quarta-feira, 8 de julho de 2026

Desenhos e gibis na infância (19)


Entre 1976 e 1979 aprendi a ler e escrever na Escola Estadual Prof. Adolfino Arruda Castanho, no bairro Rio Pequeno, na capital paulista. A escola pública me abriu caminhos para a vida.

Ao conhecer as letras e as palavras que transmitem a linguagem humana através de textos escritos em diversos tipos de suportes, comecei a ler gibis e livrinhos pequenos.

Meus pais foram muito importantes na minha vida porque não dificultaram meu acesso aos materiais de leituras na infância. Eles compravam gibis pra mim. 

Pode parecer uma obviedade pais estimularem a leitura aos filhos em certas comunidades humanas, mas naquela época, alguns pais achavam isso uma bobagem, perda de tempo e dinheiro. 

Nossa família não tinha muitos recursos, morávamos de aluguel, meus pais tinham muitos irmãos e nós, Telma e eu, dezenas de primas e primos. Não sei se meus primos puderam ler na infância. Alguns puderam.

Me lembro saudosamente de ler gibis da Turma da Mônica, do Tio Patinhas e, às vezes, alguns de super-heróis: Superman, Homem Aranha, Batman, Homem de Ferro, Surfista Prateado e Mandrake. 

Com uns oito ou nove anos, eu já me esforçava em desenhar personagens dos gibis em cadernos, só no olhar, e até hoje tenho alguns desenhos que me surpreendem, me pergunto como fiz aquilo!

Ler e desenhar na infância deve ter tido um impacto positivo no que eu viria a ser quando crescesse, inclusive para superar a duríssima adolescência. 

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Instantes de uma vida 

terça-feira, 7 de julho de 2026

Instantes (21h08)


O sol é para todos 


Refeição Cultural

Saí pensando se caminhava um pouco ou arriscava o primeiro trote após o descolamento do humor vítreo do olho esquerdo, ocorrido em 27 de maio. 

Desde então, minha visão é mais ou menos como um parabrisa sob uma chuva de petróleo, enquanto o limpador joga o óleo pra lá e pra cá. Os médicos chamam as manchas de "moscas volantes". 

Felizmente, o embaçamento inicial melhorou, estava enxergando muito mal nas primeiras semanas. Agora, são só as moscas volantes zoando a minha visão do mundo.

Fiz o trotinho de dois quilômetros, bem tranquilo, concentrado na pisada. Ainda estou aqui! 

Depois, ainda fiz minha série de exercícios para retardar a sarcopenia (perda de massa muscular) e melhorar a força física. 

Não será por causa das moscas volantes que deixarei de correr um pouco. Os desafios são outros em meu veículo condutor de mim. 

Em breve, levarei os exames de imagens que fiz para o médico ortopedista avaliar como estão meus quadris e colunas lombar e cervical. Algo não vai bem no meu corpo. 

Estou percebendo um enrijecimento de meus pés e pernas; a coluna também está me incomodando e talvez consiga algum diagnóstico sobre a situação. 

Ainda estou aqui, e tento fazer a minha parte em respeito às pessoas com as quais convivo e na esperança de fazer algo útil para a coletividade e o planeta Terra. 

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Comecei nova leitura hoje, livro de Aline Bei. Estou estudando kanjis para exercitar minha memória. Gostaria muito de ter uma biblioteca e um local para ler e escrever algumas horas por dia. Ainda não consegui resolver isso. 

Se eu tivesse um desejo a pedir a um gênio da lâmpada mágica, eu pediria que ele intercedesse salvando os palestinos do extermínio promovido pelos sionistas. Se fossem dois desejos, seriam os cubanos os atendidos, livrando eles dos Estados Unidos.

Sigamos! Desistir, nunca! Render-se, jamais!

William 

07/07/26

Livro: Esquerdismo, doença infantil do comunismo - Vladímir Ilitch Lênin



Refeição Cultural

LITERATURA POLÍTICA


INTRODUÇÃO 

As reflexões e ensinamentos do grande líder revolucionário russo Vladímir Ilitch Lênin, que além de ser um homem da práxis era um intelectual orgânico do movimento de esquerda internacional, sempre foram referências para nós da esquerda brasileira. 

A minha formação política não foi revolucionária, devo registrar essa questão logo de cara em meus comentários sobre a leitura do livro Esquerdismo, doença infantil do comunismo, texto escrito por Lênin em 1920. Fui politizado pelo movimento sindical bancário, na corrente política Articulação Sindical da CUT, corrente surgida em meados dos anos oitenta. 

Quando virei dirigente sindical da CUT, no início dos anos dois mil, já tinha mais de trinta anos de idade e uns doze anos de categoria bancária. Mesmo assim, foram necessários alguns anos de sindicalismo cutista para compreender o que eu era e representava, nossas concepções e práticas sindicais. 

O Novo Sindicalismo surgido nos anos setenta e oitenta, liderado por figuras como Lula dos metalúrgicos, Gushiken e Augusto Campos dos bancários, e outras lideranças da classe trabalhadora brasileira, tinha na sua práxis muito do que li nesta clássica obra de Lênin, mesmo não sendo um movimento revolucionário. 

A CUT nasceu com outra concepção sindical, principalmente sua corrente hegemônica, a Articulação Sindical. Os sindicatos tinham como prioridade conquistar direitos e melhores condições de trabalho e não o foco na revolução socialista, como um braço do partido revolucionário. 

Enfim, essa obra de Lênin sobre o esquerdismo infantil sempre balizou o nosso sindicalismo, principalmente no que diz respeito as estratégias e táticas para se alcançar os objetivos, tanto imediatos quanto históricos da classe trabalhadora. O que li não foi diferente do que ouvi, aprendi e pratiquei enquanto dirigente sindical cutista. 

