domingo, 12 de julho de 2015
Formação Econômica do Brasil - Economia escravista séc. XVI e XVII
Refeição Cultural
Comecemos citando nosso poeta português, que tanto enalteceu os feitos da gente portuguesa com a conquista do mundo pelos mares nunca dantes navegados. De propósito, cito uma estrofe que considero bonita nas palavras, mas incorreta nos atos portugueses - seria verdade o que os versos nos dizem? Que fizeram em terras africanas, asiáticas e americanas?
CANTO SEGUNDO
80
"Não somos roubadores, que, passando
Pelas fracas cidades descuidadas,
A ferro e a fogo as gentes vão matando,
Por roubar-lhes as fazendas cobiçadas;
Mas, da soberba Europa navegando,
Imos buscando as terras apartadas
Da Índia grande e rica, por mandado
De um rei que temos, alto e sublimado."
(Os Lusíadas, Luís de Camões)
SEGUNDA PARTE DO LIVRO
Economia escravista de agricultura tropical (séculos XVI e XVII)
X. Projeção da economia açucareira: a pecuária
Excertos do capítulo e comentários, quando necessários.
Como a economia na colônia era de elevadíssimo coeficiente de importações, a produção de alimentos inclusive para os escravos, em terras de engenhos, tornava-se antieconômica naquele período.
Como a utilização da colônia era para a produção monocultora de açúcar, para exportação, além de não ser interessante ocupar a terra para plantar alimentos, a metrópole não queria concorrência alguma de produção para atrapalhar o comércio do império.
"Pode-se admitir, como ponto pacífico, que a economia açucareira constituía um mercado de dimensões relativamente grandes, podendo, portanto, atuar como fator altamente dinâmico do desenvolvimento de outras regiões do país (...). Em segundo lugar estava a preocupação política de evitar o surgimento na colônia de qualquer atividade que concorresse com a economia metropolitana".
COMENTÁRIO: isso sempre foi uma tragédia econômica para o nosso país.
DIFERENÇAS NA COLONIZAÇÃO EM SÃO VICENTE E NOVA INGLATERRA
"Em São Vicente, onde a escassez de mão-de-obra resultou ser maior do que na Nova Inglaterra - o excedente de população nas Ilhas Britânicas tornou possível importar mão-de-obra europeia em regime de servidão temporária - a primeira atividade comercial a que se dedicaram os colonos foi a caça do índio. Dessa forma, voltaram-se para o interior e se transformaram em sertanistas profissionais."
PECUÁRIA, EXCEÇÃO À MONOCULTURA DA CANA
"O único artigo de consumo de importância que podia ser suprido internamente era a carne, que figura na dieta mesmo dos escravos, como observa Antonil."
"A criação de gado - na forma em que se desenvolveu na região nordestina e posteriormente no sul do Brasil - era uma atividade econômica de características radicalmente distintas das da unidade açucareira. A ocupação da terra era extensiva e até certo ponto itinerante. O regime de águas e distâncias dos mercados exigiam periódicos deslocamentos da população animal, sendo insignificante a fração das terras ocupadas de forma permanente".
A economia de criação de gados se transformou num fator fundamental de penetração e ocupação do interior brasileiro.
Como a atividade de criação de gado tinha mais atrativos que a açucareira, inclusive por causa da relação de investimentos necessários entre uma e outra, "aquele que não dispunha de recursos para iniciar por conta própria a criação tinha possibilidade de efetuar a acumulação inicial trabalhando numa fazenda de gado".
"Tudo indica que essa atividade era muito atrativa para os colonos sem capital, pois não somente da região açucareira, mas também da distante colônia de São Vicente, muita gente emigrou para dedicar-se a ela", conclui Furtado.
PECUÁRIA TERÁ IMPORTÂNCIA NA REGIÃO NORDESTINA MESMO EM DECADÊNCIA
Celso Furtado finaliza o capítulo, após explicar a dispersão da pecuária para diversas regiões, nos informando que "essa importância relativa do setor de subsistência na pecuária será um fator fundamental das transformações estruturais por que passará a economia nordestina em sua longa etapa de decadência".
COMENTÁRIO: até o século XVII a expansão da cana de açúcar no Nordeste fez a pecuária se estender sertão adentro. No século XVIII, com a mineração na região Sudeste, a expansão da pecuária se dá mais no Sul do país.
XI. Formação do complexo econômico nordestino
Os dois sistemas da economia nordestina - o açucareiro e a pecuária -, vão entrar em decadência a partir da segunda metade do século XVII.
O modelo de crescimento era sem tecnologia: "o crescimento era de caráter puramente extensivo, mediante a incorporação de terra e mão-de-obra, não implicando modificações estruturais que repercutissem nos custos de produção e portanto na produtividade".
No século XVIII a situação econômica dos produtores piora "em razão do aumento nos preços dos escravos e da emigração da mão-de-obra especializada, determinados pela expansão da produção de ouro".
NORDESTE TEM QUEDA DE RENDA PER CAPITA SECULAR
Autor nos diz que desde o século XVII até começos do século XIX (e podemos dizer até o final dos anos noventa do século XX) "a economia nordestina sofreu um lento processo de atrofiamento, no sentido de que a renda real per capita de sua população declinou secularmente".
Com estagnação da produção açucareira no Nordeste: "Não havendo ocupação adequada na região açucareira para todo o incremento de sua população livre, parte desta era atraída pela fronteira móvel do interior criatório. Dessa forma, quanto menos favoráveis fossem as condições da economia açucareira, maior seria a tendência imigratória para o interior. As possibilidades da pecuária para receber novos contingentes de população - quando existe abundância de terras - são sabidamente grandes, pois a oferta de alimentos é, nesse tipo de economia, muito elástica a curto prazo".
Com as mudanças ocorridas com a redução da produção açucareira e com a produção pecuária sendo basicamente para subsistência, "No Nordeste brasileiro, como as condições de alimentação eram melhores na economia de mais baixa produtividade, isto é, na região pecuária (...) explica-se assim que a população do Nordeste haja continuado a crescer - e possivelmente haja intensificado o seu crescimento - em todo o século e meio de estagnação da produção açucareira a que fizemos referência".
