sexta-feira, 1 de maio de 2026

Viagem a Cuba V (2026)


Cuba forma médicas/os dispostos
a salvar pessoas no mundo todo


Refeição cultural


"1º de maio


Neste 1° de maio dos trabalhadores

pensei muito no povo solidário cubano,

nos iranianos, palestinos, libaneses,

venezuelanos, brasileiros e

nos irmãos sul-americanos.


Nos homeless pelas ruas dos EUA, 

no povo sem-teto pelas ruas da rica

metrópole paulista, que sonha copiar

o que de pior tem lá nos States: miséria!


E me lembrei da solidária Cuba,

que mesmo sancionada, bloqueada,

por ameaçar o império agressor

com o exemplo da utopia socialista,


se esforça em prover ao povo 

alimento, saúde, educação,

moradia, transporte e segurança.

 - Direitos humanos aos trabalhadores!


William Mendes


Estive em Cuba entre os meses de março e abril deste ano de 2026, participando de uma caravana solidária de brasileiras e brasileiros. As 22 pessoas de nosso grupo levaram medicamentos, roupas e diversos itens necessários ao povo, que enfrenta um embargo criminoso dos Estados Unidos. 

A caravana foi organizada pela companheira Telma Araújo, de Belo Horizonte, e nossa estadia contou com o apoio logístico da Amistur, a agência cubana de turismo, que faz parte do Instituto Cubano de Amistad con los Pueblos (ICAP), criado pelo Comandante Fidel Castro. 

Após conhecermos diversos equipamentos culturais como museus e centros de educação e história, viajar ao interior do país para conhecer a tradicional produção de charutos cubanos, dentre outras atividades sociopolíticas, fomos visitar um policlínico para compreender um pouco o sistema de saúde cubano. 


POLICLÍNICO DR. ABELARDO RAMÍREZ MÁRQUEZ 

Fomos recebidos pela direção do policlínico e nossa visita foi dividida em dois momentos: primeiro, o grupo teve o privilégio de participar de uma palestra com as profissionais de saúde responsáveis por aquela unidade hospitalar. Depois, percorremos os ambientes para conhecer a estrutura de atendimento à população. 



Saímos encantados com tudo que nos foi explicado, com tudo que vimos, mesmo com as evidentes carências causadas pelo bloqueio. 



Os hospitais estão no limite por causa da falta de energia, equipamentos, medicamentos, manutenção de componentes etc. No entanto, sobra acolhimento e criatividade para cuidar das pessoas.


Disciplina, estabelecer prioridades,
coesão entre as forças, educar com exemplos...

Esta unidade hospitalar que visitamos, assim como outras de mesmo porte de atendimento, precisar ficar com várias áreas sem energia, pois onde já há algum suporte de energia solar é para setores prioritários. 



Não fosse Cuba um país com um modelo exemplar de atenção primária, medicina de família e comunidade, que atua com apoio de toda uma rede comunitária de agentes de saúde e formas próprias de identificar riscos desde os ambientes onde os pacientes vivem cotidianamente, os efeitos do bloqueio seriam muito mais devastadores.



Com as explicações que recebemos sobre o sistema de saúde cubano, e por ter sido diretor de saúde de uma autogestão baseada no modelo de atenção primária e medicina de família, pude perceber a eficiência do sistema implantado no país desde a Revolução.



As médicas nos explicaram que os profissionais de saúde dos hospitais cubanos cuidam dos equipamentos e materiais existentes com um zelo todo especial, pois sabem que não conseguirão peças de reposição caso os equipamentos quebrem...

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CABARET TROPICANA





No final daquele dia de programação de nossa caravana solidária de brasileiros, ainda fomos ver um show com dançarinas e dançarinos, e cantores incríveis, no Cabaret Tropicana.

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Palma Real, Mariposa, Tocororo, Escudo,
Bandera de la Estrella Solitaria,
Himno de Bayamo y
José Martí, Heroe Nacional.

Ao finalizar o texto, soube que após um ato potente do povo cubano neste 1° de maio, o governo dos Estados Unidos anunciou que vai recrudescer mais ainda o bloqueio ao povo cubano...

Esses crimes de lesa-humanidade por parte desses senhores da guerra no decadente império norte-americano precisam cessar urgentemente!

O mundo civilizado e livre deve exigir o fim do bloqueio criminoso contra o povo cubano!

William 

01/05/26

quinta-feira, 30 de abril de 2026

Artigo: Dá para ter esperança?



Refeição Cultural

Opinião


Dá para ter esperança?

Entre ontem e hoje, o povo brasileiro sofreu duas derrotas importantes no Congresso Nacional. Na verdade, o povo sequer sabe disso. Parte do povo sabe dos jogos e resultados das partidas de futebol do Palmeiras, do Flamengo e do Corinthians na Libertadores da América. E de outros times importantes, é claro! Teve rodada dos campeonatos sul-americanos no meio de semana.

Nas sessões de ontem, 29 de abril, e hoje, 30 de abril, os parlamentares do Congresso Nacional rejeitaram a indicação de Jorge Messias a uma vaga do Supremo Tribunal Federal, indicação de atribuição constitucional do Presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva. Derrubaram também o veto de Lula à Lei de Dosimetria, uma lei feita para anistiar os políticos e outros sujeitos condenados por tentaram um golpe de Estado após a derrota eleitoral do ex-presidente Jair Bolsonaro em 2022. O ápice da tentativa de golpe ocorreu no dia 8 de janeiro de 2023.