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POR QUE LI AGORA O TEXTO DE LÊNIN?

Recentemente, em um evento internacional, o presidente Lula afirmou para lideranças políticas de grandes países, que nunca foi "esquerdista". Isso gerou diversas reações aos mais diversos espectros políticos que existem. 

Pela vivência e experiência ao ser militante cutista por décadas, entendi perfeitamente o que Lula disse, e é exatamente isso: Lula nunca foi um "esquerdista", num sentido muito parecido ao que Lênin desenvolve em seu texto: não fazer frentes com grupos diferentes mais à direita e ao centro; não disputar parlamentos e eleições burguesas; não fazer composições com pelegos para fazer parte de sindicatos etc.

A CUT e o PT também nunca foram "esquerdistas" no sentido leninista de táticas e estratégias. É a minha opinião. São de esquerda, mas construíram suas histórias de lutas e conquistas fazendo mobilizações com frentes amplas, compondo com forças políticas diferentes, participando de parlamentos e direções sindicais conservadores e "pelegos" em composições de chapas, organizando movimentos e negociando avanços para seus representados - a classe trabalhadora -, sempre construindo reivindicações que congregam questões imediatas e históricas e de interesse das classes populares. 

Comecei a ler o livro através de uma edição digital, no Kindle, e acabei comprando uma edição impressa, na qual finalizei a leitura. 

Aliás, edição espetacular a da série "Armas da crítica", Arsenal Lênin, da Boitempo, 2025. Recomendo!

Foi muito bom ler Esquerdismo, doença infantil do comunismo, de Vladímir Ilitch Lênin. 

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Apresentação 

O texto inicial de Atilio Borón na edição que adquiri da Boitempo foi muito esclarecedor sobre as ideias marxistas-leninistas.

Li a apresentação após o fim de minha leitura do livro e ensaio de Lênin no Kindle. São 30 páginas que agregam muita informação. 

Estava terminando a leitura na edição virtual quando decidi ter o livro "de verdade" rsrs, em edição impressa. 

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Apêndice - Sobre a doença infantil do "Esquerdismo" e o espírito pequeno-burguês

Texto de maio de 1918. Excelente e muito atual para pensarmos a China que chegou até aqui, na minha opinião.

Lênin aborda bastante o Capitalismo de Estado, etapa necessária para se chegar ao Socialismo de Estado. Algo assim, nas minhas palavras. 

Alguns excertos:

Correlação de forças 

"(...) Quando éramos representantes de uma classe oprimida, não adotávamos uma atitude leviana perante a defesa da pátria na guerra imperialista, negávamos por princípio essa defesa. Quando nos tornamos representantes da classe dominante que começou a organizar o socialismo, exigimos que todos tivessem uma atitude séria perante a defesa do país. E ter uma atitude séria perante a defesa do país significa preparar-se a fundo e ter rigorosamente em conta a correlação de forças. (...) Mas entre os 'comunistas de esquerda' não existe o menor indício de que compreendam a importância da questão da correlação de forças." (p. 162)

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Capitalismo ou Socialismo de Estado

"O socialismo é inconcebível sem a grande técnica capitalista baseada nas últimas descobertas da ciência moderna, sem uma organização estatal planificada que submeta dezenas de milhões de pessoas à mais rigorosa observância de uma norma única na produção e na distribuição dos produtos. Nós, marxistas, sempre falamos sobre isso, e não vale a pena perder nem sequer dois segundos conversando com gente que não compreende nem sequer isso (os anarquistas e uma boa parte dos socialistas-revolucionários de esquerda)." (p. 169)

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"(...) Pois o socialismo não é outra coisa senão o passo em frente seguinte a partir do monopólio capitalista de Estado. [...] O capitalismo monopolista de Estado é a mais completa preparação material do socialismo, é a sua antecâmara, é o degrau da escada da história sem nenhum degrau intermediário entre si e o degrau chamado socialismo.*" (p. 171/172)

*A catástrofe que nos ameaça e como combatê-la (1917), de Vladímir Ilitch Lênin 

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"De qualquer ponto que se aborde a questão, a conclusão é uma e só uma: o raciocínio dos 'comunistas de esquerda' sobre o 'capitalismo de Estado' ser uma ameaça é um completo erro econômico e uma prova clara de que eles são prisioneiros absolutos da ideologia pequeno-burguesa." (p. 172)

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Marx e a grande produção 

"(...) Marx tinha a mais profunda razão quando ensinava aos operários a importância de preservar a organização da grande produção para facilitar a transição ao socialismo..." (p. 174)

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"(...) Os operários não são pequenos burgueses. Não temem o grande 'capitalismo de Estado', apreciam-no como um instrumento seu, proletário, que o seu poder soviético utilizará contra a desagregação e desorganização dos pequenos proprietários." (p. 179)

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"(...) o socialismo é impossível sem aproveitar as conquistas da técnica e da cultura pelo grande capitalismo..." (p. 180)

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Lênin termina o texto explicando que os revolucionários russos precisaram naquele momento da história (1918 a 1920) dos conhecimentos dos capitalistas para aprenderem a técnica, coisa que os chineses fizeram por umas três décadas no final do século, até dominarem a economia mundial como vemos no século XXI.

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Comentário final 

Enfim, feita a leitura deste grande clássico da literatura política. Fiz mais três postagens no blog durante a leitura.

A obra de Lênin trouxe muitas explicações para o mundo que eu conheço na atualidade. Incrível!

Sigamos lendo e tentando conhecer a história e compreender o mundo. 

