terça-feira, 1 de setembro de 2026

Lendo a biografia de Santos Dumont (4)



Refeição Cultural


"Uma mosca morde o homem

Disso vira uma ferida, 

Da ferida o homem morre, 

A mosca tirou-lhe a vida..." 

(Quadrinha popular citada por Salomão Jorge no ensaio "A estética da morte". Fernando Jorge, no livro sobre Santos Dumont)


O "ÁGUIA" DO SUECO ANDRÉE ENTUSIASMA UM JOVEM BRASILEIRO

A quadrinha é uma lembrança sobre a fragilidade humana. No capítulo dois do livro sobre a vida de Santos Dumont, conhecemos a história de Salomon August Andrée, um engenheiro sueco que realizou uma viagem de balão ao Polo Norte, com objetivos científicos.

Essa expedição (1897) e a façanha de seu idealizador inspiraram muito o jovem Santos Dumont, no que se refere ao componente tecnológico, o balão construído e as soluções para se chegar pelo ar até o Polo Norte. 

A expedição teve final trágico. Os corpos dos três tripulantes só foram encontrados em 1930. Mas o aparelho voador, o "Águia", percorreu em 65 horas cerca de 480 Km. De acordo com o livro, os tripulantes teriam falecido devido à ingestão de carne de urso.

"(...) Ao que tudo indica, faleceram por causa do consumo da carne de urso polar triquinosa. As triquinas são vermes intestinais que em estado larvar vivem nos músculos de certos mamíferos, sendo principalmente transmitidas ao homem pela ingestão da carne de porco malcozida..." (Fernando Jorge)

Enfim, voltando a Santos Dumont...

Neste capítulo, soubemos da morte de seu pai, o engenheiro Henrique Dumont. Ele voltara de uma viagem na qual ia com Alberto para Paris, mas passou mal. O ano era 1892, Santos Dumont não havia completado vinte anos e perdeu sua maior referência de vida, seu pai.

"(...) A figura do pai seria uma sombra que sempre o acompanharia. Nos momentos de angustia, de depressão, muitas vezes essa sombra estaria ao seu lado, a fim de consolá-lo." (idem)

Santos Dumont recebeu sua herança e se instalou em Paris para realizar seu sonho de voar em uma máquina, algo muito superior aos balões da época. 

Em Paris, Alberto tinha um automóvel da marca De Dion, que chegava a 30 Km/h, um risco à época. Também tinha um triciclo a motor e promovia corridas de triciclos. 

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COMENTÁRIO FINAL 

Estou lendo a biografia de Santos Dumont em homenagem ao meu pai, o Palmério, que leu esse livro de Fernando Jorge nos anos setenta. 

A geração de meus pais foi de gente que criava coisas e inventava soluções pra tudo na vida cotidiana. Não havia essa "facilidade" de buscar na Internet como resolver algo.

As pessoas pensavam, matutavam, cismavam com as coisas e os problemas. E com inteligência inventavam soluções... coisa de homo sapiens...

E hoje? O que essas big techs e algoritmos e IAs estão fazendo com nossa espécie?

William 

01/09/26

segunda-feira, 31 de agosto de 2026

Caderno Refeitório Cultural 2009 v.1

 



Apresentação

Este caderno contém uma centena de postagens do blog, que vão de janeiro a abril de 2009. Achei alguns textos bem interessantes ao revisitá-los.

São muitos artigos de reflexão a partir de leituras de livros, aulas da faculdade de Letras, observações do cotidiano e alguns artigos feitos por mim em relação ao movimento sindical dos bancários. Os links estão na página de sistematização de artigos do blog (aqui).

O volume tem muitas postagens de cunho pessoal com os momentos de atividades físicas para equilibrar corpo e mente ao dia a dia agitado e de agendas estressantes na organização e representação da categoria bancária. Para embelezar as postagens, eu coloquei fotos que faço de natureza e alguns desenhos de meu filho quando criança.

No mês de março do ano de 2009, confeccionei um pequeno livro com a história das campanhas salariais dos bancários do Banco do Brasil entre os anos do governo FHC, do PSDB, e as primeiras campanhas de renovação de direitos já durante o governo Lula, do PT. Deu trabalho, mas é um registro histórico importante. Os links dos capítulos também estão no agregador de textos acima.

Nossas estratégias apoiadas pelos bancários resultaram na unidade plena da categoria e o BB passou a ser signatário da Convenção Coletiva de Trabalho (CCT) a partir de 2006. Na campanha salarial deste ano de 2026 com os banqueiros na Fenaban, os caras propuseram insistentemente acabar com a unidade da categoria na adesão de bancos públicos e privados à Convenção Coletiva de Trabalho (CCT).

O livro “Fragmentos Contemporâneos da História dos Bancários”, seria incluído no futuro ao meu livro “Memórias de um trabalhador politizado pelos bancários da CUT” (2025), como anexo ao final dos 39 capítulos do livro.

O caderno também contém um trabalho universitário que fiz como resultado do estudo do livro de Juan Rulfo, “Pedro Páramo” (1955). Esse livro é um clássico da literatura latino-americana.

Ainda na área de leituras de livros, o caderno contém parte da leitura, com observações, do livro “La Celestina”, outro estudo feito por mim a partir de disciplinas da Universidade de São Paulo.

No caderno, tem um artigo bem interessante do então advogado e deputado federal Flávio Dino (PCdoB-MA), na FSP, na seção “Tendências e Debates”, sobre legislador positivo e legislador negativo, e também sobre mandatos de juízes do STF. A leitura pode ser feita aqui

É isso. Tem uma postagem que me fez refletir ao relê-la quase duas décadas depois: em uma reflexão sobre a dificuldade de cumprir meu objetivo de realizar o Caminho de Santiago de Compostela, na Espanha, avalio à época se valeria a pena o gasto e o esforço ou não. Ainda penso o mesmo em 2026.

