quarta-feira, 27 de maio de 2026

Livro: O Hamas conta seu lado da história



Refeição Cultural

"Nestas páginas, oferecemos ao leitor um conjunto de documentos e declarações que apresentam de maneira clara o que pensa o Hamas, e a sua versão dos acontecimentos do 7 de Outubro. Trata-se de uma verdade que forças poderosas trabalham para ocultar, para falsear, para distorcer. O resultado dessa operação fraudulenta é o de encobrir o genocídio do povo palestino." (Rui Costa Pimenta, na apresentação do livro)


Adquiri o livro O Hamas conta o seu lado da história (2024) nas manifestações do 30º Grito dos excluídos e excluídas, na Praça da Sé, em São Paulo. O livro foi organizado por Rui Costa Pimenta, presidente do PCO, e confeccionado pelas Edições Causa Operária.

Logo na apresentação do livro, um conceito importante é dito por Pimenta e vale a pena reproduzi-lo:

"É a opressão que dá legitimidade à luta pela liberdade, e não qualquer característica misteriosa dos que lutam. A luta contra a opressão - e estamos falando de uma das mais brutais e criminosas opressões contra todo um povo - é inerentemente libertária, independentemente de maiores considerações." (p. 13)

Li mais da metade do livro logo nas primeiras semanas de aquisição da obra em setembro de 2024, que é dividida em quatro partes, além da apresentação e prefácio. Naquele momento, o mundo já acompanhava de forma televisionada o bombardeio diário à população da Faixa de Gaza. Era algo indescritível! Milhares de crianças, mulheres, idosos e população civil em geral sendo dizimados diariamente pelas bombas do exército sionista.

Hoje, maio de 2026, praticamente não existe mais nada na Faixa de Gaza, nada, hospitais, escolas, habitações, água, comida, energia, nada. Centenas de milhares de palestinos estão cercados e morrendo porque até ajuda humanitária é proibida quando os povos do mundo tentam socorrer o povo palestino.

Ajuda humanitária através de grupos de pessoas e organizações é impedida de se realizar até com sequestro de embarcações em áreas marítimas internacionais. O mundo viu isso recentemente com o sequestro de pessoas de diversos países em flotilhas cercadas e capturadas pelos sionistas.

"Certamente é uma guerra, uma guerra entre um povo ocupado e os ocupantes. E esses ocupantes, infelizmente, quero dizer, estão todos armados, todos eles. O povo inteiro é um exército e tem um Estado. Ao contrário de todos os países do mundo, em que a norma é que o Estado tenha um exército, 'Israel' é um exército que tem um Estado e tem um sistema." (Dr. Musa Abu Marzuk, p. 38)

Na entrevista cedida a Rui Costa Pimenta, Abu Marzuk, intelectual palestino e dirigente político do Hamas, apresentou os pensamentos e objetivos das lutas lideradas pelo povo palestino em defesa das terras nas quais vivem há centenas de anos.

Cito abaixo um trecho da entrevista que, de certa forma, sintetiza um pouco a luta desenvolvida pelos palestinos há décadas, desde que foram expulsos de suas terras após o fim da 2ª Guerra Mundial.

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"Por que o Hamas considera necessário o recurso da luta armada?

     Acredito que a luta armada é necessária porque nenhuma ocupação no mundo lhe dará sua independência por meio de negociações. Nunca aconteceu na história uma ação política que libertasse um país, ou lhe desse independência. Temos a experiência dos nossos irmãos do Fatá e da OLP, que disseram: 'Não queremos resistência, queremos negociação política'. Então assinaram os Acordos de Oslo, em 1994, que previa sua implantação em cinco anos. O acordo previa, depois de cinco anos, a independência dos palestinos na Cisjordânia e na Faixa de Gaza, e Al-Quds (Jerusalém) como capital.

     Hoje estamos em 2024, ou seja, já se passaram trinta anos desde esse acordo, e não avançamos um único passo, porque é impossível a ocupação dar, em palavras, um Estado. Por quê? Por que o daria a você, se você não consegue conquistá-lo? É sabido que a liberdade é conquistada, não é dada. Ninguém dá liberdade a ninguém. Ela deve ser conquistada com suas forças e defesas, e continuamos nossa resistência até obter nossa liberdade." (p. 39)

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Comentário do blog:

O povo cubano que o diga em relação a essa afirmação de Abu Marzuk! Para conseguir a liberdade e independência dos impérios que subjugavam a ilha e seu povo - primeiro a Espanha e depois os Estados Unidos -, foram séculos de lutas para a libertação em 1º de janeiro de 1959, através do exército rebelde liderado pelo Comandante em Chefe Fidel Castro Ruz.

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Em outra entrevista, Rui Costa Pimenta, conversa com o doutor Basem Naim, membro do Birô Político do Hamas. Ele foi ministro da saúde do povo palestino.

Em uma parte da resposta à pergunta se a causa palestina estaria a caminho da vitória, Basem Naim aponta as dificuldades que seu povo vinha enfrentando por trinta anos pela estratégia do chamado "processo de paz", do qual diz que os palestinos foram enganados:

"Esta não é a nossa escolha. Se alguém puder nos ajudar a alcançar nossos objetivos de forma pacífica, por favor! Mas, se não, não podemos continuar a viver nessas condições desumanas. Portanto, quando Smotrich disse que os palestinos têm duas opções, sair ou serem mortos, nós respondemos. Também temos duas opções: viver aqui com liberdade e dignidade, ou morrer aqui de forma livre e digna. não há outra escolha." (p. 60)

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Na parte que trata da "Operação Dilúvio de Al-Aqsa", os leitores vão acessar os motivos acumulados ao longo de, pelo menos, 75 anos de ocupação e abusos que levaram os palestinos ao evento de 7 de outubro.

