segunda-feira, 26 de outubro de 2026

Lula é reeleito Presidente do Brasil

 


Opinião

O povo brasileiro venceu uma batalha épica e elegeu Lula para seu 4° mandato

26/10/26 - Segunda-feira 


O domingo 25 de outubro ficará registrado na história do Brasil como o dia no qual um líder político de esquerda e o povo brasileiro derrotaram um consórcio do mal disposto a tudo para subjugar o país aos Estados Unidos.

Fizemos história mais uma vez ao eleger Luiz Inácio Lula da Silva Presidente do Brasil para um quarto mandato. O ineditismo do fato abarca dimensões variadas da história política do país e do mundo. 

Lula venceu mais uma vez o poderio econômico do adversário ao derrotar Flávio Bolsonaro no segundo turno. Assim como ocorreu em 2022 contra o chefe do clã, é incalculável a quantidade de dinheiro envolvida na eleição de governadores, senadores e deputados dos partidos aliados ao bolsonarismo. Jair Bolsonaro quebrou o país naquela eleição. 

Além do dinheiro público desviado do orçamento brasileiro através de emendas sem destinação, orçamento secreto usado na compra de apoio, estrutura e votos que inundam estados e milhares de municípios, há indícios fortes de dinheiro de BETs, crime organizado e de grandes empresários no avanço da representação da extrema-direita nos parlamentos e executivos. 

A interferência do governo de extrema-direita dos Estados Unidos, de Donald Trump, nas eleições de todos os países das Américas é uma questão conhecida por todos. Uma das ferramentas ou armas de guerra contra os líderes de esquerda dos países sul-americanos como o Brasil, por exemplo, é o uso da manipulação da opinião pública e do comportamento das pessoas através das big techs e seus algoritmos. Tivemos que derrotar as plataformas digitais para eleger Lula. 

A nossa vitória épica e histórica ainda teve que enfrentar e derrotar a mídia corporativa venal e canalha, a parcialidade do tribunal responsável pelo processo eleitoral, e diversos governos estaduais e municipais que tentaram impedir o povo de votar em Lula nas eleições deste domingo 25, retirando frotas inteiras de transporte público. 

As três semanas do segundo turno foram marcadas pela tomada das ruas e das redes pelo povo brasileiro democrata e progressista de nosso país. A juventude tomou para si a campanha do presidente Lula e vimos um movimento inesquecível. Os jovens somaram com as demais gerações para salvar o país e o futuro.

O "Exército do Lula" nas redes sociais, com mais de 10 milhões de participantes, liderado por Janones, fez toda a diferença. E Lula, esse ser humano incrível, um fenômeno da natureza, canalizou o povo na luta contra o fascismo e a extrema-direita, e nos conduziu à virada espetacular do 1° para o 2° turno, vencendo por mais de 4 milhões de votos o bolsonarismo, depois de sair atrás perdendo por mais de 2 milhões de votos. 

Início da campanha em agosto 

Me sinto aliviado e feliz, com sentimento de dever cumprido como cidadão e ser humano. Participei ativamente da campanha eleitoral deste ano desde o início em agosto. Foram semanas de muito diálogo com o povo nas ruas e locais de trabalho e nas mais diversas formas de atividades políticas. Somei com o povo que reelegeu Lula, nossas bancadas parlamentares e demos mais chances aos direitos sociais, civis e políticos e ao meio ambiente. 

Sigamos lutando! Obrigado a todas as pessoas que nos deram um voto de confiança nessas eleições brasileiras. 

William Mendes

sexta-feira, 23 de outubro de 2026

Artigo: Culpa da esquerda a ascensão da extrema-direita?



Opinião

Estava há pouco ouvindo um intelectual que gosto em um canal na internet culpando Lula pelo risco de uma eventual vitória do miliciano concorrente nas eleições de domingo. Cheio de razão, o professor avaliou que se fosse Tarcísio o concorrente, já era, pois o 3º mandato de Lula seria o responsável por uma derrota para a extrema-direita.

Eu discordo da avaliação do intelectual. Aliás, sendo intelectual ou não, discordo de posições parecidas ao culpar Lula ou a esquerda de qualquer país da América Latina por derrotas para vassalos ou "postes" eleitos contra líderes de esquerda com histórias de lutas pelos direitos dos povos e mais necessitados em seus países. Algumas pessoas sempre apresentam respostas fáceis e culpam os outros pelas coisas.

Quando Lula venceu aquela batalha eleitoral de 2022, contra tudo e todos, uma batalha desigual e quase impossível contra o então presidente Jair Messias Bolsonaro, com uma margem mínima de votos, eu disse que só um ser humano no mundo venceria aquela eleição contra a máquina eleitoral para reeleger o sujeito que estava no poder: Lula!

Reafirmo o que disse sobre as eleições de 2022 e afirmo agora em 2026 que só Lula pode vencer no domingo a eleição contra o consórcio internacional para tomar o poder em todos os países das Américas e Caribe, consórcio liderado pela maior potência armamentista do planeta, os Estados Unidos, hoje governado pelo líder da extrema-direita mundial. 

As armas utilizadas nas batalhas eleitorais não são as tradicionais, as bombas, são as armas das guerras atuais, as máquinas que manipulam o comportamento do conjunto das populações, entre elas, as big techs e seus algoritmos, transformando individualmente milhões de pessoas que antes conhecíamos e agora são outras pessoas.