William Mendes

31/08/26

domingo, 30 de agosto de 2026

Meu pai e Santos Dumont (2)



Refeição Cultural

Hoje é aniversário do meu pai. O Palmério completou neste domingo 84 anos de idade. Conversamos um pouco por telefone. 

Disse a ele que estou lendo a biografia de Santos Dumont, o mesmo livro que ele estudou nos anos setenta e que está na estante de sua casa.

Vi pela Internet uma casa onde morou Santos Dumont com um chuveiro quente inventado por ele há mais de um século. 

Meu pai também inventou um chuveiro quente aquecido por energia solar feito com canos de PVC. Funciona que é uma beleza!


Meu pai me disse que Santos Dumont sentiu uma tristeza profunda ao saber que seu invento, o avião, foi usado para matar pessoas e jogar bombas em cidades. Dumont ficou arrasado com isso.

Disse também que o brasileiro inventor criou o relógio de pulso porque precisava ver o tempo quando realizava seus experimentos para voar.

Toda vez que conversamos, meu pai envereda por lembranças tristes do passado. 

Desta vez, se lembrou da morte de seu pai, por derrame cerebral. Disse que ele e o irmão dele foram de São Paulo a Goiás de avião. 

Antes, eu havia dito que li sobre o acidente com o pai de Santos Dumont, que bateu a cabeça e teve uma espécie de derrame.

Enfim, parabéns ao meu pai e que ele esteja conosco por mais tempo. Ele me disse que não tem pressa de morrer.

Vida longa ao Palmério, meu querido pai!

William 

30/08/26

sábado, 29 de agosto de 2026

Lendo as memórias do Zé Dirceu (12)



Refeição Cultural

Neste sábado de manhã, participei da campanha de Fernando Haddad 13 e Marina Silva 180, em Osasco. A passeata e os atos de fala foram muito bons.

O companheiro Zé Dirceu iria à tarde ao nosso diretório do PT no Butantã. Acabei não indo a um segundo evento político no dia.

Bom, pelo menos li mais um capítulo de suas memórias no final do dia.

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23. O PT REJEITA O "FORA FHC"

O caminho começa a se abrir para Lula tornar-se presidente da República 

Cada capítulo do livro é uma aula de história do Brasil, incluindo os bastidores do poder, um luxo para os leitores. 

Zé Dirceu nos relembra o Plebiscito Nacional da Dívida Externa, mais de 5 milhões de pessoas participaram e 90% disse não às questões colocadas (p. 305).

O ano de 2001 foi decisivo para o Partido dos Trabalhadores. O 12° encontro e o 2° Congresso definiram o partido para as eleições de 2002 e seguintes.

Os leitores ficam sabendo dos bastidores da construção da chapa Lula e José Alencar, algo possível devido aos eventos citados acima, na direção do partido.

O PT realizou o PED (Processo de Eleições Diretas) e Zé Dirceu foi reeleito presidente do partido. 

"(...) Ganhei com 55% dos votos no primeiro turno. Pela Democracia Socialista, Raul Pont, deputado estadual, federal, ex-prefeito de Porto Alegre, obteve 17,23%; pela Articulação de Esquerda, Júlio Quadros, outro gaúcho, obteve 15,17% e as candidaturas independentes de Tilden Santiago, deputado federal por Minas, 7,6%; Berzoini, futuro presidente do PT, 2,82% e Markus Sokol de O Trabalho, 1,63%." (p. 314)

Zé Dirceu afirma que aquele PED causou uma reviravolta na dinâmica das tendências e no debate petista.

"(...) A verdade nua e crua residia no seguinte: as tendências se opunham e se opõem à eleição direta porque perderam o poder de restringir o PT a um partido exclusivo de militantes, congelando e ossificando a vida partidária. Era a concepção, sempre presente, de partido de vanguarda." (p. 314)

E finaliza o capítulo abordando o resultado do 12° Encontro em Recife, que na minha leitura é ainda hoje a essência do partido. 

"(...) Com maioria segura, aprovamos uma resolução no limite do momento político e histórico. Com o título 'Um outro Brasil é possível', na esteira do Fórum Social Mundial e das lutas antineoliberais, a resolução apontava para uma ruptura necessária com o neoliberalismo, o modelo concentrador de renda, a submissão ao FMI, a dolarização da dívida interna, a desregulamentação financeira, a abertura de mercados. Defendia o controle de capitais externos, o reinvestimento no país, a taxação das remessas e dividendos. Mas não aprovamos duas posições: a suspensão do pagamento da dívida externa e a reestatização das empresas privatizadas." (p. 314/315)

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COMENTÁRIO FINAL 

Essa forma de ler livros e escrever sobre as leituras é bastante trabalhosa. Faço isso neste blog há quase duas décadas. É uma maneira de aprender melhor, para mim mesmo, e uma contribuição aos leitores desta página de cultura. 

Talvez por isso eu tenha tantos livros iniciados e não terminados em minha história de leituras. Tudo bem!

Assim como esse livro fantástico do Zé Dirceu, tenho diversos outros que preciso de muita disciplina e força de vontade para terminar a leitura. 

Enfim, estou meio cansado por esses dias, meu corpo está sem energia. Talvez seja a natureza atuando num corpo com um percurso severo ao longo da existência. 

Vamos encerrar a postagem. Se as leitoras e leitores forem de São Paulo, peço votos para Luna Zarattini 1302, Marcolino 13310 e em Lula e Haddad, e para Marina 180 e Simone 400,  senadoras.

Se vocês estiverem em outros estados, votem em candidaturas progressistas, que pensem no povo trabalhador e não em seus algozes. Votem na esquerda, em candidaturas ligadas ao projeto liderado pelo presidente Lula. 

