terça-feira, 7 de abril de 2026

Cuba resiste e conta com apoio solidário



Estive em Cuba pela terceira vez em 4 anos. Cada experiência é única. 

Médicas e médicos para o mundo

O povo cubano tem muito a nos ensinar e temos muito a compartilhar com o povo cubano, a começar pela solidariedade. 

Visita a uma policlínica 

Desta vez, conheci uma policlínica, conversei com um combatente da Serra Maestra, o senhor Gil de 85 anos, visitei uma produção de charutos e experimentei conhecimentos novos. 

Revolucionários como Gil e Luis fazem a história de um povo livre e soberano

Cuba é uma referência para o mundo humano que pensa outras possibilidades de organização social diferente do modelo predatório capitalista.

Músicos cubanos 

O povo cubano é um povo inteligente, criativo, alegre e defensor da paz.

Um povo que preserva a história sabe o que quer e luta por seus objetivos 

Toda pessoa decente deve se manifestar em defesa da liberdade e soberania do povo cubano e lutar pelo fim do bloqueio criminoso dos Estados Unidos ao país. 

Lutemos pelo fim do bloqueio

Amigas e amigos leitores do blog, visitem Cuba, pois o turismo é muito importante para o país e seu povo acolhedor.

William 

07/04/26

domingo, 5 de abril de 2026

Cuba livre e soberana!



A humanidade deve se unir para transformar o mundo num lugar de paz e solidariedade. 

Cuba e seu povo solidário são exemplos a serem seguidos e apoiados por todos nós.


Defendemos o fim do bloqueio imperialista e o respeito à soberania do povo cubano!

William 

05/04/26

sexta-feira, 3 de abril de 2026

Primeiro pôr do sol em Cuba



Nossa caravana solidária a Cuba chegou a Havana no dia 24 de março. O grupo foi organizado por Telma Araújo, uma militante histórica do país socialista. 


Nossa estadia e roteiro de viagem ficou sob responsabilidade da agência cubana de turismo, Amistur. 

O pôr do sol desta postagem é a partir do hotel Copacabana.

Cuba é linda! 

William 

03/04/26

terça-feira, 31 de março de 2026

Mausoléu do Che Guevara: emoção inesquecível!




Nossa caravana de solidariedade a Cuba partiu cedo de Havana no sábado 28 de março para o lado oriental da ilha, com destino a Santa Clara (cerca de 300 Km), para visitarmos o Mausoléu do Che Guevara e o Museu do Trem Blindado.


Ainda pela manhã, soubemos que Santa Clara estava sem energia elétrica na cidade. Sem luz, não poderíamos visitar o Mausoléu. 

Chegando à cidade, almoçamos no hotel e fomos ao Museu do Trem Blindado (ler aqui). 


Ainda passamos na sede do Partido Comunista de Santa Clara para conhecermos o local e admirarmos a escultura de bronze de Che com o menino.

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No domingo, a sorte esteve ao nosso lado. Com a volta da energia pudemos visitar o Mausoléu. 

Foi uma emoção inesquecível! O grupo teve um tratamento admirável por parte dos cubanos.

Em vários momentos de nossa viagem, os cubanos reconheceram o esforço de todos nós de virmos a Cuba num momento no qual a campanha de desinformação e ameaças dos Estados Unidos afetou severamente o turismo ao país.

Os restos mortais de Che Guevara e seus companheiros foram devolvidos ao povo cubano em 1997.

Mais uma vez, a emoção tomou conta de mim. 

Foto de Che

Em 2023 estive com meu filho no Mausoléu do Che Guevara: a visita é sempre silenciosa. Desta vez, os cubanos quebraram o protocolo e a guia nos contou toda a história do Mausoléu e de seus heróis. 

Grande experiência estar diante dos restos mortais de grandes seres humanos que souberam mudar a história de seus compatriotas e dar o exemplo de que é possível construir uma sociedade solidária e sem a exploração das pessoas. 

William 

31/03/26

sábado, 28 de março de 2026

Santa Clara: a batalha decisiva do trem blindado


Depois de viajar uns 300 Km de Havana até a área central da ilha caribenha, chegamos a Santa Clara, local histórico onde se deu a decisiva batalha do trem blindado, nos últimos três dias do ano de 1958.

Na véspera do Natal de 1958, o ditador Fulgencio Batista havia mandado um importante carregamento de armamentos e munições de Havana para Santiago de Cuba, 1000 Km a Oriente.

