sábado, 18 de julho de 2026

As dores da infância e da maturidade (22)


Me lembro de quando tive hepatite nos anos setenta, morando no sobradinho do Rio Pequeno, na Zona Oeste de São Paulo. 

Provavelmente tive hepatite A porque a gente vivia enfrentando enchentes no bairro e água suja é uma das formas de transmissão da doença. 

A lembrança que tenho são as cólicas abdominais na região do fígado. A gente mija urina escura e fica todo amarelo, até o branco do olho fica amarelão. 

Na época, mandavam o doente comer doces. Cresci dizendo que não gosto muito de doce por isso. Tudo lenda urbana. Não há evidências sobre o benefício da prática e nem deve ser por isso que como poucos doces. 

Faz meio século que tive hepatite morando ali no sobradinho. Incrível! Como o tempo passou!

Cinquenta anos depois, estive a poucas quadras de onde nasci numa reunião do Partido dos Trabalhadores, na Avenida Rio Pequeno. 

Para fazer minha atividade física de caminhar, voltei para casa, no Continental, a pé. São 5 Km. 

As dores meio século depois são de outra natureza. São crônicas e constantes. Desgastes nos ossos do quadril e coluna.

Tudo são lembranças e a vida em andamento. Natureza.

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Instantes de uma vida 

sexta-feira, 17 de julho de 2026

HQ: Persépolis - Marjane Satrapi



Refeição Cultural

"Naquele dia, aprendi uma coisa fundamental: só podemos ter dó de nós mesmos quando ainda é possível suportar a infelicidade... quando ultrapassamos esse limite, o único jeito de suportar o insuportável é rir dele." (Marjane Satrapi)


Soube pela imprensa que a autora de Persépolis faleceu em junho deste ano. O HQ é muito conceituado e traduzido para diversas línguas. Sua publicação original se deu em 4 volumes, entre 2000 e 2003. Eu não conhecia Marjane Satrapi e sua obra. 

Decidi ler esse clássico importante de Marjane, uma autobiografia, para conhecer sua história e um pouco sobre a cultura persa. Encontrei uma bela edição da Quadrinhos na Cia - Companhia das Letras -, em volume único, com tradução de Paulo Werneck.

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É PRECISO SABER PERDOAR... MAS QUEM QUER PERDÃO POR MATAR?

(Marji e sua mãe em casa, após Marji e amiguinhos planejarem linchar o filho de um assassino do regime anterior)

- Mas, mãe, o pai do Ramin matou...

- Eu sei.

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- É o pai dele! O Ramin não tem nada a ver com isso!

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- Além do mais, não sou eu nem você quem vai fazer justiça. E é preciso saber perdoar. 

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(Marji e Ramin na rua)

- Seu pai é um assassino, mas você não tem nada a ver com isso! Eu te perdoo!

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- Ele não é assassino! Ele matou uns comunistas, e os comunistas são o demônio!

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(Marji com a mãe em casa)

- Mãe, falei com o Ramin. Ele disse que o pai dele fez bem em matar os comunistas. 

- Meu Deus! Ele repete tudo o que ele ouve. Um dia ele entende...

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- É preciso saber perdoar! É preciso saber perdoar!

(Marji pensa: "eu tive a sensação de que era uma pessoa muito boa.")

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A AVÓ DOS SEIOS COM PERFUME DE JASMIM

(Na véspera da viagem, a vovó foi dormir lá em casa)

- Posso dormir com você?

- É pra isso que eu estou aqui!

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(Fiquei olhando a vovó se trocar. Toda manhã, ela colhia jasmins e punha no sutiã, para se perfumar. Quando tirava o sutiã, as flores iam caindo dos seios dela.)

(Era um espetáculo.)

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- Vovó, como você faz pra manter os peitos tão redondos, nessa idade?

- Ponho cada um numa tigela de água gelada, por 10 minutos, de manhã e à noite. 

(Era verdade. E eu já sabia que ela fazia isso. Só queria ouvi-la contar.

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- Vou sentir saudade. 

- Mas eu vou visitar você, lá. 

(Ela também estava mentindo.)

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- Olha, não quero dar uma de moralista, mas vou te dar um conselho que sempre vai ser útil pra você. 

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- Na vida, você vai encontrar muita gente idiota. Se te ferirem, pensa que é a imbecilidade deles que os leva a fazer o mal. Assim você vai evitar responder às maldades deles. Porque não tem nada pior no mundo do que a amargura e a vingança... seja sempre digna a você mesma. 

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(Eu estava sentindo o cheiro do peito da minha avó, era bom. Nunca vou esquecer aquele perfume. 

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A PIETÁ DE MARJANE COM UM CHADOR NEGRO NA CABEÇA DE MARIA 

De volta ao Irã, após 4 anos em Viena, Áustria, Marjane participa do concurso nacional para entrar na universidade e consegue uma vaga.

Ela passou maus bocados em Viena, chegou a morar na rua por meses, no inverno, e quase morreu.

Ao voltar ao país islâmico, enfrentou uma forte depressão e quase morreu durante uma crise.