William 

29/08/26


ELEIÇÕES

Em SP, voto e peço apoio aos (e)leitores do blog a Luna Zarattini 1302, Marcolino 13310, Marina 180, Simone 400, Haddad 13 e Lula 13.

Lendo a biografia de Santos Dumont (3)



Refeição Cultural

O menino que gostava dos balões, das máquinas e dos pássaros 


A leitura do primeiro capítulo do livro sobre Santos Dumont, biografia de Fernando Jorge, me trouxe informações curiosas.

Já havia paraquedistas no século XIX... incrível!

"Já adolescente, nos dias de abril de 1890, ele contemplou em São Paulo um aeróstato pela primeira vez, quando um balonista profissional realizou uma subida para se atirar de paraquedas..."

Eu tive a emoção de saltar 14 vezes de paraquedas e essas experiências foram inesquecíveis. Voar e ainda sem máquinas é uma façanha da espécie humana. 

Paraquedas é uma invenção para descer, mas a sensação é de voar, como em outras invenções do tipo parapentes.

Enfim, a humanidade mudou após as invenções do grande brasileiro Santos Dumont. 

William 

29/08/26

sexta-feira, 28 de agosto de 2026

Lendo as memórias do Zé Dirceu (11)



Refeição Cultural

LITERATURA POLÍTICA 


Estamos em período eleitoral no país, em agosto de 2026. O momento é propício para estudarmos um pouco de história do Brasil. 

O companheiro Zé Dirceu viveu intensamente a história política do país nas últimas seis décadas. 

Suas memórias contam aos leitores os bastidores de momentos decisivos da vida de todos nós, membros da classe trabalhadora. 

Vamos para mais um capítulo. 

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22. TEMPOS DIFÍCEIS 

Aliança com Brizola afasta o companheiro Vladimir Palmeira, enquanto o governo FHC começa a derreter

No primeiro mandato, FHC foi um trator em relação a nós da classe trabalhadora. 

Além das questões citadas pelo autor das memórias, incluo a reestruturação do Banco do Brasil, um massacre com dezenas de suicídios e 50 mil trabalhadores na rua.

"(...) A repressão à greve dos petroleiros, o apoio da mídia e a maioria no Congresso propiciaram a FHC uma hegemonia..." (p. 292)

O ano de 1996 ficou marcado pelo Massacre de Carajás, no Pará. A chacina vitimou 19 trabalhadores sem terra. Tanto o governo do estado quanto o federal eram comandados pelo PSDB.

Zé Dirceu aborda o desgaste que ele e a Articulação sofreram ao apoiarem a parceria com Brizola nas eleições do RJ em 1998, indicando Benedita da Silva a vice de Garotinho, do PDT. O diretório do PT no estado queria candidatura própria com Vladimir Palmeira.

Sobre a derrota de Lula para FHC, no primeiro turno, cita o tal "Dossiê Cayman":

"Perdemos as eleições, mas não a dignidade. Lula, Márcio Thomaz Bastos e eu nos recusamos a veicular o chamado 'Dossiê Cayman', um conjunto de documentos comprovadamente falsos criado com o objetivo de atribuir crimes inexistentes a políticos e candidatos do PSDB, nas eleições brasileiras de 1998..." (p. 299)

Comentário: obrigado, PT! Não podemos ser como os outros. 

O PT precisava mudar, diz Zé Dirceu, em relação às 3 derrotas seguidas à Presidência da República.

"Nunca tive ilusões com 1998. O ciclo de FHC não acabara e a hegemonia política e cultural das ideias neoliberais persistia. Após as derrotas de 1989, 1994 e agora de 1998, era o PT que precisava mudar." (p. 300)

Na página 301, Zé Dirceu afirma que Marta Suplicy não foi ao 2° turno em SP em 1998 por manipulação da Rede Globo, que favoreceu Covas e ele disputou com Maluf. Covas seria eleito. 

Eu me lembro disso. Muitos petistas e simpatizantes pregaram voto útil em Covas, manipulados contra Marta. Covas foi ao 2° turno com 74.436 votos a mais que Marta (0,44%)

O capítulo termina com uma lista de crimes da era FHC, todos ficaram sem punição, não deram em nada...

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COMENTÁRIO FINAL 

Terminei a leitura do capítulo 22 após ver Lula ser desrespeitado por quarenta minutos na bancada do JN da Rede Globo, rede esgoto. A emissora está entrevistando candidatos à presidência do Brasil. 

O PT e o presidente Lula já sabem o que essa empresa de merda faz há quarenta anos e mesmo assim seguem frequentando os estúdios e concedendo entrevistas para essa instituição porta-voz do fascismo. 

Eu estou muito puto, com raiva desse comportamento do nosso partido. O PT deveria tratar as Organizações Globo pelo que são. Não deveria ter relação alguma com essa instituição mentirosa, manipuladora e que tanto mal já fez ao país e seu povo. 

Essa é minha opinião. 

William 

27/08/26

quinta-feira, 27 de agosto de 2026

Lendo a biografia de Santos Dumont (2)



Refeição Cultural

"Em Ribeirão Preto encontrou o que desejava: a fazenda Arindeúva, de José Bento Junqueira. Comprou-a e logo se instalou no novo lar com toda a família, oitenta escravos e trezentos contos em dinheiro, uma fortuna naquela época."


Seguindo no livro sobre Santos Dumont, vemos que seu pai era um grande cafeicultor de São Paulo, ele possuía 500 mil pés de café, nos conta o biógrafo Fernando Jorge.

O menino Alberto aos seis anos de idade tinha um pajem chamado Flávio Aurélio Costa e Silva, um rapaz negro filho de escravos do vizinho. 

Essa era a realidade do Brasil, é a nossa história...