O Comandante em Chefe, Fidel Castro, líder dos rebeldes revolucionários estava cercado pelo exército de Batista na Serra Maestra. Se aquela quantidade enorme de munição chegasse até os inimigos do povo, tudo poderia se perder.

Fidel destaca os comandantes Che Guevara e Camilo Cienfuegos para interceptar o trem blindado no município de Santa Clara. 

Che e os guerrilheiros usam um pequeno trator para destruir os trilhos e ao descarrilar o trem blindado começa a batalha entre os soldados de Batista e os revolucionários.

Sendo o trem blindado, os revolucionários usam milhares de coquetéis Molotov para forçar os soldados a se renderem. Foi a batalha decisiva. Ao tomar o armamento e munição do ditador, Batista foge em 1° de janeiro de 1959, roubando milhões de dólares do banco central do país. A revolução triunfou!

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UM POVO ALTIVO ENFRENTANDO O BLOQUEIO NORTE-AMERICANO

Voltar ao museu do trem, um espaço a céu aberto em Santa Clara, é uma emoção imensa. O povo cubano tem muito orgulho de sua história e de suas façanhas pela liberdade. 

Ao chegar a Santa Clara, num sábado, soubemos que a cidade está sem energia elétrica. É o bloqueio criminoso imperialista contra o povo cubano. 

Mesmo assim, vimos um povo altivo e resistente na defesa de suas conquistas com a revolução. 

William 

28/03/26

sexta-feira, 27 de março de 2026

Cuba: referência em saúde pública


Neste quarto dia em Cuba, visitamos uma policlínica e recebemos informações relevantes por parte da médica gestora da unidade de saúde. Foram quase duas horas de palestra e esclarecimentos sobre o sistema.

O policlínico Universitario Dr. Abelardo Ramírez Márquez fica no município de Plaza de la Revolución e é responsável pelo acolhimento e cuidado de cerca de 30 mil cidadãos da área onde se localiza.

Em Cuba a saúde é um direito universal, público e de acesso igualitário. Não há permissão no país para modelos privados de "serviços de saúde". Saúde não é mercadoria, é direito. 

As policlínicas cubanas são modelos de Atenção Primária (APS) baseada na Medicina de Família e Comunidade (MFC), como as Unidades Básicas de Saúde (UBS), mescladas com funções de uma Unidade de Pronto Atendimento (UPA), modelos de nosso Sistema Único de Saúde (SUS). 

Cada equipe de família cuida de no máximo 1.500 pessoas. A unidade que visitamos tem umas 25 equipes. Além de um(a) médico(a) e um(a) enfermeiro(a) por equipe, há diversas especialidades no policlínico. 

Pelo que percebi, o nosso modelo brasileiro tem muitas referências no modelo cubano, existente há mais de seis décadas. As equipes médicas acompanham a vida de cada pessoa do pré-natal até o falecimento, a vida toda.

O sistema de vacinação é incrivel, o tratamento preventivo contra doenças crônicas se inicia assim que se identifica a doença. A busca por evitar-se agravamentos de doenças comuns e a tentativa de minimizar riscos em relação ao conjunto da população do país é admirável!

Eu fui gestor eleito de um sistema privado de saúde no Brasil, a autogestão dos funcionários do Banco do Brasil, que tem o modelo de Atenção Primária e Medicina de Família como referência, e registro que fiquei muito impressionado com o conhecimento in loco do modelo cubano de saúde. 

O policlínico que visitamos, assim como o restante dos locais de cuidados com a população cubana estão sofrendo com o embargo. Os apagões por falta de energia das termoelétricas do país fazem com que áreas do hospital de Atenção Primária e Pronto Atendimento estejam sem luz. Os painéis solares que ali existem são para áreas prioritárias.

Todos nós, pessoas conscientes e defensoras de um mundo mais justo, igualitário e inclusivo, temos que nos engajar pelo fim do bloqueio criminoso dos Estados Unidos a Cuba. O povo cubano só quer ser feliz, sem interferência de ninguém em seu destino e soberania. 

William 

27/03/26

A tradição do charuto cubano: visitamos uma produção


A programação de nosso terceiro dia em Cuba incluiu a visita a uma pequena fazenda produtora de tabaco e charutos em Viñales, na região ocidental da ilha.