William 

06/07/26


Bibliografia:

LÊNIN, Vladímir Ilitch (1870-1934). Esquerdismo, doença infantil do comunismo. Tradução: Edições Avante!. 1. ed. - São Paulo: Boitempo, 2025.

segunda-feira, 6 de julho de 2026

Refeitório Cultural



Refeitório Cultural

06/07/26

Preciso de um espaço físico, uma sala ou algo do tipo para instalar minha biblioteca e meus materiais de história e cultura. 

O ideal é que não fosse alugado, que fosse num local permanente, para que o centro de documentação (cedoc) e a biblioteca ficassem preservados quando eu não puder mais cuidar.

Poderia ser uma sala em espaço sindical ou de movimento social e de cultura, pois a maior parte de minha vida foi dedicada às lutas sindicais. 

O espaço seria para agora, para eu trabalhar diariamente na organização da biblioteca e documentação dos materiais que tenho e dos textos que produzo.

Alguém tem uma sugestão ou proposta de um espaço ou sala para organizar o Refeitório Cultural?

Abraços, 

William Mendes

Ex-dirigente dos bancários

Obras e autores que gostaria de ler


A persistência da memória, de Salvador Dalí.


Refeição Cultural

Tic-tac, tic-tac, tic-tac... o tempo escorre por minha ampulheta-corpo e ainda sonho ler muitas obras, autores e autoras que não li.

Minha referência é Italo Calvino quando penso em livros que gostaria de ler, até mesmo livros que teria uma certa "obrigação" de ler, por serem "cânones" da literatura universal. 

Fui apresentado ao escritor e crítico italiano em uma disciplina do curso de Letras. Seu texto "Por que ler os clássicos?" me marcou para sempre. Isso já faz mais de duas décadas e quando penso em listas de desejos de leituras, penso em Calvino.

Ele afirma que nossa biblioteca de desejos poderia ser dividida em estantes com livros a ler, dentre eles os clássicos, livros a serem relidos, e o espaço para os livros e autores novos que vão surgindo.

Com a leitura de meu corpo, meu mundo, a sociedade humana neste momento e o planeta Terra - Paulo Freire ensina que lemos o mundo, além de palavras -, ouço o tic-tac do tempo avançando rumo ao fim, constantemente.

A divina comédia, de Dante; Guerra e paz, de Tolstói; Orlando e Mrs Dalloway, de Woolf; Doutor Fausto, de Mann; Os miseráveis, de Hugo; Eneida, de Virgílio; Ilíada, de Homero; Viagens de Gulliver, de Swift; Crime e castigo, de Dostoievski; O nome da rosa, de Eco... são tantos clássicos que não li ainda! 

Até Italo Calvino! Não li nenhum romance dele! Borges, D. H. Lawrence, Zola... a lista é infinita.

E os livros de filosofia, sociologia, história, crítica literária e outras áreas de meu interesse? São muitas obras que gostaria de ler. 

Tic-tac, tic-tac, tic-tac...

William 

06/07/26

00h06

domingo, 5 de julho de 2026

Instantes (15h34)



Refeição Cultural

Sou um elemento da natureza como uma árvore qualquer, um ipê, por exemplo. Ou como um mamífero qualquer. A diferença entre mim e o ipê são minhas características enquanto espécie. Sou humano. 

Somos todos mortais como elementos da natureza. Aliás, todos os elementos da natureza estão em mutação constante, inclusive os elementos que não têm vida. Tudo muda o tempo todo. 

Desci para minha série de exercícios na modesta academia do condomínio com a consciência das mudanças que estão ocorrendo no meu corpo e pela necessidade de fazer a minha parte para retardar o que vem por aí. 

Pelo percurso percorrido nesta única existência deste ser humano, avalio que fui um sujeito de sorte. Jamais imaginei compartilhar com tantas pessoas no mundo todas as experiências que tive por ter ido atravessando veredas e abrindo caminhos.

É hora de ter consciência, humildade e firmeza para as veredas finais desta fase da existência, que ora reputo fracassada, ora reputo satisfatória. São os instantes da vida, pois ela é feita disso, instantes. 

William 

05/07/26

Domingo

A morte do beija-flor (18)


Estávamos no fim da rua, perto da casa do Júnior e do Peninha, e os moleques estavam à toa, molecando. Alguns, de estilingue na mão. 

A lembrança que tenho é daquelas que ficaram pra sempre na memória. Eu tinha menos de dez anos de idade. 

Eu estava olhando o beija-flor no fio, num daqueles instantes que o bichinho para pra descansar e seguir na busca do néctar das flores. 

Desde muito pequeno desenvolvi apreço pelas coisas da natureza. Flora e fauna e os fenômenos naturais sempre capturaram a minha atenção. 

Acho que estava num desses encantamentos, capturado pela beleza do beija-flor no fio do poste de luz.

No instante em que apreciava o beija-flor, a pedrada explodiu seu peito, vinda de um moleque atrás de mim com seu estilingue na mão...

Nós seres humanos somos isso, uma imensidade de possibilidades desde a mais tenra idade. 

Uns apreciam passarinhos, outros apedrejam passarinhos, só pelo gosto de ver o bichinho cair morto.

Imagino que a criação que tive de meus pais, mais de minha mãe, desde pequeno, tenha me salvado de ser um caçador e assassinato de animais. 

Há pessoas que acabam por ter uma maldade gratuita dentro de si. Ruindade. Temos que organizar a sociedade para frear gente assim. 

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Instantes de uma vida

sábado, 4 de julho de 2026

Livro: Saúde Suplementar no Brasil - Sandro Leal Alves



Refeição Cultural

LEITURAS 


Ganhei o livro sobre saúde suplementar em 2016 ou 2017, em meu aniversário (não tenho certeza do ano). O livro foi lançado em novembro de 2015.

Na época, era gestor da CASSI, a autogestão em saúde dos funcionários do Banco do Brasil, era diretor de saúde eleito pelos associados. 