Ela nos conta que ficou bem feliz com o seu desenho da Pietá, de Michelangelo, adaptada para o mundo islâmico. O desenho fez parte de sua prova de vestibular. Ela passou em Artes Graficas.

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COMENTÁRIO FINAL 

Terminei a leitura emocionado. Agora conheço o clássico Persépolis e a história de Marjane Satrapi, que faleceu muito cedo, aos 56 anos de idade. 

Conhecendo sua história através de Persépolis, eu fiquei pensando no quanto Marjane deve ter sofrido em fevereiro deste ano, já deprimida, ao saber do bombardeio da escola em Minab, que vitimou mais de uma centena de meninas iranianas.

A história de Marjane é a história de milhões de meninas e mulheres desse mundo humano injusto e dominado pela violência dos homens. 

Temos que lutar pela igualdade de direitos entre homens e mulheres e pela liberdade das mulheres em relação aos homens. 

Estamos num momento de retrocessos nos direitos fundamentais das pessoas e esse fato só nos deixa a opção de lutar pela igualdade, liberdade e justiça. 

Ler e conhecer obras como a de Marjane Satrapi é uma forma de tomar conhecimento da condição das mulheres no mundo. 

William 

17/07/26

quarta-feira, 15 de julho de 2026

Os pesadelos da infância (21)


A queda no vazio sem fim é um dos pesadelos que eu tinha quando criança no sobradinho onde nasci no Rio Pequeno. É uma coisa horrível!

No entanto, os pesadelos mais tenebrosos que eu tinha naquela época eram com monstros que ficavam flutuando ao redor da minha cama. 

Me lembro do desespero que sentia ao não conseguir me mexer e sequer pedir socorro à minha irmã na cama ao lado. 

Senti muito medo com pesadelos na infância. É uma lembrança que tenho do tempo que morei no sobradinho da Rua Dr. Sérgio Ruiz de Albuquerque. 

A memória da gente é um mistério. Me lembro dos pesadelos de um tempo da infância feliz e não me lembro sequer se tinha sonhos bons ou ruins quando minha infância mudou a partir da ida para Minas Gerais. 

Pode ser que minha memória tenha apagado ou escondido em gavetas de pouco acesso os registros daqueles tempos duros que vivi após os dez anos de idade. 

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Instantes de uma vida  

terça-feira, 14 de julho de 2026

Instantes (21h57)



Refeição Cultural

LEITURAS 


Estou lendo a História em Quadrinhos (HQ) de Marjane Satrapi, uma autobiografia de uma mulher que nasceu no mesmo ano em que nasci: 1969. 

Ela nasceu no Irã, país bombardeado pelos Estados Unidos este ano. O governo norte-americano bombardeou uma escola de meninas e matou mais de 160 crianças em fevereiro. 

Quando criança, Marjane viu sua vida transformada drasticamente após a Revolução Islâmica em 1979. Também perdeu uma amiga criança num bombardeio da guerra entre o Irã e o Iraque. 

Marjane Satrapi faleceu faz poucas semanas, em 4 de junho de 2026. Soube de sua morte através da imprensa. Minha solidariedade à família e às pessoas de sua convivência. 

Marjane se estabeleceu na França e teve uma carreira reconhecida como ilustradora gráfica, desenhista, escritora, pintora, diretora e roteirista de cinema e, pelo que li, sempre foi uma mulher engajada em causas relacionadas às mulheres e às liberdades.

Me chamou a atenção a notícia de que ela havia morrido de tristeza ou algo assim. Pelo que pesquisei, ela enfrentou uma forte depressão após a perda de seu companheiro, vítima de câncer. 

Estou lendo sua obra mais famosa e reconhecida, Persépolis, quadrinhos lançados entre os anos de 2000 e 2003, em 4 volumes. Quero ler mais obras de mulheres e estou gostando muito de sua autobiografia. 

Enquanto mergulho nos quadrinhos de Marjane Satrapi, viajo pela história dela e das mulheres do Irã (e sinto a violência do mundo dos homens), viajo pela história do Irã e do mundo no qual também vivi, dos anos setenta pra cá.

Ler é uma viagem. A gente viaja com Marjane até o passado no qual eu mesmo vivi, num outro canto do mesmo e único mundo. 

Me lembro das notícias da Guerra Irã-Iraque como se fosse hoje. Enquanto eu menino andava pelas ruas do Marta Helena, em Uberlândia, os meninos iranianos da minha idade eram explodidos lá no Oriente Médio. 

Lendo, viajo ao meu passado e ao passado de nosso mundo. 

Enquanto viajo nas minhas memórias, muitas delas com momentos duros e ruins, vejo através das memórias de Marjane que todos nós somos sobreviventes e que muitos, muitos, tiveram veredas mais ou tão difíceis quantos muitos de nós. 

Que bom estar podendo ler e escrever. Enquanto lemos, refletimos e, quiçá, nos modificamos, afinal de contas, não estamos terminados, somos incompletos, como ensina o mestre Paulo Freire. 

