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terça-feira, 27 de dezembro de 2022

Leitura - Liberdade 1880-1882 - Luiz Gama



Refeição Cultural

Osasco, 27 de dezembro de 2022. Terça-feira.


Graças à participação em um curso do Instituto Conhecimento Liberta (ICL) - "13 livros para compreender o Brasil" -, curso ministrado por Lindener Pareto e Suze Piza, tive contato com a história e a obra deste homem extraordinário: Luiz Gama (1830-1882).

O livro Liberdade (1880-1882) é um dos volumes das Obras Completas de Luiz Gama, projeto que está sendo editado pela Editora Hedra com cerca de 800 textos do advogado, poeta, jornalista, militante da causa republicana e abolicionista negro que se destacou nas lutas pela democracia e pela liberdade no Brasil do século XIX. São inéditos na coleção cerca de 600 textos.

O acesso aos textos de Luiz Gama, boa parte deles, é fruto de uma pesquisa de quase uma década do jovem Bruno Rodrigues de Lima, advogado e historiador do direito. Ao ver a entrevista de Bruno ao Lindener Pareto no programa Provocação Histórica (programa nº 30, de julho de 2021) é possível avaliar a grandeza do trabalho de pesquisa que Bruno realizou. Sorte nossa!

Se o curso do ICL tivesse somente esse livro e essa figura histórica - Luiz Gama - já teria valido a pena participar do projeto de educação e cultura do Instituto. Por mais que eu tenha passado duas décadas envolvido diretamente nas lutas sindicais e populares da classe trabalhadora brasileira, eu não conhecia Luiz Gama. Sei que o fato é uma lacuna imperdoável, mas tod@s nós temos essas lacunas culturais e temos que ter a humildade de reconhecer isso e seguir estudando enquanto tivermos condições para aprender algo novo em nossas vidas.

Luiz Gama tem uma história de vida incrível! Nasceu livre na cidade de Salvador (BA), filho de uma mulher de luta - Luíza Mahin -, guerreira pela liberdade de seu povo. Quando sua mãe desaparece lutando pela causa, seu pai o vende como escravo aos dez anos de idade. Escravizado em São Paulo até os 18 anos, se alfabetiza, foge do cativeiro, prova ser um homem livre, trabalha na força pública paulista e depois começa sua atuação intelectual e engajada na libertação de escravizados e pelo fim da monarquia e instituição de uma república democrática no Brasil. A história desse homem é incrível! E quase ninguém o conhece!

O livro tem uma edição e organização muito favorável à leitura. Li com facilidade as 446 páginas do volume (comprei na versão digital). Bruno comenta e introduz todos os textos de Luiz Gama, explicando o contexto no qual o texto foi publicado na imprensa paulista e carioca ao longo da segunda metade do século XIX. Uma certeza fiquei da leitura desse primeiro volume que conheci das Obras Completas: é fundamental que os brasileiros e brasileiras conheçam Luiz Gama.

CENTENAS DE ESCRAVIZADOS LIBERTADOS POR GAMA

Eu não sabia quase nada sobre Luiz Gama, apenas conhecia o nome de ouvir falar. O advogado e intelectual foi um homem da teoria e da prática revolucionária na luta pela libertação de homens e mulheres e pela construção de uma sociedade democrática e libertária e com educação pública para toda a população.

Através do livro e dos textos de Luiz Gama conheci bem mais sobre o processo da escravidão no Brasil. O advogado era muito conhecido em São Paulo e libertou mais de 500 pessoas escravizadas dentro das normas jurídicas que ele conhecia como ninguém. Eu não sabia que tivemos um homem que conseguia libertar escravizados com base em leis e normas do início do século XIX (leis desde 1818), muito antes das leis de 1850 (Lei Eusébio de Queirós) e 1871 (Lei do Ventre Livre). Ele se baseava em leis anteriores que proibiam a escravização de pessoas sequestradas na África e "comercializadas" no Brasil.

Gama rompe com seus companheiros republicanos e liberais ao entender que eles estavam pusilânimes em acelerar o fim da escravidão. Os caras falavam da boca para fora sobre democracia e liberdade, mas no fundo queriam que a escravidão durasse até o século seguinte. O interesse dos capitalistas prevalecia na hora do vamos ver.

Esse período de 1880 a 1882 foi uma fase radical na luta pelo fim da escravidão como sistema e pela exposição dos algozes dessa tragédia humanitária. O livro é de formação histórica, humanista, jurídica, e de conhecimentos gerais. 