Minha formação acadêmica é em Ciências Contábeis e Letras. Havia feito curso de extensão em Economia. Também havia cursado dois anos de graduação em Educação Física. 

Por quatro anos fui gestor de saúde na CASSI e pelo tanto que li e aprendi, diria que conheço alguma coisa a respeito do tema. 

Ao longo do mandato, estudei muito a história da Caixa de Assistência, os modelos e sistemas de saúde, e o mercado brasileiro de saúde, no qual a CASSI operava e comprava serviços à época de nossa gestão. 

Em 2024, peguei o livro na estante para estudar os conceitos técnicos de saúde suplementar e me atualizar sobre o assunto, pois havia sido convidado para participar de um planejamento estratégico de uma operadora de autogestão e iria compartilhar com os administradores a experiência que adquiri ao ser gestor da CASSI. 

Li mais da metade do livro e relembrei muito do que já conhecia de meus tempos de diretor de saúde. Pelo retorno que tive dos participantes do evento, acho que atendi às expectativas daquela autogestão. 

Como estou num momento de terminar leituras de livros iniciados e não finalizados, decidi acabar de ler o livro de Sandro Leal Alves.

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SAÚDE SUPLEMENTAR NO BRASIL

A postagem que fiz sobre a leitura do livro, dois anos atrás, tem alguns apontamentos sobre conceitos técnicos e especificidades que comento a respeito da autogestão CASSI (ler aqui). É uma anotação pequena mediante a quantidade de informações da área de saúde. 

A leitura dos CAPÍTULO 1 - COMO FUNCIONA A SAÚDE SUPLEMENTAR e o CAPÍTULO 2 - REGULAÇÃO SETORIAL: TEORIA E PRÁTICA me permitiu rememorar conteúdos técnicos que dominei relativamente bem enquanto fui gestor da maior autogestão do país, a CASSI dos funcionários do Banco do Brasil. 

O que é uma operadora de saúde?

"A Lei 9.656/1998 define Operadora de Plano de Assistência à Saúde como sendo a pessoa jurídica constituída sob a modalidade de sociedade civil ou comercial, cooperativa, ou entidade de autogestão, que opere produto, serviço ou contrato de prestação continuada de serviços ou cobertura de custos assistenciais a preço pré ou pós-estabelecido, por prazo indeterminado, com a finalidade de garantir, sem limite financeiro, a assistência à saúde, pela faculdade de acesso e atendimento por profissionais ou serviços de saúde, livremente escolhidos, integrantes ou não de rede credenciada, contratada ou referenciada, visando a assistência médica, hospitalar e odontológica, a ser paga integral ou parcialmente às expensas da operadora contratada, mediante reembolso ou pagamento direto ao prestador, por conta e ordem do consumidor." (p. 57)

No CAPÍTULO 1, o autor apresenta as dimensões econômica e social da área, histórico, fundamentos técnicos, conceitos, instituições do setor, tipos de "produtos" e operadoras.

Para um leitor como eu, militante de esquerda, chega a ser engraçado ler o autor defendendo saúde como mercadoria, um produto como outro qualquer, como sapato ou cadeira. Ele acredita piamente nas teses liberais de livre mercado, concorrência que ajusta tudo em benefício de todos, blá-blá-blá. Faz parte, né? Temos que ler livros assim com frieza e focados no intuito de agregar conhecimentos técnicos.

No CAPÍTULO 2, Sandro Leal vai discorrer sobre falhas do mercado e do governo, regulação prudencial, tipos de coberturas, rol de procedimentos, preços e reajustes, marcos legais de regulação no Brasil etc.

Tem muita coisa interessante, me lembrei muito de meus anos de gestão na CASSI. 

Aliás, passados mais de dez anos da publicação do livro, posso dizer que a leitura do material segue válida e importante para as pessoas que atuam na gestão em saúde, pois os conceitos são bons e o que muda com o tempo são as leis e regulações.

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CAPÍTULO 3 - QUESTÕES ATUAIS 

("atuais" em 2015, quando o livro foi lançado)


Verticalização na área da saúde 

"O termo verticalização caracteriza o processo de integração das atividades de gerenciamento de planos de saúde e prestação direta de serviços médicos em uma única unidade empresarial, independentemente da direção (se para frente ou para trás) e de quem detenha o controle decisório." (p. 114/115)

O autor apresenta vantagens oriundas da verticalização:

"(...) Os ganhos da verticalização podem ser visualizados no melhor gerenciamento dos riscos e custos. Os programas de prevenção de doenças e promoção de saúde da população assistida podem ser mais bem delineados por uma estrutura integrada na medida em que a própria operadora detém o controle da logística de utilização dos serviços." (idem)

A verticalização pode ser benéfica se pensarmos o envelhecimento da população assistida pelos sistemas de saúde. 

"De fato, diante de um cenário de envelhecimento da população e transição epidemiológica, com custos crescentes, pode haver benefício em se ter maior controle sobre a rede. Considerando aspectos regulatórios como a regulação dos reajustes dos planos individuais, o aumento das coberturas obrigatórias etc este controle pode ser eficiente. A própria regulação de capital estimulou a verticalização quando da aceitação de rede própria como ativo garantidor da provisão de risco vigorou até dezembro de 2009." (p. 115)

Esse era o caso da autogestão em saúde dos servidores de Mato Grosso do Sul, CASSEMS, que tinha boa estrutura verticalizada, naquele momento, 2016, aos 15 anos de existência. Eu estudei e visitei três vezes a CASSEMS durante meu mandato de diretor da CASSI.

Outra vantagem que a CASSEMS também obteve com a verticalização no Estado de MS e que o autor cita no livro é o poder de disciplinar preços dos concorrentes na prestação de serviços de saúde. 