No início do 3º governo Lula, naquela condição heroica na qual vencemos e do jeito que pegamos o país destruído pela trágica gestão dos bolsonaros, eu já afirmava para pessoas que conheço e em alguns textos que escrevia, que seria muito difícil a nossa vida nos quatro anos de mandato do PT, porque mesmo que o presidente melhorasse todas as áreas ligadas à vida do povo brasileiro, mesmo que em algumas áreas o Lula entregasse resultados de países europeus, a sensação que o povo teria no ano da disputa eleitoral seria que a vida no Brasil seria tão ruim quanto no Haiti. Quem domina a agenda e a pauta da vida das pessoas, determina o que as pessoas pensam e sentem. Victor Klemperer entendeu isso estudando a Linguagem do Terceiro Reich.

Falei isso e tenho claro como funcionam os mecanismos que fazem as pessoas terem esse sentimento. O papel das ferramentas de manipulação de massas nunca teve a dimensão que se atingiu neste momento da história da sociedade humana. Nunca! Em um século, do nazifascismo e sistemas autoritários, saímos da imprensa comum impressa, de rádios e televisões, para máquinas que moldam a mente de pessoas individualmente desde pequenas até as pessoas adultas. As desinformações e vírus informacionais transformam pessoas em zumbis digitais e isso altera a realidade por alterar a forma como as pessoas veem a realidade.

É uma discussão para outra hora. Eu tenho claro que o desafio do nosso campo político, o campo das esquerdas e dos humanistas, tem um desafio de salvar a espécie humana, e também a democracia no sentido de preservar a liberdade das maiorias humanas e o interesse do conjunto das pessoas ao invés de prevalecer a vontade de meia dúzia de fdp que manipulam multidões através de suas máquinas e exércitos de força repressiva e burocrática.

É claro que reconheço e concordo que os democratas e as esquerdas podem fazer muito mais em seus países, que é necessário pensar novas formas de governar as sociedades humanas incluindo as opiniões das massas e criando novos direitos etc, mas acho um equívoco arrogante que não ajuda em nada dizer que a culpa das derrotas das esquerdas e suas lideranças em todos os lugares seria por causa exclusiva delas. Acho isso uma simplificação ridícula, para dizer o mínimo. 

Ou seja, os "postes" eleitos contra as esquerdas nas últimas eleições em países como Bolívia, Equador, Peru, Argentina, Chile, Colômbia etc seria por culpa das esquerdas de lá... Os "desconhecidos" eleitos do nada em eleições nos estados brasileiros seria culpa dos incompetentes do campo da esquerda e democrático... Eventual derrota do presidente Lula para o miliciano, derrota para Trump, CIA, big techs, parcialidade do tribunal eleitoral, mentiras das mídias golpistas, compra de votos com dinheiro do orçamento secreto etc seria por culpa do Lula, seria porque seu governo foi ruim... Tá! Fácil avaliação, né? 

Vamos vencer as eleições no domingo, 25. Lula será reeleito presidente do Brasil pela quarta vez. COM A FORÇA DO POVO! Vamos derrotar esse consórcio do crime e a canalha toda. Depois a gente reflete sobre essas questões que apontei aqui no artigo.

William Mendes

quinta-feira, 22 de outubro de 2026

Invejinha (rsrs)...



INVEJINHA (rsrs)...

Confesso uma invejinha de amigos e familiares de pessoas de direita que tiveram a decência de declarar voto em Lula diante do momento histórico e do risco iminente de um miliciano fascista assumir a presidência da república por voto, já tendo maioria no Congresso, e com poder de alterar a Suprema Corte.

Não tive essa sorte.

Conheço amigo de infância, primos, tios e conhecidos no condomínio onde moro há 27 anos que vão votar no candidato do ódio, da corrupção e da destruição do Brasil e dos brasileiros.

Se algum deles ler essa declaração minha, peço um gesto de empatia com o Brasil e o povo, com a natureza, e votem nulo ou se abstenham no domingo. 

Ouçam o clamor das ruas, uma mobilização histórica do povo brasileiro lutando pela vida e pelo país.

William Mendes

22/10/26

segunda-feira, 19 de outubro de 2026

Diário e reflexões



Refeição Cultural

Segunda, 19 de outubro de 2026.


O BRASIL É O FRONT DE UMA GUERRA ENTRE O BEM E O MAL

Como em qualquer guerra, alguns momentos são decisivos para a definição do resultado da batalha que está sendo travada. Este é um daqueles momentos que decidirão a história do Brasil e do povo brasileiro, decidirão a nossa vida: a semana que antecede a escolha do presidente do Brasil no domingo 25/10/26.

O povo brasileiro que tem consciência do que está em jogo tomou para si a campanha e ocupou as ruas e as redes virtuais das big techs desde o início do segundo turno, quando o inimigo saiu à frente no resultado do primeiro turno em 04/10/26.

Nossos inimigos são poderosos, têm muitas armas para tomar o Brasil e o nosso futuro. São poderosos, sim. O candidato que concorre com o presidente Lula tem o apoio logístico da maior potência militar do planeta, que vem tomando os países sul-americanos de assalto com governos vassalos colocados no poder com o apoio da máquina de guerra deles.

O candidato que concorre com Lula e conosco é bancado pelas milícias, pelos endinheirados, pelos pastores-sofistas de empresas disfarçadas de igrejas. Essa gente já está presente dentro das instituições da sociedade brasileira, e já domina os legislativos e executivos da maior parte das comunidades do país. Só falta ao inimigo conquistar a presidência da república do Brasil.

Estudo faz tempo o poder das máquinas de manipulação de massas existentes no momento atual da sociedade humana. As big techs têm um poder jamais acumulado pela espécie humana na mão de tão poucas pessoas, de tão poucos animais em relação a toda a diversidade de humanos existentes no mundo e em relação à diversidade biológica do planeta. Os donos das big techs, aliados aos senhores das armas, podem escravizar a humanidade toda ou eliminá-la.