Saí da leitura muito mais consciente do que significa a escravidão no Brasil. Saí da leitura como grande admirador de Luiz Gama.

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Uma postura tocante de Luiz Gama e que demonstra o homem que ele foi se deu ao final de sua vida. Amigos coletaram recursos para fazerem um quadro em sua homenagem. Educadamente, ele pediu que não desperdiçassem dinheiro com isso e sim que libertassem um escravizado com o recurso... esse foi Luiz Gama!

William


Bibliografia:

GAMA, Luiz. Liberdade 1880-1882, org. Bruno Rodrigues de Lima. 1ª edição. Editora Hedra: São Paulo, 2021.


quinta-feira, 15 de dezembro de 2022

Diário e reflexões (15/12/22)



Refeição Cultural

Osasco, 15 de dezembro de 2022. Quinta-feira.


A leitura dos textos produzidos por Luiz Gama, grande intelectual negro do século 19, só é possível a mim - um homem do século 21 - porque sua produção foi feita em veículos de comunicação impressos, graças ao fato de haver desde a vinda da Corte para o Brasil jornais e revistas circulando entre os poucos letrados desta terra.

Se posso ler confortavelmente através de um livro a reunião de textos de Luiz Gama é porque o jovem Bruno Rodrigues de Lima, advogado e pesquisador da vida e obra de Luiz Gama, passou a última década dedicando seu tempo e suas energias para que pudéssemos ler e conhecer a produção intelectual de um dos homens mais impressionantes que tivemos no Brasil do período colonial e imperial.

NOVOS CONHECIMENTOS

Estou buscando sentidos para o viver (como sempre). Uma das formas de dar sentido ao viver é estudar e aprender coisas novas diariamente. Cada informação nova que adquirimos se soma às experiências que já temos registradas em nosso ser e com mais conhecimento melhor a chance de tentarmos compreender o mundo e a vida.

Na adolescência eu já tinha uma curiosidade interessante pelo conhecimento. Do passado só guardamos fragmentos, instantes marcantes por algum motivo. Me lembro de terminar livros de matemática sozinho porque na escola pública sempre íamos até a metade ou menos do livro. Me lembro que às vezes estudava matemática ouvindo rock - AC/DC e Iron Maiden -, por exemplo. Fragmentos de instantes... é o que vemos ao olhar para trás.

Ao trabalhar de entregador numa drogaria aos 14 anos, subindo e descendo de bicicleta pelos bairros da cidade de Uberlândia, também estava aprendendo coisas novas, mesmo no sofrimento da labuta pesada (eu sei o que sofrem esses entregadores de aplicativo sem direito a nada). 

Me fizeram aprender a aplicar injeções, no músculo e na veia... uma loucura se pensarmos o mundo de 2022, mas era o ano de 1984. "Quadrante superior externo" para definir onde aplicar quando era na bunda. 

Aprendi coisas novas mesmo quebrando concreto e mexendo em esgoto de residências velhas trabalhando com o seu Joaquim. É impossível hoje imaginar minhas mãozinhas finas tendo sido calejadas e grossas ao trabalhar de ajudante de encanador na adolescência. Eu esquentava marmita com um pouco de álcool numa latinha sobre uma madeira com 4 pregos. Ao apagar o álcool, a comida estava quente.

A vida seguiu. Quando trabalhei em lanchonetes, aprendi a fazer pão de queijo e outras coisas que já me esqueci porque nosso cérebro é plástico e se adapta às necessidades e estímulos do momento do viver. O corpo inteiro se adapta ao viver, o que não quer dizer que não nos matamos um pouquinho todo dia por causa do tipo de exploração ao qual somos obrigados a nos submeter. Ou às loucuras de moda que matam pessoas tanto quanto necessidades do viver em sociedade.

Quando trabalhei em escola de idiomas sabia inglês. Quando fui bancário sabia bastante sobre o cotidiano do sistema financeiro. De bancário nos locais de trabalho virei dirigente sindical a convite de lideranças do movimento e passei a organizar uma categoria de um milhão de pessoas, metade formalizada com direitos profissionais. Estudei e conheci muito sobre nossas lutas e nossa história. Cheguei a negociador nacional. Era responsável por desenvolver estratégias, teses, documentos e contratos que resultaram em milhões de reais para a nossa categoria. 

