segunda-feira, 20 de abril de 2026

Viagem a Cuba IV (2026)


Pôr do sol em Havana, a partir do
restaurante La Divina Pastora

Refeição cultural 

Após um primeiro dia de muitas visitas a museus e equipamentos públicos que resgatam a história do povo cubano e de sua Revolução libertadora do jugo imperialista (ler aqui), o dia seguinte de nossa caravana solidária de brasileiros seria pegando a estrada para conhecermos Viñales.

Antes de terminar o primeiro dia de programação sociopolítica, nossa caravana passou pela famosa Praça da Revolução por meia hora, mais para contemplarmos a imensidão do ambiente, conhecido por receber multidões de cubanos para ouvir os discursos de Fidel Castro e para eventos importantes em Havana como, por exemplo, o 1° de maio.

Na praça, nosso grupo se encantou
com os carros dos anos cinquenta

Após o jantar no restaurante La Divina Pastora, onde apreciamos música cubana ao vivo, fomos ver a cerimônia do "Cañonazo", uma encenação teatral que rememora séculos da história de Havana, época na qual os portões da cidade eram fechados às 21h para só reabrirem na manhã seguinte. Havana era rodeada de muralhas. Fiz postagem sobre o tema, é só clicar aqui.

Música cubana no restaurante
La Divina Pastora

No 3° dia de nossa programação sociopolítica organizada pela Amistur, agência cubana de turismo, pegamos a estrada para Viñales, município de Pinar del Río, distante 180 Km de Havana, indo no sentido ocidental da ilha. As estradas estavam vazias pela falta de combustível causada pelo bloqueio criminoso dos Estados Unidos. 

Construção típica da propriedade
produtora de tabaco


Plantação de tabaco

Após três horas de viagem, nossa primeira agenda foi visitar uma produção de tabaco e charutos. A região de Pinar del Río é uma área rural cujo principal produto comercial é o tabaco. Viñales tem cerca de 28 mil habitantes.

Local onde as folhas são maturadas

Folhas de tabaco em espera

Mesmo para um não fumante, o odor é bom!

Eis aí um produto cubano...

Durante a visita, vimos as plantações, as folhas em processo de secagem, os paióis onde as folhas passam pelo período de maturação e também vimos o preparo de um charuto, disponibilizado para apreciação das pessoas da caravana interessadas em experimentar o tabaco cubano.

Cuba...

HISTÓRIA

Faço uma breve contextualização histórica: antes da Revolução liderada por Fidel Castro nos anos cinquenta, todos os imóveis urbanos e as terras produtivas de Cuba pertenciam a um pequeno grupo de latifundiários e proprietários, grande parte, aliás, norte-americanos. Era exceção alguém da classe trabalhadora ter sua própria moradia.

A amplíssima maioria do povo cubano, milhões de homens, mulheres, crianças e idosos, não tinham nada - moradia, emprego, alimentação, educação, saúde, etc - nada! As pessoas viviam em cortiços nas cidades e em bohíos nas áreas rurais (cabanas com telhados de palha e paredes de tábuas de palmeira).

Uma das primeiras medidas após a vitória do Exército Rebelde em 1° de janeiro de 1959 foi fazer reforma urbana e agrária editando um conjunto de leis relacionadas a moradias, aluguéis e direito popular às terras nas quais as pessoas trabalhavam.

Ruas da simpática cidade de Viñales

Ao visitarmos Cuba neste momento dramático da história, de asfixia econômica criminosa com atos ilegais dos Estados Unidos, colocando a ilha e seu povo sem acesso a qualquer forma de combustível, essencial para o funcionamento da vida cotidiana, temos que ter clareza das consequências dessa maldade na vida das pessoas, inclusive em seus aspectos psicológicos.

Boa parte dos veículos em circulação
são elétricos, motos e triciclos

Há meses Cuba não recebe petróleo importado, afetando absolutamente tudo no país. Imaginem vocês o Brasil no dia seguinte sem acesso a combustível fóssil e o não funcionamento de nada no país, pois aqui e no mundo a matriz energética que faz a vida cotidiana funcionar é com base em combustíveis fósseis, petróleo, gás e carvão.