ENFIM: menor produção de açúcar, maior produção criadora e de subsistência, aumento da população nordestina no período.
COMENTÁRIO FINAL
Lá no futuro, no século XXI, um determinado povo da região Sudeste, vai alimentar forte discriminação contra o povo nordestino. É de uma estupidez incrível, porque o povo nordestino mostrou ao longo de séculos que é um povo bravo, resistente e sobrevivente, mesmo em situações de crises econômicas causadas pelas diversas formas de capitalismo predatório das classes dominantes.
Bibliografia:
FURTADO, Celso. Formação Econômica do Brasil. In: Grandes Nomes do Pensamento Brasileiro. Publifolha 2000.
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quarta-feira, 8 de julho de 2015
A inevitável emoção de ser o ouvinte de Riobaldo Tatarana!
08 07 15 > 15 15 > 8 8 >
Emoção!
Olhos cheios d'água!
Depois de tanto tempo de leitura iniciada... interrompida... nas veredas de minha vida.
Riobaldo Tatarana conta a um ouvinte, um forasteiro, em seu retiro, sua história. Seus medos. Suas dores. Seu amor!
Tantos anos! Tantas veredas...
Meu sertão, minhas veredas.
Hoje meu sertão é o Planalto Central!
As veredas? Estou embrejado em uma... mas ainda são tantas!
Meu sertão!
Minhas veredas!
Ainda quero muitas...
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segunda-feira, 6 de julho de 2015
Fim de semana focado em minha sanidade
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| Leituras de um fim de semana em busca de alimento cultural |
Refeição Cultural
Já estamos na madrugadinha da segunda-feira, 6 de julho. Quando cheguei sexta-feira do trabalho, estava bem esgotado.
Neste fim de semana, procurei dormir um pouco mais, li muito, corri, fiquei em casa com a família, falei com meus pais por telefone, assisti a coisas boas como "Planeta Terra" e um pouco da minissérie dos anos oitenta "Grande Sertão: Veredas".
Eu precisava me desligar um pouco de meu trabalho na Cassi, onde sou gestor eleito pelos trabalhadores e tenho jornada de trabalho intensa.
Corridas e preparação para fazer longa caminhada em agosto
Neste domingo à tarde, saí para correr em Brasília com uma temperatura quente (26 graus) e pouca umidade no ar. A corrida foi bem difícil e exigiu grande esforço respiratório. Mas gosto de testar meus limites. Corri 35' e estarei preparado para fazer minha caminhada de 75 km em agosto lá em MG.
Leituras para alimentar a mente, o caráter e a cultura
Neste fim de semana dei a mim o direito de esquecer um pouco o cenário político e o meu trabalho e procurei fortalecer minha sanidade lendo coisas maravilhosas.
Retomei a leitura de Grande Sertão: Veredas, de Guimarães Rosas. Parei a leitura faltado pouco mais de cem páginas. Li cinquenta páginas hoje. A leitura atenta de literatura com linguagem tão especial nos faz abrir o cérebro e alimentá-lo positivamente. Como fiz Faculdade de Letras tenho ao menos consciência do grande poder de aumento da capacidade intelectual que a leitura permite aos seres humanos.
Reli e melhorei minhas postagens sobre a importante obra Formação Econômica do Brasil, de Celso Furtado. Novamente, a linguagem é diferente da anterior. Como o próprio Furtado diz no prefácio, é um ensaio e conjuga história, economia e cultura brasileira.
De quebra, reli umas oitenta páginas da grandiosa obra de Luís de Camões - Os Lusíadas. Que coisa fantástica e que linguagem completamente diferente das duas anteriores. Ganho eu e ganha meu cérebro ao ser cutucado de forma bem melhor que ficar navegando em redes sociais (na minha opinião).
Por fim, reli um pouco dos episódios de um livro que tenho sobre a série Arquivo X - The truth is out there, the official guide to The X Files, dos anos noventa. Para descontrair em algumas noites, tenho revisto episódios quando chego do trabalho. Aproveitei e revi meu inglês, novamente linguagem diferente que cutuca meu cérebro a buscar em suas conexões o que já aprendeu.
Planeta Terra
Por fim, tenho terminado os domingos assistindo ao programa Planeta Terra. A cada semana, após os episódios, fico pensando nos seres humanos, nos animais e plantas, neste nosso Planeta e no que estamos fazendo conosco e com ele...
Nós temos como viver melhor entre nós humanos e na relação de convivência humanos e meio ambiente. Só temos que deixar de ser egoístas, ignorantes, intolerantes e sermos mais solidários, gregários e conscientes do quanto somos frágeis enquanto seres no Universo.
Refleti muito.
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quinta-feira, 2 de julho de 2015
Diário - 010715
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| Foto do dia que estive em Curitiba falando com bancários. |
Correr para abstrair e cuidar de si mesmo
Nesta quarta-feira começou o segundo semestre de 2015. Após mais um dia de trabalho pela nossa Caixa de Assistência, resolvi iniciar o mês de julho correndo.
Corri 5k em 30 minutos numa noite fria de Brasília (15°). Estava com uma preguiça quando cheguei que nem conto... vencer isso é o que nos faz bem.
Daqui a um mês farei minha caminhada na Romaria lá em Minas Gerais. A expectativa já dá uma comichão na gente.
Vou me esforçar para correr bastante neste mês de julho. Espero manter meu peso na casa dos 73 kg e seguir cuidando de meu sistema cardio-respiratório, bem como pretendo estar bem atento ao meu sistema locomotor, aquele que me carrega por mais de 70 km em menos de um dia de caminhada.
Ia fazer um artigo sobre a proposta do Banco do Brasil para a Cassi, mas vou fazê-lo amanhã. Assim refresco a cabeça e ainda vejo os vídeos do diretor do Banco falando da Cassi. Pelo que já vi... terei que fazer alguns esclarecimentos aos nossos participantes.