Júlio Verne

O garoto Alberto Santos Dumont era fascinado pelos livros de ficção científica do escritor Júlio Verne.

"(...) tinha no fascinante Júlio Verne o seu autor favorito, em cujas concepções arrojadas ele enxergava, sem alimentar a menor dúvida, 'a mecânica e a ciência do porvir', quando o homem, apenas guiado pelo seu gênio, haveria de se transformar num 'semideus'..."

Comentário: de Júlio Verne, eu só li "A volta ao mundo em 80 dias". Tenho vários livros dele em casa, ainda por serem lidos.

Um livro de Júlio Verne chamava muito a atenção do menino Alberto: "Robur, o conquistador", no qual o aparelho "Albatroz" voava pelos céus feito um navio dos ares.

Um invento da época revolucionou as brincadeiras de crianças e os transportes dos adultos: a bicicleta.

"Só em 1879, quando Alberto contava seis anos de idade, é que surgiu a primeira bicicleta, mais ou menos como nós a conhecemos hoje..."

O garoto insistiu até que conseguisse ganhar sua bicicleta aqui no Brasil.

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Comentário final 

Talvez valha a pena perguntar ao meu pai se ele se lembra desse fascínio de Santos Dumont pelos romances de ficção científica de Júlio Verne. 

O menino transformaria em realidade o aparelho Albatroz, mais pesado que o ar, com hélices, voando pelos céus do mundo.

É isso. Sigamos lendo e atuando conscientemente na política para que realidades como as da família de Santos Dumont e da elite brasileira, a casa-grande, não voltem, com os ricos tendo dezenas e dezenas de escravos...

Por isso voto em partidos e pessoas progressistas e de esquerda e não reacionários e conservadores, que querem a miséria do povo e o privilégio dos ricos de volta como no passado da escravidão. 

Em SP, estou com Luna Zarattini 1302, Marcolino 13310, Marina 180, Simone 400, Haddad 13 e Lula 13.

William 

27/08/26

William 

quarta-feira, 26 de agosto de 2026

Diário e reflexões



Refeição Cultural

Quarta-feira, 26 de agosto de 2026.


Ao sentir minhas dores crônicas no quadril e coluna, penso no meu pai reclamando de dores décadas atrás. A pessoa sofre sozinha, a dor é uma coisa solitária. É da pessoa e de mais ninguém. 

Sou um homem de sorte. Em rápida reflexão, fazendo uns cálculos, olhando meu percurso, concluo isso. Estar vivo até aqui foi uma oportunidade que a natureza me deu. Não tem como deixar de reconhecer que poderia ter durado bem menos no mundo.

Avaliar os erros cometidos e as coisas positivas que fiz é uma das atividades cotidianas de minhas reflexões. Tentar aprender conhecimentos novos, melhorar como ser humano e fazer algo útil à coletividade e à natureza são desejos que tenho neste momento existencial. 

Ter sido representante de meus pares do mundo do trabalho foi uma oportunidade que me definiu como pessoa. O que faço hoje e a forma como vejo o mundo são consequências da experiência de ter sido dirigente sindical bancário. 

Como diz Rubem Alves em sua crônica "O nome", o meu nome hoje é o que o mundo espera de mim, mesmo estando num buraco qualquer do mundo. Mais que isso: é o que eu exijo de mim! O que já fui me definiu até o último de meus dias. 

E assim sigo diariamente a cada amanhecer. Não posso mais tudo que já pude ser e fazer. Somos natureza. Posso ser e fazer muitas coisas ainda. Estou fazendo. Vivo, contribuo com alguma coisinha na vida de algumas pessoas. 

Eu me sensibilizo com cada tragédia pessoal que ouço ou fico sabendo. Gostaria que as pessoas fossem felizes e sofressem menos. Por isso, inclusive, ainda me coloco ao lado das pessoas que lutam contra o capitalismo e a exploração das pessoas de minha classe social, a classe trabalhadora. 

É isso. Não escrevi sobre minhas leituras e sobre o filme que vi ontem, Odisseia, mas escrevi o que estou pensando e sentindo neste momento da vida e do mundo. 

ELEIÇÕES 

Em SP, voto Luna Zarattini 1302, Marcolino 13310, Marina 180, Simone 400, Haddad 13 e Lula 13.

William 

22h52


segunda-feira, 24 de agosto de 2026

Lendo a biografia de Santos Dumont (1)



Refeição Cultural

Muito lentamente, vou conhecer a história de Alberto Santos Dumont, o inventor do avião. 

O senhor Palmério, meu pai, leu nos anos setenta, a biografia dele, e até hoje o livro está na estante de meus pais. 

Meu pai e muita gente da geração dele eram inventores e "solucionadores" de problemas cotidianos naquele mundo sem as plataformas digitais (big techs) que fizeram da espécie humana reles baterias dessa Matrix emburrecedora de humanos. 

Ler é um ato revolucionário, uma tentativa de salvar o cérebro humano e nossa humanidade. 

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Capítulo 1 - O menino que gostava dos balões, das máquinas e dos pássaros 

Um leitor humanista do século XXI tem que lidar com os fatos históricos e com suas descrições a partir do acesso disponível sobre aquele assunto. Ao ler, cabe a ele filtrar as informações. 

Estou interessado na biografia do inventor brasileiro Alberto Santos Dumont. Meu interesse é por saber que meu pai, décadas atrás, leu a biografia e tinha interesse na história do inventor do avião. 

A forma como o biógrafo e escritor do livro, Fernando Jorge, narra essa história é uma escolha dele e não dos leitores. Temos que lidar com isso. 

Eu não gosto da forma como o autor descreve a escravidão naturalizando o ato indigno praticado por séculos como um mero fator de produção. É repugnante o que nossa espécie fez com os seus semelhantes. 

