A gente estava no campinho, não me lembro se jogando bola ou empinando pipa.
O córrego do Rio Pequeno separava o nosso campinho do campinho do outro lado, onde brincavam outros moleques.
Teve uma guerrinha de pedradas. Nunca me esqueço que estava olhando para o Peninha quando ele foi acertado bem na testa.
O cortezinho que abriu, primeiro ficou branco, e depois o sangue veio. A gente colocou a mão na testa do Peninha e saiu correndo com ele pra casa.
Guardo a lembrança desse dia, a pedrada, a testa com o corte, o sangue. Que será do Peninha? Quem mais esteve no campinho aquele dia?
Brinquei até os dez anos naquelas ruas do Rio Pequeno. Depois fui embora. Tenho lembranças boas dessa fase da vida.
Cada criança ali teve um destino, uma vida. A existência é assim.
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Instantes de uma vida

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