Enfim, o Brasil é o campo de batalha dessa guerra de conquista do império norte-americano, governando por um governo pior que o da Alemanha nos anos trinta e quarenta do "Breve século 20", o século das guerras mundiais e das guerras promovidas pelos Estados Unidos da América.

Ao analisar com a razão de um homo sapiens, é inexplicável a chance real de um sujeito como o candidato opositor a Lula vencer uma eleição. Eu tenho clareza das ferramentas que permitem que isso aconteça em países como o nosso. As pessoas estão sendo capturadas e tendo seus comportamentos alterados rapidamente num curto espaço de tempo, coisa de dez a quinze anos.

A nossa vida e a vida do planeta está em risco. Nossa batalha no Brasil é um cenário de uma guerra global. Se eles vencerem, nós perderemos muito, a humanidade e o planeta perdem.

Votem Lula 13 e conversem com as pessoas sobre o risco de destruição de tudo a partir do ano que vem se nosso inimigo vencer com todas essas armas que estão usando contra nós.

William Mendes

sábado, 17 de outubro de 2026

Lendo a biografia de Santos Dumont (9)



Refeição Cultural

"Todo o Brasil estava em delírio, orgulhoso do seu filho. Santos Dumont era o primeiro a dar fama internacional à sua pátria, uma fama sólida, indestrutível. Sim, ele fora a Paris com o objetivo de ensinar aos homens o roteiro das estrelas! Só em 1907, um outro grande brasileiro, Rui Barbosa, iria alcançar o mesmo triunfo, quando chefiou a nossa delegação à segunda Conferência da Paz, em Haia, na holanda meridional, onde se reuniram quarenta e oito nações." (As lutas, a glória e o martírio de Santos Dumont, Fernando Jorge)


17/10/26

Aos poucos, vou lendo a biografia de Alberto Santos Dumont, o inventor brasileiro que voou em um avião pela primeira vez no mundo.

Li o capítulo 6, "Ensinando aos homens o roteiro das estrelas", do livro As lutas, a glória e o martírio de Santos Dumont (1973), de Fernando Jorge. Meu pai tem a edição original em casa, ele leu o livro à época. Estou lendo uma versão digital. 

Enquanto leio esse livro em homenagem ao meu pai que o leu no passado, uma história da ciência e da participação de um brasileiro na história da evolução tecnológica humana, estamos a poucos dias das eleições presidenciais mais importantes da história do Brasil: Lula ou Bolsonaro?

Neste momento, as pesquisas apontam que a metade dos brasileiros está propensa a votar no candidato do clã Bolsonaro, que acabará com a ciência e a educação do país, destruirá o meio ambiente, entregará o país como colônia aos Estados Unidos. Não é porque a metade dos brasileiros seja má e canalha. É porque as formas de manipulação são imensas e desleais.

Nós, a metade que defende a democracia e a civilização e que defende a ciência e a educação, a metade que teve mais oportunidades e é menos manipulável, estamos na luta para eleger Lula e seguirmos avançando nos direitos do povo de forma soberana. 

Santos Dumont, nosso brasileiro inventor, alguém do lado da ciência, também tinha um olhar para o povo, como nós temos. 

Neste capítulo, li que Alberto, ao ganhar o Prêmio Deutsch, por contornar com seu dirigível N° 6 a Torre Eiffel, no dia 19 de outubro de 1901, um percurso de onze quilômetros em 30 minutos, "destinou cinquenta mil aos operários e mecânicos que o ajudaram, e o restante da quantia, a três mil novecentos e cinquenta pobres de Paris" (idem).

O capítulo descreveu de forma sucinta séculos de tentativas e erros fatais de pessoas que tentaram voar e sentir o que os pássaros sentem ao cruzarem os céus do mundo. 

COMENTÁRIO FINAL 

Estou esperançoso neste momento, em relação à vitória da civilização contra a barbárie, nas eleições brasileiras daqui a oito dias. A juventude, ameaçada em seu futuro, está tomando pra si a campanha de Lula e ocupando as ruas e as redes sociais. Está somando conosco, que já estávamos em campanha nas ruas desde agosto.

O inimigo é um monstro, um leviatã, um consórcio do mal decidido a tomar o Brasil. O império criminoso do norte tem muitos aliados (vassalos) no Brasil para entregar o país ao estrangeiro. A batalha é desigual. Mas o nosso lado não é de mercenários, nosso lado tem espírito de pertencimento à causa e coração valente. Claramente, nossos soldados são melhores que a canalha deles.

Venceremos!

William Mendes

terça-feira, 13 de outubro de 2026

Lendo sobre a retórica do ódio (1)



Refeição Cultural

"Eis a hipótese de meu trabalho: a guerra cultural bolsonarista, que se beneficia de uma técnica discursiva, a retórica do ódio, ensinada nas últimas décadas por Olavo de Carvalho, conduzirá o país ao caos social, à paralisia da administração pública e ao déficit cognitivo definidor do analfabetismo ideológico, outro conceito novo que apresento, e com o qual descrevo a negação da realidade e o desprezo pela ciência que estruturam o bolsonarismo." (CASTRO ROCHA, p. 23)


O professor João Cezar de Castro Rocha é um intelectual de mão cheia, um pesquisador que vem dedicando sua vida aos estudos dos grandes autores da literatura universal como, por exemplo, Machado de Assis e William Shakespeare, e também se dedica às causas populares, qualidade excepcional em um intelectual.