Dentre as diversas versões do que teria ocorrido entre ontem e hoje no Congresso Nacional, ouve-se que as votações que rejeitaram Jorge Messias a ocupar vaga no STF e a anulação do veto do presidente Lula a tal lei que funciona como anistia a golpistas contaram com traições no campo dos chamados aliados ao presidente Lula. Além de gente que mudou de lado por achar conveniente, também circulam informações que teria rolado muita ameaça por parte de algumas lideranças das duas casas, Senado e Câmara.

Muitas pessoas de nosso campo - a esquerda e um espectro de gente que se diz progressista e democrata - estão fechando o mês com o coração apertado, com uma tristeza diante desse cenário que se apresenta no parlamento nacional. Ouvi gente querida dizer que sentiu vontade de chorar diante do gozo daquela canalha toda que compõe uma parte do Congresso.

Infelizmente, também tem gente de nosso campo - esquerda - que está vivendo uma espécie de prazer por ver o governo ser derrotado naquela antiga e sabida postura de se ver confirmadas as suas "leituras" de que Lula, Haddad e nosso governo e o PT são "neoliberais", de centro ou centro-direita blá blá blá. As palavras que esses companheiros de nosso espectro político usam são, às vezes, as mesmas que nossos adversários e inimigos usam: "o petismo", "a esquerda institucional", "esquerda domesticada" ou denominações do tipo. A poucos meses das eleições é o momento para isso?

DÁ PARA TER ESPERANÇA?

Eu entendo que sim. 

Fui aprendendo depois de muito tempo de militância política que uma pessoa de esquerda não deve perder a esperança. Não deve.

Cito dois momentos por me lembrar deles como se fossem hoje.

Em 2014, nas eleições presidenciais, entramos no segundo turno numa situação complicada, as informações e o sentimento após o primeiro turno eram bastante desanimadores. Parecia que Dilma perderia as eleições para Aécio Neves. Naquele curto espaço de tempo, o segundo turno, nós tivemos a capacidade de mudar a tendência e o cenário. Foi lindo e inesquecível! Viramos o jogo e ganhamos a eleição. Dilma Rousseff foi reeleita.

Em 2022, nas eleições presidenciais, os golpistas no poder desde o golpe de Estado em 2016, tinham tanta certeza da vitória, que nunca na história mundial um grupo produziu tanta prova material contra si mesmo como o bolsonarismo fez. Gastaram bilhões do dinheiro público para permanecerem no poder. Parecia impossível que aquela gente saísse da estrutura do poder. Mas nós mudamos o jogo, contra tudo e contra todos daquela parcela fascista e facínora da sociedade brasileira. Vencemos a eleição e Lula foi eleito com uma pequena margem de votos para o seu terceiro mandato.

Dá para ter esperança.

Nós temos coração e temos algo que só nós temos: objetivos de melhorar a vida do povo brasileiro, uma gente incrível, uma maioria de gente simples que sofreu a vida toda porque o Brasil não foi feito para atender às necessidades e direitos do povo e sim para uma pequena parcela de privilegiados. 

Nós estamos do lado certo da história humana e isso faz toda a diferença.

Dá para ter esperança e o nosso papel diário é seguir tentando fazer a coisa certa por um país melhor para o conjunto da população. Isso começa todos os dias quando acordamos.

Nós podemos vencer essa minoria fascista e lesa-pátria.

Tem muita gente boa do nosso lado, tem muita juventude chegando do nosso lado, tem muita gente experiente se colocando à disposição de seguir lutando conosco.

Cada um de nós pode contribuir de alguma forma para melhorar o Brasil e a vida do povo, lutando contra essa gente de direita e "conservadora", que quer conservar privilégios de uns poucos fdp.

William

30/04/26


Post Scriptum: e por falar em gente boa, de esquerda, que vale a pena, que sempre lutou e esteve do lado certo da história da luta de classes, faleceu hoje o companheiro Daniel Gaio, grande liderança da categoria bancária, empregado da Caixa Federal, dirigente nacional de nossas entidades cutistas. Gaio é um exemplo de por qual motivo vale a pena lutar e ter esperança. Companheiro Daniel Gaio, presente! A gente segue por aqui lutando por um Brasil e um mundo do trabalho melhor para o conjunto da população!

Leituras Capitais - Na mira



Refeição cultural

CartaCapital nº 1410


NA MIRA

Alexandre de Moraes continua um alvo ambulante e a incógnita contamina as relações em Brasília


O bom jornalismo tem como premissa não brigar com os fatos, informar os acontecimentos como eles são. Gosto do jornalismo do grupo CartaCapital pela escola que Mino Carta e suas equipes representam. Por ser leitor e apoiador da revista, me sinto à vontade para tecer críticas quando acho necessário fazê-las.

A imagem escolhida pela revista para ser capa da edição 1410 ficou horrível, não condiz com a linha editorial de CartaCapitalEla me lembrou aquelas capas que o grupo Abril sempre fez contra o presidente Lula. 

O título e o tema poderiam ter sido ilustrados com uma imagem menos apelativa do que a escolhida pela revista. Fica registrada minha crítica pontual.


As matérias e artigos da edição 

Este leitor comentador deve estar naqueles dias de rabugice porque virou a cara para vários textos da edição...