A vida seguiu e me vi ainda dirigente de uma autogestão em saúde. Nunca me imaginaria estudando e aprendendo tanta coisa sobre sistemas de saúde públicos e privados, modelos de organização de cuidados e atendimento em saúde de grandes grupos sociais. Os funcionários da associação que geri, que os liberais chamam de "empresa", me relatavam impressionados ("feedback") a respeito do quanto aprendi rápido sobre aquela função que desempenhei em nome de centenas de milhares de associados. 

Essas memórias acima, sobre novos conhecimentos, me fazem pensar muitas coisas a respeito da vida humana. Uma delas é sobre a plasticidade de nosso cérebro como nos ensina o neurocientista Miguel Nicolelis. Outra é sobre a capacidade ilimitada de aprendizagem que qualquer ser humano traz consigo, podemos aprender qualquer coisa que quisermos. A educação e a formação podem mudar as pessoas, e as pessoas podem mudar o mundo. Juro pra vocês que isso é verdade. Mudei várias vezes em uma vida tão curta como essa minha.

Por fim, uma outra coisa que tenho pensado é sobre as relações utilitaristas que prevalecem na sociedade humana contemporânea, por mais conhecimento que tenhamos só seremos chamados a contribuir se houver algum tipo de relação de interesses nos grupos sociais nos quais vivemos. Se você não estiver mais nas graças das pessoas nas posições de poder, seu conhecimento não será utilizado nos espaços de poder. Mas fique tranquilo! Você segue com todo o potencial humano que traz consigo, não se preocupe com isso. Viver é uma oportunidade, sempre!

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AINDA A QUESTÃO DOS NOVOS CONHECIMENTOS

Os fragmentos de memória acima mostrando quarenta anos de novas aquisições de conhecimento em relação ao mundo do trabalho, pois não falei de conhecimentos em outras dimensões sociais, me trazem à lembrança uma preocupação que tem pautado meu viver nos últimos anos: novos conhecimentos pra quê? O que vou fazer com os novos conhecimentos diários que busco desenvolver como um ser humano?

A pergunta parece ser contraditória até em relação ao que eu mesmo escrevi acima, mas diria que é e não é. 

Conhecimento novo nos modifica e pode nos ajudar até a compreender melhor o mundo e a vida em toda a complexidade que isso significa. Mas como fazer o conhecimento novo ser incorporado a uma dimensão social coletiva, além da questão pessoal?

Cara, por duas décadas fui um militante da classe trabalhadora e tinha a consciência de que eu não sabia quase nada sobre nós e nossa história e por isso passei duas décadas estudando diariamente para tentar fazer uma representação honesta de meus pares. Quanto mais eu estudava sobre nós, mais eu tinha conteúdo para fazer um bom papel social. Isso preenchia minha vida de forma satisfatória naquilo que chamaríamos de dar sentido ao viver.

Minha busca por conhecimentos nas três décadas anteriores ao meu viver político foi de outra natureza. Eu era outro. A busca pessoal preenchia a totalidade do viver, o que não quer dizer que isso fosse algo ideal para o tipo de homem que sou hoje: um cidadão politizado e de esquerda. Todos os meus objetivos naquela época eram pessoais, não eram coletivos. É como eu era. Me arrisco a dizer que é como é a maioria absoluta dos seres humanos não politizados, a multidão não politizada da classe trabalhadora explorada e moldada a partir da ideologia da classe dominante.

É nesse ponto que estou do viver como um cidadão do mundo neste espaço geográfico chamado Brasil, neste fim de ano e próximo ao alvorecer de 2023, após uma longa noite que durou no Brasil desde o golpe de Estado em 2016 até a eleição e diplomação do presidente Lula nesta semana. O que fazer da vida no próximo período de existência? Não sou e nem poderia voltar a ser aquele que fui até os trinta anos, com minha perspectiva de vida individualista e egoísta do mundo. Não vejo que haverá oportunidades de voltar a viver o que vivi nos últimos vinte anos, com uma dimensão de vida toda voltada a servir à coletividade.

Chega por hoje. De começar pensando na pessoa fantástica e revolucionária que foi o cidadão Luiz Gama no século 19, homem que eu não conhecia até ontem, divaguei pra cacete olhando fragmentos de quarenta anos de minha própria vida.

E agora, José?

William


sexta-feira, 18 de novembro de 2022

A luta contra o racismo no Brasil


Luiz Gama

Refeição Cultural

Osasco, 18 de novembro de 2022. Sexta-feira.