"A batalha do povo palestino contra a ocupação e o colonialismo não começou em 7 de outubro, mas sim há 105 anos, incluindo 30 anos de colonialismo britânico e 75 anos de ocupação sionista. Em 1918, o povo palestino possuía 98,5% das terras da Palestina e representava 92% da população na terra da Palestina, enquanto os judeus, que foram trazidos para a Palestina em campanhas massivas de imigração, em coordenação entre as autoridades coloniais britânicas e o Movimento Sionista, conseguiram controlar não mais que 6% das terras na Palestina e representavam 31% da população antes de 1948, quando a Entidade Sionista foi anunciada na histórica terra da Palestina. Naquela época, ao povo palestino foi negado o direito à autodeterminação, e as gangues sionistas empreenderam uma campanha de limpeza étnica contra o povo palestino, com o objetivo de expulsá-lo de suas terras e áreas. Como resultado, as gangues sionistas tomaram o controle à força de 77% da terra da Palestina, de onde expulsaram 57% do povo da Palestina e destruíram mais de 500 vilarejos e cidades palestinas, cometendo dezenas de massacres contra os palestinos, culminando na criação da Entidade Sionista em 1948. Além disso, em continuidade à agressão, as forças israelenses, em 1967, ocuparam o restante da Palestina, incluindo a Cisjordânia, a Faixa de Gaza e Jerusalém, além de territórios árabes ao redor da Palestina." (p. 65/66)

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Convivência pacífica é possível entre os diferentes?

Acho interessante citar uma passagem do livro que me fez lembrar da convivência entre povos e credos diferentes em outras partes do mundo ao longo da história.

"O povo palestino sempre se posicionou contra a opressão, a injustiça e a prática de massacres contra civis, independentemente de quem os comete. E, com base em nossos valores religiosos e morais, afirmamos claramente nossa rejeição ao que os judeus sofreram nas mãos da Alemanha nazista. Aqui, lembramos que o problema judaico, em essência, era um problema europeu, enquanto o ambiente árabe e islâmico foi, ao longo da história, um refúgio seguro para o povo judeu e para outras pessoas de outras crenças e etnias. O ambiente árabe e islâmico foi um exemplo de convivência, interação cultural e liberdades religiosas. O conflito atual é causado pelo comportamento agressivo sionista e sua aliança com as potências coloniais ocidentais; portanto rejeitamos a exploração do sofrimento judaico na Europa, para justificar a opressão contra nosso povo na Palestina." (p. 75)

Como aceitar a situação na qual se encontra o povo palestino em Gaza?

"(...) No curso da agressão em Gaza, a ocupação israelense privou nosso povo em Gaza de alimentos, água, medicamentos e combustível, privando-os simplesmente de todos os meios de vida..." (p. 75)

Na parte três os leitores têm acesso a documentos formais do Hamas e na parte quatro há um conjunto de artigos e reportagens sobre o evento de 7 de outubro e o período posterior.

Há diversas matérias de inúmeras fontes que alegam que parte das mortes de judeus ocorreu por ataques das próprias forças militares de Israel naquele dia 7 de outubro.

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LER PARA COMPREENDER

Enfim, a leitura do livro com a versão do povo palestino no conflito trágico da ocupação da Palestina desde 1948 agrega informações a qualquer pessoa que queira compreender melhor a questão.

Sigamos lendo, estudando e tentando compreender o mundo para influir nele e modificá-lo em busca da justiça, da verdade e da possibilidade de convivência sustentável, igualitária e pacífica entre todas as pessoas e demais formas de vida.

A vida na Terra pode ser melhor.

William

27/05/26


Bibliografia:

O Hamas conta o seu lado da história. Edição geral Rui Costa Pimenta. São Paulo: Editora Democritus, 2024. 

terça-feira, 26 de maio de 2026

Livro: Sussurros Metropolitanos - Sandro Sedrez dos Reis



Refeição Cultural

"Todas as histórias passam por términos..." (Sandro Sedrez)


Após ler dois livros de não ficção, leituras que considerei exigentes e cansativas, dei-me o direito ao prazer das estórias ficcionais. 

Em literatura, estórias ficcionais nos colocam em contato com histórias de personagens que poderiam ser qualquer um de nós, leitores do mundo.

Peguei na estante o livro Sussurros Metropolitanos (2024), de Sandro Sedrez dos Reis. 

O autor é meu amigo, trabalhamos juntos na área de gestão de saúde, e após uma vida de serviços prestados à comunidade do Banco do Brasil, Sandro está se dedicando a nos presentear com suas narrativas marcantes. 

Logo após a aquisição do livro, li os três primeiros contos, da primeira parte da obra, e gostei muito das estórias: "Uma História de Café da Manhã ", "Visitas, Mimos & Segredos" e "Tá descendo?".

Depois, me envolvi com as outras diversas leituras que faço ao mesmo tempo e guardei os Sussurros Metropolitanos

Recentemente, decidi mudar um pouco minha estratégia de leituras: vou ler um livro de cada vez ou, no máximo, dois livros com temáticas bem diferentes. 

Foi com essa nova estratégia de leituras que escolhi retomar e terminar o livro Sussurros Metropolitanos

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Almas e Rodas (p. 93)

Uma delícia de narrativa! A personagem Lúcia é encantadora. O nosso mundo está carente de lúcias e beatrizes.

- Ninguém solta a mão de ninguém, não é, Nina?

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Memória (p. 125)

Que diferença um gesto pode fazer na vida de alguém?

Narrativa incrível! O final da estória é de arrepiar!

Ao que parece, ao nos apresentar personagens como Lúcia ("Almas e Rodas") e Vicente, o autor nos lembra que a esperança no ser humano pode estar ao redor de cada um de nós, nas pessoas comuns do cotidiano. 

Assim seja, Sandro!

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Voz nos Trilhos (p. 153)

Para alguém que cresceu em cidades do interior como eu (Uberlândia, MG), causos como o investigado por Walter e Werner são comuns. 

Cantos, becos e passagens entre um lugar e outro são locais propícios para os sussurros da noite. 

Narrativa envolvente!

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Desfolha Outonal (p. 179)

Amig@s leitores, esse escritor, Sandro Sedrez, sabe pegar a gente de jeito...

Nossa! Essa estória bateu fundo neste leitor que vos escreve...

Após o término do conto, só foi possível enxugar a lágrima, calçar o tênis e sair para caminhar... respirar entre as árvores. 

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Invisível (p. 197)

Uma estória dramática a do personagem Joaquim, ou Quincas.

O autor nos coloca em enredos nos quais poderíamos figurar como personagens principais. 

A identificação do leitor com os personagens, os acontecimentos e os sentimentos amplia muito a experiência da leitura. 

Torci muito por Joaquim nesta narrativa. 

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Um dia de (Ro)Tina(S) (p. 213)

Sandro tem uma habilidade incrível de nos transportar para a história que nos conta, para nos colocar ao lado dos personagens e de seus dramas e sentimentos. 