FASCISMO VAI CRESCENDO NO BRASIL
Estou muito focado em meu trabalho, mas eu não posso concordar em hipótese alguma com o fato de os brasileiros estarem se tornando tolerantes e complacentes com atos fascistas, xenófobos, misóginos ou outros lixos preconceituosos do gênero, como a oposição de direita e a imprensa golpista têm feito e estimulado contra o PT, a presidenta da República, Lula e outras lideranças de esquerda.
Hoje vi na internet que alguns fascistas fizeram adesivos com a senhora presidenta Dilma Rousseff (mulher, cidadã, mãe e avó) com pernas abertas em bocais de tanques de gasolina em carros (?!).
Francamente... se é pra ser assim, que comecemos logo a nos matarmos uns aos outros, brasileiros que somos, e esqueçamos a convivência em sociedade.
Lamentável a justiça não fazer absolutamente nada contra crimes como esse e permitir que fascistas assim fiquem impunes.
William
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William Mendes
domingo, 28 de junho de 2015
Junho de longas jornadas e viagens, e pouca corrida
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| Entardecer em Brasília - Planalto Central. |
Refeição Cultural
28 de junho. Domingo acabando. Estou em Brasília, Capital do Brasil.
Neste fim de semana fui ao cinema com minha esposa assistir ao filme Jurassic World, o 4º da série. O filme nos põe tensos, mas não assusta. O que me assusta mesmo são os filmes sobre Inteligência Artificial e domínio das máquinas sobre os humanos, mortais que somos. Em relação a uma provável volta dos dinossauros, eu não tenho dúvida alguma que nós humanos exterminaríamos eles novamente, assim como exterminamos qualquer espécie que tente disputar espaço conosco no planeta. Somos os animais mais destrutivos do planeta Terra, quiça do Universo.
Depois de três anos na caixa com o plástico, presente da esposa, resolvi tirar da embalagem a minissérie Grande Sertão Veredas, gravada e exibida em 1985 pela Rede Globo.
Eu tenho grande crítica à sacanagem que a tevê dos Marinho fez com a obra de Guimarães Rosa, ao denunciar logo de cara para o público, o segredo do jagunço Riobaldo Tatarana, que na obra original, narra a um estranho por dias a fio, sua vida de jagunço, seus medos, sua relação com o parceiro Reinaldo e seus sentimentos estranhos em relação a ele.
A Globo colocou no papel de Reinaldo (Diadorim) a atriz Bruna Lombardi. Este é o segredo que Guimarães Rosa mantém para os leitores durante o longo monólogo do jagunço ao visitante. Mas fazer o que? Assisti ao primeiro DVD com mais de 3 horas de duração. Faltam mais três partes do mesmo tamanho. Vale pela beleza das interpretações, pela fotografia e paisagens e pelo que significa a obra de Guimarães em si.
Li o poema O Rio, de João Cabral de Melo Neto, de 1953. Que coisa deslumbrante! Que emoção ouvir o Rio Capibaribe contar em primeira pessoa suas impressões e seus encontros desde sua nascente até Recife e o encontro com o mar. Demais!
Também assisti ao Planeta Terra. Tenho assistido semanalmente aos episódios sobre os locais mais inóspitos do mundo e as relações do mundo natural. O programa tem feito com que eu pense muito em minha vida e na vida humana em sociedade.
CORRER O POSSÍVEL É MELHOR QUE NÃO CORRER NADA
Bom, correndo neste domingo à tarde, encerrei o mês sabendo que foi muito difícil correr devido à agenda que tive e, ao fim e ao cabo, valeu ter conseguido correr 33 km em seis treinos e ainda fazer uma caminhada de uns 7,5 km. Saí para correr em condições duríssimas de cansaço e isso me faz ter orgulho pelo esforço feito.
Meu trabalho em junho foi muito difícil em termos de agenda. Viajei o tempo todo em pouco mais de vinte dias úteis: fui de Brasília a São Paulo SP, Rio de Janeiro RJ, Belo Horizonte MG, Vitória ES, São Paulo SP, Curitiba PR, Uberlândia MG e fecho o mês indo amanhã 29 trabalhar em Campinas SP. Foi um mês de muito trabalho pela entidade de saúde em que sou gestor eleito pelos trabalhadores.
Em meu caminhar neste mês, pude ver em meu contato com a natureza, um belo tucano em Uberlândia, um casal de pica-paus de crista vermelha em Brasília, e muitos muitos beija-flores, sabiás, bem-te-vis, pássaros pretos, rolinhas, pardais, tizius, anus, periquitinhos... e mais uns que não me lembro o nome. Enfim, vi muitos pássaros neste mês de junho. E muitas flores também!
CORRIDAS EM JUNHO
1. Sábado 6 DF........................ 4k em 24'
2. Domingo 7 DF......................5k em 30'
3. Segunda 15 DF....................4k em 25' 26 graus
4. Sábado 20 MG....................7,5k em 80' - caminhada em Uberlândia
5. Domingo 21 MG...................8k em 49' - Parque do Sabiá
6. Quarta 24 DF.......................6k em 38' - Noturna 19 graus
7. Domingo 28 DF....................5k em 29' - 20 graus
Fim do fim de semana, fim do mês de corrida, fim do 1º semestre de trabalho.
Estou lutando por minhas tarefas e por minha vida e saúde.
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quarta-feira, 17 de junho de 2015
Bloomsday!!! (16 de junho)
Refeição Cultural
Essa terça-feira 16 de junho foi mais um dia de teste de paciência em meu trabalho. Saí bastante estressado da Cassi. Precisei deitar uma hora e relaxar um pouco lá pelas oito da noite.
Às 21 horas da terça-feira 16 de junho, venci toda a moleza, o cansaço e a preguiça e decidi calçar um tênis e sair na noite fresquinha de Brasília para correr e salvar a mim mesmo. Não nasci para seguir o fluxo fácil e contínuo das coisas, inclusive das tendências humanas.
16 de junho - Bloomsday
Ao sair para correr, não cruzei com praticamente ninguém em meia hora de corrida pelas alamedas escuras da Asa Sul.
