Refeição Cultural
A importância do partido e dos sindicatos
Nesta postagem com alguns excertos do texto de Vladimir Lênin sobre a questão do Esquerdismo, doença infantil do comunismo (1920), vemos um dos líderes da Revolução Russa afirmar ser estupidez abrir mão da participação nos sindicatos considerados pelegos ou sob controle de burocracias ligadas às classes dominantes. Segundo Lênin, é fundamental disputar e conquistar sindicatos para politizar e influenciar as massas da classe trabalhadora.
O mesmo diz Lênin sobre a importância de um partido bem organizado e disciplinado para, como apoio e confiança das massas, para derrotar as classes dominantes, não somente as elites da burguesia mas, sobretudo, os pequenos burgueses, que são muitos e que têm o hábito e a cabeça da elite. Sindicatos e partido são essenciais para fazer a disputa ideológica no seio das massas proletárias e populares.
Bem interessante as explicações de Lênin. A primeira parte de minhas anotações pode ser lida aqui.
Eu mudei palavras do português de Portugal para o português brasileiro na hora de fazer as citações.
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EXCERTOS DE LÊNIN
Capítulo V - O comunismo 'de esquerda' na Alemanha. Chefes, Partido, Classe, Massas
"Os comunistas alemães, de quem vamos falar agora, não se chamam de 'esquerdistas', mas de 'oposição de princípio', se não me engano. Mas, pelo que se segue, pode-se ver que têm todos os sintomas da 'doença infantil do esquerdismo'."
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"Todo bolchevique que tenha participado conscientemente do desenvolvimento do bolchevismo desde 1903, ou que o tenha observado de perto, não poderá deixar de exclamar imediatamente, depois de haver lido tais opiniões: 'Que velharias conhecidas! Que infantilidades de 'esquerda'!"
Comentário: Lênin vai fazer algumas citações de um panfleto do grupo que se coloca como oposição ao Partido Comunista da Alemanha da época, 1920.
O grupo faz um questionamento separando o partido e a classe proletária, a transição entre o capitalismo e o socialismo, através da ditadura do proletariado, deveria ser conduzida por um ou outro...
Lênin vai fala da importância do Partido e dos sindicatos
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"Todos sabem que as massas se dividem em classes, que só é possível opor as massas às classes num sentido; opondo-se uma esmagadora maioria (sem dividi-la de acordo com as posições ocupadas no regime social da produção) a categorias que ocupam uma posição especial nesse regime; que as classes são geralmente e na maioria dos casos (pelo menos nos países civilizados modernos), dirigidas por partidos políticos; que os partidos políticos são dirigidos, via de regra, por grupos mais ou menos estáveis, integrados pelas pessoas mais prestigiosas, influentes ou sagazes, eleitas para os cargos de maior responsabilidade e chamadas de chefes. Tudo isso é o ABC, tudo isso é simples e claro. Que necessidade havia de trocar isso por tais confusões, por essa espécie de volapuk?*"
* Volapuk - Idioma Internacional artificial inventado por Schleyer, em 1879. (Nota de Ediciones en Lenguas Extranjeras)
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"No fim da guerra imperialista e depois dela, manifestou-se em todos os países com singular vigor e evidência o divórcio entre 'os chefes' e 'a massa'. A causa fundamental desse fenômeno foi explicada muitas vezes por Marx e Engels, de 1852 a 1892, usando o exemplo da Inglaterra. A situação monopolista, desse país originou o nascimento de uma 'aristocracia operária' oportunista, semi-pequeno burguesa, saída da 'massa'. Os chefes dessa aristocracia operária passavam-se frequentemente para o campo da burguesia, que os sustentava direta ou indiretamente. Marx foi alvo do ódio, que lhe honra, desses canalhas, por havê-los qualificado publicamente de traidores."
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"A vitória do proletariado revolucionário torna-se impossível sem a luta contra esse mal, sem o desmascaramento, a desmoralização e a expulsão dos chefes oportunistas social-traidores; essa política, exatamente, foi a aplicada pela III Internacional."
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"Negar a necessidade do Partido e da disciplina partidária: eis o resultado a que chegou a oposição. E isso equivale a desarmar completamente o proletariado, em proveito da burguesia."
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"Suprimir as classes significa não só expulsar os latifundiários e os capitalistas - isso nós fizemos com relativa facilidade - como também suprimir os pequenos produtores de mercadorias; estes, porém, não se pode expulsar, não se pode esmagar; é preciso conviver com eles, e só se pode (e deve) transformá-los, reeducá-los, mediante um trabalho de organização muito longo, lento e prudente."