"(...) Alentados escravos africanos impulsionavam os lenhos à vara, contra a correnteza do rio, enquanto o próprio Henrique navegava sobre uma barcaça feita de canoas emparelhadas e travadas..." 

Henrique é o pai de Santos Dumont, um "empreendedor" do século XIX. Li no capítulo uma descrição épica de grandes homens brancos exploradores de minas de ouro e pedras preciosas, construtores de estradas de ferro, tudo à base de escravizados africanos, para chegar ao nascimento de Alberto Santos Dumont, o sexto filho de oito rebentos, em 20/07/1873.

COMENTÁRIO FINAL 

Essa é a origem do grande brasileiro que mudou a história da sociedade humana com seu maior invento, o avião. 

O mundo era assim: humanos escravizados usados como fatores de produção como bois, cavalos, burros etc.

O mundo pode ser de outra forma, ou pode voltar a ser assim (reacionários defendem a volta ao passado de privilégios de alguns humanos), com a escravidão sendo naturalizada... tudo depende de nós, percebem?

É sobre isso as eleições e a democracia...

William 

24/08/26


Post Scriptum: em SP, voto Luna Zarattini 1302, Marcolino 13310, Marina 180, Simone 400, Haddad 13 e Lula 13. Sei que os leitores do blog são muito especiais, então, se puderem, peçam votos às candidaturas acima, cada voto faz muita diferença no resultado dia 4 de outubro. Obrigado!

domingo, 23 de agosto de 2026

Lendo as memórias do Zé Dirceu (10)



Refeição Cultural

LITERATURA POLÍTICA 


Enquanto leio o capítulo 21 das memórias do Zé Dirceu, reflito sobre a atualidade complexa do calendário eleitoral brasileiro em 2026.

O líder petista está nos contando os bastidores do partido nos anos noventa e quem viveu aquele período como cidadão politizado - letrado politicamente - vai relembrando o quão miserável é esse país da casa-grande e da elite canalha, mancomunada com a imprensa golpista e com um judiciário subserviente aos donos do poder e do dinheiro. 

Isso não muda! Não mudou! Não sei se mudará um dia, pois fazendo as coisas do mesmo jeito, os resultados não serão diferentes. 

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21. LULA TOMA AS RÉDEAS DO PT

A decisão de enfrentar FHC e os escândalos dos tucanos, colocados debaixo do tapete, com a ajuda da mídia 

Zé Dirceu nos conta como se deu o 10° Encontro do partido. Nos revela que Lula chamou ele para se colocar à disposição de ser presidente do PT. 

"Mas qual não foi minha surpresa ao encontrar um Lula decidido a tomar as rédeas da direção do PT. No primeiro momento, ele começou a se explicar ou mesmo a se 'desculpar' sobre a questão Covas e a falta total de apoio à minha campanha, diariamente 'sabotada' pelo entourage lulista (...) Susto maior tomei ao ouvir de Lula a proposta de me apoiar em uma candidatura à presidência do partido..." (p. 273)

Depois, lemos que a direção do PT, após o 10° Congresso, definiu claramente a orientação e os objetivos do partido: "transformar e consolidar o PT como instituição. Afirmar a vocação do partido para o poder, abri-lo para as alianças e para poder governar, assumir nossos governos e conquistar, ao governar, a adesão da maioria do eleitorado e da sociedade..." (p. 276)

Comentário: fica claro para as amigas e amigos leitores, sejam simpatizantes ou não ao PT, que desde essa época, 1995, o partido não é movimento nem frente, não existe só pra marcar posição, como muitos partidos de esquerda. O PT quer governar e entregar direitos à sociedade com a realidade que temos nas bases sociais, o PT compõe e faz alianças, se não fizer isso, não governa.

O capítulo é longo, são vinte páginas de história. Me lembrei de muitas passagens que Zé Dirceu conta no livro. Exemplos: compra de votos para a reeleição de FHC, as privatizações criminosas, o Caso da "Pasta cor-de-rosa", o Caso Sivam etc.

"Era a velha tática tucana - amplamente benéfica aos rentistas e ao capital externo - de juros altos, câmbio valorizado, inflação baixa, déficit público. Privatizações, importações, abertura comercial e financeira. Crescimento medíocre e aumento do desemprego." (p. 289)

Comentário: e antes que os leitores falem do compromisso do 3° governo Lula com a questão fiscal e teto de gastos, insinuando que o Lula seria a mesma coisa que liberais tipo FHC, basta lembrar que os tucanos tinham maiorias no Congresso, assim como os golpistas Temer e Bolsonaro. O PT nunca teve essa condição no parlamento.

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COMENTÁRIO FINAL 

Enfim, já estamos sofrendo interferência violenta nas eleições brasileiras de 2026. 

Além da mídia comercial canalha, temos uma justiça eleitoral parcial, é minha leitura e de boa parte da mídia progressista, e temos interferência pesada das big techs e do governo fascista de Trump.

Está claro que há uma operação Lava Jato 2 em andamento, protegendo o candidato do clã Bolsonaro e uma utilização da justiça para prejudicar Lula, através de uma perseguição escandalosa a seu filho Fábio Luís, apelidado pela mídia golpista "Lulinha".

Enquanto enfrentamos esses desafios de manipulação da opinião pública e eleitores, ainda tem o fogo amigo dos "esquerdistas", como nos ensinou Vladímir Ilitch Lênin, em seu clássico texto de 1920: "Esquerdismo, doença infantil do comunismo" (comentário aqui).

Seguimos nas lutas, não há outra alternativa. 

ELEIÇÕES 

Em SP, voto e peço votos a Luna Zarattini 1302, Marcolino 13310, Marina 180, Simone 400, Haddad 13 e Lula 13.