Já na primeira volta, avistei no relógio da rua a data 16/06 e na hora a visão me chamou a atenção. A data é uma efeméride: Bloomsday.
Eu sou uma das pessoas que conseguiu vencer as centenas de páginas da odisseia de leitura de "Ulisses" de James Joyce. Foi uma das leituras mais importantes de minha vida literária.
Ulisses, de Joyce, se trata de um livro de quase mil páginas que contém todos os gêneros literários e narra um dia da vida do personagem irlandês Leopold Bloom, do amanhecer até a madrugada seguinte.
A linguagem é tão hermética e tão difícil que eu comecei a ler e parei quase uma dezena de vezes. Cheguei a ler até a página 300 e recomecei porque não tinha sido do jeito que eu queria.
Enfim, um dia comecei a ler, peguei o ritmo, entrei na história e fui adiante até o fim. A leitura é uma epopeia cerebral, linguística e literária.
Considero uma de minhas façanhas literárias, assim como foram as leituras de A montanha mágica - de Mann, Don Quijote de La Mancha - Cervantes, Os lusíadas - Camões e Irmãos Karamazov - Dostoievisk.
Tem tantas passagens marcantes que é difícil escolher uma que seja mais diferente para citar. Imaginem um livro escrito no início do século vinte, publicado em 1922, que tinha tanta coisa diferente que escandalizou meio mundo.
Há passagens com linguagem sexual e termos chulos. Há poesia. Há dramaticidade. É demais.
A obra faz um paralelo da vida dos personagens irlandeses, retratados como pessoas comuns vivendo uma vida medíocre, com os personagens do clássico grego A Odisseia, de Homero. Leopold Bloom é Odisseu. Sua esposa é Penélope e Stephen Dedalus é o jovem Telêmaco.
Imaginem vocês como voltei eufórico e com a energia melhor após minha meia hora de corrida na noite fresca de 16º do dia 16/06.
A vida é uma experiência única! A gente nunca poderia imaginar onde iríamos parar.
Vamos continuar porque eu quero sobreviver a tudo e quero poder experimentar muita coisa ainda e testar minhas possibilidades intelectuais, literárias e me lapidar como ser humano nos próximos tempos.
Viva o Bloomsday!
Foi o momento...
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domingo, 14 de junho de 2015
Diário - 140615
Jura que amanhã não é sábado?
Fim de semana acabou. Amanhã é segunda-feira e cheguei no fim da tarde a Brasília.
Tudo o que pude fazer foi chegar a tempo de assistir ao programa Planeta Terra, que me põe a pensar no mundo e na existência.
Liguei para os meus pais. Comi uma pizza com minha esposa e acabou o domingo...
Só vou pra Cassi na parte da tarde nesta segunda.
A SEMANA
Completei uma semana de muito trabalho, mas vou dormir com a consciência leve de dever cumprido (diria até comprido...).
Participei neste domingo 14 e sábado 13 do 26º Congresso Nacional dos Funcionários do Banco do Brasil em SP. Fui para contribuir sobre o tema saúde e sobre nossa Caixa de Assistência.
Cheguei ao congresso em SP, vindo de Vitória ES, onde realizamos na sexta 12 a VIII Conferência de Saúde da Cassi ES. Na quinta 11 realizamos também a VIII Conferência de Saúde da Cassi MG em Belo Horizonte.
Na quarta 10 e terça 9 trabalhei em Brasília DF. Na segunda 8, abri a semana de périplo pelos estados do Sudeste indo ao Rio de Janeiro RJ para a 3ª mesa de negociação sobre a Cassi entre o BB e uma comissão de representação das entidades do funcionalismo.
Concluo dizendo que estamos com o coração leve porque falamos com centenas de trabalhadores e lideranças sobre as nossas propostas para fortalecer a Caixa de Assistência e o seu modelo assistencial de Atenção Integral à Saúde, pensado e definido para atender ao conjunto dos participantes do Plano de Associados e do Cassi Família. O modelo foi definido desde a Reforma Estatutária de 1996 e precisa ser plenamente implantado.
É isso. Agradeço à Anabb, Contraf-CUT, sindicatos dos bancários de Belo Horizonte, Espírito Santo e de São Paulo, Osasco e região, Aafbb e Afabb ES pelo apoio logístico e financeiro para que eu pudesse estar em todos os locais desta agenda no RJ, DF, MG, ES e SP usando menos recursos próprios para trabalhar (600 reais) porque o BB e sua representação não nos liberaram recursos para realizar esses trabalhos em nome da Cassi.
William Mendes
sábado, 6 de junho de 2015
Diário - 060615 (Dia D, ontem e hoje)
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| Dia D (6 de junho) - desembarque na Praia de Omaha, Normandia - França. Foto: Wikipedia. |
Refeição Cultural - o Dia D
6 de junho de 1944 ficou conhecido na história como o Dia D na Segunda Guerra Mundial. Os alemães nazistas já haviam dominado praticamente todo o continente europeu. O nazismo avançou de forma avassaladora após o início da guerra entre 1939 e 1944 conquistando e subjugando os povos do velho continente.
Um dos episódios mais cultuados em filmes, livros e iconografia em geral é o desembarque na Praia de Omaha, na Normandia. A praia faz parte de um conjunto de praias na Normandia onde desembarcaram os aliados para tentar recuperar o território francês, invadido e sob domínio de Hitler quase que desde o início da 2ª GM. O desembarque foi um banho de sangue com milhares de soldados aliados sendo triturados pelas metralhadoras alemãs.
Cada vez que vejo as cenas originais daquele banho de sangue e extermínio de pessoas nos campos de batalha e nos campos de concentração - no front -, jovens de diversas partes do mundo, e nos campos de concentração, os humanos escolhidos pelo nazismo e fascismo como gente a ser exterminada do Planeta - judeus, comunistas, pessoas com deficiência (PcD), ciganos, enfim, gente não ariana - cada vez que relembro a nossa história real, fico pensando porque nossa sociedade humana permite que continuemos em nome do capitalismo, do elitismo, da discriminação de classes, da intolerância ao diferente... porque a sociedade humana está sempre a semear a próxima tragédia humana da próxima guerra - civil ou não.
