Refeição Cultural
Domingo, 16 de agosto. O Estádio da Vila Euclides, em São Bernardo do Campo, reuniu uma multidão de gente para marcar o início da campanha de reeleição do presidente Lula. Foi um evento emocionante! Decidi não ir ao ato, vi pela Internet.
Gostei da lembrança, nos chamados para a ato em SBC, a respeito da história: é preciso conhecer a história. Aliás, fiquei feliz ao ver, finalmente, Dona Marisa Letícia ser lembrada e homenageada em um evento do PT após o casamento de Lula com Janja. Antes tarde do que nunca, como diz o ditado popular. Afinal, é preciso conhecer e respeitar a história das pessoas que contribuíram com nossas lutas sociais e populares.
Enfim, vamos seguir na leitura das memórias do Zé Dirceu, outro militante histórico que merece todo o nosso respeito e consideração.
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19. FORA COLLOR
A grande questão de saber onde o PT deveria se colocar
Muitas informações de bastidores do período. Bem interessante!
Zé Dirceu nos conta como foi o 1° Congresso do PT, as divisões e dilemas do partido.
"A Articulação se manteve coerente com o caráter do PT, sua história e suas raízes, evitando a posição leninista e reafirmando-o na condição de partido dirigente aberto à interlocução democrática na sociedade. Mas rejeitando a proposição idealista de partido reduzido à função de disputar projetos na sociedade."
Aqui um ponto importante: vejo companheiros hoje que se afastaram do PT e estão cheios de elogios a partidos como o PSOL, UP etc. Tudo bem! Mas talvez essas pessoas nunca tenham entendido o que é ser o Partido dos Trabalhadores. Como diz o Lula: é preciso conhecer a história!
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20. "LULA, PERDEMOS AQUI AS ELEIÇÕES DE 1994"
Como era admissível o PT, responsável pelo impeachment de Fernando Collor, lavar as mãos?
Capítulo revelador das divisões internas que o partido vivia nos anos noventa, a Articulação, corrente majoritária, passava por um momento delicado.
"(...) A proposta brotara ainda durante o período de Collor e, para agravar o clima interno no PT, vinha acompanhada da defesa conjunta - PT, PSDB, Lula e FHC - do parlamentarismo." (p. 253)
É mole?
"Era demais para a unidade partidária. A posição da administração Itamar, a relação com o PSDB e a defesa do parlamentarismo implodiram a maioria." (idem)
E mais:
"(...) A defesa do parlamentarismo era um desastre. Lula, eu mesmo, Genoino e outros perdemos feio na consulta interna do PT. Ainda bem. O equívoco era exacerbado pela possibilidade real de Lula vencer as eleições de 1994." (p. 254)
Zé Dirceu nos conta de sua discordância em relação à posição da maioria de defender "Fora Itamar" e "Itamar é igual a Collor".
Articulação defendia o fim das tendências no PT, afirma Zé Dirceu. Ele achava isso um equívoco:
"(...) Se por um lado tencionavam o partido, por outro as tendências eram a garantia do pluralismo democrático, do debate aberto, da disputa política regrada e legalizada, da busca e construção de maioria e, às vezes, de consensos." (p. 256)
O capítulo foi muito revelador para mim, ex-dirigente sindical dos bancários. Zé Dirceu conta que no 8° encontro do partido (1993), a Articulação perdeu a maioria e as outras tendências dominaram a direção do PT.
Depois vem a história das eleições de 1994, o Plano Real e muitas outras passagens de nossa vida política. Não sabia das histórias sobre os bancários e Gushiken, que se opuseram à candidatura do Zé Dirceu a governador em 1994.
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Comentário final
Agora que passei da metade do livro de memórias do Zé Dirceu. Como fui dirigente sindical por quase duas décadas, as histórias são as minhas histórias, são as histórias que herdei ao chegar nos anos dois mil ao movimento organizado.
É importante conhecer a história, repito o que Lula disse neste momento de início de campanha eleitoral, eu só compreendi melhor quem eu era como dirigente dos bancários da CUT e da Articulação Sindical após conhecer nossa história e saber o que NÃO éramos.
Enfim, é melhor saber do que não saber sobre a história.
William
16/08/26


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