Ao lado de Tina, vivi por instantes os desafios de milhões de mães solo no Brasil e no mundo. Refleti sobre muita coisa. 

Literatura também é isso.

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Conexão (p. 241)

O autor fechou com chave de ouro o livro através deste conto.

Haveria um destino desenhado para cada pessoa ou ser vivente? Como compreender os acasos e as veredas que a vida nos apresenta?

A história de Endrigo nos põe a pensar...

De fato, os aeroportos são lugares cheios de histórias...

Assim como a vida da gente.

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COMENTÁRIO FINAL 

O escritor Sandro Sedrez dos Reis é escritor refinado, criador de textos bem escritos e muito reflexivos.

As narrativas que nos conta trazem questões muito contemporâneas, tanto pessoais quanto coletivas, da vida em sociedade. 

Sandro tem a habilidade de colocar os leitores no cenário das histórias que conta, nos vemos nas cafeterias, nas ruas, ao lado das personagens. 

Seus textos nos dão prazer, algo raro hoje em dia, um prazer intelectual e popular, pois suas personagens são gente como a gente.

Valeu muito a leitura! Estou pensativo por causa de várias histórias que vivi com os Sussurros Metropolitanos

William 

26/05/26

domingo, 24 de maio de 2026

Leituras Capitais - Lula vai virar a página?




Refeição Cultural

CartaCapital nº 1412


LULA VAI VIRAR A PÁGINA?

O governo dividido entre o confronto com o Congresso e a aposta em uma agenda positiva contra a crise política


Mais uma edição lida por inteiro da revista semanal CartaCapital. A leitura me trouxe informações que eu não tinha e me fez refletir sobre algumas questões.

As matérias de capa e da seção "Seu País", que tratam das "derrotas" do governo Lula ao ter rejeitado sua indicação ao STF e ao ver cair o veto total à Lei da Dosimetria, e alguns textos sobre o mesmo tema como, por exemplo, o artigo "Dupla derrota para a democracia", de Pedro Serrano, enumerando as inconstitucionalidades praticadas por aquele Congresso de maioria de extrema-direita, uma gente troglodita eleita na onda bolsonarista, não me acrescentaram muita coisa. 

As aspas nas "derrotas" é porque não é o governo Lula que vem sendo derrotado diuturnamente por aquela canalha eleita ao Congresso pelo povo brasileiro. As derrotas são desse mesmo povo, da natureza, do mundo. Aqueles parlamentares federais em sua maioria estão usando todo o recurso do país, o orçamento, para favorecerem a si mesmos e aos seus "parças", e o povo continua capturado no pão e circo, na agenda do futebol, nas dancinhas e nas "bet" em suas telas-mundo, e na fé total em um bando de "pastores" vigaristas manipulando a boa-fé da gente simplória.

É o cotidiano da gente...

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GESTÃO DE SAÚDE

"A aprovação, na Câmara dos Deputados, de projeto que permite destinar recursos da saúde para o custeio de serviços pré-hospitalares realizados por Corpos de Bombeiros Militares altera profundamente o marco legal vigente. Ao incluir essas ações como despesas computáveis no piso constitucional da saúde, abre-se espaço para uma disputa direta por recursos já escassos."

A matéria mais grave é a última da revista, o artigo de Arthur Chioro, médico sanitarista e professor da Escola Paulista de Medicina (Unifesp), com o título "O SAMU por um fio" (p. 57).

"O Congresso tira recursos do serviço de urgência e coloca em perigo a sua sustentabilidade financeira" 

É desesperador, amig@s leitores! Fui gestor eleito de uma importante autogestão em saúde, que na minha época tinha um modelo assistencial baseado em atenção primária e medicina de família e comunidade. Aprendi bastante sobre gestão de sistemas de saúde e esse conhecimento aguçou minha percepção ao tema.

Chioro foi Ministro da Saúde no governo de Dilma Rousseff entre 2014 e 2015, mas no artigo de CartaCapital ele nos conta que coordenou a criação e implantação do SAMU-192, em 2003, no primeiro governo do presidente Lula.

Após explicar o que significa o SAMU, muito mais que um chamado a ambulâncias, ele explica que aqueles caras do Congresso, que falei acima, aprovaram uma lei que retira recursos do sistema e permite aberrações como a que ocorreu no estado do Mato Grosso, no qual o sujeito eleito lá em 2022, um bolsonarista de difícil descrição, extinguiu o SAMU e transferiu ao Corpo de Bombeiros o que o sistema fazia.

É terrível! O risco para o SUS e o SAMU é enorme.

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PLURAL

O SEGREDO DO OUZO (p. 48)

História - A tradição familiar e o clima único da ilha de Lesbos preservam a produção do célebre destilado grego à base de anis

Por Giacomo Sini, de Lesbos

A reportagem foi novidade pra mim. Eu não conheço essa bebida e sua tradição. Na época da faculdade, li alguma coisa sobre a poeta Safo e sobre a ilha de Lesbos. Mas não me lembrava mais. Texto interessante!

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O BAÚ DO REPÓRTER (p. 52)

Acervo - Fernando Morais prepara o lançamento de um centro de memória a partir dos próprios e de arquivos doados

Por Sérgio Barbo

Fiquei encantado com a novidade e a descrição do acervo do imprescindível escritor e jornalista Fernando Morais. Cara, que acervo espetacular! 

Queria ser como ele e queria ter as habilidades excepcionais de Morais! É uma referência a todos nós que gostamos de história e conhecimentos.

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ECONOMIA

CADÊ O CARTEIRO? (p. 32)

Estatal - Os Correios enfrentam um processo de encolhimento e descaracterização e precisam mirar iniciativas internacionais

Por Carlos Drummond

A leitura da matéria me deixou triste, sou um grande defensor das empresas públicas e sei da importância delas para o país e para o povo. Temos que defender os Correios e achar soluções para sua manutenção e fortalecimento.

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SEU PAÍS

DÍVIDA HISTÓRICA (p. 22)

Memória - MPF cobra da Caixa aprofundamento de investigação sobre poupanças de escravizados

Por Maurício Thuswohl

Outra matéria que me deixou pensativo foi essa relacionada a Caixa Econômica Federal e a questão das populações escravizadas. Tenho muitos senões a respeito.