Hoje faz 71 anos que os países aliados buscaram toda a união global possível para vencer o nazi-fascismo. O risco totalitário do Nazismo era tão grande que foi preciso unir os adversários políticos socialistas e capitalistas. A Caixa de Pandora fora aberta quando os alemães ascenderam ao poder Adolf Hitler e teve início o 3º Reich em 1933.
Durante os seis anos civis de ascensão dos ideais nazistas e convencimento de toda uma nação alemã, do médico ao metalúrgico, dos jovens aos idosos, dos padres aos acadêmicos, entre 1933 e 1939, todos os atos fascistas cometidos pelo 3º Reich contra o povo judeu, contra os adversários políticos, contra as minorias, contra os países vizinhos, foram TOLERADOS pelos demais países do mundo, mais distantes do dia a dia alemão. Foram TOLERADOS pelas pessoas desses países. Foram TOLERADOS até pelos alemães e judeus que viviam na Alemanha e achavam que aquilo era daquele jeito mesmo, era como tinha que ser.
A 2ª Guerra Mundial, a ascensão do Nazismo e a quase conquista de todo o continente europeu pelo nazi-fascismo começou com a tolerância a todos os atos e fatos fascistas tolerados pela população comum, pela legislação instituída, pelos países e por seus líderes e instituições.
Estamos no dia 6 de junho de 2015.
Parabéns aos meus três familiares que fazem aniversário nesta data. Parabéns aos meus amigos e conhecidos que fazem aniversário nesta data.
Infelizmente, perdi a relação próxima que tinha com um de meus familiares que completam anos hoje. Desejo-lhe saúde e paz.
Na minha leitura de observador da história das sociedades humanas, estamos vivendo a ascensão dos ideais fascistas plantados pelos donos do poder capitalista.
No nosso caso brasileiro, pelas famílias donas das mídias monopolizadas, pela pequena elite centenária que sempre usurpou o povo brasileiro e pela oposição partidária ao governo do Partido dos Trabalhadores, oposição que sem ter projeto para o país que convencesse o povo pelo voto, aderiu aos ideais fascistas e golpistas dos grandes donos do poder centenário na ex-colônia Brasil.
Neste contexto e nessa fase da construção golpista e fascista em nosso país, a imprensa cínica e canalha mudou o perfil das novas gerações de brasileiros. Foram 13 anos atacando o governo de Lula e de Dilma e os governos do PT de forma parcial, cínica, canalha. Exponencia erros do PT e esconde todos os erros e corrupções de governos aliados a eles, imprensa partidária.
O chavão da "corrupção" sempre foi o mote ao longo da história da luta entre Capital versus Trabalho quando essa luta se expressa em governos eleitos democraticamente com características mais populares contra governos mais à direita, aliados aos capitalistas e donos das imprensas monopolizadas.
Eu sei que tenho que ter humildade para me relacionar com os estranhos que não me conhecem e não sabem pelo que luto e o que represento, por ser liderança eleita pelos trabalhadores. Mas tenho dificuldades em ter a mesma tolerância com as pessoas mais próximas que sabem o que sou, o que represento e pelo que luto.
Já vimos na história dos momentos de golpes e quebras institucionais que os regimes totalitários quando implantados não perdoam ninguém. A cisão é total entre amigos, conhecidos e familiares. Eu tenho tentado avisar isso nos últimos anos o tempo todo às pessoas comuns que conheço.
Enfim, desejo de verdade que não tenhamos que ter daqui a alguns anos um novo "Dia D" de união global contra um gigante totalitário nazi-fascista a dominar quase que o mundo todo.
Desejo que cada cidadão brasileiro, meus colegas bancários, meus familiares, meus amig@s, que cada pessoa reaja com firmeza aos ataques incentivados pela oposição ao governo federal e pela imprensa das famílias bilionárias do PIG (Partido da Imprensa Golpista).
Se as pessoas e as instituições legais e formais não reagirem a essa liberalização "informal" dos atos criminosos racistas, xenófobos, contra liberdade de opinião política e de caça a militantes e lideranças do PT ou aos militantes de esquerda e de movimentos sociais, nós vamos reviver o que a história nos mostra de ascensão totalitária do fascismo.
William Mendes
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quinta-feira, 4 de junho de 2015
Ideologia - As razões de ser das leis e dos discursos
"Toda lei, toda constituição e todo discurso político têm, para Montesquieu, a sua razão de ser. As instituições não nascem nem se mantêm por acaso, fora do seu tempo e lugar, sem que os costumes de um povo ou de um grupo social as produzam e reproduzam." (Alfredo Bosi, in Ideologia e Contraideologia)
COMENTÁRIO
A corrosão do caráter e a degeneração da ética e dos princípios na vida cotidiana e em todos os espaços de sociabilidade no Brasil e no mundo atual têm uma razão de ser e não são por acaso. É evidentemente uma questão ideológica.
Vivemos no mundo da internet e das redes sociais e quem domina estas ferramentas de formação ideológica, domina a mente e o pensamento dos humanos atuais...
Sem uma reação impactante e contraideológica do pequeno segmento humano progressista e humanista, nós todos estaremos fodidos com mais alguns ciclos lunares.
William
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quarta-feira, 3 de junho de 2015
Diário - 020615 (A vida como uma partida de xadrez)
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| Cena clássica de O sétimo Selo, de Ingmar Bergman. |
Jogo de Xadrez - Quase tudo na vida se parece com uma partida
Finalizei nesta terça-feira a agenda paulista de trabalho. Abordei o tema Sustentabilidade da Cassi no encontro dos dirigentes dos sindicatos da Fetec SP. No sábado já havia participado da Assembleia do Sindicato dos Bancários de São Paulo, Osasco e região que elegeu a delegação para o 26º Congresso Nacional dos Funcionários do Banco do Brasil.