Ao se dedicar ao estudo da linguagem utilizada pela extrema-direita e as técnicas de manipulação de massas e colocar à nossa disposição os resultados de suas pesquisas, Castro Rocha presta um grande serviço de utilidade pública, é uma contribuição fundamental para entendermos e combatermos a destruição do mundo e das sociedades humanas por essa gente extremista de direita.

Victor Klemperer, filólogo alemão, estudou a Linguagem do Terceiro Reich (LTI), durante os doze anos do nazismo na Alemanha (1933-1945) e nos legou o livro com seus conhecimentos sobre as técnicas de manipulação de massas que levou o mundo à 2ª Guerra Mundial. Ler comentário sobre o livro aqui.

O professor Joao Cezar nos explica como se dá a "instrumentalização do ressentimento", uma das bases da técnica da retórica do ódio, e propõe uma "ética do diálogo" para enfrentar essa manipulação dos afetos das pessoas.

O desafio é grande, pois o bolsonarismo e outros grupos extremistas atuam com desinformação em massa com o objetivo de criar um caos cognitivo nas pessoas, é como uma lavagem cerebral mesmo, aquele desejo antigo dos donos do poder de dominar a mente das pessoas.

O autor nos fala de um "caráter agônico" no processo da retórica do ódio que vem com um impulso de eliminar o adversário. É algo pesado o que estamos enfrentando na disputa de hegemonia das ideias no mundo.

Me chamaram a atenção muitas informações trabalhadas pelo professor João Cezar na "Apresentação", "Introdução" e no "Capítulo um' do livro Guerra Cultural e Retórica do ódio - Crônica de um Brasil pós-político (2021). 

Uma delas foi o tamanho da influência de Olavo de Carvalho no processo de organização de uma direita brasileira dispersa e ou escondida desde o fim da ditadura de maneira formal, após 1985. 

Outra informação: 

"(...) Por fim, no Brasil, uma fissura geracional, nem sempre observada com atenção, originou um fenômeno novo: a emergência de uma expressiva juventude de direita, ágil no uso das redes sociais e hábil nas disputas das ruas - território tradicionalmente ocupado pela esquerda." (p. 27)

O primeiro capítulo é impressionante: "A ascensão da direita e o sistema de crenças Olavo de Carvalho". Vejam, é um "sistema" que organiza as crenças dessa multidão de gente aculturada na desinformação e na crença de coisas as mais estapafúrdias possíveis.

O objetivo de estudo do autor é um desafio à sanidade de qualquer pessoa. Ele leu a obra de Olavo de Carvalho, publicada em livros e redes digitais desde os anos noventa. Imaginem isso!

"Meu propósito é modesto, quase um sintoma das monomanias diagnosticadas pelo Dr. Simão Bacamarte, personagem de O alienista, de Machado de Assis. Almejo caracterizar a mentalidade bolsonarista por meio da guerra cultural, isto é, estudarei o resgate da Doutrina de Segurança Nacional, o alinhamento cego à matriz narrativa conspiratória do Orvil, a adesão náufraga ao sistema de crenças Olavo de Carvalho e, por fim, a crítica ruidosa a uma imaginária 'ideologia de gênero' como passaporte para a conquista do eleitorado evangélico e conservador." (p. 37/38)

Oposição aos governos

Antes das eleições do Partido dos Trabalhadores, as ruas eram lugar tradicional das oposições de esquerda aos governos. Após 14 anos no poder, segundo o autor, um novo fenômeno passou a ocorrer, a oposição ao governo passou a ser de direita e ocupar as ruas.

Aí entra o sistema de crenças de Olavo de Carvalho, que já existia desde os anos oitenta. Foi a direita organizada que possibilitou o Bolsonaro e não o inverso.

"(...) O bolsonarismo não possibilitou o triunfo eleitoral da direita, mas, pelo contrário, a ascensão paulatina da direita, articulada desde meados da década de 1980, preparou a vitória do Messias Bolsonaro." (p. 38)

Olavismo: solução violenta dos conflitos

"O resultado dessa técnica, transmitida por Olavo de Carvalho para dezenas, talvez centenas de milhares de pessoas, sobretudo jovens, por meio de cursos online ou simplesmente pelo consumo de uma miríade de vídeos disponíveis na Internet, é o ensurdecimento deliberado em relação a tudo o que não espelhe as próprias convicções, em geral radicais e, por isso mesmo, favoráveis à resolução violenta de conflitos." (p. 44)

Lavagem cerebral

"Eis o conceito-chave, obsessivo mesmo, de toda a obra inteira de Olavo de Carvalho: lavagem cerebral; noção à qual retornarei, e, como sempre, recorrendo às palavras do autor. E, ponto decisivo, em larga escala, vale dizer, um esforço deliberado de manipulação mental coletiva - nada menos do que isso." (p. 94)

COMENTÁRIO FINAL

Leitura muito instrutiva o livro do professor João Cezar, suas pesquisas nos dão subsídios para compreender melhor o fenômeno político e social, diria sociológico, pelo qual passamos nesta quadra da história do Brasil e do mundo.

Sigamos na leitura e na luta para evitar que o bolsonarismo volte ao poder executivo do Brasil, pois talvez não consigamos sair dessa tragédia se o filho do Messias das milícias do Rio chegar ao poder nas eleições dos próximos dias.

É Lula Presidente para defendermos a soberania do Brasil e os direitos do povo brasileiro.

