domingo, 15 de maio de 2016

A queda - Reflexões a respeito do Golpe de Estado no Brasil


Noite de manifestações em defesa da democracia no Brasil,
31/3/16, Esplanada dos Ministérios, DF.
Manifestações em defesa da democracia, Brasil,
domingo, 17/4/16, Esplanada dos Ministérios DF.
Encontrando amigos e companheiros de luta.
Manifestações em defesa da democracia, Brasil,
domingo, 17/4/16, Esplanada dos Ministérios DF.

(um post scriptum sobre uma reflexão minha feita em postagem em 2009 - ler AQUI - a respeito do filme A queda, as últimas horas de Hitler, me levou a esses pensamentos expressos abaixo. A queda de nosso governo legítimo, aqui no Brasil, equivale a ascensão de um regime ilegítimo de fascistas e corruptos. Aqui é 1933)


Releitura de reflexão minha feita em 2009. Faz 4 dias que a direita fascista, partidos políticos e políticos canalhas e seres de aluguel, os donos dos meios de comunicação, os empresários, latifundiários e, principalmente, com anuência e silêncio dos órgãos que deveriam proteger a democracia, o Legislativo e o Judiciário brasileiros, afastaram a nossa presidenta Dilma Rousseff, do Partido dos Trabalhadores, reeleita com 54,5 milhões de votos em outubro de 2014. Afastada sem nenhum crime de responsabilidade ou algo ilegal, sem nada nada. O contrário de todos que a afastaram, ladrões de colarinho branco com acusações e fichas corridas que vão da Terra à Lua.

Estou tão indignado que estou pusilânime em relação a alimentar ilusões de que o golpe parlamentar possa ser revertido nas ruas, como ouço de algumas pessoas do meu campo ideológico. Não houve quebradeira, não houve paralisação do país, não houve invasão de nada pelo povo defendendo o governo e a democracia.

Quando lembro da situação real do nosso país tomado por ladrões corruptos aparecendo o tempo todo como novos governantes nas teletelas do Grande Irmão Globo e asseclas da grande imprensa, me dá vontade de chorar, de fazer algo pela democracia de meu país. Às vezes, fico pensando em algo que descobri faz anos: que o conhecimento dói. Eu sei que o povo que eu represento, os trabalhadores e gente mais humilde, sei que eles vão se foder, e eles foram manipulados e parte apoiou, silenciou, permitiu, inventou desculpas para deixar o golpe ser aplicado.

Mas ao ler esta reflexão que fiz 7 anos atrás, pensando o povo alemão que apoiou Adolf Hitler e todo o horror do 3º Reich, realmente fico pensando o mesmo em relação à massa de pessoas que me circulam, do meu convívio familiar (não mais de meu convívio), de meu convívio profissional (sou obrigado a conviver com eles), de meu convívio social em geral (que faço, vou embora de meu país?), enfim, estou nessas poucas horas ainda pós golpe pensando a respeito de como trato essa imensa parcela que apoiou novo golpe no Brasil, após termos gasto mais de duas décadas para livrar o país do golpe anterior em 1964.

Estou ainda meio que... por sorte, entre a noite do golpe (madrugada de 12/5/16) e a manhã deste sábado (14/5) tudo que fiz foi trabalhar de forma ininterrupta, quase que nem dormi. Aí não sobrou tempo sequer para pensar e lembrar que já vivia num país em regime de exceção. Estou destruído por dentro.

E pior, quando a segunda-feira chegar, vestirei meu contrato social e sairei de casa para cumprir fielmente minha missão, meus compromissos assumidos com os trabalhadores que votarem em mim e depositaram sua confiança em meu trabalho na entidade de saúde que atuo. Só tenho o curto tempo do fim de semana para o lamento como cidadão, como ser humano, que é gente, que sofre e ri (nem tanto), adoece, tem emoções...

É isso!

William

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