quarta-feira, 12 de novembro de 2014

São Silvestre 2014 - A preparação até a prova em 31 de dezembro



Novo desafio a conquistar: vou me preparar para
participar pela 7ª vez da São Silvestre.


Pois é!

Escrevo neste início de madrugada de quarta-feira, 12 de novembro. Estou em Brasília (DF) onde trabalho. 

Depois de trabalhar por longas horas na segunda 10, não tive um dia diferente nesta terça 11: foram longas horas de trabalho, horas de reuniões complexas, desgastantes. Saí da Cassi depois das 21 horas. Terei nesta quarta 12 e quinta 13, o VII Encontro Nacional dos Conselhos de Usuários da Cassi.

Bom, como se pode ver, minha vida se transformou bastante em relação ao aumento da carga horária de trabalho diária, que já era de mais de 12 horas diárias na Contraf-CUT. Eu não pude mais manter uma rotina de atividades físicas, rotina que já estava declinante nos últimos três anos.

Mesmo assim, para manter uma necessidade vital de desafios pessoais, decidi me inscrever na corrida de São Silvestre deste ano. Será minha sétima participação. Eu nunca estive em condições tão ruins de saúde em relação ao condicionamento físico. Mas preciso disso para seguir adiante.

Estou acima do peso. Perdi massa muscular. O sistema cardiorrespiratório não está bom... Mas a gana e força interior continuam a mesma. 

Montei uma programação de treinamentos para conseguir realizar este desafio. Tudo será muito difícil, mas vai dar certo. Serão 16 treinos até a corrida no dia 31 de dezembro. 

Terei que mentalizar muito os objetivos, buscar energia extra, superar mais uma vez cansaço, dor e desânimo. Estou acostumado a isso e acredito que vai dar certo. Comecei o programa neste fim de semana e só terei treinos aos sábados e domingos. Verei se é possível fazer abdominais e flexões em dois dias da semana.

Sábado 8/11...... treino 1 = 2,5 km em 18' trote (ok)
Domingo 9/11....treino 2 = 5,0 km em 35' longão (ok)

Sábado 15/11.....treino 3 = 3,0 km em 20' trote (ok)
Domingo 16/11..treino 4 = 6,0 km em 42' longão (ok em 40')

Terça 18/11...........extra = 4,0 km em 28' trote (ok)

Sábado 22/11......treino 5 = 3,0 km em 20' trote (ok em 20'30")
Domingo 23/11...treino 6 = 8,0 km em 56' longão (ok em 56'50")

Sábado 29/11......treino 7 = 6,0 km em 40' trote (ok 7 km em 42')
Domingo 30/11...treino 8 = 6,0 km em 60' (andar) (ok estava bem e decidi andar 3 km e correr 3 km em 19')

Sábado 6/12........treino 9 = 10 km em 70' longão (ok em 72')
Domingo 7/12.....treino 10 = 5,0 km (andar) (ok)

Quarta 10/12..........extra = 4,5 km em 28'30" (ok)

Sábado 13/12......treino 11 = 7,0 km em 45' longão (ok em 48')
Domingo 14/12...treino 12 = 4,0 km em 28' trote (não: descanso porque corri 4,5 km na quarta 10/12)

Quinta 18/12 ......... extra = 10 km em 63' (ok em Brasília)

Sábado 20/12......treino 13 = 3,0 km em 20' trote (ok em Osasco)
Domingo 21/12...treino 14 = 12 km em 85' longão (não, mas corri 10 km em 18/12)

Sexta 26/12............ extra = 3 km 20' (ok em Uberlândia)

Sábado 27/12......treino 15 = 5 km em 35' trote (ok no Parque do Sabiá, Uberlândia)
Domingo 28/12...treino 16 = 7 km em 70' andar (não. Estava cansado)



31 de dezembro

Vou participar e completar a São Silvestre: 15 km em 110'. (ok em 115')

É isso!

Vai dar certo, eu posso!

Ler Postagem sobre a corrida.


COMENTÁRIOS

16/11 - muito feliz pelos treinos 3 e 4 porque o corpo suportou bem. Ainda consegui fazer os 6 km de hoje com tempo menor que o programado. 


No sábado, estava tão cansado e com a semana de trabalho na cabeça ainda que até no dormir de sexta para sábado fiquei matutando os problemas da Cassi. Fiz uma corrida em trote pra soltar o corpo e a mente. 


No entanto, a semana pesadíssima de trabalho não me deu a mínima condição de fazer abdominais e flexões para reforçar estrutura do corpo.


Missão cumprida. Que venham os próximos treinos daqui a uma semana...


É isso! Vamos à luta! Sempre!



23/11 - a sensação que tive ao correr o longão deste domingo foi de prazer e felicidade. O meu corpo e minha mente ainda respondem muito bem aos meus comandos.


No sábado, corri os 3 km com tanto cansaço que fiquei preocupado com a tarefa de fazer os 8 km de domingo. Para piorar, tive que passar várias horas no sábado e domingo lendo e preparando texto para reuniões no meu trabalho desta semana que começa.


Saí de casa para correr no domingo de tarde e estava muito concentrado na passada, na respiração e no objetivo de superar o 6º treino para a corrida de São Silvestre.


Deu tudo certo! Ainda na semana que passou, consegui fazer uma corrida extra de 4 km e fiz um pouco de abdominais e flexões.


Vamos pra mais uma duríssima semana de trabalho e para os próximos treinamentos do fim de semana que vem. Correr é tudo de bom!




30/11 - foi um fim de semana de satisfação por completar meus objetivos de treinamento. Atingi a metade dos 16 treinos e já corri 41,5 km e estou bem. Meu coração agradece.

Vamos agora para a segunda metade do treinamento e a corrida no dia 31 de dezembro. Será outro mês difícil devido ao trabalho e distâncias percorridas com mudanças da família. Mas tudo dará certo.


O domingo foi de muita tristeza porque soube pela manhã do falecimento de uma pessoa com quem convivi diariamente nos últimos 6 meses: o colega do BB e presidente da Cassi, David Salviano. A existência nos prega essas peças e nos baqueia muito. Mas temos que seguir adiante porque também é assim a missão de nossa vida.




6/12 - fiz postagem descrevendo o quanto tive que vencer cansaço, desânimo e preguiça para sair no sábado à noite e correr o percurso planejado no treino 9 de 10 km. Mas venci o desafio e foi muito prazeroso... valeu à pena. No domingo, também venci preguiça e caminhei os 5 km. Estou focado e vou conseguir!


10/12 - nesta quarta-feira cheguei a Brasília muito cansado de um longo dia de trabalho e coloquei um tênis e um calção e saí para correr e salvar minha vida... feliz pela corrida deliciosa de quase 30'.


