terça-feira, 12 de maio de 2026

Sobre empatia (I): Lendo Frans de Waal



Refeição Cultural

LEITURA: A ERA DA EMPATIA

"(...) A identificação é uma precondição tão essencial para a empatia que até camundongos só manifestam contágio à dor com seus companheiros de gaiola." (Frans de Waal, 2010, p. 118)


Por que é possível vermos pessoas incentivando outras a usarem ou até beberem detergente Ypê com risco de contaminação pela bactéria Pseudomonas aeruginosa, resistente a antibióticos e ameaça séria à saúde de crianças, pessoas com baixa imunidade e com comorbidades?

A ciência é uma ferramenta importante para compreendermos essas coisas, a princípio, inimagináveis na sociedade humana. 

Ciência subentende-se educação. Pessoas educadas, em tese, estariam em melhores condições de avaliarem situações como essa de se exporem ao risco de adoecimento ou morte por influência de outrem (outro alguém).

Entretanto, quando temos uma situação na qual profissionais da área da saúde (ciência) incentivam pessoas a não se vacinarem, usarem medicamentos sem eficácia a determinadas doenças e coisas do tipo, temos que buscar em outras áreas da ciência as explicações para fatos inusitados como esses. 

As ciências que estudam comportamentos da espécie animal humana podem nos ajudar na compreensão da situação. 

Esses vigaristas que incentivam pessoas a situações como essa (caso Ypê) fazem isso porque partem de uma situação já estabelecida anteriormente, de identificação de grupo. 

Extremidades de direita, negacionistas ou oportunistas, sabem do segmento social bolsonarista existente na sociedade brasileira atual. Então, basta contar com a identificação de grupo dessa gente para incentivá-la a qualquer barbaridade.

É uma leitura minha sobre essa dissonância cognitiva na qual vivemos. 

William 

11/05/26

segunda-feira, 11 de maio de 2026

Instantes (11h32)



Refeição Cultural

LEITURA 

"(...) Todos os animais que vivem juntos precisam coordenar suas ações, e a sincronia é o elemento-chave para isso. Trata-se da forma mais antiga de ajustamento aos membros do grupo..." (p. 81)

Comprei o livro do biólogo Frans de Waal assim que o vi no longínquo ano de 2010. O livro havia sido publicado por ele no ano anterior. O tema "A era da empatia" me interessou na hora. 

Como a maioria de minhas leituras à época, cheguei a ler uma centena de páginas e não fui até o fim. Eu lia dezenas de textos ao mesmo tempo. Era assim que tinha que ser naquele momento. 

Pouco tempo atrás, reli a centena de páginas e parei de novo. Isso faz mais de um ano. O tema segue interessantíssimo, na minha opinião. 

Ontem, após terminar a leitura de um livro (leitura difícil), peguei de novo Frans de Waal na estante. Ao pesquisar sobre o autor na rede mundial, descobri que ele faleceu em 2024, vítima de um câncer de estômago. Que foda isso. 

Não li meu livro do Mino Carta antes dele falecer. Agora vejo que quase duas décadas depois de adquirir o livro do biólogo Frans de Waal, ele faleceu e eu ainda não li sua obra. 

Vou ler "A era da empatia". Livros de ciências mudam nossas percepções e compreensões do mundo, da vida e das pessoas. Foi assim comigo após ler "O verdadeiro criador de tudo", do neurocientista Miguel Nicolelis. Nunca mais vi o mundo da mesma forma que antes. 

Quer outro exemplo? Após ler o livro de Aline Marcondes Miglioli, sobre Cuba e a questão da propriedade e uso da terra, citando a Teoria da Renda da Terra, de Karl Marx, e explicando o papel da indústria do turismo na atual fase do capitalismo, nunca mais verei os lugares e passeios turísticos da mesma forma. 

Enfim, a soma do conhecimento de Frans de Waal e Miguel Nicolelis me dará mais condições de compreender por que as coisas são como são neste momento da história humana. 

Isso não quer dizer que eu concorde ou aceite as coisas como são, pois compreender não quer dizer concordar ou aceitar, como disse Eric Hobsbawm na introdução do clássico "Era dos extremos". Apenas compreender. 

O que as big techs permitiram aos seus donos neste momento da história humana foi sincronizar milhões de pessoas em frações de segundos para determinadas ideias, ações ou coisas. Bilhões de humanos estão à mercê de pouquíssimos humanos... isso pode ser o nosso fim enquanto espécie. 

É a impressão que tenho.

William 

11/05/26

sexta-feira, 8 de maio de 2026

Livro: Casa à venda: turismo, mercado de imóveis e transformação sócio-espacial em Havana - Aline Marcondes Miglioli



Refeição cultural

LEITURA

Até recentemente, coisa de quatro anos, eu desconhecia a história de Cuba e do povo cubano. Quer dizer, eu tinha as noções que um militante de esquerda tem. 

Em linhas gerais, sabia o que se ouve dizer sobre a ilha socialista, mas o que se ouve sobre Cuba raramente coincide com o que houve em Cuba. A História...

Todo mundo sabe mais ou menos que houve uma Revolução em Cuba, que um exército rebelde de revolucionários barbudos liderados por Fidel Castro, nos anos cinquenta do século XX, derrotou e colocou pra correr um ditadorzinho de merda da ilha, um tal Fulgencio Batista. 

O mundo inteiro conhece ou já ouviu falar de Ernesto Che Guevara, um médico de origem argentina, um revolucionário, que integrou o exército rebelde que libertou Cuba da ditadura de Batista, o ditador financiado pelos Estados Unidos. 

VAI PRA CUBA!

Em 2022, quando vi uma amiga do Banco do Brasil organizando um grupo para ir a Cuba, me interessei e decidi me integrar ao grupo. Foi assim que meu filho e eu conhecemos Cuba pela primeira vez, em um grupo organizado por Miriam Shibata. Passamos o 1° de maio de 2023 na ilha socialista. Foi inesquecível!

Até aquele momento, nunca tinha focado ler sobre a Revolução Cubana e a história do povo cubano. Tinha lido um livro sobre a amizade de Fidel Castro e Che Guevara (ler um comentário aqui), presente de um amigo secreto em um curso de formação. 

Ao me preparar para ir a Cuba, passei a ler mais sobre o tema e segui estudando após a primeira ida ao país. Redescobri José Martí, que havia lido na graduação de Letras (comentário aqui sobre Nuestra América). Li o documento do próprio Comandante Fidel se defendendo no julgamento de cartas marcadas após o assalto ao Quartel Moncada (ler aqui).

