terça-feira, 22 de outubro de 2024

Diário e reflexões



Refeição Cultural

Terça-feira, 22 de outubro de 2024.


VAMOS MELHORAR SÃO PAULO?

Hoje, no diálogo com a população da classe trabalhadora nas imediações da estação de metrô no Morumbi, usei uma abordagem de comunicação que aprendi em um texto de linguística de Noam Chomsky.

Pelo que me lembro, o especialista em linguagem explicou no texto as formas como as pessoas eram abordadas pelo governo dos Estados Unidos para que elas deixassem de ser contrárias à participação do país em uma guerra.

As abordagens devem ser sempre na forma positiva e genéricas, de maneira que as pessoas abordadas de supetão não tenham motivo para discordar. Frases do tipo "apoia nossos soldados?", "apoia nosso país?" etc.

Peguei um pacote grande de panfletos de nosso candidato a prefeito de São Paulo, Guilherme Boulos, e fui para uma área de fluxo contínuo de pessoas. Foi interessante o processo de abordagem. 

Eu perguntava para as pessoas "vamos melhorar São Paulo?", "vamos mudar São Paulo", "nos ajude a melhorar São Paulo?", "vamos melhorar a vida da classe trabalhadora?". Foram essas frases que variei por mais de duas horas.

Foi bem legal! Muitas pessoas pararam para uma ou duas palavras, além de pegarem o panfleto.

Encontrei pessoas indecisas, pessoas que não gostam do Boulos, mas também não gostam do Nunes. Aí é caso a caso e de acordo com o que a pessoa fala que se argumenta.

Amigas e amigos leitores, estamos há meses nesse trabalho militante nas ruas, feiras e locais de movimentação. As pessoas podem estar com as caras nas telas dos celulares, mas com jeito, ainda é possível conversar com nossos semelhantes.

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MILITÂNCIA, AJUDA A GENTE?

Faltam poucos dias para a eleição no domingo 27. 

Eu confesso a vocês que sinto falta de mais militância nas ruas, principalmente da estrutura partidária e sindical que nos apoiou nas ruas no primeiro turno.

Eu não me conformo de ter havido redução de nosso lado no apoio estrutural para virarmos votos nestas três semanas de segundo turno.

Enfim, talvez eu escreva a respeito após dia 27... 

Por enquanto, quero que Guilherme Boulos e Marta Suplicy governem a maior cidade do país a partir do ano que vem.

Nossa militância pode fazer toda a diferença. Nossos propósitos são ou deveriam ser muito diferentes dos da direita e dos representantes dos ricos e poderosos.

Experimentem as ruas nesses 4 dias até a eleição de Boulos prefeito! 

São Paulo pode ser mais humana e o povo pode estar no orçamento da cidade mais rica do país.

Vamos melhorar São Paulo?

William

segunda-feira, 21 de outubro de 2024

Quincas Borba - Machado de Assis (1)



Refeição Cultural 

"(...) mas filosofia é uma cousa, e morrer de verdade é outra..." (p. 5)


Machado de Assis publicou este romance em 1891. É um dos grandes clássicos do Bruxo do Cosme Velho. 

O personagem principal, Quincas Borba, apareceu no romance Memórias póstumas de Brás Cubas, de 1881.

Quincas é o célebre criador da doutrina filosófica Humanitismo. A famosa frase "Ao vencedor, as batatas" vem dessa doutrina. 

Eu diria que Machado brinca um pouco com as novidades científicas da época através do personagem Quincas e o Humanitismo ao fazer coro com a teoria da evolução das espécies, de Charles Darwin. 

No romance, temos como personagens Quincas Borba, Rubião, Maria da Piedade, Cristiano Palha e Sofia. E o cão Quincas Borba. Depois vão aparecendo personagens secundários como o Freitas e o Carlos Maria e outros.

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ENREDO

Em breve sumário, podemos perceber o seguinte nos primeiros capítulos:

Rubião está no Rio de Janeiro, no ano de 1868, sede da Corte. Reside na Praia de Botafogo. Ele era professor e agora é "capitalista". Está bem de vida por ser o herdeiro dos bens de Quincas Borba, que não tinha família quando morreu. Quincas, por sinal, foi uma pessoa sem posses até que recebeu herança de um parente. Sabemos do passado de Quincas porque Machado nos remete ao outro romance, o Memórias Póstumas de Brás Cubas, quando ele dormia nas escadarias da igreja e teve contatos com o Cubas. Quincas foi viver em Barbacena, se enamorou de Maria da Piedade, irmã de Rubião, mas não casaram, pois ela morreu antes. Rubião deu um jeito de ser o herdeiro do Quincas. Ele agora tem um novo casal de amigos, Cristiano e Sofia. Rubião cuida do cão Quincas Borba.

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DIÁLOGO COM OS LEITORES

Machado falando com as leitoras e leitores é muito legal:

"Este Quincas Borba, se acaso me fizeste o favor de ler as Memórias Póstumas de Brás Cubas, é aquele mesmo náufrago da existência, que ali aparece, mendigo, herdeiro inopinado, e inventor de uma filosofia. Aqui o tens agora em Barbacena. Logo que chegou, enamorou-se de uma viúva, senhora de condição mediana e parcos meios de vida; mas, tão acanhada que os suspiros no namorado ficavam sem eco. Chamava-se Maria da Piedade. Um irmão dela, que é o presente Rubião, fez todo o possível para casá-los. Piedade resistiu, um pleuris a levou." (p. 3/4 do capítulo IV)

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O NOME DO CÃO QUINCAS BORBA

"Rubião achou um rival no coração de Quincas Borba, - um cão, um bonito cão, meio tamanho, pêlo cor de chumbo, malhado de preto..." (p. 5)

E o filósofo explica por que colocou no cão seu próprio nome:

"- Esse agora é o motivo particular. Se eu morrer antes, como presumo, sobreviverei no nome do meu bom cachorro..." 

O motivo doutrinário para nomear o cachorro com o nome do dono é que o princípio da vida, "Humanitas", reside em toda parte, estando também no animal, que pode ter assim nome de gente. 

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QUINCAS, O MAIOR HOMEM DO MUNDO 

"(...) Crê-me, o Humanitismo é o remate das cousas; e eu, que o formulei, sou o maior homem do mundo. Olha, vês como o meu bom Quincas Borba está olhando para mim? Não é ele, é Humanitas..." (p. 8)

E para finalizar o capítulo seis, Quincas lança sua teoria de "ao vencedor, as batatas".