Pessoas estão morrendo em hospitais por falta de energia elétrica, o governo não tem conseguido exercer os programas sociais que fazem parte dos direitos da cidadania por falta de recursos, o petróleo é necessário para quase tudo na ilha, pois no mundo moderno não se vive sem energia. Cuba tem investido em painéis solares como alternativa, mas é um longo processo ainda.

E mesmo assim, o acolhimento do povo cubano aos turistas em geral e a nosso grupo, ao longo da estadia na ilha, foi admirável, saímos encantados com um povo que só quer ser feliz, interagir com os povos do mundo e levar a vida deles do jeito que acharem melhor.

Enfim, essas são algumas reflexões a partir da experiência de ter voltado a Cuba com um grupo de brasileiros e brasileiras tão solidários e irmanados na mesma causa de apoiar nossos irmãos da maior das ilhas antilhanas.

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Vista do Mirador de los Jazmines

VALES E MOGOTES NA PAISAGEM

Ainda na programação do 3º dia em Cuba, visitamos o Mural da Pré-história - uma pintura gigante em um mogote - e a Cueva del Indio - uma caverna com um lago na superfície -, passeios muito agradáveis na região de Viñales. 

Mural da Pré-história

Seguem abaixo algumas fotos da nossa visita à caverna chamada Cueva del Indio.

Subindo...

Descendo...

Uma linda estalagmite

Passeio de barco na caverna


Mogotes são morros ou colinas típicas da região, normalmente de calcário, mármore ou dolomita, são estruturas sedimentares que podem ter tamanho e altura de montanhas. A paisagem em volta é plana, são os vales da região de Pinar del Río.

Um hotel sem turistas (o bloqueio!)
e os mogotes ao fundo do vale


Durante o passeio, almoçamos e finalizamos a visita à região no Mirador de los Jazmines, onde tivemos a oportunidade de vislumbrar o vale com as culturas e os mogotes.

Estávamos a 6700 Km do RJ (Brasil)

MAIS UM DIA DE HISTÓRIA E CULTURA CUBANAS

Voltamos para Havana e jantamos no hotel Copacabana.

Foi um dia excelente na programação de nossa caravana solidária.

Amigas e amigos leitores do blog, não deixem de visitar Cuba, além de ser uma experiência pessoal incrível, vocês vão contribuir muito com o país e seu povo hospitaleiro e altivo.

A companheira Telma Araújo, que organizou nosso grupo, está organizando um grupo para agosto, Cuba comemora neste ano o centésimo aniversário de nascimento do Comandante em Chefe Fidel Castro Ruz e serão várias comemorações no período.

William

20/04/26 

domingo, 19 de abril de 2026

Sobre Cuba: lendo Aline Marcondes Miglioli



Refeição cultural

LEITURAS

Fiz um curso de extensão universitária em 2025 chamado "Como impedir o fim do mundo: colapso ambiental e alternativas", ministrado por professores e professoras de conceituadas universidades públicas brasileiras. 

Aline Marcondes Miglioli foi uma das professoras do curso e após a aula dela adquiri seu livro sobre Cuba: "Casa à venda: turismo, mercado de imóveis e transformação sócio-espacial em Havana". Li alguns capítulos ano passado e ao voltar de Cuba, dias atrás, decidi me debruçar sobre o livro de Aline.

Para fixar melhor a leitura, farei registro de algumas citações nesta e noutras postagens. O objetivo é puramente de estudos e reflexões. Qualquer interpretação da leitura é de minha exclusiva responsabilidade. 

