Refeição Cultural
"Uma mosca morde o homem
Disso vira uma ferida,
Da ferida o homem morre,
A mosca tirou-lhe a vida..."
(Quadrinha popular citada por Salomão Jorge no ensaio "A estética da morte". Fernando Jorge, no livro sobre Santos Dumont)
O "ÁGUIA" DO SUECO ANDRÉE ENTUSIASMA UM JOVEM BRASILEIRO
A quadrinha é uma lembrança sobre a fragilidade humana. No capítulo dois do livro sobre a vida de Santos Dumont, conhecemos a história de Salomon August Andrée, um engenheiro sueco que realizou uma viagem de balão ao Polo Norte, com objetivos científicos.
Essa expedição (1897) e a façanha de seu idealizador inspiraram muito o jovem Santos Dumont, no que se refere ao componente tecnológico, o balão construído e as soluções para se chegar pelo ar até o Polo Norte.
A expedição teve final trágico. Os corpos dos três tripulantes só foram encontrados em 1930. Mas o aparelho voador, o "Águia", percorreu em 65 horas cerca de 480 Km. De acordo com o livro, os tripulantes teriam falecido devido à ingestão de carne de urso.
"(...) Ao que tudo indica, faleceram por causa do consumo da carne de urso polar triquinosa. As triquinas são vermes intestinais que em estado larvar vivem nos músculos de certos mamíferos, sendo principalmente transmitidas ao homem pela ingestão da carne de porco malcozida..." (Fernando Jorge)
Enfim, voltando a Santos Dumont...
Neste capítulo, soubemos da morte de seu pai, o engenheiro Henrique Dumont. Ele voltara de uma viagem na qual ia com Alberto para Paris, mas passou mal. O ano era 1892, Santos Dumont não havia completado vinte anos e perdeu sua maior referência de vida, seu pai.
"(...) A figura do pai seria uma sombra que sempre o acompanharia. Nos momentos de angustia, de depressão, muitas vezes essa sombra estaria ao seu lado, a fim de consolá-lo." (idem)
Santos Dumont recebeu sua herança e se instalou em Paris para realizar seu sonho de voar em uma máquina, algo muito superior aos balões da época.
Em Paris, Alberto tinha um automóvel da marca De Dion, que chegava a 30 Km/h, um risco à época. Também tinha um triciclo a motor e promovia corridas de triciclos.
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COMENTÁRIO FINAL
Estou lendo a biografia de Santos Dumont em homenagem ao meu pai, o Palmério, que leu esse livro de Fernando Jorge nos anos setenta.
A geração de meus pais foi de gente que criava coisas e inventava soluções pra tudo na vida cotidiana. Não havia essa "facilidade" de buscar na Internet como resolver algo.
As pessoas pensavam, matutavam, cismavam com as coisas e os problemas. E com inteligência inventavam soluções... coisa de homo sapiens...
E hoje? O que essas big techs e algoritmos e IAs estão fazendo com nossa espécie?
William
01/09/26



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