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sexta-feira, 16 de janeiro de 2026

2. A tempestade se aproxima



Refeição Cultural

Coleção 70º Aniversário da II Guerra Mundial (1939-1945)


2. A tempestade se aproxima 

* A aventura imperialista de Mussolini na Abissínia

Com o governo paralisado por uma greve geral em agosto de 1922, Mussolini ordenou seus seguidores a marchar sobre Roma. Temendo uma guerra civil, o rei da Itália pediu-lhe que formasse um governo. Mussolini assumiu poderes ditatoriais e empenhou-se no objetivo de criar um novo império romano. 

* Ensaio geral: a Guerra Civil Espanhola 

Suas armas e táticas de combate somadas às experiências da Primeira Guerra Mundial serviram de laboratório para a Segunda Guerra Mundial. 

* O tanque 

A Segunda Guerra Mundial testemunhou o surgimento de enormes tanques, como os lendários Pantera e Rei Tigre alemães, e de tanques leves, como os russos T-34 e os americanos Sherman. Mas qual modelo foi o mais eficaz?

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COMENTÁRIO 

Ao ver o documentário sobre a ascensão de Benito Mussolini na Itália e o avanço do regime fascista nos anos vinte do século XX, é assustadora a semelhança com a atualidade deste primeiro quarto de século XXI. 

Mussolini chegou ao poder, invadiu a Abissínia, no continente africano, e os países da Liga das Nações não fizeram absolutamente nada.

Exatamente o que está acontecendo agora com os arroubos ditatoriais de Donald Trump e a máquina de guerra dos Estados Unidos. 

Trump bombardeou a Venezuela, sequestrou o presidente do país e a ONU não fez absolutamente nada. Agora ele ameaça a Groenlândia e outros países. 

O segundo vídeo da coleção, que aborda a Guerra Civil Espanhola, é uma lição do passado a nós do presente. Enquanto os republicanos pediram apoio para a Grã-Bretanha e a França e receberam um "não", a Alemanha de Hitler e a Itália de Mussolini deram armas e soldados aos nacionalistas liderados por Franco.

Nazistas e fascistas derrotaram os republicanos, Franco iniciou seu regime totalitário e ficou provado para a extrema-direita que as democracias eram covardes e nada fariam contra o avanço extremista. 

No último documentário do DVD, é possível ter uma noção do imenso poder dos tanques de guerra. 

Infelizmente, caminhamos para o fim da paz global. 

William 

16/01/26

sábado, 19 de abril de 2025

Hereges



Umberto Eco ambientou um romance no século XIV, na região de reinos que viria a ser a Itália no século XXI. Falo do livro "O Nome da Rosa", de 1980.

Naquele tempo, se queimavam pessoas em praça pública. Os inquisidores tinham poder de vida ou morte sobre os seres humanos. 

Um dia, no caixa da agência do Banco do Brasil, estava conversando com uma colega de trabalho, quando disse a ela que era ateu (herege). Ela me olhou com os olhos vidrados, estupefata, e depois do choque, me disse que até então eu era uma pessoa muito legal. Era o ano dois mil, fim do século XX.

Da ambiência do romance de Umberto Eco, na idade média, até o século XXI, os seres humanos desenvolveram ciências por quase 700 anos. Criamos tecnologias antes impossíveis sequer de imaginar. 

No entanto, pelas consequências do que fizemos nesses séculos de ciência, e por sermos o que somos, seres dotados de um cérebro altamente desenvolvido, mas crédulos em qualquer abstração inventada por um de nós, vamos desaparecer da Natureza.

As pombas, as galinhas, baratas, quiçá animais mais complexos, que já habitavam a Natureza antes de nós, talvez sigam por aqui, nos destroços que deixarmos.

A Terra voltará a ser habitada somente por hereges. Os deuses já se empapuçaram desses crentes que matam, enganam e destroem em nome deles.

William 


sexta-feira, 7 de março de 2025

O nome da rosa: os segredos da igreja



Refeição Cultural 

Umberto Eco, um grande pensador


"Aconteceu uma coisa nesta abadia, que pede a atenção e o conselho de um homem prudente e agudo como vós. Agudo para descobrir e prudente (se for o caso) para encobrir." (p. 37)


Ao reler com atenção o que havia lido de forma displicente, vou percebendo as nuanças da história e do enredo em O nome da rosa (1980). 

O sábio franciscano frei Guilherme de Baskerville vai à abadia do romance por missão dada a ele pelo imperador. 

O abade local, na primeira conversa com o visitante, já dá a ele a determinação que se espera de qualquer investigação ou tarefa a cumprir: encubra seja lá o que descobrir...

É mole?

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Palavras, palavras, palavras... ler sem atenção nos tira a essência da leitura.

Quantas vezes interrompi leituras de clássicos da literatura universal para recomeçar com mais sentido!

A primeira vez que li Ulisses (1922), de Joyce, comecei diversas vezes o livro e voltei ao início, até que peguei o ritmo.

Não foi diferente com Os Lusíadas (1572), de Camões. E com a Odisseia, atribuída ao aedo Homero, se passou a mesma coisa quando a li em versos.

O nome da rosa deve ser lido com atenção, pois tem muita coisa a cada página da obra.

A estratégia do abade Abbone foi interessante, mas a postura escorregadia do frei também surpreendeu. 

Ao saber que o frei Guilherme de Baskerville foi um inquisidor que livrou da fogueira alguns acusados, saiu com um discurso malicioso ao sugerir que ele reconhecia que alguns acusados eram inocentes por ser culpado o diabo...

Frei Guilherme respondeu ao abade Abbone que o diabo era tão esperto que poderia até influenciar o inquisidor... 

É lição para quem sabe ler além das palavras. 

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A igreja encobre os erros de seus membros 

"(...) Frequentemente, de fato, é indispensável provar a culpa de homens que deveriam sobressair por sua santidade, mas de modo a poder eliminar a causa do mal sem que o culpado seja relegado ao desprezo público. Se um pastor falha, deve ser isolado dos outros pastores, mas ai se as ovelhas começam a desconfiar dos pastores." (p. 37)

Sigamos, de forma perspicaz, pelos cantos sombrios da vida.

William 


Bibliografia:

ECO, Umberto. O nome da rosa. Tradução de Aurora Fornoni Bernardini e Homero Freitas de Andrade. Rio de Janeiro: O Globo; Folha de São Paulo, 2003.

domingo, 7 de julho de 2024

Diário e reflexões



Refeição Cultural

Osasco, 7 de julho de 2014. Domingo.


SEGUNDA GUERRA MUNDIAL - PARTES 1 E 2

Enquanto eu assistia ao 5º episódio do documentário "Grandes dias do século XX", os franceses estavam neste domingo nas urnas do país decidindo se a extrema-direita ganharia no voto o direito de governar o país ou se a frente ampla conseguiria barrar a eleição dos extremistas favoritos*. Tempos perigosos vivemos na atualidade.

Adolf Hitler e Benito Mussolini provocaram a guerra total no século passado a partir do voto popular. O nazismo e o fascismo foram responsáveis por uma guerra que envolveu os principais países do mundo numa mortandade de dezenas de milhões de pessoas nos anos quarenta.

Estamos vendo a ascensão da extrema-direita nesta década do século XXI em diversas nações do mundo. Os donos do poder capital se uniram para impor aos povos do mundo uma regressão nos direitos sociais, civis e políticos como nunca tínhamos visto antes. 

As representações de extrema-direita e os donos do capital, o 1%, estão juntos e misturados, são a mesma coisa, e estão avançando perigosamente. Os homens do dinheiro financiam e ampliam o poder de palhaços e manés como Milei, Bolsonaro e Zelensky para corroer as democracias por dentro.

Seria muito importante que nossas lideranças do campo progressista e democrático revisassem ou conhecessem a história para pensar formas de reação rápida ao avanço desses extremistas autoritários e claramente fascistas.

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Sinopse:

Os sobreviventes da Primeira Guerra Mundial juraram que aquela havia sido "A guerra para acabar com todas as guerras". Vinte anos depois, no entanto, Adolf Hitler armou um segundo conflito, inicialmente envolvendo países europeus, depois o mundo. As potências totalitárias foram vitoriosas a princípio, até a virada da maré em favor dos aliados, em 1942, na Batalha de Midway, no pacífico. Mas o embate permaneceria feroz no deserto africano, na gélida Stalingrado, na Rússia, e nas águas do Atlântico.

