Refeição Cultural
LEITURAS E ESCRITAS
Assim que acordei nesta segunda-feira de junho no mundo mundo vasto mundo do poeta Drummond e outros humanos mais, refleti sobre a vida e ainda na cama escrevi um pequeno texto sobre instantes de uma vida.
Li um bom artigo do jornalista José Reinaldo sobre os abusos fiscais concedidos a igrejas e que tais, benefícios fiscais em prejuízo de direitos fundamentais como saúde, educação etc (recurso público é assim, tira de um setor para outro no orçamento). Há décadas afirmo que o Brasil não é um país laico. A prova jurídica e material disso é a Constituição Federal de 1988 citar "Deus" em seu preâmbulo. Um absurdo! Respeito a fé de todas as pessoas, mas se a lei maior de um país escolhe uma religião, o país não é laico para seus cidadãos. Básico isso!
Fiz meus exercícios de aprendizagem e memorização de línguas num aplicativo do celular.
Em seguida, refleti sobre o dia, o que fazer do meu dia? Depois de décadas, não vendo mais minhas horas de trabalho. Foram quase quarenta anos sem o direito à escolha do que fazer com o meu tempo, com o meu corpo. Isso no momento no qual as pessoas têm saúde plena, os seus corpos aptos para as escolhas que queiram, via de regra, é claro! Porcentagem importante das pessoas tem graus diversos de deficiências físicas ou intelectuais, e vida ativa também, é claro! Não foi o meu caso ter alguma deficiência, só isso quis dizer.
Me levantei para o dia desejoso de acabar alguma coisa em andamento. Meus pensamentos têm me direcionado a realizar coisas que havia planejado ou desejado no passado. Aquelas que valem a pena ainda, claro. Ler livros é uma delas. A lista de desejos de leituras é do tamanho de uma vida de tartarugas ou árvores, de centenas de anos. E eu não tenho esse tempo, sequer sei se tenho dias ou meses, isso não depende só de mim. Tenho hoje o tempo que não tive, mas não tenho mais o corpo que tinha. Natureza. E ainda tem a morte de surpresa, que pega a gente num instante qualquer.
A intenção é terminar três livros no mês, dois daqueles meus iniciados e nunca terminados, e um que apareceu de supetão, o do Lênin falando sobre o esquerdismo, a doença infantil do comunismo. O Lula disse o óbvio dias atrás, que nunca foi esquerdista, e a militância e outros mais saíram falando absurdos por aí.
Enquanto termino a leitura do livro sobre saúde suplementar, fico me questionando o porquê disso, se não lido mais com o tema. Aí respondo a mim mesmo que é porque eu não ganho nada em perder esse conhecimento que adquiri quando fui gestor de saúde eleito pela comunidade do banco público no qual trabalhei e dediquei o melhor de meus dias e saúde: aquelas horas que citei no início dessa reflexão.
Quando estudava para concursos públicos era comum os professores e mestres dizerem que conhecimento não ocupa espaço (mas informação sozinha não é conhecimento, ok?) e que ele é cumulativo. Conheço bem mais do cérebro humano hoje, principalmente depois de ler o neurocientista Miguel Nicolelis. Sei que o cérebro é seletivo, que pode ser desenvolvido e exercitado, que é flexível ao que é demandado a ele. Por isso não quero perder o que sei e quero aprender o que não sei ainda.
Vamos lá viver o dia. Tenho coisas a aprender.
(Eu sinto muito pelo resultado eleitoral na Colômbia. O povo ao qual pertenço enquanto classe vai sofrer muito. É uma pena estarmos sujeitos à manipulação dos donos do poder. Se as pessoas tivessem educação, seriam livres e estariam menos expostas à manipulação)
William
22/06/26


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