William 

14/07/26

domingo, 12 de julho de 2026

Lendo as memórias do Zé Dirceu (1)



Refeição Cultural

LITERATURA POLÍTICA 


O primeiro volume do livro de memórias do Zé Dirceu saiu em agosto de 2018 e eu adquiri imediatamente o meu exemplar. Quem melhor que ele para nos contar um pouco da história do Brasil, da esquerda brasileira e do Partido dos Trabalhadores?

Aquele ano foi um ano difícil para mim. Muitas mudanças em minha vida pessoal, além das mudanças na vida política do Brasil e do povo brasileiro. Quase tudo que li foi de pouca absorção. Estava tudo uma bosta!

Após ler umas duzentas páginas, interrompi a leitura. Anos depois, em 2024, já com outros contextos políticos e pessoais, reli desde o início o que havia lido em 2018 e novamente interrompi a leitura, por estar lendo diversos livros ao mesmo tempo. 

Agora, em 2026, vou ler o livro todo e vou aprender um pouco mais com o grande brasileiro Zé Dirceu. O momento de ler e aprender é agora. 

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1. SE NÃO ME FALHA A MEMÓRIA 

Porque resolvi colocar no papel as minhas vidas e a minha luta 

Zé Dirceu ganha o respeito de qualquer pessoa séria só com este capítulo inicial de suas memórias. 

Ele informa que leu mais de cem livros para estudar e pesquisar tudo que iria registrar para nós. 

Obrigado, companheiro Zé Dirceu!

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2. OS PRIMEIROS PASSOS NA POLÍTICA 

De Passa Quatro para São Paulo, um salto para enfrentar a vida como ela é

Zé Dirceu escreve magnificamente bem. Leitura muito agradável a sua. Li pela terceira vez este capítulo. 

Imaginando o jovem mineiro pelas ruas de São Paulo nos anos 60, vi também meu pai, apaixonado por essa terra de oportunidades. 

Meus pais se casaram em agosto de 1964 e eu nasci na capital paulista sob a égide do AI-5 em abril de 1969.

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3. CORAÇÃO DE ESTUDANTE

Organizando o Movimento Estudantil para enfrentar a ditadura militar

Capítulo bem legal! Zé Dirceu nos conta sobre a força de organização do movimento estudantil nos anos 60. 

Além da UNE e das UEEs, ele cita a Juventude Estudantil Católica (JEC), que já vi Frei Betto citando em seus textos.

"A segunda disputa se deu em torno da tática de lutas gerais e reivindicativas e mais uma vez vencemos. Estabelecemos uma combinação entre as reivindicações de mais verbas para a educação, reforma universitária, mais vagas, admissão e matrícula dos excedentes que, aprovados nos vestibulares, não eram matriculados por falta de vagas, com a luta contra a ditadura..." (p. 40)

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Comentário: Zé Dirceu nos lembra no texto da importância das táticas e estratégias no movimento estudantil na hora de encaminhar os objetivos traçados. Em 2002, fiz parte do movimento estudantil da FFLCH-USP que iniciou, dirigiu e encerrou uma das maiores greves de estudantes universitários do país. Foram 104 dias e, desde o início, numa salinha da Letras com 5 pessoas, disse que o foco da greve teria que ser as pautas da faculdade e não as pautas revolucionárias dos partidos dos caras na reunião. E deu certo! Conseguimos forte adesão estudantil, quase 100 professores novos e melhorias na estrutura da FFLCH.

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4. A OPOSIÇÃO E SUAS ARMAS 

Quem era quem na luta para enfrentar a ditadura militar 

"Organização político-militar e não partido, revolução socialista ou de libertação nacional, luta armada e guerrilha como principal forma de luta - crítica dura ao imobilismo e às teses do PCB, ao seu atrelamento à oposição legal, ao caminho pacífico e à burguesia nacional. Esses eram os divisores de água dentro da esquerda." (p. 51)

Comentário: o capítulo é fascinante para um militante de esquerda. Zé Dirceu descreve as infindáveis siglas e grupos da época, e aponta a eterna divisão na esquerda. Todo grupo se dividia em outros, menores... e assim, não conseguimos enfrentar a ditadura instalada no país. 

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ÀS ARMAS, CIDADÃOS!

A luta para enfrentar a ditadura, que não dava sinais de deixar o poder 

"(...) Eram intelectuais, estudiosos como Jacob Gorender, militares vividos e cultos como Apolônio, autodidatas como Marighella, leitores de Caio Prado Junior, Sérgio Buarque de Holanda, Gilberto Freyre, Raymundo Faoro, dos clássicos da filosofia e do marxismo." (p. 62)

Comentário: lacunas culturais incríveis as minhas aos 57 anos de idade. 