William 

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EXCERTOS

"Ao longo deste livro busca-se responder à seguinte pergunta: o que mudou na forma de habitar a cidade e na organização dos estratos de classe em Cuba após a abertura do mercado de moradias? A hipótese inicial sobre a qual constituiu-se o objetivo deste trabalho é de que, com a abertura do mercado de moradias, houve uma transformação na estrutura socioclassista cubana com a criação de mais um estrato de classe e de um caminho de ascensão social, assim como de novas formas de ocupação da cidade de Havana pelos diferentes estratos de classe." (1. Introdução, p. 15)

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"Nas páginas a seguir serão narrados os fatos históricos cuja compreensão é fundamental e indispensável para a apresentação do nosso objeto de estudo -o mercado de moradia atual. Sendo assim, o objetivo deste capítulo é traçar o caminho entre a Reforma Urbana realizada em 1960 e a abertura do mercado de moradias." (2. Revolução Cubana e Reforma Urbana, p. 22)

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Na página 27, Aline explica o histórico da falta de moradias populares em Havana antes da Revolução Cubana: o foco do mercado e do governo eram "habitações de luxo da burguesia".

"O desamparo estatal, o alto preço dos aluguéis e o desinteresse privado pela construção de moradias acessíveis à classe trabalhadora eram os três pilares do problema habitacional em Cuba nesse período." (p. 28)

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O que unificava grupos de oposição contra o ditador Batista nos anos cinquenta? 

A luta por autonomia e independência, o problema do latifúndio e as lutas por direitos sociais e de cidadania para os trabalhadores.

"Em suma, a agenda que conduziu à Revolução Cubana configurava-se inicialmente como a agenda de uma revolução burguesa nacional, assentada sobre a autodeterminação e os direitos democráticos burgueses." (p. 31)

Aline cita o conceito de "homem natural" de José Martí:

"O homem natural é o sujeito e o destino da formação nacional cubana, a qual só pode realizar-se sobre uma organização social autóctone, ou seja, liberta das influências dos colonizadores." (p. 32)

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Na página 33 há uma boa síntese do governo provisório de Manuel Urritia após o triunfo da Revolução. Este representava a burguesia, enquanto o PCR e o MR26-7 representavam os interesses das classes populares. 

Fidel rompe com a pequena burguesia:

"A partir do acirramento das contradições internas do Governo Provisório, Fidel Castro, como representante do Exército Rebelde, rompeu com a pequena burguesia, mas a pressão popular levou-lhe a assumir o governo, um governo revolucionário com compromisso de promover as mudanças que o pacto de classes não permitiria. Encerrou-se assim a etapa de conciliação democrática e, com ela, a possibilidade de acordos com os EUA." (p. 34)

-

Reforma Urbana, de 1960:

"O processo de reforma urbana incidiu sobre cinco eixos: a moradia, o uso e aproveitamento do espaço, o trânsito, a densidade populacional e a responsabilidade administrativa pelo ordenamento urbano." (p. 35)

e

"A escolha pela propriedade privada como resposta ao problema habitacional pode ser atribuída ao vislumbre da pequena propriedade como destino do hombre natural, deixado como herança pelo pensamento de José Martí (Trefftz, 2011)." (p. 39)

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A professora Aline vai explicando ao longo do primeiro capítulo do livro, segundo a opinião dela, os acertos e erros cometidos pelo governo cubano nas primeiras décadas de gestão socialista do país. 

O leitor toma conhecimento sobre os debates econômicos da época - "O Grande Debate", que contrapunham dois modelos - (SOF) x (CE) -, sendo um deles o preferido por Ernesto Che Guevara (SOF). 

Também vamos vendo a evolução na questão do direito universal à moradia, objetivo estatal prejudicado no tempo pela priorização do esforço produtivo na tentativa de produções recordes de cana-de-açúcar.

