quinta-feira, 18 de junho de 2026

Usar cerol era comum nos anos 70 (3)


A linha ficava estendida entre os postes de fios da rua de casa no Rio Pequeno. A gente derramava o produto na palma da mão e ia passando na linha. 

O segredo era a linha ficar com um cerol bem fininho pra cortar qualquer coisa. Tinha linha com cerol até nas rabiolas.

Minhas pipas tinham um "chicote" no fim da rabiola, uma última fitinha depois de um metro de linha com cerol.

Na hora de cortar as pipas adversárias, eu debicava por cima delas e meu chicote cortava a linha adversária. Lá ia embora a pipa dos outros.

Eu devia ter entre oito e dez anos e já fazia cerol, fazia em casa Quadrado, Peixinho e Maranhão, tipos de pipa, e passava horas empinando na rua. 

Vivia com os dedos cortados. Que loucura isso, relembrando hoje, décadas depois. Linhas com cerol são um perigo, e causam acidentes fatais.

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Instantes de uma vida

quarta-feira, 17 de junho de 2026

100 clássicos da literatura universal



Refeição Cultural

LITERATURA


Com a lista de obras citadas abaixo, completei a contagem de 100 clássicos da literatura universal, obras que tive a oportunidade de ler ao longo da vida.

Nesta sequência, me lembrei de romances e narrativas que, de alguma forma, abordam a temática da morte na primeira dezena de livros e, na segunda parte, listei um clássico em cada país de origem de seu autor.

Como disse na lista anterior com 20 clássicos (comentário aqui), compreendi que o mais difícil será ler a lista de desejos de leitura que tenho pela frente, a começar pelos livros que já adquiri nessa jornada de leitor. 

Quando cheguei a São Paulo em 1987, de volta à terra natal depois de passar sete anos em Uberlândia (MG), onde cresci, trouxe na mochila praticamente algumas roupas e mais nada. Nada de livros ou coisas que ocupassem muito espaço na casa coletiva na qual morei, de minha avó Deolinda.

Já tinha o hábito da leitura, mas o tempo disponível para ler era pouco e o cansaço me dominava, pois a prioridade era a sobrevivência com a venda de minhas horas de trabalho e a dedicação ao estudo formal.

Até me fixar numa casa própria, em 1999, morei em mais de uma dezena de lugares em doze anos. Toda hora era mudança de um canto para o outro e nas mudanças quanto mais coisa pra carregar, pior.

Mesmo assim, de pouco em pouco, de desejo em desejo, fui comprando um livro aqui, outro ali, em bancas, sebos e livrarias e hoje tenho livros suficientes para ler por um bom tempo. Sem contar que para um leitor todo dia é dia de desejo novo de livro.

Eis a lista que completa minha centena de textos que para mim são obras clássicas em alguma dimensão do mundo da cultura e conhecimento humano:


81. Romeu e Julieta - Shakespeare

82. A morte de Ivan Ilitch - Liev Tolstói

83. Morte e Vida Severina - João Cabral de Melo Neto

84. Crônica de uma morte anunciada - Gabriel García Márquez

85. Madame Bovary - Gustave Flaubert

86. O homem que amava os cachorros - Leonardo Padura

87. Carrie, a estranha - Stephen King

88. Os mortos vivos - Peter Straub

89. O Diário de Anne Frank - Otto H. Frank e Mirjan Pressler

90. As intermitências da morte - José Saramago

91. Noturno do Chile - Roberto Bolaño

92. Primo Basílio - Eça de Queiroz

93. Os dublinenses - James Joyce

94. Fausto - Goethe

95. Sagarana - João Guimarães Rosa

96. Lazarillo de Tormes - anônimo 

97. A mulher de trinta anos - Honoré de Balzac

98. Kolstomer (História de um cavalo) - Liev Tolstói

99. A Ilha - Fernando Morais 

100. O caçador de pipas - Khaled Hosseini

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Fiquei contente em enumerar uma centena de obras que li e que são referências em dimensões culturais de todos nós que apreciamos literatura, ciências sociais e conhecimento humano.

Estou trabalhando minha memorização e já que foi interessante fixar na memória uma centena de livros, pretendo continuar fazendo listas de obras que já li e que ainda vou ler e seguir exercitando meu cérebro, o verdadeiro criador de tudo, como nos ensina o neurocientista e escritor Miguel Nicolelis.

Sigamos lendo em busca de mais conhecimento e autoconhecimento para podermos contribuir de alguma forma para a sociedade humana, para a coletividade e para a busca de uma convivência sustentável com o nosso planeta Terra.

William

17/06/26

A pipa no fio e o curto-circuito (2)


Minha pipa havia enroscado no fio em frente de casa. Tentei tirar ela com jeitinho, de forma delicada. 

Depois de um tempo tentando, sem sucesso e frustrado com a perda, passei a puxar a linha com toda força, pra ela arrebentar mesmo.

Em uma fração de segundos, foi só explosão e faíscas e aquele cheiro horrível... saí correndo pra me esconder atrás de um carro estacionado.