William 

23/08/26

sábado, 22 de agosto de 2026

Meu pai e Santos Dumont (1)



Refeição Cultural

Na casa de meus pais, em Minas Gerais, tem um livro antigo, dos anos setenta, sobre Alberto Santos Dumont, uma biografia. 

Perguntei sobre o livro, certa vez, e meus pais me disseram que era para meu pai participar de um programa de TV no qual a pessoa respondia sobre a vida de alguma personalidade. Era no Silvio Santos, se não me engano. 

Já folheei o livro diversas vezes ao longo do tempo. É um catatau, tem 500 páginas. O livro se chama As lutas, a glória e o martírio de Santos Dumont, de Fernando Jorge.

Meu querido pai fará 84 anos nos próximos dias. Ele tem uma história de vida incrível. Dias atrás, li um texto dele muito emocionante, no qual descreve sua vida e da família ao longo de décadas (comentário aqui). 

Enquanto lia o memorial de meu pai, via a história do Brasil desde a década de quarenta e os acontecimentos políticos que impactaram a vida de milhões de brasileiros como ele, gente simples da classe trabalhadora. 

Fiquei pensando dias atrás, quando estive lá em Uberlândia no dia dos pais, o que poderia fazer para estimular a memória e a capacidade cognitiva de meu pai, que já não tem a mesma agilidade que sempre teve na criação e imaginação para as coisas do cotidiano. Meu pai sempre foi um inventor e solucionador de problemas domésticos. 

Sugeri a ele reler o livro sobre Santos Dumont. Na verdade a leitura seria como uma primeira vez, devido ao tempo decorrido após o estudo do livro há tantas décadas. A biografia de nosso grande inventor brasileiro, o pai da aviação, deve ser muito interessante. 

Sempre que lemos um livro lido muito tempo antes, fazemos uma nova leitura, porque somos outra pessoa. 

A ideia seria eu ler também e conversar por ligação com meu pai para comentarmos sobre a leitura. 

Meu pai talvez não leia, alegou dificuldades, mas quem sabe eu consiga ativar um pouco a memória dele lendo aos poucos e conversando com ele.

Enfim, a gente não tem receita mágica para tentar interagir e apoiar as pessoas com mais idade e ou com as dificuldades cognitivas que a vida nos impõe. Mas não custa tentar alguma coisa. 

Vamos ler a biografia do grande brasileiro Santos Dumont. Vamos conversar com o senhor Palmério sobre o inventor do avião. 

William 

22/08/26


sexta-feira, 21 de agosto de 2026

Diário e reflexões


Paralisação no BB Verbo Divino. Foto: Sindicato 

Refeição Cultural

Sexta-feira, 21 de agosto de 2026.


ELEIÇÕES 

O calendário de campanha das eleições brasileiras teve início nesta semana. Serão eleições duríssimas para nós da classe trabalhadora e das classes subalternas e populares, a base da pirâmide econômica da sociedade.

Na minha leitura, baseada na experiência política que adquiri ao organizar e representar os trabalhadores por muitos anos, as eleições serão as mais complicadas desde a redemocratização do país e vigência da Constituição Federal de 1988. 

Há uma guerra explícita contra a reeleição do presidente Lula e para que o Congresso Nacional não seja renovado com uma representação maior do povo pobre e trabalhador. Os donos do poder farão de tudo para manter a maioria esmagadora de parlamentares vinculados a eles.

Em SP, voto Luna Zarattini 1302, Marcolino 13310, Marina 180, Tebet 400, Haddad 13 e Lula 13. 

Se vocês, leitores do blog, puderem, participem da campanha e me ajudem a pedir votos aos nossos candidatos e candidatas.

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CAMPANHA SALARIAL DOS BANCÁRIOS

Ontem, participei da paralisação nacional da categoria bancária. Estive com as companheiras e companheiros do Sindicato na concentração do Banco do Brasil da Verbo Divino, na região Sul da cidade. A participação dos trabalhadores foi excelente!

Na próxima semana, o Comando Nacional dos Bancários se reunirá novamente com os banqueiros e esperamos que os bancos façam propostas que atendam às reivindicações da categoria.

À noite, estive no aniversário da companheira Deise Recoaro, militante com quem aprendi muito no movimento sindical. Encontrei muita gente querida, amigas e amigos de longas jornadas de lutas.

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LEITURAS E ESTUDOS

Estou tentando ler e estudar diariamente. É só lendo e exercitando nosso cérebro, verdadeiro criador de tudo, como nos ensina o neurocientista Miguel Nicolelis, que podemos seguir evoluindo como seres humanos e como seres incompletos que somos, como ensina o professor Paulo Freire.

Li Machado de Assis e as memórias de José Dirceu. No final desta sexta-feira, li em voz alta o conto "Entre santos", de 1886, do Bruxo do Cosme Velho.

Sigamos lutando por um mundo melhor.

William

terça-feira, 18 de agosto de 2026

Um apólogo - Machado de Assis



Refeição Cultural

Conto publicado originalmente na Gazeta de Notícias, em 1° de março de 1895 (com o título "A agulha e a linha") e depois reunido no livro de contos Várias histórias, em 1895.

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UM APÓLOGO

Era uma vez uma agulha, que disse a um novelo de linha:

— Por que está você com esse ar, toda cheia de si, toda enrolada, para fingir que vale alguma coisa neste mundo?

— Deixe-me, senhora.

— Que a deixe? Que a deixe, por quê? Porque lhe digo que está com um ar insuportável? Repito que sim, e falarei sempre que me der na cabeça.

— Que cabeça, senhora? A senhora não é alfinete, é agulha. Agulha não tem cabeça. Que lhe importa o meu ar? Cada qual tem o ar que Deus lhe deu.

Importe-se com a sua vida e deixe a dos outros.

— Mas você é orgulhosa.