Estava pensando... nunca poderei perder meu "olhar de tigre" como diz Apolo para Rocky Balboa no 3º filme da série. Não posso deixar o "sistema" me civilizar a ponto de me tornar alguém lasso e conformado com tudo e sem gana para meus objetivos de vencer... Isso pra mim é muito real... não perder a gana! E não perder o olhar!



20/12 - Neste sábado corri em Osasco os 3 km da tabela. Amanhã, não poderei correr o longão, mas já corri 10 km na quinta 18/12, lá em Brasília.


Eu me programei para fazer 16 treinos entre novembro e dezembro para sair do zero de condição física e correr os 15 km da São Silvestre no último dia do ano. A dificuldade seria muito maior que a física porque meu trabalho não me permite rotina e o estresse é violento.


Hoje, eu completei 15 treinamentos e diria que já foi um percurso heroico. Faltam 11 dias para a corrida e eu preciso me cuidar porque estou cansado, apesar de mais preparado. Agora é descansar e me concentrar no objetivo e fazer mais um ou dois treinos antes do dia 31. É isso!




28/12 - Estou em Uberlândia e terminei meu treinamento para correr a 90ª Corrida de São Silvestre. Será a minha 7ª participação nos últimos 8 anos.

Na sexta-feira, corri 3 km e no sábado corri 5 km no Parque do Sabiá. Resolvi descansar nos últimos três dias antes da prova.


Corri e andei em dezembro 47,5 km em 8 treinamentos. Somando novembro e dezembro, foram 17 treinos. Está bom. Fiz o possível e não posso reclamar de nada. Meu corpo aguentou. Estou cansado devido ao ano duro que tive de trabalho e preciso de férias, mas posso afirmar a mim mesmo que estou melhor fisicamente hoje do que há dois meses.


Eu vou com determinação para suportar os 15 km da prova e sei que estará muito calor. Vai dar certo.


domingo, 9 de novembro de 2014

O Tempo e o Vento – A mesma crítica política um século depois





Refeição Cultural

O Retrato II – 4º volume

Ao ler as críticas dos personagens lá nos primórdios da República Brasileira após a frustração do embate político para a eleição presidencial entre o candidato situacionista, Hermes da Fonseca, e o da oposição pela campanha civilista, Rui Barbosa, vemos comentários muito semelhantes aos que presenciamos em 2014 nas eleições presidenciais entre a candidatura de Dilma Rousseff (PT) e Aécio Neves (PSDB). As críticas são semelhantes, mas os contextos completamente diferentes. Vemos a mesma agressividade à flor da pele, embate político marcado por certo ódio e com possibilidades remotas de conciliação entre as partes.


DESDE SEMPRE, REPÚBLICA SEM POVO

(Rodrigo Cambará, conversando com a tia Maria Valéria, revoltado pelo candidato dos militares ganhar a eleição do civilista Rui Barbosa)

“- Palavra de honra. Esse país não tem jeito. Só uma revolução.
Soergueu-se na cama, e, como se a frase anterior tivesse sido dita por ela e não por ele, perguntou:

- Fazer uma revolução com quem? Com o povo? Mas não é possível ir contra as classes armadas! (Na verdade não se estava dirigindo à tia, mas aos leitores d’A Farpa.) Neste pobre país parece que nada se pode fazer sem o concurso dos militares. Foram civis como Castilhos, Patrocínio, Bocaiuva e outros que fizeram a república com ideias. Mas na hora de dar o golpe, desgraçadamente recorreu-se ao Exército. O primeiro presidente foi um marechal. E que fez ele? Dissolveu o Congresso. Agora, pra mal dos pecados, parece que vamos ter outro soldado na presidência. Outro Fonseca! Este país está perdido. Só uma revolução!” (pág. 299)


GAÚCHOS: ASPEREZA ESPARTANA, SEGUNDO DESCRIÇÃO DA OBRA

“(...) Pensou no pai... Como acontecia com quase todos os homens do campo, Licurgo Cambará desprezava o conforto. Gaúchos como ele em geral dormiam em camas duras, sentavam-se em cadeiras duras, lavavam-se com sabão de pedra e pareciam achar indigno de macho tudo quanto fosse expressão de arte, beleza e bom-gosto. Isso explicava a nudez e o desconforto de suas casas, a aspereza espartana de suas vidas.” (pág. 301)




RUI BARBOSA X HERMES DA FONSECA

“Chiru e Saturnino entraram a discutir animadamente as eleições. Nos primeiros dias de março o Correio do Povo publicara alguns resultados parciais das cidades, que acusavam pequeno saldo de votos favorável a Rui Barbosa. Agora, porém, vinham de todo o País telegramas desanimadores para os civilistas: o Marechal estava vitorioso na maioria das urnas, e tudo indicava que o candidato oposicionista se encontrava irremediavelmente derrotado. Rui Barbosa lançara um manifesto, afirmando que as eleições haviam sido feitas sob pressão do governo, à sombra da fraude: os hermistas subtraíam as atas ou as falsificavam. A propalada neutralidade de Nilo Peçanha – clamava o candidato civilista – era como as saias postas em moda na França por Mme de Maintenon para esconder a barriga das mulheres grávidas.” (pág. 303)


O PENSAMENTO DA ELITE TACANHA SEGUE O MESMO UM SÉCULO DEPOIS

“- Mas que absurdo! – protestou Rodrigo – Para principiar: como por em prática esse individualismo aristocrático?
- Muito simples – replicou Rubim, com sua voz de flauta. Tomou um gole de champanha. – Nietzsche preconiza, e nisso estou plenamente de acordo com o Mestre, a formação do Estado militar.
- Tenente! – repreendeu-o Jairo, sorrindo.
- Estamos entre amigos, coronel. Mas, como dizia, só esse Estado militar é que poderá consolidar o domínio da casta superior, usando a força para organizar disciplinarmente todos os recursos sociais...
- Mas será uma ditadura insuportável! – atalhou-o Rodrigo. E tomou com fúria um largo gole de champanha, enchendo logo em seguida a taça com vinho branco.
- isso mesmo. Uma ditadura. E insuportável, sim, para as classes inferiores. Porque será preciso esmagar sempre todas as tentativas de insurreição das massas.”