Capítulos da Parte 1: "Como tudo começou", "O local da batalha", "A conquista da França" e "O destino da Inglaterra".

Capítulos da Parte 2: "A Alemanha ocupa a Península Balcânica", "Luta por Leningrado", "Pacífico" e "Norte da África".

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CAMINHAMOS PARA UMA 3ª GUERRA MUNDIAL OU UM CONJUNTO DE GUERRAS PARA SALVAR IMPÉRIOS CAPITALISTAS

Os filmes da Coleção História Viva são uma oportunidade de revisitar a conjuntura na qual se deram as guerras mundiais do século passado, as grandes crises econômicas, políticas e sociais da primeira metade do século XX e para compreendermos a ascensão dos movimentos autoritários.

Quem conhece minimamente a história sabe que as tais democracias liberais das primeiras décadas do século XX impuseram uma derrota humilhante aos alemães - Tratado de Versalhes - e, uma década depois, quando Hitler começou a se destacar com suas ideias de superioridade ariana, nada fizeram para barrar as ações dos alemães. Hitler fez o que quis por quase uma década, após sua ascensão em 1933.

Uma cena no documentário foi muito forte para mim, é uma cena assustadora:

Após os nazistas invadirem e tomarem Paris, Adolf Hitler fez os franceses se humilharem assinando a rendição ou armistício no mesmo vagão do mesmo trem onde em 28 de junho de 1919 os alemães assinaram a derrota na 1ª Guerra Mundial... (que merda, isso!)

Por outro lado, uma cena emociona muito a gente:

Em 1942, Hitler exige de seu Marechal Von Paulus a tomada de Stalingrado, na URSS. Soldados do Exército Vermelho e os trabalhadores resistem bravamente à investida dos nazistas. Chega o inverno e Hitler não aceita o recuo de seu exército. Stálin aproveita a força da natureza, a neve, e contra-ataca com o Exército Vermelho encurralando e derrotando os nazistas, que assinam a rendição em 2/02/1943.

E a guerra total seguiu ainda por mais de dois anos, com um número incalculável de bombas e destruições e mortes em diversas frentes de batalha em terra, no ar e no mar.

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UNIDADE PARA ENFRENTAR ESSA RALÉ EXTREMISTA DE DIREITA

Um perigo ronda as comunidades do mundo neste momento da história: a ascensão da extrema-direita e dos donos do poder capitalista e imperialista do mundo.

As esquerdas, os democratas e as pessoas que não concordam com o autoritarismo e as diversas vertentes do fascismo precisam se unir e enfrentar com todas as armas esse lixo de extrema-direita no mundo. 

É a minha opinião. Esse lixo extremista de direita não tem sentimentos humanos, não tem sensibilidade nem fraternidade, nos eliminam sem pestanejar. Acho que temos que reagir a essa ralé, eles também devem nos temer.

William


*Post Scriptum: Viva a democracia francesa! A esquerda obteve uma vitória surpreendente hoje, com o povo acatando o chamado dos democratas e indo massivamente às urnas votarem contra a extrema-direita. A Nova Frente Popular aglutinou os socialistas, os comunistas, os ecologistas e os partidários da França Insubmissa, vencedores das eleições de hoje para o legislativo. O Centro ficou em segundo lugar e os partidários da extrema-direita ficaram em terceiro lugar.


sexta-feira, 5 de julho de 2024

Diário e reflexões (2)



Refeição Cultural

Osasco, 5 de julho de 2024. Tarde de sexta-feira.


DITADORES - ASCENSÃO DO FASCISMO

Assustador! Ver as imagens de época da ascensão de Adolf Hitler e Benito Mussolini entre os anos vinte e trinta do século XX é algo assustador. 

O nazismo e o fascismo foram regimes autoritários baseados na estética, na propaganda e na prestidigitação, a arte de iludir e manipular massas dando um caráter quase sobrenatural aos feitos de determinada pessoa ou grupo.

E por incrível que possa parecer, a sociedade humana do século XXI, cem anos depois do hitlerismo, caminha para a repetição trágica de regimes autoritários e destruidores de mundo.

Ao assistir ao documentário, vi nas pautas nazifascistas as mesmas ideias preconceituosas que vejo hoje na boca das lideranças de extrema-direita e de certas correntes de manipuladores da fé alheia. 

É como se os anos de Hitler e Mussolini fossem hoje, como se suas falas estivessem sendo repetidas por certas lideranças de nosso tempo.

Um horror!

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Sinopse:

A primeira experiência fascista ocorreu na Itália, logo após o término da Primeira Guerra Mundial. Em Milão, em 1919, Benito Mussolini, ex-militante socialista, criou os "fasci", grupos de fervorosos nacionalistas que faziam uso sistemático da violência para defender seus valores e enfraquecer o estado e a democracia no país. No mesmo ano, na Alemanha, ficava clara a incapacidade da República de Weimar de dar respostas a uma profunda crise socioeconômica e à humilhação sofrida pelo país na guerra. Esse contexto abriu espaço para que Adolf Hitler colocasse em prática sua filosofia política: impor a superioridade da "raça ariana" ao mundo e expandir o poder alemão. O caminho para chegar a seus objetivos é a guerra total.

O documentário é dividido em capítulos: "A ascensão do fascismo", "O duce e o führer", "Violando o Tratado de Versalhes" e "A iminência da guerra".

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DITADURAS A PARTIR DE DEMOCRACIAS

Essa coleção que adquiri anos atrás é mais atual que nunca! Precisamos estudar a história, compreender os processos econômicos, políticos e sociais que levaram a sociedade humana às guerras do século passado que mataram dezenas de milhões de pessoas e destruíram comunidades inteiras.

Ao ver as imagens de Mussolini e Hitler falando às massas, com gestos calculados e expressões teatrais, me senti como se os estivesse vendo falar dias atrás através daquele lunático dos Estados Unidos, condenado pela justiça de um estado norte-americano e mesmo assim candidato favorito a ser o presidente do país com o maior número de bombas de todos os tipos no mundo.

Ver aqueles monstros falando um século atrás é como ver aquele palhaço fanfarrão eleito presidente da Argentina dias atrás, um merda inconsequente que determinou a fome de mais da metade de seu povo e que mesmo assim é idolatrado por parte do mesmo povo e pelos meios de comunicação dos donos do poder no mundo: os capitalistas.

E no Brasil? Por mais de quatro anos vimos um merda gesticulando e falando escrotices e sendo aclamado por parte do povo, vimos isso mesmo antes das eleições fraudulentas em 2018, eleições com interferência da Lava Jato e com a prisão do candidato que venceria o pleito, Lula. E depois vimos entre 2019 e 2022 um prestidigitador manipulando massas ignaras e gente má com imagens e cenas pré-concebidas, encenadas, e mesmo assim com efeitos estéticos para enganar e fanatizar parte do povo.

ATENÇÃO: todos esses ditadores e assassinos, destruidores de mundo, foram eleitos. Hitler foi eleito. Os nazistas foram eleitos massivamente para o legislativo alemão. Mussolini foi eleito. Se olharmos o presente, veremos que Trump foi eleito e pode ser eleito de novo. Aquele palhaço da Argentina foi eleito. O apreciador de torturador foi eleito no Brasil e o povo brasileiro, manipulado ou não, elegeu um legislativo com quase 80% de gente que defende uma sociedade como Hitler e Mussolini defendiam. Pensem nisso! Entendam a importância do voto no legislativo!

Assistir ao documentário "Ditadores - ascensão do fascismo" é um alerta para o cenário complexo no qual nos encontramos no mundo em 2024.

Sigo estudando e escrevendo algumas impressões e reflexões sobre o que leio e vejo. É uma contribuição honesta deste blog às leitoras e leitores.

William


domingo, 19 de fevereiro de 2023

Vendo filmes antigos (III)



Refeição Cultural

Osasco, 19 de fevereiro de 2023. Domingo de Carnaval e chuva.