Deixo algumas citações abaixo só para ilustrar o conteúdo do capítulo:

"A história econômica do Período Revolucionário, que vai de 1959 até a atualidade, pode ser dividida em três períodos históricos: o primeiro inicia-se em 1960 e vai até 1989 e é identificado pela aproximação com a URSS e com os países do bloco socialista; o segundo é marcado pelo fim da URSS em 1990 e o 'reajuste' da estratégia de desenvolvimento ao novo contexto geopolítico e se estende até 2010; por fim, o período atual que inicia-se em 2011 é marcado pelo processo de Actualización del modelo Económico y Social." (p. 44)

e

"A crítica feita por Guevara ao sistema de CE incide principalmente sobre o problema da propriedade dos meios de produção no socialismo. Guevara se indagava sobre o sentido da venda de mercadorias entre as empresas socialistas, visto que elas são parte de uma mesma propriedade, a propriedade social." (p. 46)

e

"(...) Guevara rechaçava a ideia de incentivo material aos trabalhadores e advogava que o uso dos incentivos materiais deveria ser secundário frente aos incentivos morais de edificação e construção do Homem Novo, nome dado ao novo sujeito histórico do socialismo cubano.' (p. 47)

e

"(...) Sendo assim tem-se em debate duas propostas para o período de transição socialista, marcado ou pela preponderância da solidificação moral e construção dos valores e identidade do homem novo, ou pela construção dos mesmos através do desenvolvimento das forças produtivas (Pericás, 2004; Guevara, 1987c)." (p. 48)

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Abaixo, a autora aborda as escolhas econômicas após a Revolução Cubana:

"Voltando-nos para as estratégias de desenvolvimento das forças produtivas, em 1960 foi traçada uma política econômica com objetivo de romper com o subdesenvolvimento e a dependência e consolidar as bases de uma economia socialista a partir de três mudanças: (i) acabar com o latifúndio e a monoexportação açucareira, substituindo-a pela diversificação da produção e pela soberania alimentar; (ii) superar a condição de economia exportadora a partir da substituição de importações; (iii) implementar o planejamento econômico como principal forma de organização da economia." (p. 49)

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ANOS OITENTA

Em meados dos anos oitenta, Fidel Castro, lança o programa Rectificación de Errores (RE), devido aos acontecimentos que vinham ocorrendo na URSS, como a Perestroika e a aproximação soviética com os Estados Unidos. 

"(...) Fidel Castro publicou em 1986 o programa conhecido como Rectificación de Errores (RE), cujo objetivo era promover uma autocrítica coletiva das medidas adotadas nos últimos anos por influência da URSS e resgatar os valores morais da Revolução Cubana." (p. 64)

e

"A RE também preocupou-se em recuperar o caráter coletivo e moralizante do trabalho e, para tanto, reduziu os incentivos materiais e aumentou os incentivos morais para o trabalho, aprofundando a coletivização e estabelecendo maior controle sobre o mercado de trabalho. Esperava-se, assim, aumentar a produtividade através do fortalecimento da disciplina, da diminuição da corrupção nos centros de trabalho e da redução do excedente de mão de obra em alguns setores." (p. 65)

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PERÍODO ESPECIAL 

Aline descreve nas páginas seguintes aos anos oitenta, as consequências econômicas, políticas e sociais em Cuba após o fim da URSS no início dos anos noventa. Também aponta os problemas relativos ao tema do livro: o setor de moradias e imóveis. 

"Em suma, no que compete à moradia, a década de 1990 correspondeu à queda na quantidade construtiva de novos imóveis. No que diz respeito à economia, as transformações pelas quais Cuba passou durante o Período Especial alteraram de forma significativa a composição das suas forças produtivas. Devido à paralisação da produção sucroalcooleira pela falta de insumos, o setor primário rebaixou sua participação no produto total; em contraposição, devido ao estímulo ao setor turístico, o setor terciário incrementou seu peso na composição setorial da economia. Como consequência, houve mudanças no balanço de pagamentos, com aumento da participação das importações e das operações em moeda conversível. Houve também uma mudança nas relações de propriedade dos meios de produção, com incremento do trabalho privado após a introdução do TCP e das UBPCs e atualmente 12% do total de empregados são trabalhadores cuentapropia, que, se somados aos trabalhadores em cooperativas, totalizam 23% de empregos não estatais (ONEI, 2018)." (p. 74)

TCP é trabalho por conta própria e UBPC é Unidade Básica de Produção Cooperativa. O estudo é até 2019, período de produção dos estudos da autora. 