Antes de embarcar para Cuba pela primeira vez, li o livro de Fernando Morais, A Ilha (postagem aqui), leitura que foi muito importante para mim. Depois que voltei, li o livro da professora Maria Leite, Cuba Insurgente (comentário aqui), um estudo essencial para compreender a pedagogia no país socialista. 

Enfim, nos últimos quatro anos, fui a Cuba três vezes. Já li alguns livros e estudos sobre a Revolução Cubana e a luta da população da ilha pela independência e autonomia do país e pela liberdade de decidir sobre seu destino.

A QUESTÃO DA TERRA E MORADIA 

O livro de Aline Marcondes Miglioli "Casa à venda: turismo, mercado de imóveis e transformação sócio-espacial em Havana" (2024), um estudo feito para sua tese de graduação superior, contribuiu muito para minha compreensão sobre o tema. 

De certa maneira, o estudo de Aline me permitiu refletir bastante sobre a questão do direito humano à terra e à moradia em Cuba, ao longo dessas quase sete décadas de experiência socialista. Mas aprendi também sobre outras temáticas. 

Aprendi sobre a questão da Renda da Terra, a partir da referência em "O Capital", de Karl Marx. Aprendi sobre a história fundiária em Cuba antes da Revolução. 

Aprender sobre a estratégia da indústria do turismo como a conhecemos hoje, uma estratégia do capitalismo para lidar com as crises de sobre-acumulação de capital (Capítulo três) não me permite olhar o turismo da mesma forma nunca mais...

Enfim, terminei a leitura. Valeu muito a pena! E confesso que foi difícil ler o estudo da autora, o tema foi denso e a leitura lenta. A fonte pequena maltratou meus olhos (risos). Talvez uma forma de reduzir algumas dezenas de páginas, e sei o quanto está caro editar um livro hoje em dia. Aprendi muito!

Conheci o livro de Aline no ano passado (2025), quando li o capítulo seis (ler fichamento aqui) em um curso de extensão universitária chamado "Como impedir o fim do mundo: colapso ambiental e alternativas", ministrado pelo IBEC, Unesp e demais parcerias. Aline foi uma das professoras do curso. 

A cada conhecimento novo sobre Cuba e o povo cubano, mais admiração tenho por aquela gente libertária, inteligente, criativa e que merece nosso apoio em sua luta pelo fim do bloqueio e interferência norte-americana na vida do país. 

É isso. Viva Cuba e o povo altivo e querido da ilha caribenha. 

William 

08/05/26

quinta-feira, 7 de maio de 2026

Leituras Capitais - Internacional Fascista



Refeição Cultural

CartaCapital n° 1411


INTERNACIONAL FASCISTA 

Estudo inédito detalha como a extrema-direita, a partir dos EUA, opera ao redor do mundo 


No momento em que leio a matéria de capa da revista, palestinos estão sitiados e morrendo de fome em Gaza; cubanos estão sofrendo um bloqueio criminoso sem acesso a energia, medicamentos e alimentos; a Venezuela segue com seu presidente sequestrado e mantido preso nos EUA; o brasileiro Thiago Ávila segue preso e sofrendo maus-tratos por Israel após ser sequestrado em águas internacionais (P.S.: foi libertado). 

Esses fatos são de conhecimento público. Nossa vida está exposta ao sequestro, prisão, tortura e assassinato a qualquer instante, não só pela antiga ameaça social que mais gerava medo nas pessoas: os "bandidos" do cotidiano, assaltantes e psicopatas chinfrins nas ruas das cidades do mundo. Isso é passado.

A ameaça existencial agora é outra. É sobre isso que o excelente jornalista Jamil Chade nos conta na matéria principal da revista CartaCapital (p. 10). 

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Aldo Fornazieri, cientista político, acrescenta dados e fatos ao tema, com seu artigo esclarecedor sobre os EUA, a ameaça existencial ao mundo livre atual. Seu texto "Maus perdedores" (p. 9) nos alerta: "o grande perigo no momento é que o maior poderio militar do planeta está sob o comando de pessoas enlouquecidas." 

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Sigo na leitura... 

Preocupado com o mundo das pessoas comuns, dos bilhões de humanos como você e eu, gente simples.

Preocupado com nosso presidente Lula, que hoje, 07/05/26, vai se encontrar com o líder dos enlouquecidos, o dono das bombas e senhor das mortes... (P. S.: correu tudo bem)

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Post Scriptum:

ECONOMIA

IA: riscos e potênciais, por Paulo Artaxo p. 37)

Comentário: 

O artigo é claro sobre o que é IA e os riscos para a humanidade e o planeta Terra. 

Minha opinião: a IA é uma ameaça existencial aos humanos e à vida na Terra como o romance clássico "Guerra dos mundos" de H. G. Wells.

É um absurdo o pensamento e as atitudes de pensadores e lideranças de qualquer espectro político a afirmação de que nós TEMOS que aceitar que a invenção tecnológica siga e destrua a vida e o mundo. 

TÁ ERRADO! A vida é mais importante que a merda da IA e os benefícios aos seus donos humanos (meia dúzia de fdp)! Porra! Tá errado!

Nós vivemos milhares de anos sem essa ameaça existencial. Temos que acabar com as IAs, elas NÃO serão reguladas.

Intelectuais, pensadores e políticos devem liderar a sociedade, salvar a sociedade de seu fim.

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Ato de traição? - Artigo de Paulo Nogueira Batista Jr. (p. 38)

Comentário: 

Excelente artigo do economista. Concordo com ele. O governo Lula deveria ter alterado a meta de inflação. É irreal 3% com teto de 4,5%. É a justificativa do BC para encher o rabo dos rentistas de dinheiro e ferrar a economia real. Seria absolutamente razoável uma meta de 4% com teto de 5,5% de inflação. Que foda isso!

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Comentário final 

Em linhas gerais, a leitura da revista semanal, para quem não está lendo diariamente as notícias do país e do mundo, dá uma boa noção dos acontecimentos. 

Minha intenção é seguir lendo a revista neste ano decisivo para nós brasileiros. 

William 

terça-feira, 5 de maio de 2026

Sobre Cuba (IV): Lendo Aline Marcondes Miglioli



Refeição cultural

Excertos referentes ao capítulo seis do livro Casa à venda: turismo, mercado de imóveis e transformação sócio-espacial em Havana, de Aline Marcondes Miglioli. 