Zé Dirceu, após nos contar a história dos golpes de Estado no Brasil, promovidos pela elite canalha de sempre, conclui:

"Portanto, nada mais normal na história do Brasil do que recorrer às armas para resolver conflitos políticos e sociais. Para tomar o poder e rasgar a Constituição como em 1937, 1955, 1961 e, por fim, 1964. Nada mais brasileiro que erguer o braço armado contra a tirania, como em 1922, 1924, 1930 e 1935." (p. 68/69)

E:

"A luta armada existiu como imperativo moral e político. Por causa dos homens e mulheres que a fizeram com bravura e altíssimo sacrifício pessoal, centenas deles dando o único bem que possuíam, a vida..." (p. 71)

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Comentário final 

Estamos às vésperas de mais um processo eleitoral brasileiro, em outubro próximo. O presidente Lula se coloca à disposição para concorrer a um quarto mandato. Pela conjuntura nacional e internacional, acho imprevisível o que pode acontecer nesse futuro próximo. 

O companheiro Zé Dirceu está se tratando de um câncer, descoberto há poucas semanas. Ele está bem, otimista, e é pré-candidato a deputado federal pelo Partido dos Trabalhadores de São Paulo. Estamos todos na torcida por sua recuperação e por sua eleição. É um grande homem e uma figura que sempre contribuiu para as lutas do Brasil e do povo brasileiro. 

Sigamos lendo e estudando para tentar entender a realidade e avaliar as possibilidades de alterá-la em benefício da coletividade. 

William 

12/07/26

O homem que voava (20)


Aquela novidade estava circulando entre nós. Aquele homem era demais! Superman podia voar.

Eu tinha uns nove anos de idade e acho que toda a molecada andava sonhando com a possibilidade de voar também. 

Eu subia em cima do murinho de casa e pulava como se estivesse voando.

Por sorte os muros que separavam os sobradinhos geminados tinham pouco mais de um metro de altura. 

Ao pesquisar para ajudar a memória sobre a infância, vi que o filme Superman estreou no Brasil no Natal de 1978. 

Não me lembro de tê-lo visto no cinema em São Paulo, quando estreou, mas imagino que o sucesso do filme aparecia na TV em programas e comentários. 

Fui assistir ao filme do Superman depois que nos mudamos para Uberlândia. Me lembro que vi Flash Gordon também. 

Quando terminar as lembranças da infância feliz no Rio Pequeno até os dez anos de idade, virão as lembranças duras dos onze aos dezessete em Minas Gerais...

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Instantes de uma vida

sábado, 11 de julho de 2026

Lendo e aprendendo com as mulheres



Refeição Cultural

Ao fazer minha contagem dos cem clássicos da literatura universal, percebi que foram poucas as autoras que li na vida, bem poucas. Senti a necessidade de mudar essa característica de meu percurso de leituras até aqui. Quero ler mais livros de autoras, tanto romances quanto livros de outras áreas do conhecimento humano.

Na minha lista dos clássicos apareceram Jane Austen (Razão e sensibilidade), Cecília Meireles (Viagem), Adélia Prado (Bagagem), Shirley Maclaine (Minhas vidas), Margo Glantz (Las genealogías), Clarice Lispector (A hora da estrela), Conceição Evaristo (Becos da memória), Agatha Christie (O caso dos dez negrinhos), Anne Frank (O diário de Anne Frank) e só. Muito pouco! De 100 clássicos, somente 9 escritoras.

Além de olhar para a frente e escolher mais autoras para ler, vou fazer uma retrospectiva do passado e recordar o que já li de livros de mulheres. As vozes femininas são essenciais para nós todos, independente da área onde atuamos, da visão de mundo que tenhamos, ler e ouvir o ponto de vista das mulheres é fundamental para construirmos uma sociedade humana que supere a violência ancestral dos homens em relação às mulheres.

Vou criar mais uma página no blog com as leituras que já fiz de autoras de livros dos mais diversos gêneros discursivos e áreas de conhecimento. Enquanto vou sistematizando minhas leituras, vou revendo e aprendendo com as vozes femininas.

William

11/07/26

sexta-feira, 10 de julho de 2026

Livro: Uma delicada coleção de ausências - Aline Bei



Refeição Cultural

LITERATURA BRASILEIRA 


Sei que devo cumprir meus objetivos de ler os clássicos, sei. Entretanto, o novo sempre vem, clama por nós, leitores e amantes da leitura. 

Sem prever, li o primeiro livro de Aline Bei - O peso do pássaro morto - no ano de 2020 (comentário aqui). Gostei. 

Depois, li seu segundo romance-poesia - Pequena coreografia do adeus -, no final do ano passado (ler aqui). Gostei também. Uma nova poética, e em tempos duros para a cultura!

E então, antes de algum clássico para este momento, de alguma coisa antiga, mergulhei na terceira novidade de Aline: Uma delicada coleção de ausências

Na hora que peguei o livro na mão, já elenquei minha delicada coleção de ausências... Uma forma de memorizar o nome do livro. Foi só me lembrar de algumas ausências delicadas...

Destaco abaixo algumas reflexões poéticas que sintetizam a vida e os seres que aqui habitam. Ideias-força da poeta filósofa mulher Aline Bei.