Eu que nunca vi muitos filmes na vida, por vários motivos como, por exemplo, preferir leituras e por falta de tempo livre, entendi nesta fase de minha vida (não estou vendendo minha força de trabalho) que deveria ver os filmes que acumulei em casa ao longo do tempo. Sendo assim, estou vendo filmes que tenho em diversos tipos de mídia. Comecei pelos filmes em VHS.

Primeiro vi 6 filmes comprados ou gravados, filmes de décadas diversas (comentário aqui). Dessa primeira lista, O predador (1987), com Schwarzenegger, foi um dos melhores. Gostei dos dois da Coleção Folha também, o filme com a Madonna e o dirigido por Polanski.

Da segunda lista de filmes, documentários e programas em VHS (comentário aqui), o melhor que vi foi o filme Como água para chocolate (1992). Os dois filmes do Jerry Lewis, dos anos 60, são muito ruins. Os dele dos anos 50 são melhores, me parece.

Nesta terceira leva de filmes antigos, vi 5 filmes da Coleção Folha. Gostei de todos eles, sendo A casa dos espíritos (1993) o de maior destaque. Porém, fiquei pensando também no filme do Don Juan. Enfim, para quem vê poucos filmes, já está de bom tamanho ter visto 14 filmes em poucas semanas.

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OS FILMES QUE VI

- Beleza Roubada (1995) - Filme dirigido por Bernardo Bertolucci e estrelado por Liv Tyler, jovem de grande beleza. Sinopse do filme: Lucy Harmon (Liv Tyler) tem 19 anos, alguns sonhos e um trauma: sua mãe suicidou-se. Para tentar superar a dor, entre outros motivos, vai passar as férias na Toscana, Itália, na casa de Diana (Sinead Cusack) e Ian Grayson (Donal McCann). Há mais dois motivos para a viagem de Lucy: Ian quer que ela pose para um retrato e, principalmente, ela espera reencontrar Niccolo Donati (Roberto Zilbetti), com quem trocou o primeiro beijo. Mas há um motivo mais profundo: ela deseja solucionar o enigma deixado pela mãe num diário. 

Comentário: gostei do filme. É um filme com muita sensualidade no ar e as tomadas de cena com os olhares de Liv Tyler encarando o telespectador são de arrepiar. Ao ver as cenas da região da Toscana, me lembrei dos lugares por onde andei na Itália em 2009: Turim, Milão, Veneza e Florença. É um país com belas paisagens. Valeu a pena ver o filme depois de tanto tempo guardado em casa.

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- Don Juan DeMarco (1995) - Filme escrito e dirigido por Jeremy Leven e protagonizado por Johnny Depp, Marlon Brando e Faye Dunaway. Sinopse: Um rapaz usando uma máscara e trajes de época decide acabar com sua vida por perder o seu verdadeiro amor. Ele diz ser o lendário Don Juan e é salvo de se jogar de um prédio pelo psiquiatra Jack Mickler (Brando), que está a poucos dias de sua aposentadoria. O médico tem 10 dias para tentar achar um diagnóstico e cura para o jovem. O jovem paciente acaba mexendo também com a cabeça do psiquiatra... 

Comentário: na minha opinião, o filme é muito bom! O jovem Don Juan é tão bem interpretado por Depp que o telespectador acaba se encantando pelo rapaz e por seu romantismo. O que é real e o que é imaginação em nossas vidas? A história me fez pensar no amor... a música de Bryan Adams é a cereja do bolo: maravilhosa! Have You Ever Really Loved a Woman? Só quem amou sabe a respeito do amor.

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- Traídos pelo desejo (1992) - Filme inglês dirigido por Neil Jordan e estrelado por Stephen Rea, Forest Whitaker, Jaye Davidson e demais elenco. Jody, soldado inglês (Whitaker), é sequestrado por membros do IRA para ser trocado por líder preso. Se o governo não ceder em três dias o soldado será executado. Fergus (Rea), o voluntário do IRA responsável por ficar com Jody e executá-lo, acaba criando uma relação de confiança com a vítima. No desenrolar da história, Fergus acaba conhecendo a namorada de Jody em Londres, a bela cabeleireira e cantora Dil. 

Comentário: o filme me fez lembrar do mundo nos anos 70 e 80, quando o conflito entre o governo inglês e o Exército Republicano Irlandês (IRA) era uma realidade no noticiário. Atentados terroristas não eram incomuns. Outra questão bem interessante no filme do início dos anos 90 é a questão de gênero retratada na obra. A história da rã e do escorpião, contada pelo soldado inglês no cativeiro é conhecida por mim desde a mais tenra idade. 

Para reflexão: o escorpião precisa atravessar um rio e pede que a rã o leve em seu dorso, a rã desconfia da proposta porque sabe do ferrão do escorpião, que usa a razão para explicar que não teria sentido ferroar a rã e morrerem os dois afogados. No caminho a rã sente o ferrão e começa a afundar com o escorpião às costas e antes de afundarem pergunta o porquê de ação tão sem razão. O escorpião disse que foi inevitável porque era a sua natureza...

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- Surpresas do coração (1995) - Filme dirigido por Lawrence Kasdan e estrelado por Meg Ryan, Kevin Kline e Timothy Hutton. Sinopse: Kate (Meg Ryan) não acompanha o noivo Charlie (Hutton) a uma viagem a Paris porque tem muito medo de avião. Ela está entusiasmada com a hipótese de comprar uma bela casa para eles viverem após o casamento, ela inclusive poupou uma boa quantia de dinheiro pra isso. Dias depois da viagem de Charlie, ele liga dizendo que encontrou uma mulher irresistível, que se apaixonou, que sente muito pelo fato e termina o noivado. Kate inconformada com a situação, toma coragem, embarca num avião e vai a Paris para lutar por seu noivo. No voo ela conhece Luc (Kline), um ladrão francês que esconde um colar em sua bolsa. Chegando a Paris, Kate tem a bolsa roubada e então começam as peripécias da história. O ladrão atrás do colar, Kate atrás do noivo... 

Comentário: comédia romântica de entretenimento. Me distraiu por duas horas. Achei o filme bem fraquinho.

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- A casa dos espíritos (1993) - Filme dirigido por Bille August e estrelado por Winona Ryder, Meryl Streep, Jeremy Irons, Glenn Close, Antonio Banderas e elenco. Sinopse: O filme conta a história da família Trueba ao longo de décadas e ao mesmo tempo o telespectador tem ao fundo a história do Chile do início do século XX até o golpe de Estado que derrubou o governo democrático e socialista de Salvador Allende. Vemos os acontecimentos através das lembranças de Blanca (Winona Ryder), que conta a história de sua família, a mãe Clara (Streep) e o pai Esteban (Irons). O filme é baseado no livro homônimo da escritora Isabel Allende, que é filha de um primo irmão de Salvador Allende. 

Comentário: dessa sequência de filmes que vi, este foi sem dúvida o melhor deles. O filme nos faz refletir sobre muitas questões centrais da sociedade como, por exemplo, distribuição da riqueza produzida pela classe trabalhadora, a questão do amor, a fé e religiosidade de cada cultura humana, a democracia, a tolerância e a discriminação social por questões de gênero e raça etc. Filme muito bom!

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COMENTÁRIO GERAL

Se eu tivesse que escolher entre os filmes atuais e os filmes de décadas atrás, eu não pensaria duas vezes e escolheria os filmes antigos, aqueles feitos com pessoas e figurantes de carne e osso, cenários construídos ou naturais e com menos produção por um programa de computador, de forma toda digital. 

Também não tenho interesse nessa série interminável de super-heróis que resolvem as coisas do jeito deles e dane-se a opinião dos outros ou a construção coletiva. Contudo, sei o quanto os cinéfilos gostam dessas franquias e respeito o gosto de cada um. Já vi alguns filmes desses com a família e... normal.

Dos filmes que vi agora, o filme com a história do IRA e do governo inglês - Traídos pelo desejo - me fez pensar sobre algo que eu já percebia quando era criança e adolescente: viver é perigoso... o mundo não é um lugar para se viver em paz, assim como a natureza é bela só do ponto de vista humano, pois na verdade na natureza é matar ou morrer a todo instante. Me lembro dos noticiários sobre o IRA e o governo inglês.