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CAPITALISMO, SOCIALISMO E COMUNISMO

"Para Marx, após a tomada dos meios de produção, é preciso criar as bases materiais para a sociedade comunista, ou seja, o desenvolvimento pleno das forças produtivas. Portanto, nesse período é possível conceber a centralidade do trabalho como mediador das relações sociais. No entanto, diferentemente de como ocorre no sistema capitalista, em que o produto social é apropriado pelos detentores dos meios de produção, na etapa socialista deve haver igualdade de acesso ao produto social, e o critério para sua distribuição deve ser a equivalência ao aporte dado por cada trabalhador ao produto social total. Portanto, Marx conclui que nesse período a distribuição do produto social cabe 'a cada qual, segundo sua contribuição' (Marx, 2012)." (p. 246)

Transição socialista:

"(...) Na transição socialista, a distribuição social será tão desigual quanto forem as capacidades de contribuição individual ao produto social;" (idem)

Sistema comunista:

"(...) enquanto no modo de produção comunista a distribuição do produto será desigual devido às diferentes necessidades de consumo, pois nesse modo de produção cada qual recebe de acordo com a sua necessidade." (idem) 

Assim:

"(...) o direito à igualdade transforma-se também no direito à desigualdade, que nesse caso não é mediada pelas relações de exploração, pois ela não é consequência da propriedade privada dos meios de produção ou da capacidade de comando de trabalho alheio (Bambirra, 1993)." (Pgs. 246/247)

Então:

(...) No entanto, diferentemente das sociedades capitalistas, na etapa socialista da Revolução, a Lei do Valor estará submetida aos interesses dos trabalhadores, e para tanto torna-se imprescindível a ditadura do proletariado (Bambirra, 1993), a qual conduzirá a sociedade ao fim da subordinação escravizadora do trabalho. No momento em que cada pessoa receber de acordo com suas necessidades, estará superada a Lei do Valor e constituído o comunismo." (p. 247)

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Que aula!!!

Seguimos ba leitura...

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Post Scriptum: - Viva Karl Marx!!!

William 

05/05/26

segunda-feira, 4 de maio de 2026

Sobre Cuba (III): Lendo Aline Marcondes Miglioli



Refeição Cultural 

LEITURAS 

Estou avançando na leitura do livro Casa à venda: turismo, mercado de imóveis e transformação sócio-espacial em Havana (2024), da Editora Lutas Anticapital.

Terminei o capítulo cinco "O mercado de imóveis em Havana: estudo de caso sobre o preço das moradias". Deve ter dado muito trabalho o estudo que a autora realizou. 

Vou deixar alguns excertos abaixo, para consulta rápida, mas recomendo a leitura do livro de Aline. 

Falta agora o capítulo seis, que li ano passado para a aula do curso de extensão da Unesp, e as considerações finais da autora. 

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EXCERTOS 

Em linhas gerais, há dois tipos de cubanos emigrados aos Estados Unidos:

"A restrição das viagens dos cubano-americanos à ilha durante o governo Bush resultou na redução do turismo em Cuba e no consumo das famílias cubanas, que é em grande parte financiado pelo dinheiro e pelos produtos trazidos pelos cubano-americamos durante suas visitas. Nesse aspecto, é interessante observar a distinção entre os perfis dos cubano-americanos que emigraram entre 1959 e 1970, e aqueles que emigraram após essa data. O primeiro é composto por dissidentes da Revolução que, junto às suas famílias, foram acolhidos pelo governo norte-americano; são originários da antiga burguesia cubana e compõem o movimento anti-revolucionário sediado nos EUA. Esses emigrados não costumam viajar para Cuba, pois consideram o turismo uma forma indireta de financiamento do 'governo castrista' (Jolivet, 2018). Aqueles que emigraram após 1970, e principalmente durante o Período Especial, não o fizeram por motivações políticas, mas econômicas - ou seja, com o objetivo de juntar e enviar dinheiro para seus familiares que permaneceram em Cuba. Portanto, embora a segunda leva de emigrantes seja caracterizada como classe trabalhadora nos EUA e possua menos recursos financeiros do que a primeira, sua frequência de viagens a Cuba e o montante de dinheiro enviado à ilha é maior (Eckstein; Barberia, 2001)." (p. 207)

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Como cubanos dos EUA adquirem imóveis em Cuba:

"(...) apontam para três formas com que os cubano-americanos têm participado do mercado de moradias: comprando uma moradia para seus parentes como uma forma de ajudá-los; comprando uma casa para si através de familiares usados como 'testas de ferro'; e utilizando casamentos de fachada para adquirir o visto permanente e o direito à compra de uma moradia." (p. 210)

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As "casas capitalistas" um conceito interno de classificar imóveis em Cuba feitos antes da Revolução. 

"A maioria dos imóveis (65%) anunciados entre 2013 e 2019 foi construída antes da Revolução, principalmente nas décadas de 1940 e 1950, como pode ser visto pelo gráfico 30. A importância de diferenciar as construções prévias a 1959 no mercado de imóveis levou ao desenvolvimento de um termo específico para designá-las: as casas capitalistas. Contudo, o que se convém chamar de capitalista engloba um conjunto de estilos arquitetônicos que correspondem a diferentes momentos da ocupação urbana de Havana (figura 11)." (p. 211)

Aline vai apresentar diversos tipos de construções de modelos diferentes, bem interessantes!

Para quem já esteve em Cuba como no meu caso, fica claro os modelos conforme a época e o estilo.

"O significado do termo 'casa capitalista' revela, portanto, a intenção de identificar e diferenciar essas casas construídas durante o período pré-revolucionário das construídas após a Revolução, principalmente pelo movimento de microbrigadas (ver Capítulo 2), as quais são identificadas como 'micro' no texto dos anúncios dos imóveis. Segundo a arquiteta Dania Courret em entrevista para este trabalho, a diferença entre elas diz respeito à qualidade da construção em termos dos materiais e do desenho arquitetônico empregado. As casas capitalistas são tidas como as de qualidade habitacional superior, enquanto as casas construídas pelas microbrigadas são consideradas inferiores em termos dos materiais de construção, do acabamento da obra e do desenho arquitetônico, pois este é considerado demasiado padronizado devido à técnica de construção com pré-moldados (Mathey, 1988). Observando os preços das moradias construídas antes e depois da Revolução, podemos perceber que as moradias 'capitalistas' possuem preços mais altos do que as casas construídas durante a Revolução, como demonstra o Gráfico 31." (p. 220)

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Por que trocar de moradias em Havana, Cuba?