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Nostalgia 

"Irá sentir um poema ao tempo vivido que é a nostalgia. mas é preciso que aconteça daqui a muitos anos. é preciso primeiro Esquecer, para então verdadeiramente lembrar." (p. 32)

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Nu

"ela procura na bolsa a chave do portão. quando olha para Camilo é por engano, não sabe de onde vem isto, mas nunca se deve olhar um rosto depois que a conversa acaba, senão é provável que o veja nu." (p. 81)

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Sangue "maldito"

"pois que o bom Deus a perdoasse, que lhe desse ao menos um pouco de juízo e que perdoasse também a menina, que carrega no sangue toda essa maldição." (p. 108)

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Aos filhos e netos

"aos filhos e netos, é preciso contar da própria vida conforme a deles desabrocha. é preciso esperar que o passo se alinhe, para que saibam ouvir melhor." (p. 134)

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Os segredos 

"pois há coisas que ao serem ditas perdem ainda mais volume do que quando existiam apenas no silêncio. há coisas que só não morrem (ou matam) quando mantidas longe das palavras, no escuro." (p. 156)

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Envelhecer

"talvez envelhecer seja lidar imensamente com o próprio corpo, com esse estado de presença brutal, à beira do insuportável, um corpo que, de tanto já ter sido visto, agora precisa ser desvisto se os olhos dos outros não quiserem morrer por antecipação." (p. 159/160)

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Sorte sua se tocar o coração de duas ou três pessoas 

"Margarida ainda disse que tocar o coração de todos não é possível, nunca será o mundo quem sentirá a nossa falta. tocar duas ou três pessoas - isso é a vida dos que têm sorte." (p. 204)

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Alegria 

"é preciso cuidar da alegria também." (p. 271)

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Uma delicada coleção de ausências 

O desfecho do romance deixa a leitora e o leitor paralisados, passados... eu fiquei bolado na hora, já nas últimas páginas do enredo. Minha esposa ficou vários dias se sentindo muito incomodada com o romance. A catarse se impõe... não é esse o efeito modificador dos dramas, tragédias e comédias desde a antiguidade?

As histórias de neta, avó, e bisavó, e também a história da mãe e filha ausente se completam, se explicam, tudo se explica no desfecho que é uma metáfora da mais pura realidade em milhares de famílias desse mundão duro e perverso do universo dos homens do mundo.

Laura, Margarida, Filipa e Glória representam em suas singularidades o que enfrentam as mulheres no dia a dia do mundo, ontem, hoje, e infelizmente num longo amanhã, apesar das lutas incessantes pela ocupação de todos os espaços nos quais as mulheres desejem estar no mundo.

Por fim, a poética de Aline Bei, a ocupação de espaços nas páginas de seus livros e a particularidade de sua escrita a fazem poeta, cronista, romancista, dançarina, e de sobra, seus leitores experimentam o novo ao lerem seus livros.

O peso do pássaro morto...

Pequena coreografia do adeus...

Uma delicada coleção de ausências...

Seus três romances são obras de arte, literatura da melhor qualidade. E com a catarse para nos deixar bolados, passados, incomodados... e quiçá modificados ao final da experiência de leitura.

Que venham as próximas histórias, as substâncias narrativas com as preposições que relacionam as causas, consequências, origens e posses das coisas, como a própria vida é.

William

10/07/26


Bibliografia:

BEI, Aline. Uma delicada coleção de ausências. 1ª ed. - São Paulo: Companhia das Letras, 2025.

quarta-feira, 8 de julho de 2026

Desenhos e gibis na infância (19)


Entre 1976 e 1979 aprendi a ler e escrever na Escola Estadual Prof. Adolfino Arruda Castanho, no bairro Rio Pequeno, na capital paulista. A escola pública me abriu caminhos para a vida.

Ao conhecer as letras e as palavras que transmitem a linguagem humana através de textos escritos em diversos tipos de suportes, comecei a ler gibis e livrinhos pequenos.

Meus pais foram muito importantes na minha vida porque não dificultaram meu acesso aos materiais de leituras na infância. Eles compravam gibis pra mim. 

Pode parecer uma obviedade pais estimularem a leitura aos filhos em certas comunidades humanas, mas naquela época, alguns pais achavam isso uma bobagem, perda de tempo e dinheiro. 

Nossa família não tinha muitos recursos, morávamos de aluguel, meus pais tinham muitos irmãos e nós, Telma e eu, dezenas de primas e primos. Não sei se meus primos puderam ler na infância. Alguns puderam.

Me lembro saudosamente de ler gibis da Turma da Mônica, do Tio Patinhas e, às vezes, alguns de super-heróis: Superman, Homem Aranha, Batman, Homem de Ferro, Surfista Prateado e Mandrake. 

Com uns oito ou nove anos, eu já me esforçava em desenhar personagens dos gibis em cadernos, só no olhar, e até hoje tenho alguns desenhos que me surpreendem, me pergunto como fiz aquilo!

Ler e desenhar na infância deve ter tido um impacto positivo no que eu viria a ser quando crescesse, inclusive para superar a duríssima adolescência. 