(COMENTÁRIO: ler esse sujeito falando é o mesmo que ver em 2014 o que a elite e os tucanos pensam sobre governar para poucos e o tratamento do povo como caso de polícia)


SEGUE

“Don Pepe levantou-se, avançou para o tenente de artilharia e, erguendo a mão que segurava o copo, como se fosse atirar vinho na cara do militar, bradou:
- Pero no hay fuerza humana que pueda detener las masas!
Rubim limitou-se a lançar para o espanhol um rápido olhar neutro.
- O Brasil – continuou – é um país novo e informe, que só poderá ser governado mediante uma ditadura de ferro.
Jairo estava escandalizado.
- Tenente, o senhor está se excedendo!
Rubim sorriu e encheu o cálice de vinho.
- Coronel, estou apenas dizendo o que penso.
- Deus nos livre de ter o tenente um dia na presidência da República! – exclamou Rodrigo.
Olhou para Pepe, que começava já a dar seus passinhos para diante e para trás, e viu nos olhos do anarquista duas bombas prestes a explodir.
- Essa casta superior – prosseguiu Rubim, cruzando as pernas – não deverá de maneira nenhuma preocupar-se com a educação das classes populares. O cultivo das massas pode prejudicar os objetivos mais altos do Estado, isto é, a formação da aristocracia...” (pág. 304/305)


ARROGÂNCIA DE PARTE DA CLASSE MÉDICA VEM DE LONGE (FELIZMENTE HÁ EXCEÇÕES)

“Isso não vai lhe custar nada. A consulta é grátis. Os clientes balbuciavam agradecimentos e se iam. Rodrigo então abria as janelas para deixar entrar o ar fresco, lavava as mãos demoradamente com sabonete de Houbigant, tirava do bolso o lenço perfumado de Royal Cyclamen e agitava-o de leve junto do nariz. Concluía que o sacerdócio da medicina, visto através da arte e da literatura, era algo de belo, nobre e limpo. Na realidade, porém, impunha um tributo pesadíssimo à sensibilidade do sacerdote, principalmente ao seu olfato. Rodrigo comovia-se até as lágrimas diante da miséria descrita em livros ou representada em quadros; posto, porém, diante dum miserável de carne e osso – e em geral aquela pobre gente era mais osso que carne – ficava tomado dum misto de repugnância e impaciência. Achava impossível amar a chamada ‘humanidade sofredora’, pois ela era feia, triste e mal-cheirante. No entanto – refletia, quando ficava a sós no consultório com seus melhores pensamentos e intenções – teoricamente amava os pobres e, fosse como fosse, estava fazendo alguma coisa para minorar-lhes os sofrimentos. Não tens razão, meu caro Rubim. Podemos e devemos elevar o nível material e espiritual das massas. Tenho grande admiração por César, Cromwell, Napoleão, Bolívar; foram homens de prol, dotados de energia, coragem e audácia, figuras admiradas, respeitadas e temidas. Mas para mim, meu caro Cel. Jairo, é mais importante ser amado que respeitado e mesmo admirado. O tipo humano ideal, o supremo paradigma, seria uma combinação de Napoleão Bonaparte e Abraão Lincoln. O ditador perfeito, amigos, será o homem que tiver as mais altas qualidades do soldado corso combinadas com as do lenhador de Illinois. O diabo é que a bondade e a força são atributos que raramente ou nunca se encontram reunidos numa mesma e única pessoa. A menos que essa pessoa seja eu – acrescentou, um pouco por brincadeira e um pouco a sério.” (pág. 312)


MÉDICOS NÃO SABEM NADA: VÃO MAIS É NA APALPAÇÃO

(conversa entre o velho médico de Santa Fé e Rodrigo Cambará, o novo)

“- Já fez alguma burrada?
- Acho que sim.
- isso é do programa. Não se impressione. Acontece com todos. No final de contas os médicos não sabem nada. Nem os grandes do Rio de Janeiro nem os figurões da Europa. Todos vão mas é no palpite, na apalpação.
- Eu sei.
- E se a gente fosse pensar no que não sabe e nas doenças que não têm cura, acabava ficando louco. Tu pensas?
- Faço o possível pra não pensar.
- Olha, vou te dar um conselho. Não vás muito atrás de conversa de doentes. Eles falam demais. E quanto mais falam menos a gente entende o que é que estão sentindo.
- Já descobri isso.
- E mesmo quando não for caso de dar remédio, dê remédio, porque o paciente desconfia do doutor que não receita muita droga. E quando estiver diante dum caso complicado e ficar no escuro, receite uma dose pequena de citrato de magnésia. Não faz mal pra ninguém. É só pra ganhar tempo e estudar melhor o caso. Mas não digas nunca que não sabes. O doente pode perder a fé... e adeus, tia Chica!
- Muito obrigado pelos conselhos, doutor.” (pág. 317)


MELHOR QUE MÉDICO, SÓ AS BENZEDEIRAS

“- E não te iludas com a clientela. No fundo essa gente acredita mas é nessas negras velhas benzedeiras e nos curandeiros. E quando a gente não acerta logo com o remédio pros achaques deles, procuram logo o índio Taboca, que vem com as suas aguinhas milagrosas e suas benzeduras.
- Em caso de aperto – sorriu Rodrigo – o recurso então é pedir uma conferência médica com o Taboca.” (pág. 318)


O DESPEITO DO DOUTOR BRANCO EM RELAÇÃO AO CURANDEIRO E AO PEÃO

(após contar que o Taboca salvou um peão picado de cobra)

“Olhando para o peão, Rodrigo fez reflexões amargas. Taboca, um curandeiro índio, acabara de salvar a vida do negro Antero, que no Angico partilhara com ele, Dr. Rodrigo, o amor da chinoca Ondina. Era o desprestígio da raça branca, da cultura e da ciência! – concluiu, sorrindo e achando tudo aquilo muito estranho. Chers Messieurs Richet et Charcot, estais convidados a explicar os mistérios das milagrosas aguinhas do Taboca! Porque moi, eu desisto.” (pág. 319)


DIGESTÃO CULTURAL

Relendo esses trechos do capítulo Chantecler, do quarto volume de O Tempo e o Vento, fiquei impressionado com a atualidade dos debates e dos discursos ao relembrar o horror que estamos vivendo na atualidade em nosso país, após as eleições presidenciais de 2014. O mesmo ódio, a mesma arrogância de classe “superior” versus a “massa inculta” e coisas do gênero.

Que dizer então dos últimos trechos sobre a arrogância de alguns médicos brancos, filhos da elite, que ao exercer a profissão, chegam a ter nojo dos pobres “mal-cheirantes” como disse o nosso herói Dr. Rodrigo Cambará?

Nas primeiras citações que fiz, é destaque e fica claro que por dezenas de anos, a política e o Estado ficaram na mão das elites, que disputavam entre si, o domínio e os bens públicos, para total apropriação do público para uso privado pelas elites brancas seculares. Até que no século XXI de nossa era surge um metalúrgico, oriundo das classes populares, e vindo da região mais explorada do país, o Nordeste, e vence as eleições presidenciais e começa a mudar o país, a contragosto das elites dominantes desde sempre.

É isso.



As coisas estão aí. É só abrir os olhos e ver. E vendo, compreender o que está em jogo. Há que se ter lado, e o meu é o da classe trabalhadora, é contra as elites históricas que tratam o povo como gente inferior. Eu detesto essa tal “aristocracia”!

William

domingo, 2 de novembro de 2014

Compreender o motivo das coisas não é perdoar


Posso até fazer cara de Monalisa nos espaços de
representação social, mas eu tenho lado, estou
com os humildes e com os trabalhadores e
contra fascistas e golpistas de toda espécie.