CÍRCULO VICIOSO (Maria Rita Kehl)

"Muitos assediadores não nutrem real desejo pelas vítimas, apenas buscam vingar-se de rejeições anteriores. O resultado desse comportamento é mais repulsa e desprezo"

Sou admirador da psicanalista e escritora, e achei que o texto ia bem na abordagem complexa do tema, mas aí...

"(...) Triste ver um homem negro, certamente vítima de racismo estrutural que assola a sociedade brasileira, envolvido em um caso como esse, contra uma colega que também é negra." (p. 21)

Ela decide ilustrar a tese dela citando o caso em aberto do ex-ministro dos Direitos Humanos, Silvio Almeida, que ainda está sob apuração. 

A articulista o condena antecipadamente ao citá-lo como exemplo da forma como nunca se deveria fazer num estado democrático de direito... francamente! Que merda isso!

O tema da violência de gênero é sério demais para seguirmos nesse simplismo de se condenar antecipadamente (e na maioria das vezes para sempre e de forma irremediável) qualquer pessoa física ou jurídica que sofra alguma denúncia de assédio sem o devido processo legal concluído. 

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Para finalizar meu azedume com alguns textos, Paulo Gala, no artigo "Os desequilíbrios da China" (p. 37), me pareceu aqueles "economistas" dos jornalões da casa-grande. A China tá crescendo, mas mas mas... 

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Gostei dos textos das seções "Reportagem de capa", "Seu País" e "Economia". Me atualizei sobre a corrida eleitoral deste ano com as matérias sobre as negociações políticas no Nordeste e Minas Gerais. 

DO POÇO AO POSTO (p. 38)

"Por que o Brasil precisa retomar o controle da distribuição de combustíveis"

O texto está muito bom, esclarecedor, sobre as consequências da privatização da cadeia produtiva do petróleo. A análise é assinada por Pedro Uczai, deputado federal (PT/SC).

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Na seção "Nosso Mundo" li assustado as notícias sobre o avanço insano do fundamentalismo religioso naquele país beligerante do norte, governado pelo Nero da atualidade. 

COPA DO MUNDO 

Dois textos abordam o torneio de futebol que será realizado no país que invadiu a Venezuela e sequestrou seu presidente para roubar o petróleo do povo daquele país e que bombardeou o Irã sem respeitar qualquer regra internacional sobre guerras e bombardeou uma escola de crianças, matando quase duzentas meninas.

Um texto fala sobre o preço abusivo de qualquer coisa relacionada a ver os jogos ao vivo.

Outro texto, o artigo do Afonsinho, fala da Copa nos Estados Unidos e fala de tudo, tudo, só não faz nenhuma menção a boicotes ou críticas pelo fato de o evento mundial ser realizado naquela merda de país agressor.

Nada contra o Afonsinho. Na verdade, nenhum jornalista que conheço, que fale e ou goste de futebol, falou nada sobre boicotar e ou não participar da competição por ser no país que sempre exigiu boicote contra outros países em competições internacionais... ninguém falou nada contra a Copa ser nos Estados Unidos!!! 

NOJO!!! HIPOCRISIA!!! Não vi um jornalismo progressista ou democrata ou adjetivo do tipo defender boicote à Copa nos EUA. Nenhum!

Francamente!

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CAMINHAR, SEMPRE

Para fechar a leitura de forma positiva, o artigo do doutor Drauzio Varella "Caminhar, sempre" (p. 57) traz notícias excelentes! 

"Um estudo da revista inglesa The Lancet comprova que dar ao menos 7 mil passos por dia reduz em 47% a mortalidade por qualquer causa"

Amig@s leitores, minha apreensão por estar com problemas na minha estrutura de locomoção é por saber disso e ter na corrida e caminhada atividades vitais para mim, vitais!

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É isso! Leitura feita!

William 

quarta-feira, 29 de abril de 2026

Diário e reflexões



Refeição Cultural

Brasil, 29 de abril de 2026.


"Mundo mundo vasto mundo,

se eu me chamasse Raimundo

seria uma rima, não seria uma solução.

Mundo mundo vasto mundo,

mais vasto é meu coração." 

(Poema de sete faces, CDA)


O mês de abril vai terminando com um clima instável... com um ar de incerteza ao redor dos seres viventes desse nosso mundo mundo vasto mundo. O sol apareceu, mas de repente a luz deu lugar às nuvens, e as sombras dominaram o período. O que vem por aí? O que nos reserva o amanhã?

Estamos sob ares imprevisíveis... não temos controle de quase nada. O clima clima pode nos surpreender de um instante para o outro, um fenômeno da natureza pode mudar a vida de muita gente, de muitas espécies, a nossa vida. Se morre numa enxurrada parado no trânsito de São Paulo.

O clima político está desenhado para aqueles poucos que sabem ler mais que palavras, que leem nas entrelinhas, que leem nas coisas ao redor, e que sabem ler história. A história não se repete, mas serve de referência, e com a referência e o contexto do momento, se pode prever o que vem por aí. Talvez evitar o pior...

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O escriba deste blog antigo quer e não quer escrever, quer e não quer falar, quer e não quer se envolver com as coisas do mundo, afinal ele é uma coisa do mundo, uma vida vivida em meio ao mundo mundo vasto mundo, e mesmo não se chamando Raimundo, vaga por aí, e sem rima alguma.

