O prazer da corrida como sentido do viver
Final da tarde. O dia foi de muito calor, mais de trinta graus. O verão se despede e anuncia o outono. As ruas cheias de folhas caídas. O final de tarde e início de noite mexiam com os hormônios e fluidos do antigo corredor.
A natureza, a passagem do tempo e as veredas percorridas deixaram sequelas em seu corpo. O quadril e sua estrutura musculoesquelética perderam a capacidade de percorrer grandes distâncias correndo. Até os pés doíam ao serem mais exigidos.
Aquela tarde, o lusco-fusco chegando, a temperatura amena, os pássaros se preparando para o repouso, tudo atiçava o ex-corredor para um trote no parque.
Colocou o tênis, pegou sua água, saiu para as ruas do mundo lá fora.
Começou o trote leve, leve, pisada quase flutuada, para não impactar muito sua estrutura avariada pelo tempo e pelos caminhos já deixados para trás.
Além da pisada, concentrou-se também na respiração. E no batimento cardíaco, para não exagerar no esforço.
O prazer veio, então. Passou por várias corredoras e corredores ganhando também as ruas naquele fim de tarde de verão.
A sensação de poder fazer algo que sempre amou na vida é indescritível... a vida também é isso... o prazer de uma simples corrida num final de tarde de verão.
O prazer da corrida como sentido do viver...
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