Refeição Cultural
"Porque pictura est laicorum literatura" (O Nome da Rosa, Umberto Eco, 2003, p. 48)
Eu já havia lido quase duzentas páginas deste clássico de Umberto Eco quando tive a consciência de que estava lendo mal o romance. Parei.
A lição de Paulo Freire é séria: não importa a quantidade e sim a qualidade da leitura.
Recomecei a ler e sem pressa O Nome da Rosa (1980). Ler sem me concentrar e viajar na história com Adso de Melk e o Frei Guilherme de Baskerville seria pura perda de tempo, um tempo que não tenho de sobra mais.
Na passagem que li hoje, a dupla de personagens está admirando o portal da igreja que compõe o conjunto arquitetônico da abadia que visitam. Eles estão hipnotizados com as pinturas desenhadas no portal.
Ler com atenção é a única leitura que dá prazer. Até a citação em latim entendi sem precisar de tradução. A lição é antiga: como o povo era analfabeto, eram as pinturas que contavam as histórias e passagens dos livros sagrados.
Enquanto lia as descrições das figuras que Adso de Melk nos contava, fiquei me lembrando das pinturas e esculturas em relevo que vi em igrejas famosas na Itália e outros lugares. É algo espetacular!
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"Você não pode embarcar de novo na vida, esta viagem de carro única, quando ela termina" (p. 37/38)
Quanto ao livro de Alberto Manguel, Uma história da leitura (1999), livro que marcou minha história da leitura, o peguei pra ler como um crente com sua Bíblia.
A mensagem acima parece ter sido escrita para mim...
Não poderia perder um segundo desta viagem única, pois não poderei embarcar nela novamente, como podemos fazer com os livros, como eu fiz com o do Umberto Eco.
Estou vivendo esta viagem única da mesma forma que estava lendo Umberto Eco meses atrás...
Que foda.
William