Já fiz alguma coisa na vida. Tive carências, tristezas, muita raiva, ódio mesmo, mas também amei, superei coisas impeditivas do querer viver. Já tive minhas fases (minhas sete faces?), já poetei sobre elas, já digeri sobre a infância, a adolescência, a vida adulta jovem, a vida madura no melhor da produção intelectual, e já encontrei as respostas a questões existenciais que havia formulado nessas fases da vida vivida e percorrida. Encontrei as respostas! 

Na fase do momento - a pessoa de agora, que pisa num outro rio sendo outra pessoa - fiquei procurando o que fazer ou o que não fazer, no que dar sentido ou a compreensão plena de que não há sentidos, e que sem haver sentidos, nós esses bichos exóticos do mundo mundo vasto mundo, que até rimamos mundo com Raimundo... enfim, talvez o sentido seja escolher o que fazer e não fazer para dar um certo sentido no próprio existir.

O que vou fazer ou tentar fazer nos próximos dias e semanas e meses do viver estando por aqui no mundo mundo vasto mundo? Não se recupera ou se volta no tempo. Não se volta a ser o que um dia se foi. Acho difícil fazer o que queria fazer, não fiz, e talvez pudesse fazer agora. Não dá! É outro rio, outra pessoa.

A passagem do tempo, essa percepção que o bicho humano tem, é inescapável. O que quis ou não, o que vivi ou não, de certa forma, não existe... existe em mim, que posso não existir num instante... não existe a não ser que se registre para além de minhas células e átomos. E olhe lá! (uma bomba ou um cancelamento apaga tudo!)

Eu existo? Existi? Os fatos, e atos, e acontecimentos, e as coisas feitas, e sentimentos nos quais me envolvi, vivi, construí, senti, existem? Vão existir amanhã? Não há controle de nada. Não há.


"Eu também já fui brasileiro

moreno como vocês.

Ponteei viola, guiei forde

e aprendi nas mesas dos bares

que o nacionalismo é uma virtude.

Mas há uma hora em que os bares se fecham

e todas as virtudes se negam."

(Também já fui brasileiro, CDA)


Já refleti sobre fazer volume por aí. Já guiei forde e já ponteei viola... aprendi nas mesas dos bares da vida. Não sei se ainda quero essas coisas depois que os bares se fecharam pra mim.


"Trabalhas sem alegria para um mundo caduco,

onde as formas e as ações não encerram nenhum exemplo.

Praticas laboriosamente os gestos universais,

sentes calor e frio, falta de dinheiro, fome e desejo sexual."

(Elegia 1938, CDA)


Como diz o poeta, é um mundo caduco. Quiçá eu seja um caduco num mundo caduco.

Por mais que eu pratique laboriosamente os gestos universais, minhas formas e ações não encerram nenhum exemplo... (isso diz tudo para mim na atualidade!)

É nesse momento que estou neste dia de derrotas para o governo Lula, de livros descartados no lixo em Osasco, de bombas apagando gente e história por aí, de big techs manipulando meus pares ao meu redor...

Não sei se quero ou faz diferença ir a lugar nenhum, fazer volume em algum lugar.

Will i am (mas...)

29/04/26

domingo, 26 de abril de 2026

Livros no lixo em Osasco


Os Lusíadas, edição de 1982,
resgatado do lixo décadas atrás

Livros no lixo em Osasco

Segundo matérias na imprensa, milhares de unidades dos 39 mil livros da Biblioteca Municipal Monteiro Lobato, em Osasco, foram jogados no lixo na semana mundial do livro... uma perda irreparável para a história de Osasco e para o mundo da cultura. 

Nenhuma matéria da imprensa de direita, a velha mídia golpista e manipuladora, citou o nome e o partido do prefeito responsável por essa tragédia, esse ato de destruição do patrimônio cultural da cidade e do Brasil. 

O prefeito de Osasco, responsável pela destruição de parte do acervo de livros da Biblioteca Monteiro Lobato, é Gerson Pessoa (Podemos), conhecido na cidade como o cunhado e sucessor do ex-prefeito Rogério Lins (Podemos), responsável por fechar a biblioteca em 2020.

Este livro com bolor teve mais sorte
que os livros da biblioteca de Osasco

Rogério Lins é aliado do prefeito de São Paulo, Ricardo Nunes (MDB), foi seu secretário de esportes e lazer até recentemente. Dizem que saiu do cargo para ser candidato nas eleições deste ano.

Ricardo Nunes é aliado do governador Tarcísio de Freitas (Republicanos), aliado do ex-presidente Jair Messias Bolsonaro (PL), pai do senador pré-candidato a presidência Flávio Bolsonaro (PL).

Os Lusíadas, edição de 1982, foi salvo por
um jovem leitor, hoje morador de Osasco

Essa gente de direita odeia cultura, educação, livros... essa gente atua politicamente para que a população nunca acesse livros, educação e cultura. 

Essa gente vai pedir seu voto em outubro deste ano. Se você é leitor ou leitora, aprecia cultura e arte, lembre-se o que esse pessoal da direita faz com livros...


Livro resgatado no lixo

Quarenta anos atrás, o jovem leitor que criaria este blog passava por uma rua no bairro Rio Pequeno, onde morava em São Paulo, quando viu diversos livros numa pilha de lixo na calçada. Não podendo resgatar todos eles, salvou Os Lusíadas, de Camões. 

O livro tinha fungos e bolores, mas foi cuidado, lido, e até hoje está na estante de sua biblioteca. 

Salvem os livros, salvem a cultura e as artes! Votem com consciência em outubro de 2026.