William Mendes

segunda-feira, 12 de outubro de 2026

Livro: Capão Pecado - FERRÉZ



Refeição Cultural

LITERATURA BRASILEIRA

"Entregou o dinheiro para sua mãe, correu para o tanque e lavou o rosto como uma forma de desabafo, como se estivesse se lavando dos olhares daquelas pessoas hipócritas. Foi para seu espaço naquela pequena casa, pegou um livrinho de bolso de faroeste e começou a ler..." (FERRÉZ, Capão Pecado, p. 36)


E aí, tão escapando?

Essa é a tradicional forma de cumprimento do FERRÉZ quando começa um de seus vídeos nas redes sociais. Sou um admirador do cara há muito tempo. 

Ao ler seu livro Capão Pecado (2000), entendemos porque FERRÉZ nos cumprimenta daquela forma. Ele escapou!

O romance de estreia do escritor nascido no Valo Velho, Zona Sul de São Paulo, me fez voltar aos meus tempos de adolescência no Marta Helena (MG) e no Rio Pequeno (SP). 

Avalio que fui um dos moleques e adolescentes que escapou e chegou à fase adulta da vida. Os acasos me trouxeram até aqui. Um homem de sorte.

A VIDA DURA DE CRIANÇAS E ADOLESCENTES

Aquela passagem que citei na abertura, me lembrou o ódio que eu sentia, e a humilhação, quando eu apertava as campainhas das casonas do Umuarama, em Uberlândia, e aquela gente metida a besta me negava lavar seus carros por uns trocados. Às vezes, abusavam no tratamento descortês. 

O ALCOOLISMO NAS FAMÍLIAS

"Rael decidiu parar de pensar nisso e foi tomar café. Quase pisou em seu pai, que estava caído na cozinha, todo sujo de lama e babando; sua cabeça estava perto do fogão e seus pés embaixo do armário. Rael ignorou a imagem, estava acostumado com ela, desistiu do café e em poucos minutos se deitou e dormiu." (p. 55)

Cara, como é duro ver pessoas boas e queridas se perderem nas bebidas alcoólicas! Já vi muito isso na minha vida.

ESCAPEI

Quando olho pra trás, vejo que escapei. Quando olho ao meu redor, vejo uma multidão de gente querendo escapar e muitas pessoas só precisariam de oportunidades para superarem todas as dificuldades colocadas pela vida e pela sociedade injusta e perversa na qual nascemos: o Brasil. 

Primeira capa do livro

A história de Rael e de sua família e amigos é a história de milhões de nós, brasileiros. 

Ao conhecer um pouquinho mais o FERRÉZ e sua trajetória de vida, a gente tem mais motivos para acreditar na vida, no povo, na educação, na leitura, na arte, na cultura. Nas pessoas das comunidades carentes.

Fico feliz de finalmente ler o primeiro livro dessa grande figura humana, que já admirava antes da leitura de Capão Pecado. Será um prazer ler seus outros livros. 

Ainda estou reflexivo pela leitura. O cenário e os personagens do romance estão entre nós, neste exato momento da história do Brasil. 

Belo presente ganhei de minha companheira nestes dias de lutas pela manutenção da democracia e dos direitos sociais e oportunidades para Rael e seus amigos, elegendo Lula presidente. 

William 

12/10/26

domingo, 11 de outubro de 2026

Diário e reflexões



São Paulo, 11 de outubro de 2026. Domingo. 

Opinião 

VAMOS ELEGER LULA PRESIDENTE E SALVAR A DEMOCRACIA E OS DIREITOS DO POVO!

Depois de uma semana fazendo campanha para reeleger o presidente Lula e salvar o Brasil do fascismo, acordei neste domingo na expectativa de vivenciar um grande ato na Avenida Paulista. Foi um dia histórico!

O inimigo da extrema-direita é foda, joga sujo e na trairagem como todo fascista faz. O transporte público paulista tirou o dia para tentar impedir multidões de trabalhadores de saírem dos mais diversos bairros e cidades vizinhas e se locomoverem até a Avenida Paulista. 


Os desgraçados maltrataram o povo! Inventaram manutenção em linhas de trem, reduziram a circulação de metrôs e de ônibus e ferraram com a população que só queria exercer o seu direito de ir e vir na maior metrópole do país. Fica o alerta para o que pode acontecer de novo no dia da votação. Fascistas de merda, NÃO passarão!

Poucas vezes vi tanta alegria e espírito de pertencimento a uma causa que é de todos: derrotar o candidato do fascismo e da extrema-direita nas eleições de 25 de outubro. De longe, era possível ouvir o coro cantado um uníssono dentro dos vagões de trem, metrô, corredores e escadarias das estações e nos ônibus ao ir de manhã e voltar no fim da tarde: "Ole ole ole olá, Lula, Lula!"


A participação da juventude foi a emoção maior! O coração deste velho militante que vos fala se encheu de alegria e esperança! Minha convicção se transformou em certeza: vamos eleger Lula presidente, contra tudo que é sacanagem sendo feita contra nós, e vamos derrotar todos esses fdp extremistas apoiadores de milícia, traidores da pátria e inimigos dos direitos do povo brasileiro. NÃO passarão!


Vamos vencer essa batalha contra inimigos poderosos e canalhas. Vamos ocupar as ruas e redes sociais até o dia da votação e vitória do presidente Lula e do povo brasileiro! Cada uma e cada um de nós pode contribuir com essa causa justa e existencial. Vamos juntos derrotar o bolsonarismo e seus asseclas.

Amanhã tem mais campanha! Bora lá! Todos e todas contra o autoritarismo e em defesa do povo brasileiro! Vamos ocupar as ruas nessas duas semanas até a eleição de Lula presidente!