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Enfim, a leitura da revista semanal do Mino Carta, hoje comandada por Manuela Carta, é sempre proveitosa. Sempre! 

Sigamos lendo e nos informando e refletindo sobre as informações do mundo.

William

sábado, 23 de maio de 2026

Livro: A era da empatia - Frans de Waal



Refeição Cultural

"Se eu fosse Deus, me esforçaria para que os humanos alcançassem a empatia." (p. 288)


O biólogo primatólogo Frans de Waal nos apresentou no livro "A era da empatia", lançado em 2009, reflexões a partir de estudos feitos por ele e suas equipes ao longo de décadas. Ao retomar a leitura, soube que ele faleceu em 2024, acometido por um câncer de estômago. 

Quando vi o livro em 2010, me interessei na hora pelo tema da empatia. Eu era dirigente sindical de uma grande categoria e me esforçava com sinceridade para me colocar no lugar dos outros no diálogo e representação política de milhares de pessoas. 

Do lançamento do livro sobre a empatia aos dias de hoje, a sociedade humana mudou substancialmente em curtíssimo espaço de tempo. O autor disse que se fosse Deus, faria um esforço para que os humanos alcançassem a empatia. Vieram as big techs, os algoritmos e as redes antissociais, e o ódio ao outro, ao diferente, é na atualidade o sentimento que mais engaja pessoas no mundo.

"(...) Hoje, com tantos grupos diferentes se acotovelando num planeta abarrotado, o maior problema é o excesso de lealdade dos indivíduos em relação a seu país, grupo ou religião. Os humanos são capazes de desprezar profundamente todo aquele que pareça diferente ou que pense de outra forma, mesmo quando se trata de grupos vizinhos e com DNA quase idênticos, como é o caso dos israelenses e dos palestinos. As nações julgam-se superiores aos países vizinhos e as religiões acreditam ser donas da verdade." (p. 288/289)

Frans de Waal disse isso em 2009...

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SOMOS NATUREZA, PARTE DA NATUREZA, NÃO SOMOS ALHEIOS A ELA

"(...) Afinal, a psicologia deriva seu nome de Psiquê, a deusa grega da alma. Essas raízes religiosas refletem-se na resistência inabalável à segunda mensagem da teoria da evolução. A primeira é a de que todas as plantas e animais, incluindo a espécie humana, são produto de um único processo. Essa ideia é amplamente aceita hoje em dia, inclusive fora da biologia. Mas a segunda afirma que há uma continuidade entre a nossa espécie e todas as outras formas de vida, não somente do ponto de vista corporal, mas também do ponto de vista mental. Isso permanece difícil de engolir..." (p. 292/293)

Quando se trata de refletir sobre nossa natureza violenta, ao matar, estuprar, fazer guerras, parte da sociedade atribui isso ao DNA, à nossa genética. 

"(...) É somente com relação às características consideradas nobres que a continuidade é colocada em dúvida, e a empatia é um bom exemplo disso." (p. 293)

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O LADO SOMBRIO 

Frans de Waal, no último capítulo, nos apresenta outras possibilidades oriundas da capacidade da espécie humana de se colocar no lugar dos outros e de outras espécies. 

Durante a leitura do livro, o leitor vai compreendendo que a empatia ocorre sob determinadas condições. Identificação é uma das condições. 

"(...) A empatia precisa tanto de um filtro que nos faça selecionar as situações às quais reagimos quanto de um dispositivo que permita ligá-la ou desligá-la. Como toda reação emocional, a empatia tem um 'portal', uma situação que tipicamente a desencadeia ou na qual permitimos que ela se manifeste. O principal portal da empatia é a identificação." (p. 301)

O autor explica que para aquelas pessoas com as quais nos identificamos, o 'portal' está sempre aberto. Fora desse círculo, a empatia é opcional. 

"(...) Por outro lado, há ocasiões em que o portal é fechado deliberadamente, como, por exemplo, quando suprimimos a nossa identificação com as pessoas que fazem parte de um grupo inimigo declarado." (p. 302)

Entra em ação o processo de desumanização, recurso historicamente empregado para justificar atrocidades cometidas contra grupos diferentes, nos explica o biólogo. 

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EM BUSCA DA EMPATIA

Entre a aquisição do livro de Frans de Waal e o término da leitura foram dezesseis anos. Nesse período, eu vi muita coisa acontecer no Brasil e no mundo. Vi as vidas seguirem e vi muitas vidas serem interrompidas.

Após a aquisição do livro sobre empatia, um comportamento humano desejado por mim na relação entre as pessoas, vi as "primaveras fabricadas" derrubarem governos mundo afora. Vi homens por trás de big techs inventarem formas de engajar pessoas pelo ódio, pelo oposto da empatia.

Vi as manifestações de junho de 2013 iniciarem uma longa noite de terror no Brasil; o golpe contra Dilma; a prisão injusta de Lula; a armação que colocou Bolsonaro no poder. Vi a pandemia mundial de Covid-19 matar milhões de pessoas, principalmente nos países com governos negacionistas, Trump e Bolsonaro à frente. A guerra na Ucrânia; o genocídio do povo palestino... 

Busquei exercer a empatia nos mandatos que tive à frente de movimentos e instituições importantes. Na formação sindical e política; na coordenação nacional das negociações do Banco do Brasil; na gestão de saúde da maior autogestão do país. Na relação com as pessoas próximas. Não é fácil ser empático sempre. Frans de Waal nos explica isso.

Saí do banco. Saí do movimento político. Rompi muitas relações antigas. O Brasil estava afundado no mal durante um governo fascista. Como precisávamos de empatia...

Li dezenas e dezenas de livros nos últimos anos. Compreendi muita coisa e encontrei muitas respostas para questionamentos que fiz por décadas de vida.

Sigo desejando empatia. Um mundo com a prevalência da empatia entre as pessoas. Tenho muito mais noções hoje que antes.

Sigamos lendo, escrevendo, refletindo, buscando mudar a realidade e tentando ser mais empáticos nas relações com as pessoas e com os seres vivos no mundo.