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Instantes de uma vida 

terça-feira, 7 de julho de 2026

Instantes (21h08)


O sol é para todos 


Refeição Cultural

Saí pensando se caminhava um pouco ou arriscava o primeiro trote após o descolamento do humor vítreo do olho esquerdo, ocorrido em 27 de maio. 

Desde então, minha visão é mais ou menos como um parabrisa sob uma chuva de petróleo, enquanto o limpador joga o óleo pra lá e pra cá. Os médicos chamam as manchas de "moscas volantes". 

Felizmente, o embaçamento inicial melhorou, estava enxergando muito mal nas primeiras semanas. Agora, são só as moscas volantes zoando a minha visão do mundo.

Fiz o trotinho de dois quilômetros, bem tranquilo, concentrado na pisada. Ainda estou aqui! 

Depois, ainda fiz minha série de exercícios para retardar a sarcopenia (perda de massa muscular) e melhorar a força física. 

Não será por causa das moscas volantes que deixarei de correr um pouco. Os desafios são outros em meu veículo condutor de mim. 

Em breve, levarei os exames de imagens que fiz para o médico ortopedista avaliar como estão meus quadris e colunas lombar e cervical. Algo não vai bem no meu corpo. 

Estou percebendo um enrijecimento de meus pés e pernas; a coluna também está me incomodando e talvez consiga algum diagnóstico sobre a situação. 

Ainda estou aqui, e tento fazer a minha parte em respeito às pessoas com as quais convivo e na esperança de fazer algo útil para a coletividade e o planeta Terra. 

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Comecei nova leitura hoje, livro de Aline Bei. Estou estudando kanjis para exercitar minha memória. Gostaria muito de ter uma biblioteca e um local para ler e escrever algumas horas por dia. Ainda não consegui resolver isso. 

Se eu tivesse um desejo a pedir a um gênio da lâmpada mágica, eu pediria que ele intercedesse salvando os palestinos do extermínio promovido pelos sionistas. Se fossem dois desejos, seriam os cubanos os atendidos, livrando eles dos Estados Unidos.

Sigamos! Desistir, nunca! Render-se, jamais!

William 

07/07/26

Livro: Esquerdismo, doença infantil do comunismo - Vladímir Ilitch Lênin



Refeição Cultural

LITERATURA POLÍTICA


INTRODUÇÃO 

As reflexões e ensinamentos do grande líder revolucionário russo Vladímir Ilitch Lênin, que além de ser um homem da práxis era um intelectual orgânico do movimento de esquerda internacional, sempre foram referências para nós da esquerda brasileira. 

A minha formação política não foi revolucionária, devo registrar essa questão logo de cara em meus comentários sobre a leitura do livro Esquerdismo, doença infantil do comunismo, texto escrito por Lênin em 1920. Fui politizado pelo movimento sindical bancário, na corrente política Articulação Sindical da CUT, corrente surgida em meados dos anos oitenta. 

Quando virei dirigente sindical da CUT, no início dos anos dois mil, já tinha mais de trinta anos de idade e uns doze anos de categoria bancária. Mesmo assim, foram necessários alguns anos de sindicalismo cutista para compreender o que eu era e representava, nossas concepções e práticas sindicais. 

O Novo Sindicalismo surgido nos anos setenta e oitenta, liderado por figuras como Lula dos metalúrgicos, Gushiken e Augusto Campos dos bancários, e outras lideranças da classe trabalhadora brasileira, tinha na sua práxis muito do que li nesta clássica obra de Lênin, mesmo não sendo um movimento revolucionário. 

A CUT nasceu com outra concepção sindical, principalmente sua corrente hegemônica, a Articulação Sindical. Os sindicatos tinham como prioridade conquistar direitos e melhores condições de trabalho e não o foco na revolução socialista, como um braço do partido revolucionário. 

Enfim, essa obra de Lênin sobre o esquerdismo infantil sempre balizou o nosso sindicalismo, principalmente no que diz respeito as estratégias e táticas para se alcançar os objetivos, tanto imediatos quanto históricos da classe trabalhadora. O que li não foi diferente do que ouvi, aprendi e pratiquei enquanto dirigente sindical cutista. 

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POR QUE LI AGORA O TEXTO DE LÊNIN?

Recentemente, em um evento internacional, o presidente Lula afirmou para lideranças políticas de grandes países, que nunca foi "esquerdista". Isso gerou diversas reações aos mais diversos espectros políticos que existem. 

Pela vivência e experiência ao ser militante cutista por décadas, entendi perfeitamente o que Lula disse, e é exatamente isso: Lula nunca foi um "esquerdista", num sentido muito parecido ao que Lênin desenvolve em seu texto: não fazer frentes com grupos diferentes mais à direita e ao centro; não disputar parlamentos e eleições burguesas; não fazer composições com pelegos para fazer parte de sindicatos etc.