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AO VENCEDOR, AS BATATAS

"(...) Supõe tu um campo de batatas e duas tribos famintas. As batatas apenas chegam para alimentar uma das tribos, que assim adquire forças para transpor a montanha e ir à outra vertente, onde há batatas em abundância; mas, se as duas tribos dividirem em paz as batatas do campo, não chegam a nutrir-se suficientemente e morrem de inanição. A paz nesse caso é a destruição; a guerra é a conservação. Uma das tribos extermina a outra e recolhe os despojos. Daí a alegria da vitória, os hinos, aclamações, recompensas públicas e todos os demais efeitos das ações bélicas. Se a guerra não fosse isso, tais demonstrações não chegariam a dar-se, pelo motivo real de que o homem só comemora e ama o que lhe é aprazível ou vantajoso, e pelo motivo racional de que nenhuma pessoa canoniza uma ação que virtualmente a destrói. Ao vencido, ódio ou compaixão; ao vencedor, as batatas." (p. 9)

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FALECIMENTO DE QUINCAS BORBA 

Neste romance, o autor mantém uma relação interessante com o romance anterior, do personagem Brás Cubas. 

Rubião recebeu carta de Brás Cubas dando notícias da morte de Quincas, que estava hospedado em sua casa no Rio de Janeiro. 

Machado de Assis inovou em tudo na literatura brasileira. 

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A BELA SOFIA

"(...) Ia muita vez ao teatro sem gostar dele, e a bailes, em que se divertia um pouco, - mas ia menos por si que para aparecer com os olhos da mulher, os olhos e os seios. Tinha essa vaidade singular; decotava a mulher sempre que podia, e até onde não podia, para mostrar aos outros as suas venturas particulares. Era assim um rei Candaules, mais restrito por um lado, e, por outro, mais público." (p. 41/42, Cap. XXXV)

Lendo a respeito da personagem Sofia, de 1891, me lembrei do clássico "A mulher de trinta anos", de Balzac. Não sei se Machado leu Balzac, mas pode ser que tenha lido seus livros. 

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Enfim, que delícia ler Machado de Assis!

Sigamos!

William Mendes 


domingo, 20 de outubro de 2024

Operação Cavalo de Tróia (14) - J. J. Benítez



Refeição Cultural 

"Jesus havia-se desembaraçado do manto. Sua esplêndida túnica branca aparecia agora, cingida por um cordão. Entre a algaravia dos pequeninos, o Mestre, vez por outra, abria seu riso, limpo e aberto, como aquela luminosa manhã. Em verdade, o que mais me emocionou foi ver como aquele homem feito e perfeito, capaz de desafiar os sumos sacerdotes e de ressuscitar os mortos, saltava, corria ou caía ao solo, entregue incondicionalmente às exigências daquela gente miúda." (p. 135)


O Diário do Major descreve uma cena matinal das cercanias de Jerusalém, no sábado, 1° de abril do ano 30. 

Imaginem vocês a emoção que seria ter a oportunidade de se sentar ao lado de Jesus de Nazaré e conversar com ele. Foi essa cena que li agora no livro de Benítez. 

Jasão, o astronauta da Operação Cavalo de Tróia, dialogou com Jesus, após este brincar com as crianças no pátio da casa onde estava.

Ao final do primeiro diálogo com o "gigante", a forma como Jesus é descrito no Diário, o Nazareno diz a Jasão:

"- O segredo para possuir a Verdade só está em meu Pai. E em verdade te digo que meu Pai sempre tem estado em teu coração. Tens apenas de olhar 'para dentro'... Bem-aventurado o que busca, conquanto morra crendo que jamais encontrou. E ditoso o que, à força de buscar, encontra. Quando encontrar, perturbar-se-á. E, havendo-se perturbado, maravilhar-se-á e reinará sobre tudo." (p. 137)

É ou não é um livro muito bem escrito este de Benítez?

Sigamos sem pressa. 

William 

sexta-feira, 18 de outubro de 2024

Zé Dirceu: memórias (3)



Refeição Cultural 

"Do outro lado, uma péssima novidade: consolidam-se, à sombra da ditadura, as Organizações Globo, de Roberto Marinho, apoiador de primeira hora dos golpistas e do regime militar, dos órgãos de repressão e de tortura, favorecidas em troca pelo fechamento e o cerco aos diários Correio da Manhã e Jornal do Brasil." (p. 157)


Opinião

A história do companheiro José Dirceu, do Partido dos Trabalhadores, é leitura fundamental para qualquer militante das causas populares que queira compreender um pouco melhor a história do Brasil. 

O Brasil, por exemplo, das eleições municipais em disputa neste momento no qual escrevo, faltando pouco mais de uma semana para o segundo turno entre Guilherme Boulos e Ricardo Nunes, em São Paulo. Nunes é o candidato da casa-grande, da Globo e de todos os donos do poder escravocrata e racista que mandam nesta colônia há 524 anos.

Zé Dirceu, em poucas linhas, nos conta o que é a Globo, desde sempre, a voz manipuladora da casa-grande brasileira, a voz que chegava a quase 100% dos lares até recentemente e que ainda consegue manipular as massas formadoras de opinião da "classe média", aquela gente pobre e remediada que acha que é rica, fenômeno que Jessé Souza explica em seus livros. Marilena Chauí também explica bem o que é a "classe média". 

Instrumentos como a Globo são usados pela casa-grande para fazer os menos pobres - a "classe média" - odiarem os pobres e miseráveis. Dividindo essa gente pobre, mais de 90% do populacho, a elite segue na boa, e tirando sarro da nossa cara.

"A Rede Globo, concessão pública, construída por Roberto Marinho com recursos ilegais de origem estrangeira do grupo Time Life, como prova fartamente à época Assis Chateaubriand, que comandava os Diários Associados, concorrente da Globo, beneficiara-se não apenas dos investimentos federais na infraestrutura de comunicações, como no controle de um sistema nacional de repetidoras e afiliadas..." (ainda p. 157)

Neste momento, as máquinas de manipulação Globo e suas correlatas atuam para desestimular o nosso lado a lutar para eleger Guilherme Boulos e tirar da casa-grande a gestão do maior colégio eleitoral do país. Estamos nas ruas conquistando e virando votos, e a diferença entre os candidatos diminuiu, mas os aparelhos de manipulação estão forçando a narrativa de que a virada é impossível...

Antes, a Globo usava o Ibope, para calibrar para mais ou para menos, pesquisas de intenção de voto, que influencia bastante eleitores em momentos decisivos como, por exemplo, na hora de optar ou não por um voto útil em candidatos que não seriam a primeira opção dos eleitores. Os partidos de esquerda, odiados pela casa-grande, sempre sofreram muito com essas manipulações. 