-

MUDANÇAS APÓS 2011

Aline descreve as mudanças na legislação que trata das moradias e demais imóveis e também as atualizações relativas ao mundo do trabalho promovidas pelo governo cubano. 

Um resumo:

"O direito de herança pode ser considerado como o último passo jurídico para reconhecimento do direito de propriedade privada da moradia e, portanto, como último passo para sua transformação em mercadoria. Quando da aprovação da diretriz 297 do documento de atualização do modelo de socialismo cubano, a moradia já possuía o status de propriedade privada. No entanto, desde então, garantiu-se o direito de herança e o seu valor de troca, completando seus requisitos enquanto mercadoria." (p. 86)

e

"Os decretos que foram publicados após 2011 também incidem em outro aspecto caro à LGV* e à Reforma Urbana: o da transformação da moradia em um espaço econômico. A Reforma Urbana havia mostrado-se contrária à utilização da moradia enquanto meio de vida, referindo-se à atividade rentista pré-revolucionária. No entanto, o trabalho cuentapropia é muitas vezes realizado no espaço doméstico: sapatarias, lojas, cafeterias, restaurantes e o aluguel de quartos para estrangeiros são exemplos destas atividades. Sendo assim, a legislação urbana precisou ser modificada para alcançar a legislação trabalhista, que já permitia o uso comercial da casa para atividades do trabalho autônomo." (p. 87)

* Ley General de las Viviendas

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PRODUÇÃO E DISTRIBUIÇÃO ATUAL DE MORADIAS 

Aline se debruça sobre todas as atualizações da legislação até o momento dos seus estudos para descrever a situação da questão da moradia.

Uma situação ficou clara para mim, leitor: com o recrudescimento do bloqueio, o foco do governo passou a ser os direitos humanos básicos, ou seja, alimentação, saúde e educação. 

"(...) Neste contexto, desde os anos 1990, outros bens e serviços públicos de maior importância para a população foram priorizados, tais como a alimentação, a saúde pública e a educação." (p. 89)

e

"O acesso aos materiais de construção é um dos principais problemas na construção de moradias em Cuba atualmente. Ele deriva da restrição à importação de produtos estrangeiros - pelo bloqueio norte-americano ou pela falta de recursos - e da baixa qualidade dos produtos nacionais." (p. 90)

A autora faz um excelente fechamento do capítulo a partir da página 99, mas cito abaixo um excerto anterior à conclusão que também resume o tema da moradia em Cuba:

"Retomando as proposições da Reforma Urbana adotada em 1960, que estabeleciam como terceira e última etapa do processo de reforma a estatização e a gratuidade completa da provisão habitacional, o cenário atual difere-se muito do cenário programado. Atualmente existem diversas vias para obter-se uma moradia, que pode ser comprada no mercado, ser construída por esforço próprio ou adquirida do Estado. Ainda assim, nestes sessenta anos desde a aplicação da Reforma Urbana manteve-se a proibição à produção comercial de moradias e apenas aqueles que possuem a intenção de construção para uso próprio podem fazê-lo. Neste ínterim, também modificaram-se as formas de intervenção estatal, pois além da construção e distribuição de novas moradias, o Estado também oferece subsídios, apoio técnico e regula o mercado de materiais de construção civil, a construção por auto-esforço e o mercado de moradias." (p. 98/99)

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Fim da primeira parte da leitura. 

Repito que o intuito deste fichamento é puramente para estudos deste leitor. 

Estive três vezes em Cuba nos últimos quatro anos e meu interesse pelo país, por seu povo e por sua história só aumenta. 

Sigamos apoiando o povo cubano e lutando por uma sociedade humana que supere a lógica destrutiva do capitalismo. 

