Refeição Cultural
Um filme que me fez pensar na importância do Plano Nacional de Cuidados
29/10/26
Após meu envolvido militante nos últimos meses nas eleições brasileiras, período sem foco algum na vida pessoal, vi com minha companheira o filme "What They Had" (2018), no Brasil "Tudo o que tivemos", e fiquei refletindo a respeito do tema central do enredo: o Alzheimer.
No filme, Bridget (Hilary Swank) viaja com a filha Emma (Taissa Farmiga) para a casa dos pais após sua mãe ter desaparecido ao sair no meio da noite fria por estar com Alzheimer. Quem ligou para Bridget foi seu irmão Nicky (Michael Shannon), que mora na cidade dos pais e é quem lida diariamente com as consequências da doença da mãe. O pai deles, Burt (Robert Forster), é um velho turrão e não aceita colocar sua amada esposa Ruth (Blythe Danner) numa clínica especializada ou casa de idosos. Esse é o enredo do filme e a questão atual na vida de milhões de famílias mundo afora. O que fazer?
Gostei do filme. A diretora Elizabeth Chomko aborda de forma inteligente o tema do Alzheimer e as questões familiares envolvidas em casos de doenças como essa. No enredo, pudemos refletir também sobre relações entre pais e filhos e as consequências psicológicas de imposições e autoritarismos comuns nas histórias familiares. É comum as pessoas serem infelizes por seguirem escolhas de vida decididas por outros.
Enquanto assistia ao filme, refletia sobre a vida. Sobre o presente, o passado; sobre eventual futuro.
PLANO NACIONAL DE CUIDADOS COMO DIREITO DAS FAMÍLIAS
Minha companheira diz que sou uma pessoa sem medo de nada. Explico que não é bem assim. Não tenho medo de muitas coisas que amedrontam as pessoas como, por exemplo, a morte ou fantasmas. Mas tenho medos, sou humano. Um dos medos que tenho é de ser acometido por essas doenças degenerativas que nos matam o corpo enquanto estamos "vivos" ainda.
Como humanista, tenho pensado muito a respeito do sofrimento de milhões de famílias ou de pessoas solitárias que cuidam de alguém com necessidades especiais. No Brasil, são milhões de pessoas que precisam de auxílio de alguém para sobreviver diariamente, pessoas com algum grau de deficiência, doenças degenerativas, acidentados e sequelados que dependem de outra pessoa. O que fazer?
Uma parcela pequena, bem pequena, que tem recursos financeiros próprios ou cotizados em família, paga milhares de reais a um(a) cuidador(a) ou empresa especializada, enquanto a quase totalidade da população não tem alguém ou auxílio para cuidar de quem ama.
Vivemos em um mundo no qual a concentração de renda aumenta escandalosamente, a tecnologia está acabando com o trabalho humano em benefício dos poucos donos de tudo e em prejuízo de bilhões de pessoas. Além da questão imediata da necessidade de distribuir a riqueza gerada por nós humanos (A Renda Básica da Cidadania é uma alternativa, proposta por Suplicy), temos que ter cuidadores como direito garantido a todas as pessoas, um sistema público de cuidados.
O governo do presidente Lula propôs o Plano Nacional de Cuidados, já está em andamento formal, mas não vai avançar e chegar na ponta, lá nas casas das famílias, se o povo não lutar por esse direito, não cobrar e exigir dos políticos, recursos e estrutura de cuidados para apoiar milhões de pessoas que vivem o drama de cuidar sozinhas de pessoas com necessidades especiais.
William Mendes






