"Sendo assim, pode-se afirmar que os elementos que levam os havaneiros a quererem trocar de moradia dizem respeito também à necessidade de adequar a habitação ao novo perfil demográfico da população, por isso, os desejos de reduzirse ou ampliarse motivam tantas trocas no mercado de imóveis. Atualmente, em Havana, é possível encontrar pessoas sozinhas, geralmente aposentados, vivendo em casas grandes que antes haviam abrigado toda a família. Sem condições físicas e financeiras para manter o imóvel grande, muitas pessoas têm o desejo de mudar-se para uma casa menor e sem tantas necessidades de manutenção, ou seja, desejam reduzirse. Por outro lado, também como consequência da demanda represada por novas moradias, existem muitas casas ocupadas por mais de um núcleo familiar. Nesse caso, o desejo de ampliarse revela a expectativa que, com a venda de um imóvel, se possa comprar duas casas ou mais para abrigar os diferentes núcleos familiares." (p. 239)

Aline também cita a dificuldade de locomoção em Havana como motivação para as pessoas se mudarem.

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A diferenciação social atualmente em Cuba:

(...) a riqueza se expressa de maneira relativa, no consumo e acesso a certos bens e serviços. Portanto, trata-se da 'riqueza do funcionário', ou seja, de um grupo social que devido aos seus salários e relações pessoais possui um padrão de consumo superior (Lima, 2021). Essa riqueza não está associada à propriedade privada, pois é permitido aos 'ricos' somente a propriedade de um automóvel, uma moradia habitacional e uma moradia de lazer. Portanto, a diferenciação social se expressa nas distinções entre o tipo e a localização da moradia, o tipo de automóvel e os acessos e consumos exclusivos, como explica Ricardo Torres Pérez (Lima, 2021)." (p. 240)

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Para concluir esse pequeno fichamento do capítulo, cito uma parte da síntese de Aline:

"Ao longo do capítulo, relacionamos o mercado de imóveis em Havana com quatro elementos que influenciam sua dinâmica e seus preços, são eles: a relação com os EUA, a tipologia do imóvel e sua adequação aos trabalhos cuentapropias, a localização do imóvel e as demandas habitacionais dos havaneiros." (p. 241)

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Agora é reler o capítulo seis sobre "A renda da terra no mercado de imóveis havaneiro e suas consequências", no qual Aline vai apresentar a Teoria do Valor em Marx (anotações da 1a leitura feitas aqui) e concluir a leitura do livro. 

William 

04/05/26

sexta-feira, 1 de maio de 2026

Viagem a Cuba V (2026)


Cuba forma médicas/os dispostos
a salvar pessoas no mundo todo


Refeição cultural


"1º de maio


Neste 1° de maio dos trabalhadores

pensei muito no povo solidário cubano,

nos iranianos, palestinos, libaneses,

venezuelanos, brasileiros e

nos irmãos sul-americanos.


Nos homeless pelas ruas dos EUA, 

no povo sem-teto pelas ruas da rica

metrópole paulista, que sonha copiar

o que de pior tem lá nos States: miséria!


E me lembrei da solidária Cuba,

que mesmo sancionada, bloqueada,

por ameaçar o império agressor

com o exemplo da utopia socialista,


se esforça em prover ao povo 

alimento, saúde, educação,

moradia, transporte e segurança.

 - Direitos humanos aos trabalhadores!


William Mendes


Estive em Cuba entre os meses de março e abril deste ano de 2026, participando de uma caravana solidária de brasileiras e brasileiros. As 22 pessoas de nosso grupo levaram medicamentos, roupas e diversos itens necessários ao povo, que enfrenta um embargo criminoso dos Estados Unidos. 

A caravana foi organizada pela companheira Telma Araújo, de Belo Horizonte, e nossa estadia contou com o apoio logístico da Amistur, a agência cubana de turismo, que faz parte do Instituto Cubano de Amistad con los Pueblos (ICAP), criado pelo Comandante Fidel Castro. 

Após conhecermos diversos equipamentos culturais como museus e centros de educação e história, viajar ao interior do país para conhecer a tradicional produção de charutos cubanos, dentre outras atividades sociopolíticas, fomos visitar um policlínico para compreender um pouco o sistema de saúde cubano. 


POLICLÍNICO DR. ABELARDO RAMÍREZ MÁRQUEZ 

Fomos recebidos pela direção do policlínico e nossa visita foi dividida em dois momentos: primeiro, o grupo teve o privilégio de participar de uma palestra com as profissionais de saúde responsáveis por aquela unidade hospitalar. Depois, percorremos os ambientes para conhecer a estrutura de atendimento à população. 



Saímos encantados com tudo que nos foi explicado, com tudo que vimos, mesmo com as evidentes carências causadas pelo bloqueio. 



Os hospitais estão no limite por causa da falta de energia, equipamentos, medicamentos, manutenção de componentes etc. No entanto, sobra acolhimento e criatividade para cuidar das pessoas.


Disciplina, estabelecer prioridades,
coesão entre as forças, educar com exemplos...

Esta unidade hospitalar que visitamos, assim como outras de mesmo porte de atendimento, precisa ficar com várias áreas sem energia, pois onde já há algum suporte de energia solar é para setores prioritários. 



Não fosse Cuba um país com um modelo exemplar de atenção primária, medicina de família e comunidade, que atua com apoio de toda uma rede comunitária de agentes de saúde e formas próprias de identificar riscos desde os ambientes onde os pacientes vivem cotidianamente, os efeitos do bloqueio seriam muito mais devastadores.



Com as explicações que recebemos sobre o sistema de saúde cubano, e por ter sido diretor de saúde de uma autogestão baseada no modelo de atenção primária e medicina de família, pude perceber a eficiência do sistema implantado no país desde a Revolução.



As médicas nos explicaram que os profissionais de saúde dos hospitais cubanos cuidam dos equipamentos e materiais existentes com um zelo todo especial, pois sabem que não conseguirão peças de reposição caso os equipamentos quebrem...

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CABARET TROPICANA





No final daquele dia de programação de nossa caravana solidária de brasileiros, ainda fomos ver um show com dançarinas e dançarinos, e cantores incríveis, no Cabaret Tropicana.

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Palma Real, Mariposa, Tocororo, Escudo,
Bandera de la Estrella Solitaria,
Himno de Bayamo y
José Martí, Heroe Nacional.

Ao finalizar o texto, soube que após um ato potente do povo cubano neste 1° de maio, o governo dos Estados Unidos anunciou que vai recrudescer mais ainda o bloqueio ao povo cubano...

Esses crimes de lesa-humanidade por parte desses senhores da guerra no decadente império norte-americano precisam cessar urgentemente!

O mundo civilizado e livre deve exigir o fim do bloqueio criminoso contra o povo cubano!

William 

01/05/26

quinta-feira, 30 de abril de 2026

Artigo: Dá para ter esperança?



Refeição Cultural

Opinião


Dá para ter esperança?