E por estar em São Paulo no fim de semana, aproveitei para fazer um longão de 10k pelas ruas de nossa cidade de Osasco.
Primeira vitória no Xadrez
Eu sempre quis aprender a jogar xadrez. A imagem iconográfica que influenciou esse meu desejo tem relação com a cena do jogo entre o cavaleiro medieval e a Morte, no clássico filme O Sétimo Selo, do sueco Ingmar Bergman.
Estava voando de São Paulo para Brasília agora à noite e acabei jogando uma partida de xadrez com a máquina (a telinha) no voo da Avianca.
Já faz alguns anos que li em um livro de xadrez como se movimentam as peças e quais são as regras mais simples. Mas nunca peguei para jogar com ninguém e, jogando algumas vezes com os programas dos computadores, eu sempre perdi ou larguei antes.
Ao iniciar a partida, no voo de hora e meia, fui relembrando as estratégias básicas nas mexidas das peças - a cada movimento, observar se você não expõe suas peças ao adversário, sem contar é claro o objetivo principal - o rei.
Acabei fazendo uma analogia da partida e do jogo com a situação vivida pela Cassi e sua relação difícil com um dos patrocinadores: O Banco do Brasil. Juro que pensei nisso na hora do jogo!
Não é que eu ganhei a partida! Que show! Viva a Cassi!
William
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terça-feira, 2 de junho de 2015
Instantes - Reflexões sobre futuro (dos humanos e da Cassi)
Fiquei nesses dias pensando na questão da Inteligência Artificial. Vi um programa que nos alerta para o risco real da AI colocar em risco a vida humana, como organismo que controla o planeta. Assisti no fim de semana ao filme "Eu, robô" (2004). Continuei pensando... Não gosto do uso e do efeito da tecnologia nos seres humanos. Aliás, os capitalistas detêm os meios, mas qualquer hora, os meios (AI, por exemplo) podem subverter até esses capitalistas de m...
Tenho uma leitura de que as pessoas estão virando umas coisas meio estranhas. Ou diria que os seres humanos estão regredindo quase que só a mamíferos mesmo (é o que somos), sem os atributos culturais e de inteligência e razão construídos a milhares de anos de acúmulo.
SOBRE A CASSI - também estava aqui elucubrando após responder a uma reflexão de uma jovem companheira de luta do movimento. Eu vou gastar até a última fagulha de energia para convencer pessoas e entidades a lutar pela nossa Caixa de Assistência da forma como ela foi concebida por nossos antepassados.
A proposta do Banco desfaz a Cassi que construímos, solidária e que também responsabiliza o patrão pelas consequências de seus atos de gestão.
A proposta que apresentamos para seguir implantando o modelo assistencial da Cassi é possível, viável e o Banco tem obrigações com a saúde de seus funcionários da ativa e aposentados.
Mais que isso: o Banco tem dinheiro, recursos, e isso tem que servir para alguma coisa boa e coletiva e de efeito para as pessoas e não somente para detentores de papeis do Banco ($).
Vamos ver o que a maioria vai decidir sobre essas coisas...
William
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domingo, 31 de maio de 2015
Corridas - A saúde do Diretor de Saúde
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| Um ano à frente da Cassi. Vamos correndo e lutando pela saúde da entidade e nossa também. |
Fechei o mês de maio com uma corrida de 10 km pelas ruas de Osasco (SP) neste domingo frio e de garoa.
Estou completando um ano de mandato na Cassi neste fim de semana. Minha vida teve uma mudança radical de 2014 para cá.
Passei a ter uma rotina de trabalho com um estresse maior ainda do que já tinha como dirigente nacional dos bancários.
Por entender a importância de minha tarefa durante este período de mandato na Cassi, tenho feito mudanças necessárias para tentar reequilibrar minha energia vital e minhas forças.
Voltei a correr desde novembro do ano passado. No fim dos longos dias de trabalho e poucas horas de sono, quase parei de tomar cerveja e também optei por não cair prostrado no sofá ao chegar em casa, e decidi estabelecer uma rotina de colocar um tênis e sair para correr.
Sempre quis ser cadastrado na Estratégia Saúde da Família (ESF/CliniCassi), mas nunca deu certo quando vivia em Osasco com a família. Agora em Brasília, estamos cadastrados e já fiz dois exames de saúde no último ano.
Enfim, estou fazendo a minha parte porque isso é importante para minha família e para o trabalho que confiaram a mim.
Seguimos firmes encontrando energia para vencer os dias e lutar pelos projetos de saúde da classe trabalhadora que represento.
TREINAMENTO EM MAIO
1. Domingo 3 (DF).........................4,8 km / 30' com sol
2. Quarta 6 (DF)............................5,0 km / 30' noturna
3. Sábado 9 (DF)...........................3,0 km / 25' leve
4. Domingo 10 (DF).......................5,0 km / 29' baixei meu tempo
5. Terça 12 (DF)............................5,0 km / 28' baixei mais ainda meu tempo - show (noturna)
6. Domingo 17 (SP).......................4,0 km / 23'30" Pq. Continental
7. Quinta 21 (PE)...........................5,0 km / 32' Praia de Boa Viagem: noturna
8. Domingo 24 (DF).......................6,0 km / 37' de tarde
9. Segunda 25 (DF).......................5,0 km / 32' noturna
10. Domingo 31 (SP).....................10 km / 63' longão com muita subida, frio e garoa
O mês de maio foi diferente do anterior. Corri neste mês dez vezes, mas percursos menores. O longão deste domingo foi para não diminuir meus limites de distância. Neste mês corri em Brasília, Osasco e Recife.
Como foi um mês de muitas jornadas longas de trabalho e viagens, optei por não alongar as corridas. No entanto, fiquei muito feliz por fazer um percurso que estimo em 5k com o menor tempo dos últimos anos: 28'. Essa melhora tem sentido, porque no mês passado fiz um tempo muito bom para meu histórico na distância: foi na AABB SP.
No mês de abril corri sete vezes, mas fiz o maior longão do ano - 12 km em Uberlândia.