"(...) Outro fator de estímulo às aquisições de rede é a tentativa de redução do risco e do grau de dependência de determinados prestadores que detenham posição dominante no mercado. Neste caso, a verticalização pode gerar o benefício de disciplinar preços no mercado." (p. 115/116)


Judicialização na saúde

Outro tema que ganhou muita relevância nas últimas duas décadas foi a questão da judicialização na saúde suplementar e nas demandas ao Sistema Único de Saúde, ao ponto de ter havido uma organização do setor de oferta de serviços jurídicos especializados em demandar planos de saúde e o SUS. 

Em alguns casos, o próprio setor de saúde chega a usar a expressão "indústria da judicialização".

Após uma boa explanação sobre o tema o autor diz:

"É preciso, contudo, que se separem os conceitos. Pode ser correta a judicialização no caso em que operadoras venham a negar ou restringir procedimentos contratados e previstos na legislação. Por outro lado, há casos em que o beneficiário, processa a operadora em busca de uma cobertura que ele não tem direito, uma espécie de atalho, ou jeitinho brasileiro, para não ter que pagar a integralidade do valor da mensalidade necessária à manutenção do equilíbrio econômico do contrato. Este é o caso condenável. Mas há ainda situações que ficam no meio do caminho, de difícil interpretação. Estes são os casos mais complexos e que demandam um aprofundamento técnico para dirimi-lo." (p. 131)

Como gestor de uma autogestão em saúde de grande porte, acompanhei uma rotina estranha de decisões judiciais exigindo que a CASSI atendesse demandas completamente questionáveis à época, decisões que eram contrárias ao que previa contratos, rol de procedimentos da ANS e até exigências que não tinham o crivo da Anvisa. 

Vejam uma pesquisa que Sandro leal cita sobre as tendências dos juízes em questões de demandas de saúde:

"(...) Não custa lembrar um dos trabalhos de Armando Castelar que mostra que ao serem perguntados sobre a tensão que frequentemente existe na aplicação da lei, entre contratos que precisam ser observados, e os interesses de segmentos sociais menos privilegiados, que precisam ser atendidos, 78,8% dos 688 magistrados que responderam à questão se identificaram com a posição de que 'O juiz tem um papel social a cumprir, e a busca da justiça social justifica decisões que violem os contratos." (idem)

Legal, né? Danem-se os 500 mil participantes de um plano de saúde como, por exemplo, a CASSI se um juiz entender que uma parte importante do patrimônio do plano deva ser gasto no atendimento fora das regras para um ou dois participantes...


Práticas anticoncorrenciais de cooperativas de especialidades médicas

Outro tema que me lembro perfeitamente de ter lidado com ele na nossa autogestão em saúde foram os cartéis das cooperativas médicas. Em alguns estados brasileiros isso tinha se transformado num grande problema para os planos de saúde e seus participantes. 

"Finalmente, as Cooperativas de Especialidade foram representadas por práticas de cartel, consubstanciadas na coordenação das ações de médicos cooperados para fixar preços, impor tabelas de honorários ou organizar boicotes em negociações com as diferentes Operadoras de Saúde Complementar e hospitais." (p. 136)


O impacto na inflação médica (ou variação dos custos médico-hospitalares)

Outro item importante no capítulo de questões atuais. A chamada indústria da saúde é o único setor no qual o avanço da tecnologia não diminui custos por ganhos de produtividade e ou escala.

É o inverso. A cada dia, novas tecnologias, medicamentos e procedimentos aumentam e aumentam os custos da saúde em benefício dos capitalistas médicos e empresários e em prejuízo dos participantes de planos de saúde e governos.


Um retrato da situação do setor 

O autor apresenta dados das operadoras de saúde - medicina de grupo, cooperativas médicas e seguradoras - do período analisado, dados até 2013, e o resultado era ruim em termos de sustentabilidade. 

Como estudei muito esse tema à época (2014-2018), foi uma leitura para relembrar o que eu mesmo esclarecia aos participantes da CASSI em dezenas de apresentações em conferências de saúde e outros fóruns. 


CAPÍTULO 4 - DESAFIOS DEMOGRÁFICOS E EPIDEMIOLÓGICOS

Bem interessantes os prognósticos apresentados por Sandro como, por exemplo, envelhecimento da população, aumento de sobrepeso e obesidade, a transição epidemiológica, as doenças mais prevalentes etc.

"Para lidar com esta realidade, diversas operadoras têm programas de incentivo à promoção da saúde e prevenção da doença..." (p. 161)

A CASSI tinha entre 2014 e 2018 modelo assistencial baseado na Atenção Primária e Medicina de Família e a ANS chegou a reconhecer os programas de saúde da autogestão. 

Chegamos a desenvolver estudos inéditos no mercado de saúde comprovando a eficiência da Estratégia de Saúde da Família (ESF) na redução de internações e atendimentos em pronto socorro de pacientes vinculados (fidelizados) às equipes de família e unidades CliniCASSI.

"(...) Por outro lado, aumentou no país o índice de obesidade em todas as classes sociais. Metade da população está com excesso de peso. O aumento de peso elevou a frequência de diabete e hipertensão. Em relação aos fatores de riscos, a dieta inadequada, tabagismo, falta de atividade física, excesso de peso e obesidade, colesterol alto, hipertensão arterial e glicemia elevada são os que merecem atenção e controle..." (p. 167)

O autor nos conta na página 168 que "(...) ainda falta cuidar da obesidade, que quadruplicou entre os homens e duplicou entre as mulheres no período de 1975 a 2009."

Como diretor de saúde, era responsável na CASSI pelos exames periódicos de saúde no Banco do Brasil. Essas informações do capítulo eu via na prática ao ler resultados de EPS em quase 100 mil trabalhadores. 