William 

19/04/26

quinta-feira, 16 de abril de 2026

16 de abril


16 de abril


O mês das muitas significações

nas minhas veredas percorridas

vividas corridas sobrevividas.


O mês dos aniversários...

Aniversários nascimentos

das pessoas das veredas,

das instituições da minha vida.


O mês do nosso Sindicato.

O mês da Caixa de Previdência.

O mês que golpearam a Dilma.

Abril o mês dos nascimentos.


Aniversário do nosso Sindicato

para o qual dediquei minha vida.

Aniversário do fundo de pensão

que meus pares criaram e sustentam (nos)


Abril... 

16 de abril...

Estamos aqui...

Mais uma cirurgia na língua...

Sigo escrevendo, lendo, sobrevivendo.


Que venham os meses de abril...


William

Viagem a Cuba III (2026)


Museu da Revolução


Refeição cultural

O primeiro dia de nossa programação sociopolítica em Havana incluiu visitas a museus imprescindíveis para turistas que desejam conhecer a história de Cuba e de seu povo altivo e libertário, principalmente no que diz respeito às motivações para a Revolução Cubana. 


MUSEU DA REVOLUÇÃO E MEMORIAL GRANMA

A primeira visita que fizemos foi ao Museu da Revolução e às áreas ao redor do palácio principal, que inclui o Memorial Granma. 


O edifício está em reforma e não havia visitas internas, mas a Amistur conseguiu autorização para que adentrássemos ao pátio central do edifício, que já foi o Palácio Presidencial até o período de Fulgencio Batista. 


A guia do museu nos contou a história da Revolução e eventos que envolveram aquele edifício. 


Em março de 1957, estudantes do Diretório Revolucionário 13 de Março (DR-13-M) invadiram o local na tentativa de eliminar o ditador Batista e faleceram durante seu ato heroico. As marcas de balas do combate estão até hoje nas paredes do edifício. 


A emoção tomou o coração de todos quando nos vimos diante do iate Granma preservado no Memorial que reúne artefatos dos dias de lutas pela libertação do povo cubano do jugo imperialista. 


Um grupo de jovens revolucionários liderados por Fidel Castro saíram do México em 1956 em uma pequena embarcação e chegaram à ilha para levar adiante o sonho de José Martí de ver Cuba livre e independente. 


MEMORIAL DA DENÚNCIA

Outro local importante para se conhecer em Havana é o Memorial da Denúncia, inaugurado em 14 de agosto de 2017, em um belíssimo edifício que abrigava antes o Ministério do Interior. 


Nossa caravana da solidariedade a Cuba, composta por 22 pessoas, foi acolhida pela equipe responsável pelo Memorial, que nos apresentou informações relevantes sobre os ataques terroristas sofridos pelo povo cubano desde 1959, quando a população apoiou os jovens de ideais martianos que libertaram o país. 


Centenas de tentativas de assassinato do Comandante Fidel Castro, atentado a bomba em avião cubano com dezenas de mortes, a invasão da Baía dos Porcos, lançamento de pragas nas produções de alimentos na ilha, atentados a bomba em Cuba promovidos com apoio norte-americano etc. 

E depois acusam os cubanos... que só exportam solidariedade!


O turista descobre durante a visita informações que não chegam até nós pelas mídias hegemônicas como, por exemplo, o caso das 14 mil crianças cubanas levadas aos Estados Unidos, sem os pais, nos anos iniciais da Revolução, com o apoio da igreja católica local, que apoiou a ditadura de Batista.


Foi a terceira vez que visitei o Memorial e espero voltar a ele sempre que estiver em Cuba. 


CENTRO FIDEL CASTRO RUZ

Outro local de grande significado para o povo cubano e para os turistas é o Centro Fidel Castro Ruz. Ali vemos o sentido claro do ensinamento de José Martí: "Ser cultos é a única maneira de ser livres".


A emoção pelo discurso que ouvimos da jovem responsável pelo Centro Fidel Castro Ruz, ainda nas escadarias do edifício, levou alguns de nós às lágrimas. 