TREINAMENTO REALIZADO NO ÚLTIMO ANO
Novembro/2014 - 41,5 km em 9 corridas.
Dezembro/2014 - 62,5 km em 9 corridas, participei da 90ª Corrida de São Silvestre (15k).
Janeiro/2015 - 48,7 km em 9 corridas e participei da Night Run 10k do Costão do Santinho SC.
Fevereiro/2015 - 42,5 km em 8 corridas com um longão de 10k no fim do mês.
Março/15 - 51,59 km em 8 corridas, incluindo o 9º Circuito de Corridas AABB SP de 5,34k.
Abril/2015 - 46 km em 7 corridas, incluindo o longão de 12k em Uberlândia MG.
Maio/2015 - 52,8 km em 10 corridas, tendo feito uma 5k em 28' e um longão de 10k.
POR MINHA SAÚDE
Percorri correndo nos últimos 7 meses 345,59 km. No mínimo, isso me fez manter um pouco da condição cardio-respiratória e muscular nos membros inferiores, melhorei o sistema digestório e circulatório, mantive bons níveis de HDL no sangue e devo ter dormido um pouco melhor por isso.
Se estou bem ou não de saúde, é coisa a se avaliar. Por exemplo, estou com o ombro esquerdo com muitas dores. Mas sem dúvidas, estaria pior se não fosse essa agenda de corridas que forcei acontecer até agora.
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William Mendes
domingo, 24 de maio de 2015
Será que vamos voltar ao Estado de Natureza?
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| Desenhos... num momento, decidi ver como estava esse dom que também tive em certo tempo em meu eu. |
Refeição Cultural - Será que vamos voltar ao Estado de Natureza?
Fim de dia. Fim do domingo. Estou meio-que... o tempo necessário para descansar não foi suficiente. Cheguei ontem à noite do trabalho e vou madrugar para trabalhar. Mas... a vida é assim. Vou me concentrar em economizar energia porque a semana será longa até o fim do próximo sábado.
Corri pela tarde com temperatura de 24º e percebo a mudança do clima brasiliense em fim de maio; está ficando mais seco. Fiz um trote de 6k em 37'.
Reflexões a partir da observação da vida animal em estado natural
Faz algumas semanas que tenho assistido aos domingos programas abordando a vida na natureza. Isso me leva a reflexões constantes sobre a nossa vida humana neste momento em que estamos de nossa história.
A vida em estágio natural é uma eterna luta pela sobrevivência. Se mata para viver a todo instante. E sobrevivendo com água e comida, alguns seguem, outros viram comida do outro na cadeia alimentar. Nós humanos conceituamos a natureza de "bela" por suas cores, tons, animais, plantas, formações geológicas etc. Viver na natureza, sem regramento que limite ações, necessidades e desejos individuais, sem espírito de proteção e apoio coletivo em sua espécie, ou até em parceria com outras espécies, é muito difícil e com probabilidades bem menores.
Somos animais mamíferos. Simples assim. Como diz o documentário "Ilha das Flores" somos mamíferos bípedes, com polegar e telencéfalo altamente desenvolvido. Saímos do puro estado de natureza há alguns milhares de anos e paramos de viver como os animais vivem em meio à natureza selvagem.
A necessidade de proteção grupal, estabilidade, provisão de víveres e o desejo de amor e companhia nos fez construir espaços comuns e estabelecer regras e limites individuais para o bem coletivo. Desenvolvemos tecnologia ao longo de nossa história para nos ajudar a dominar o espaço e prover todas as necessidades que tínhamos e as que fomos criando.
Nessa história ao longo do tempo e por todo o globo terrestre sempre houve momentos de ruptura dos contratos sociais que definiam regras e limites. As rupturas levaram a guerras e extermínios entre nós da mesma espécie. Não podemos esquecer que nossa espécie humana também teve e segue tendo uma capacidade impressionante de extermínio de todas as demais espécies por onde quer que decidamos nos instalar. Nós destruímos e alteramos tudo ao nosso redor.
Construímos ao longo de nossa história, várias experiências positivas e negativas de sociedades com mais igualdades de direitos e com menos igualdades de direitos entre todos os participantes dessa sociedade.
Ao estudar nossa história humana, ser participante da sociedade contemporânea e olhar ao meu redor, fico assustado com o rumo que estamos tomando, nós animais mamíferos que somos. Vejo que nosso futuro está em risco e tenho uma leitura de que estamos caminhando para voltar ao Estado de Natureza, sem regras e limites definidos para termos segurança, provimento, amor e melhor perspectiva de paz.
Inteligência Artificial pode por em risco a raça humana?
Vi também um programa que mostra a preocupação de grandes mentes do ramo dizendo que há sim um risco de alcançarmos nas próximas décadas um salto tecnológico que pode fazer com que a Inteligência Artificial se torne independente de nossas ordens e autônoma enquanto espécie. Ela teria a capacidade de se estabelecer no planeta Terra exatamente como nós fizemos até hoje e nós nos tornaríamos apenas mais uma raça animal sem estar no domínio das coisas.
E a pergunta que parte dos cientistas está fazendo é qual a necessidade de se seguir nessas pesquisas? Eu não vejo nenhum sentido nisso, francamente.
Qualquer tecnologia pode ser usada para o bem e para o mal. Desde sempre. Mas ela pode ameaçar a existência humana e de outras espécies também.
Eu tenho a preferência por tentar me manter humano, utilizando meu cérebro e minha capacidade acumulada de me importar mais com a vida em coletividade e com a busca de amor e felicidade para o conjunto dos animais mamíferos humanos em suas comunidades. E logicamente isso só é possível para a raça humana se nos atentarmos também para a conservação do planeta que nos abriga e sua biodiversidade, que é um achado no cosmos, com uma multiplicidade de casualidades naturais que geraram as condições de vida como a conhecemos.
É isso!
William Mendes
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William Mendes
quarta-feira, 13 de maio de 2015
Diário - 130515
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| Brasília! |
Madrugada de quarta-feira 13.
