quinta-feira, 13 de agosto de 2026

Lendo as memórias do Zé Dirceu (7)



Refeição Cultural

É muito interessante ler sobre a nossa história e descobrir coisas do passado que não sabíamos ainda. 

Eu tenho minha formação política a partir dos bancários da CUT. Entrei na categoria em 1988. A politização deste trabalhador que vos fala durou décadas. Só passei a entender o movimento quando virei sindicalista a partir de 2002.

As memórias do Zé Dirceu estão numa parte dos anos oitenta (capítulo 16), uma década de ouro dos movimentos sociais do Brasil. Por mais que tenha estudado o período, descubro novidades na leitura a todo instante. 

Sigamos lendo e aprendendo. Não estamos acabados, somos seres incompletos, nos ensina Paulo Freire. 

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16. ERROS E ACERTOS 

O PT não acreditava na vitória de Luiza Erundina nas eleições para a Prefeitura de São Paulo 

Meu primeiro voto de trabalhador com 18 anos de idade foi em Luiza Erundina. Morava no Rio Pequeno. Foi quando parei de pegar ônibus pendurado na porta.

"Fomos às eleições não sem problemas e divisões na escolha de candidatos. Na cidade de São Paulo, Luiza Erundina, forte liderança popular, ligada às lutas nos bairros, eleita vereadora em 1982 e candidata a vice de Eduardo Suplicy, em 1985, venceu a prévia contra Plínio de Arruda Sampaio, este apoiado por nós, Lula, eu e grande parte do comando da Articulação." (p. 220)

Eu não sabia dessa história. Imagino que o partido parou de realizar prévias, que são mais democráticas, por causa de momentos como esse, nos quais a base diverge da direção. 

Zé Dirceu termina o capítulo (p. 224) abordando a luta contra o desejo de poderes abusivos de promotores e procuradores dos ministérios públicos de investigar e acusar, inconstitucional segundo ele. Os legislativos derrotaram essas pretensões, até que o STF deu esses super-poderes a eles, criando uma casta sem controle de ninguém. 

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17. CAMINHANDO

Prévias, o grande risco no caminho das vitórias eleitorais 

Zé Dirceu nos conta como foram as gestões petistas nas prefeituras eleitas em 1988, equívocos, dilemas e sucessos. Cita POA (RS) como referência no "modo petista de governar", destacando o orçamento participativo.

Também avalia as contradições comuns de governar, as diferenças entre ser partido e ser governo. 

"(...) Mas era preciso distinguir. Governo e PT são ambas instâncias do Estado, mas partem de universos diferentes. O governo representa o interesse da sociedade, de classes, é verdade, enquanto o PT exprime interesse do coletivo, da maioria partidária e de nossa base social, os trabalhadores e excluídos." (p. 229)

Ao falar sobre o risco das prévias, me lembrei dos ensinamentos que tive na Articulação Sindical da CUT, por mais de duas décadas. Se não alcançamos o consenso progressivo e votamos direto, sem tentativas de acordos, todos perdem, porque saímos divididos, rachados. Zé Dirceu aborda um pouco isso no capítulo. 

"Prévias ou encontros? A designação dos nomes para concorrer sempre é traumática quando não há maiorias e principalmente políticas, programas que balizem as escolhas e resoluções. E quando se apresentam interesses de grupos ou de pessoas, tudo fica mais difícil, por mais legítimos que sejam." (p. 229)

Capítulo muito bom!

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Comentário final 

Enquanto leio as memórias do Zé Dirceu, vou relembrando uma vida política que tive e vou refletindo sobre o presente e o futuro. 

Eu pensei que ao sair da representação eletiva dos trabalhadores, abrindo mão de disputas de poder e incentivando a renovação, eu teria participação de outras formas nas instâncias, partilhando experiências. Isso não aconteceu. 

Agora invento diariamente algum sentido para mim mesmo. Procuro na leitura e na escritura formas de ser útil à sociedade humana, pois o que aprendo, compartilho de forma gratuita. Dá trabalho manter este blog, acreditem. 

Sigamos lendo e escrevendo. 

William 

13/08/26

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