Os dois com a temática do amor e da beleza também me agradaram bastante. Essa série da Coleção Folha tem muitos filmes com a sensualidade e a questão do desejo e sexo destacados.

Por fim, o filme - A casa dos espíritos - que se passa no Chile e que traz a questão da luta entre poderosos e a classe trabalhadora é o mais intenso. 

É isso!

William


domingo, 6 de fevereiro de 2022

Decamerão - 1º clássico sob a pandemia de Covid



Refeição Cultural


Noite de domingo, 6 de fevereiro de 2022. Osasco, SP.

A pandemia mundial de Covid-19 já está em seu terceiro ano. 

O início de 2020 foi marcado pelo aparecimento de um vírus que se espalhava rapidamente e uma porcentagem das vítimas tinha complicações e necessidades de internação e por debilitar muita gente isso causava colapso dos sistemas de saúde no mundo. No Brasil, as primeiras pessoas infectadas pelo novo coronavírus foram entre fevereiro e março de 2020.

Pela primeira vez em décadas o mundo parou literalmente. Talvez algo parecido tenha ocorrido durante a quebra da bolsa de Nova York, em 1929, e durante a 2ª Guerra Mundial.

Me lembro que nós passamos a cumprir a quarentena de evitar sair de casa a partir do dia 18 de março de 2020. Minha esposa e meu filho não colocaram o pé para fora de casa por longos meses, praticamente até outubro daquele ano. Eu era o único que saía para as necessidades vitais de manutenção da família.

De lá para cá, a humanidade lidou com a pandemia. O mundo capitalista lidou com a pandemia à sua maneira, de forma capitalista, é claro. Os países ricos produziram vacinas e vacinaram seus cidadãos (uma parte deles não quis se vacinar); venderam a vacina para os países que pudessem comprar a mercadoria. E o resultado de tudo isso foi a pandemia se desenvolvendo em ondas, que contagiam e matam mais e depois menos. Temos países e continentes com quase 100% de vacinados e outros com porcentagens pequenas de vacinados.

Segundo o site da Johns Hopkins University, até este domingo já morreram no mundo 5,7 milhões de pessoas; 394,5 milhões foram infectadas (as sequelas pós-Covid chegam a um quarto das vítimas); já foram administrados 10 bilhões de doses de vacinas (mas no continente africano...). 

O Brasil... ahh, o Brasil! O Brasil tem Bolsonaro! Aqui a vacina chegou tarde. Enquanto o governo genocida negava a vacina, os bolsonaristas negociavam propinas para termos vacinas no país (CPI investigou a questão). Nossos amigos, familiares e conhecidos morreram por causa disso. Até hoje são 632.095 mortes e 26 milhões de contaminados. Mas o governo segue atuando contra a vacina e o vírus tem no bolsonarismo o maior aliado para nos contaminar e nos matar.

Enfim, eu li o Decameron nos primeiros meses da pandemia no Brasil. Li durante 100 dias. Foi uma novela por dia. Sobrevivi ao período e sobrevivi até hoje. Sou um privilegiado. Muitas pessoas queridas se foram entre nós.

Durante a leitura diária das narrativas de Boccaccio, eu postava em rede social algum comentário rápido sobre a leitura e às vezes falava algo sobre a política e o país daqueles dias. 

Abaixo, seguem alguns comentários que postei dos primeiros dias de leitura. Ao reler os comentários, achei eles interessantes. O comentário sobre a obra, após o término da leitura, pode ser lido aqui.

Abraços aos amig@s leitores. Se fosse para dizer algo, eu diria para lerem os clássicos. Mas os tempos são esquisitos. Não se dá sugestão de nada para ninguém. Mesmo vivendo sob o modismo dos "influenciadores". Registro no blog de cultura uma modesta impressão de instantes do tempo que corre no mundo.

William

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19/04/20

De 100, já foram 18 novelas em 18 dias... só faltam 82 dias e histórias do Decameron

Enquanto isso no país jabuticaba em tempos de quarentena pela peste Covid-19, o ditador demente alçado a rei nu após uma facada fake, esfrega remela do nariz na mão, dá ela a súditos a beijá-la, tosse tosse e junto aos seus loucos súditos loucos conspiram pelo fechamento do regime... isso aqui é mais ficção que qualquer ficção possível...

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18/04/20

17 dias, 17 novelas do Decameron (e pra de hoje, fica meu protesto pelo tanto que ela é machista e sexista. Dou uma banana pro narrador da história, o jovem Pânfilo)

A novela contada por Pânfilo narra os descaminhos da jovem Alatiel, filha do sultão da Babilônia, o senhor Beminedab. Ela passou 4 anos de infortúnios e sequestros e a vida a levou a ficar com 9 homens diferentes, e, segundo o conto, a culpa seria praticamente dela, por ser a mulher mais linda do mundo.

Na vida real, eu vivo no mundo da pandemia do Covid-19 e no Brasil da psicopatia bolsonarista, onde nascer mulher é fruto de "uma fraquejada", elas devem vestir rosa e serem boas donas do lar - e milhões de mulheres apoiam o psicopata, a ministra e os "pastores" que afirmam isso...

ACABA LOGO, MUNDÃO! Que dia cai o meteoro que vai acabar com essa forma de vida que não deu certo na Terra?

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17/04/20

16 dias, 16 estórias do Decameron

Hoje, li a estória da senhora Berítola Caracciolo, que depois de tantas desventuras, chegou até a viver com cabras em uma ilha. Por fim, a Fortuna lhe sorriu e ela recuperou toda a família e ainda ganhou duas noras.

Meu azedume não me permite alimentar grandes esperanças e desfechos miraculosos da Fortuna para mudar a realidade mundial.

Ou os 99% acabam com a merda do capitalismo ou ele acaba conosco e o planeta.

#PeloFimDoCapitalismo

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16/04/20

15 dias, 15 narrativas em Decameron, de Giovanni Boccaccio

Hoje li a estória de Andreuccio di Pietro. Ele foi enganado por uma jovem mulher que lhe roubou 500 florins, caiu num fosso de merda, depois foi enganado por dois ladrões de caixões e ficou preso com um defunto... por fim, a Fortuna lhe sorriu e ele ainda voltou pra casa com recursos maiores do que antes de sair.

Hoje estou meio azedo. Fui à feira pegar algumas frutas, comprar pastéis e garapa. Depois de quase meia hora numa fila gigante (novidades de tempos de Covid-19), o pastel acabou na minha vez de pedir (todos os sabores)...

Passei o dia fazendo um texto e, ao final, senti de novo aquela sensação de coisa pouco útil e proveitosa. Qual o sentido de fazer isso agora que não pertenço a mais nada?

Estou azedo. O 1% segue vencendo tudo e o povo segue se f...

A Fortuna está por aí, é fato! Cada um faça a sua leitura da sorte.

Eu sei que apesar da fila inútil do pastel, sou privilegiado pela Fortuna...

Mas tô azedo!

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15/05/20

14a novela do Decameron, lida nessa quarentena da nova Peste (Covid-19) que assola o mundo no século XXI.

A 2a jornada das 7 moças e 3 rapazes reunidos nos arredores de Florença, fugindo da Peste de 1350, tem como temática o efeito da Sorte ou Fortuna sobre os personagens das novelas contadas.

Na que li hoje, o mercador Landolfo Ruffollo, depois de ficar muito pobre, faz-se corsário. Como tal, fez fortuna novamente. Preso e emboscado pelos genoveses, perde tudo. O barco genovês onde ia preso naufraga. Ele é salvo por uma moça pobre que o recolhe da praia. Termina rico de novo por ter se salvado em cima de um baú de joias.

No Brasil da pandemia do bolsonarismo (talvez pior que a do Covid-19) a Fortuna continua a favor dos banqueiros e empresários, dos lesas-pátrias, da gente da casa-grande mais tosca do Planeta.

- Ó deuses! Ó deuses! Por que ao menos os povos não bolsonaristas não são salvos por vossas benevolências?