William Mendes 

sexta-feira, 24 de abril de 2026

Sobre Cuba II: lendo Aline Marcondes Miglioli



Refeição cultural

LEITURAS 

Dando sequência à leitura do livro Casa à venda: turismo, mercado de imóveis e transformação sócio-espacial em Havana, de Aline Marcondes Miglioli, cito alguns excertos abaixo para reforçar o interesse nos leitores do blog em adquirir a obra e lerem o estudo completo da autora. 

Fiz meu fichamento sobre os capítulos 1 e 2 em uma postagem anterior (ver aqui).

Reforço, como disse na primeira postagem, que qualquer interpretação equivocada ou diferente do que a autora aponta, é de minha exclusiva responsabilidade.

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EXCERTOS 

O capítulo três "O turismo enquanto setor estratégico: contradições da revolução na periferia" é dividido em duas partes: O papel do turismo na acumulação de capital e Indústria do turismo em Cuba. 

O capítulo é uma verdadeira aula de economia e história. Eu nunca tinha parado para pensar o turismo como atividade econômica inserida na divisão internacional do trabalho na lógica capitalista. 

"(...) A principal mudança entre a primeira e a segunda fase de execução da atividade. Ao invés de responder às demandas de hospedagem e lazer locais, a indústria do turismo após os anos 1970 passou a promover os destinos turísticos através da criação e venda de espaços 'exóticos', ou seja, inexplorados e exclusivos." (p. 112)

Após a leitura, será difícil olhar as viagens que fazemos em pacotes turísticos como víamos antes. O que eu sentia, às vezes, como um turista sendo tratado só como um consumidor qualquer de produtos enlatados, foi esclarecido pela autora. Aprendi demais com a leitura!

Aline me fez compreender até a lógica de destruir bairros inteiros e áreas públicas nas cidades como São Paulo, terra arrasada na mão do prefake atual e seus parças, quando explica as soluções capitalistas para a sobre-acumulação do capital.

"A importância do espaço geográfico enquanto uma categoria de análise no processo de acumulação de capital é evidenciado por David Harvey em Limites do capital (2013). Para o autor, a construção e reconstrução do espaço são saídas para as crises de sobre-acumulação do capital, pois estas atividades permitem empregar o capital sobre-acumulado em grandes investimentos, principalmente em capital fixo na produção do espaço, que tem como característica serem investimentos de longa maturação. Neste sentido, a construção do espaço urbano ocupa uma posição importante neste processo de ordenamento espacial da reprodução do capital, pois torna-se uma forma de atrasar ou atenuar as crises de sobre-acumulação de capital." (p. 110)

O setor de turismo veio a calhar para o capitalismo nas últimas décadas ao mudar a lógica de turismo antiga, mais regional e interna nos países, em relação ao modelo atual. 

"(...) Sendo assim, o setor turístico, entendido enquanto uma atividade que pressupõe a ocupação e construção de novos espaços, representa uma frente para atenuar as crises de acumulação de capital, avançando na ocupação de novos territórios, investindo na produção ou conversão destes espaços em espaços turísticos." (p. 111)

E o modo "all inclusive", então? Essa lógica dos capitalistas donos das redes hoteleiras quebra toda a economia local ao fazer o turista consumir tudo no hotel, só para se apropriar de todos os recursos da sociedade. O ápice dessa lógica são os "navios-shopping" que cruzam os mares...

Após a primeira parte do capítulo, a aula de economia, Aline entra na parte da indústria turística em Cuba, opção tomada pelos cubanos já nos anos oitenta, mas efetivada após o fim da URSS e o período especial, como atividade econômica relevante no país. 

A autora descreve a atividade econômica de turismo em Cuba desde o início do século XX, período anterior à Revolução. O turismo era uma tragédia para a classe trabalhadora. Tudo era em benefício de uma pequena parcela da elite local e para as elites norte-americanas.

Nas conclusões do capítulo, Aline avalia ter sido acertada a escolha dos cubanos pela atividade econômica de turismo como uma alternativa de entrada de divisas, apesar das contradições e desafios inerentes ao setor, inclusive ideológicos.

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Sigo na leitura. 

William 

24/04/26

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Post Scriptum:

CAPÍTULO 4 - A ATUALIZAÇÃO DO SOCIALISMO CUBANO E A EMERGÊNCIA DA DIFERENCIAÇÃO SOCIAL EM CUBA

"(...) No presente capítulo nós iremos abordar a principal mudança ocorrida na sociedade cubana após os anos 1990: a reorganização social - ou seja, a configuração de novos grupos sociais - e a reorganização dos indivíduos entre eles e os grupos existentes. Para que possamos compreender esse fenômeno, deveremos alçar voo sobre uma bibliografia densa que busca justificar teoricamente a existência de diferenciações sociais em Cuba." (p. 147)

A autora vai estudar as mudanças que se deram na sociedade socialista cubana após as dificuldades enfrentadas pelo governo durante o Período Especial, com o fim da URSS e o bloco socialista. 

"(...) a partir do Período Especial e principalmente após ele, nos anos 2000, a academia cubana passou a identificar na sociedade dois novos fenômenos: a diferenciação social, ou seja, a existência de grupos sociais com diferentes padrões de consumo e estilos de vida, e a pobreza." (p. 147)

Ainda na introdução ao capítulo, Aline esclarece quais fontes irá usar em seus estudos, dentre elas, estudos de instituições cubanas - Instituto Nacional de Investigaciones Económicas (INIE) e Centro de Investigaciones Psicológicas y Sociológicas (CIPS) - e de organismos multilaterais - CEPAL e PNUD. 