Acho que os puxões na linha da pipa fizeram os fios de energia encostarem um no outro e bum!

Foi um susto da porra! Ao ver minha mãe e vizinhos saindo das casas, saí do esconderijo com aquela cara de cu e devo ter ficado de castigo.

Minha mãe não me batia, me punha de castigo.

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Instantes de uma vida

A pedrada no Peninha (1)


A gente estava no campinho, não me lembro se jogando bola ou empinando pipa.

O córrego do Rio Pequeno separava o nosso campinho do campinho do outro lado, onde brincavam outros moleques. 

Teve uma guerrinha de pedradas. Nunca me esqueço que estava olhando para o Peninha quando ele foi acertado bem na testa. 

O cortezinho que abriu, primeiro ficou branco, e depois o sangue veio. A gente colocou a mão na testa do Peninha e saiu correndo com ele pra casa.

Guardo a lembrança desse dia, a pedrada, a testa com o corte, o sangue. Que será do Peninha? Quem mais esteve no campinho aquele dia?

Brinquei até os dez anos naquelas ruas do Rio Pequeno. Depois fui embora. Tenho lembranças boas dessa fase da vida. 

Cada criança ali teve um destino, uma vida. A existência é assim.

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Instantes de uma vida

terça-feira, 16 de junho de 2026

Livro: Uma abelha na chuva - Carlos de Oliveira

Carlos de Oliveira
(10/08/21-01/07/81)


Refeição Cultural

LITERATURA 


Relendo um artigo meu dias atrás, vi nele uma citação a um livro de literatura portuguesa de meados do século passado, de Carlos de Oliveira, livro do qual não me lembrava do enredo. As obras literárias são assim, umas nos deixam marcas e lembranças, outras não. Não há um livro de Samarago, por exemplo, do qual tenha me esquecido do enredo. Talvez pelo estilo ou tema tratado pelo autor, vai saber.

Só por curiosidade, procurei e encontrei Uma abelha na chuva, de 1953, em meus guardados da faculdade de Letras e comecei a ler a história de Álvaro Silvestre e D. Maria dos Prazeres, casal principal de protagonistas do enredo do romance de Carlos de Oliveira. 

Li rapidamente a metade do romance numa só sentada e posso afirmar que ele é bem escrito, a história tem questões sociais interessantes apresentadas aos leitores da época, e de hoje também, se considerar o pano de fundo da trama: a vida num vilarejo de Portugal, país dominado pela igreja católica, por uma nobreza falida e pelo ditador António Salazar, país ainda em luta por manter colônias africanas, e em franca decadência econômica. Esse era o cenário no qual foi publicado o livro.

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RELIGIÃO E PODER 

Uma das questões que me levaram a reflexões ao reler este romance é a forma como a religião e seus doutrinadores interferem e definem a vida coletiva numa comunidade humana qualquer. 

Apesar do tema central do romance ser a decadência de Portugal, a religião está ali impregnada em tudo que é decadente, as relações, as instituições, as pessoas... em tudo. E isso é de uma atualidade incrível! 

A religião neste momento da história humana, terceira década do século XXI, é uma das principais ferramentas de manipulação de massas pela extrema-direita e pelos homens do poder mundial, que contam com exércitos e máquinas que definem o comportamento de milhões de vítimas dos algoritmos das big techs, tecnologias inexistentes no passado.

Quando lemos literatura e história e acessamos cotidianos existentes em diferentes lugares e épocas podemos perceber o poder imenso de sentimentos como ódio, medo e fé, principalmente quando são utilizados por canalhas manipuladores em posição de poder.

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UMA ABELHA NA CHUVA 

O casal Álvaro Silvestre e D. Maria dos Prazeres vive numa região rural. O casamento deles é um arranjo entre um filho de comerciante bem-sucedido com uma filha da fidalguia falida. Silvestre é um banana e D. Maria uma frustrada com o marido que seu pai lhe arranjou. 

Outros personagens completam o enredo que demonstra a decadência de uma sociedade. O padre, Abel, é um agregado da casa do casal: vê pecados o dia todo e não diz nada. As más línguas dizem que "sua irmã", D. Violante, seria uma amante. Silvestre, "um homem gordo, baixo, de passo molengão", tem um irmão na África, um aventureiro mulherengo. A propriedade rural tem um cocheiro, Jacinto, o "ruivo", e outros empregados, como o mestre António, que perdeu a visão, e sua filha Clara.

Terminada a releitura, considero o romance muito bom. A história tem humor, tem momentos de tensão e final imprevisível. O autor português utiliza as técnicas modernas do romance, alterna momentos em primeira e terceira pessoa, utiliza fluxo de pensamento, acelera e desacelera o tempo da narrativa com sumários etc.

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DITOS POPULARES E ADÁGIOS 

Gostei dos ditos populares e dos adágios de D. Violante. Minha avó Deolinda era especialista em frases prontas para qualquer tema conversado.