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14/04/20

13º dia de novelas do Decameron (faltam 87 histórias, 87 dias)

Li hoje a história narrada pela jovem Pampineia. Esta 2a jornada tem como temática das novelas o efeito da Sorte ou da Fortuna na vida dos personagens. Agora, conhecemos a história de três irmãos de uma tradicional família de Florença que herdam grande fortuna do pai, gastam tudo de forma desregrada e ao final da história são resgatados por um sobrinho de nome Alexandre, que por obra da Fortuna se casa com a filha do rei da Inglaterra.

Gostaria que a Fortuna se lembrasse um pouco do povo brasileiro... mas talvez os deuses estejam só assistindo de camarote toda a desgraça que assola nosso país. Vai ver eles se encheram de ver pobre de direita, o povo preto que é racista, os funcionários públicos que são contra o Estado, os religiosos que pregam ódio e morte e arminha ao invés de amor e solidariedade etc... Essa terra é uma verdadeira jabuticaba planetária... até a Fortuna deve ter nos esquecido...

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13/04/20

Decameron, 12a novela, 12° dia

O mundo enfrenta duas novas pestes, a pandemia do vírus Covid-19 e a pandemia da ignorância que derrete cérebros humanos nos países atacados. No Brasil a peste é conhecida como Bolsonarismo.

Hoje li a história do mercador Rinaldo d'Asti, devoto de São Juliano, invocado na região (de Bolonha) como protetor dos viajantes.

A história tem final feliz, os maus são enforcados e o bem prevalece.

E no Brasil? Os maus serão desmascarados? Encontrarão punições?

Eu não morro de jeito nenhum! Quero ver cair esses desgraçados do mal!

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12/04/20

11a novela, 11° dia do Decameron

Ufa! O dia quase acabou sem eu cumprir minha meta de ler as 100 novelas do Decameron em 100 dias.

Acabei de ler a 1a novela da 2a jornada, agora sobre a liderança da jovem Filomena.

As coincidências entre ficção e vida real: na novela, "Martellino, fingindo-se aleijado, age como pessoa que se cura pela graça de Santo Arrigo" e quase morre enforcado por descobrirem sua farsa, No Brasil...

No país jabuticaba, o picareta na presidência (fraude) insinuou que a facada (?!*$&) e sua recuperação foram como uma ressurreição... (quando a farsa vai ter fim?)

Difícil, viu!

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10/04/20

9º dia, 9ª novela do Decameron (no 10º dia fiz postagem no blog)

Nesta sexta-feira santa de 10 de abril, coincidiu da história narrada pela jovem Elisa ser referente a uma nobre dama da Gasconha que foi até o Santo Sepulcro, na Terra Santa, prestar seus agradecimentos e na volta, ao passar pela Ilha de Chipre, sofreu ofensas de homens maus. Mesmo sabendo que o rei local faria pouco caso das reclamações dela buscando justiça foi até ele e deu-lhe uma lição de moral que o cara mudou seu comportamento a partir de então, punindo os agressores e não permitindo mais abusos e injustiças em seu reino.

Enquanto isso, aqui na vida real, nosso rei nu aproveitou sua posição ímpar para fazer tudo ao contrário do que se recomenda no planeta Terra, que enfrenta uma pandemia mortal causada por um vírus, o Covid-19, que se transmite através do contato e de secreções. Autoridades sanitárias e de saúde recomendam isolamento social e quarentena. O imbecil, que deveria ser o exemplo por ser o rei nu da nação brasilis, mais uma vez saiu pelas ruas de Brasília abraçando miseráveis apoiadores miseráveis, esfregando as mãos no nariz e boca e se esfregando com loucos apoiadores loucos...

Boccaccio, me ajuda! O que fazemos com essa peste do século XXI?

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09/04/20

8° dia, 8a novela

O tema avareza continua em pauta, mas agora Guilherme Borsiere enfrenta a avareza do senhor Ermino dos Grimaldi através da CORTESIA.
Enquanto isso, parte dos brasileiros aderiram ao bolsonarismo, uma doença mental e comportamental nada cortês com as pessoas não infectadas por tal vírus.

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08/04/20

7° dia, 7a novela do Decameron.

A história narrada nos fala da AVAREZA dos homens. O jovem Filóstrato conta a lição de moral que o senhor Bergamino deu no avaro senhor Cane della Scala, através da novela de Primasso e do Abade de Cligni.

Avareza! Que tema propício em tempos de falência total do modo de produção capitalista e concentração de toda a riqueza humana nas mãos de uns abastados desumanos.

Passados séculos de desigualdades, é hora de reinventarmos o mundo... como tá não dá mais!!! (Não é mesmo, Boccaccio?)

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07/04/20

6ª novela, 6º dia

A jovem Emília nos conta a história de um "santo" inquisidor, devoto de São João Barba de Ouro, uma ironia de Boccaccio para indicar que o servo de Deus em questão era um picareta que só queria extorquir as pessoas a partir da fé e inocência delas.

Nossa! Será que essa história nos faz lembrar de alguma coisa do cenário atual?

Pois é... Idade Média (ou dos medianos, ou dos medíocres... Idade das Trevas... a que estamos vivendo agora).

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06/04/20

Decameron (Boccaccio) - 5º dia, 5ª novela

Hoje li a quinta estória da primeira jornada do Decameron, contada pela jovem Fiammeta. Ela nos conta da artimanha da marquesa de Monferrato para não permitir nenhum abuso do rei da França, querendo se aproveitar dela enquanto seu marido, o marquês, estava em viagem.

Sinceramente, ao ver o cenário real da pandemia de cá (a do bolsonarismo, não a do vírus Covid-19), e a pandemia de lá, da ficção de Boccaccio, inspirada pela pandemia real da peste do século XIV, é tão estarrecedor o comportamento das pessoas que vejo ao meu redor, que pareço viver num mundo mais ficcional que a própria ficção.

O bolsonarismo supera qualquer ficção inventada pelos grandes clássicos... como foi que aconteceu dos apoiadores e seguidores desses caras perderem qualquer senso de racionalidade que os faziam humanos até dias atrás? Eles se parecem muito com aqueles corpos de zumbis dos filmes e seriados... é inacreditável!

Bolsonaro, se não for imortal, ainda pode ter o final de vida que teve o senhor Ciappelletto, ou melhor, São Ciappelletto, intercessor de todos nós junto a Deus!

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05/04/20

4º dia, 4ª novela... (1353 é agora, domingo de "jejum" do Bolsonaro e alguns "pastores" enganadores do povo)

Ao ler a história de hoje, que envolve um abade e um monge safados abusando de uma jovem moça do campo, lembrei-me de um professor da USP que nos dizia que ler os clássicos é melhor e mais atual que ler as notícias de nosso cotidiano. É verdade!

Se os canalhas manipuladores de gente, abusando da miséria, inocência e ignorância das pessoas, estão fazendo neste domingo o que o clássico de Boccaccio já abordava em seus contos e novelas 670 anos atrás como crítica social em forma de arte, é sinal que alguma coisa precisa mudar...

Não estamos melhores enquanto sociedade humana séculos depois da idade média...

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04/04/20

100 novelas em 100 dias...

"Faltam 97 novelas ou histórias. Serão 97 dias. Não tenho pressa, estou em quarentena mesmo. Vamos ver se chegamos ao fim das dez jornadas com as dez narrativas em cada uma delas, o que equivale às 100 histórias, que no meu caso serão narradas (lidas) em 100 dias..."

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Bibliografia:

BOCCACCIO, Giovanni. Decamerão. Imortais da Literatura Universal, Nova Cultural, São Paulo, 1996.

Informações sobre a pandemia do Covid-19 do site da Johns Hopkins University.


domingo, 9 de maio de 2021

27. Decamerão - Giovanni Boccaccio



Refeição Cultural - Cem clássicos

INTRODUÇÃO

Algo sobre o Dia das Mães e o viver sob pandemias

Domingo, 9 de maio de 2021, Dia das Mães. Estou longe de minha mãe, estamos separados pela pandemia mundial de Covid-19. Não dou um abraço nela faz tempo. Estando no Brasil da morte, da bandidagem da casa-grande e da demência coletiva, nem sei se podemos nos dar ao luxo de falar "feliz dia das mães" para as mulheres mães. 

- Mãe, te amo! Mães, muita força pra vocês, gratidão a vocês!