"Este capítulo tem como objetivo compreender a emergência da diferenciação social em Cuba após o Período Especial. Ele possui um conteúdo que destoa do restante dos capítulos apresentados até o momento, porque não dialoga diretamente com o mercado de imóveis. Aqui buscamos compreender o significado da pobreza em Cuba e da diferenciação social, e identificar quais são suas expressões materiais e o quanto elas se relacionam com a moradia. Ainda que indiretamente, esse ponto é essencial para o nosso debate, porque esses mesmos fenômenos se apresentam em Cuba de forma diferente do que ocorre nas economias capitalistas e, portanto, não podemos inicialmente relacionar a moradia com a pobreza ou com a riqueza, e tampouco as características da moradia com alguma classe social específica." (p. 149)

Acho um esforço grande fazer comparações das condições de vida do povo cubano com países capitalistas semelhantes, com altos níveis de carências, porque Cuba garante os principais direitos humanos ao conjunto da população: alimentação, saúde, educação, moradia, segurança e transporte. 

"(...) Nesse exercício, Muruaga encontrou dificuldades para quantificar e comparar a situação de pobreza em Cuba com as dos seus vizinhos latino-americanos, pois o sistema de proteção social cubano garante alimentação, saúde, educação e habitação a toda a população, de forma que a pobreza não se revela na forma da ausência desses bens e serviços..." (p. 148)

Muruaga vai usar um conceito de "pobreza com proteção e garantias" para especificar o tipo de pobreza em Cuba. 

Comentário do blog: eu acho esquisito isso para tentar comparar a Cuba embargada há décadas com países miseráveis sob o capitalismo. Mas é a minha forma de ver. Sigo na leitura. 

No último parágrafo da p. 154, os estudos registram uma evidência clara do quanto os cubanos estão em melhores condições de vida em relação aos povos de países capitalistas comparados.

Depois de estudar a pobreza em Cuba, o item seguinte do capítulo vai abordar o trabalho por conta própria, modalidade de ocupação surgida nas últimas décadas.

Há uma nota de Aline, na p. 169, na qual ela reconhece que parte das fontes daquele estudo tem origem em pessoas que são oposição ao governo, inclusive de Miami.

Gostei do subitem "A estrutura social cubana e seu padrão de mobilidade social", a partir da p. 173. Aprendi coisas novas. 

"Entre as contribuições iniciais ao debate, destaca-se a interpretação materialista-histórica de Karl Marx, na qual a interação entre os grupos se dá em consequência de sua relação com os meios de produção e, portanto, com sua capacidade de apropriar-se do mais-valor - produzido por seu trabalho ou pelo trabalho alheio. Uma classe, portanto, é definida em associação com os meios de produção e, por isso, é possível identificar três classes sociais no capitalismo: o trabalhador, detentor da força de trabalho; o capitalista, do capital; e o proprietário fundiário, da terra (Marx, 2017)." (p. 174)

Depois, ela cita correntes da sociologia que estudam a questão da estratificação social: o neoestruturalismo, o funcionalismo-estruturalista ou apenas funcionalismo e as abordagens weberianas. Achei bem interessante. 

Nada substitui a leitura integral do livro de Aline Miglioli, estou melhorando minha compreensão sobre Cuba durante a leitura. 

Cito sua conclusão do capítulo quatro:

"Em conclusão, independentemente da perspectiva teórica adotada, é possível vislumbrar que a moradia está no centro das transformações em curso em Cuba. Essas transformações têm levado à consolidação de diferenciações sociais que, por um lado, conformam lacunas sociais à equidade e, por outro lado, levam alguns grupos a ocuparem posições mais vantajosas na sociedade, principalmente no que diz respeito à vantagem para compra de produtos importados." (p. 190)

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Sigo na leitura. 

William 

01/05/26

Instantes



Sexta-feira. 

9h06. Poderia decidir hoje viajar para a China, em um grupo organizado pelo professor Lejeune Mirhan. O valor investido e a programação estão muito bons. Vi um chamado dele alertando para o prazo final de adesão. Refleti. Não vou pra China.

Estou meio mequetrefe, azedo. Faz quase duas semanas que fiz cirurgia na língua e ainda não consigo comer direito, mastigar coisas sólidas, duras. Que saco! Imagino quem tem problemas mais sérios que esse meu, imagino quem sente dor de verdade, não essa dorzinha incômoda que sinto, que foda deve ser... estou azedo!

Ontem, caminhei 11 Km em ritmo acelerado. Dias atrás, foram 8 Km. Por mais que saiba que meu quadril, meu corpo, estão sofrendo os efeitos da natureza e do tempo, e da genética e do percurso hard que percorri, a natureza da identidade da gente insiste em querer correr, fazer longas caminhadas, desafiar distâncias blá-blá-blá. Insistência também é nosso nome...

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21h48

Li mais um capítulo do livro Casa à venda: turismo, mercado de imóveis e transformação sócio-espacial em Havana, da professora de economia Aline Marcondes Miglioli, um capítulo abordando a indústria do turismo sob a ótica do capitalismo (comentários aqui). É encantador ler e sair da leitura com reflexões e novos conhecimentos! Dificilmente verei o turismo que eu e a maioria de vocês fazemos com os mesmos olhos que via antes da leitura da autora.