Refeição Cultural

"A principal tarefa do historiador não é julgar, mas compreender, mesmo o que temos mais dificuldade para compreender. O que dificulta a compreensão, no entanto, não são apenas nossas convicções apaixonadas, mas também a experiência histórica que as formou. As primeiras são fáceis de superar, pois não há verdade no conhecido mas enganoso dito francês tout comprendre c'est tout pardoner (tudo compreender é tudo perdoar). Compreender a era nazista na história alemã e enquadrá-la em seu conceito histórico não é perdoar o genocídio. De toda forma, não é provável que uma pessoa que tenha vivido este século extraordinário se abstenha de julgar. O difícil é compreender." (Eric Hobsbawn - Era dos Extremos)


O povo brasileiro está vivendo uma espécie de transição da construção conceitual de Sérgio Buarque de Holanda, em seu Raízes do Brasil, de que o povo brasileiro seria "cordial". Talvez estejamos caminhando para uma nova fase conceitual. Não sei que nome será fixado para o novo padrão de intolerância que está se estabelecendo na população brasileira.

Agora há linchamentos nas ruas. Pessoas e famílias são atacadas por brucutus ou hordas de pessoas por serem militantes ou simpatizantes de partidos (do PT para ser mais claro). Aumentou a intolerância contra gays, negros e nordestinos.

Com a extensão do período democrático no Brasil (pós-ditadura de 1964-85), o mais longo período até agora em nossa jovem república, as minorias tradicionalmente empoderadas - elite branca, patriarcal, católica, escravocrata e machista - que dominaram o país por cinco séculos e que perderam o poder pela via democrática após a entrada no século 21, conseguiram (ou estão conseguindo) estabelecer um novo padrão no comportamento do povo brasileiro.

Após as eleições presidenciais de 2010 entre José Serra do PSDB e Dilma Rousseff do PT houve um aumento perceptível nos níveis de intolerância ao outro, ao diferente de si, em relação à chamada diversidade de grupos. Por não apresentar programas e propostas factíveis no âmbito da política para a população brasileira, o PSDB passou a receber o apoio progressivo e programático das famílias que dominam os meios de comunicação no país, concentrados perigosamente nas mãos de alguns bilionários. Aliás, esses grupos midiáticos se fortaleceram enormemente DURANTE a ditadura civil-militar de 1964-85.

A proposta da oposição ao governo Lula da Silva (2003-2010) passou a ser uma só: interromper os mandatos do PT e seus programas sociais a qualquer custo político e ou social.

O que começou a se estabelecer em 2010 acabou por se efetivar durante e após as eleições presidenciais de 2014. O PSDB de Aécio Neves, Geraldo Alckmin, FHC, José Serra, Aloysio Nunes etc passou a ser um partido de direita e arregimentou o que há de mais retrógrado em termos de grupos com ideologia e valores fascistas. Temos agora uma direita brasileira que se apresenta como tal.

A liderança maior do PSDB, o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso, está liderando juntamente com as maiores estrelas do partido, a incitação a golpes civis-militares. As lideranças desse partido estão convocando o povo brasileiro para manifestações pedindo impeachment da presidenta legitimamente recém-eleita, Dilma Rousseff.

Estão no silêncio (criminoso) e muitos estão apoiando a caça e perseguição de militantes do Partido dos Trabalhadores e simpatizantes e eleitores de candidatos do PT. Alguns imbecis, mais trogloditas que a média, estão atacando pessoas que usam as cores vermelhas.

É lamentável! O Brasil não será mais o mesmo... mas o Brasil e o povo brasileiro serão o quê daqui adiante?

Agora vemos familiares e pessoas que conhecemos pedindo a volta da ditadura militar... vemos pessoas que vivem do trabalho manipuladas pelos veículos de comunicação da direita fascista (é isso mesmo, direita fascista!) berrando e urrando morte aos nordestinos; urrando a extinção de um partido e seus membros (o PT); dizendo que o povo pobre e trabalhador que vota por interesses legítimos no partido que melhorou sua vida é ignorante e burro; comunidades de médicos pregam a castração de eleitores do norte e nordeste... (que nojo de gente assim!)

Usei a frase do grande mestre Eric Hobsbawn para tecer essa minha breve refeição cultural (indigesta) porque compreender não é perdoar o que as pessoas que eu antes respeitava e agora não respeito mais estão fazendo... pregando o ódio, pregando o golpe, pregando até a eliminação física de gente como eu, que sou de esquerda sim, voto no PT e não sou corrupto (aliás, tenho comigo que corruptos são os tucanos que nunca são investigados e seus apoiadores, que, em geral, são corruptores no dia a dia civil - porque fecham os olhos para a corrupção tucana...).

Eu sou um defensor da Política como meio de realizar mudanças sociais, sem guerra, mortes e sofrimento. Mas se este é o novo Brasil e o novo povo brasileiro, paciência!

Vamos ter que conviver com isso e defender as bandeiras que sempre defendemos em prol da classe trabalhadora.

William


domingo, 26 de outubro de 2014

Parabéns Presidenta Dilma Rousseff - Esse olhar de altivez diz tudo!



Esse olhar de altivez de uma jovem torturada em nome da
democracia brasileira diz tudo. O respeito a ela seria o mínimo
por parte das pessoas que eu conheço. As ofensas que ouvi
direcionadas a Dilma Rousseff me agrediram profundamente.
É difícil esquecer, mas seguimos com ética em nome dos
projetos da classe trabalhadora.

Parabéns presidenta Dilma Rousseff pela reeleição!

Eu escolhi esta foto da senhora por causa da força e altivez deste olhar de uma mulher apaixonada pelo Brasil. A foto diz tudo. 

Esta foto impõe e pede respeito a tod@s, inclusive aos que não votariam na senhora porque foi tirada perante uma trupe de militares covardes que usurparam a democracia brasileira e realizaram um golpe militar apoiado por parte da elite canhestra deste país e pelos meios de comunicação monopolizados desde sempre por meia dúzia de famílias.

Esta eleição foi novamente marcada por muita covardia por parte da mesma imprensa golpista que derrubou João Goulart em 1964 e extrapolou todos os limites da legalidade e da ética. Aliás, parte dos cidadãos que não votaram hoje na sua candidatura foram contaminados por um ódio fascista plantado pelo PSDB, representante atual do que há de mais conservador e reacionário na atualidade.

Assim como parabenizo a presidenta do Coração Valente, eu também agradeço e parabenizo toda a unidade construída pelos partidos de esquerda, pelo sindicalismo combativo, pelos movimentos sociais progressistas e pela volta da militância petista, da juventude, dos estudantes, dos intelectuais, dos artistas e demais segmentos da sociedade que se uniram contra o retrocesso representado pela candidatura tucana.

Conclamo a partir de amanhã a construção de uma grande unidade no arco da esquerda progressista para enfrentarmos os quatro anos de mandato da presidenta Dilma Rousseff do Partido dos Trabalhadores.