Vejam esses ditos e adágios constantes do capítulo VIII:

"- Quando Deus queria do norte chovia"

"- (...) se as orações dos cães chegassem ao céu choviam ossos"

"- (...) Noiva serôdia, nem miolo nem côdea"

"- (...) boda e mortalha no céu se talha"

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COMENTÁRIO FINAL 

"- Nem rei nem papa à morte escapa" (ainda D. Violante)


A cultura nos leva ao conhecimento, ao autoconhecimento e à transformação. Leitura é uma das formas de acesso à cultura. A leitura de livros é fundamental para o desenvolvimento do cérebro, pois ler textos longos nos exercita a concentração e a reflexão. 

Enquanto li A abelha na chuva, refleti sobre várias coisas do mundo atual, mesmo tendo o livro sido publicado há mais de setenta anos. Os temas abordados no enredo estão aí, ao nosso redor, pautando nossa agenda de vida. Religião, política, relações humanas, propriedade e bens materiais, condição das mulheres, das classes exploradas etc.

É sempre bom ler um livro, amigas e amigos leitores do blog. 

Sigamos lendo. Se nem rei, nem papa, à morte escapa, quem dirá eu, um simples ex-bancário que deu a sorte de chegar até aqui sobrevivendo à juventude, ao ódio e às situações que a vida nos apresenta cotidianamente. Ainda estou por aqui, então sigamos lendo.

William 

16/06/26

segunda-feira, 15 de junho de 2026

Garrincha - Alegria do povo



Refeição Cultural

Garrincha - Alegria do povo (Brasil, 1962)

Dirigido por Joaquim Pedro de Andrade

Sinopse: A trajetória de Garrincha revela o futebol como catarse para as frustrações do povo. O ídolo inalcançável é desconstruído para expor a realidade cruel dos "contratos escravos" e a falta de direitos, entrelaçando a dor humana aos dribles e gols icônicos do craque. 


Vi no Mubi um documentário muito bom sobre o craque Garrincha. Nas imagens em preto e branco de época, vemos o Brasil dos anos de JK e Jango.

A sinopse do streaming poderia ser melhor. O que vi no documentário não é exatamente o que a sinopse anuncia, não vi a questão dos contratos. Mas o documentário é bom.

Duas coisas me chamaram a atenção: 

1. As imagens das expressões dos torcedores nos estádios de futebol nos anos 50 e 60 são impressionantes. É o nosso povo, a nossa gente odiada pela elite brasileira. 

2. Os dribles de Garrincha, o jogador das pernas tortas. Os defensores adversários diziam que conseguiriam pará-lo porque ele driblava sempre para a direita... e ele passava por todo mundo. Incrível!

Valeu a pena ver Garrincha em sua simplicidade de homem do povo brasileiro. 

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Post Scriptum

Aquele povo brasileiro que vi nos estádios de futebol dos anos 50 e 60 não pode mais frequentá-los, pois as atuais "arenas" cobram ingressos que custam até o salário do mês dos torcedores apaixonados por futebol. E os dribles e a criatividade dos jogadores e do futebol brasileiro já eram... agora os meninos são levados do país crianças e lá fora são "engessados" em esquemas táticos que tiram a liberdade do jogador fazer o que Garrincha e Pelé fizeram com a bola dominada.

William 

15/06/26

domingo, 14 de junho de 2026

Com nova lista, agora são 80 clássicos


Flores e livros: gosto!

Refeição Cultural

LITERATURA 


Ao refletir sobre obras que considero clássicas em seu gênero, época ou temática, desta vez foquei na seleção histórias que tenham crianças ou adolescentes, sejam através de personagens das narrativas ou como público-alvo, ou ainda que de alguma forma tenham importância no universo infanto-juvenil como, por exemplo, o clássico de Dee Brown sobre os povos originários da América do Norte: a história é passada de geração em geração, desde a mais tenra idade.

O fato interessante é que aos poucos vou me aproximando da centena de clássicos que estabeleci lá no passado que gostaria de ler, na minha lista de objetivos a perseguir, feita perto dos vinte anos, um pouco mais, talvez. Como a vida toda foi de obrigações imediatas, ou seja, a sobrevivência deste proletário que se expressa através do blog, nunca havia parado para enumerar obras que eu considero uma leitura clássica em sua área.

Agora percebo que a lista infindável, que não teria fim e quase irrealizável para uma vida humana é a de livros que gostaria de ler e não li ainda e que provavelmente nunca chegarei perto de um número razoável de leituras do que me faltam ler. Fazer o que, né?

Uma coisa legal na definição dessas listas de clássicos que já li é que estou memorizando tudo que já selecionei. Ao elencar mais vinte, agora serão oitenta obras que cito e que tenho na memória. É uma forma de exercitar meus neurônios, a essência do que sou, local onde reside meu eu, minha persona.

Enfim, eis abaixo mais alguns livros que já tive a oportunidade de ler até aqui.