O famigerado Ibope não existe mais. Mas o time de "jornalistas" e analistas políticos da Globo estão lá 24 horas por dia fazendo suas leituras de pesquisas eleitorais dizendo que Boulos, da esquerda, não tem a menor chance de ganhar as eleições em São Paulo... blá blá blá. 

Enfim, a postagem é referente à leitura das memórias de Zé Dirceu. Falei do lixo da Rede Globo por ler sobre as merdas dela no passado. 

É que a história deste personagem do mal - Globo - se confunde com a nossa história. Tanto é que estamos com a mesma desgraçada, décadas depois da ditadura, fazendo das suas contra o povo pobre e trabalhador brasileiro. 

Ler e estudar é muito importante para compreendermos o mundo.

William 

terça-feira, 15 de outubro de 2024

Dia das professoras e professores


Colégio Adolfino.

Refeição Cultural

Quarta-feira, 15 de outubro de 2024.


PROFESSOR(A): A PROFISSÃO MAIS NOBRE DO MUNDO!

Minhas lembranças

Eu gostaria de ter sido professor. Entendo que educar as pessoas seja uma das funções mais importantes e nobres da espécie humana. Paulo Freire diz que só se educa gente. Espero que possamos continuar educando as pessoas.

Pelo que me contam, minha primeira professora foi a Jamila, do colégio Adolfino, no Rio Pequeno. Se colocar a memória para funcionar, vou me lembrar de muitos professores e professoras que passaram por minha vida de estudante.

Do Adolfino em São Paulo, só sei da professora Jamila, que me alfabetizou. Não tenho lembrança de outra professora. E é impossível me esquecer das correrias quando alguém gritava "olha a loira do banheiro!"... a molecada saía mijando pelo chão, de medo. Estive dias atrás no Adolfino, é uma nostalgia incrível estar ali nas salas de aula e no pátio onde vivi.

Hortêncio Diniz.

Do Hortêncio Diniz, já em Uberlândia, me lembro do professor Jaime, de Física. Ele era gago e os alunos eram cruéis com ele. Me lembro do rosto dele até hoje, o cara era muito legal, um professor doce e gentil. Nunca me esqueci do Jaime com o apagador na mão explicando o Movimento Retilíneo Uniforme... Professor Jaime, perdoe a todos nós que éramos jovens maus. E nossa professora de Português era a Geni, e ela também sofreu na mão dos alunos.

Me lembro até hoje de uma lição do professor Glicério, de Química. Ele nos dizia para prestarmos atenção nas perguntas e lê-las várias vezes, porque a resposta poderia estar na pergunta. Não me lembro se ele era do Hortêncio, ou do Estadual de Uberlândia (Museu), ou do Américo René Giannetti, as outras escolas onde estudei lá até os 17 anos.

Colégio Daniel.

De volta a São Paulo, em 1987, não achei vaga no Adolfino e tive que me matricular no Daniel Verano Pontes para terminar o colegial, o 3º ano. Não me lembro de nenhum professor ou professora de lá, eu era um jovem muito revoltado e não me dediquei aos estudos naquele ano.

Uns anos depois, 1991, acabei entrando no vestibular da FEAO-FITO, onde me formei em Ciências Contábeis. Dos professores, me lembro do PC, de Matemática. Ele tomava até cerveja com os alunos. Gostava dele. Ele me desafiava a tirar 10 nas provas, e quando eu acertava tudo, ele me tirava alguma coisa da casa da vírgula para não dar 10 redondo, detalhes como, por exemplo, a seta numa reta (risos). 

Nunca me esqueci de uma fala dele dizendo que lá na Fito o professor destrinchava equações na lousa e que, se fosse na USP, seria diferente. O aluno teria uma lista de referências bibliográficas e, então, que estudasse aquilo por conta própria. Mais ou menos isso. Eu tirei minhas conclusões depois que entrei na USP (risos). Me lembro que eu desenvolvia exercícios de Matemática que ocupavam a lousa inteira. Eu era bom naquilo.

Anos depois da Faculdade em Osasco, me peguei estudando de novo. Daquela vez, estava estudando em Mogi das Cruzes, Educação Física, no Náutico Mogiano. Me lembro das aulas de alguns professores. De Anatomia, de Bioquímica e Nutrição, e de História. E me lembro do professor Waltely, de Português. Fazíamos aniversário no mesmo dia. Ele dizia em sala de aula que nota 10 era para Deus, 9 para a mãe dele, 8 para ele e 7 para os melhores alunos (risos).

O respeito pelos corpos e órgãos que estudávamos foi uma lição que nunca me esqueci. A professora falando da percepção da consistência do nosso cocô para sabermos da saúde do corpo e o que comemos também ficou para sempre. E o professor de História falando dos Jogos Olímpicos da antiguidade também foi inesquecível. 

Não me lembro direito dos nomes de todos os professores e nem sei se estou escrevendo corretamente os nomes que me lembro.

Letras, na FFLCH.

Aí, estando eu com mais de trinta anos de idade, acabei decidindo que queria estudar na Universidade de São Paulo, na Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas (FFLCH). Depois de assistir aulas de literatura como ouvinte, a convite de um amigo do BB, o Sérgio, fiquei apaixonado por aquele ambiente universitário. Fazer História ou Letras? Acabei optando por Letras.

Foram muitos os professores e professoras que me marcaram na vida estudantil da FFLCH. Difícil citar só alguns. A professora Maitê, de Língua Espanhola, foi um "encontro" legal, pois eu estudava espanhol com ela em um curso que gravei da televisão. Lógico que ter sido aluno do Pasta, do Wisnik e do Medina foi um ponto alto em minha vida de estudante uspiano. Ter visto aulas magnas de Antonio Candido e Marilena Chauí também.

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Professora Ione e alunos formados.

É NOSSO DEVER DEFENDER A EDUCAÇÃO UNIVERSAL E AS CONDIÇÕES ADEQUADAS A TODAS AS PROFESSORAS E PROFESSORES DO PAÍS

Que função social extraordinária essa de educar! 

Eu tive o privilégio de atuar no movimento sindical na área de formação e conheci grandes educadores e formadores políticos.

Tenho amigas e amigos queridos que dedicam suas vidas à educação de crianças, jovens e adultos.

Minha companheira Ione dedicou a vida a alfabetizar e educar crianças. Me lembro sempre emocionado dos períodos de fechamento de semestres e anos letivos quando seus alunos e alunas e muitos pais de alunos reconheciam agradecidos aquele período de ensinamentos e a evolução percebida ao longo da jornada educativa.