CAPÍTULO 5 - COMBINANDO REGULAÇÃO COM INCENTIVOS 

Franquias e Coparticipações fortalecendo o Consumidor e preservando o Sistema

Comentário: de todo o conteúdo do livro, esse é o mais absurdo! Não vejo problema no autor ser liberal, defensor do mercado e privatista, contanto que ele seja técnico e honesto com os leitores.

O mesmo autor que no início do livro diz que há um poder desmedido dos profissionais de saúde pelo domínio do tema em relação ao restante dos interessados, no final do livro o autor insinua que o consumidor teria um poder que nunca teve ao pagar franquias e coparticipações porque assim ele teria condições de escolher melhor o que deveria ou não deveria fazer pela sua saúde, inclusive decidindo por conta própria se deve ou não fazer o que os profissionais de saúde recomendam... coisa que nem as operadoras de saúde e órgãos reguladores têm conseguido saber, o consumidor teria esse poder de decidir melhor...

Francamente, qualquer pessoa com um mínimo de inteligência se sente enganada ao ler a defesa entusiasmada do autor ao mercado privado e aos planos com altas franquias e coparticipações em prejuízo dos consumidores. Dureza!

Um verdadeiro conto de fadas em um livro técnico de saúde suplementar!

Para dar um exemplo da contradição do autor sobre o tal poder de escolha e decisão do consumidor no sistema de saúde, veja o caso das mulheres e casais na indicação de partos por cesariana, que têm custos muito maiores para as "consumidoras" e seus planos privados ou ao SUS.

"(...) As alterações comportamentais podem incluir mudanças nas recomendações médicas para pacientes assim como a extensão do diagnóstico e tratamento para produzir renda adicional a fim de alcançar o objetivo. Um exemplo citado na literatura, e bastante atual, é a indicação de cesarianas. Neste caso, a hipótese é que os obstetras utilizam de sua autoridade sobre a grávida para gerar receita." (p. 176)

Ao ler o conto de fadas do poder do consumidor em sistemas com mais franquias e coparticipações em consultas, exames e internações, nas páginas 169, 170 e 171 do livro imagina que a paciente grávida tem total poder de decidir se o médico está certo ou errado ao indicar cesariana porque está focado em "produzir renda adicional a fim de alcançar o objetivo".

Como já disse, o livro nos capítulos 1 e 2 tem muitos conceitos e abordagens interessantes, mas esse final foi de doer.

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Na questão dos modelos de pagamentos no sistema de saúde, falando a respeito do fee-for-service, tenho plena concordância com o autor. Isso é um sistema insustentável, é necessário mudar a forma de cobrança de serviços de saúde em relação aos prestadores médicos e hospitalares.

Sandro Leal cita um novo modelo que vinha sendo avaliado, o DRG - Diagnosis Related Group, que previa remuneração dos hospitais por episódio de tratamento.

Eu me lembro que estava-se discutindo um modelo de pagamento por pacotes de serviços, também na linha de grupos de procedimentos por diagnóstico: por cirurgia x, por tratamento y, etc.

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Comentário final

Enfim, terminei a leitura do livro de Sandro Leal Alves sobre Saúde Suplementar no Brasil

Ganhei a obra quando era gestor na maior autogestão do país. À época, já tinha boa parte do conhecimento abordado no livro e ao ler o volume uma década depois relembrei parte do conhecimento que adquiri na área.

A crítica específica que fiz pelo exagero do autor na defesa da implantação de franquias e coparticipações dos planos em prejuízo dos participantes não tira o mérito dos conteúdos do livro que agregam saberes técnicos a qualquer pessoa interessada em conhecer sistemas de saúde suplementar.

É isso! Mais um livro lido, neste caso um livro temático.

Sigamos lendo e aprendendo coisas novas enquanto vivemos e nos aperfeiçoamos na existência, como nos ensina o mestre Paulo Freire.

William

04/07/26


Bibliografia:

ALVES, Sandro Leal. Fundamentos, regulação e desafios da Saúde Suplementar no Brasil. Rio de Janeiro: Funenseg, 2015.

A professora Dona Jamila (17)


Devo ter sido um aluno bonzinho do colégio Adolfino, no Rio Pequeno. Me alfabetizei lá, nos anos setenta. 

Uma vez, a professora Dona Jamila me levou pra casa e me lembro que ela disse pra minha mãe que se tivesse filho, gostaria que ele fosse como eu.

A memória do passado é formada por fragmentos de instantes da vida. Instantes. Até o ato de lembrança do passado é feito de certa criação narrativa mental, misto de ficção e realidade. 

Machado de Assis, José Saramago e Conceição Evaristo explicaram bem esse processo de preencher lacunas para contar algo do passado. 

Escrevivências, diz Evaristo. A narrativa não é verdade, e não é mentira. O escritor completa o que falta de informação sobre um fragmento daquela história. 

Dona Jamila é a única professora que me lembro da minha fase de estudos no Adolfino, da primeira à quarta série do antigo primeiro grau ou ensino fundamental. 

Ou minha mãe me disse ou eu guardei o acontecimento sobre o que Dona Jamila teria dito sobre querer ter um filho como eu.

Tenho na lembrança que a professora tinha cabelo preto, curto, ela tinha pele clara, voz suave. A imagem pode ser verdadeira ou inventada por minha memória. 

Acho que fui um menino bonzinho, sim, até os dez anos, vividos em São Paulo. A Dona Jamila, o Adolfino, o sobradinho no Rio Pequeno, a padaria Cinco Quinas, foram reais na minha história. 

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Instantes de uma vida

sexta-feira, 3 de julho de 2026

A latada na cabeça (16)


O Vantuir estava na janela brincando com uma pedra amarrada na linha. Era um sobradinho. Lá embaixo, eu tentava pegar a pedra.