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"Para fazer frente a isso, para permitir que o proletariado exerça acertada, eficaz e vitoriosamente sua função organizadora (que é sua função principal), são necessárias uma centralização e uma disciplina severíssimas no partido político do proletariado."
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"A força do hábito de milhões e dezenas de milhões de homens é a força mais terrível. Sem partido férreo e temperado na luta, sem um partido que goze da confiança de tudo que exista de honrado dentro da classe, sem um partido que saiba tomar o pulso do estado de espírito das massas e influir nele é impossível levar a cabo com êxito essa luta."
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"No IX Congresso de nosso Partido (abril de 1920) houve uma pequena oposição que também se pronunciou contra a 'ditadura dos chefes', a 'oligarquia', etc. Não há, portanto, nada de surpreendente, nada de novo, nada de alarmante na 'doença infantil do 'comunismo de esquerda' entre os alemães."
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Capítulo VI - Os revolucionários devem atuar nos sindicatos reacionários?
"Obtém-se, no conjunto, um dispositivo proletário, formalmente não comunista, flexível e relativamente amplo, poderosíssimo, por meio do qual o Partido está estreitamente ligado à classe e às massas, e através do qual se exerce, sob a direção do Partido, a ditadura da classe. É claro que nos teria sido impossível governar o país e exercer a ditadura, já não digo dois anos e meio, mas nem sequer dois meses e meio, se não houvesse a mais estreita ligação com os sindicatos, seu apoio entusiasta, seu abnegadíssimo trabalho tanto na organização econômica como na militar."
Comentário do blog: lembrando que o texto de Lênin é de 1920 e a Revolução havia ocorrido em outubro de 1917.
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"Consideramos que o contato com as 'massas' através dos sindicatos não é suficiente. No transcurso da revolução criou-se em nosso país, na prática, um organismo que procuramos manter a todo custo, desenvolver e ampliar: as conferências de operários e camponeses sem partido, que nos possibilitam observar o estado de espírito das massas, aproximarmo-nos delas, corresponder a seus desejos, promover aos postos do Estado seus melhores elementos, etc."
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"Depois, por meio desses sindicatos de indústria, será iniciada a supressão da divisão do trabalho entre os homens, a educação, instrução e formação de homens universalmente desenvolvidos e universalmente preparados, homens que saberão fazer tudo. O comunismo marcha e deve marchar para esse objetivo, que será atingido, embora somente dentro de muitos anos."
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"O desenvolvimento do proletariado, porém, não se realizou, nem podia realizar-se, em nenhum país de outra maneira senão por intermédio dos sindicatos e por sua ação conjunta com o partido da classe operária."
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"Mas sustentamos a luta contra a 'aristocracia operária' em nome das massas operárias e para colocá-las ao nosso lado; sustentamos a luta contra os chefes oportunistas e social-chauvinistas para ganhar a classe operária. Seria tolice esquecer esta verdade mais que elementar e evidente. E é essa, precisamente, a tolice cometida pelos comunistas alemães 'de esquerda', que deduzem do caráter reacionário e contrarrevolucionário dos chefetes dos sindicatos que é necessário... sair dos sindicatos!!, renunciar ao trabalho neles!!, criar formas de organização operária novas, inventadas!! Uma estupidez tão imperdoável, que equivale ao melhor serviço que os comunistas podem prestar à burguesia."
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"(...) Não atuar dentro dos sindicatos reacionários significa abandonar as massas operárias insuficientemente desenvolvidas ou influência dos líderes reacionários, dos agentes da burguesia dos operários aristocratas ou operários aburguesados' (ver a carta de Engels e Marx em 1858 a respeito dos operários ingleses).
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"O Comitê Executivo da III Internacional deve, na minha opinião, condenar abertamente e propor ao próximo Congresso da Internacional Comunista que condene, de modo geral, a política de não participação nos sindicatos reacionários (explicando pormenorizadamente a insensatez que essa não participação significa e o imenso prejuízo que causa à revolução proletária)
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Comentário final
Não foi preciso ler essa obra de Lênin durante minha vida de representação sindical do campo cutista para ver na prática toda essa discussão que o líder revolucionário aborda em relação aos "esquerdistas" dentro do próprio movimento comunista de sua época.
Sigamos lendo o clássico de Vladimir Lênin.
William
20/06/26


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