Teremos muitas dificuldades pelo cenário do novo Congresso Nacional, o mais conservador em décadas, e pelo ódio plantado pela direita, pelos tucanos e pela mídia golpista.

Nós temos que agregar tod@s aquel@s que não compactuam com os valores do fascismo, da intolerância e do ódio de classes, de ódio de raças, de origem, de religião, de orientação sexual e temos que agregar tod@s que não compartilham de valores contrários à inclusão das minorias e dos direitos da classe trabalhadora.

O Brasil será diferente daqui adiante. As pessoas e os segmentos diversos da sociedade se posicionaram a favor de um dos projetos. Esse é o momento de união entre aqueles que construíram a vitória do projeto que traz perspectivas de avanços da classe trabalhadora e dos mais pobres.

Para aquel@s que defendiam o projeto do retrocesso, vocês terão o meu respeito como representante eleito de trabalhadores e como cidadão, pai de família, bancário e militante de esquerda. 

Que venham a reforma política através de uma constituinte exclusiva e a regulamentação da mídia.

De minha parte continuarei buscando ser uma pessoa melhor a cada dia, principalmente no trato de tod@s as pessoas que estão na minha relação de vida.

Mas eu tenho lado e defendo projetos que acredito serem melhores para a classe trabalhadora e o povo brasileiro mais simples.

William Mendes
Cidadão


Post Scriptum:

Estou horrorizado! No momento em que estou finalizando este texto, estou vendo tanta postagem de familiares meus em redes sociais que são criminosas. Frases dizendo coisas contra ser nordestino, que nós que votamos em Dilma e a favor dos projetos da classe trabalhadores somos... não vou repetir aqui. Espero que a Polícia Federal consiga processar o máximo possível de brasileiros que estão neste momento cometendo esses crimes de xenofobia nas redes sociais.

sexta-feira, 17 de outubro de 2014

O nazismo se embrenhou na carne e no sangue por meio das palavras


"Não, o efeito mais forte não foi provocado por discursos isolados, nem por artigos ou panfletos, cartazes ou bandeiras. O efeito não foi obtido por meio de nada que se tenha sido forçado a registrar com o pensamento ou a percepção conscientes. O nazismo se embrenhou na carne e no sangue das massas por meio de palavras, expressões e frases que foram impostas pela repetição, milhares de vezes, e foram aceitas inconsciente e mecanicamente. [...]"


(Victor Klemperer, em LTI - A Linguagem do Terceiro Reich)


COMENTÁRIO


Lendo a obra do filólogo Victor Klemperer, cada dia que passa, mais me convenço do risco que estamos vivendo no Brasil da ascensão do fascismo, que sempre usou de ferramentas de comunicação para atuar no inconsciente das massas.

Os meios de comunicação concentrados em poucas famílias em nosso país, estrutura organizada principalmente durante os anos de chumbo da ditadura civil-militar no Brasil - golpe contra o governo do presidente João Goulart -, fez com que se estabelecesse desde os anos sessenta até hoje, um "poder imagético de verdade" construído por esses bilionários donos dos veículos de comunicação que decidem qual a pauta a se falar, ouvir, ler e ver até a exaustão. É impossível um cidadão se livrar das manchetes nos jornais televisivos, capas de jornais e revistas nas bancas e painéis nas áreas de grande circulação, nas rádios etc.

Omite-se a corrupção dos aliados, no caso dessa mídia brasileira a corrupção do partido PSDB e aliados, e se exponencia denúncias de corrupção do governo que a mídia quer derrubar - no nosso caso brasileiro os governos do PT, PCdoB e aliados.

Estamos vivendo dias de Blitzkrieg (termo alemão para "guerra-relâmpago") contra a candidata Dilma Rousseff do Partido dos Trabalhadores.

Até nossos amigos e familiares, quando veem, já estão sendo manipulados pelos meios de comunicação para tenderem a estar do lado de nosso inimigo, nosso algoz, que tem como proposta ou chavão de governo "a mudança". No caso brasileiro seria "mudar" o que? 


Eleições 2014 opõe Dilma PT x Aécio PSDB.
Imagem site Luis Nassif.


Mudar o que com o PSDB?


Maior geração de emprego 
X 
mudar para desemprego
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Aumentos reais de salário 
X 
mudar para redução de salários
------------------------------------------------------------------------------
Crédito popular 
X 
mudar para redução do crédito para "reduzir inflação"
------------------------------------------------------
Bancos públicos fortes e atuantes na economia 
X 
mudar para fim da "intervenção" dos bancos públicos ("livre-mercado")
------------------------------------------------------
Políticas sociais inclusivas para milhões de pessoas 
X 
mudar para redução porque isso é assistencialismo
------------------------------------------------------
Combate a corrupção de qualquer segmento social 
X 
mudar para voltar a prender ladrão de galinhas e apuração "eletiva" (dos outros)
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Enfim,

Meu povo brasileiro trabalhador, converse com seus pares e vamos votar contra a volta ao passado e vamos seguir avançando com mais democracia, mais tolerância, mais inclusão social e distribuição de renda a partir do trabalho. 

Isso sim, é lutar contra o fascismo e o elitismo para poucos.

William Mendes

sábado, 11 de outubro de 2014

Eleições 2014 – Carta aos meus queridos familiares


O povo brasileiro elegerá no próximo dia 26 de outubro qual país queremos nos próximos anos para nossos filhos, familiares e amigos. Há dois projetos de país em disputa, projetos completamente antagônicos. Eu venho de uma família de origem muito simples e humilde – uma família típica da classe trabalhadora brasileira. Família que vive da venda de sua força de trabalho - proletários e subproletários. Não somos descendentes das famílias tradicionais proprietárias de terras, latifundiárias, de grandes empresários, do pequeno grupo de elite (cerca de 5%) que sempre explorou o povo desta terra como, por exemplo, as pessoas da minha família.

No dia 26 de outubro, o povo brasileiro, em sua imensa maioria gente como a minha família, que vive do trabalho, escolherá um dos dois projetos apresentados, o do PT ou o do PSDB, que representam esses dois segmentos de classe que falei acima.


POLÍTICA NÃO SE DISCUTE? CUIDADO COM OS “DITADOS POPULARES”!

Diz um ditado popular que “religião, futebol e política não se discute”. Como estudioso que sou de história, literatura e filologia, digo que esse ditado não é uma construção inocente. Ele foi criado pelos donos da Casa Grande (que eram donos das coisas e das pessoas), porque a política antes do povo conquistar seus direitos - faz poucas décadas - era decidida pelo voto censitário, só pelos proprietários brancos e donos de tudo. Eles diziam que mulheres, pobres brancos e mestiços, negros (escravos ou libertos) e outras minorias não deveriam votar.