Ver alunas e alunos da professora Ione que ainda hoje a reconhecem e a têm como referência, décadas depois do contato diário da relação alunos-professora é algo gratificante.

Eu sou um grande admirador das pessoas que escolheram dedicar suas vidas à educação. Obrigado professoras e professores, sem vocês nós todos não teríamos a oportunidade de desenvolver nossos potenciais enquanto espécie humana, aquela que pode ser educada, segundo o mestre Paulo Freire.

Parabéns, professoras e professores! É nosso dever cidadão lutar pela educação pública e de qualidade e o acesso universal para todas as pessoas, e os profissionais de educação devem ser valorizados com salários dignos e carreiras que lhes permitam trabalhar e evoluir ao longo de suas vidas, incluindo uma aposentadoria justa ao final de suas jornadas laborais.

William Mendes


sábado, 12 de outubro de 2024

Nada mais será como antes - Miguel Nicolelis (10)



Refeição Cultural 

"(...) Para elas, e para a maioria dos adultos, não haverá mais forma alguma de dizer o que é real e o que é falso. Imagine o quão assustador seria para alguém, criado desde o nascimento ou infância num paraíso virtual, de repente acordar, no meio da sarjeta, cercado de lixo e ratos famintos, sem abrigo, comida, ou meios de sobreviver por si mesmo?" (p. 161)


O ano é 2036. O desemprego no Brasil e no mundo é de mais de 80%. O número de pessoas em situação de rua em São Paulo é de mais de 150 mil homens, mulheres e crianças. 

No Largo do Arouche, centenas de pessoas andam a esmo trombando umas nas outras. São como zumbis digitais. São vítimas de um experimento de controle da mente chamado de Projeto Nirvana.

A necessidade de energia elétrica chegou a um ponto impossível de se suprir com as formas tradicionais que conhecíamos no início do século. Boa parte do consumo de energia é gasto para resfriar milhões de computadores das plataformas digitais que dominaram o mundo.

Esse é o cenário do romance Nada mais será como antes, do neurocientista brasileiro Miguel Nicolelis. 

Foi no contexto descrito no romance que os Overlords e seus aliados, os neurocratas e os bankgsters, pensaram no Projeto Nirvana: capturar bioeletricidade de uma espécie animal abundante no mundo: o homo digital...

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Seguimos na leitura! Estou curioso para saber como vai terminar esta ficção distópica.

William


Post Scriptum: para ler o comentário seguinte, clique aqui.


ICL - O pobre de direita, curso de Jessé Souza



Refeição Cultural

O POBRE DE DIREITA - JESSÉ SOUZA

Assistir aulas ou palestras do sociólogo Jessé Souza é uma oportunidade única na vida de qualquer pessoa que anseia obter ferramentas e subsídios para compreender o mundo no qual vivemos e a sociedade humana e suas diversas formas de organização social.

O curso no Instituto Conhecimento Liberta (ICL) é dividido em quatro partes e nos esclarece como os donos do poder do dinheiro nos Estados Unidos organizaram um sistema ideológico que naturaliza o domínio de pequenos grupos humanos sobre o conjunto das populações do mundo. 

As explicações do professor são incríveis, Jessé Souza não poupa ninguém na hora de se posicionar em relação aos corruptos da Faria Lima, grupos de latifundiários do "agro pop" etc. O sociólogo explica de forma clara como os poderosos organizam as ideias para manipular os pobres a defenderem que os ricos continuem ricos.

Após conhecer "O pobre de direita" a pessoa terá uma leitura mais clara do racismo brasileiro e da corrupção secular da burguesia canalha do Brasil.

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Apresentação do curso que consta na plataforma de ensino do ICL:

"Nesta série de aulas inspiradas no livro O pobre de direita, o sociólogo Jessé Souza apresenta, inicialmente, o surgimento da extrema direita nos Estados Unidos, país do qual o Brasil importou a mesma lógica política. Jessé traz também uma análise inovadora do fenômeno do apoio popular à extrema direita no Brasil, explorando as complexas intersecções entre estratificações sociais, fervor religioso e regionalismo.

Afinal de contas, por que uma parcela significativa de pobres decide apoiar políticas que contrariam seus interesses? Convidamos você a esta reflexão sobre o desafio de construir um Brasil verdadeiramente democrático e igualitário.

Aulas:

1. As raízes históricas da extrema direita no Brasil são americanas

2. O branco pobre do Sul e de São Paulo e o preconceito regional no Brasil

3. O negro evangélico

4. Considerações finais"

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Amigas e amigos leitores do blog, experimentem participar do ICL, vocês terão muitas oportunidades de conhecimentos novos. 

Abraços,

William


quinta-feira, 10 de outubro de 2024

Diário e reflexões



Refeição Cultural

Osasco, 10 de outubro de 2024. Quinta-feira.


Fim de noite. Estou cansado e vou tentar dormir um pouco mais cedo, coisa que raramente faço.

Estive reunido hoje com amigas e amigos bancários numa pizzaria. É muito gostoso encontrar pessoas queridas que conhecemos há muito tempo. O vínculo entre nós é a agência do BB onde todos trabalhamos um dia: a Vila Iara. Nunca trabalhei ao lado deles, mas por duas décadas fui conhecendo e me tornando amigo de cada pessoa que atuou na agência de onde saí para ser sindicalista. Nunca esqueci minha origem e sempre prestei conta a eles como representante sindical.

Ontem, estive na plenária de arrancada do 2º turno das eleições municipais de São Paulo: vamos fazer o possível para elegermos Guilherme Boulos prefeito de nossa cidade. O encontro se deu na Casa de Portugal, na Liberdade, um lugar que me traz grandes recordações. Lá, conduzi e liderei com meus companheir@s a categoria bancária por muitos anos. Dialoguei com milhares de colegas em assembleias decisivas os rumos do movimento bancário.

Ainda nesta semana, estive na unidade de saúde da Cassi da região onde vivo, a CliniCassi Oeste. Compareci às dependências da nossa autogestão por uma convocação de reunião do Conselho de Usuários. Lamentavelmente, cancelaram a reunião sem avisar os participantes pelo mesmo meio convocatório. Para não perder a viagem, me consultei com a nossa médica de família. A Cassi é outra instituição para a qual dediquei o melhor de mim enquanto gestor eleito pelos associados.