William Mendes

terça-feira, 6 de outubro de 2026

Vamos reeleger o presidente Lula!



Refeição Cultural

Eu amo o nosso país. Compreendo os sentimentos de raiva, tristeza e decepção de meus companheiros e companheiras de lutas, em relação ao povo brasileiro, por termos uma eleição com resultados tão chocantes ao escolher representantes eleitos da pior espécie de ser humano. É difícil lidar com isso!

O povo brasileiro é um povo composto por pessoas maravilhosas, por gente simples, trabalhadora, alegre e criativa. Sempre achei o Brasil e o povo brasileiro o melhor do mundo. Eu não tenho sentimento ruim algum em relação aos brasileiros. Já tive. Não tenho mais. 

As pessoas, as maiorias, foram capturadas pela retórica do ódio, uma técnica fascista. O poder de manipulação de massas existente neste momento da história humana é inédito. Estudo um pouco isso faz tempo. As big techs, as "IAs" e os algoritmos são instrumentos com capacidade de destruição da humanidade. 

No entanto, quando estou diante de grandes seres humanos, meu coração se acalma, me sinto melhor, me lembro que sou humanista porque entendi após uma longa caminhada o quão fantástica é a nossa espécie animal, somos um universo de possibilidades desde que nascemos. Somos humanos!


Enfim, voltei há pouco da plenária do Partido dos Trabalhadores no Sindicato dos Químicos, aqui em São Paulo, e fiquei feliz com a energia positiva e otimista da militância e de nossas lideranças partidárias.

Estamos do lado certo, ao lado do povo brasileiro e da soberania do país, na luta pela manutenção da democracia e dos direitos da classe trabalhadora. 

Vamos vencer as eleições dia 25 de outubro e Lula será presidente pela quarta vez. É o melhor para o Brasil, o presente e o futuro. É fundamental para o mundo a eleição brasileira. 

Venha conosco nesta caminhada para eleger Lula e darmos uma chance ao Brasil e aos brasileiros. 

William Mendes

06/10/26

sexta-feira, 2 de outubro de 2026

Lendo a biografia de Santos Dumont (8)



Refeição Cultural

"- A vida me enfara. Só sinto que vivo realmente quando estou voando. Perigo? Sinto-me bem com ele. Viver sem perigo não é viver." (As lutas, a glória e o martírio de Santos Dumont. Fernando Jorge)


O capítulo que li - A "violenta alegria" de dirigir um balão a movimento rápido - aborda os insucessos e realizações do Dirigível n° 6 de Alberto Santos Dumont. 

O capítulo começa com uma questão de política: estoura a Revolta da Armada com o objetivo de derrubar o governo do marechal Floriano Peixoto e um apoiador governista, Augusto Severo, sugere o uso de balões dirigíveis como armas de guerra. Isso não deu certo.

Severo, que era parlamentar, e acompanhava as notícias sobre as experiências de Santos Dumont em Paris, propôs um projeto de 100 contos de réis de apoio financeiro brasileiro ao inventor.


O Dirigível n°5 havia explodido e mais uma vez, o inventor brasileiro quase perde a vida. 

"Aqui é preciso empregar um lugar-comum: Alberto escapou por milagre. Ficara suspenso na barquinha de vime e apesar de tudo a quilha não se rompeu, aguentou o seu peso, o motor e o da maquinaria." (idem)

Santos Dumont queria vencer o Prêmio Deutsch, que tinha regras muito detalhadas para que alguém desse uma volta com dirigível à Torre Eiffel, com tempo de 30 minutos em determinado percurso. 

O biógrafo Fernando Jorge diz que o lema do inventor brasileiro era:

"As dificuldades nasceram para serem vencidas e não para nos vencerem."

A comissão organizadora do prêmio modificou os regulamentos, dificultando o atingimento do objetivo inicialmente definido.

Para resumir, Dumont realizou a façanha com o Dirigível n° 6 e não ganhou o prêmio por uma questão de 40 segundos.

COMENTÁRIO FINAL 

A história de Santos Dumont e da invenção dos aviões é incrível! O ser humano é uma espécie animal extraordinária!

A ciência é uma das maiores façanhas humanas. E para fazer ciência é necessário foco na educação. Sem educação somos animais quaisquer. 

Por isso é tão importante a participação e tomada de posição nas eleições brasileiras do próximo domingo, 4 de outubro. 

De um lado, está o presidente Lula e a civilidade, a democracia, o apoio à educação, cultura e direitos básicos para a população do país chamado Brasil. 

Do outro lado, Flávio Bolsonaro e o fascismo, o ódio, a milícia e o crime organizado, a entrega da soberania do país aos Estados Unidos. O fim dos direitos humanos, civis, políticos e sociais. 

Tenho orgulho de estar cumprindo meu dever cívico e cidadão de estar engajado na campanha eleitoral do lado certo dessa guerra existencial, ao lado do time do presidente Lula. 

William Mendes 

02/10/26

quarta-feira, 30 de setembro de 2026

Diário e reflexões



Refeição Cultural

Quarta-feira, 30 de setembro de 2026.


Pela manhã, li um pouco a biografia de Alberto Santos Dumont. Estou lendo o livro em homenagem ao meu pai, que o leu nos anos setenta quando foi lançado por Fernando Jorge. 

Trabalhei um pouco na sistematização de meu blog, estou revendo, diagramando e encadernando o ano de 2009. São 348 postagens e já finalizei dois cadernos. Já defini mais de uma centena de textos relevantes. 

