Uma das melhores lembranças de felicidade que tenho da infância é empinar pipas. A liberdade talvez esteja associada a essa brincadeira de criança.
Para colocar uma pipa no ar a criança precisa estar na rua, praça ou no campinho. O dia tem que ser favorável, sem chuva e com vento. O garoto ou garota precisa ter a pipa e os itens necessários.
Eu comprava peixinho numa lojinha no início da Avenida Otacílio Tomanik, do lado da padaria Cinco Quinas. Peixinho é um tipo de pipa. Também comprava ali linha, papel e até varetas japonesas ou de bambu pra fazer quadrado, uma pipa melhor.
Fico impressionado ao me lembrar que um garoto com menos de dez anos fazia suas próprias pipas, e pipas boas pra disputar relos (rélos se fala) na rua. Eu tinha minha própria técnica de estirante, rabiola com chicote de cerol, e meu quadrado ou peixinho era côncavo e não achatado, pois eu tinha linha entre uma ponta e outra das varetas horizontais. Como um arco.
Naquela época, anos setenta, não se tinha a compreensão do risco do uso de cerol. Minhas pipas tinham cerol em tudo, até na rabiola e no estirante. Tinha dia que voltava pra casa com duas ou três pipas, além da minha. No relo, eu cortava e aparava. Tinha dia que eu perdia as pipas e ainda corria feito doido pelas ruas do bairro atrás de pipa cortada.
Como a minha infância foi boa empinando pipas pelas ruas e campinhos do Rio Pequeno!
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Instantes de uma vida

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