quinta-feira, 18 de junho de 2026

Sobre esquerdismo (1) - Lendo Lênin



Refeição Cultural

Dias atrás, o presidente Lula afirmou em uma entrevista que nunca foi "esquerdista" e essa afirmação gerou algum tipo de discussão a respeito da questão.

Eu tenho a minha leitura sobre o sentido do que Lula disse, por minha experiência política de décadas de representação como dirigente da classe trabalhadora, como cutista e como petista.

Entretanto, acabei tendo a curiosidade de ler uma obra que nunca li de Vladimir Lênin: Esquerdismo, doença infantil do comunismo, de 1920.

Para entender Lula e o Novo Sindicalismo que surgiu nos anos setenta, e consequentemente a CUT e o PT, um dos livros que mais contribuíram para minha compreensão foi o da jornalista Denise Paraná, Lula, filho do Brasil, editado pela Perseu Abramo em 2003. A primeira edição foi em 1996 pela Editora Xamã.

Enfim, enquanto leio o livro de Lênin, vou recortando alguns trechos que acho interessantes. Já li até o capítulo 4.

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EXCERTOS DE LÊNIN


“É possível que os revolucionários russos já tivessem derrubado o czar há muito tempo se não fossem obrigados a lutar, ao mesmo tempo, contra o aliado deste, o capital europeu.” (de “Esquerdismo: Doença Infantil do Comunismo” por “Vladimir Ilitch Ulianov Lênin, UTL”)

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“Como Karl Kautsky escrevia bem, há dezoito anos!” (idem)

Comentário: Lênin diz isso em referência a uma avaliação que Kautsky fez em 1902. A frase que citei acima é dele.

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A NECESSIDADE DA DITADURA DO PROLETARIADO

“A ditadura do proletariado é a guerra mais severa e implacável da nova classe contra um inimigo mais poderoso, a burguesia, cuja resistência está decuplicada, em virtude de sua derrota (mesmo que em apenas um país), e cuja potência consiste não só na força do capital internacional, na força e na solidez das relações internacionais da burguesia, como também na força do costume, na força da pequena produção.” (idem)

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“infelizmente, continua a haver no mundo a pequena produção em grande escala, e ela cria capitalismo e burguesia constantemente, todo dia, a toda hora, através de um processo espontâneo e em massa. Por tudo isso, a ditadura do proletariado é necessária, e a vitória sobre a burguesia torna-se impossível sem uma guerra prolongada, tenaz, desesperada, mortal; uma guerra que exige serenidade, disciplina, firmeza, inflexibilidade e uma vontade única.” (idem)

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“a centralização incondicional e a disciplina mais severa do proletariado constituem uma das condições fundamentais da vitória sobre a burguesia.” (idem)

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COMO MANTER A DISCIPLINA DO PARTIDO, DO MOVIMENTO E DO PROLETARIADO?

“A primeira pergunta que surge é a seguinte: como se mantém a disciplina do partido revolucionário do proletariado? Como é ela comprovada? Como é fortalecida? Em primeiro lugar, pela consciência da vanguarda proletária e por sua fidelidade à revolução, por sua firmeza, seu espírito de sacrifício, seu heroísmo.” (idem)

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“Segundo, por sua capacidade de ligar-se, aproximar-se e, até certo ponto, se quiserem, de fundir-se com as mais amplas massas trabalhadoras, antes de tudo com as massas proletárias, mas também com as massas trabalhadoras não proletárias.” (idem)

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“Finalmente, pela justeza da linha política seguida por essa vanguarda, pela justeza de sua estratégia, e de sua tática políticas, com a condição de que as mais amplas massas se convençam disso por experiência própria.” (idem)

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OS REVOLUCIONÁRIOS DE INTERNET ("DE BOCA")

“E se os bolcheviques conseguiram tal resultado foi exclusivamente porque desmascararam impiedosamente e expulsaram os revolucionários de boca, obstinados em não compreender que é necessário recuar, que é preciso saber recuar, que é obrigatório aprender a atuar legalmente nos mais reacionários parlamentos e nas organizações sindicais, cooperativas, nas organizações de socorros mútuos e outras semelhantes, por mais reacionárias que sejam.” (de “Esquerdismo: Doença Infantil do Comunismo” por “Vladimir Ilitch Ulianov Lênin, UTL”)

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“os bolcheviques. Estes nunca teriam conseguido eliminar os mencheviques, caso não houvessem aplicado uma tática justa, combinando o trabalho ilegal com a utilização obrigatória das "possibilidades legais". Na mais reacionária das Dumas, os bolcheviques conquistaram toda a bancada operária.” (idem)

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“a república 'operária-camponesa' soviética é melhor que qualquer república democrático-burguesa, parlamentar. Sem essa preparação prudente, minuciosa, sensata e prolongada não teríamos podido alcançar nem manter a vitória; de Outubro de 1917.” (idem)

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OS PEQUENO-BURGUESES

“0 pequeno-burguês 'enfurecido' pelos horrores do capitalismo é, como o anarquismo, um fenômeno social comum a todos os países capitalistas. São por demais conhecidas a inconstância e a esterilidade dessas veleidades revolucionárias, assim como a facilidade com que se transformam rapidamente em submissão, apatia, fantasias, e mesmo num entusiasmo 'furioso' por essa ou aquela tendência burguesa 'em moda'.” (idem)

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“Em 1908, os bolcheviques 'de esquerda' foram expulsos de nosso partido, em virtude de seu empenho em não querer compreender a necessidade de participar num 'parlamento' ultrarreacionário. Os 'esquerdistas', entre os quais havia muitos excelentes revolucionários que depois foram (e continuam sendo) honrosamente membros do Partido Comunista, apoiavam-se, principalmente, na feliz experiência do boicote de 1905.” (de “Esquerdismo: Doença Infantil do Comunismo” por “Vladimir Ilitch Ulianov Lênin, UTL”)

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“0 boicote dos bolcheviques ao 'parlamento' em 1905, enriqueceu o proletariado revolucionário com uma experiência política extraordinariamente preciosa, mostrando que, na combinação das formas de luta legais e ilegais, parlamentares e extraparlamentares, é, às vezes, conveniente e até obrigatório saber renunciar às formas parlamentares. Mas transportar cegamente, por simples imitação, sem espírito crítico, essa experiência a outras condições, a outra situação, é o maior dos erros” (idem)

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COMENTÁRIO FINAL

Até aqui na leitura, eu fiquei pensando nas entrevistas de Lula para a jornalista Denise Paraná, lá no início dos anos noventa.

Lula não era um "esquerdista" e esse foi um dos motivos pelos quais seu irmão Frei Chico, um "esquerdista", e seus companheiros pensaram na possibilidade de Lula entrar no movimento sindical dos metalúrgicos.

Me marcou muito como estudioso do movimento sindical cutista e como militante do PT ver o Lula dizer que aquele movimento sindical e partidário que estava surgindo no final dos anos setenta e início dos oitenta tinha claro o que NÃO queria como referência: nem a URSS, nem a China, nem Cuba, não queriam saber de partido único, de movimento sindical atrelado ao partido e ao governo e que não podia fazer greve etc.

Enfim, sigamos na leitura.

William

18/06/26

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