(Vivi uma espécie de catarse ao escrever essa refeição cultural sobre o livro "A era da empatia" ao som de "Animal Instinct", do Cranberries. O videoclipe me faz viajar com aquela mãe e as crianças. O vídeo tem tudo a ver com empatia. Aliás, Dolores O'Riordan faleceu em 15/01/18, em Londres)

William


Bibliografia:

WAAL, Frans de. A era da empatia: lições da natureza para uma sociedade mais gentil. Com desenhos do autor. Tradução: Rejane Rubino. São Paulo: Companhia das Letras, 2010.

quinta-feira, 21 de maio de 2026

Sobre empatia (III): Lendo Frans de Waal



Refeição Cultural

LEITURA: A ERA DA EMPATIA

"(...) Se centenas de trabalhadores constroem um avião a jato contando com o trabalho uns dos outros, ou formam uma empresa em que os funcionários ocupam níveis muito diferentes, isso se deve apenas às nossas habilidades avançadas de organização, de divisão de tarefas, de armazenamento das interações passadas em nossa memória, da relação que estabelecemos entre esforço e recompensa, da construção de relações de confiança e da nossa capacidade de impedir o parasitismo. A psicologia humana evoluiu para possibilitar caçadas aos cervos cada vez maiores e mais complexas, ultrapassando de longe qualquer coisa que ocorra no reino animal. A caça de presas grandes pode ter sido o motor dessa evolução, mas os nossos ancestrais se envolveram em muitas outras empreitadas cooperativas, como o cuidado comunitário dos indivíduos mais jovens, a guerra, a construção de pontes e a proteção contra os predadores. Eles se beneficiaram da cooperação de uma infinidade de maneiras." (p. 257)


A cooperação entre os indivíduos está na base da construção das comunidades humanas. A ciência vem estudando essa questão há bastante tempo. Estou lendo o capítulo seis "Justiça seja feita".

Frans de Waal aborda no capítulo dois "O outro darwinismo" (p. 46-71) as teorias de Herbert Spencer, que adaptou para os negócios a Teoria da Evolução das Espécies - que se baseia em estudos das leis da natureza -, de Charles Darwin. Segundo Spencer, a sociedade humana não deveria ter nenhum tipo de cooperação entre os indivíduos, permitindo a "sobrevivência dos mais bem adaptados". 

Isso é ideologia, e essas ideias convencem muita gente porque somos influenciáveis. Quem detém os meios que criam as pautas e agendas que movem as pessoas e as sociedades, domina as ideias que prevalecem no mundo humano. 

O autor do Blog Refeitório Cultural segue no esforço de ler e estudar diariamente para manter a humanidade em si e para estimular as pessoas a lerem bons textos e bons autores. Ter conhecimento das ciências e da história humana é importante para se situar no mundo e para tentar compreender as coisas dos homens (mundo humano dominado pelos homens - raramente por mulheres).

Por décadas estive nas atividades de lutas dos movimentos reivindicatórios por mudanças sociais e políticas. Registro total apoio a ocupação das ruas pelas mudanças necessárias em benefício da coletividade. Neste momento, talvez contribua mais (ou de forma melhor) com nossas causas escrevendo e compartilhando o que sei e estudo.

As mobilizações terão resultados melhores se houver objetivos claros a serem alcançados, com métodos, com planejamento, estratégias e táticas de curto, médio e longo prazo. E com unidade de nossa classe de trabalhadores não detentores dos meios de produção. E com as pessoas sabendo o papel que cada uma delas tenha que desenvolver.

Isso eu sinto falta na atualidade: planejamento estratégico de onde chegar e como. Sugiro para a militância e para a juventude que além de estudar e ler diariamente - para se manterem humanas e não zumbis digitais -, façam planejamento estratégico, para que nossas lutas por mudanças da realidade tenham o melhor aproveitamento possível da cooperação humana, algo essencial para seguirmos por aqui, no planeta Terra. 

William 

21/05/26

Post Scriptum: os Estados Unidos são os predadores do momento. Sem cooperação inteligente e estratégica entre nós, seremos predados... não há dúvidas quanto a esse fato.

quarta-feira, 20 de maio de 2026

$. Vai ter copa nos EUA...


$. Vai ter copa nos EUA...

$. Rússia invade... fora
$. Putin comete crimes... Rússia fora...
$. Cuba exporta médicos... ameaça terrorista... fora
$. EUA bombardeia Venezuela... sequestra o presidente...
$. EUA bombardeia Irã... 1° alvo escola infantil...
$. EUA bloqueia sem motivos Cuba...
$. Israel... faz o que faz...
$. Vai ter copa nos EUA...

$. Não vi um progressista e democrata defender boicote à copa
$. E ainda vão levar aquele pilantra pra copa

Esse é o poder de quem define a pauta e agenda...

Normalizam tudo!

Até o Master é normal
O clã miliciano é normal
A Globo é normal...

O fim do mundo é normal
É só não olhar pra cima.


William Mendes
18/05/26 

Diário e reflexões



Refeição Cultural

Planeta Terra, 20 de maio de 2026. Quarta-feira. 


TODO MUNDO TÁ PRECISANDO DE AJUDA: QUEM PODERIA AJUDAR?

Como interagir com o mundo ao qual pertenço de forma consciente? Como mudar a realidade ao meu redor? 

Após a vida que vivi, e por ter sobrevivido até aqui, não me dou o direito de fazer de conta que não sei das coisas do mundo. Tenho noções que não tinha antes, quando fiz ou pensei coisas que não faria ou pensaria hoje. Nem posso fazer as perguntas que fazia antes, pois sei as respostas. 

Chegou um tempo em que saber as respostas não resolve nada. Tempo de absoluta compreensão de por que as coisas são como são. Poderia rimar mundo com Raimundo, seria uma rima, não uma solução... e nem sou Drummond, sou um qualquer no mundo raimundo. Um mundo de vidas severinas.

O que posso fazer pelas pessoas, pelas vidas raimundas e severinas? Pelas vidas comuns como a tua e a minha?

A senhora falando sozinha na calçada aqui do lado de casa: dizem estar há dois dias pela região; o idoso parado na frente do açougue morreu com um tiro na cabeça por causa de uma coisa qualquer que o ladrão queria. Nasci ali a poucos metros dessa morte severina no Rio Pequeno. Num instante estamos bem, noutro vem um surto, um AVC, um tiro. Fim.

Na casa de meus velhos pais, tudo está velho. O telhado da área não impede a água da chuva, molha mais dentro que fora. O que arrumar primeiro? A pia velha com vazamentos? O fogão velho e perigoso? O chão que pode derrubar um dos dois? O portão velho e pesado que não abre mais direito, pesadíssimo?