Saímos do hotel Copacabana, em Havana, às 8 horas da manhã e chegamos a Viñales umas 11 horas. 

Durante o caminho, pude ver através da janela do ônibus, uma Cuba rural, repleta de pequenos vilarejos com produções de alimentos. 

A produção do tabaco cubano é uma tradição secular e os trabalhadores locais nos explicaram como é o processo entre a plantação e a confecção de um charuto. São mais ou menos 7 meses de duração.

Nossa caravana solidária foi levada pela Amistur ao "Mural da Pré-história". Uma pintura gigante em um rochedo na região onde foram encontrados fósseis na ilha caribenha.

Por fim, visitamos uma caverna linda - "Cueva del Indio", com estalactites e estalagnites belíssimas. O passeio dentro da caverna foi feito de barco.

Almoçamos no "Mirador de los Jazmines"

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O POVO CUBANO TEM O DIREITO DE SER LIVRE E FELIZ

Um tema recorrente em nossas reflexões é a questão do embargo dos Estados Unidos ao país caribenho. É uma maldade inaceitável! É um crime de lesa-humanidade.

Em Viñales, município de Pinar del Río, assim como nos demais distritos de Cuba, a falta de petróleo traz consequências terríveis ao povo: falta de luz e água, e escassez de alimentos. 

O povo é altivo, tem um sentimento patriótico, e leva a vida como é possível. 

O governo norte-americano tem o objetivo de causar miséria, sofrimento e revolta na população para tentar derrubar o governo cubano e retomar a direção da ilha, como fazia através do facínora Batista.

Pergunto: O inimigo vai conseguir derrubar o governo socialista e retirar as conquistas que o povo conseguiu através da Revolução? Na minha opinião, não. 

Sei que é a pior crise desde a conquista de 1959, mas a educação cubana e os Comitês de Defesa da Revolução (CDR), são fatores políticos decisivos para a manutenção das conquistas revolucionárias há décadas. 

William 

26/03/26

quinta-feira, 26 de março de 2026

Cuba: um povo resistente e libertário


O segundo dia em Havana foi repleto de surpresas e novidades, tanto para as 16 pessoas que vêm a Cuba pela primeira vez, quanto para as 6 que já conheciam um pouco da história dos cubanos e cubanas.

Eu estava tão cansado por ter ficado duas noites sem dormir que acabei não acordando com o despertador. Acordar faltando 12 minutos para o horário combinado com o grupo me fez levantar, escovar os dentes, me trocar e descer com rapidez para o saguão. 

O dia foi intenso. Pela manhã, fomos ao Museu da Revolução, que está em reforma, mas pudemos entrar em sua área interna. Depois vimos o famoso iate Granma, que trouxe Fidel e Raúl Castro, Che Guevara, Camilo Cienfuegos  e o pequeno grupo revolucionário do México até Cuba em 1956.

Depois visitamos o Museu da Denúncia, um espaço público extraordinário para compartilhar com turistas e com as novas gerações de cubanos qual país pratica terrorismo de Estado: os Estados Unidos, claro! Os brasileiros ficaram surpresos com as informações documentais provando os ataques dos EUA a Cuba.

Almoçamos num lugar excelente e o grupo seguiu a programação. 

A exposição do Centro Fidel Castro Ruz deixou o grupo encantado com o ambiente e as informações recebidas. 

A Amistur parou uns minutos na Praça da Revolução para o grupo conhecer o local.

Para concluir o dia em Havana, vimos o "Cañonazo", as 21h, na Fortaleza San Carlos de la Cabaña.

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A REALIDADE CUBANA VERSUS A PÓS-VERDADE DA MÍDIA IMPERIALISTA

Uma impressão comum em nosso grupo de brasileiros foi perceber que a realidade do dia a dia em Cuba não é a mesma apresentada pela mídia dos capitalistas como, por exemplo, a mídia canalha do Brasil. 

As pessoas estão vivendo suas vidas, tem veículos nas ruas, comércio funcionando etc. Apagões atrapalham a vida do país (a Enel causa apagões em São Paulo também), mas a vida segue.

O governo norte-americano é responsável por bilhões de dólares de déficit na economia cubana, mas Cuba resiste.

Trump vai passar! O povo cubano seguirá lutando por sua liberdade e autonomia. É assim desde a invasão dos espanhóis.

