sábado, 20 de fevereiro de 2016

Caos - sentido pré-determinado não há, nós é que temos que fazer com que a vida tenha sentido





Refeição Cultural - Diário 200216

No mundo externo ao meu mundo atual, focado na missão eleita em que estou, só vejo o caos e a construção da barbárie social.

Pessoas físicas se apoderaram de órgãos públicos como Polícia Federal, ministérios públicos vários, tribunais de justiça, Congresso Nacional et caterva, instituições feitas para funcionarem como guardiães da democracia e da justiça e igualdade de direitos sociais viraram aparelhos de um segmento social para perseguir outro setor da sociedade e atuar ao contrário do que deveriam fazer.

Polícia Militar de governos estaduais acionada para espancar uma parte de uma manifestação a pedido da outra parte como ocorreu em SP nesta semana quando denúncias mostram a PM paulista sendo chamada a espancar os simpatizantes do ex-presidente Lula da Silva.

Movimentos sindicais e sociais em pé de guerra, aberta ou disfarçada, uns contra os outros.

Ideias e posturas fascistas passando a dominar a massa, a partir da lavagem cerebral dos veículos totalitários de comunicação concentrados na mão de poucos bilionários anti-povo. 

Ainda as comunicações, sistema de comunicações globais, numa era em que as populações estão virando apêndices de aparelhos eletrônicos, com suas vidas e desejos totalmente dominados e manipulados pelas máquinas que transmitem a pauta e induzem o que fazer e para onde ir...

Caralho, para onde estamos indo?

Outro dia, vi de novo na madrugada o filme Guerra dos Mundos, quando extraterrestres invadem a Terra e começam a nos dizimar sem chances de defesa... os humanos foram salvos por parasitas e vírus para os quais os ET não tinham resistência, igual os invasores europeus fizeram com tribos indígenas séculos atrás.

Acho que nós mesmos conseguiremos nos exterminar fácil fácil... e ainda tem uns vírus novos para nos ferrar como os zika vírus da vida.


E O MEU MUNDO, UMA AREIA DENTRO DO MUNDO GERAL?

Depois de uma semana intensa e exaustiva de trabalho, na qual estive em três estados brasileiros, dormi muito pouco, busquei abstrair de todo caos que impera no mundo e no meu mundo, e consegui fazer com leveza e firmeza aquilo a que me determinei a fazer, volto para Brasília e logo pela manhã de sábado vejo como o mundo está caótico.

Se um dia eu pudesse escrever um livro sobre os bastidores do nosso mundo de lutas sociais, eu o faria. Mas também não sei se valeria a pena.

Talvez o melhor para todos no meu entorno e até para mim mesmo seja manter disciplinadamente meu trabalho focado na missão que tenho atualmente e só (só), com ou sem apoios, sendo respeitado ou desrespeitado por onde menos se espera, e muito firme nos compromissos que assumi com os associados da entidade de saúde onde cumpro mandato eletivo.

Fora da janela de casa, o mundo está o caos e com tendência a piorar.

Estou esperando chegarem esposa e filho depois de uma semana dura para todos nós. No entanto, a semana dura foi superada com obstinação e gana de propósito. Meu filho está matriculado na Unesp, minha esposa conseguiu empreender o zilhão de coisas que tinha que fazer sem poder contar com minha ajuda. Eu consegui ao menos fazer com leveza e paixão meu trabalho de fortalecer a Cassi e firmar parcerias com a base social para ampliar a cobertura do modelo de saúde de cuidar das pessoas.

Mas tem tanta merda de bastidor que está me matando, que dá vontade de gritar e escrever sobre todas elas.

Aprendi a fazer cara de paisagem assim que virei negociador em nome dos trabalhadores e passei a lidar com todo tipo de situação onde o comportamento é fundamental.

Mas tem dia que é difícil calar perante tanta merda. Talvez a gente adoeça por isso...

O mundo e a existência não têm que ter um sentido pré-determinado. Eu não acredito nisso. A existência é o caos, ou pode virar o caos em um segundo. Nós é que temos que fazer nossa existência ter sentido e fazer valer a pena estarmos vivos e estarmos fazendo algo para o meio social humano, além de só pensarmos em nós mesmos.

Chega.

William

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