A tecnologia do momento, incluindo as chamadas "IA", está eliminando aceleradamente o trabalho humano, inclusive o de meus colegas da categoria bancária. A riqueza do sistema capitalista está se concentrando na mão de alguns fdp. O que faremos com o conjunto dos seres humanos sem recursos para sobreviver? A tecnologia, as "IA" usadas contra nós, é mais importante que a vida? Que o mundo?

No mundo das "IA" não haverá mais trabalho para uns 80% dos seres humanos que não têm dinheiro para sobreviverem. A Renda Básica da Cidadania (uma parte da riqueza do país distribuída a todos), objetivo de vida do nosso querido Eduardo Suplicy, seria uma solução básica para as comunidades humanas. Com uma renda de sustento e com a tecnologia que faz tudo que seja repetitivo e padronizável, nós poderíamos criar sinfonias, literatura, cultura, arte, cuidar da saúde dos seres vivos e do planeta Terra.

Mas alguns fdp não querem esse bem comum. Eles, inclusive, dominam as "IA" para acelerar a propagação de ódio, acumular a riqueza só pra eles e destruir aceleradamente a vida no planeta. 

Como mudar a realidade ao meu redor? Na minha casa, na frente de casa, na minha cidade, no mundo? No verdadeiro criador de tudo, o cérebro humano, a pauta que define a agenda daquela vida, está sendo definida neste segundo por alguma abstração, abstração que chegou a ele por uma fonte externa, uma fala, uma imagem, um texto, uma tela de celular, e o que o cérebro vê ao despertar definirá o que aquele ser fará. 

Como ajudar as pessoas e o mundo? Temos que discutir a questão da tecnologia que não beneficia a sociedade e a coletividade, somente alguns espertalhões. É preciso ter coragem de dizer não para certas tecnologias. 

Parte importante dos seres humanos vai precisar de ajuda humana em milhões de lares com milhões de pessoas idosas ou com dificuldades ou sem recursos financeiros. 

Que porra de "IA" vai fazer algo por lares e pessoas como meus pais, seus idosos, nossos irmãos com deficiência, pelas pessoas nas ruas sozinhas?

Tenhamos coragem de fazer essa discussão sobre limitar as "IA" na sociedade humana. Não se regula a destruição do capitalismo e o uso da tecnologia, pois são os capitalistas que definem a pauta e agenda no mundo. 

William 

terça-feira, 19 de maio de 2026

Viagem a Cuba (VI)



Refeição Cultural

"Que la dureza de estos tiempos no haga perder la ternura de nuestros corazones" (Ernesto "Che" Guevara)

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VISITA A CIDADE DE SANTA CLARA (CAPITAL DE VILLA CLARA)

Este texto e imagens fazem parte de um memorial da recente viagem que fiz a Cuba, país e povo que simbolizam a luta por uma sociedade alternativa ao modo capitalista de organização social, modelo baseado na exploração de homens e mulheres em benefício do lucro de pouquíssimos homens. A República Cubana adotou o socialismo como modelo de organização social. 

Fui com uma caravana solidária a Cuba entre o final de março e início de abril deste ano de 2026. O povo cubano tem enfrentado com valentia e criatividade o bloqueio criminoso dos EUA há décadas. No entanto, neste momento da história, o governo de Trump recrudesceu o bloqueio e ameaça invadir a ilha com força militar, como já vem fazendo desde janeiro: Venezuela e Irã foram agredidos pelos EUA. 

Nossa caravana era composta por 22 pessoas do Brasil, a maioria de Minas Gerais, pois a organizadora do grupo foi a companheira Telma Araújo, grande amiga de Cuba e responsável por brigadas latino-americanas e caravanas solidárias há décadas. Nossa estadia contou com apoio logístico da Amistur, agência de turismo do país. 

Fomos no final de semana de 28 e 29 de março a Santa Clara, capital do distrito de Villa Clara, para visitar o Monumento à captura do trem blindado e o Mausoléu do Che Guevara. A Batalha de Santa Clara e a captura do trem, ocorrida no dia 28 de dezembro de 1958 (conforme consta no memorial do trem blindado), foram decisivas para a vitória da Revolução liderada por Fidel Castro. 

Nessa batalha, os guerrilheiros liderados pelo Comandante Che Guevara utilizaram um trator-escavadeira para descarrilar um trem blindado com muitos soldados de Batista e, claro, muito armamento e munições para frear o avanço das tropas do Exército Rebelde do Comandante Fidel Castro. O local onde se deu a batalha abriga o Memorial, com vagões da época e esculturas de homenagem àquela batalha decisiva. 

MONUMENTO A LA TOMA DEL TREN BLINDADO





Além dos vagões e esculturas que compõem o ambiente de história e de cultura, há uma exposição de fotos da época, muito interessantes. 




O monumento da imagem abaixo é uma homenagem a Che Guevara e seus comandados na batalha vitoriosa em Santa Clara.



MAUSOLÉU DO CHE GUEVARA 

Quando chegamos a Santa Clara, no sábado, não havia energia elétrica, por causa do bloqueio estadunidense que impede a vida cotidiana dos cubanos. Sem luz não poderíamos visitar o Mausoléu do Che. 

No domingo, felizmente, havia eletricidade e visitamos o conjunto arquitetônico, uma obra que faz justiça aos heróis que homenageia.

Nossa caravana solidária foi tratada com muita deferência na visita ao Mausoléu. Os guias nos contaram a história sobre a vinda, no ano de 1997, dos restos mortais do Comandante Che e seus companheiros e dos demais combatentes enterrados ali.

Foi minha segunda visita ao Mausoléu do Che e a emoção tomou conta de mim como da primeira vez. A grandeza de Che Guevara e de seus companheiros será sempre uma referência para as pessoas que querem um mundo mais justo e solidário, livre da miséria humana causada pelo capitalismo. 





No conjunto arquitetônico do Memorial do Che Guevara há uma área com vasto material pessoal do líder revolucionário, abordando momentos de sua vida desde a infância até o período final na luta pela independência do povo da Bolívia. 