— Decerto que sou.

— Mas por quê?

— É boa! Porque coso. Então os vestidos e enfeites de nossa ama, quem é que os cose, senão eu?

— Você? Esta agora é melhor. Você é que os cose? Você ignora que quem os cose sou eu, e muito eu?

— Você fura o pano, nada mais; eu é que coso, prendo um pedaço ao outro, dou feição aos babados...

— Sim, mas que vale isso? Eu é que furo o pano, vou adiante, puxando por você, que vem atrás, obedecendo ao que eu faço e mando...

— Também os batedores vão adiante do imperador.

— Você é imperador?

— Não digo isso. Mas a verdade é que você faz um papel subalterno, indo adiante; vai só mostrando o caminho, vai fazendo o trabalho obscuro e ínfimo. Eu é que prendo, ligo, ajunto...

Estavam nisto, quando a costureira chegou à casa da baronesa. Não sei se disse que isto se passava em casa de uma baronesa, que tinha a modista ao pé de si, para não andar atrás dela. Chegou a costureira, pegou do pano, pegou da agulha, pegou da linha, enfiou a linha na agulha, e entrou a coser. Uma e outra iam andando orgulhosas, pelo pano adiante, que era a melhor das sedas, entre os dedos da costureira, ágeis como os galgos de Diana — para dar a isto uma cor poética. E dizia a agulha:

— Então, senhora linha, ainda teima no que dizia há pouco? Não repara que esta distinta costureira só se importa comigo; eu é que vou aqui entre os dedos dela, unidinha a eles, furando abaixo e acima...

A linha não respondia nada; ia andando. Buraco aberto pela agulha era logo enchido por ela, silenciosa e ativa, como quem sabe o que faz, e não está para ouvir palavras loucas. A agulha vendo que ela não lhe dava resposta, calou-se também, e foi andando. E era tudo silêncio na saleta de costura; não se ouvia mais que o plic-plic-plic-plic da agulha no pano. Caindo o sol, a costureira dobrou a costura, para o dia seguinte; continuou ainda nesse e no outro, até que no quarto acabou a obra, e ficou esperando o baile.

Veio a noite do baile, e a baronesa vestiu-se. A costureira, que a ajudou a vestir-se, levava a agulha espetada no corpinho, para dar algum ponto necessário. E enquanto compunha o vestido da bela dama, e puxava a um lado ou outro, arregaçava daqui ou dali, alisando, abotoando, acolchetando, a linha, para mofar da agulha, perguntou-lhe:

— Ora agora, diga-me, quem é que vai ao baile, no corpo da baronesa, fazendo parte do vestido e da elegância? Quem é que vai dançar com ministros e diplomatas, enquanto você volta para a caixinha da costureira, antes de ir para o balaio das mucamas? Vamos, diga lá.

Parece que a agulha não disse nada; mas um alfinete, de cabeça grande e não menor experiência, murmurou à pobre agulha: — Anda, aprende, tola. Cansas-te em abrir caminho para ela e ela é que vai gozar da vida, enquanto aí ficas na caixinha de costura. Faze como eu, que não abro caminho para ninguém. Onde  me espetam, fico.

Contei esta história a um professor de melancolia, que me disse, abanando a cabeça: — Também eu tenho servido de agulha a muita linha ordinária!

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COMENTÁRIO DO BLOG

Este conto breve é muito interessante! Na primeira publicação, na Gazeta de Notícias, Machado de Assis o chamou de "A agulha e a linha", segundo o estudioso John Gledson. Quando a narrativa foi reunida em livro, o escritor a denominou "Um apólogo".

Apólogo é uma narrativa moral, um texto com personagens inanimados que ganham voz e ação (prosopopeia) e participam da história contada.

Nesta história que nos mostra a disputa de vaidade entre a agulha e a linha, debatendo entre elas qual seria mais importante, podemos observar que ambas têm seu valor no trabalho de coser as roupas que depois serão usadas pelos humanos em ocasiões diversas. 

No entanto, uma acabou "vencendo" o debate, como acontece hoje nas disputas alimentadas em redes antissociais que dominam o universo humano neste momento da história. 

Uma não realizaria o trabalho sem a outra na história. Linha sem agulha ou agulha sem linha demonstra a importância do trabalho conjunto. 

Poderíamos usar essa narrativa moral em diversos exemplos de nossa vida em sociedade. Precisamos uns dos outros. 

Uma obra pública financiada com recursos do governo federal e do estado ou município só saem do papel pela ação de ambos. Porém, governos locais usam omitir do povo a ação decisiva do governo federal.

Enfim, o conto machadiano, o apólogo, é mais atual que nunca, se pensarmos no cenário das eleições brasileiras de 2026. 

Lula recuperou o país após a tragédia bolsonarista, organizou a economia e está financiando estados e municípios em obras importantes. E os prefeitos e governadores, sem caráter ou ética, omitem essa informação por motivos políticos. 

Sigamos lendo literatura de qualidade e melhorando nossa interpretação do mundo. 

William 

18/08/26

segunda-feira, 17 de agosto de 2026

Instantes (12h37)



Refeição Cultural

LEITURAS E REFLEXÕES 


O que ler pela manhã de segunda-feira? 

Primeiro, li as nove postagens que escrevi sobre a leitura do livro de memórias do Zé Dirceu. Os textos estão bons. Relembram a mim o que chamou minha atenção e convidam eventual leitor(a) a ler o livro. 

Que mais? É preciso ler... enquanto tenho olhos, um cérebro funcional, e mãos firmes.

Peguei o livro de John Gledson com os 50 contos de Machado de Assis. Hei de terminar os inumeráveis livros iniciados e nunca finalizados...