A linha estava amarrada em uma lata, era como a gente fazia pra soltar pipas. 

Naquele dia, o garoto mais novo que eu estava brincando com a lata de linha balançando uma pedra na janela. 

A casa do Vantuir era a segunda depois da minha, no sentido da casa da esquina, a do Nenê, outro colega da vizinhança. 

O Vantuir balançava a pedra pra lá e pra cá, e eu embaixo tentando pegá-la. Quando conseguia, soltava ela e a brincadeira recomeçava. 

Uma hora, eu peguei e pedra e fiquei puxando ela da mão do moleque. Ele fez força pra não soltar e eu fiz força puxando a linha. 

Pow! Foi só aquela dor aguda no topo da cabeça... lógico que a lata escapou da mão do moleque em um puxão meu...

Mãos na cabeça, dor aguda, tentei disfarçar que não havia sido nada, agachei no quintal... mas quando tirei as mãos da cabeça, aquela sangueira toda, pescoço melado de sangue. 

Lá ia eu de novo pra casa todo ensanguentado dar um susto na minha mãe e ficar de castigo.

Com a latada, eu já acumulava três cortes na cabeça antes dos dez anos. Pedrada, dentada e latada.

Minha primeira infância foi vivida nas ruas do Rio Pequeno. 

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Instantes de uma vida

quinta-feira, 2 de julho de 2026

E se...



Reflexão 


E se...

- Vimos Dilma sofrer impeachment sem crime e muitos achavam impossível chegarem a tanto.

- Vimos Lula ser preso por processos inventados, pedalinho, apartamento mequetrefe de cooperativa no Guarujá etc. 580 dias preso...

- Vimos o cara mais escroto do mundo ser eleito presidente após prenderem Lula, que ganharia a eleição. Aquele escroto que elogiou numa sessão do Congresso Brilhante Ustra, que torturou Dilma.

- Vimos o escroto passar 4 anos no poder, fazendo todos os absurdos e ilegalidades que ninguém acreditava ser possível e aceitável se fazer... o cara não tem sequer condenação pelos 700.000 mortos pela Covid. Está em casa, numa mansão, habitação que 99% do povo jamais terá.

- Vimos o clã do escroto pedir sanções contra o país, bombardear o Brasil, etc etc. Como sempre, vimos e estamos vendo os caras fazerem tudo que jamais seria sequer imaginado...

Fizeram tudo que fizeram contra nós, contra o Brasil, contra o senso comum e estão todos na boa, e organizando mais um golpe contra nós neste momento, em parceria com os EUA.

O cara que prendeu Lula está na boa. Os caras que tiraram Dilma, ofenderam ela, estão na boa. Toda a canalha do 1% está na boa.

O patrimônio roubado do país e do povo ficou por isso mesmo. O pré-sal e a Petrobras, a Eletrobras, as mortes pela Covid, as reformas contra o povo, o sequestro do orçamento do país (nosso PIB sendo gasto secretamente pra enriquecer pilantra e comprar votos). Etc

Aí eu me pergunto: o que cada um de nós vai fazer na hora que o golpe for mais uma vez executado? Qual a nossa estratégia? Quais são os nossos planos para além de ir pra rua gritar "não vai ter golpe"?

E se os EUA fizerem com o Brasil o que fizeram com a Venezuela? E se fizerem com Lula o que fizeram com Maduro? Com o Irã? Com Cuba? Vocês duvidam mesmo que isso não seria possível? Sério?

Alguém do mundo da política ainda não entendeu a nova fase da disputa de hegemonia deste século?

E se nossas eleições forem burladas como acho que serão a gente vai aceitar e falar que tudo bem, a gente tenta de novo daqui a 4 anos?

Viveremos dias insuportáveis de interferência no processo eleitoral brasileiro, interferências desproporcionais por parte dos EUA, das big techs e suas IAs - tudo aqui está nas mãos delas, tudo -, interferências do 1% da elite lesa-pátria.

Senti necessidade de desabafar aqui o que tenho refletido sobre essas coisas.

William Mendes

02/07/26

quarta-feira, 1 de julho de 2026

Papai Noel passou em nossa casa (15)


Os adultos nos mandaram subir para o quarto. Se a gente não obedecesse, o Papai Noel não viria trazer presentes pra ninguém. 

As crianças subiram. Quer dizer, subiram e ficaram de orelhas atentas para ouvir quando o Papai Noel chegasse.

Nossa casa era um sobradinho pequeno em um conjunto de casas geminadas na Rua Dr. Sérgio Ruiz de Albuquerque, no Rio Pequeno. 

A escada era em curva e é claro que ao primeiro som do velhinho com os presentes, a gente iria olhar do canto da parede da escada.

Sinos badalando... hou hou hou!!! O Papai Noel estava lá na sala de casa!

Foi um tal de um querer olhar por cima do outro no canto da parede da escada... uma muvuca só! Todo mundo caiu na gargalhada, as crianças e os adultos. 

O Papai Noel saiu rapidinho de casa! Hou hou hou!!! 

Nenhum de nós viu o Papai Noel. Mas pelo menos o velhinho deixou nossos presentes e garantiu nosso Natal.

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Instantes de uma vida 

terça-feira, 30 de junho de 2026

Diário e reflexões


Estive em Cuba pela 3a vez. Viva Cuba!


Refeição Cultural

Osasco, 30 de junho de 2026. Terça-feira. 


O primeiro semestre de 2026

Chegamos ao final do primeiro semestre do ano. Muita coisa aconteceu no Brasil e no mundo. Até em nossas vidas. Tudo muda o tempo todo: é a lei da natureza. 

As perspectivas de presente e futuro não são as melhores possíveis, alguns homens brancos, liderados por um laranja, querem destruir o mundo e a vida de bilhões de humanos e o próprio planeta Terra. Resta saber se nós, os bilhões vítimas, vamos permitir isso.