Mas vamos falar da terça-feira 12, que foi o dia da primeira mesa de negociação entre o Banco do Brasil e os representantes das entidades sindicais e associativas do funcionalismo para debater soluções para a sustentabilidade da Cassi - Caixa de Assistência, maior entidade de saúde no modelo de autogestão do país.
Como as partes definiram que os eleitos não estariam nesta primeira mesa, segui minha rotina de trabalho. Terça é dia de reunião da Diretoria Executiva da Cassi. Ou seja, saí de casa cedo e voltei cerca de 21h, seguindo a rotina de umas 12 horas de trabalho diário.
Eu teria ainda uma reunião com companheiros de trabalho e aliados a respeito da agenda da quarta-feira, quando realizaremos a Conferência de Saúde da Cassi no DF.
Me veio o convite: vamos conversar tomando uma cerveja e comendo alguma coisa? Meu organismo foi rápido na reflexão e na resposta. Me desculpei e preferi ir para casa descansar um pouco para a semana que ainda terá uma longa jornada com eventos públicos e viagens na quarta, quinta e sexta.
Enfim, cheguei quase 21:30h e o que decidi? Quedar no sofá ou sair para correr?
Coloquei um tênis, um calção e fui pra rua correr. Acho que estamos em um dia considerado frio para o pessoal de Brasília: 16º.
Corpo quebrado nos primeiros passos... fui aquecendo, as dores no corpo foram sumindo.
Fiz o circuito que calculo de uns 5k. Já fiz em até 36' o percurso. Nesta terça foi fan-tás-ti-co meu ritmo pós jornada de 12 horas de trabalho.
Fiz os 5k em 28'30". Acho que foi o meu melhor tempo para esse percurso em muitos, muitos anos.
Legal! Ainda mais considerando que comecei o mês de maio todo alquebrado fisicamente. Fiz um esforço tremendo para obter bom ritmo na corrida cada vez que fui pra rua.
Já corri 5 vezes nestes 12 dias do mês.
Estou me virando como posso para me fortalecer, não quebrar e ter estrutura para enfrentar a jornada física e psicológica que tenho tido desde que iniciei a nova missão de representação.
Vou dormir agora, quase duas da manhã e acordar às sete e meia para nossa Conferência de Saúde.
Mas tudo vai dar certo. Estamos no caminho com coração forte e firme nas convicções.
William Mendes
domingo, 3 de maio de 2015
Para sempre Alice - O risco de não sermos mais nós mesmos
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| Julianne Moore interpreta linguista com Alzheimer no auge da carreira. Poster do filme (2014). |
Refeição Cultural
Sinopse do filme:
A história aborda o surgimento precoce da doença de Alzheimer numa professora de linguística ainda no auge de sua carreira, aos 50 anos de idade, e os espectadores acompanham o drama que ela e a família vivem com o avanço da doença.
Comentário e reflexões
Ver esse filme me deixou muito reflexivo. Fiquei pensando sobre a vida e sobre a minha vida.
Em relação à existência das pessoas, pensei o quanto nós somos frágeis e o quanto pode ser em vão, de certa forma, todos os nossos planejamentos, previsões e provisões para o amanhã. Por outro lado, não podemos abrir mão disso porque o que nos caracterizou como animais racionais tem muita relação com a questão do planejamento e da previsibilidade do amanhã para a comunidade e para seus indivíduos. Um dos males da atual fase do Capitalismo, a "flexível", é justamente a perda do conceito de "tempo longo" para as coisas. Richard Sennet aborda isso em seu ensaio "A corrosão do caráter".
Em relação à minha vida, ufa, fiquei durante todo o feriado pensando sobre o meu amanhã incerto e a quantidade de coisas que eu me programei para fazer em relação aos desejos de meu próprio ser. Aquilo que não tenho conseguido fazer ao longo das décadas de minha vida por ser um proletário que vive da venda da força de trabalho desde os onze, doze anos de idade. Como, por exemplo, as dezenas de livros que sonho em ler e os desafios de esporte e viagens.
Estou com 46 anos e sei que não farei nada até próximo dos 50 anos em relação aos meus desejos e realizações pessoais, além do trabalho que estou destacado a fazer que me consome a vida diária, semanal e integral. Mas cumpro minha missão com diligência e dedicação, pois sei da importância coletiva dela.
Ver o filme e lembrar das casualidades da vida me assustou. E se amanhã acontecer comigo algo do gênero e eu deixar de ser eu mesmo? O que vai ficar?
Nesta semana, durante minhas jornadas extensas de trabalho com nível de estresse nas alturas, acabei tendo algum colapso físico que me deixou uma madrugada toda mal fisicamente, com o meu corpo cobrando os excessos de dedicação ao trabalho e o estresse gerado e estive mais frágil fisicamente os dias seguintes. Agora estou só resfriado e me recuperando, mas sei que fui alertado.
Tenho uma certeza e uma clareza como a água de Bonito (MS). Sei que somos hoje o que sobrou de ontem, com toda a carga de investimentos em saúde e excessos contra o corpo e mente que fizemos, ou que nos fizeram, desde que fomos gerados. Esse corpo e mente, além das cargas genéticas, traz muita carga de trabalho pesado, hormônios mil por raivas, tristezas e outros jorros hormonais de sentimentos extremados.
A história da professora de linguística Alice Howland (Julianne Moore) me serviu para pensar por esses dias em como devo tentar fazer a minha parte em cuidar de mim mesmo porque a carga genética e os acúmulos e excessos que já trago de meu duro percurso existencial podem me pegar a qualquer momento.
Se no trabalho político, fazendo o melhor de mim até o limite, já senti a diferença absurda em relação ao apoio, companheirismo e envolvimento coletivo de quase todos que me colocaram nesta missão - porque o cenário é de dificuldades - imaginemos se eu quebrar no caminho, com quantas pessoas vou poder contar além de três ou quatro que hoje dependem de mim como esteio de família?
O filme teve neste espectador o efeito catártico que se espera da sétima arte.
Vale a pena ver.
William
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