Hoje, felizmente e com muita luta popular, o voto é direito de todos (e a elite chama de ignorante e mal informada a classe trabalhadora que vota nos projetos que defendem os seus interesses de classe). A classe dominante burguesa odeia a conquista do modelo eleitoral “Uma Pessoa, Um Voto”. Esse sempre foi o grande sonho de líderes pacifistas que defendiam mudanças em seus países através da política como, por exemplo, Nelson Mandela: “One Man, One Vote”.

Queridos familiares, que são inclusive amigos, eu peço que vocês leiam estas minhas palavras porque religião é algo da fé e é de cunho pessoal. Futebol também acaba sendo de cunho pessoal porque, quando vemos, já estamos com o coração capturado por algum time. Religião e futebol estão no campo da emoção, da subjetividade. Por outro lado, Política não! Política é algo da razão. Política é decisão pessoal de efeito coletivo para todos nós, principalmente da classe trabalhadora, que vivemos do trabalho. Ou seja, se o projeto de governo reduzir emprego e salário (como proposto pelo PSDB), o efeito de votar naquele projeto vai destruir nossa vida e nossa família. E nossa comunidade ou país.


O PROJETO DE DILMA (PT) É UM PROJETO DE E PARA A CLASSE TRABALHADORA

O projeto que Dilma Rousseff (PT) representa é o que tem como foco as dezenas de milhões de trabalhadores como os da minha família. O projeto que Aécio Neves (PSDB) representa é o dos latifundiários, banqueiros, donos de veículos de comunicação, famílias da alta elite, que vivem de renda e patrimônio sugando as riquezas do Estado Brasileiro há décadas. É por isso que me dirijo aqui aos meus familiares, pedindo a eles o voto e o apoio a Dilma Rousseff na eleição presidencial, é porque sou e estou na liderança da luta de classes há muito tempo e preciso dizer isso aos meus queridos familiares, gente que hoje se situa nas chamadas classes C, D e E. Gente que continua sendo o foco do projeto do Partido dos Trabalhadores.


PROJETO DE AÉCIO (PSDB) PROPÕE PREJUÍZOS PARA A CLASSE TRABALHADORA

Eu tomo a liberdade de me dirigir aos meus queridos familiares porque me desespera ver gente trabalhadora, que tem a mesma origem e classe que eu, dizer que vai votar no projeto de país do PSDB. Meus queridos, apesar da vida não permitir que tenhamos um contato maior, até porque trabalhamos muito e pouco tempo nos sobra para viver ao sabor do ócio, como os rentistas e proprietários fazem, devo lhes dizer que os projetos de Aécio, que são públicos, incluem várias propostas que serão uma tragédia para vocês que vivem do trabalho.

Aécio e Armínio Fraga propõem a redução do emprego, a redução dos salários e a redução dos direitos trabalhistas porque dizem que o povo está consumindo demais e que o Brasil teria que se igualar a países que exportam muito como, por exemplo, a China que não tem direitos sociais. Mas o Brasil se salvou da crise de 2008 justamente porque o governo concedeu crédito, manteve os níveis de emprego e o povo continuou consumindo. Foi crescimento interno que nos salvou!

Aécio e Armínio propõem a redução do crédito e do papel dos bancos públicos em benefício dos bancos privados como, por exemplo, Bradesco, Itaú e Santander. Na verdade, eles tentam esconder que o Banco do Brasil, Caixa Federal e o BNDES salvaram o país após a crise de 2008, salvaram a indústria e o comércio alimentando o crédito brasileiro em bilhões de reais. E olha que todos esses bancos continuam dando lucros ao governo porque o crédito ao povo e às indústrias e comércio brasileiros é bom para todos no país.

O projeto do PSDB inclui o aumento da taxa básica de juros, que no governo do PSDB entre 1994 e 2002 chegou a 45%, entregando a metade da riqueza do país para os 5% de famílias que vivem de renda, aquelas que citei acima. A desculpa é o controle da inflação, mas é mentira porque a média de inflação nos governos do PT é de 5,87% (2003-2013) e a média nos governos do PSDB é de 9,24% (1995-2002), mesmo dilapidando todo o patrimônio público nacional.

Então, não se deixem enganar pela imprensa que defende o projeto do PSDB.


FAMÍLIA TÍPICA DA CLASSE TRABALHADORA BRASILEIRA

Minha família, típica de gente simples da classe trabalhadora, se distribui no país principalmente nos estados de São Paulo, Minas Gerais, Goiás e Mato Grosso. Não é preciso dizer o quanto estão sob a influência pesada e claustrofóbica dos meios de comunicação tradicionais de TVs, rádios, revistas da Abril e jornalões, todos de algumas famílias bilionárias que usam esses veículos num massacre diário contra o PT e sempre escondendo as mazelas de seus favoritos do PSDB, DEM e apaniguados, visto que são representantes da mesma classe – a patronal.

Minha família tem trabalhadores braçais, como eu fui por muitos anos; tem aposentados que recebem aposentadorias corrigidas anualmente desde 2003 e que ficaram congeladas nos 8 anos de governo do FHC/PSDB; muitos recebem 1 (um) salário mínimo, que aumentou 72,31% acima da inflação nos governos do PT.

Minha família tem comerciantes pequenos e médios; agora temos estudantes universitários, inclusive negros (até os anos noventa não tínhamos). Temos vários primos formados. Minha família tem Pessoa com Deficiência (PcD); tem pessoas que amam das formas não tradicionais, rejeitadas pela direita conservadora que discrimina e criminaliza os homossexuais e segmentos LGBTI. Minha família tem negros. Tem ex-bancários, tem advogados, enfermeiras, funcionária de supermercado (que é cipeira) etc. Tive uma tia, a querida e saudosa tia Alice, que foi gari da Prefeitura Municipal de Uberlândia.

Como podem ver, somos bem brasileiros. Nós não temos sobrenomes estrangeiros desses quatrocentões alemães, holandeses, franceses, italianos, ingleses etc (nada contra essas famílias, que fique claro). Só os sobrenomes tradicionais ainda oriundos dos exploradores portugueses. Não vou citar sobrenomes porque vou esquecer alguns.


POR QUE VOTAR EM DILMA (PT) E NÃO EM AÉCIO (PSDB)?

Por que peço para meus familiares da classe trabalhadora votarem no projeto de país representado pela candidatura de Dilma Rousseff, do Partido dos Trabalhadores? Porque é um projeto para eles, gente que vive do trabalho e que precisa continuar com as melhorias que lhes deram mais oportunidades na vida. Salários com poder de compra maior e políticas econômica e social que defendem o emprego, o crédito e programas que dão condições para trabalhadores terem casa própria, bens móveis e imóveis, comércio próprio ou profissão melhor com os avanços nas políticas sociais que Lula e Dilma implementaram.

Os aposentados ficaram os dois governos do PSDB sem reajustes sequer da inflação (foram chamados de vagabundos pelo presidente FHC). Meus tios aposentados precisam se lembrar disso, e os que não sabiam devem saber agora, porque parte deles se aposentou após a eleição de Lula em 2002.