"Ao regulamento de 1859, cf. especialmente art. 85. 'São bens do evento os escravos, gado e bestas, achados, sem se saber do senhor ou dono a quem pertençam; o seu produto líquido deve ser recolhido à recebedoria do município da Corte.'" (Trecho da nota 13 do texto "Porque sou abolicionista sem reservas", em: Liberdade - Luiz Gama)


Estou lendo um dos volumes das Obras Completas de Luiz Gama (Editora Hedra), trabalho fenomenal organizado pelo pesquisador Bruno Rodrigues de Lima, que passou uma década coletando e identificando mais de 600 textos inéditos do advogado e jornalista Luiz Gama, uma figura fantástica na luta contra a escravidão, o racismo e as injustiças contra os povos do Brasil e do mundo.

Às vezes, nos sentimos cansados das lutas e até do viver. Isso acontece com parte de nós que passamos a vida nos dedicando às causas populares e ao próprio sobreviver por sermos das classes subalternas do Brasil. Mas quando conhecemos figuras humanas como Luiz Gama, nos sentimos até envergonhados por estarmos pusilânimes certos dias ao saber que pessoas como ele tiveram muito mais dificuldades que nós e persistiram a vida toda no bom caminho e nas causas populares e humanísticas que ressignificam diariamente o viver.

Até o mês passado eu só conhecia Luiz Gama de nome, de ouvir dizer, e olha lá. Por mais que tenha passado duas décadas nas lutas sindicais da categoria bancária, somos sempre lacunas culturais porque a vida é muito rápida, muito imediata, muito prática, e quase todo mundo tem um pequeno estoque de saber ligado ao seu dia a dia, ao seu viver. Uma pequenina parcela das pessoas tem conhecimento enciclopédico do mundo. Nunca fui uma dessas raridades humanas. Sou um simples mortal da classe trabalhadora.

Por estar associado ao Instituto Conhecimento Liberta (ICL) e estar fazendo alguns dos cursos dessa faculdade aberta fui estimulado a ler alguns autores novos e mergulhar em algumas temáticas que ainda tenho pouco ou nenhum conhecimento. Não sou um completo ignorante (não sabedor) na questão do racismo e das causas dos povos negros, não sou. Mas tenho um caminho todo pela frente para conhecer melhor essa tragédia humanitária, o racismo e suas consequências. Tenho muito que aprender.

Já consegui ler um terço desse volume - Liberdade (1880-1882) - que adquiri das Obras Completas de Luiz Gama. Recomendo muito a leitura sobre esse homem fantástico. 

As aulas do ICL têm me estimulado a novas leituras. Vou ler Carolina Maria de Jesus, assim que o livro Quarto de Despejo chegar. Estou terminando meu primeiro livro de Jessé Souza, grande estudioso do Brasil e da história do racismo nessa terra na qual vivemos. 

É isso! Sigamos lendo e estudando. O mundo atual, que enaltece de forma direta ou de forma velada a ignorância, a burrice e a idiotia dos seres humanos, esse mundo besta precisa de cada um de nós que não aceita o rumo que a vida humana e o planeta Terra estão tomando por causa de uma maioria de gente sem consciência e sem oportunidade de informação e formação libertadora.

William Mendes


terça-feira, 18 de outubro de 2022

Liberdade (1880-1882) - Luiz Gama


 

Refeição Cultural

Osasco, 18 de outubro de 2022. Noite chuvosa de terça-feira em Osasco.


"A frase 'isto é torpeza de branco' marca, de saída, a singularidade de seu abolicionismo. Mais do que uma exclamação momentânea, a sentença organiza um aspecto da interpretação jurídica de Gama, tanto em matéria criminal como civil e administrativa: que a escravidão, tomasse ela a circunstância judicial e o tipo normativo que fosse, seria, sempre, um crime próprio da torpeza de branco. Tal qual um imperativo categórico, portanto, a torpeza de branco seria, em seu argumento de combate, a razão fundadora da escravidão. Com esse princípio, o advogado iria às últimas consequências, como de fato foi ao sustentar que 'o escravo que mata o senhor cumpre uma prescrição inevitável de direito natural'.” (Bruno Rodrigues de Lima)


Até dias atrás eu não sabia nada sobre Luiz Gama, praticamente nada. Sabia que ele existiu. Só. E isso tendo sido eu um dirigente eleito (branco) da classe trabalhadora por quase duas décadas. Digo isso com humildade e com a consciência de saber que não sabemos quase nada de assunto nenhum, quase nada. E também afirmo que mesmo não sabendo quase nada da nossa história de lutas de classe, arrisco dizer que ainda sei alguma coisinha a mais que a ampla maioria de meus companheir@s e pares da classe à qual pertenço. Sabemos muito pouco das coisas, por isso é uma obrigação estudarmos até o último dia de nossas vidas. Sempre é tempo de aprender algo novo.