O Comandante em Chefe Fidel Castro e seus guerrilheiros rebeldes, inspirados em José Martí, libertaram o povo em 1959 e há décadas Cuba resiste ao imperialismo. Não passarão!

William

25/03/26

quarta-feira, 25 de março de 2026

Novamente em Havana, Cuba


Estou em Havana, Cuba. É minha terceira visita ao país. 

O registro das primeiras impressões não seria correto se eu não sintetizasse minha leitura com uma afirmação categórica: que povo resistente, criativo e altivo!

Estou com sono, então não vou me alongar no registro. Amanhã teremos um dia de muitas atividades.

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Post Scriptum:

CARAVANA SOLIDÁRIA A CUBA

Nosso grupo é uma caravana de brasileiros solidários a Cuba e ao povo cubano: somos 22 pessoas.

A organizadora de nossa caravana solidária é a companheira Telma Araújo, que atua no apoio a Cuba há decadas, coordenando brigadas sul-americanas.

Nossa estadia em Cuba terá uma programação excelente, e contamos com o apoio logístico da Amistur, instituição dedicada ao turismo em Cuba, uma agência do governo.

Nossa coordenadora do grupo, Telma Araújo, é uma pessoa muito querida e dedicada à causa cubana, ela não mede esforços para que a estadia do grupo que organiza seja proveitosa e inesquecível. 

Após a chegada do grupo ao aeroporto José Martí, nos encontramos com nossa guia, Margarita, e fomos de ônibus até a Amistur. Depois almoçamos e realizamos o check-in no hotel. 

A programação do segundo dia, quarta-feira, será intensa e de muita história e cultura.

William 

24/03/26

domingo, 22 de março de 2026

O difícil é a realização de si mesmo


Talvez o instante de maior relevância no dia de ontem, deste cidadão que escreve, tenha sido a esmola para aquele senhor no farol com os seus cachorros. 

Faz tempo que ele sobrevive pelas ruas com seus fiéis amigos. Ele está cada dia mais curvado, mancando, definhando. Seu olhar ainda está em minha memória. 

A condição daquele senhor demonstra a falência da sociedade humana.

O tempo que disponibilizei para fazer chegar donativos diversos aos irmãos e irmãs cubanos nas últimas semanas também tem a sua relevância ética e social. Todos nós humanos deveríamos fazer isso. Nem todos fazem algo por outras pessoas.

No entanto, minha cabeça está num turbilhão de pensamentos... as ideias vão ao passado, imaginam um eventual futuro, voltam para o presente. Penso em mim e penso no mundo ao meu redor... e fica uma pergunta estranha martelando lá dentro da cabeça: e eu? 

O que posso fazer por mim mesmo? Ainda

William 

22/03/26

sábado, 21 de março de 2026

Como um beija-flor lutando contra um incêndio na floresta


A Rede Globo já iniciou novo golpe contra a democracia, o povo brasileiro e o Partido dos Trabalhadores. O presidente Lula e a legenda do PT já são pauta e agenda da organização golpista. Os verdadeiros criminosos serão desaparecidos da pauta e agenda midiática. 

No campo da "esquerda" o quadro é o de sempre... sempre! Dividir para governar (para a direita governar).

Nas eleições do Conselho de Administração da Caixa Federal, a candidata apoiada pela confederação cutista e por ampla maioria das entidades associativas dos empregados ficou em 2° lugar. Os apoiadores do vencedor se vangloriam de terem derrotado "a máquina" da confederação cutista... e vi gente de "esquerda" apoiando o fulano. Que porra esquisita é essa!

Nas eleições da autogestão em saúde dos funcionários do Banco do Brasil tem uma chapa cujo candidato a diretor de saúde é bolsonarista e defensor do uso de cloroquina para não pegar Covid-19 (tem vídeo gravado e tals). Enquanto isso, a "esquerda" se dividiu em duas chapas que defendem modelos parecidos de gestão em saúde (sem cloroquina, imagino). Num mundo no qual a metade dos humanos já está perdida e a outra metade está em disputa, vai saber o que vai dar o resultado das eleições. Pode dar cloroquina pra todo mundo.

Na Comissão da Mulher do Congresso Nacional a escolha da presidência abriu uma discussão inesgotável em todos os espectros da política sobre a liderança escolhida. O foco das discussões não são os homens e mulheres de direita que compõem a comissão...