SALÁRIO MÍNIMO NOS GOVERNOS DO PT CRESCEU 72,31% ACIMA DA INFLAÇÃO

Tenho tios que reclamam que seus salários diminuíram em número de salários mínimos. Eu explico isso, meus queridos. A política de redução dos gastos com aposentadoria empreendida pelos governos Fernando Collor e FHC nos anos noventa tinha como objetivo reduzir o gasto de 20 Salários Mínimos para no máximo 3 Salários Mínimos. O PSDB criou o famigerado Fator Previdenciário que destruiu o valor das aposentadorias para quem ganhava mais que 1 (um) Salário Mínimo. Agora os tucanos têm a cara de pau de falar que vão melhorar a vida dos aposentados! É impressionante como eles atuam para enganar nossos aposentados que tanto sofreram durante o tucanato!

O Salário Mínimo foi política prioritária do PT nesses 12 anos. Diferente do Salário Mínimo de 200 reais deixado em 2002 pelo PSDB, o Salário Mínimo dos governos Lula e Dilma do PT aumentou 72,31% acima da inflação entre 2003 e 2014 (indo de 200 para 724 reais). Essa foi a principal política para a classe trabalhadora e que mudou a história do país, junto com as políticas sociais voltadas para redução da miséria de mais de 50 milhões de pessoas, que viraram consumidoras dos produtos feitos pelos empresários (que não enxergam isso por preconceito de classe!).

Aliás, os analistas econômicos progressistas do Brasil e do mundo afirmam que isso salvou o país após a crise de 2008, onde o chamado 1º mundo quebrou. Os salários em governos tucanos são mínimos de verdade. Era 70 dólares nos anos de FHC/PSDB. Hoje é cerca de 300 dólares. Isso foi bom para os trabalhadores como os da minha família que ascenderam às classes C, D e E.


AS POLÍTICAS QUE AUMENTARAM O PODER DE COMPRA DO TRABALHADOR FORAM BOAS PARA MEUS FAMILIARES COMERCIANTES

Eu tenho familiares que têm comércio de roupas que dependem da população ter dinheiro para comprar em suas lojas; tenho primos protéticos que dependem do povo ter dinheiro para seguirem cuidando esteticamente de seus dentes (se reduzir o emprego e a renda em prol de banqueiros, como propõe o ministro Fraga que Aécio indicou, no aperto das famílias proletárias, a primeira coisa que a classe trabalhadora que ascendeu vai deixar de gastar é com estética e supérfluos); tenho tios e primos que vivem de vender produtos alimentícios, que também dependem de dinheiro na mão do povo para consumir.

Por que será que é tão difícil de alguns familiares meus entenderem isso?

A velha máxima de Marx explica isso: a ideologia dominante é a ideologia da classe dominante. 

Os meios de comunicação dessas famílias (os 5%) conseguem ter uma influência muito grande naquilo que as pessoas comuns dizem, comentam e repercutem diariamente. A classe trabalhadora passa a defender os interesses da classe dominante. (Que tristeza! Mas é assim que funciona!)


QUERIDOS FAMILIARES, PEÇO A REFLEXÃO E O VOTO DE VOCÊS

Finalizando, queridos familiares, peço que reflitam entre vocês em casa antes do dia 26 de outubro, e peço que não votem baseados no ódio que as TVs e veículos das famílias Marinho (Globo), Saad (Band), Civita (Veja e Abril), Mesquita (Estadão) e Frias (Folha) estão destilando 24 horas por dia na imprensa contra Dilma e o PT.

Esses bilionários têm lado e não é o de vocês meus queridos familiares trabalhadores. Esses empresários vivem de sugar o Estado brasileiro e estão massacrando nós todos, povo brasileiro, com uma pseudo-temática de corrupção que nunca foi tão combatida como nos últimos 12 anos de administrações do PT.

Nos governos do PT, as instituições que combatem a corrupção foram equipadas e modernizadas. A Polícia Federal, o Ministério Público, os tribunais em todas as instâncias podem investigar e condenar pessoas de qualquer partido. Nos governos do PSDB não se investiga ou investigava nada dos amigos, não se critica na imprensa (dos amigos) e tudo fica na corrupção feita, mas não falada.

Em SP e MG é proibido investigar nas assembleias legislativas e a imprensa não fica no pé dos governos amigos. Aliás, o governo do PSDB paulista compra com dinheiro público, sem licitação, por mais de 3 bilhões de reais, revistas e jornais da Abril, Folha e Estadão para serem distribuídos em escolas e repartições públicas. Vocês acham que esses veículos vão falar mal deles?

E a questão da Petrobras, então? É muita desfaçatez da imprensa golpista e dos tucanos falarem da Petrobras. O PSDB não conseguiu privatizar a Petrobras porque não deu tempo. Mas cometeu um crime de lesa pátria. Deu quase a metade das ações da nossa petroleira na Bolsa de Nova Iorque nos anos noventa. Mesmo assim, hoje a nossa empresa é fundamental para o Brasil e os royalties do Pré-Sal vão favorecer a Educação e a Saúde nas próximas décadas. Aliás, é necessário informá-los sobre o importante papel das empresas públicas nas chamadas tarifas públicas administradas (e tinha muito mais antes do PSDB privatizar quase tudo nos anos noventa). Se a Petrobras não fosse utilizada para equilibrar a inflação e subsidiar preços públicos, o preço da gasolina poderia estar o dobro (se olhar apenas preço de mercado mundial). 

Esses golpistas estão construindo um golpe nos 15 dias antes da eleição divulgando vídeo sob segredo de justiça e fazendo palco da chamada delação premiada de um golpista demitido na Petrobras, funcionário de carreira por sinal, transformando palavras de bandidos confessos em "verdades" antes do julgamento para prejudicar a candidatura de Dilma do PT. É muita canalhice! Não se enganem com essa lavagem cerebral até 26 de outubro.

E a INsegurança pública tão falada nos veículos de comunicação? A segurança é dever e alçada dos Estados da República. Mas parece que nossa insegurança é culpa exclusiva do governo federal (do PT). O mesmo se dá com reforma tributária: o PT já mandou dois projetos para o Congresso, mas os Estados não permitem votar. Sabiam disso?

Queridos familiares, peço a vocês, com humildade e convicção de quem lida com a política e luta pela classe trabalhadora há muito tempo, os seus votos no projeto de país que defende a classe trabalhadora e não os exploradores da classe trabalhadora brasileira.

Abraços fraternos de quem luta diariamente por pessoas como vocês.


