segunda-feira, 20 de março de 2017

Diário e reflexões - 200317 (Cismando na solidão)



Terminando a segunda-feira, mais uma num certo país latino-americano sob Golpe de Estado.

Decidi parar de trabalhar faz poucos minutos. Entendi que umas doze horas de jornada por hoje bastavam. Não que as tarefas tenham acabado. Não acabam nunca...

Estou sozinho em casa. Não sei quantos dias ficarei sem ver esposa e filho. Minha missão política atual desorganizou minha vida pessoal. E a dos meus entes queridos também. Faz parte de nossas jornadas de lutas nesta vida proletária militante. A gente faz o que tem que ser feito.

Fico pensando na desfaçatez dos desgraçados golpistas que vão a cada semana dizimando o patrimônio público brasileiro, como as doações das reservas do Pré-sal aos estrangeiros. 

Enoja ver a cara de pau do governo usurpador em fazer propagandas mentirosas dizendo que é bom para o povo acabar com os direitos trabalhistas e previdenciários do povo, através dos meios de comunicação pró-empresários e articuladores do Golpe, mídia dos capitães hereditários Marinhos, Civitas, Mesquitas, Frias, Saads e lixos afins, que antes era contra o governo petista, agora é favorável ao governo usurpador.

Está marcado para amanhã, terça 21 de março, votação no Congresso Nacional para acabar com os direitos dos trabalhadores e aprovar a volta da escravidão, a tal terceirização total. Já aprovaram tanta merda naquele local, a antiga casa do povo brasileiro, que já não sei se o povo defende que exista aquele antro de representantes de banqueiros, empresários, latifundiários e coronéis seculares.

E na vida humana, na vida em sociedade, é tudo junto misturado tudo ao mesmo tempo. Toda a desgraça lá fora no mundo, no nosso mundo, que nos entristece e aperta o coração, e aumenta o estresse, e gera hormônios e fenômenos que dilaceram os corpos dos humanos que se importam, e nos adoecem... enfim, tudo isso ao redor, não basta! Ainda temos, cada um de nós, os problemas pessoais, que se somam a toda essa desgraceira que estão fazendo com nosso País e conosco, povo trabalhador.

Hoje, estou longe da família, com o coração apertado, com eles, que tanto amo; com meu País, que tanto amo; com a destruição dos direitos do povo trabalhador, que tanto amo.

Tentei ler uns minutos após parar de trabalhar, e não dei conta. Cochilo em minutos.

Corri na noite brasiliense agora há pouco, para diminuir todo aquele treco do estresse e tristeza dentro do corpo da gente, porque quero meu coração, pulmão, órgãos vitais, estrutura corporal, cérebro, funcionando bem para continuar lutando contra essa merda toda que ocorre contra o povo que represento e amo e faço parte.

Estava pensando na violência que vi nos dois episódios da série Vikings, que mostra as barbaridades do mundo nas sociedades violentas do primeiro milênio de nossa era - assisti com meu filho, a convite dele. O que os atuais capitalistas donos das corporações que corrompem o mundo e fodem com tudo querem é a violência, as guerras, é destruição. Amor, compaixão, valores humanistas são coisas antiquadas.

Se estão exterminando o presente e o futuro de nossos trabalhadores e familiares, estão condenando meus pares à morte, talvez lenta. Era melhor o povo se revoltar e começar logo uma guerra civil.

Nada de novo no front... mas ainda estamos vivos e na luta!

William

domingo, 19 de março de 2017

Diário e reflexões - 190317 (Leituras filosóficas)



Estou numa sequência de leituras para aprofundamento
de minhas reflexões sobre a vida e o mundo ao meu redor.

Refeição Cultural


Domingo acabando. Eu confesso que estou cansado ainda. Mas já vamos para mais uma semana de trabalho, que no nosso caso é sempre semana de lutas, haja vista que atuamos em entidade de saúde no modelo de gestão compartilhada entre indicados pelo patrão e eleitos pelos associados. Apesar da civilidade e urbanidade, há divergências de opinião nas decisões técnicas e políticas, de vez em quando.

Uma questão na vida política e social de nosso País que merece nossa alegria foi o evento político do fim de semana com o ex-presidente Lula e com a ex-presidenta Dilma Rousseff na inauguração na Paraíba da mega construção que levou água do Rio São Francisco ao povo dos Estados do Nordeste do Brasil. Quase tudo é possível quando se pensa em políticas públicas, basta vontade e foco dos governantes na realização de melhorias estruturais. Lula nunca esqueceu sua origem e para quem ele governou de forma prioritária: o povo mais humilde e carente do País, a classe trabalhadora.