Aí, para finalizar, recebo de um amigo querido um vídeo da maldita plataforma de streaming Brasil Paralelo para apreciar comentários sobre o Oscar 2026 (plataforma conhecida por reescrever a história humana com mentiras, com ilações e com muito dinheiro vindo de algum lugar). O vídeo não é ruim, devo dizer. É até engraçado. Mas é da Brasil Paralelo...

Seguirei fazendo a minha modesta parte de beija-flor levando água no bico para apagar o incêndio na floresta (como reza certa lenda e como escreveu meu pai um dia). A perspectiva não é de sucesso, mas levo a gota de água. 

Estou levando uma gota de água a Cuba e aos irmãos cubanos. A vida é atitude, gestos e uma oportunidade única de fazer e sentir. 

William 

21/03/26

sexta-feira, 20 de março de 2026

Não desistam, a vida vale a pena!


Das memórias mais antigas relativas aos sonhos e desejos, me lembro que queria ter uma casa própria, uma moto, e uma pessoa que amasse. Tão básico!

Me lembro de chorar (homens choram) em vários trabalhos braçais que exerci. Na bicicleta pesada, tomando chuva pra entregar remédio; naquele primeiro dia na obra, quebrando concreto com ponteiro, talhadeira e marreta. 

Só entendi que a vida valia (valeu) a pena muito depois do tempo no qual não queria viver. 

Amei. Fui amado. Tive moto. Casa. Fiz algo para além de mim mesmo. Tentei levar uma vida que não prejudicasse as pessoas e a minha classe social.

A sociedade humana está numa situação ruim. O planeta Terra também. É fato.

Se tivesse relevância alguma leitura que tenho da vida, diria ao meu filho, aos jovens, às mulheres, aos amigos, aos políticos bem-intencionados, que a vida humana vale a pena, a vida é uma oportunidade. 

Não desistam de suas vidas, não desistam do bem coletivo, não desistam de serem felizes. Não desistam de nosso único planeta, nossa casa.

William 

20/03/26

quinta-feira, 19 de março de 2026

Falar ou calar, eis a questão


Por muito tempo falei. Até mais do que deveria. Tempos depois, o silêncio. Agora o dilema: falar ou calar. 

Depois de tanto tempo de silêncio, falei recentemente. Ainda soube falar. Falei o que penso sobre certos assuntos.

Falar ou calar... (de verdade, eu nem sei se poderei falar num provável amanhã...)

William 

19/03/26

terça-feira, 17 de março de 2026

O sentido da vida (21)



O prazer da corrida como sentido do viver

Final da tarde. O dia foi de muito calor, mais de trinta graus. O verão se despede e anuncia o outono. As ruas cheias de folhas caídas. O final de tarde e início de noite mexiam com os hormônios e fluidos do antigo corredor.

A natureza, a passagem do tempo e as veredas percorridas deixaram sequelas em seu corpo. O quadril e sua estrutura musculoesquelética perderam a capacidade de percorrer grandes distâncias correndo. Até os pés doíam ao serem mais exigidos.

Aquela tarde, o lusco-fusco chegando, a temperatura amena, os pássaros se preparando para o repouso, tudo atiçava o ex-corredor para um trote no parque.

Colocou o tênis, pegou sua água, saiu para as ruas do mundo lá fora.

Começou o trote leve, leve, pisada quase flutuada, para não impactar muito sua estrutura avariada pelo tempo e pelos caminhos já deixados para trás.

Além da pisada, concentrou-se também na respiração. E no batimento cardíaco, para não exagerar no esforço.

O prazer veio, então. Passou por várias corredoras e corredores ganhando também as ruas naquele fim de tarde de verão.

A sensação de poder fazer algo que sempre amou na vida é indescritível... a vida também é isso... o prazer de uma simples corrida num final de tarde de verão.

O prazer da corrida como sentido do viver...

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segunda-feira, 16 de março de 2026

Vendo filmes (XXXIV)



Refeição Cultural

A EFEMERIDADE DA VIDA HUMANA


Quatro filmes me deixaram pensativo nesses dias, quatro filmes muito diferentes em suas temáticas e enredos, mas que me chamaram a atenção para uma questão: a efemeridade da vida humana. 

As histórias do professor Marcelo ("O agente secreto"), do lenhador Robert ("Sonhos de trem") e do autor de peças teatrais William ("Hamnet") são histórias de todos nós, homens e mulheres do mundo, de hoje e de ontem. 