Renovação: tenho sentido pouco pertencimento às instituições e grupos sociais aos quais me vinculei a maior parte de minha vida. Para não dizer que não me senti partícipe de alguma causa, posso dizer que dei alguma contribuição às renovações parlamentares ocorridas recentemente no Partido dos Trabalhadores. A eleição da jovem vereadora Luna Zarattini em São Paulo com mais de cem mil votos é um alento para todos nós. E a eleição de Heber, Gabi e Matheus, do Coletivo JuntOz, em Osasco, também.

Boulos e Marta: eu acredito que a militância do Partido dos Trabalhadores e dos demais partidos de esquerda e dos movimentos sociais organizados pode conquistar votos suficientes para derrotarmos o bolsonarismo e o reacionarismo conservador de direita em São Paulo. Acredito mesmo! Mas para isso, a militância do nosso campo precisa mergulhar de coração na campanha até o dia 27, principalmente a do PT que não sinto estar envolvida ainda neste início de 2º turno. (a militância da região Oeste, do Butantã, é exceção, está bem engajada e nas ruas)

Me incomoda muito ver na boca e no (des)ânimo de gente do nosso campo afirmações deterministas e pusilânimes de que não teríamos chance de vencer, pois o pilantra do prefake atual está à frente nas pesquisas e conta com o apoio da plutocracia que impede a democracia no Brasil. Cara, se nossa militância arregaçar as mangas e for para a conquista de votos, nenhuma máquina de dinheiro e manipulação midiática ganha da gente. A questão é o envolvimento de nossa militância para criar uma onda vira voto.

É isso. Como disse nos últimos textos de reflexão pessoal, provavelmente eu vá me afastar da cena política após as eleições municipais. Como colocamos Boulos no 2º turno, minha missão cidadã vai até dia 27. Depois disso, vou avaliar o que fazer da vida. Minha decepção com as coisas já superou meu compromisso interno de lutar até morrer nas causas para as quais me incorporo. E daria a minha vida por uma causa. Daria. Mas a burocracia matou e ou está matando a esquerda organizada na qual me politizei desde os anos noventa.

William Mendes

terça-feira, 8 de outubro de 2024

Operação Cavalo de Tróia (13) - J. J. Benítez



Refeição Cultural 

"Como estava longe dessa imagem grave, atormentada e longínqua que nos transmitem tantos dos livros do século XX... Jesus de Nazaré era uma mescla de menino e general; de ingênuo pastor e compenetrado analista; de homem que vive plenamente cada dia e de prudente conselheiro. Mas, acima de tudo, notava-se que era feliz. Muito mais alegre e despreocupado do que seus próprios amigos e discípulos, visivelmente agitados pelas ameaças do sumo sacerdote." (p. 130)


Essa história de Jesus de Nazaré retratada por J. J. Benítez é muito instigante. Sempre achei isso.

Estou lendo minha velha edição dos anos oitenta, que já foi até emprestada e devolvida em péssimo estado. 

Vejam essa descrição que o Jasão faz de Judas Iscariotes:

"(...) Permaneci como que hipnotizado, a contemplar aquele tipo fraco e esgrouviado, de algo mais de um metro e setenta de estatura e cabeça pequena. Seu nariz aquilino destacava-se sobre a pele pálida, quase macilenta, dando-lhe o clássico 'perfil de pássaro' que eu havia estudado na classificação tipológica de Ernest Kretschmer..." (p. 130)

E o homem de nosso tempo infiltrado entre os discípulos de Jesus terminaria sua análise sobre Judas dizendo que ele seria um grande tímido. 

"A verdade é que, à medida que fui conhecendo o caráter desse homem, ia me convencendo de que se tratava, na realidade, de um grande tímido, que não havia tido oportunidade de desenvolver seu imenso caudal afetivo." (idem)

Parei a leitura do Diário do Major, ou o relato de Benítez, ao final do dia 31, sexta-feira, do ano 30, em Betânia, Judeia.

Seguimos a leitura. 

William 


sábado, 5 de outubro de 2024

Diário e reflexões



Refeição Cultural

Osasco, 5 de outubro de 2024. Sábado, fim de um dia apoteótico.


Estou cansado para grandes reflexões. No entanto, é legal registrar a energia popular que vivenciamos hoje em São Paulo. Este dia 5 foi dia do povo se expressar e sonhar, sim, sonhar. 

Neste sábado, acordei cedo e fui para a Avenida Paulista me reunir a dezenas de milhares de pessoas para uma caminhada da esperança, uma caminhada com gente como a gente, de todas as cores, crenças, origens, pensamentos, classe sociais; gente que sonha com uma cidade e um mundo mais humanizados e que acredita que o amor e a fraternidade ainda podem vencer os piores sentimentos humanos, sentimentos ruins que grupos de direita e extrema-direita tentam impor a todos nós. Não passarão!

A Avenida Paulista ficou tomada pelas tonalidades vermelhas mescladas a todas as cores da multiplicidade de ideias e ideais que irradiam os sonhos de um mundo mais justo e solidário e acolhedor para os seres humanos e todos os seres que habitam o nosso planeta Terra. Nossa gente caminhando hoje pela Paulista e Augusta e por todas as vias e logradouros da região é a mais pura expressão do povo paulistano e brasileiro.

O povo e a esperança na Paulista. 
Foto: Ricardo Stuckert
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A maré vermelha que tomou a Avenida Paulista e as ruas paulistanas hoje representa o povo trabalhador, é a representação da vida real e concreta que sonha uma São Paulo que inclua o povo no orçamento, que tenha um prefeito e uma Câmara Municipal que façam uma gestão na prefeitura que atue para melhorar todas as áreas que fazem a nossa vida ser melhor, com mais atenção e soluções para a educação, saúde, moradia, transporte, segurança, oportunidades de trabalho e renda, lazer e meio ambiente.

No final da caminhada do povo, após encontrar tanta gente que sonha uma cidade e um mundo inclusivo e humanizado, cada pessoa finalizou o dia à sua maneira. Eu fiquei algumas horas com pessoas queridas, curtindo a vida.

Foi um dia maravilhoso para a democracia. Fechamos a campanha eleitoral paulistana cheios de energia e esperanças, esperanças conquistadas dia a dia nos últimos meses de diálogo com o povo por uma São Paulo mais humana.

É isso! Vamos descansar algumas horas dessa primeira etapa de nossa luta militante. Amanhã, vamos eleger nossas representações e exercer a democracia. A gente merece um mundo melhor.