Li o conto "Adão e Eva", de 1885. Gostei! A versão correta da história desses personagens seria outra, que Deus os teria levado ao Paraíso após resistirem às tentações do Tinhoso, através da serpente, e Deus abandonou a Terra sob o governo do Tinhoso mesmo. Tem sentido!

Os contos anteriores que li dias atrás são: "Pai contra mãe", "Missa do galo", "A cartomante" e "O diplomático". Contos excelentes! 

Até o conto mais fraquinho é bom, "O diplomático", sobre um sujeito sem atitude - Rangel, 40 anos - que perde a pretensa noiva - Joaninha, 19 anos - para um rapaz - Queirós - que a conquistou num piscar de olhos. 

Atitude é tudo na vida! Muitas vezes, padeço de falta de atitude... depois, não adianta reclamar da vida.

Eu deveria estar fazendo meus cadernos dos textos dos blogs. Procrastino, protelo e os cadernos não estão prontos, não estão salvos meus milhares de textos escritos em duas décadas. 

Minha contribuição para o mundo lá fora, a coletividade, é deveras irrelevante neste momento do viver. Deveria focar nos meus textos, só eu posso fazer isso, mais ninguém. 

É foda esses dilemas bestas que ainda enfrento. A gente é viciado em vaidades, em macaquear a realidade e alimentar ilusões... e olha que o conto machadiano nos alerta que desde Adão e Eva esse mundo mundano é governado pelo Tinhoso.

A vaidade é o pecado preferido do Tinhoso... quem não sabe disso?

William 

17/08/26

domingo, 16 de agosto de 2026

Lendo as memórias do Zé Dirceu (9)



Refeição Cultural

LITERATURA POLÍTICA 


Domingo, 16 de agosto. O Estádio da Vila Euclides, em São Bernardo do Campo, reuniu uma multidão de gente para marcar o início da campanha de reeleição do presidente Lula. Foi um evento emocionante! Decidi não ir ao ato, vi pela Internet. 

Gostei da lembrança, nos chamados para a ato em SBC, a respeito da história: é preciso conhecer a história. Aliás, fiquei feliz ao ver, finalmente, Dona Marisa Letícia ser lembrada e homenageada em um evento do PT após o casamento de Lula com Janja. Antes tarde do que nunca, como diz o ditado popular. Afinal, é preciso conhecer e respeitar a história das pessoas que contribuíram com nossas lutas sociais e populares.

Enfim, vamos seguir na leitura das memórias do Zé Dirceu, outro militante histórico que merece todo o nosso respeito e consideração. 

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19. FORA COLLOR 

A grande questão de saber onde o PT deveria se colocar 

Muitas informações de bastidores do período. Bem interessante!

Zé Dirceu nos conta como foi o 1° Congresso do PT, as divisões e dilemas do partido. 

"A Articulação se manteve coerente com o caráter do PT, sua história e suas raízes, evitando a posição leninista e reafirmando-o na condição de partido dirigente aberto à interlocução democrática na sociedade. Mas rejeitando a proposição idealista de partido reduzido à função de disputar projetos na sociedade."

Aqui um ponto importante: vejo companheiros hoje que se afastaram do PT e estão cheios de elogios a partidos como o PSOL, UP etc. Tudo bem! Mas talvez essas pessoas nunca tenham entendido o que é ser o Partido dos Trabalhadores. Como diz o Lula: é preciso conhecer a história!

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20. "LULA, PERDEMOS AQUI AS ELEIÇÕES DE 1994"

Como era admissível o PT, responsável pelo impeachment de Fernando Collor, lavar as mãos?

Capítulo revelador das divisões internas que o partido vivia nos anos noventa, a Articulação, corrente majoritária, passava por um momento delicado. 

"(...) A proposta brotara ainda durante o período de Collor e, para agravar o clima interno no PT, vinha acompanhada da defesa conjunta - PT, PSDB, Lula e FHC - do parlamentarismo." (p. 253)

É mole?

"Era demais para a unidade partidária. A posição da administração Itamar, a relação com o PSDB e a defesa do parlamentarismo implodiram a maioria." (idem)

E mais:

"(...) A defesa do parlamentarismo era um desastre. Lula, eu mesmo, Genoino e outros perdemos feio na consulta interna do PT. Ainda bem. O equívoco era exacerbado pela possibilidade real de Lula vencer as eleições de 1994." (p. 254)

Zé Dirceu nos conta de sua discordância em relação à posição da maioria de defender "Fora Itamar" e "Itamar é igual a Collor".

Articulação defendia o fim das tendências no PT, afirma Zé Dirceu. Ele achava isso um equívoco:

"(...) Se por um lado tencionavam o partido, por outro as tendências eram a garantia do pluralismo democrático, do debate aberto, da disputa política regrada e legalizada, da busca e construção de maioria e, às vezes, de consensos." (p. 256)

O capítulo foi muito revelador para mim, ex-dirigente sindical dos bancários. Zé Dirceu conta que no 8° encontro do partido (1993), a Articulação perdeu a maioria e as outras tendências dominaram a direção do PT.

Depois vem a história das eleições de 1994, o Plano Real e muitas outras passagens de nossa vida política. Não sabia das histórias sobre os bancários e Gushiken, que se opuseram à candidatura do Zé Dirceu a governador em 1994.

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Comentário final 

Agora que passei da metade do livro de memórias do Zé Dirceu. Como fui dirigente sindical por quase duas décadas, as histórias são as minhas histórias, são as histórias que herdei ao chegar nos anos dois mil ao movimento organizado.

É importante conhecer a história, repito o que Lula disse neste momento de início de campanha eleitoral, eu só compreendi melhor quem eu era como dirigente dos bancários da CUT e da Articulação Sindical após conhecer nossa história e saber o que NÃO éramos. 

Enfim, é melhor saber do que não saber sobre a história. 

William 

16/08/26