sexta-feira, 19 de junho de 2026

Instantes (18h40)



Refeição Cultural

SOBRE ADAPTAÇÕES 

Enquanto fazia minha hora de exercícios na pequena academia do condomínio refletia sobre preguiça e sobre adaptação. 

Desci para a sessão de exercícios sem gana alguma, uma preguiça do caramba. A razão, no entanto, impera e devo fazer o que tem de ser feito. Lições do sindicalismo.

Não enxergo mais o mundo como via antes do descolamento do humor vítreo do olho esquerdo. O mundo agora tem umas manchas flutuantes, é menos nítido. Sei que estou em melhores condições que muita gente ainda.

Estava com preguiça de ir à feira ontem. Xô, preguiça! Fui, tomei garapa, comprei frutas e pastel pra todo mundo que pediu. 

Ler e estudar também dão preguiça na gente. Porém, se quiser seguir humano, temos que ler textos longos e complexos. As big techs estão exterminando a minha espécie homo sapiens capturando humanos com nadas por horas.

Estou vivo. Adaptação é um dos desafios diários ao acordar neste mundo, neste momento. Apesar dos acidentes naturais e não naturais, casuais, a vida de todo ser vivo segue sendo uma oportunidade, salvo raras exceções. 

Eu mesmo, por exemplo, por ter superado aqueles anos difíceis e ter seguido até aqui, já fiz coisas interessantes no percurso da existência, tanto em meu benefício, quanto em favor da coletividade. Isso é bom.

Fechando esta refeição cultural do instante, sobre adaptações, se considerar a leitura que mais tem me instigado nesses dias, diria que os contos e narrativas curtas estão em primeiro lugar. 

Não confundam meu incentivo a ler narraticas curtas e contos como contradição ao que disse acima, sobre ser bom ler textos longos e complexos. 

A crítica que fiz é sobre o vazio (nadas) que ocupa a mente humana com as bobagens das big techs para reter milhões de humanos nas redes derretendo seus cérebros. 

Ao iniciar a leitura de um conto, às vezes de 3 ou 4 páginas, talvez tenha ali o universo, uma estória que vai te dar um soco e a ferida vai te incomodar por horas, ou um prazer indescritível, semelhante a um bom prato de comida ou um bom sexo.

Estou mergulhado nos cem contos brasileiros selecionados por Italo Moriconi, muitos autores e autoras que nunca ouvi falar, e a expectativa do que vou encontrar no conto seguinte é muito interessante, diferente de ler economia, história, Lênin, ou coisas do tipo.

Talvez deva focar ler contos para buscar algo de novo no cotidiano dessa vidinha nesse mundo de merda no qual estamos enfiados. 

William 

19/06/26

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