Comecei a leitura da nova edição da revista CartaCapital, que recebi hoje. É uma leitura triste, são notícias sobre a realidade do Brasil e do mundo. A verdade factual entristece a gente.

Aí, meia hora atrás, estava vendo uma aula de meu amigo professor de português, Sérgio Gouveia, analisando um poema de Drummond, um de meus poetas favoritos, e fiquei admirado com a facilidade com a qual ele interpretava o poema "Elegia 1938", antes de entrar na parte da aula sobre orações subordinadas adjetivas e outras questões gramaticais. Cara, que facilidade o Gouveia tem para ler e decifrar um poema do Drummond, autor cujos poemas considero exigentes, alguns de difícil compreensão.

I'm a lucky man... Refleti que a vida, de certa forma, tratou de abrir veredas e caminhos que eu não planejei. No fim, eu não fui professor de português. Orações subordinadas, metonímias, metáforas... as veredas foram minha salvação. Olhando para trás, imagino que eu não teria dado certo como professor... gramática sempre me pareceu física quântica (que deve ser mais fácil, rsrs). Porém, é certo que tentei ser um sindicalista dedicado à classe trabalhadora que representava. 

Admirável a habilidade humana de educar e transmitir conhecimentos...

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(hoje, efetivamente, estou bolado com a questão da leucoplasia oral que descobri meses atrás e as consequências até agora, duas cirurgias para retirar as lesões na língua. Passei o dia com receios em relação a essa questão...)

terça-feira, 21 de abril de 2026

Leituras Capitais - Ao Deus-dará



Refeição cultural

CartaCapital n° 1409 


AO DEUS-DARÁ

Após anos de governos desastrosos, só uma força-tarefa nacional salva o Rio de Janeiro


Tenho de forma intencional evitado perder minha saúde lendo as más notícias do mundo (tipo ficar por conta disso). Mesmo assim, alerto que não sou um alienado político. Sou leitor do mundo ao meu redor. Experiência. 

Porém, voltando de viagem internacional, peguei uma edição de CartaCapital para ler: qualidade jornalística!

Me chamaram a atenção, pela argumentação e questões abordadas, os artigos de Aldo Fornazieri (p. 9), Paulo Nogueira Batista Jr. (p. 35) e a matéria de Manfred Back e Luiz Gonzaga Belluzzo (p. 38). Dá gosto ler bons textos! 

MÁQUINAS DE PENSAR? (p. 38)

INTELIGÊNCIA ARTIFICIAL - Seu avanço oculta o monopólio de dados e ajuda a bloquear o pensamento (Back e Belluzzo)

"Onde o cérebro gasta mais energia e conexões é no ato de ler e pensar, e depois escrever no papel. Esse é o movimento da inteligência. Ao digitar e consultar a IA, seria a morte da inteligência."

Perfeito! Cristalino! Há tempos, reflito que temos que salvar a humanidade, o cérebro e a possibilidade de inteligência que vem conosco ao nascer. Temos que salvar a humanidade das big techs, dessas máquinas destruidoras dos seres humanos. 

Leiam o texto, recomendo!

ANTISSEMITISMO E ANTISSIONISMO (p. 35)

"O ponto central é a confusão perigosa que os sionistas, poderoso lobby transnacional, tenta fazer entre os dois fenômenos" (Paulo Nogueira)

Texto sintético, claro e preciso! Vale muito a leitura!

GUERRA IMORAL (p. 9)

"Mesmo com toda a inferioridade militar, a heroica resistência dos iranianos está impondo uma derrota política e moral aos EUA e Israel" (Fornazieri)

O artigo desnuda toda a hipocrisia envolvida no tema feito "sensivel" pelos canalhas apoiadores e apoiadoras desses senhores da guerra e dos assassinatos em massa nos tempos atuais. 

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As reportagens estão muito boas na revista, e esses artigos já valeram a edição!

Sigo lendo...

William 

21/04/26 (23h59)


Post Scriptum (22/04/26):

A revista inteira está excelente! Todas as seções contêm matérias que agregam informações relevantes aos leitores. Recomendo a leitura, edição em papel ou na página da revista. 

segunda-feira, 20 de abril de 2026

Viagem a Cuba IV (2026)


Pôr do sol em Havana, a partir do
restaurante La Divina Pastora

Refeição cultural 

Após um primeiro dia de muitas visitas a museus e equipamentos públicos que resgatam a história do povo cubano e de sua Revolução libertadora do jugo imperialista (ler aqui), o dia seguinte de nossa caravana solidária de brasileiros seria pegando a estrada para conhecermos Viñales.

Antes de terminar o primeiro dia de programação sociopolítica, nossa caravana passou pela famosa Praça da Revolução por meia hora, mais para contemplarmos a imensidão do ambiente, conhecido por receber multidões de cubanos para ouvir os discursos de Fidel Castro e para eventos importantes em Havana como, por exemplo, o 1° de maio.

Na praça, nosso grupo se encantou
com os carros dos anos cinquenta

Após o jantar no restaurante La Divina Pastora, onde apreciamos música cubana ao vivo, fomos ver a cerimônia do "Cañonazo", uma encenação teatral que rememora séculos da história de Havana, época na qual os portões da cidade eram fechados às 21h para só reabrirem na manhã seguinte. Havana era rodeada de muralhas. Fiz postagem sobre o tema, é só clicar aqui.