William Mendes


sexta-feira, 4 de outubro de 2024

ICL - Estudando Língua Portuguesa e Literatura (1)



Refeição Cultural

TIPOLOGIA TEXTUAL, GÊNEROS TEXTUAIS E TEXTOS JORNALÍSTICOS E MIDIÁTICOS

As aulas que estou assistindo do Instituto Conhecimento Liberta são conteúdos formativos da plataforma de estudos e estão disponíveis a todas as pessoas que passam a integrar o projeto se associando ao instituto. Sou associado desde o primeiro ano, renovei minha 4ª assinatura.

O blog Refeitório Cultural recomenda muito a participação e apoio ao projeto de Eduardo Moreira e Jessé Souza e toda a equipe ICL. O conceito é o que pensamos desde o início do blog em 2007, compartilhar conhecimentos de forma gratuita. O blog atua com o conceito WIKI (What I Know Is) e o ICL tem uma mensalidade simbólica para acesso a quase 300 cursos.

As aulas que estou vendo de Português e Literatura da professora Juliana Giannini são de um dos eixos formativos do ICL. Neste caso, do grupo de cursos preparatórios para o ENEM, aulas ministradas em 2021. As aulas são muito didáticas e com muita qualidade.

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LÍNGUA PORTUGUESA E LITERATURA

Juliana nas três primeiras aulas traz conceitos de Mikhail Bakhtin sobre gêneros textuais. O linguista russo é um clássico para nós que estudamos Letras. Peço licença à profa para citar essa parte da aula dela.

GÊNEROS TEXTUAIS

* São tipos relativamente estáveis de enunciados, caracterizados por três elementos: conteúdo temático, estilo e construção composicional.

* A escolha de um gênero se determina pela esfera (contexto), pelas necessidades do tema, pelo conjunto dos participantes (falante/escritor e ouvintes/leitores) e pela vontade enunciativa ou intenção do locutor.

GÊNEROS JORNALÍSTICOS

A professora descreve uma série de gêneros textuais encontrados no jornalismo como, por exemplo, notícias, reportagens, charges, tirinhas, artigos, editoriais etc.

Achei legal a forma como ela explica as diferenças em dois desses gêneros textuais: 

NOTÍCIAIS E REPORTAGENS, ambas com função social de informar, divulgar e relatar fatos e acontecimentos. No entanto, as reportagens são mais detalhadas, longas e aprofundam mais o tema ou assunto tratado. Elas devem ter um caráter descritivo ou narrativo (e não dissertativo ou argumentativo) e devem estar na 3ª pessoa, evitando-se opinião ou comentários explícitos.

COMENTÁRIO - Percebem como essas características NÃO são respeitadas pela imprensa tradicional brasileira! Nossa imprensa golpista faz exatamente o contrário de tudo que se deveria respeitar em notícias e reportagens.

Depois, Juliana explica os EDITORIAIS e os ARTIGOS DE OPINIÃO. O primeiro expressa a opinião do veículo de comunicação. O segundo expressa a opinião de um articulista. A função social dos dois gêneros textuais é exprimir opinião sobre temas.

Achei interessante a professora Juliana explicar o fenômeno da "pós-verdade", algo muito relevante na atualidade das redes sociais e das mídias digitais. As pessoas precisam estar muito mais atentas hoje e preparadas para saber identificar as fontes de informações e os conteúdos em circulação.

Enfim, mesmo tendo boas noções dos temas Língua Portuguesa e Literatura, gostei muito das aulas, do conteúdo desenvolvido pela professora Juliana Giannini e a didática dela.

Só o conhecimento nos liberta!

William


quinta-feira, 3 de outubro de 2024

Leituras Capitais - País em chamas



Refeição Cultural - Revista CartaCapital 1329


Reflexões do blog

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PAÍS EM CHAMAS 

"O Brasil é refém do crime e da ganância"

Faz tempo que não me disponho a ler uma edição completa da excelente CartaCapital. Confesso que tenho fugido um pouco das verdades factuais por saber serem elas desalentadoras. É um pouco daquele desejo bobo de fazer de conta que a realidade não é aquela que sabemos que é. 

A SEMANA 

Vejam este começo:

A seção informa que aumentou a diferença salarial entre mulheres e homens (estudos do Ministério do Trabalho). O governo Lula tem boa intenção, mas os donos do dinheiro, não. Lugar de mulheres no capitalismo é onde os homens brancos querem. Se insistirem em se meter no mundo dos "machos", que recebam menos pra aprenderem!

Depois vem a cassetada do aumento injustificável de juros pelo Bacen bolsonarista de Campos Neto. O Bacen é "independente da realidade" segundo a revista. Agora a bolsa rentista paga 10,75% aos coitados indinheirados. São 7,33% de juros reais. Só a Rússia em guerra e sob bloqueio paga mais.

Aí vêm as notícias do Libano, da Venezuela e da Geórgia.

Mataram e feriram centenas de pessoas com uma estratégia nova de assassinato: aparelhos de comunicação explodirem na cara das vítimas. O regime sionista de Israel negou ser o responsável. Deve ter sido algum "lobo solitário" que não gosta do Hezbollah.

Prenderam na Venezuela mercenários com centenas de armas de grosso calibre. Tinha militar dos EUA, 4 de lá, mais 2 espanhóis e um tcheco. Vai ver eles foram lá caçar algum bichinho nas selvas do país... não tem relação alguma com tentativa de assassinar o presidente Maduro.

E na Geórgia está proibido ser gay ou qualquer outra forma de ser humano ou humana além da que o parlamento decidiu. No país só pode ser menino e menina; família de papai, mamãe, meninos e meninas. Talvez o rosa e o azul estejam nos artigos da lei...

CAPA: QUEIMA TOTAL 

"Uma dezena de criminosos põe em risco o patrimônio de 200 milhões de brasileiros"

Que dureza ser informado por essa realidade factual. Eu, a partir de agora, defendo pena de morte para quem destroi o mundo como alguns fdp estão fazendo. Se estivéssemos em processo revolucionário, defenderia julgamento e justiçamento aos mandantes e financiadores de destruição dos biomas brasileiros. Os manés seriam sentenciados a passar os dias replantando e refazendo como fosse possível a natureza que destruíram.

VELHO FANTASMA 

"A crise climática ressalta a disfuncionalidade crescente do setor elétrico"

Qualquer pessoa minimamente educada e não idiotizada sabe que a privatização do sistema é uma tragédia. O foco é o lucro e distribuição pra meia dúzia de fdp e milhões de pessoas e o país que se danem!

