígenas e pessoas com deficiência. 

Lindo isso! Fizemos o L para isso, para criar oportunidades para tod@s no Brasil.

William

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A MENTIRA MITOLÓGICA DA "DEMOCRACIA RACIAL"

"O preconceito de cor, a discriminação racial e a ideologia racista permaneceram disfarçados sob a máscara da chamada “democracia racial”, ideologia com três principais objetivos: 1. impedir qualquer reivindicação baseada na origem racial daqueles que são discriminados por descenderem do negro africano; 2. assegurar que todo o resto do mundo jamais tome consciência do verdadeiro genocídio que se perpetra contra o povo negro do país; 3. aliviar a consciência de culpa da própria sociedade brasileira" (from: "O Genocídio do negro brasileiro: Processo de um Racismo Mascarado", by: Abdias Nascimento)

A MENTIRA DA "LIBERTAÇÃO" DOS ESCRAVIZADOS

"Teoricamente livres, mas praticamente impedidos de trabalho, já que o imigrante europeu tinha a preferência dos empregadores, o negro continuou o escravo do desemprego, do subemprego, do crime, da prostituição, e principalmente, o escravo da fome: escravo de todas as formas de desintegração familiar e da personalidade." (from: "O Genocídio do negro brasileiro: Processo de um Racismo Mascarado", by: Abdias Nascimento)

GENOCÍDIOS DE INDÍGENAS E AFRODESCENDENTES TRAVESTIDOS DE NOMES BONITOS

"A sociedade dominante no Brasil praticamente destruiu as populações indígenas que um dia foram majoritárias no país; essa mesma sociedade está às vésperas de completar o esmagamento dos descendentes africanos. As técnicas usadas têm sido diversas, conforme as circunstâncias, variando desde o mero uso das armas, às manipulações indiretas e sutis que uma hora se chama assimilação, outra hora aculturação ou miscigenação; outras vezes é o apelo à unidade nacional, à ação civilizadora, e assim por diante." (from: "O Genocídio do negro brasileiro: Processo de um Racismo Mascarado", by: Abdias Nascimento)

ABDIAS NASCIMENTO E PAULO FREIRE

"Nossa arte negra é aquela comprometida na luta pela humanização da existência humana, pois assumimos com Paulo Freire ser esta 'a grande tarefa humanística e histórica do oprimido – libertar-se a si mesmo e aos opressores'." (from: "O Genocídio do negro brasileiro: Processo de um Racismo Mascarado", by: Abdias Nascimento)


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Bibliografia:

NASCIMENTO, Abdias do. O genocídio do negro brasileiro: processo de um racismo mascarado. 1. ed. - São Paulo: Perspectivas, 2016. 232 páginas.

terça-feira, 3 de outubro de 2023

Diário e reflexões



Refeição Cultural

Osasco, 3 de outubro de 2023. Terça-feira, fim de noite.


Primeiro registro do mês de outubro. Sobre o que poderia escrever e refletir aqui no blog?

SÃO SILVESTRE

Me inscrevi para participar da 98ª Corrida de São Silvestre. Faltam três meses para a prova de 15 Km. Faz alguns anos que não corro a mais tradicional corrida brasileira. 

Depois de dez participações, a inscrição neste ano foi uma ideia que tive para desafiar a mim mesmo depois de conseguir fazer a romaria de quase 80 Km em agosto (ler aqui). Só que a corrida de 15 Km vai ser bem mais difícil que a caminhada da romaria.

Não estou com condicionamento físico adequado para a prova neste momento. Tenho corrido poucas vezes por mês e os percursos são pequenos, de até 5 Km.

Além disso, minha resistência física está ruim. Este mês de outubro será importante para avaliar se meu corpo está em condições de se adaptar para correr 15 Km ou não. 

Minha ideia é correr umas 8 vezes em cada um dos meses de adaptação. O normal é que ocorra uma melhora de condicionamento físico ao treinar, se alimentar e descansar adequadamente. Se isso não ocorrer, algo não vai bem comigo.

Eu não estou velho em termos de idade, mas minha vitalidade mudou nos últimos anos. A natureza segue seu percurso, mudanças diárias.

Hoje corri 4,5 Km em 33' com dia quente e percebi que o treinamento será duro para sair da condição atual para a condição ideal para mim até 31 de dezembro. 

Tenho que intercalar uma corrida rápida e uma de resistência semanal com atividade de reforço muscular nas pernas e na estrutura do tronco. E tenho aquele desgaste infeliz no quadril, que me traz dor e limitações.

Vamos ver o que eu arranjo nas próximas semanas... vamos ver onde meus pés me levam...

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CONDICIONAMENTO MENTAL

Além de estabelecer um objetivo esportivo para me disciplinar a ter uma rotina de treinamento para melhorar meu condicionamento físico até o fim do ano, também decidi desenvolver meu cérebro e ver se ainda é possível melhorar meu condicionamento mental.

Sendo assim, decidi estudar por conta própria algumas matérias que exigirão de mim melhora na capacidade de memória e criatividade.

LÍNGUA ITALIANA

Estou estudando um idioma novo, o italiano. Vamos ver se aprendo as quatro habilidades: ler, escrever, falar e ouvir a língua italiana. Trouxe um livro de literatura da Itália, quando estive lá em 2009. 

Se aprender a língua, pretendo visitar a Itália de novo e desta vez quero me comunicar normalmente por lá, como faço quando vou a um país de língua castelhana.

E pretendo ler meu romance I Malavoglia, de Giovanni Verga.

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É isso! 

William