Entre ontem e hoje, o povo brasileiro sofreu duas derrotas importantes no Congresso Nacional. Na verdade, o povo sequer sabe disso. Parte do povo sabe dos jogos e resultados das partidas de futebol do Palmeiras, do Flamengo e do Corinthians na Libertadores da América. E de outros times importantes, é claro! Teve rodada dos campeonatos sul-americanos no meio de semana.

Nas sessões de ontem, 29 de abril, e hoje, 30 de abril, os parlamentares do Congresso Nacional rejeitaram a indicação de Jorge Messias a uma vaga do Supremo Tribunal Federal, indicação de atribuição constitucional do Presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva. Derrubaram também o veto de Lula à Lei de Dosimetria, uma lei feita para anistiar os políticos e outros sujeitos condenados por tentaram um golpe de Estado após a derrota eleitoral do ex-presidente Jair Bolsonaro em 2022. O ápice da tentativa de golpe ocorreu no dia 8 de janeiro de 2023.

Dentre as diversas versões do que teria ocorrido entre ontem e hoje no Congresso Nacional, ouve-se que as votações que rejeitaram Jorge Messias a ocupar vaga no STF e a anulação do veto do presidente Lula a tal lei que funciona como anistia a golpistas contaram com traições no campo dos chamados aliados ao presidente Lula. Além de gente que mudou de lado por achar conveniente, também circulam informações que teria rolado muita ameaça por parte de algumas lideranças das duas casas, Senado e Câmara.

Muitas pessoas de nosso campo - a esquerda e um espectro de gente que se diz progressista e democrata - estão fechando o mês com o coração apertado, com uma tristeza diante desse cenário que se apresenta no parlamento nacional. Ouvi gente querida dizer que sentiu vontade de chorar diante do gozo daquela canalha toda que compõe uma parte do Congresso.

Infelizmente, também tem gente de nosso campo - esquerda - que está vivendo uma espécie de prazer por ver o governo ser derrotado naquela antiga e sabida postura de se ver confirmadas as suas "leituras" de que Lula, Haddad e nosso governo e o PT são "neoliberais", de centro ou centro-direita blá blá blá. As palavras que esses companheiros de nosso espectro político usam são, às vezes, as mesmas que nossos adversários e inimigos usam: "o petismo", "a esquerda institucional", "esquerda domesticada" ou denominações do tipo. A poucos meses das eleições é o momento para isso?

DÁ PARA TER ESPERANÇA?

Eu entendo que sim. 

Fui aprendendo depois de muito tempo de militância política que uma pessoa de esquerda não deve perder a esperança. Não deve.

Cito dois momentos por me lembrar deles como se fossem hoje.

Em 2014, nas eleições presidenciais, entramos no segundo turno numa situação complicada, as informações e o sentimento após o primeiro turno eram bastante desanimadores. Parecia que Dilma perderia as eleições para Aécio Neves. Naquele curto espaço de tempo, o segundo turno, nós tivemos a capacidade de mudar a tendência e o cenário. Foi lindo e inesquecível! Viramos o jogo e ganhamos a eleição. Dilma Rousseff foi reeleita.

Em 2022, nas eleições presidenciais, os golpistas no poder desde o golpe de Estado em 2016, tinham tanta certeza da vitória, que nunca na história mundial um grupo produziu tanta prova material contra si mesmo como o bolsonarismo fez. Gastaram bilhões do dinheiro público para permanecerem no poder. Parecia impossível que aquela gente saísse da estrutura do poder. Mas nós mudamos o jogo, contra tudo e contra todos daquela parcela fascista e facínora da sociedade brasileira. Vencemos a eleição e Lula foi eleito com uma pequena margem de votos para o seu terceiro mandato.

Dá para ter esperança.

Nós temos coração e temos algo que só nós temos: objetivos de melhorar a vida do povo brasileiro, uma gente incrível, uma maioria de gente simples que sofreu a vida toda porque o Brasil não foi feito para atender às necessidades e direitos do povo e sim para uma pequena parcela de privilegiados. 

Nós estamos do lado certo da história humana e isso faz toda a diferença.

Dá para ter esperança e o nosso papel diário é seguir tentando fazer a coisa certa por um país melhor para o conjunto da população. Isso começa todos os dias quando acordamos.

Nós podemos vencer essa minoria fascista e lesa-pátria.

Tem muita gente boa do nosso lado, tem muita juventude chegando do nosso lado, tem muita gente experiente se colocando à disposição de seguir lutando conosco.

Cada um de nós pode contribuir de alguma forma para melhorar o Brasil e a vida do povo, lutando contra essa gente de direita e "conservadora", que quer conservar privilégios de uns poucos fdp.

William

30/04/26


Post Scriptum: e por falar em gente boa, de esquerda, que vale a pena, que sempre lutou e esteve do lado certo da história da luta de classes, faleceu hoje o companheiro Daniel Gaio, grande liderança da categoria bancária, empregado da Caixa Federal, dirigente nacional de nossas entidades cutistas. Gaio é um exemplo de por qual motivo vale a pena lutar e ter esperança. Companheiro Daniel Gaio, presente! A gente segue por aqui lutando por um Brasil e um mundo do trabalho melhor para o conjunto da população!

Leituras Capitais - Na mira



Refeição cultural

CartaCapital nº 1410


NA MIRA

Alexandre de Moraes continua um alvo ambulante e a incógnita contamina as relações em Brasília


O bom jornalismo tem como premissa não brigar com os fatos, informar os acontecimentos como eles são. Gosto do jornalismo do grupo CartaCapital pela escola que Mino Carta e suas equipes representam. Por ser leitor e apoiador da revista, me sinto à vontade para tecer críticas quando acho necessário fazê-las.

A imagem escolhida pela revista para ser capa da edição 1410 ficou horrível, não condiz com a linha editorial de CartaCapitalEla me lembrou aquelas capas que o grupo Abril sempre fez contra o presidente Lula. 

O título e o tema poderiam ter sido ilustrados com uma imagem menos apelativa do que a escolhida pela revista. Fica registrada minha crítica pontual.


As matérias e artigos da edição 

Este leitor comentador deve estar naqueles dias de rabugice porque virou a cara para vários textos da edição...

CÍRCULO VICIOSO (Maria Rita Kehl)

"Muitos assediadores não nutrem real desejo pelas vítimas, apenas buscam vingar-se de rejeições anteriores. O resultado desse comportamento é mais repulsa e desprezo"

Sou admirador da psicanalista e escritora, e achei que o texto ia bem na abordagem complexa do tema, mas aí...