Estar vivo tem sido algo de privilégio. Chega a constranger estarmos aqui. Vivo sou uma espécie de privilegiado, como aqueles que não morrem em campos de batalha em meio a bombas que caem e como aqueles prisioneiros que foram ficando na fila da morte e algo aconteceu antes de sua vez chegar.

Hoje, mais de 420 mil famílias brasileiras têm ausências por causa do regime da morte, regime responsável pela maior parte das mortes causadas pelo vírus Sars-Cov-2, o vírus da pandemia de Covid-19. No século XIV, uma peste dizimou parte da população da Europa. Naquela época era difícil responsabilizar alguém porque não havia conhecimento científico suficiente para se conhecer causas e formas de se evitar a morte das pessoas. Hoje, se morre de Covid-19 no Brasil por opção dos humanos no poder. Seria um genocídio? Narrativas...

Acordei cedo e com palpitações e logo medi minha pressão arterial. Estava um pouco alta, mesmo tomando o comprimidinho antes de dormir. Com o passar do tempo, cada pessoa acaba conhecendo melhor a si mesma, pelo menos parte das pessoas. Leio muita coisa em mim... deitei de novo e tentei dormir mais uma hora - não deu certo. Vi meu filho por uns instantes antes dele dormir. Não falei nada, só lhe dei um leve afago com a mão.

DECAMERÃO

Contando meus cem clássicos da literatura mundial, o Decamerão ou Decameron, de Giovanni Boccaccio, foi um dos primeiros livros que li durante a pandemia mundial do novo coronavírus. Fiz a leitura em cem dias, lendo uma novela ou narrativa por dia. Foi legal! 

Reli a biografia do autor disponível no início de minha edição e fiquei pensando - que vida! - esses caras tinham séculos atrás. É impressionante como alguém conseguia escrever livros séculos atrás! 

Quando lemos sobre a vida de Miguel de Cervantes, por exemplo, ficamos estupefatos em imaginar como, de uma vida como aquela, nos chegaram obras, séculos depois, como Dom Quixote de La Mancha. É incrível!

Boccaccio viveu e sobreviveu à Peste Negra que assolou a Europa. Escreveu Decameron entre 1348 e 1353. A introdução da obra é impressionante, ela descreve motivações para reunir as narrativas e conta sobre a Peste e a forma como as pessoas morriam e como aquilo alterou os costumes da sociedade em relação a tudo, exatamente como aconteceu com o mundo após a pandemia de Covid-19 no século XXI.

No livro, no volumoso livro, sete moças e três rapazes se afastam de Florença e buscam lugares nas imediações, tipo casarões abandonados após a morte de seus proprietários, para ficarem juntos e deleitarem o que a vida tem de melhor. São pessoas de posses, têm alguns serviçais à disposição e a vida deles durante os dez dias reunidos é comer, dormir, narrar estórias, apreciar a natureza, e satisfazer seus desejos.

É isso. Foi um grande feito para mim ler o Decameron, de Boccaccio.

William


domingo, 28 de fevereiro de 2021

Livro: O chefão - Mario Puzo



Refeição Cultural - Cem clássicos

"Os clássicos são livros que exercem uma influência particular quando se impõem como inesquecíveis e também quando se ocultam nas dobras da memória, mimetizando-se como inconsciente coletivo ou individual." (CALVINO, 2000, p. 10/11)


Eu li O chefão (1969), de Mario Puzo, ainda na adolescência. Pela lembrança que tento puxar da memória, li o livro antes dos 17 anos porque acho que a leitura foi anterior a minha volta para São Paulo, depois de morar muitos anos em Uberlândia. Se não me engano, a edição que tenho foi a que li, quando meu primo Jorge Luiz me emprestou na época. Estou com ela porque ele deu seus livros e ganhei alguns deles faz alguns anos.

Peguei o livro para reler no dia 8 de fevereiro desta época pandêmica e de sobrevivência humana sob o poder das máfias no Estado brasileiro. Meu filho estava assistindo aos filmes baseados na obra de Mario Puzo e ao comentarmos a respeito da estória, disse a ele que havia lido o livro na adolescência. Como fiquei interessado em ver os 3 filmes dirigidos por Francis Ford Coppola, pensei comigo: "- Por que não reler antes o livro?". E assim, peguei pra ler o bichão.

O livro é um catatau, é um texto grande. Achei que seria uma leitura rápida, mas não foi. A edição que tenho está dividida em 9 livros. Após ralar na leitura, ainda faltam 100 páginas para acabar. Mas adianto que foi muito bom reler esse clássico da literatura mundial. No livro VI, que retrata o tempo que Michael Corleone passou na Sicília, revi aquela cena que achei interessante o filme ser fiel ao livro, o fato de o personagem ficar com o nariz escorrendo desde que levou o soco que lhe quebrou a mandíbula e lhe deformou o rosto.

Ao reler décadas depois a ficção de Puzo sobre a máfia, estando vivendo sob o domínio da máfia no país em que moro, vemos o quanto é interessante um dos conceitos que Calvino sugere sobre os clássicos (citado acima). Quando adolescente, eu vivia num bairro dominado pela Falange e se não fôssemos "amigos" dos caras, não vivíamos no bairro. O livro sobre a máfia retrata isso. E agora vivemos sob o domínio da máfia em escala gigantesca, nacional. Eu sou outro, o mundo é outro, mas a ficção segue atual. Pobres daquelas e daqueles que hoje não são amigos dos bandidos de colarinho branco no poder.

Tenho que intercalar livros novos com livros a reler, como diz Calvino: "Por isso, deveria existir um tempo na vida adulta a revisitar as leituras mais importantes da juventude. Se os livros permaneceram os mesmos (mas também eles mudam, à luz de uma perspectiva histórica diferente), nós com certeza mudamos, e o encontro é um acontecimento totalmente novo." (p. 11)

A leitura está em andamento, e a postagem também. O blog é um espaço vivo e mutante. Vamos terminar as 100 páginas e vamos assistir aos 3 filmes de Coppola.

Por enquanto é isso. Volto à postagem depois. (28/2/21)

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Fim da leitura do livro em 2/3/21.


COMENTÁRIO PÓS LEITURA

A leitura não foi difícil. Puzo utiliza linguagem cotidiana no texto. O livro contém todos os preconceitos inerentes ao seu tempo, racismo e sexismo são constantes e nos incomodam ao ler a estória. A narrativa sobre o poder das máfias na constituição da sociedade norte-americana é muito bem construída. A trama se passa durante a primeira metade do século XX, indo e voltando ao início do século e ao momento pós 2ª GM.

As famílias dos mafiosos resolvem as coisas comprando autoridades, colocando elas em suas folhas de pagamento, ou simplesmente matando as pessoas que atravessam seus caminhos. Don Vito Corleone, o padrinho, utiliza um sistema baseado em fazer um favor para quem lhe pede algo e a pessoa fica lhe devendo uma. Um dia a pessoa terá que lhe pagar o favor. Don Corleone chama a isso de "amizade", ele é amigo dessas pessoas que lhe devem algum favor. A ficção é atemporal, basta vermos a realidade do país onde vivo, o Brasil, ou a Colômbia, por exemplo.

É isso! Essa ficção nos lembra que sem instituições que funcionem corretamente no Estado, na sociedade onde vivemos, estamos sós, estamos por nossa conta. O Brasil pós-golpe de Estado em 2016 está assim. A máfia e as milícias tomaram o poder e a insegurança e o risco de morte e perseguição se tornaram a nossa realidade.

Triste isso! Viver sob o domínio das máfias.

William


Bibliografia:

CALVINO, Italo. Por que ler os clássicos. Tradução de Nilson Moulin. São Paulo: Companhia das Letras, 2000.


terça-feira, 26 de janeiro de 2021

À la Benjamin Button... (13)



Refeição Cultural

Olhar para trás...

O presente é duro, trágico: temos no mundo 100 (cem) milhões de pessoas infectadas pelo novo coronavírus hoje, dia 26 de janeiro de 2021. 
100.000.000 de infectados. São 2.151.248 mortes por Covid-19. 