Ao manusear o material de cultura, fico impressionado comigo mesmo. Eu já tinha uma agenda de representação sindical que me consumia física e mentalmente. Ainda assim, pegava parte importante de minhas horas livres, para escrever e compartilhar o pouco que sabia sobre as coisas. 

Avalio que esta parte de minha vida, escrever nos últimos vinte anos em páginas disponíveis para qualquer pessoa no mundo tudo o que aprendi na caminhada da existência foi algo digno do que acredito: que a educação e o conhecimento podem mudar as pessoas para que elas mudem o mundo. 

Sei que meus 6.300 textos são usados hoje pelas big techs para treinarem as IAs, são roubados sem citar quem os produziu. Entretanto, qualquer pessoa ainda pode ler todos eles indo na página. Basta querer. Eu escrevi para os seres humanos. Tenho consciência disso. É algo bom que fiz na vida.

Assim como tenho consciência de que tentar contribuir para a eleição do presidente Lula e de pessoas progressistas nestas eleições, conversando com conhecidos e com pessoas nas ruas é uma pequena contribuição ao meu país, que amo, e ao futuro das pessoas e do mundo. O outro lado é o mal em todas as suas possibilidades. 

É isso. Sigamos vivendo a vida e procurando fazer as coisas certas. 

William 

segunda-feira, 28 de setembro de 2026

Instantes (11h45)



Refeição Cultural

Semana decisiva para o Brasil e para o povo brasileiro. Tenho que encontrar equilíbrio interior a partir da experiência que acumulei até aqui. Sei que posso alguma coisa, mas não posso tudo. 

Não saí no fim de semana para fazer campanha. Tentei reequilibrar minha energia vital. Li literatura. Sorvi cultura, ciência e arte. Pratiquei atividade física e descansei.

Terminei a impressão de mais um caderno de textos do meu blog de cultura, são quase trezentas páginas do ano de 2009. É o segundo volume daquele ano e falta um terceiro para terminar a sistematização. Percebem o quanto já escrevi nesta vida?

Li o livro de Sandro Sedrez, Ecos Disformes, e escrevi a respeito. Estou lendo a autobiografia de Bruce Springsteen e enquanto leio, ouço os álbuns que o cantor comentou no livro. Muito bom! Já estou no terceiro álbum da carreira dele e de suas bandas. 

E me dediquei um pouco a ler Machado de Assis. Contos clássicos. Alguns, li e reli até ter uma leitura satisfatória como, por exemplo, "O segredo do Bonzo". Estou relendo contos de seu melhor livro de contos, Papéis Avulsos (1882). Os doze textos são excepcionais!

No domingo, ao passar por uma seção de livros de 15 reais no shopping ao lado de casa, vi tanto livro ruim, que deu até desgosto. No fim da busca por algo relevante, dei de cara com um livro do primatólogo Frans de Waal, que faleceu recentemente, em 2024. Li dele A era da empatia (2009). Comprei por 15 reais o livro O último abraço da matriarca (2019). Na Amazon está 94 reais. Valeu o olhar atento às bancas de livros-tranqueiras, do tipo Augusto Cury, que tinha aos montes.

Vou fazer campanha eleitoral para o time do Lula, o lado certo da história do Brasil, e buscar ganhar votos olho no olho nas ruas da grande São Paulo. Na semana passada saí quase todos os dias. Já tenho alguns dias e locais definidos. 

Amigas e amigos leitores, peçam votos aos seus conhecidos para o time do presidente Lula, porque esta eleição é uma disputa existencial. Se o time do Trump e Bolsonaro ganhar, o Brasil já era! A gente já era!

Sigamos vivendo, aprendendo e lutando por um mundo mais justo e solidário. 

William 

28/09/26

sábado, 26 de setembro de 2026

Livro: Ecos Disformes - Sandro Sedrez dos Reis



Refeição Cultural

"Ubi omnia incipiunt et omnia finiuntur" (Sandro Sedrez, Interferência, p. 61)


Ao final da história de Letícia, personagem principal de "Sortista", coloquei para tocar a música de Peter Gabriel "Mercy Street" e me deixei levar pela balada...

Eu já havia me arrepiado com o desfecho da história, com as palavras finais de Letícia para Dona Lucinda, e ao ouvir a música de Peter Gabriel, uma das prediletas da personagem, viajei no tempo e me emocionei.

O amigo escritor Sandro Sedrez é um ficcionista de mão cheia. Não é a primeira vez que me emociono e viajo em suas histórias. Sua literatura me faz um bem danado! Ler os contos, novelas e romances dele dá prazer aos leitores. Literatura também é isso: prazer!

Neste livro, Ecos disformes, as duas narrativas se enveredam por caminhos místicos, e os leitores viverão experiências bem interessantes, independente de suas visões de mundo, pois os textos são bem construídos, as personagens são pessoas como as pessoas ao nosso redor. As histórias poderiam ser contadas por amigos e conhecidos.


Neste livro, o autor me fez viajar no tempo enquanto lia, voltei ao tempo em que também era outro (um doppelganger?), tempo no qual era místico, e cria em diversas possibilidades e interpretações da vida e do mundo.

Na primeira narrativa, "Interferência", Sandro me levou à Gruta do Carimbado, em São Tomé das Letras. Viajei ao tempo no qual minhas veredas me levaram à cidade mística das Minas Gerais. Foi um tempo no qual procurava motivos, sentidos e respostas.

E depois, acompanhei a história da Madame Lê, e me lembrei dos tempos da Numerologia, I Ching, OVNIs, dos estudos da Gnose, das crenças diversas pelas quais fui aculturado, no sincretismo religioso do povo brasileiro, tão nosso nas décadas passadas.

