quarta-feira, 12 de agosto de 2026

Lendo as memórias do Zé Dirceu (6)



Refeição Cultural

Ler nos dias de hoje exige da pessoa um esforço imenso, uma disciplina quase militar, porque tudo no cotidiano nos desvia do objetivo. Os donos do poder organizaram o mundo para sermos completos ignorantes e imbecis.

Eu desejo ler diariamente textos complexos, estruturados e que exigem concentração e esforço intelectual, pois percebo em mim os efeitos devastadores das big techs, mesmo não sendo um capturado das redes antissociais.

Então, vamos à leitura e ao estudo do dia. 

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14. A ESTRELA COMEÇA A BRILHAR

O manifesto dos 113: o PT é um partido e não uma frente 

O capítulo é excepcional! Zé Dirceu nos conta a respeito dos processos internos decisivos para a consolidação do PT como um partido de massas, organizado, com base social, militância e núcleos.

"(...) o fato é que as tendências eram partidos dentro do PT, e o campo sindical, popular e a esquerda independente não eram." (p. 190)

A Articulação (Manifesto dos 113) foi decisiva na história do Partido dos Trabalhadores. Nosso companheiro bancário Luiz Gushiken estava lá entre as lideranças.

Tendo como foco de mobilização popular as Diretas Já, Zé Dirceu, do Diretório Estadual de SP, ficou responsável pela formação política (p. 192). O informativo Linha Direta e a revista Teoria e Debate surgiram nessa época.

As Diretas Já não foram aprovadas por 10 votos a menos (298 de 308 necessários), com 112 ausências. 

Articulação dos 113

"(...) A articulação pôs fim à dispersão política e orgânica dos sindicalistas, lideranças populares de origem católica e a esquerda independente. (p. 200)

História pura esse capítulo e o anterior. 

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15. O BLOCO DO EU SOZINHO 

O PT rejeita a conciliação por cima, insiste nas Diretas Já e se isola

"A evidência de que algo não corria bem seria a eleição para a Constituinte exclusiva e os governos e assembleias estaduais. E a prova de fogo do partido envolveria uma combinação explosiva: o Plano Cruzado e a eleição de 1986 com um PT, apesar da articulação dos 113 e da vitória em São Paulo, carregando ainda a duplicidade entre movimento e partido, reforma e revolução, partido e frente." (p. 207)

Zé Dirceu destaca a importância do 5° encontro do partido em 1987. Os partidos dentro do partido - os grupos de vanguarda -, estavam dificultando o PT ser o que se esperava dele por parte de lideranças como Lula.

"A Articulação constituiu uma maioria de 59,4%. Elegeu Olívio Dutra como presidente nacional; eu fui eleito secretário-geral. Em 1988, Olívio Dutra elegeu-se prefeito de Porto Alegre, e Luiz Gushiken assumiu a presidência." (p. 212)

O 5° encontro contribuiu bastante para se definir a estratégia do PT para construir e não assaltar o poder, afirmou o socialismo e a conquista de governo pelo voto, de forma pacífica. (p. 211)

O PT defendeu uma Constituinte exclusiva e elegeu uma bancada pequena e combativa. 

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Comentário final 

Em 1987, eu tinha acabado de voltar para São Paulo, ainda com 17 anos, vindo de Uberlândia (MG). É muito interessante ler sobre os acontecimentos políticos que estavam se desenvolvendo enquanto minha vida de trabalhador braçal apenas seguia seu curso.

Em 1988 eu entrei no Unibanco, votei na Luiza Erundina para prefeita de São Paulo e em 1989 votei no Lula para presidente. 

O Brasil que Zé Dirceu nos mostra em suas memórias é o nosso país, é o mundo que vivi.

William 

12/08/26

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