"(...) Triste ver um homem negro, certamente vítima de racismo estrutural que assola a sociedade brasileira, envolvido em um caso como esse, contra uma colega que também é negra." (p. 21)

Ela decide ilustrar a tese dela citando o caso em aberto do ex-ministro dos Direitos Humanos, Silvio Almeida, que ainda está sob apuração. 

A articulista o condena antecipadamente ao citá-lo como exemplo da forma como nunca se deveria fazer num estado democrático de direito... francamente! Que merda isso!

O tema da violência de gênero é sério demais para seguirmos nesse simplismo de se condenar antecipadamente (e na maioria das vezes para sempre e de forma irremediável) qualquer pessoa física ou jurídica que sofra alguma denúncia de assédio sem o devido processo legal concluído. 

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Para finalizar meu azedume com alguns textos, Paulo Gala, no artigo "Os desequilíbrios da China" (p. 37), me pareceu aqueles "economistas" dos jornalões da casa-grande. A China tá crescendo, mas mas mas... 

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Gostei dos textos das seções "Reportagem de capa", "Seu País" e "Economia". Me atualizei sobre a corrida eleitoral deste ano com as matérias sobre as negociações políticas no Nordeste e Minas Gerais. 

DO POÇO AO POSTO (p. 38)

"Por que o Brasil precisa retomar o controle da distribuição de combustíveis"

O texto está muito bom, esclarecedor, sobre as consequências da privatização da cadeia produtiva do petróleo. A análise é assinada por Pedro Uczai, deputado federal (PT/SC).

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Na seção "Nosso Mundo" li assustado as notícias sobre o avanço insano do fundamentalismo religioso naquele país beligerante do norte, governado pelo Nero da atualidade. 

COPA DO MUNDO 

Dois textos abordam o torneio de futebol que será realizado no país que invadiu a Venezuela e sequestrou seu presidente para roubar o petróleo do povo daquele país e que bombardeou o Irã sem respeitar qualquer regra internacional sobre guerras e bombardeou uma escola de crianças, matando quase duzentas meninas.

Um texto fala sobre o preço abusivo de qualquer coisa relacionada a ver os jogos ao vivo.

Outro texto, o artigo do Afonsinho, fala da Copa nos Estados Unidos e fala de tudo, tudo, só não faz nenhuma menção a boicotes ou críticas pelo fato de o evento mundial ser realizado naquela merda de país agressor.

Nada contra o Afonsinho. Na verdade, nenhum jornalista que conheço, que fale e ou goste de futebol, falou nada sobre boicotar e ou não participar da competição por ser no país que sempre exigiu boicote contra outros países em competições internacionais... ninguém falou nada contra a Copa ser nos Estados Unidos!!! 

NOJO!!! HIPOCRISIA!!! Não vi um jornalismo progressista ou democrata ou adjetivo do tipo defender boicote à Copa nos EUA. Nenhum!

Francamente!

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CAMINHAR, SEMPRE

Para fechar a leitura de forma positiva, o artigo do doutor Drauzio Varella "Caminhar, sempre" (p. 57) traz notícias excelentes! 

"Um estudo da revista inglesa The Lancet comprova que dar ao menos 7 mil passos por dia reduz em 47% a mortalidade por qualquer causa"

Amig@s leitores, minha apreensão por estar com problemas na minha estrutura de locomoção é por saber disso e ter na corrida e caminhada atividades vitais para mim, vitais!

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É isso! Leitura feita!

William 

quarta-feira, 29 de abril de 2026

Diário e reflexões



Refeição Cultural

Brasil, 29 de abril de 2026.


"Mundo mundo vasto mundo,

se eu me chamasse Raimundo

seria uma rima, não seria uma solução.

Mundo mundo vasto mundo,

mais vasto é meu coração." 

(Poema de sete faces, CDA)


O mês de abril vai terminando com um clima instável... com um ar de incerteza ao redor dos seres viventes desse nosso mundo mundo vasto mundo. O sol apareceu, mas de repente a luz deu lugar às nuvens, e as sombras dominaram o período. O que vem por aí? O que nos reserva o amanhã?

Estamos sob ares imprevisíveis... não temos controle de quase nada. O clima clima pode nos surpreender de um instante para o outro, um fenômeno da natureza pode mudar a vida de muita gente, de muitas espécies, a nossa vida. Se morre numa enxurrada parado no trânsito de São Paulo.

O clima político está desenhado para aqueles poucos que sabem ler mais que palavras, que leem nas entrelinhas, que leem nas coisas ao redor, e que sabem ler história. A história não se repete, mas serve de referência, e com a referência e o contexto do momento, se pode prever o que vem por aí. Talvez evitar o pior...

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O escriba deste blog antigo quer e não quer escrever, quer e não quer falar, quer e não quer se envolver com as coisas do mundo, afinal ele é uma coisa do mundo, uma vida vivida em meio ao mundo mundo vasto mundo, e mesmo não se chamando Raimundo, vaga por aí, e sem rima alguma.

Já fiz alguma coisa na vida. Tive carências, tristezas, muita raiva, ódio mesmo, mas também amei, superei coisas impeditivas do querer viver. Já tive minhas fases (minhas sete faces?), já poetei sobre elas, já digeri sobre a infância, a adolescência, a vida adulta jovem, a vida madura no melhor da produção intelectual, e já encontrei as respostas a questões existenciais que havia formulado nessas fases da vida vivida e percorrida. Encontrei as respostas! 

Na fase do momento - a pessoa de agora, que pisa num outro rio sendo outra pessoa - fiquei procurando o que fazer ou o que não fazer, no que dar sentido ou a compreensão plena de que não há sentidos, e que sem haver sentidos, nós esses bichos exóticos do mundo mundo vasto mundo, que até rimamos mundo com Raimundo... enfim, talvez o sentido seja escolher o que fazer e não fazer para dar um certo sentido no próprio existir.

O que vou fazer ou tentar fazer nos próximos dias e semanas e meses do viver estando por aqui no mundo mundo vasto mundo? Não se recupera ou se volta no tempo. Não se volta a ser o que um dia se foi. Acho difícil fazer o que queria fazer, não fiz, e talvez pudesse fazer agora. Não dá! É outro rio, outra pessoa.

A passagem do tempo, essa percepção que o bicho humano tem, é inescapável. O que quis ou não, o que vivi ou não, de certa forma, não existe... existe em mim, que posso não existir num instante... não existe a não ser que se registre para além de minhas células e átomos. E olhe lá! (uma bomba ou um cancelamento apaga tudo!)

Eu existo? Existi? Os fatos, e atos, e acontecimentos, e as coisas feitas, e sentimentos nos quais me envolvi, vivi, construí, senti, existem? Vão existir amanhã? Não há controle de nada. Não há.


