Refeição Cultural
"Ubi omnia incipiunt et omnia finiuntur" (Sandro Sedrez, Interferência, p. 61)
Ao final da história de Letícia, personagem principal de "Sortista", coloquei para tocar a música de Peter Gabriel "Mercy Street" e me deixei levar pela balada...
Eu já havia me arrepiado com o desfecho da história, com as palavras finais de Letícia para Dona Lucinda, e ao ouvir a música de Peter Gabriel, uma das prediletas da personagem, viajei no tempo e me emocionei.
O amigo escritor Sandro Sedrez é um ficcionista de mão cheia. Não é a primeira vez que me emociono e viajo em suas histórias. Sua literatura me faz um bem danado! Ler os contos, novelas e romances dele dá prazer aos leitores. Literatura também é isso: prazer!
Neste livro, Ecos disformes, as duas narrativas se enveredam por caminhos místicos, e os leitores viverão experiências bem interessantes, independente de suas visões de mundo, pois os textos são bem construídos, as personagens são pessoas como as pessoas ao nosso redor. As histórias poderiam ser contadas por amigos e conhecidos.
Neste livro, o autor me fez viajar no tempo enquanto lia, voltei ao tempo em que também era outro (um doppelganger?), tempo no qual era místico, e cria em diversas possibilidades e interpretações da vida e do mundo.
Na primeira narrativa, "Interferência", Sandro me levou à Gruta do Carimbado, em São Tomé das Letras. Viajei ao tempo no qual minhas veredas me levaram à cidade mística das Minas Gerais. Foi um tempo no qual procurava motivos, sentidos e respostas.
E depois, acompanhei a história da Madame Lê, e me lembrei dos tempos da Numerologia, I Ching, OVNIs, dos estudos da Gnose, das crenças diversas pelas quais fui aculturado, no sincretismo religioso do povo brasileiro, tão nosso nas décadas passadas.
Sandro Sedrez escreve muito bem, tem uma linguagem refinada e não economiza na hora de escrever para nós. Burila cada frase, cada ideia, para entregar ao leitor o sentido exato do que nos conta, do que a personagem faz ou sente.
Terminei a leitura ainda viajando nas ondas sonoras de Peter Gabriel, pensando na misericórdia das ruas, nas ruas desse mundo, nas histórias de vidas... histórias da vida...
Ao fim e ao cabo, onde tudo começa e onde tudo termina, como diz a citação latina que abre a resenha? Em histórias...
E damos graças aos que nos contam as histórias com algum sentido, sejam elas reais, sejam elas ficcionais, ambas mesclam vivências, escrevivências... como diz nossa querida Conceição Evaristo.
Sigamos lendo e nos fazendo humanos.
William
26/09/26



William! Você tem a capacidade de sempre me comover com seus comentários literários e culturais, de um modo geral! Que dizer, então, quando se referem aos meus textos? Muito obrigado, do fundo do coração! A você e ao seu doppelganger (🤭😉)!!
ResponderExcluirAbraços!
Sandro
Amigo querido, as comoções geradas por nossos textos nos humanizam, então sigamos escrevendo. Abração!
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