Segundo Ildo Sauer, professor do Instituto de Energia e Ambiente da USP: "Isso acontece porque a lógica com que as empresas de distribuição e transmissão são operadas busca, acima de tudo, maximizar o retorno para o acionista que, por sua vez, pressiona os dirigentes. E estes, com visão de curto prazo, não tomam as providências de longo prazo de fazer uma manutenção preventiva centrada em confiabilidade". (p. 16)

Privatização = privar o povo de... e tem idiota do povo que defende isso!

FILANTROPIA SOCIOAMBIENTAL 

"No enfrentamento às mudanças climáticas, é fundamental apoiar soluções locais, concebidas pelas próprias comunidades"

Para inglês ver... ditado antigo esse!

A matéria esclarece que 99% dos recursos destinados a eventos climáticos e direitos humanos ficam com países e grupos no Norte global. Os de "baixo" que se lasquem.

SEU PAÍS 

Aí vem a seção que traz informações do nosso país... dá até nojo saber o que tá rolando. 

O Congresso Nacional continuará sendo chefiado pela casa-grande, a questão é qual coronel ficará sentado em cima do poder e do orçamento nacional. 

ARTIGOS - os textos de Pedro Serrano sobre os abusos de Elon Musk (p. 30) e de Maria Rita Kehl sobre os homens abusadores (p. 31) estão muito bons!

E pra fechar a seção "Seu país" um alerta sobre essas desgraças das big techs.

Pedro Markun denuncia "A censura da Meta" que tirou do ar um aplicativo de IA (chamado Lex) feito por ele para ajudar pessoas a buscarem informações sobre processos legislativos. É a sacanagem de sempre!

Outro dia, o site UOL publicou matéria que mostrava que a IA do Google só não falava de Boulos e Tabata, mas rasgava elogios aos candidatos da direita e extrema-direita de São Paulo. 

Eu já falei e escrevi muito sobre essa porcaria de ditadura das big techs. 

PLATAFORMAS DIGITAIS PÚBLICAS: os Estados nacionais e governos devem criar suas plataformas digitais e disponibilizarem elas ao povo (É a minha proposta de solução para a soberania nacional).

ECONOMIA 

FREIO À COBIÇA 

"Privatizações - O sucesso da interrupção da venda de empresas públicas desidrata o discurso do mercado"

Matéria de Carlos Drummond fala sobre o esforço do governo Lula de retomar o controle de parte da Eletrobras e das cadeias de produção e distribuição de combustíveis pela Petrobras. 

NERDS ENGAJADOS

"Evento: O Sana, maior feira geek do Nordeste, tem na inclusão social uma de suas bandeiras"

Matéria legal! Primeiro, fui ler para saber o que era Geek, gente que gosta de tecnologia e cultura pop como essas de origem asiática.

E gostei de saber que a feira tem foco no Nordeste, ela aconteceu no Ceará. 

Os geeks gostam do Naruto (eu também) e outros personagens de animes e mangás. 

SOBRE ERNESTO GEISEL (p. 38)

"Desenvolvimento: Os méritos do general e algumas comparações com Lula"

Ao ler o artigo de Paulo Nogueira Batista Jr. eu me lembrei dos ensinamentos de Edward Said sobre o papel do intelectual. 

O articulista colocou o ditador Geisel (março de 1974 a março de 1979) entre os melhores presidentes do Brasil, no que tange a governos desenvolvimentistas, com bons resultados econômicos, junto com Vargas, JK e Lula.

Eu respeito Paulo Nogueira e admiro sua coragem de defender aquilo que pensa e acredita. 

Como alguém que conhece noções de economia, não discordo da opinião dele.

NOSSO MUNDO

A seção internacional traz três reportagens: uma sobre o ser abjeto Donald Trump, outra sobre o clã de Rupert Murdoch e o futuro de seu império midiático de extrema-direita. 

A terceira reportagem é sobre casos de estupros e abusos sexuais, e relata o caso de Gisèle Pélicot, 72 anos, que decidiu expor seu caso em nome de uma causa. Ela foi vítima de seu marido em um caso conhecido na França como "o Monstro de Avignon". (p. 44/45)

PLURAL 

Na seção tem uma entrevista com Felipe Neto, que vem realizando um trabalho interessante de incentivar a leitura entre jovens e adultos no Brasil. Ele está lançando seu livro ""Como enfrentar o ódio".

A reportagem "Isabelle Huppert, a imparável" (p. 52) está deliciosa! Deu vontade de ver e assistir tudo que já foi feito com a participação dela.

Raça , gênero e literatura - A apresentação do livro de Christina Sharpe "Notas ordinárias" deixa leitores progressistas da revista instigados na leitura. 

ARTIGOS 

Fecham a edição de CartaCapital dois excelentes artigos. O de Alfonsinho nos alerta para o excesso de jogos e campeonatos de futebol. Estão "Todos exaustos".

"Toxicidade financeira" (p. 57)

O dr. Riad Younes aborda um conceito novo para mim, que atuei como gestor de sistemas de saúde. 

É um tema dramático! Pacientes acometidos de cânceres identificados ou suspeitos, e seus familiares, acabam se envolvendo em dívidas e gastos que os levam à ruína financeira, mesmo aqueles que têm algum convênio ou seguro de saúde. 

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COMENTÁRIO FINAL

Que edição instrutiva e informativa essa que terminei de ler!

Obrigado, equipe de CartaCapital!

William 


ICL - Estudando Geografia do Brasil (1)



Refeição Cultural

AGENTES ENDÓGENOS DO RELEVO

É sempre motivador sair de uma aula tendo mais noções sobre as coisas do que antes de ter contato com aquele conhecimento temático. 

Quando era dirigente sindical e secretário de formação explicava isso aos trabalhadores, que todas as pessoas precisam ter noções das coisas, de forma a sermos menos ignorantes, ou seja, ignorarmos completamente algo.

Ao assistir à aula de Geografia do professor Hugo Anselmo na plataforma do ICL, mesmo estando sem grandes pretensões, percebo o quanto adquiri de noções sobre formação de relevos no planeta Terra. 

Nosso relevo tem impactos em sua forma e composição a partir de eventos como o tectonismo, vulcanismo, abalos sísmicos etc (agentes endógenos) e também através da ação das chuvas, vento, gelo, ondas etc (agentes externos).

Me lembrei das explicações que já sabia sobre a Teoria da Deriva Continental, que nos conta sobre o tempo em que as superfícies terrestres estavam reunidas na Pangeia. 

O planeta é composto de placas tectônicas que se movem de forma convergente, divergente e horizontal. A consequência desses movimentos é sentida por nós quando ocorrem terremotos, maremotos etc.