61. As Aventuras de Alice no País das Maravilhas - Lewis Carroll

62. O Mágico de Oz - L. Frank Baum

63. O Pequeno Príncipe - Antoine de Saint-Exupéry

64. Fernão Capelo Gaivota - Richard Bach

65. A Revolução dos Bichos - George Orwell

66. Capitães da Areia - Jorge Amado

67. A volta ao mundo em 80 dias - Júlio Verne

68. A morte e a morte de Quincas Berro d'Água - Jorge Amado

69. O Grande Mentecapto - Fernando Sabino

70. O Menino no Espelho - Fernando Sabino

71. Enterrem meu coração na curva do rio - Dee Brown

72. O Mundo de Sofia - Jostein Gaarder

73. O Apanhador no Campo de Centeio - J. D. Salinger

74. As Aventuras de Tom Sawyer - Mark Twain

75. Serafim Ponte Grande - Oswald de Andrade

76. Memórias Sentimentais de João Miramar - Oswald de Andrade

77. A Língua de Eulália - Marcos Bagno

78. O Ateneu - Raul Pompéia

79. Lolita - Vladimir Nabokov

80. Os Cavalinhos de Platiplanto - José J. Veiga


Com a próxima lista, se me lembrar de mais vinte obras, completarei a tão sonhada centena de clássicos da literatura universal ou clássicos em suas áreas de referência.

A lista anterior pode ser lida aqui.

William

14/06/26

sábado, 13 de junho de 2026

Ainda elencando clássicos da literatura universal



Refeição Cultural

LITERATURA 


"Motivo - Cecília Meireles 


Eu canto porque o instante existe

e a minha vida está completa.

Não sou alegre nem sou triste:

sou poeta.


Irmão das coisas fugídias,

não sinto gozo nem tormento.

Atravesso noites e dias

no vento.


Se desmorono ou edifico,

se permaneço ou me desfaço,

- não sei, não sei. Não sei se fico

ou passo.


Sei que canto. E a canção é tudo. 

Tem sangue eterno e asa ritmada.

E um dia sei que estarei mudo:

- mais nada."


Sigo refletindo e sistematizando o percurso percorrido, a vida.

A existência dos seres vivos é uma viagem, às vezes curta, às vezes longa. Uma viagem. 

Ando repassando na memória a trajetória das leituras feitas por esse leitor da classe trabalhadora. 

Certa vez, cismei de perseguir um objetivo nobre, queria ler uma centena de clássicos de literatura universal. E o tempo passou.

Dias atrás, dentro de uma máquina de ressonância magnética, me peguei a enumerar clássicos já conhecidos por mim.

Comecei a lista de vinte clássicos com Dom Quixote, de Miguel de Cervantes, e terminei com Ernest Hemingway e seu "Adeus às armas". (ler aqui)

Depois, enquanto caminhava, ou melhor, flanava, elenquei uma segunda lista de vinte, começando com a Odisseia, atribuída ao aedo Homero, e finalizada com o duríssimo São Bernardo, de Graciano Ramos. (ler aqui)

Nesta terceira lista, associei as obras clássicas ao tema das viagens, sejam elas por espaços físicos ou imaginários, sejam viagens temporais ao passado pessoal ou histórico.

Percebi na confecção da lista que tenho uma lacuna cultural enorme em relação à leitura de escritoras. Se a natureza permitir - e a ciência -, talvez leia mais clássicos de mulheres.

Após o processo de memorização da terceira lista de clássicos, finalizo a postagem.  