A CUT e o PT também nunca foram "esquerdistas" no sentido leninista de táticas e estratégias. É a minha opinião. São de esquerda, mas construíram suas histórias de lutas e conquistas fazendo mobilizações com frentes amplas, compondo com forças políticas diferentes, participando de parlamentos e direções sindicais conservadores e "pelegos" em composições de chapas, organizando movimentos e negociando avanços para seus representados - a classe trabalhadora -, sempre construindo reivindicações que congregam questões imediatas e históricas e de interesse das classes populares. 

Comecei a ler o livro através de uma edição digital, no Kindle, e acabei comprando uma edição impressa, na qual finalizei a leitura. 

Aliás, edição espetacular a da série "Armas da crítica", Arsenal Lênin, da Boitempo, 2025. Recomendo!

Foi muito bom ler Esquerdismo, doença infantil do comunismo, de Vladímir Ilitch Lênin. 

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Apresentação 

O texto inicial de Atilio Borón na edição que adquiri da Boitempo foi muito esclarecedor sobre as ideias marxistas-leninistas.

Li a apresentação após o fim de minha leitura do livro e ensaio de Lênin no Kindle. São 30 páginas que agregam muita informação. 

Estava terminando a leitura na edição virtual quando decidi ter o livro "de verdade" rsrs, em edição impressa. 

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Apêndice - Sobre a doença infantil do "Esquerdismo" e o espírito pequeno-burguês

Texto de maio de 1918. Excelente e muito atual para pensarmos a China que chegou até aqui, na minha opinião.

Lênin aborda bastante o Capitalismo de Estado, etapa necessária para se chegar ao Socialismo de Estado. Algo assim, nas minhas palavras. 

Alguns excertos:

Correlação de forças 

"(...) Quando éramos representantes de uma classe oprimida, não adotávamos uma atitude leviana perante a defesa da pátria na guerra imperialista, negávamos por princípio essa defesa. Quando nos tornamos representantes da classe dominante que começou a organizar o socialismo, exigimos que todos tivessem uma atitude séria perante a defesa do país. E ter uma atitude séria perante a defesa do país significa preparar-se a fundo e ter rigorosamente em conta a correlação de forças. (...) Mas entre os 'comunistas de esquerda' não existe o menor indício de que compreendam a importância da questão da correlação de forças." (p. 162)

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Capitalismo ou Socialismo de Estado

"O socialismo é inconcebível sem a grande técnica capitalista baseada nas últimas descobertas da ciência moderna, sem uma organização estatal planificada que submeta dezenas de milhões de pessoas à mais rigorosa observância de uma norma única na produção e na distribuição dos produtos. Nós, marxistas, sempre falamos sobre isso, e não vale a pena perder nem sequer dois segundos conversando com gente que não compreende nem sequer isso (os anarquistas e uma boa parte dos socialistas-revolucionários de esquerda)." (p. 169)

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"(...) Pois o socialismo não é outra coisa senão o passo em frente seguinte a partir do monopólio capitalista de Estado. [...] O capitalismo monopolista de Estado é a mais completa preparação material do socialismo, é a sua antecâmara, é o degrau da escada da história sem nenhum degrau intermediário entre si e o degrau chamado socialismo.*" (p. 171/172)

*A catástrofe que nos ameaça e como combatê-la (1917), de Vladímir Ilitch Lênin 

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"De qualquer ponto que se aborde a questão, a conclusão é uma e só uma: o raciocínio dos 'comunistas de esquerda' sobre o 'capitalismo de Estado' ser uma ameaça é um completo erro econômico e uma prova clara de que eles são prisioneiros absolutos da ideologia pequeno-burguesa." (p. 172)

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Marx e a grande produção 

"(...) Marx tinha a mais profunda razão quando ensinava aos operários a importância de preservar a organização da grande produção para facilitar a transição ao socialismo..." (p. 174)

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"(...) Os operários não são pequenos burgueses. Não temem o grande 'capitalismo de Estado', apreciam-no como um instrumento seu, proletário, que o seu poder soviético utilizará contra a desagregação e desorganização dos pequenos proprietários." (p. 179)

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"(...) o socialismo é impossível sem aproveitar as conquistas da técnica e da cultura pelo grande capitalismo..." (p. 180)

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Lênin termina o texto explicando que os revolucionários russos precisaram naquele momento da história (1918 a 1920) dos conhecimentos dos capitalistas para aprenderem a técnica, coisa que os chineses fizeram por umas três décadas no final do século, até dominarem a economia mundial como vemos no século XXI.

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Comentário final 

Enfim, feita a leitura deste grande clássico da literatura política. Fiz mais três postagens no blog durante a leitura.

A obra de Lênin trouxe muitas explicações para o mundo que eu conheço na atualidade. Incrível!

Sigamos lendo e tentando conhecer a história e compreender o mundo. 

William 

06/07/26


Bibliografia:

LÊNIN, Vladímir Ilitch (1870-1934). Esquerdismo, doença infantil do comunismo. Tradução: Edições Avante!. 1. ed. - São Paulo: Boitempo, 2025.

segunda-feira, 6 de julho de 2026

Refeitório Cultural



Refeitório Cultural

06/07/26

Preciso de um espaço físico, uma sala ou algo do tipo para instalar minha biblioteca e meus materiais de história e cultura. 