Música cubana no restaurante
La Divina Pastora

No 3° dia de nossa programação sociopolítica organizada pela Amistur, agência cubana de turismo, pegamos a estrada para Viñales, município de Pinar del Río, distante 180 Km de Havana, indo no sentido ocidental da ilha. As estradas estavam vazias pela falta de combustível causada pelo bloqueio criminoso dos Estados Unidos. 

Construção típica da propriedade
produtora de tabaco


Plantação de tabaco

Após três horas de viagem, nossa primeira agenda foi visitar uma produção de tabaco e charutos. A região de Pinar del Río é uma área rural cujo principal produto comercial é o tabaco. Viñales tem cerca de 28 mil habitantes.

Local onde as folhas são maturadas

Folhas de tabaco em espera

Mesmo para um não fumante, o odor é bom!

Eis aí um produto cubano...

Durante a visita, vimos as plantações, as folhas em processo de secagem, os paióis onde as folhas passam pelo período de maturação e também vimos o preparo de um charuto, disponibilizado para apreciação das pessoas da caravana interessadas em experimentar o tabaco cubano.

Cuba...

HISTÓRIA

Faço uma breve contextualização histórica: antes da Revolução liderada por Fidel Castro nos anos cinquenta, todos os imóveis urbanos e as terras produtivas de Cuba pertenciam a um pequeno grupo de latifundiários e proprietários, grande parte, aliás, norte-americanos. Era exceção alguém da classe trabalhadora ter sua própria moradia.

A amplíssima maioria do povo cubano, milhões de homens, mulheres, crianças e idosos, não tinham nada - moradia, emprego, alimentação, educação, saúde, etc - nada! As pessoas viviam em cortiços nas cidades e em bohíos nas áreas rurais (cabanas com telhados de palha e paredes de tábuas de palmeira).

Uma das primeiras medidas após a vitória do Exército Rebelde em 1° de janeiro de 1959 foi fazer reforma urbana e agrária editando um conjunto de leis relacionadas a moradias, aluguéis e direito popular às terras nas quais as pessoas trabalhavam.

Ruas da simpática cidade de Viñales

Ao visitarmos Cuba neste momento dramático da história, de asfixia econômica criminosa com atos ilegais dos Estados Unidos, colocando a ilha e seu povo sem acesso a qualquer forma de combustível, essencial para o funcionamento da vida cotidiana, temos que ter clareza das consequências dessa maldade na vida das pessoas, inclusive em seus aspectos psicológicos.

Boa parte dos veículos em circulação
são elétricos, motos e triciclos

Há meses Cuba não recebe petróleo importado, afetando absolutamente tudo no país. Imaginem vocês o Brasil no dia seguinte sem acesso a combustível fóssil e o não funcionamento de nada no país, pois aqui e no mundo a matriz energética que faz a vida cotidiana funcionar é com base em combustíveis fósseis, petróleo, gás e carvão.

Pessoas estão morrendo em hospitais por falta de energia elétrica, o governo não tem conseguido exercer os programas sociais que fazem parte dos direitos da cidadania por falta de recursos, o petróleo é necessário para quase tudo na ilha, pois no mundo moderno não se vive sem energia. Cuba tem investido em painéis solares como alternativa, mas é um longo processo ainda.

E mesmo assim, o acolhimento do povo cubano aos turistas em geral e a nosso grupo, ao longo da estadia na ilha, foi admirável, saímos encantados com um povo que só quer ser feliz, interagir com os povos do mundo e levar a vida deles do jeito que acharem melhor.

Enfim, essas são algumas reflexões a partir da experiência de ter voltado a Cuba com um grupo de brasileiros e brasileiras tão solidários e irmanados na mesma causa de apoiar nossos irmãos da maior das ilhas antilhanas.

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Vista do Mirador de los Jazmines

VALES E MOGOTES NA PAISAGEM

Ainda na programação do 3º dia em Cuba, visitamos o Mural da Pré-história - uma pintura gigante em um mogote - e a Cueva del Indio - uma caverna com um lago na superfície -, passeios muito agradáveis na região de Viñales. 

Mural da Pré-história

Seguem abaixo algumas fotos da nossa visita à caverna chamada Cueva del Indio.

Subindo...

Descendo...

Uma linda estalagmite

Passeio de barco na caverna


Mogotes são morros ou colinas típicas da região, normalmente de calcário, mármore ou dolomita, são estruturas sedimentares que podem ter tamanho e altura de montanhas. A paisagem em volta é plana, são os vales da região de Pinar del Río.

Um hotel sem turistas (o bloqueio!)
e os mogotes ao fundo do vale


Durante o passeio, almoçamos e finalizamos a visita à região no Mirador de los Jazmines, onde tivemos a oportunidade de vislumbrar o vale com as culturas e os mogotes.

Estávamos a 6700 Km do RJ (Brasil)

MAIS UM DIA DE HISTÓRIA E CULTURA CUBANAS

Voltamos para Havana e jantamos no hotel Copacabana.

Foi um dia excelente na programação de nossa caravana solidária.

Amigas e amigos leitores do blog, não deixem de visitar Cuba, além de ser uma experiência pessoal incrível, vocês vão contribuir muito com o país e seu povo hospitaleiro e altivo.

A companheira Telma Araújo, que organizou nosso grupo, está organizando um grupo para agosto, Cuba comemora neste ano o centésimo aniversário de nascimento do Comandante em Chefe Fidel Castro Ruz e serão várias comemorações no período.

William

20/04/26