41. Viagem - Cecília Meireles 

42. Moby Dick - Herman Melville

43. Bagagem - Adélia Prado

44. Robinson Crusoe - Daniel Defoe

45. Minhas vidas - Shirley Maclaine

46. Mar morto - Jorge Amado

47. Las genealogías - Margo Glantz

48. O cemitério - Stephen King

49. A hora da estrela - Clarice Lispector 

50. Becos da memória - Conceição Evaristo 

51. Operação Cavalo de Troia - J. J. Benítez

52. Eram os deuses astronautas? - Erich Von Däniken

53. O caso dos dez negrinhos - Agatha Christie

54. Pedro Páramo - Juan Rulfo

55. A jangada de pedra - José Saramago 

56. Las venas abiertas de América Latina - Eduardo Galeano

57. Formação Econômica do Brasil - Celso Furtado

58. Nada de novo no front - Erich Maria Remarque

59. Por quem os sinos dobram - Ernest Hemingway

60. A rosa do povo - Carlos Drummond de Andrade 

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A memorização

Viagem (41) começou pelos mares em busca da baleia Moby Dick (42), na Bagagem (43) o sonho dos clássicos. Conquistadores detestáveis como Robinson Crusoe (44) atravessaram meu caminho em busca de sentidos, e Minhas vidas (45) me levaram ao Mar morto (46) na procura de portos e origens (Las genealogías - 47). Os viajantes retirantes encontraram os portos fechados nos EUA (Glantz) e o México foi o destino. O México nos remete à lembrança de povos originários das Américas e suas tradições. O cemitério (48) é o mundo dos mortos. Os retirantes como Macabéa querem sua A hora da estrela (49). Para buscar a história nos Becos da memória (50), uma Operação Cavalo de Troia (51) é feita para se voltar ao passado. Fica a pergunta: Eram os deuses astronautas? (52) Sei não, mas voltando ao mundo dos vivos e mortos, tem O caso dos dez negrinhos (53), naquela ilha imaginária de Christie. E tem os mortos que falam na Comala de Pedro Páramo (54). Pensando em conquistadores e origens, A jangada de pedra (55) da Península Ibérica atravessa os mares e vem deixar As veias abertas da América Latina (56), e a Formação Econômica do Brasil (57) é mais um exemplo das merdas dos conquistadores que fizeram as guerras como a 1ª GM que não tinha Nada de novo no front (58), como a Guerra Civil Espanhola e as pessoas Por quem os sinos dobram (59) e tudo termina na 2ª Guerra com poemas duríssimos da época em A rosa do povo (60).


Sigamos lendo, já que navegar é preciso.

William 

13/06/26

quinta-feira, 11 de junho de 2026

Leituras Capitais - Peso morto



Refeição Cultural

CartaCapital nº 1414


PESO MORTO

As mentiras cinematográficas sobre a relação com Vorcaro complicam os planos de Flávio Bolsonaro

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Especial 

A seção "Especial" traz análises e sugestões de projetos para o Brasil para os próximos anos. Achei interessante, o único problema é a vida real, a política, porque para encaminhar qualquer proposta de Brasil contida nas análises é necessário mudar drasticamente os representantes nos executivos e legislativos do país, além do conservadorismo do judiciário. Vai rolar?

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Seu País 

O artigo "Do próprio veneno", do jornalista Jamil Chade (p. 31), nos faz pensar muito sobre o tema do ódio e seus efeitos na política e na sociedade humana. 

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A matéria "Escavações radioativas" (p. 32), a respeito da destruição do meio ambiente e da vida das pessoas em Minas Gerais, dá um desânimo danado na gente.

Como impedir que um animal humano como um governador do momento e seus interesses irresponsáveis destruam tudo ao redor na sociedade brasileira?

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Economia

A matéria "Risco moral" (p. 38) me deu uma noção melhor do imbróglio atual no sistema bancário no qual trabalhei e atuei como dirigente sindical. Essas fintechs e bancos digitais da última década fragilizaram um dos sistemas financeiros mais seguros do mundo, o do Brasil. 

Que merda esses golpistas, bolsonaristas e escravocratas da casa-grande fizeram no setor financeiro brasileiro!?

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A reportagem sobre os êxitos no BNDES do governo Lula (p. 42) foi muito esclarecedora para mim, que também já gostei do tema economia quando era dirigente da classe trabalhadora. 

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Ainda na temática econômica, o artigo do professor Belluzzo e Manfred Back (p. 44) está excelente! Adoro ver gente estudada desmitificando aquela bobagem de afirmar que a economia do Estado é como a economia doméstica familiar... coisa estúpida, de gente que fala isso ou por retórica política de momento - conveniência -, ou por acreditar nessa bobagem.

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Nosso mundo 

A matéria "À sombra do chapelão" (p. 46) apontou o concorrente da direitista radical Keiko Fujimori nas eleições do Peru: Roberto Sánchez, ex-ministro de Pedro Castilho, de esquerda. 

Neste exato momento no qual escrevo a reflexão, as apurações estão com 98% dos votos computados e Keiko está na frente com algumas centenas de votos. Faltam uns 400 mil votos. Há um empate técnico e o resultado final pode demorar dias, até julho, talvez.

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Plural 

"Vou fazer a louvação" é uma matéria sobre música cristã. Sertanejo e música religiosa dominam as paradas. 

- Para o mundo que eu quero descer! (Só o que tenho a observar)

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Marilena Chaui

A edição da revista termina de forma brilhante, sugerindo a leitura do livro "Brasil: mito fundador e sociedade autoritária", de nossa querida professora emérita de História da Filosofia Moderna da FFLCH-USP, Marilena Chaui.

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Comentário final 

Ler matérias jornalísticas dias ou semanas depois dos fatos é bastante interessante. Elas dão aos leitores uma noção de mundo no qual estamos inseridos, um porquê das coisas de hoje, origens de acontecimentos do dia, explicam causas e consequências.

É isso. 

William 

11/06/26

quarta-feira, 10 de junho de 2026

Pensando sobre os cem clássicos da literatura universal



Refeição Cultural

LITERATURA


Dias atrás, enquanto passava um tempo dentro de um buraco com sons horríveis, uma máquina de ressonância magnética, pensei sobre literatura, leituras e cultura universal. Fiz uma seleção e memorização de 20 livros lidos por mim que considero clássicos (ler aqui). Faz tempo estabeleci que gostaria de ler cem clássicos da literatura universal.

Hoje, enquanto caminhava sob um sol morno, indo até o mercadinho local, pensei em fazer mais uma lista de livros lidos que considero clássicos. Enquanto exercitava a memória, repassava mentalmente obras que de alguma forma me acrescentaram algum conhecimento ou experiência nova.