O ideal é que não fosse alugado, que fosse num local permanente, para que o centro de documentação (cedoc) e a biblioteca ficassem preservados quando eu não puder mais cuidar.

Poderia ser uma sala em espaço sindical ou de movimento social e de cultura, pois a maior parte de minha vida foi dedicada às lutas sindicais. 

O espaço seria para agora, para eu trabalhar diariamente na organização da biblioteca e documentação dos materiais que tenho e dos textos que produzo.

Alguém tem uma sugestão ou proposta de um espaço ou sala para organizar o Refeitório Cultural?

Abraços, 

William Mendes

Ex-dirigente dos bancários

Obras e autores que gostaria de ler


A persistência da memória, de Salvador Dalí.


Refeição Cultural

Tic-tac, tic-tac, tic-tac... o tempo escorre por minha ampulheta-corpo e ainda sonho ler muitas obras, autores e autoras que não li.

Minha referência é Italo Calvino quando penso em livros que gostaria de ler, até mesmo livros que teria uma certa "obrigação" de ler, por serem "cânones" da literatura universal. 

Fui apresentado ao escritor e crítico italiano em uma disciplina do curso de Letras. Seu texto "Por que ler os clássicos?" me marcou para sempre. Isso já faz mais de duas décadas e quando penso em listas de desejos de leituras, penso em Calvino.

Ele afirma que nossa biblioteca de desejos poderia ser dividida em estantes com livros a ler, dentre eles os clássicos, livros a serem relidos, e o espaço para os livros e autores novos que vão surgindo.

Com a leitura de meu corpo, meu mundo, a sociedade humana neste momento e o planeta Terra - Paulo Freire ensina que lemos o mundo, além de palavras -, ouço o tic-tac do tempo avançando rumo ao fim, constantemente.

A divina comédia, de Dante; Guerra e paz, de Tolstói; Orlando e Mrs Dalloway, de Woolf; Doutor Fausto, de Mann; Os miseráveis, de Hugo; Eneida, de Virgílio; Ilíada, de Homero; Viagens de Gulliver, de Swift; Crime e castigo, de Dostoievski; O nome da rosa, de Eco... são tantos clássicos que não li ainda! 

Até Italo Calvino! Não li nenhum romance dele! Borges, D. H. Lawrence, Zola... a lista é infinita.

E os livros de filosofia, sociologia, história, crítica literária e outras áreas de meu interesse? São muitas obras que gostaria de ler. 

Tic-tac, tic-tac, tic-tac...

William 

06/07/26

00h06

domingo, 5 de julho de 2026

Instantes (15h34)



Refeição Cultural

Sou um elemento da natureza como uma árvore qualquer, um ipê, por exemplo. Ou como um mamífero qualquer. A diferença entre mim e o ipê são minhas características enquanto espécie. Sou humano. 

Somos todos mortais como elementos da natureza. Aliás, todos os elementos da natureza estão em mutação constante, inclusive os elementos que não têm vida. Tudo muda o tempo todo. 

Desci para minha série de exercícios na modesta academia do condomínio com a consciência das mudanças que estão ocorrendo no meu corpo e pela necessidade de fazer a minha parte para retardar o que vem por aí. 

Pelo percurso percorrido nesta única existência deste ser humano, avalio que fui um sujeito de sorte. Jamais imaginei compartilhar com tantas pessoas no mundo todas as experiências que tive por ter ido atravessando veredas e abrindo caminhos.

É hora de ter consciência, humildade e firmeza para as veredas finais desta fase da existência, que ora reputo fracassada, ora reputo satisfatória. São os instantes da vida, pois ela é feita disso, instantes. 

William 

05/07/26

Domingo

A morte do beija-flor (18)


Estávamos no fim da rua, perto da casa do Júnior e do Peninha, e os moleques estavam à toa, molecando. Alguns, de estilingue na mão. 

A lembrança que tenho é daquelas que ficaram pra sempre na memória. Eu tinha menos de dez anos de idade. 

Eu estava olhando o beija-flor no fio, num daqueles instantes que o bichinho para pra descansar e seguir na busca do néctar das flores. 

Desde muito pequeno desenvolvi apreço pelas coisas da natureza. Flora e fauna e os fenômenos naturais sempre capturaram a minha atenção. 

Acho que estava num desses encantamentos, capturado pela beleza do beija-flor no fio do poste de luz.

No instante em que apreciava o beija-flor, a pedrada explodiu seu peito, vinda de um moleque atrás de mim com seu estilingue na mão...

Nós seres humanos somos isso, uma imensidade de possibilidades desde a mais tenra idade. 

Uns apreciam passarinhos, outros apedrejam passarinhos, só pelo gosto de ver o bichinho cair morto.

Imagino que a criação que tive de meus pais, mais de minha mãe, desde pequeno, tenha me salvado de ser um caçador e assassino de animais. 

Há pessoas que acabam por ter uma maldade gratuita dentro de si. Ruindade. Temos que organizar a sociedade para frear gente assim. 

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Instantes de uma vida