Amigas e amigos leitores, estudar é muito gostoso! É muito legal saber um pouco mais a cada dia de nossas existências. 

Como nos lembra o ICL, a partir de um conceito de José Martí, só o conhecimento liberta.

William


Post Scriptum: esse meu desejo de estudar até morrer às vezes me faz praticar ações que não serão concluídas. Fiz inscrição na Fuvest neste dia e paguei 211 reais. Queria fazer outra graduação, dessa vez em História. Por motivos diversos, não fiz as provas. Vida que segue.


Vendo filmes (XXI)



Refeição Cultural

Assisti a dois filmes dos anos oitenta bem interessantes. Um de ficção envolvendo extraterrestres e dominação da Terra e dos humanos e outro baseado em obras de Stephen King, mestre do suspense e terror.

A estória do Plymouth Fury 1958, o lindo carro vermelho conhecido como Christine, é um clássico, na minha opinião. Li o romance de King na adolescência e achei a narrativa inesquecível.

Já a estória do mundo dominado por ETs disfarçados de humanos endinheirados ou de gente classe média manipulada pelos donos do capital foi uma sugestão de um amigo que gosta de filmes, o Élcio. 

Achei legal a forma como John Carpenter trabalhou a questão da crença na meritocracia e no self made man, tão centrais na ideologia do imperialismo norte-americano. O personagem principal diz "acreditar na América" e depois percebe o que está por trás da dominação do capital.

Enfim, são filmes dos anos oitenta, ambos dirigidos por John Carpenter, muito diferentes dos filmes atuais em relação à produção. Eu gosto de filmes antigos, tanto dessa época quanto mais antigos ainda, dos anos setenta para trás.

William

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FILMES

Christine, o carro assassino (1983) - Direção: John Carpenter. Com: Keith Gordon, Alexandra Paul, John Stockwell, Harry Dean Stanton.

SINOPSE: o filme conta a história de um adolescente que sofre bullying na escola, Arnie Cunninghan (Gordon), e que tem praticamente um amigo, Dennis Guilder (Stockwell). O garoto vê um carro velho e abandonado e se apaixona na hora pelo carro, um Plymouth 1958. Ele acaba comprando o carro e começa a reformá-lo em um galpão do tipo "faça você mesmo suas reformas". O triângulo "amoroso" se dá quando Arnie começa a namorar a garota mais bonita da escola, Leigh Cabot (Alexandra Paul). O bullying continua na escola e depois que uns valentões destroem Christine, as coisas mudam para todo mundo: Arnie, Leigh, Dennis e os valentões.

COMENTÁRIO: li o livro de Stephen King na adolescência, nos anos oitenta. Achei a estória fantástica! Nunca me esqueci do Plymouth Fury 1958 vermelho. 

Aí veio o filme dirigido por John Carpenter. Também gostei bastante da adaptação dele, apesar de ela ser diferente do livro no final, o que é comum, pois roteiristas e diretores normalmente fazem a versão deles. 

Faz tempo que queria rever o clássico. De repente, achei o filme original na Netflix. Valeu demais rever Christine!!!

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Eles vivem (1988) - Direção: John Carpenter. Com: Roddy Piper, Keith David, Meg Foster.

SINOPSE: John Nada (Roddy Piper) é um trabalhador braçal que chega a Los Angeles e encontra trabalho numa fábrica. Durante uma inusitada operação repressiva, a polícia destrói um quarteirão inteiro do bairro miserável em que vive. Na confusão, Nada encontra um óculos escuro aparentemente comum, mas que o faz enxergar alienígenas vivendo como seres humanos e mensagens subliminares que estão em todo tipo de propaganda da mídia. Nada e seu colega de trabalho Frank (Keith David) decidem se engajar na luta de libertação da humanidade.

COMENTÁRIO: é um desses filmes B com uma história para entreter as pessoas. Mesmo assim, John Carpenter coloca os espectadores a pensarem na questão temática que o filme traz: a manipulação de massas pelos meios midiáticos. 

Os grandes capitalistas donos do poder e seus servidores cooptados estão entre nós, mas são como se fossem alienígenas de tão distantes da realidade eles vivem. 

E tem uma questão a se pensar também, quando Nada precisa sair na porrada com seu amigo Frank só para que ele aceite colocar os óculos para ver a realidade: ou seja, quem quer enxergar realmente a realidade? É bem mais cômodo viver na ilusão e na manipulação na qual a vida se dá no cotidiano.

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Post Scriptum: o texto anterior sobre filmes pode ser lido aqui.


quarta-feira, 2 de outubro de 2024

Operação Cavalo de Tróia (12) - J. J. Benítez



Refeição Cultural 

Lendo algumas páginas do livro de J. J. Benítez, fico pensando a respeito do momento atual: a Palestina tomada pela guerra sionista contra os outros povos que habitam a região há séculos... que dureza!

Os homens sempre se mataram justificando as eliminações dos outros através de religiões e deuses. E, no fundo, o extermínio do outro é só porque o homem é um ser que mata seu semelhante por motivos banais.

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No enredo do livro, Jasão amanheceu no dia 31 de março do ano 30 na casa do ressuscitado Lázaro, amigo de Jesus. Tomou seu café composto por leite de cabra, fatias de pão tostado, e generosas porções de queijo e mel. (p. 124)

A casa de Lázaro está agitada naquela manhã. Anunciam que Jesus vem chegando. Ele está a menos de 2 Km de Betânia (a uns dez estádios).

Vejam o que o Major diz em seu Diário:

"Posso jurar que, apesar de minha intensa preparação, dos longos anos de treinamento e da minha condição de cético, a família de Lázaro conseguiu contagiar-me com sua excitação. Sem poder evitá-lo, um calafrio percorreu-me a coluna vertebral..." (p. 126)

E, então, nosso personagem do século vinte, viajante no tempo até os dias de Jesus de Nazaré, nos descreve o primeiro contato visual com o homem, que chamará de "gigante".

"Sua extraordinária compleição - no primeiro momento calculei-lhe a altura em um metro e oitenta centímetros - fazia-o, ao lado da quase totalidade dos circunstantes, um gigante. Vestia um manto de cor bordô que lhe cingia o tórax e cujas extremidades envolviam o pescoço e caíam sobre os ombros largos e poderosos. Uma longa túnica branca, de amplas mangas, cobria-o quase até os tornozelos. Não vi faixa ou cinto algum. Na fronte trazia enrolado um lenço branco que lhe caía sobre os cabelos do lado direito." (p. 127)

Emocionante, não é? Até para um cético!

Seguimos na releitura. 

William