O jovem Che conhece Fidel Castro

Che e o cãozinho 

Raúl Castro e Che Guevara 

O Comandante Che

O garoto Che

Lendo Goethe

Che treina alpinismo

Abaixo, fotos especiais de nossa caravana de brasileiros solidários a Cuba e ao povo cubano. 

Brasileiros no Mausoléu do Che 

Brasileiros no monumento ao Che 

Brasileiros na sala sobre a história do Che 

Durante nossa estadia em Santa Clara, estivemos na sede do Partido Comunista de Cuba, onde se encontra uma estátua única de Che Guevara com um menino.

Sede do Partido Comunista de Cuba 
em Santa Clara 

Che e o menino 


Assinatura do Comandante "Che"


VIVA CUBA E A REVOLUÇÃO DO POVO CUBANO!

Nossa estadia em Santa Clara nos brindou com momentos de muita emoção e muito aprendizado.

Nossos guias durante toda a estadia em Cuba foram muito acolhedores e nos passaram muito conhecimento histórico. 

Visitem Cuba e apoiem o povo que vem sofrendo carências materiais absurdas resultantes dos ataques criminosos dos Estados Unidos à soberania do país. 

William 
19/05/26

segunda-feira, 18 de maio de 2026

Instantes (10h59)



Refeição Cultural

LEITURAS 


Ir ao Parque do Sabiá para caminhar e me despedir do paraíso ou ficar no quarto do hotel lendo um pouco mais o livro "A era da empatia", do primatólogo Frans de Waal, antes do check-out meio-dia?

Essa questão de ler ou praticar atividades físicas me acompanhou por décadas de sobrevivência. Enquanto vendia meu corpo e minhas horas de trabalho, sempre sofria por querer ler o que me desse vontade e não conseguir.

Vivi a vida assim, querendo ler e lendo menos do que quis, querendo correr e correndo menos do que quis. Não corri uma maratona enquanto tive um corpo para isso. Tudo bem. 

Mas trabalhei desde criança, tentei fazer bem feito o que pagaram por meu corpo e minhas horas, até representei meus pares da classe trabalhadora. 

Nem pensei chegar aos trinta anos. Durei quase o dobro disso. Sorte demais a considerar o mundo violento no qual vivi: o Brasil. 

Não fui ao Parque do Sabiá. Estou meio travado e sem ânimo no momento. Avancei mais um capítulo do livro de ciências. 

Estranho. Pode ser algo geral, do meio ao qual vivo como ser, ou individual, só deste ser que reflete. Tem sido difícil ler textos complexos, longos e estruturados como os textos de livros. 

Tenho feito um esforço grande para recuperar a disciplina que já tive para seguir até o fim desafios que começo como leituras de livros. Não estava terminando nenhum dos inúmeros livros que começava. 

Agora, para insistir em permanecer humano, pois ler é essencial para seguir humano nessa sociedade destruindo humanos, vou ficar na leitura de um único livro até o fim. Tenho dezenas de livros começados. Chega disso. Só ponho a mão em outra leitura quando terminar uma leitura. 

E não está fácil ler, no meu caso... Só eu sei os porquês.

Enfim. Não corri nem andei no Sabiá hoje. O Parque está em meu coração. Li mais um pouco do livro que estou degustando.

Ler é salvar o ser humano. Temos que salvar a humanidade das "IA" destruidoras de cérebros e humanos. Escrever é salvar o ser humano. Por isso escrevi aqui.

Seguimos.

Will i am

18/05/26

domingo, 17 de maio de 2026

Diário e reflexões



Refeição Cultural

Uberlândia, 17 de maio de 2026. Domingo. 


A paisagem diante de meus olhos me leva ao passado, às memórias da existência. 

À esquerda, onde hoje é um galpão, morei em 1980 aos 11 anos de idade. Era uma casinha de fundo no terreno da Dona Nenzinha, benzedeira do bairro Marta Helena: na Av. Comendador Alexandrino Garcia. Lá adiante, fica o Hortêncio Diniz, onde estudei da 5a à 8a série. 

Olhando para frente, vejo no horizonte a Av. Antônio Thomaz Ferreira de Rezende, na qual corria quando era um garoto, um adolescente. Eu ia correndo até o Cruzeiro do Sul ou seguia até a fábrica da Souza Cruz. Isso foi há mais de quarenta anos.

Ontem corri 5 Km no Parque do Sabiá, um paraíso, na minha opinião. Estou insistindo em correr e caminhar porque sou teimoso e disciplinado. Imagino que a maioria das pessoas com desgastes e dores no sistema de locomoção não faria o esforço para a atividade física. 

Por me conhecer, para combater colesterol alto, pressão alta e para ser feliz por alguns minutos, preciso correr. Correr é viver. E aprendi nas leituras que viver é bom.

Cada um sabe de si mesmo. Quer dizer, deveria saber de si e ter noções gerais das coisas do mundo e da vida. Desconfio que a maioria, neste momento, não saiba muita coisa nem de si, nem do mundo. As pessoas são levadas a seguir modas. A moda, me parece, é ser ignorante, é se vangloriar de não saber quase nada. 

Eu tenho noções de algumas coisas. Tenho consciência que não sei quase nada, mas não me orgulho disso. Gostaria de saber mais, de ser um sábio. Mas mesmo não sabendo de quase nada, desconfio de muita coisa (como disse um personagem de Guimarães Rosa). Sei, por exemplo, que tudo muda o tempo todo. Tenho consciência e percepção das mudanças. 

Sinto as mudanças em andamento. Antes não pensava nisso. Agora penso. Sinto as mudanças em mim. Vejo as mudanças ao meu redor. Sinto as mudanças de forma mais clara. Por ter um pouco de noção do que sou, fui, poderia ser, entendo que nós existimos interagindo com o mundo ao redor. Modificamos o mundo ou somos modificados por ele.

Nós humanos estamos destruindo o planeta Terra, estamos permitindo que alguns humanos predominem modificando a maioria dos humanos, mudando para pior as pessoas ao nosso redor. Uma parte de nós tem consciência disso. Outra parte não tem. A ignorância pode ser por escolha ou por falta de oportunidade. 

Entretanto, tenho consciência que por saber disso não tenho o direito de não fazer nada. Quem sabe dessa merda toda ao redor tem a obrigação moral de fazer algo para mudar a realidade coletiva para melhor. 