"Eu também já fui brasileiro

moreno como vocês.

Ponteei viola, guiei forde

e aprendi nas mesas dos bares

que o nacionalismo é uma virtude.

Mas há uma hora em que os bares se fecham

e todas as virtudes se negam."

(Também já fui brasileiro, CDA)


Já refleti sobre fazer volume por aí. Já guiei forde e já ponteei viola... aprendi nas mesas dos bares da vida. Não sei se ainda quero essas coisas depois que os bares se fecharam pra mim.


"Trabalhas sem alegria para um mundo caduco,

onde as formas e as ações não encerram nenhum exemplo.

Praticas laboriosamente os gestos universais,

sentes calor e frio, falta de dinheiro, fome e desejo sexual."

(Elegia 1938, CDA)


Como diz o poeta, é um mundo caduco. Quiçá eu seja um caduco num mundo caduco.

Por mais que eu pratique laboriosamente os gestos universais, minhas formas e ações não encerram nenhum exemplo... (isso diz tudo para mim na atualidade!)

É nesse momento que estou neste dia de derrotas para o governo Lula, de livros descartados no lixo em Osasco, de bombas apagando gente e história por aí, de big techs manipulando meus pares ao meu redor...

Não sei se quero ou faz diferença ir a lugar nenhum, fazer volume em algum lugar.

Will i am (mas...)

29/04/26

domingo, 26 de abril de 2026

Livros no lixo em Osasco


Os Lusíadas, edição de 1982,
resgatado do lixo décadas atrás

Livros no lixo em Osasco

Segundo matérias na imprensa, milhares de unidades dos 39 mil livros da Biblioteca Municipal Monteiro Lobato, em Osasco, foram jogados no lixo na semana mundial do livro... uma perda irreparável para a história de Osasco e para o mundo da cultura. 

Nenhuma matéria da imprensa de direita, a velha mídia golpista e manipuladora, citou o nome e o partido do prefeito responsável por essa tragédia, esse ato de destruição do patrimônio cultural da cidade e do Brasil. 

O prefeito de Osasco, responsável pela destruição de parte do acervo de livros da Biblioteca Monteiro Lobato, é Gerson Pessoa (Podemos), conhecido na cidade como o cunhado e sucessor do ex-prefeito Rogério Lins (Podemos), responsável por fechar a biblioteca em 2020.

Este livro com bolor teve mais sorte
que os livros da biblioteca de Osasco

Rogério Lins é aliado do prefeito de São Paulo, Ricardo Nunes (MDB), foi seu secretário de esportes e lazer até recentemente. Dizem que saiu do cargo para ser candidato nas eleições deste ano.

Ricardo Nunes é aliado do governador Tarcísio de Freitas (Republicanos), aliado do ex-presidente Jair Messias Bolsonaro (PL), pai do senador pré-candidato a presidência Flávio Bolsonaro (PL).

Os Lusíadas, edição de 1982, foi salvo por
um jovem leitor, hoje morador de Osasco

Essa gente de direita odeia cultura, educação, livros... essa gente atua politicamente para que a população nunca acesse livros, educação e cultura. 

Essa gente vai pedir seu voto em outubro deste ano. Se você é leitor ou leitora, aprecia cultura e arte, lembre-se o que esse pessoal da direita faz com livros...


Livro resgatado no lixo

Quarenta anos atrás, o jovem leitor que criaria este blog passava por uma rua no bairro Rio Pequeno, onde morava em São Paulo, quando viu diversos livros numa pilha de lixo na calçada. Não podendo resgatar todos eles, salvou Os Lusíadas, de Camões. 

O livro tinha fungos e bolores, mas foi cuidado, lido, e até hoje está na estante de sua biblioteca. 

Salvem os livros, salvem a cultura e as artes! Votem com consciência em outubro de 2026.

William Mendes 

sexta-feira, 24 de abril de 2026

Sobre Cuba (II): lendo Aline Marcondes Miglioli



Refeição cultural

LEITURAS 

Dando sequência à leitura do livro Casa à venda: turismo, mercado de imóveis e transformação sócio-espacial em Havana, de Aline Marcondes Miglioli, cito alguns excertos abaixo para reforçar o interesse nos leitores do blog em adquirir a obra e lerem o estudo completo da autora. 

Fiz meu fichamento sobre os capítulos 1 e 2 em uma postagem anterior (ver aqui).

Reforço, como disse na primeira postagem, que qualquer interpretação equivocada ou diferente do que a autora aponta, é de minha exclusiva responsabilidade.

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EXCERTOS 

O capítulo três "O turismo enquanto setor estratégico: contradições da revolução na periferia" é dividido em duas partes: O papel do turismo na acumulação de capital e Indústria do turismo em Cuba. 

O capítulo é uma verdadeira aula de economia e história. Eu nunca tinha parado para pensar o turismo como atividade econômica inserida na divisão internacional do trabalho na lógica capitalista. 

"(...) A principal mudança entre a primeira e a segunda fase de execução da atividade. Ao invés de responder às demandas de hospedagem e lazer locais, a indústria do turismo após os anos 1970 passou a promover os destinos turísticos através da criação e venda de espaços 'exóticos', ou seja, inexplorados e exclusivos." (p. 112)

Após a leitura, será difícil olhar as viagens que fazemos em pacotes turísticos como víamos antes. O que eu sentia, às vezes, como um turista sendo tratado só como um consumidor qualquer de produtos enlatados, foi esclarecido pela autora. Aprendi demais com a leitura!

Aline me fez compreender até a lógica de destruir bairros inteiros e áreas públicas nas cidades como São Paulo, terra arrasada na mão do prefake atual e seus parças, quando explica as soluções capitalistas para a sobre-acumulação do capital.

"A importância do espaço geográfico enquanto uma categoria de análise no processo de acumulação de capital é evidenciado por David Harvey em Limites do capital (2013). Para o autor, a construção e reconstrução do espaço são saídas para as crises de sobre-acumulação do capital, pois estas atividades permitem empregar o capital sobre-acumulado em grandes investimentos, principalmente em capital fixo na produção do espaço, que tem como característica serem investimentos de longa maturação. Neste sentido, a construção do espaço urbano ocupa uma posição importante neste processo de ordenamento espacial da reprodução do capital, pois torna-se uma forma de atrasar ou atenuar as crises de sobre-acumulação de capital." (p. 110)

O setor de turismo veio a calhar para o capitalismo nas últimas décadas ao mudar a lógica de turismo antiga, mais regional e interna nos países, em relação ao modelo atual. 