Sandro Sedrez escreve muito bem, tem uma linguagem refinada e não economiza na hora de escrever para nós. Burila cada frase, cada ideia, para entregar ao leitor o sentido exato do que nos conta, do que a personagem faz ou sente.

Terminei a leitura ainda viajando nas ondas sonoras de Peter Gabriel, pensando na misericórdia das ruas, nas ruas desse mundo, nas histórias de vidas... histórias da vida...

Ao fim e ao cabo, onde tudo começa e onde tudo termina, como diz a citação latina que abre a resenha? Em histórias...

E damos graças aos que nos contam as histórias com algum sentido, sejam elas reais, sejam elas ficcionais, ambas mesclam vivências, escrevivências... como diz nossa querida Conceição Evaristo.

Sigamos lendo e nos fazendo humanos.

William

26/09/26

sexta-feira, 25 de setembro de 2026

Livro: 50 contos de Machado de Assis - John Gledson



Refeição Cultural

Finalizei a leitura de mais um livro que comecei a ler anos atrás. Neste caso, dez anos antes. 

A seleção de contos machadianos feita por John Gledson é um trabalho de ourivesaria do professor e estudioso inglês. 

A introdução do livro nos apresenta a joia das terras raras do Brasil: Machado de Assis. O escritor é uma de nossas preciosidades.

Sou um grande admirador de Machado de Assis. A primeira postagem deste blog é seu conto (ou novela) "O alienista", que faz parte do melhor livro de contos do escritor, Papéis Avulsos (1882). 

Muitos contos contidos na seleção feita por John Gledson eu já conhecia e já havia lido várias vezes. Outros, não. 

A cada releitura e a cada novidade, maior a certeza da genialidade de nossa joia das terras raras, Machado de Assis. O escritor é um de meus remédios d'alma na estante da farmácia da vida de um leitor. 

Gledson aponta uma característica do escritor que sempre percebi, uma visão pessimista ou desiludida da humanidade, ou daquela sociedade na qual nasceu e vivia.

"(...) todavia nada parece estar fora dos limites para o escritor. Junto com sua percepção social desenvolve-se uma visão inteiramente desiludida da moralidade humana - o egoísmo e a vaidade dominam - e até uma consciência (oculta pela ironia por razões óbvias) da importância e do poder do sexo." (p. 12)

Ironia e sarcasmo são as ferramentas que Machado irá usar em seus textos a partir da década de 1880, já aos quarenta anos de idade. Veremos uma explosão de contos e romances com críticas ácidas e espetaculares dali adiante. 

Nos anos de 1870, ele experimentou estilos e formas de escrever. Se fosse irônico e crítico daquela sociedade e dos homens já aos trinta anos, enquanto ainda se estabelecia como cidadão respeitado da Corte, talvez tivesse sido "cancelado" corre ocorre no século 21.

Aliás, o mestre da ironia, se escrevesse hoje, talvez tivesse que fazer aqueles alertas chatos "contém ironia" para os leitores do século 21 saberem interpretar seus textos ficcionais. 

Enfim, os contos selecionados pelo professor John Gledson são excelentes, são refeições culturais para os diversos momentos da vida das leitoras e leitores do mundo.

Sigamos lendo e lutando para sermos pessoas melhores para nós mesmos e para a coletividade, o mundo. 

William 

25/09/26

quarta-feira, 23 de setembro de 2026

Instantes (13h13)



Refeição Cultural

QUE COISA É O MUNDO?


"- O mundo, redarguiu o canário com ar de professor, é uma loja de Belchior, com uma pequena gaiola de taquara, quadrilonga, pendente de um prego: o canário é senhor da gaiola que habita e da loja que o cerca. Fora daí, tudo é ilusão e mentira." 

Eis que descubro nos contos machadianos um canário marxista, ensinando a um animal mamífero bípede, com telencéfalo altamente desenvolvido e polegar opositor, um humano, sobre a realidade material e concreta da vida.

Machado de Assis publicou o conto "Ideias de canário" em 1895, na Gazeta de Notícias. O conto está reunido por John Gledson em seu livro de 50 contos selecionados do Bruxo do Cosme Velho. 

Eu fiquei impressionado com a lição de materialismo histórico por parte do pássaro personagem, de Machado de Assis, ao sujeito que apreciava pássaros, Macedo, e que vivenciou o caso extraordinário de interagir com um canário deveras sábio. 

À medida que a realidade material mudava, o canário respondia ao sujeito que lhe indagava: "(...) que pensas deste mundo? Que coisa é o mundo?"

Se nossas amigas e amigos leitores tiverem a sabedoria do canário machadiano, perceberão que coisa é o mundo, que mundo é esse que estamos neste momento histórico...

Banco Master, Vorcaro, Flávio Bolsonaro, Trump, André Mendonça, Igreja Lagoinha, BETS, Faria Lima, Rede Globo, big techs, manipulação em massa das pessoas, bilionários corruptos, Tarcísio de Freitas... o mundo, o mundo. Que mundo é esse?

Tirem os olhos das telas, das redes antissociais, dos gatinhos, dos anzóis que pescam o tempo e a atenção de vocês... e olhem ao redor, o mundo. 

E no fim da história, a última lição do canário:

"- Que mundo? Tu não perdes os maus costumes de professor. O mundo, concluiu solenemente, é um espaço infinito e azul, com o sol por cima."

Caramba!

Me lembrei também do mundo da personagem Tereza, de 77 anos, do filme reflexivo "O último azul" (2025), de Gabriel Mascaro.

Como vemos o mundo?

William Mendes

23/09/26