Tenho noção das mudanças que estão ocorrendo em mim. Muito disso é natural, é a natureza, pois sou natureza. Em alguns momentos, quase cedo ao meu lado animal, quase cedo ao cansaço, ao desânimo, ao querer me encostar num canto e esperar o fim. No instante seguinte, felizmente, prevalece minha porção vivência, experiência e conhecimento acumulado. Ufa! 

Sigamos lutando da forma possível para interferir nas mudanças porque temos inteligência para mudar a realidade em benefício da vida coletiva. É possível salvar a humanidade e a vida no planeta da destruição provocada por uma parcela de nossa espécie. Mesmo quando um de nós fica pelo caminho, outro está na luta. 

Seguirei lendo, e não está fácil ler como antes (vou ler livros e terminá-los por mais difícil que seja o ato: visão não é mais a mesma, dores no corpo ao ler sentado ou em pé etc), mas persistirei na leitura e na escritura, mesmo com meu corpo me atrapalhando fazer o que me motiva a vida: correr, ler, escrever.

Me desculpem a ausência nas ruas em eventos nos quais atualmente vou pra somar e fazer volume (não lidero nem represento ninguém), estou escolhendo onde posso contribuir com as mudanças. Tenho que focar minha energia em alguma coisa que possa agregar algo nas lutas de definição do presente e futuro. Vou ler e escrever, tentar defender ideias para a coletividade. 

William 

11h47

sexta-feira, 15 de maio de 2026

Sobre empatia (II): Lendo Frans de Waal



Refeição Cultural

LEITURA: A ERA DA EMPATIA

"(...) A solidariedade difere da empatia pelo fato de ser proativa. A empatia é o processo pelo qual nos damos conta da situação de outra pessoa. A solidariedade, em contraste, reflete a nossa preocupação com o outro e um desejo de fazer com que a sua situação melhore..." (p. 130)


O autor, Frans de Waal, nos explica alguns conceitos em relação a comportamentos de animais, dentre eles, os humanos. 

A empatia é mais intuitiva, mais emocional e menos racional, pelo que pude entender. Mas a inteligência pode atuar sobre a empatia. 

Waal explica um pouco isso citando dois casos de filhotes de primatas sob risco de morte (presos com cordas no pescoço). Em um, o filhote morre pela ação inadequada da mãe, em outro, o filhote é salvo por uma ação mais eficiente do salvador.

"(...) é preciso inteligência para inibir o impulso natural de puxar e substituí-lo por uma ação mais eficiente. Casos como esses ilustram os dois processos diferentes que entram em jogo no comportamento de ajudar alguém: emoção e raciocínio." (p. 147)

Comentário:

E aí, volto a outro conceito do capítulo anterior, sobre identificação, para tentar compreender o momento no qual eu e vocês nos encontramos: uma sociedade humana polarizada de forma planejada por grupos que detêm o poder e os meios para isso (e que utilizam as "IA" para alcançar seus objetivos). 

"(...) E embora nos identifiquemos facilmente com nossos semelhantes, não o fazemos automaticamente. É difícil, por exemplo, nos identificarmos com pessoas que consideramos diferentes ou que encaramos como pertencentes a outro grupo. A identificação ocorre mais facilmente com as pessoas que têm a mesma origem cultural que nós, os mesmos traços étnicos, a mesma idade, o mesmo sexo, profissão, e assim por diante." (p. 118)

A empatia pode ser suprimida de forma consciente e racional, e pode ser trabalhada para o efeito oposto em relação ao comportamento empático. 

"(...) Pessoas que se mostram perfeitamente sensíveis e efetivamente ligadas aos outros num determinado contexto podem agir como monstros em outra situação." (p. 119)

Comentário final

Estamos sendo usados como cobaias num experimento das big techs há mais de uma década. Os algoritmos se utilizam de todos os nossos dados pessoais para nos manusear como gados em criadouros. Somos compartimentados e manipulados diuturnamente.

As big techs, no contexto atual da fase capitalista, se apropriaram dos avanços nas ciências duras, as de tecnologia, e também da neurociência e estudos do comportamento animal para modificar as gerações atuais de seres humanos.

Existe muita ciência e intenção por trás dos algoritmos das big techs para modificar os seres humanos desde a mais tenra idade até aqueles que têm décadas de vida e que ainda participam da vida cidadã nas cidades do mundo. 

É um erro acharmos enquanto espécie que é possível "controlar" ou "regular" os efeitos das "IA" sobre os seres humanos. As "IA" estão sendo usadas para emburrecer e dominar a espécie humana. 

Temos que tomar consciência disso e reverter o uso e avanço dessa ferramenta utilizada pelos donos do poder global, uma minoria de humanos que estão definindo a destruição do mundo e da vida na Terra. 

Somos mais importantes que essa droga, essa abstração inventada por nossa espécie. 

William 

15/05/26

quinta-feira, 14 de maio de 2026

Instantes (17h)



Refeição Cultural

Olhando a paisagem a partir da janela do ônibus na estrada... refletindo sobre as coisas. 

O que posso fazer pelas pessoas? Pelo mundo? Pela vida? Que influência ou capacidade tenho de mudar a dura realidade?

Na paisagem, vejo a imensidão do deserto verde, inóspito à diversidade, à vida geral. Cana-de-açúcar ou outra commodity qualquer: praga do inferno!


"IA" E O FIM DO MUNDO 

Entendi que para salvar a humanidade, a vida e o planeta Terra, temos que reverter o uso e a dependência das tais "IA", ferramentas tecnológicas apropriadas pelo capitalismo para acelerar a eliminação da mão de obra humana. 

Usadas também para manipular nossa espécie numa escala nunca vista antes, com potencial de nos fazer mais burros que ovelhas.

Controle social e ou regulação das "IA"? É pura ilusão, autoengano das pessoas de boa-fé. Não é possível controlar ou regular o capitalismo e as "IA".

Os usuários dessa droga, as "IA", terão que ser convencidos da ameaça existencial dessa ferramenta à nossa espécie. É difícil convencer um usuário de uma droga a deixar de usá-la. Ele não importa com o resultado ser a sua eliminação. 

O que posso fazer a respeito disso? Como lutar pela vida, pelo planeta Terra e pela espécie humana? Eu? Euzinho?

Temos que eliminar as "IA" e também a destruição acelerada resultante do capitalismo.

O que posso fazer sobre isso?

William 

14/05/26

(Na estrada)