"(...) Sendo assim, o setor turístico, entendido enquanto uma atividade que pressupõe a ocupação e construção de novos espaços, representa uma frente para atenuar as crises de acumulação de capital, avançando na ocupação de novos territórios, investindo na produção ou conversão destes espaços em espaços turísticos." (p. 111)

E o modo "all inclusive", então? Essa lógica dos capitalistas donos das redes hoteleiras quebra toda a economia local ao fazer o turista consumir tudo no hotel, só para se apropriar de todos os recursos da sociedade. O ápice dessa lógica são os "navios-shopping" que cruzam os mares...

Após a primeira parte do capítulo, a aula de economia, Aline entra na parte da indústria turística em Cuba, opção tomada pelos cubanos já nos anos oitenta, mas efetivada após o fim da URSS e o período especial, como atividade econômica relevante no país. 

A autora descreve a atividade econômica de turismo em Cuba desde o início do século XX, período anterior à Revolução. O turismo era uma tragédia para a classe trabalhadora. Tudo era em benefício de uma pequena parcela da elite local e para as elites norte-americanas.

Nas conclusões do capítulo, Aline avalia ter sido acertada a escolha dos cubanos pela atividade econômica de turismo como uma alternativa de entrada de divisas, apesar das contradições e desafios inerentes ao setor, inclusive ideológicos.

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Sigo na leitura. 

William 

24/04/26

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Post Scriptum:

CAPÍTULO 4 - A ATUALIZAÇÃO DO SOCIALISMO CUBANO E A EMERGÊNCIA DA DIFERENCIAÇÃO SOCIAL EM CUBA

"(...) No presente capítulo nós iremos abordar a principal mudança ocorrida na sociedade cubana após os anos 1990: a reorganização social - ou seja, a configuração de novos grupos sociais - e a reorganização dos indivíduos entre eles e os grupos existentes. Para que possamos compreender esse fenômeno, deveremos alçar voo sobre uma bibliografia densa que busca justificar teoricamente a existência de diferenciações sociais em Cuba." (p. 147)

A autora vai estudar as mudanças que se deram na sociedade socialista cubana após as dificuldades enfrentadas pelo governo durante o Período Especial, com o fim da URSS e o bloco socialista. 

"(...) a partir do Período Especial e principalmente após ele, nos anos 2000, a academia cubana passou a identificar na sociedade dois novos fenômenos: a diferenciação social, ou seja, a existência de grupos sociais com diferentes padrões de consumo e estilos de vida, e a pobreza." (p. 147)

Ainda na introdução ao capítulo, Aline esclarece quais fontes irá usar em seus estudos, dentre elas, estudos de instituições cubanas - Instituto Nacional de Investigaciones Económicas (INIE) e Centro de Investigaciones Psicológicas y Sociológicas (CIPS) - e de organismos multilaterais - CEPAL e PNUD. 

"Este capítulo tem como objetivo compreender a emergência da diferenciação social em Cuba após o Período Especial. Ele possui um conteúdo que destoa do restante dos capítulos apresentados até o momento, porque não dialoga diretamente com o mercado de imóveis. Aqui buscamos compreender o significado da pobreza em Cuba e da diferenciação social, e identificar quais são suas expressões materiais e o quanto elas se relacionam com a moradia. Ainda que indiretamente, esse ponto é essencial para o nosso debate, porque esses mesmos fenômenos se apresentam em Cuba de forma diferente do que ocorre nas economias capitalistas e, portanto, não podemos inicialmente relacionar a moradia com a pobreza ou com a riqueza, e tampouco as características da moradia com alguma classe social específica." (p. 149)

Acho um esforço grande fazer comparações das condições de vida do povo cubano com países capitalistas semelhantes, com altos níveis de carências, porque Cuba garante os principais direitos humanos ao conjunto da população: alimentação, saúde, educação, moradia, segurança e transporte. 

"(...) Nesse exercício, Muruaga encontrou dificuldades para quantificar e comparar a situação de pobreza em Cuba com as dos seus vizinhos latino-americanos, pois o sistema de proteção social cubano garante alimentação, saúde, educação e habitação a toda a população, de forma que a pobreza não se revela na forma da ausência desses bens e serviços..." (p. 148)

Muruaga vai usar um conceito de "pobreza com proteção e garantias" para especificar o tipo de pobreza em Cuba. 

Comentário do blog: eu acho esquisito isso para tentar comparar a Cuba embargada há décadas com países miseráveis sob o capitalismo. Mas é a minha forma de ver. Sigo na leitura. 

No último parágrafo da p. 154, os estudos registram uma evidência clara do quanto os cubanos estão em melhores condições de vida em relação aos povos de países capitalistas comparados.

Depois de estudar a pobreza em Cuba, o item seguinte do capítulo vai abordar o trabalho por conta própria, modalidade de ocupação surgida nas últimas décadas.

Há uma nota de Aline, na p. 169, na qual ela reconhece que parte das fontes daquele estudo tem origem em pessoas que são oposição ao governo, inclusive de Miami.

Gostei do subitem "A estrutura social cubana e seu padrão de mobilidade social", a partir da p. 173. Aprendi coisas novas. 

"Entre as contribuições iniciais ao debate, destaca-se a interpretação materialista-histórica de Karl Marx, na qual a interação entre os grupos se dá em consequência de sua relação com os meios de produção e, portanto, com sua capacidade de apropriar-se do mais-valor - produzido por seu trabalho ou pelo trabalho alheio. Uma classe, portanto, é definida em associação com os meios de produção e, por isso, é possível identificar três classes sociais no capitalismo: o trabalhador, detentor da força de trabalho; o capitalista, do capital; e o proprietário fundiário, da terra (Marx, 2017)." (p. 174)

Depois, ela cita correntes da sociologia que estudam a questão da estratificação social: o neoestruturalismo, o funcionalismo-estruturalista ou apenas funcionalismo e as abordagens weberianas. Achei bem interessante. 

Nada substitui a leitura integral do livro de Aline Miglioli, estou melhorando minha compreensão sobre Cuba durante a leitura. 

Cito sua conclusão do capítulo quatro:

"Em conclusão, independentemente da perspectiva teórica adotada, é possível vislumbrar que a moradia está no centro das transformações em curso em Cuba. Essas transformações têm levado à consolidação de diferenciações sociais que, por um lado, conformam lacunas sociais à equidade e, por outro lado, levam alguns grupos a ocuparem posições mais vantajosas na sociedade, principalmente no que diz respeito à vantagem para compra de produtos importados." (p. 190)

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Sigo na leitura. 

William 

01/05/26