William Mendes de Oliveira

Filho da Dirce e do Palmério
Marido da Ione e pai do Mário Augusto
Irmão da Telma Lúcia e tio da Stefani e do Victor Hugo
Neto das falecidas vovós Deolinda e Cornélia
Sobrinho de muitos tios e primo de dezenas de primos brasileiros


segunda-feira, 6 de outubro de 2014

Opinião sobre eleições: Imprensa paulista fortalece a direita, mas falta trabalho de base da esquerda


Crescimento da direita paulista é fruto da lavagem cerebral da mídia monopolizada, mas falta trabalho de base no movimento social progressista



Apuradas as urnas das eleições brasileiras 2014, eu fico me segurando para não dizer tudo o que penso em relação ao povo paulista.

O povo paulista reelegeu o PSDB para completar um quarto de século no Palácio dos Bandeirantes. Aliás, olha o nome da sede do governo paulista! Bandeirantes foram aqueles assassinos que dizimaram as populações que aqui estavam antes dos portugueses chegarem. 

Aqui no Estado de São Paulo, todo logradouro tem nome de assassino, torturador, generais das ditaduras brasileiras, empresários e coisas do gênero. Gente que odeia trabalhador, povo humilde, minorias diversas etc.

Alckmin do PSDB foi reeleito! Serra do PSDB foi eleito senador, tirando a vaga de Eduardo Suplicy do Partido dos Trabalhadores. Aqui em São Paulo, ser petista após a eleição de Lula em 2002 é correr risco de quase ser linchado na rua porque todos os males da humanidade são atribuídos ao PT. 

O pior é que o povo paulista – ou seja, a classe trabalhadora, inclusive – acredita. O PT seria o partido dos “corruptos”. Gente boa, honesta e limpinha é o pessoal da direita, do PSDB e quem a Folha, Estadão, revista Veja e outras porcarias da Editora Abril, CBN e demais emissoras de TV e Rádio indicarem como limpinhos e honestos.

O senador Serra vai se juntar ao senador Aloysio Nunes do PSDB. Outro senhor limpinho e honesto, caçador de corruptos da esquerda. Aloysio ganhou a eleição em 2012 de um representante das minorias, um negro da periferia de Carapicuíba, o Netinho. Marta Suplicy do PT e Netinho do PCdoB estavam liderando as pesquisas naquele ano até faltarem duas semanas, quando a estrutura da direitona paulista fez o trabalho e elegeu seu representante.

Enquanto isso, alguns juízes do STF estão avaliando se arquivam ou não as investigações sobre as denúncias de corrupção no Metrô de São Paulo, do PSDB. Aliás, o “mensalão” chamado mineiro (e não tucano) já está com decurso de prazo... tem gente que já se livrou sem julgamento. Já são mais de 10 anos...

A partir de amanhã, 6 de outubro, vai acabar a água nas torneiras paulistas. O povo vai se lascar com isso. Os mais pobres que votaram no Alckmin é que vão sentir o problema. Já foi assim lá em 2001 quando o PSDB produziu o apagão de verdade (e não o de mentirinha como disseram que ocorreria agora no governo do PT).

O país quebrou nas duas gestões do FHC/PSDB e o pobre foi quem pagou multa por não conseguir economizar energia elétrica em 2001, pois os trabalhadores já usavam o mínimo em suas rotinas de vida.

SÃO PAULO DO PSDB (2015-2018)

Alguém poderia tentar me convencer que eu deveria ficar com pena dos trabalhadores se estrepando nos trens e metrôs do Estado de SP governado pelo PSDB. 

Na boa, lá se vão 20 anos e vamos para 24 anos sem investimentos em transportes públicos porque no conceito liberal-capitalista quem é “gente boa” tem carro. Quem venceu na vida por mérito e competência tem carro. Dane-se transporte público. Isso é coisa de pobre! E dane-se que tenha trânsito também porque as propagandas mandam você fechar os vidros e se ver em outro mundo dentro do seu carrão...

Aliás, como a segurança pública é função do Estado, aqui governado pelo PSDB, nós paulistas podemos nos fechar dentro dos carros todos equipados, última geração, e dane-se o trânsito... e danem-se também os assaltos que vão nos matar a qualquer momento. Mas temos a possibilidade de blindar os carros, oras bolas!

Este é o Estado onde me nasceram. São Paulo da falta de água, do trânsito caótico nas grandes cidades, da falta de transporte público, da insegurança e da morte por violência. E a educação então? Até a USP foi sucateada. Minha nossa! Mas é o Estado do PSDB que é limpinho, honesto, cheiroso e que toda a mídia defende contra os malvados corruptos dos "petralhas"* e dos sindicatos da CUT.

Na boa, eu conheço o poder de lavagem cerebral dos veículos de comunicação das famílias paulistas limpinhas que adoram os empresários e partidos de direita aqui, mas o movimento social tem culpa também.


A ESQUERDA TEM QUE SE UNIR E MELHORAR TRABALHO DE BASE

Na minha leitura, está faltando trabalho de base no PT, nos sindicatos e nos movimentos sociais diversos, está faltando muito trabalho de base. Se cada um dedicasse mais tempo conversando pessoalmente com os seus representados ou aqueles que pretendem organizar, ao invés de querer disputar o espaço das redes sociais, ao invés de ficar com disputas internas de máquinas sindicais, ao invés de arrumar mil desculpas para não ir conversar com os trabalhadores e minorias diariamente. As coisas podem ser diferentes. Eu acredito nisso!

Se os dirigentes, militantes e lideranças não trocassem com frequência a possibilidade de contato pessoal diário por tudo quanto é desculpa para não ir às bases, a direita não teria tanta influência e capacidade de fazer os pobres, os humildes e os trabalhadores votarem e preferirem seus algozes ao invés daqueles que estão do seu lado, que são da sua classe.

É o que eu penso e acredito. Eu me emociono quando lembro do ano difícil que os militantes do PT viveram naquele ataque virulento da mídia e da direita paulista no ano que inventaram o tal do "mensalão". Era o ano de 2005. 

Nós militantes éramos massacrados psicologicamente. Eu tinha um bom trabalho de base no maior complexo de funcionários do BB, o prédio da São João. Fui acolhido pelos trabalhadores e me senti muito confortável lá ao longo daquele ano porque eu tinha um bom trabalho de base e os trabalhadores me conheciam e sabiam quem eu era.

Acredito que está faltando muito trabalho de base da esquerda e do movimento social. Trabalho de base planejado e bem organizado e com objetivos a serem alcançados. Além, é claro, de mais unidade na esquerda! Nosso pessoal do movimento está se destruindo uns aos outros. A direita é quem vai se dar bem com isso.


William Mendes
Ex-diretor do Sindicato dos Bancários de São Paulo, Osasco e região
Ex-aluno da Universidade de São Paulo

*Petralhas - Neologismo criado contra os militantes e representantes do Partido dos Trabalhadores ao estilo nazista de Hitler, que criou entre 1933 e 1945 toda uma linguagem para destruir a imagem de seus inimigos, os judeus. O filólogo judeu-alemão Victor Klemperer, sobrevivente do Holocausto, chama aquela linguagem como LTI - a linguagem do 3º Reich.