Fidel, em porcelana

Ela nos recebeu com alegria e explicou os desafios de sua geração para seguir com os avanços alcançados pela Revolução Cubana. 


O local oferece aos visitantes salas modernas e interativas com a história de Fidel Castro e de seus companheiros e companheiras de lutas pela libertação do país e implantação de uma sociedade sonhada por figuras históricas como José Martí, Máximo Gomes, Antonio Maceo, Mariana Grajales e demais cubanos que deram a vida pela independência de Cuba. 


O Centro Fidel Castro conta com 4 visitas guiadas por dia e tem uma página na Internet de fácil navegação para se fazer uma visita virtual. 


HISTÓRIA E CULTURA 

Nosso primeiro dia em Havana foi muito intenso, repleto de história e cultura, a caravana solidária de brasileiros e brasileiras conheceu as lutas seculares por liberdade e independência de um povo que só quer ser feliz e viver a vida sem interferência de ninguém. 


Ainda visitamos a Praça da Revolução e a Fortaleza San Carlos de la Cabañha, onde assistimos à cerimônia do "Cañonazo", mas conto depois essas aventuras.

Amigas e amigos leitores do blog, visitem Cuba! A nossa companheira Telma Araújo está organizando um novo grupo para agosto deste ano. Vale muito a pena realizar o sonho de ir a Cuba.

William 

16/04/26

terça-feira, 14 de abril de 2026

Viagem a Cuba II (2026)


Foto histórica de Fidel e o povo

Refeição cultural

"(...) una revolución en las condiciones de Cuba, frente a un país tan poderoso como Estados Unidos, sólo hubiera podido defender y sólo habría podido sobrevivir con el apoyo de la inmensa mayoría del pueblo." (Fidel, 1988)


Ao chegarmos a Havana, ao aeroporto José Martí, pela companhia aérea Copa Airlines, vindos da conexão no Panamá, é certo que muitas pessoas passaram a viver e realizar um sonho de suas vidas: conhecer Cuba.

O que somos senão seres que sonham e desejam realizações ao longo da jornada da vida? As utopias são esses desejos e sonhos que nos movem, que nos dão um norte a seguir. Havíamos chegado a Cuba, a ilha cujo povo realizou o sonho de liberdade e independência após séculos de invasão e colonização. 


Em nosso grupo de 22 pessoas solidárias a Cuba, 16 delas estavam realizando o sonho de conhecer pela primeira vez o povo de uma ilha no Caribe que ousou enfrentar dois impérios para serem pessoas livres e organizarem suas vidas da forma como quisessem. Cuba é um país de gente alegre, inteligente e soberana.

Após os trâmites comuns de aeroporto, o que incluiu a verificação de malas enormes com centenas de medicamentos, fomos recebidos pela simpática Margarita, guia da Amistur que nos acompanharia na estadia em Cuba. Nossa hospedagem seria no hotel Copacabana, e só no dia seguinte teríamos programação intensa. 

Ruas de Havana 

Nosso grupo ficaria em Cuba entre os dias 24/3 e 01/04, cumprindo uma programação em um pacote de viagem com uma agenda sociopolítica, visitaríamos locais importantes na história do país e instituições sociais relevantes na vida do povo cubano. 

Parte de nosso grupo ficaria mais alguns dias em Cuba, em casas de cubanos ou em locais alugados, pois as plataformas de aplicativos já operam no país. Eu, meus amigos e Telma Araújo ficaríamos na Casa de Isabel e Luis. Um grupo paulista de novos amigos ficaria em um Airbnb. Todos nós ficaríamos nos últimos dias próximos ao Capitólio Nacional de Cuba.

Vista do Hotel Copacabana

Após a visita a Amistur, almoçamos em um restaurante local e fomos para o hotel, onde jantamos e encerramos o dia.