Na primeira memorização, liguei os números de um a vinte aos livros para memorizá-los. Desta vez, fiz uma breve história ligando um livro ao outro para memorizar os vinte. Trabalhar a memória com essas estratégias de imagens e narrativas ajuda qualquer pessoa a guardar informações mentalmente.

Eis a segunda lista de clássicos lidos por mim:

21. Odisseia - Homero

22. Os Lusíadas - Luís de Camões

23. Utopia - Thomas More

24. Macbeth - William Shakespeare

25. Otelo - William Shakespeare

26. Admirável mundo novo - Aldous Huxley

27. 1984 - George Orwell

28. Fahrenheit 451 - Ray Bradbury

29. Metamorfose - Franz Kafka

30. Guerra dos mundos - H. G. Wells

31. O Guarani - José de Alencar

32. Senhora - José de Alencar

33. Memórias de um sargento de milícias - Manuel Antônio de Almeida

34. Triste fim de Policarpo Quaresma - Lima Barreto

35. Memórias póstumas de Brás Cubas - Machado de Assis

36. Dom Casmurro - Machado de Assis

37. Os sertões - Euclides da Cunha

38. Macunaíma - Mário de Andrade

39. Pauliceia desvairada - Mário de Andrade

40. São Bernardo - Graciliano Ramos

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Tendo clareza a respeito da finitude da existência e do imponderável na vida de qualquer ser que vive na natureza, o leitor e escritor do blog precisa acelerar as leituras e as coisas que pretende escrever porque viver não é preciso... ler e refletir é necessário.

William

10/06/26

segunda-feira, 8 de junho de 2026

Ressonância magnética - Pensei nos clássicos da literatura dentro daquela máquina



Refeição Cultural

Instantes intermináveis no buraco da máquina de ressonância magnética


Estive por quase duas horas enfiado naquela máquina assustadora de ressonância magnética para verificar como andam as coisas dentro do corpo deste animal mamífero bípede com telencéfalo altamente desenvolvido e com polegar opositor, um animal humano, como nos descreveu tão bem Jorge Furtado no clássico "Ilha das Flores" (1989).

Primeiro, entrei com a cabeça para dentro da máquina estreita. Depois, entrei com os pés. Em cada sessão, foram cerca de quarenta minutos dentro daquele tubo com sons horríveis, altos, e sem poder me mexer. Fiquei imaginando o quanto pessoas com problemas de claustrofobia sofrem para fazer ressonância magnética. Me disseram que a pessoa toma um remedinho para apagar.

O jeito foi pensar em algo que vale a pena: a literatura. 

Brinquei com o truque de memorização que aprendi muito tempo atrás e fiz uma lista com vinte clássicos da literatura universal que li e que me marcaram para sempre. 

1. O engenhoso fidalgo Dom Quixote de La Mancha - Miguel de Cervantes

2. A montanha mágica - Thomas Mann

3. Ulisses - James Joyce

4. Grande Sertão: Veredas - João Guimarães Rosa

5. Os irmãos Karamazov - Fiódor Dostoiévisk

6. Vidas secas - Graciliano Ramos

7. Alguma poesia - Carlos Drummond de Andrade

8. Hamlet - William Shakespeare

9. Era dos extremos - Eric Hobsbawm

10. Cem anos de solidão - Gabriel García Márquez

11. O velho e o mar - Ernest Hemingway

12. A viagem do elefante - José Saramago

13. Ensaio sobre a cegueira - José Saramago

14. Decamerão - Giovanni Boccaccio

15. Razão e sensibilidade - Jane Austen

16. La Celestina - Fernando de Rojas

17. Libertinagem - Manuel Bandeira

18. O vermelho e o negro - Stendhal

19. O retrato de Dorian Gray - Oscar Wilde

20. Adeus às armas - Ernest Hemingway

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Ao final das sessões de ressonância, tomamos um café e fomos embora. 

Horas depois fiz o teste mental para saber se havia memorizado a lista com os vinte clássicos da literatura. 

Sim, inclusive em qualquer ordem, do primeiro para o último livro, o inverso, e perguntando aleatoriamente, o quinto, o décimo terceiro etc.

A mente humana é incrível! O mamífero bípede com polegar opositor e telencéfalo altamente desenvolvido tem liberdade para fazer o mundo um lugar bem melhor do que vemos na realidade...

Não tenho o direito de desistir da vida, da sociedade humana e do planeta Terra. Podemos mudar a realidade. Podemos. 

William 

08/06/26

sábado, 6 de junho de 2026

Instantes (17h18)



Refeição Cultural

"Viva hoje o que sobrou de ontem"


Durante muitos anos, essa frase-conceito fez parte dos pensamentos da pessoa que fui. Nos anos oitenta, durante a adolescência repleta de explosões de ódio e melancolia. Na primeira fase adulta, também de explosões comportamentais. Como todo jovem que envelheceu, sobrevivendo à idade da impulsividade, cheguei até aqui.