A história do andarilho Chris McCandless ("Na natureza selvagem") é a história de pessoas que não se encaixam na sociedade humana dominada pela lógica da posse supérflua de coisas, coisas e mais coisas, mercadorias inúteis do fetiche capitalista. 

Uma história se passa nos anos setenta, durante a ditadura no Brasil, outra se passa um século antes, ainda na expansão para o Oeste, nos Estados Unidos, e uma terceira se passa lá na Inglaterra, séculos atrás. 

A história do jovem McCandless é a mais recente, é do tempo da minha adolescência, no início dos anos noventa do século XX. 

O que é a vida humana se a compararmos com a natureza e seus elementos? 

Podemos existir por muito ou pouco tempo, fazer coisas grandes e importantes ou nada de relevância histórica, nossa lembrança pode permanecer por um breve tempo ou por um pouco mais de tempo. No entanto, estamos fadados ao esquecimento, ao desaparecimento. 

A vida e a existência são assim mesmo. E tudo bem. Quer dizer, tudo bem nada! O difícil é aceitar essa nossa pequeneza diante do mundo, da natureza em si.

Ainda estou bolado, pensando nessa questão da efemeridade natural da vida, a partir das histórias das personagens dos filmes. 

Sabedores dessa realidade, deveríamos viver de maneira mais consciente, sorvendo o que importa sem desvios de atenção para coisas irrelevantes. 

E o pior é que não fazemos isso. E a vida passa e não fizemos ou sentimos o que poderia ser feito ou sentido...

A vida é breve, é um instante, mesmo quando se vive algumas décadas... um instante. 

E como estamos vivendo? O que temos priorizado na vida? Já fizemos algo hoje que valha a pena?

Nunca se sabe se ao sair de casa um galho vá cair em nossa cabeça e o fim seja aquele instante. 

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FILMES


O agente secreto (2025)

Direção: Kleber Mendonça Filho. Com: Wagner Moura, Tânia Maria, Maria Fernanda Cândido e elenco.

Sinopse:

Ambientado no Recife, no final dos anos setenta, período de exceção da ditadura no Brasil, o filme conta a história de Marcelo, professor universitário - cujo nome verdadeiro é Armando - que retorna à terra natal após conflitos com um industrial poderoso que paga assassinos de aluguel para perseguir o professor. Marcelo quer encontrar seu filho, que está com os avós, e viver a sua vida e ser feliz.

Comentário:

A cena inicial do filme já me transportou para o passado no qual cresci: policiais bandidos e abusadores tentando receber propina dos cidadãos no cotidiano do Brasil dos anos setenta e oitenta (e ainda hoje). 

Mesmo sendo pobre de pele branca, tomei enquadro dos desgraçados da polícia desde pequeno...

Com os cidadãos afrodescendentes é mil vezes pior, a vida do pobre não vale nada para a polícia da casa-grande: matam o povo periférico mais do que se mata nas guerras. A maioria dos negros e descendentes ocupam as bases da pirâmide social. 

Gostei muito do filme! O que se passou com Armando, ou Marcelo, ser vítima de algum poderoso por qualquer motivo banal, é o retrato do Brasil do passado e do presente. 

Nossa vida pode encontrar o fim só pela casualidade de se cruzar o caminho de um fdp desses, caras do 1% ou do exército dessa casta canalha, que odeia o povo e o Brasil.

Quem nunca ouviu falar do perigo do guarda da esquina... 

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Sonhos de trem (2025)

Direção e roteiro: Clint Bentley. Com: Joel Edgerton, Felicity Jones e elenco.

Sinopse:

O filme conta a história de Robert Grainier, um lenhador do início do século XX nos Estados Unidos, desde sua adolescência, união com Gladys Olding, com quem constitui família, e suas jornadas e ausências de casa para ganhar o sustento cortando árvores centenárias para a construção de trilhos de trem rumo ao Oeste.

Comentário:

De todos os filmes dos quais teço impressões, "Sonhos de trem" é o de maior temática sobre a brevidade da vida, na minha opinião. 

Num instante, estamos e não estamos mais aqui, somos e não somos mais. 

Num instante, uma árvore com centenas de anos de existência perde a vida, morta por uns minúsculos seres com ferramentas cortantes lá no rés do chão. 

Num instante, um galho de uma árvore centenária cai na cabeça de um ser minúsculo lá no rés do chão e lá se vai a vida, num instante. 