Já sei alguma coisa sobre Lula. Sobre Mandela. Alguma coisa sobre Machado de Assis. Alguma coisa sobre o movimento sindical bancário. Alguma coisa sobre autogestões em saúde. Dessas referências, sei alguma coisa a mais que a maioria das pessoas. Na minha experiência de vida já estudei um pouco sobre essas pessoas e essas abstrações criativas de nosso cérebro humano. Organizações sindicais e associações de saúde do trabalhador são criações dos seres humanos.

Comecei a ler um dos volumes de Obras Completas de Luiz Gama (1830-1882) - Liberdade -, uma coletânea fantástica organizada pelo pesquisador Bruno Rodrigues de Lima, que passou quase uma década de sua vida procurando e reunindo centenas de textos de Luiz Gama, um dos guerreiros pela liberdade do povo negro em nosso país. 

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Apresentação do oitavo volume de Obras Completas de Luiz Gama:

"O oitavo volume, Liberdade (1880-1882), demarca o surgimento de um tipo de literatura de intervenção que exigia a imediata abolição da escravidão. Apesar da condenação moral do cativeiro ser recorrente na obra de Gama, é somente em 1880 que a campanha pela liberdade ganha um corpus textual específico. Os artigos deste volume, portanto, são fruto da luta radical pela abolição e por direitos. O abolicionismo de Gama, como ficará patenteado nas páginas de Liberdade, exigia cidadania e igualdade de fato e de direito." 

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A leitura do livro é uma oportunidade que se abriu ao me inscrever em um dos cursos do Instituto Conhecimento Liberta (ICL), curso com a temática "13 livros para compreender o Brasil". Hoje sei alguma coisa a mais do que sabia ontem... não falo que a gente tem que estudar até morrer! 

Ser ignorante é uma merda! Vejam meus pares da classe trabalhadora que não tiveram oportunidade de estudar ou não quiseram estudar, quase a metade deles é manipulada para apoiar o mal representado pelo nazifascismo que tomou conta do Brasil - movimento fascista que se nomina hoje como bolsonarismo. Temos que estudar! Como diz o historiador e youtuber Carlitos: "cabeça vazia é oficina para Bolsonaro!"

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LUIZ GAMA 

Que homem esse Luiz Gama! Que homem!

Nasceu na Bahia em 1830, de mãe negra livre e guerreira - Luiza Mahin, que participou de diversas revoltas das causas de seu povo -, e de pai fidalgo português, que o vendeu como escravo de forma ilegal aos dez anos de idade, quando sua mãe havia partido para a luta. 

O garoto Luiz Gama veio parar em São Paulo, de onde fugiu e lutou por sua liberdade, e onde se constituiu como jornalista, advogado, poeta, escritor, republicano e abolicionista e uma das maiores referências de nossa história nas lutas pelo fim da escravidão e pela liberdade de seu povo e de todos nós. Liberdade com igualdade e cidadania. Que homem!

Li até o momento as primeiras 60 páginas do livro, a apresentação da obra e a introdução feita por Bruno Rodrigues de Lima. Quanta informação nova! E que admiração que já sinto por ter entre nós uma figura como essa, Luiz Gama. Amanhã, terei o privilégio de assistir a uma aula presencial do curso do ICL sobre Luiz Gama, aqui em São Paulo.

É isso! Que sigamos estudando e nos tornando menos ignorantes e menos vulneráveis às manipulações dos meios ideológicos dos poucos donos do poder que estão destruindo a espécie humana e o mundo como nós o integramos ao nos desenvolvermos como homo sapiens no último minuto da história do planeta Terra, ao considerar o quanto somos recentes neste mundo de bilhões de anos e o quanto já o destruímos em tão pouco tempo, algumas centenas de anos.

William


Bibliografia:

GAMA, Luiz. Liberdade (1880-1882) - Obras Completas de Luiz Gama. Org. Bruno Rodrigues de Lima. 1ª edição. Editora Hedra: São Paulo, 2021.