Agora, vivo hoje o que sobrou de ontem. E por estar vivo, e ser humano com um cérebro que diferencia esse animal dos demais da natureza, devo encontrar motivações e esperanças para seguir diariamente, a cada alvorada, encontrando e dando sentido ao viver. 

A vida é uma oportunidade! Viver vale a pena. Sei disso por experiência pessoal. Se tivesse vivido a metade do que vivi, teria sido uma pena, pois a soma do vivido até aqui é sem dúvida melhor do que seria a metade de tudo isso que rolou no caminho.

Desde a semana passada, minha vista não é mais a mesma, o descolamento do humor vítreo do olho esquerdo ferrou minha visão do mundo. Triste demais isso! Agora cuido de uma leucoplasia oral, com cirurgias que são foda (nunca tinha ouvido falar nisso). Meu quadril tá uma porcaria, não vou correr uma maratona, que era um sonho. Pressão alta e colesterol... bah! Mas não infartei, bom demais! Isso tudo é viver hoje o que sobrou de ontem.


Mas estamos aqui! Somos legião! Não estou só, apesar de estarmos num mundo muito solitário, numa sociedade adoecida. Acredito nas possibilidades e potencialidades dos seres humanos e nas oportunidades da vida a cada nascer do sol.

Então, sigamos! Bora viver a vida e tentar salvar a humanidade, a nossa humanidade! Tem muita gente boa no mundo, gente que vale a pena. Tem sim!

Amanhã será outro dia!

William 

06/06/26

terça-feira, 2 de junho de 2026

Leituras Capitais - Filme queimado



Refeição Cultural

CartaCapital n° 1413


FILME QUEIMADO 

Áudios bombásticos colocam em xeque a candidatura de Flávio Bolsonaro, que jurou fidelidade a Daniel Vorcaro


Nesta edição da revista semanal da equipe do falecido jornalista Mino Carta, o ponto alto, na minha opinião, foram alguns artigos. 

Aldo Fornazieri, com seu texto "Sobre a guerra" (p. 29) foi perfeito na leitura sobre as guerras promovidas pelos EUA. Concordo com ele.

"Há diferenças entre os conflitos diretos e as intervenções militares. Sob essa ótica, insisto: os EUA não vencem uma contenda desde 1945"

Eu, William Mendes, acrescento que os EUA são os maiores terroristas da modernidade. São um estado terrorista.

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Luis Felipe Miguel toca na ferida que ninguém quer mexer no artigo "Não vale tudo" (p. 30).

No artigo que trata da questão "Pluralismo, excelência e liberdade de expressão na universidade", ele aponta os extremos das posições políticas à esquerda e à direita que acabam interferindo no rigor científico nas universidades. 

Vale ler e reler o artigo, e debater com as pessoas o tema. 

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E o grande Paulo Nogueira Batista Jr. (p. 37) desvenda o Brasil do 3° governo Lula como um bom técnico de futebol analisa seu time com um plantel fraco que não ganhará campeonato algum.

No artigo "Lula joga sozinho" o articulista aponta uma verdade incontestável: "O adversário não pode escalar nosso time".

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Comentário geral 

Fiquei pensativo ao ler algumas matérias. 

"Sugados pela tela" (p. 38) é uma delas. A sobrecarga digital, na minha opinião, está destruindo o ser humano numa velocidade exponencial incrível.

A entrevista com a brasileira Letícia Reis de Carvalho, secretária-geral da Autoridade Internacional dos Fundos Marinhos (ISA), na p. 46, sobre os mares como "Fonte de vida", é excelente e deveria ser lida e refletida por todos. 

E as matérias da seção "Plural" me lembraram o quanto eu e todos nós não sabemos nada de nada. Eu não conhecia Nei Lopes (p. 52), nem António de Alcântara Machado (p. 54), mesmo tendo um livro seu na estante de casa. 

Reconheço humildemente que não sei quase nada. Só suspeito de algumas coisas e tenho algumas noções. 

É isso. Este leitor acordou esses dias com "moscas volantes" na vista e após descobrir do que se tratava - descolamento do humor vítreo do olho esquerdo - não consigo mais ler letras pequenas na revista em papel. Acabei a leitura desta edição no celular,  com a fonte maior... sem palavras!

Seguimos nas lutas!

William 

segunda-feira, 1 de junho de 2026

Instantes de leituras



Refeição Cultural

"(...) para aquela coisa clandestina que era a felicidade." (p. 314)

No conto "Felicidade clandestina", de Clarice Lispector, sobre uma menina que conseguiu emprestado o livro "As Reinações de Narizinho", de Monteiro Lobato.

Comentário: fiquei pensando na felicidade clandestina pelo simples fato de poder ler... não tive muita felicidade quando não pude ler e quando pude ler e não li... talvez a felicidade seja alguma coisa clandestina mesmo.