A ex e eterna colônia de exploração Brasil aparece de forma destacada no panorama mundial da pandemia: são 8,87 milhões de infectados e 217.644 pessoas mortas (oficialmente, mas a subnotificação e a atuação do regime bolsonarista para esconder os números é absurda). Os dados são da Johns Hopkins University.

Estou fazendo o exercício de olhar para trás em meus escritos, reflexões e ações para tentar compreender o presente pessoal e coletivo. Não é fácil. 

O personagem Benjamin Button se tornou uma referência nesta categoria de postagem porque achei muito interessante a ideia de o tempo andar para trás. Como não estamos nesta condição de influência sobre o tempo físico e cósmico, vamos ao menos olhar para trás.

Em maio do ano passado, 2020, estávamos ainda no início da pandemia mundial. Ninguém imaginaria que chegaríamos aos números que apontei acima. 

As melhores perspectivas de enfrentamento ao vírus eram isolamento social, uso de máscara e higienização, fechamentos de fronteiras e bloqueios na circulação dos povos nas cidades do mundo. Quase todos os governos do planeta fizeram isso. Era a forma de não colapsar os seus sistemas de saúde. Não havia remédio nem vacina contra o vírus.

Alguns países, infelizmente, fizeram o contrário das recomendações da ciência e das autoridades de saúde. Estados Unidos de Trump e o Brasil de Bolsonaro fizeram o contrário. Deu no que deu. Os dois países juntos somam mais de 640 mil mortos. Trump já caiu. Bolsonaro segue com seu regime.

Em maio do ano passado, eu estava lendo uma narrativa por dia do clássico de Boccaccio, Decameron, e torcia diariamente para não pegar Covid-19 e sobreviver à peste. Seriam 100 dias de leitura. Naqueles dias, eu estava na 4a jornada das narrativas. 

Sobrevivi até aqui, mas muitos amig@s, companheir@s e familiares del@s faleceram por causa do vírus. Muita gente teve a vida abreviada por responsabilidade do regime neofascista no poder.

Como estamos neste momento?

O mundo produziu algumas vacinas contra o vírus. Em muitos países a vacinação já é uma realidade. Existe todo um regramento sobre os segmentos populacionais prioritários para tomarem a vacina. Muitos países já compraram vacinas para o conjunto da população. Já na ex e eterna colônia de exploração, o país jabuticaba... (aqui é Bolsonaro!)

Aqui o regime neofascista é exceção no mundo em relação ao comportamento do Estado no combate à pandemia. O governo, seus ministros e seus apoiadores, um bando de gente má e psicopata, defendem aglomerações, o não uso de máscara e incentivam a população a não tomar vacina. 

No entanto, os canalhas da casa-grande e os vigaristas de todo tipo arrotam ética e combate à corrupção, mas a prática de furar fila para tomar vacina virou um escândalo nacional e mundial. É o que temos aqui nesta terra de gente miserável.

CARTÃO CORPORATIVO: os inumanos no poder cometem crimes de responsabilidade o tempo todo, segundo renomados juristas e intelectuais. Mas não caem, não são impedidos. O escândalo do dia, de hoje, são os gastos do regime de milhões e milhões e milhões de reais com chicletes (2 mi), leite condensado (15 mi), pizza e refri (32 mi), alfafa (1 mi)... 

No passado recente (2008), a imprensa dos golpistas fez um inferno na pauta nacional, criou-se até a CPI dos cartões corporativos, por causa de uma tapioca de R$ 8,30 comprada no cartão corporativo de um ministro do governo do Partido dos Trabalhadores, o partido que mais fez pelo povo brasileiro na história. 

IMPRECAÇÃO: o tempo é implacável com o mundo e com os seres vivos. Essa gente lixo que se apossou do Brasil por golpe e por manipulação das pessoas vai cair. Vai ser presa, julgada e condenada. Aqui ou nos tribunais penais internacionais. Esses desgraçados vão acabar na merda, presos ou justiçados pelo povo. Quem estiver vivo, verá.

Seguem abaixo alguns registros e reflexões que fiz meses atrás, já sob o regime de destruição do país e sob a pandemia.

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08/05/20

37a decamerada

Simona e Pasquino, dois jovens humildes se amam, se encontram em uma praça para namorar, e uma tragédia acaba com o romance. O rapaz morreu envenenado e depois a moça. No final, se descobre que um sapo teve relação com o caso, pois estava na planta que matou o casal. 

Coitado, a população queimou o agente do veneno responsável pela tragédia. 

Pergunto: será que no país jabuticaba, um dia, o povo vai perceber os agentes envenenadores que causaram nossa destruição e vai tacar fogo nessas pestes venenosas? (difícil... aqui somos todos presas, gados, semoventes da casa-grande)

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07/05/20

36 novelas do Decameron

Andreuola ama o jovem humilde Gabriotto, que morre em seus braços de algum mal súbito. Após uns percalços por ela ser mulher num mundo de merda como esse nosso, machista e bárbaro, ela termina num convento. A vida seguiu... 

E a nossa vida, segue, sem morte súbita?

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06/05/20

Decameron, 35, 35

A estória de hoje foi da jovem Lisabetta e Lourenço, rapaz humilde assassinado pelos 3 irmãos da moça. Ela morre de tristeza no fim.

Faltam 65 dias e estórias. Tem hora que fico em dúvida se chegarei até lá. Está tudo muito incerto, muito ruim. Que sensação ruim da peste!

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05/05/20

34° dia, 34a novela do Decameron

Estou na 4a jornada de narrativas, só tragédias e finais infelizes de histórias de amor.

Rei Guilherme manda decapitar neto, após este desonrá-lo tentando raptar filha de outro rei, prometida a outro. Ela morre, ele morre. Rei é impiedoso para manter sua palavra... (os jovens se amavam)

No país jabuticaba, o rei está nu, não tem palavra, não tem honra, mas manda todo mundo calar a boca, vocifera mentiras (fake news diárias) e alguns súditos em ladainha: aleluia, mito, mito!! (Boccaccio, me ajuda!)

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04/05/20

Decameron 33° dia

Depois de um dia de limpezas domésticas, banho tomado, cansaço e bocejos, peguei meu compromisso de uma novela de Boccaccio por dia e li a estória trágica das 3 irmãs de Marselha, na Provença: Ninetta, Madalena e Bertinha. Dos vícios humanos, a ira foi a desgraça delas. A ira cega e tira a razão...

Não é à toa que a ira foi o instrumento usado pelos golpistas da casa-grande no país jabuticaba para transformar seres humanos quase normais num bando de zumbis bolsonaristas e em fanáticos fascistas amorais!

A Ira sempre funciona, ela transforma você num escravo. Assim já nos explicava o jagunço Riobaldo Tatarana...

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03/05/20

Leitura: "Borges y los cuervos"

Terminei o livro El gaucho insufrible, de Bolaño. É muito reflexivo. Acho que vou ler alguns textos críticos sobre autor e obra.

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Ainda 02/05/20

Decameron, começa a 4a jornada de novelas. Nesta série, os jovens vão narrar casos de amores infelizes ou com finais tristes.

31a estória - pai que dizia amar a filha mais que qualquer coisa no mundo, se mostra cruel e impiedoso ao não aceitar o amor dela por um rapaz humilde. Dá merda no fim...

MULHERES, FRUTOS DE FRAQUEJADAS

De novo, o que vemos é a forma como são tratadas as mulheres pelos bolsonaristas da antiguidade e da atualidade. A espécie humana, recente na Terra, não vai longe não. Vai não. Cada vez que vejo 1 (uma) mulher apoiadora dessa desgraça que colocaram no poder, eu desisto dos humanos.

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02/05/20 (foi um dia de muitas postagens na rede social - a quarentena nos fazia pensar sobre o que fazer fechados em casa)

Meta literária diária ainda não foi cumprida... falta ler a novela do dia do Decameron... e bateu aquela moleza agora... aff, lá vai eu ler em pé de novo...

(antes)

BOLAÑO - O conto "El policía de las ratas" é muito simbólico. Quando li a 1a vez, ano passado, já havia ficado impactado. Neste momento de caos e do mal, o conto de Bolaño é um dos melhores que já li.