Nos primeiros dias do ano, o homem laranja bombardeou Caracas, matou um monte de pessoas e sequestrou o presidente da Venezuela e sua companheira para roubar o petróleo do país. Os países do mundo não fizeram nada. Não existe mais a ordem internacional que prevaleceu desde o final da 2a Guerra Mundial. Não houve - NÃO HÁ - exigência dos líderes do mundo pela libertação do presidente sequestrado. Após o bloqueio criminoso dos EUA destruir a economia da Venezuela, o povo enfrenta as consequências do pior terremoto da história do país. E ainda tem fdp que diz que o problema da Venezuela é o socialismo...

O mesmo homem laranja, em parceria com o líder político do exército sionista, que ocupa terras árabes palestinas roubadas desde 1948, bombardeou o Irã, antiga região da Pérsia, iniciando nova guerra de ocupação de territórios considerados "espaços vitais" para os impérios em expansão. Adolf Hitler, um século antes, também invadiu e bombardeou territórios alheios em busca de seu "espaço vital". Dezenas de milhões de pessoas morreram até frearem o líder nazista. As Américas todas são consideradas "espaço vital" do homem laranja. As terras do Oriente Médio são consideradas "espaço vital" dos sionistas. O Brasil é considerado "espaço vital" do homem laranja...

O povo iraniano sofreu muitas baixas e perdas materiais e humanas, mas não foi derrotado pelos exércitos dos laranjas-sionistas. A primeira bomba matou quase duzentas meninas no Irã. Os Estados Unidos do homem laranja em poucos meses, bombardeou dois países - Venezuela e Irã -, sequestrou e assassinou seus líderes políticos e, neste momento, de vergonha e humilhação internacional, sedia um torneio esportivo, a Copa do Mundo de seleções de futebol, como se nada disso tivesse acontecido. A dignidade e a ética humana foram compradas com dinheiro dos donos do mundo.

Toda aquela gente no Brasil, inclusive aquelas pessoas de "esquerda" e "progressista", que entrou na onda do movimento "não vai ter Copa" em 2014, por supostos desvios de recursos da saúde e educação em benefício de obras de infraestrutura e estádios de futebol, toda aquela gente olhou pro lado, assobiou e está curtindo a Copa da vergonha e xenofobia do Tio San, o país das guerras, sequestro e assassinatos que citei acima. 

Fechando o resumo do semestre, temos os dois indicados do clã Bolsonaro na mais alta instância da justiça do país, com poder imenso de pauta e agenda no Brasil. Os dois parças vão controlar as eleições, estão com o controle de ações centrais do STF: caso Master, desvios do INSS, o filme mais caro da história do cinema mundial, o Dark Horse, etc. Tem ainda as IA e as big techs do homem laranja. E o Partido da Imprensa Golpista, o PIG.

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Paulo Freire 

Apesar dos fatos ruins citados aqui, relacionados ao semestre que termina, temos o Paulo Freire a nos inspirar. Brasileiro que representa as possibilidades que podemos ser.

Como somos seres incompletos, não acabados, e somos seres de ação, seguimos nas lutas! Que Paulo Freire nos inspire nas atitudes e no comportamento, na forma de ver o mundo com um olhar esperançoso. 

Somos seres capazes de alterar a realidade construída pelos homens, as merdas ao nosso redor, as injustiças - que não são naturais -, e que por isso mesmo podem ser mudadas por nossas ações.

Sigamos lutando com inteligência para mudar a realidade, para transformar o mundo num lugar melhor para todas as formas de vida.

Will i am

A pedrada na cabeça (14)


A gente estava no campinho, empinando pipa ou jogando bola, não me lembro direito. 

Sei que as provocações entre nós e os moleques do outro lado do córrego do Rio Pequeno aumentaram e começou a guerra de pedras pra lá e pra cá. 

De repente, os moleques atravessaram o córrego e vieram atrás de nós. Estávamos em menor número. O jeito foi recuar e sair correndo. 

Enquanto corríamos, era só pedra caindo na gente. Eu coloquei as mãos na cabeça como uma espécie de escudo, enquanto corria. 

Pow! Só senti a pedrada no topo da cabeça, entre os dedos. Aquela dor aguda já sinalizava que eu tinha me ferrado.

Ao tirar as mãos da cabeça, já chegando na rua de casa, vi aquela sangueira! O pescoço também estava melado de sangue. 

Mais uma vez, entrei em casa cheio de sangue, assustando minha mãe. 

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Instantes de uma vida 

segunda-feira, 29 de junho de 2026

A Argentina goleou o Peru e tirou o Brasil (13)


Foi um dia de merda aquele. Era um gol atrás do outro e a lembrança que ficou foi a tristeza de todo mundo ao ver o Brasil fora da final da Copa do Mundo de Futebol daquele ano.

A molecada vivia na rua jogando bola, empinando pipas, rodando peão, brincando de queimada, bolinha de gude e outras brincadeiras comuns ali nas ruas do Rio Pequeno, onde a gente morava.

Ano de Copa do Mundo, 1978 foi um dos anos dos quais me lembro de forma saudosa de minha infância no lugar onde nasci e vivi até os 10 anos de idade, quando fomos embora para Minas Gerais.

A gente jogava bola todo dia ali na travessa entre as ruas Dr. Sérgio Ruiz de Albuquerque e Adolfino Arruda Castanho, aquele pedacinho de rua - Miguel Sevílio - foi onde passamos a infância.

Naquele ano o Brasil não foi campeão do mundo. A Argentina ficou com o título roubado, na leitura de todo mundo. Mas eu brinquei muito e fui uma criança feliz no Rio Pequeno.

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Instantes de uma vida