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"Queria e já não podia contar. E não poder contar o isolava definitivamente, como se, a partir dali, tivesse mudado de lado, passado para a outra margem. Dava adeus ao que vinha sendo, a tudo que era - ao dia-a-dia, aos negócios, ao confortável cotidiano. Mas lutava. Para qualquer nova emergência, não seria apanhado desprevenido. Obsessivamente, arquivava, armazenava traço por traço do sócio, seu rosto de sempre, inesquecível, doravante inescamoteável." (p. 323)

Comentário: no conto "O elo partido", dos anos setenta, Otto Lara Resende nos apresenta um executivo que começa a ter uns lapsos de memória no seu cotidiano. O tema é muito atual por causa das inúmeras doenças neurológicas que acometem as pessoas neste início de segundo quarto de século XXI.

("Dava adeus ao que vinha sendo, a tudo que era..." - pensei na minha dificuldade de ver as letras na página por causa das manchas escuras e opacas entre mim e o mundo, fruto do descolamento de humor vítreo nesta semana... adeus ao que vinha sendo, a tudo que era... - não quero me deprimir, tenho meus textos nos blogs para finalizar a sistematização...)

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"Zequinha pegou a Magnum. Jóia, jóia, ele disse. Depois segurou a doze, colocou a culatra no ombro e disse: ainda dou um tiro com esta belezinha nos peitos de um tira, bem de perto, sabe como é, pra jogar o puto de costas na parede e deixar ele pregado lá." (p. 336)

Ao ler o conto "Feliz ano novo", de Rubem Fonseca, uma porrada no leitor, fiquei pensando minhas teorias sobre o instante da vida, sobre o inesperado, o imponderável que vem e muda tudo num segundo, como aconteceu com as pessoas que cruzaram o caminho dos personagens do conto.

De repente se tromba com um Zequinha ou um Pereba, de repente se acorda com a vista toda fodida, sem enxergar mais, de repente um AVC ou infarto. E a vida nunca mais será a mesma...

Feliz ano novo pra vocês, amig@s leitores, pois todo dia é novo.

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"- Já falaram, já comeram biscoitinhos de araruta e licor de jenipapo. Agora é trabalhar!

E sem mais aquela, atravessou a sala da posse, ganhou a porta e caiu de enxada nos matos que infestavam a Rua do Cais..." (p. 362)

Comentário: ao ler o conto "Porque Lulu Bergantim não atravessou o Rubicon", de José Cândido de Carvalho, e após um curto diálogo em casa, fiquei um tempo pensando na minha vida. Vi em segundos as décadas de existência e as pessoas que fizeram parte do meu ambiente cultural...

Concluí que fui uma espécie de Lulu Bergantim e o Sindicato foi a prefeitura de Curralzinho na minha vida de Lulu. Independente de meus problemas, trabalhei pra caralho lá. Depois voltei pro lugar de onde vim. É isso.

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"A moça chegou com sapatinho baixo, saia curta, cabelos lisos castanhos arrumados em rabo-de-cavalo, sorriu dentes branquinhos muito pequenos, como de primeira dentição, e falou o senhor me deixa telefonar? de maneira inescapável." (p. 434)

Comentário: o conto "Bar", de Ivan Ângelo, na seleção de contos dos Anos 80, lido neste momento, no Brasil de 2026, no Brasil pós abertura da Caixa de Pandora com o Golpe de 2016 "Com o Supremo, com tudo", do Brasil revolucionado por Bolsonaro e o bolsonarismo, do Brasil da epidemia de violência de gênero, é de uma realidade estrutural incrível em relação à condição das mulheres! É como se fosse mais uma notícia cotidiana dessa epidemia macabra que assola o país... terminei a leitura querendo exterminar os homens... (e sei que não é assim que se resolve a questão).

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domingo, 31 de maio de 2026

Caminhadas reflexivas



Refeição Cultural

Caminhei 15 Km hoje. O domingo de temperatura média, nem calor, nem frio, favoreceu minha caminhada. O tênis ajudou, não tive bolha.

Ainda sonho em fazer mais uma romaria entre Uberlândia e Água Suja, percurso de 80 Km. Lendo meu corpo, sei que é um desafio bem difícil. Não impossível. 

A vida, a minha vida, vai impondo realidades inesperadas com o passar do tempo. O desgaste nos quadris se impôs. Insisti em correr e caminhar. Caprichando na pisada.

Agora, a novidade da semana. Perdi boa parte da visão. O descolamento do humor vítreo do olho esquerdo me tirou a beleza do mundo. Foi um sacrifício ver o mundo borrado, cinza, embaçado por 15 Km.

Primeira perda pessoal de um costume antigo: acabaram-se as fotografias de instantes capturados do cotidiano. Está tudo horrível, mesmo sendo belo. Ipês, patas-de-vaca, flamboyants. Vejo borrado o que é lindo.

Enfim, a diferença entre mim e os demais seres vivos, todos nós natureza, é meu cérebro que me faz humano, pensador, criador de esperanças e soluções para os fatos da realidade. 

Caminhar. Caminhando sigo em frente, circulo o sangue, diminuo o colesterol, melhoro a oxigenação, e melhoro um pouco a resistência do animal. Com a visão do momento, não arrisco correr e pedalar. Talvez amanhã. 

William 

31/05/26