(antes, sobre uma postagem minha a respeito de uma corrida anos atrás: ler aqui)

Há onze anos, no dia 3 de maio, corri uma prova de 8K na cidade de Osasco (SP), prova que contou com a parceria do Sindicato dos Bancários de São Paulo, Osasco e região. Foi um dia legal na semana dos trabalhadores.

Onze anos depois (2020), muita coisa mudou. Muita coisa. Vivemos o caos e a destruição do país e dos direitos dos trabalhadores, que estão em um dos piores momentos de sua história. Mas as lutas seguem, enquanto estamos vivos.

Para tentar manter-me vivo, saí para correr aqui em Osasco e quase fiz os 8K... acabei fazendo 7,5K, mas tá bom demais para o contexto atual de pandemias de Covid-19 e a pior talvez, a pandemia do bolsonarismo, que causa morte cerebral e suas vítimas seguem andando por aí e barbarizando os outros... os zumbis são realidade...

Post Scriptum: a noção do tempo tá tão estranha que eu achei que hoje era dia 3 e só forcei correr quase 8K por causa disso (rsrs). Valeu o engano ao menos como incentivo de corrida (kkk).

(antes)

Corrida, garapa, banana... 7,5K percorridos.

Post Scriptum:

E caqui...

Meu, tenho que baixar essa merda de pressão arterial. A vida real não é bela. A vida é foda!

Corri desviando de tudo quanto é vírus... corona... fdp com camisa da CBF e outras pestes...

(antes)

Preguiça de pôr roupa e lembrar que sair é voltar e voltar é toda aquela merda de higienização... preguiça e, no entanto, se eu não correr, não terei feito a minha parte em tentar sobreviver um pouco mais por aqueles que consideramos. Se essa merda de corpo colapsar, que não tenha sido culpa minha... já fui suicida por muito tempo de meus anos, hoje não morro nem me deixo matar. - Vai correr, então, infeliz!

(antes)

El gaucho insufrible, Roberto Bolaño... Desde o ano passado, quando comecei a ler Bolaño, percebo o quanto seus textos me fazem pensar... talvez pelo seu destino trágico, talvez pela falta de respostas em relação à vida. Pensativo... talvez por saber o que ele afirmava sobre a brevidade das coisas, das obras, dos atos, da história... quem vai saber de Bolaño daqui a 200 anos? Quem vai saber de mim amanhã? Quanto tempo algo dura?

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01/05/20

A DOR DA PERDA, A MORTE.

Ao ouvir Mino Carta falar das perdas de seu filho e do amigo PHA em 2019 e agora o jornalista Nirlando Beirão, apertou-me o peito já dolorido por tudo que temos visto. Senti uma tristeza angustiante. Minha solidariedade ao Mino e às pessoas que estão sofrendo com todo o mal que assaltou o nosso mundo. (ver vídeo do Mino aqui)

(antes)

30. Ao decamerar a 30a novela do Decameron, de Boccaccio, de novo pensei na ousadia do escritor em publicar em 1353 a referida obra. Essa 3a jornada terminada contou estórias com muito sexo, luxúria, traição, estupro (monge abusar de uma jovem de 14 anos é estupro) e por aí vai. Vamos para as 10 novelas da quarta jornada... (se os vírus ao redor não me matarem nos próximos 10 dias)

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Fim do olhar para trás. Por mais que a gente olhe os fatos e sentimentos do ontem, a gente tem dificuldades para compreender como pudemos descer tão fundo no esgoto, na merda em que nos colocaram no Brasil após a destruição da sociabilidade mínima que havia no país e envenenamento do povo por um ódio e uma ignorância nunca vistos em lugar algum. A grande imprensa da casa-grande e os tucanos acabaram com o Brasil. Bolsonaro é só um aspecto disso tudo, é um produto.


William

sábado, 11 de julho de 2020

Leitura: Decamerão (1353) - Giovanni Boccaccio




Refeição Cultural

"Despedida

(...) Como sabem, amanhã estarão completados quinze dias que nós, para achar alguma forma de entretenimento, e ainda para defender nossa saúde e nossa vida, deixamos Florença; agindo deste modo, fizemos cessar, para nós, a melancolia, a dor e a angústia que perpassavam sem cessar pela nossa cidade, desde que teve início essa época de pestilência..." (p. 761)


Como sabem os leitores que nos acompanham, ontem completaram-se cem dias do início da leitura do Decamerão, ato empreendido como forma de encontrar alguma rotina de prazer e entretenimento, e ainda defender nossa saúde mental, durante a pandemia do vírus Covid-19. Durante a quarentena, não deixamos Osasco, mas lidamos com a melancolia, a dor e a angústia que ainda perpassam pelas nossas cidades, desde o início desta época de pestes e pandemias, a do vírus e a do bolsonarismo, principalmente.

Quando começamos a leitura diária de novelas do Decamerão, no dia 2 de abril (ler postagem aqui), a pandemia do novo coronavírus já havia infectado mais de um milhão de pessoas no mundo. O epicentro da doença era justamente a terra natal de Boccaccio, a Itália, que sensibilizava o mundo diariamente com a imensa quantidade de mortos pela Covid-19. Naquele momento, o mundo contabilizava mais de 60 mil mortos e a doença chegava às Américas. Trump e Bolsonaro faziam pouco caso da doença e diziam que era uma "gripezinha" super avaliada pela imprensa e pelos adversários políticos.

E então cheguei ao final do livro, lidas as cem novelas em dez jornadas e a conclusão do autor, que é muito interessante em termos literários, a pensar que a obra foi escrita em meio à pandemia da Peste Negra, que matou milhões de pessoas em diversos países da Europa no século XIV. 

E como estamos neste momento, cem dias após a leitura do Decamerão? Primeiro, estamos vivos aqui em casa, e pudemos atravessar os cem dias com a permissão da Fortuna, que tudo define, como a obra nos mostrou ao longo desse período.

A pandemia do novo coronavírus efetivamente não é uma "gripezinha". Não por acaso, os dois países com o maior número de vítimas, tanto de pessoas infectadas como de pessoas mortas, são justamente os países nos quais suas populações decidiram colocar na presidência homens maus, bárbaros, seres sociopatas, sem empatia com a vida de seres humanos. 

O mundo registra neste momento mais de 12 milhões de pessoas infectadas pelo vírus e EUA e Brasil, sozinhos, têm 5 milhões delas. Já morreram mais de 500 mil pessoas, sendo que mais de 200 mil são cidadãos norte-americanos e brasileiros. A terra de Boccaccio começa a retomar a vida. Já o Brasil tem uma das curvas de contágio mais ascendentes do mundo. As coisas ainda vão longe por aqui...

Apesar da curva ascendente de contágio e mortes, nesta terra diferente de tudo, coisa única do mundo, um país jabuticaba, quase não há quarentena, nem distanciamento social, porque os governos estimulam o contrário! Evitar aglomeração e contatos são medidas necessárias para enfrentar a pandemia do Covid-19 porque não há remédio nem vacina para ele. 

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Mas aqui... preto vota em racista, mulher vota em machista, funcionário público vota em privatista, crente vota em quem prega ódio, tortura e morte... um moralista vota em bolsonaros... um país jabuticaba.
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O sujeito e seus apoiadores empresários da casa grande venceram o debate e os pobres e pretos são as maiorias absolutas das vítimas da doença. Quanto mais rico e branco, menor a estatística da morte. Quanto mais pobre e preto, maior mortandade.

É isso! Mais um clássico da literatura mundial lido. Espero que a Sorte me permita empreender outras aventuras literárias como essa. 

Espero que um dia, uma hora qualquer, algum evento, alguma tomada de consciência, ou algo imponderável, altere a realidade; algo faça com que as pessoas retirem do poder esses bárbaros que tomaram as instituições do nosso país. O ideal é que esses bandidos tenham direito a julgamento justo. 

Mas vai saber... do jeito que estimularam o ódio em nosso meio, vai que as massas vitimadas e miseráveis, cansadas dos abusos, façam com os bárbaros daqui o que fizeram com o líder fascista da terra de Boccaccio...

William
Um leitor


Bibliografia:

BOCCACCIO, Giovanni. Decamerão. Imortais da Literatura Universal, Nova Cultural, São Paulo, 1996.

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