Num instante, um incêndio pode por fim a inumeráveis formas de vida... e das cinzas novas formas de vida podem surgir. Outras vidas nunca mais serão as mesmas após um grande incêndio.

Somos natureza, somos seres quase invisíveis em nossas existências, assim somos nós. Robert é uma existência única, sua esposa e filha também, eu e vocês somos existências únicas. 

Todos somos passageiros do mesmo trem, o trem da vida, o trem da brevidade da vida. 

E todos temos nossos sonhos. E os sonhos nos movem por esses trilhos e caminhos...

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Hamnet: a vida antes de Hamlet (2025)

Direção: Chloé Zhao. Com: Jessie Buckley, Paul Mescal e elenco.

Sinopse:

O filme conta a história do casal Shakespeare, o nascimento dos filhos, a morte do filho Hamnet ainda pequeno, e o drama que essa perda trouxe à família. A tragédia inspirou o dramaturgo a escrever uma de suas peças mais famosas, Hamlet.

Comentário:

A interpretação brilhante de Jessie Buckley como Agnes Hathaway, esposa de William Shakespeare, rendeu a ela o prêmio de melhor atriz da Academia em 2026. Incrível sua performance, sem dúvida. O prêmio foi merecido.

No entanto, o filme me levou às lágrimas por uma questão sempre muito pessoal, naquilo que mais toca a cada um de nós: a morte e o sentido da vida. No meu caso, a lembrança do dilema dramático do personagem Hamlet, da clássica peça de Shakespeare. 

Ser ou não ser, eis a questão...

A reflexão completa do personagem é desconhecida por aqueles que ainda não conhecem a peça, Hamlet vive sob intensa dor ao saber das traições em família que levaram à morte seu pai. A dor lancinante aumenta ao ver sua mãe esposa de seu tio.

O filme me trouxe reflexões sobre a brevidade da vida, sobre o ser e estar por aqui ou não, me lembrou a difícil superação de não querer ser e estar por aqui por longos anos e pelas oportunidades surgidas por ter sido e ter estado por aqui nas últimas décadas... ser ou não ser... dormir, acordar, talvez sonhar...

Shakespeare, Hamlet, Hamnet... valem a pena!

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Na natureza selvagem (2007)

Direção: Sean Penn - Trilha sonora de Eddie Vedder

Com: Emile Hirsch (Chris), Jena Malone (irmã), Kristen Stewart ("crush"), William Hurt (pai), Marcia Gay Harden (mãe), e elenco. 

Sinopse:

Christopher McCandless, filho de pais ricos, se forma na Universidade de Emory como um dos melhores estudantes e atletas. Porém, ao invés de partir para uma carreira prestigiosa e lucrativa, ele escolhe doar suas economias para a caridade, livrar-se de seus pertences e viajar rumo ao Alasca.

Comentário:

Quando vi pela primeira vez o filme baseado na história real de Chris McCandless, dirigido por Sean Penn, a partir do livro de Jon Krakauer, fiquei impactado por muito tempo. 

McCandless nasceu um ano antes de mim e no início dos anos noventa estava em sua busca pessoal por liberdade, autoconhecimento e fuga de uma sociedade humana capitalista, toda ela baseada nas posses de coisas, coisas, coisas. Ele estava de saco cheio de relacionamentos humanos tóxicos e interesseiros e queria se isolar na natureza selvagem do Alasca. 

Na mesma idade e na mesma época, eu procurava respostas para as mesmas perguntas.

Ao rever o filme duas décadas depois, já sabendo da descoberta feita por "Alex Supertramp", o nome que McCandless adotou em seus tempos de andarilho, fiquei pensando em muitas coisas, muitas. 

A lição a respeito da felicidade verdadeira ser alcançada através dos relacionamentos humanos, algo que Chris compreendeu a partir da vivência de sua jornada e também pela leitura de grandes autores como, por exemplo, Tolstoi - e o livro "Felicidade conjugal" -, me pegou de jeito desde o instante que tomei conhecimento da história do jovem andarilho.

"Happiness only real when shared"... (é isso mesmo! é verdade isso! e nesse sentido, posso dizer que fui feliz... os momentos mais marcantes de minha vida foram ao lado de alguém)

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É isso, termina aqui mais um texto da série de comentários sobre filmes que me trazem reflexões sobre a vida.

O comentário anterior pode ser lido aqui

William Mendes 

16/03/26