Por ter estado em Cuba três vezes nos últimos quatro anos, tive a impressão clara do quanto Havana está vazia, sem a movimentação de turistas que vi das outras vezes. Os efeitos do bloqueio atual são nefastos para o governo e a economia do país, ou seja, nefastos para o povo cubano. 

Por outro lado, vi também a vida cotidiana se desenvolvendo do jeito que dá. Apesar do bloqueio criminoso, o povo está nas ruas, o comércio está funcionando, agora com micro e pequenos comerciantes. Até sorveterias, cafeterias e lanchonetes se veem nas ruas de Havana. 


Cuba é linda, o povo cubano é altivo e libertário. O mundo progressista deve apoiar a causa cubana e exigir o fim do bloqueio e da interferência norte-americana ao país caribenho. 

William

14/04/26

segunda-feira, 13 de abril de 2026

Viagem a Cuba I (2026)


Ano 67 da Revolução Cubana (2026)


Refeição cultural

"No hay dudas de que el amor a la patria, el apego a los pobres de la tierra, la fe en el mejoramiento humano y en la utilidad de la virtud, son componentes esenciales de la personalidad de Fidel aprendidos e interiorizados desde Martí." (Citação no Centro Fidel Castro Ruz)


Estive novamente em Cuba entre o final de março e o início de abril deste ano. Participei de uma caravana solidária organizada pela companheira Telma Araújo, de Belo Horizonte (MG). 

Contamos em nossa estadia com o apoio logístico do ICAP (Instituto Cubano de Amistad con los Pueblos) e da Amistur (Agência cubana de turismo). Nosso grupo era composto por 22 pessoas e correu tudo bem em nossa viagem. 

Telma Araújo é homenageada
pelo ICAP por anos de dedicação

A viagem foi antecedida por determinadas incertezas e ansiedades por causa dos acontecimentos provocados pelo governo dos Estados Unidos que, desde a posse do presidente atual - Trump -, vem rompendo uma ordem política, econômica e diplomática estabelecida no mundo desde o fim da 2ª Guerra Mundial.

A caravana solidária reunida por Telma Araújo, uma militante histórica de Cuba que organizou brigadas sul-americanas por décadas, foi se formando desde o semestre passado e, se tudo correu bem, devemos muito ao trabalho persistente e incansável da companheira brigadista e amiga de Cuba e seu povo.

O ICAP está à disposição
dos povos solidários a Cuba

As ações do governo dos Estados Unidos iniciadas assim que entramos no ano de 2026 como, por exemplo, o ataque ao país venezuelano e sequestro do presidente Nicolás Maduro e sua companheira Cilia Flores, em 3 de janeiro, mudaram drasticamente o cenário em relação à viagem para Cuba. A primeira ação de Trump foi asfixiar o povo cubano ao impedir o fornecimento de petróleo.

Depois, os Estados Unidos bombardearam o Irã e iniciaram outra guerra que alterou mais ainda o panorama político mundial. As ameaças de invadir e fazer com o governo e povo cubano o mesmo que fizeram com a Venezuela, além do bloqueio total de fornecimento de petróleo à ilha caribenha, deixaram todos os admiradores e apoiadores de Cuba apreensivos de irem ao país e o turismo está praticamente nulo neste momento.

Caravana brasileira solidária a Cuba
é recebida pela Amistur/ICAP

Fomos recebidos pelos agentes turísticos da Amistur e pelos trabalhadores em todas as estruturas turísticas com muito carinho e consideração, eles sabem o esforço que fizemos para estar em Cuba, levar medicamentos e demais itens necessários e prestarmos nossa solidariedade, além de ativar a cadeia produtiva do turismo.

Por isso, a mensagem inicial que deixo nesta primeira postagem sobre nossa viagem a Cuba em 2026 é para que vocês visitem o país e fortaleçam a luta do povo cubano para resistirem aos ataques criminosos e genocidas dos Estados Unidos.

O mundo civilizado deve exigir o fim do bloqueio estadunidense contra o povo cubano. Nossa solidariedade! Cuba livre e soberana!

William

13/04/26