Fiz um esforço para dedicar meu tempo de fim de semana ao meu filho, que veio nos visitar, e no tempinho que sobrou procurei ler para alimentar meu próprio eu. Assisti com ele animes, vi episódios da série Vikings, saímos para comer fora no sábado e hoje brincamos juntos com bola de futebol americano.

Já li quatro textos do livro Tecnologia, Cultura e Formação... Ainda Auschwitz, e todos me levaram a reflexões sobre várias coisas do momento em que estamos vivendo, sobre a própria vida e sobre minha posição no mundo.

Vou registrar alguns trechos que gostei dos artigos.


Apresentação (do livro)

Tecnologia, cultura e formação... ainda Auschwitz - Bruno Pucci

"Os pensadores frankfurtianos clássicos preocuparam-se sobremaneira com a problemática do avanço técnico no mundo contemporâneo, Horkheimer, em seu livro Eclipse da razão, interroga-se sobre a ambiguidade do progresso gerado pela aplicação das tecnologias em seu tempo, os anos 1950:

'Parece que enquanto o conhecimento técnico expande o horizonte de atividade e do pensamento humano, a autonomia do homem enquanto indivíduo, a sua capacidade de opor resistência ao crescente mecanismo de manipulação de massas, o seu poder de imaginação e e o seu juízo independente sofreram aparentemente uma redução. O avanço de recursos técnicos de informação se acompanha de um processo de desumanização. Assim, o progresso ameaça anular o que se supõe ser o seu próprio objetivo: a ideia de homem'..."

A seguir, o mesmo Horkheimer, junto com Adorno, é citado pelo articulista, na obra Dialética do esclarecimento:

"Ao examinarem o potencial admirável que o homem tem em mãos, graças ao avanço técnico, de acabar com a fome no mundo, constataram, sombriamente, o avesso dos sonhos prometidos pelos criadores da ciência moderna: 'Na medida em que cresce a capacidade de eliminar duradouramente toda miséria, cresce também desmesuradamente a miséria enquanto antítese da potência e da impotência'. A mesma constatação pode ser feita, hoje em dia, no campo da formação cultural. A um crescimento vertiginoso das novas tecnologias de informação e de aculturação contrapõe-se uma expansão espantosa do analfabetismo e da deformação cultural"

E ainda nesta sequência, Pucci cita Marx para nos fazer recordar algo básico do mundo burguês e da exploração da mão-de-obra:

"O que há de errado em tudo isso? Marx já constatava, muito tempo atrás, que a tecnologia é trabalho acumulado. Suas modificações surgem das contradições sociais: de um lado, ela aumenta a riqueza social e o domínio sobre a natureza; de outro, aumenta a alienação do trabalhador e acresce de mais-valia o capital. 'A maquinaria é meio para produzir mais-valia'..."

Estes excertos acima são um tiquinho do que já li nesta obra de fôlego.

E pensar que o livro citado de Horkheimer e Adorno, Dialética do esclarecimento, é dos anos 1940... nem tinha toda a tecnologia que temos hoje, incluindo a rede mundial de computadores, as redes sociais e o mundo da comunicação nas mãos de alguns bilionários e corporações...

Ficamos por aqui na postagem de reflexão.

William

Death Note - Anime (Há justiça com justiceiros?)



Jovens inteligentes se enfrentam na série Death Note.
Um quer ser o novo deus do mundo, o outro está
ao lado da justiça do Estado para frear o Kira.

Refeição Cultural - Há justiça com justiceiros?

Assisti com meu filho aos episódios finais da série de anime Death Note (2006/07). Foi emocionante!

No ano passado, havia começado a ver este anime por sugestão de meu amado filho. Seriam 37 episódios. Cheguei até o 13 ou 14 e parei. Em julho daquele ano, recomecei e disse ao meu filho que iria até o final. Aproveitei que iríamos estar juntos neste final de semana e vi os episódios que faltavam.

A estória é sobre um jovem estudante japonês, dos melhores de sua classe, que encontra um Caderno da Morte (Death Note), jogado em nosso mundo por um Deus da Morte (shinigami), que não aguentava mais o tédio em sua dimensão de mundo, e a partir daí começam os acontecimentos.

O garoto Light Yagami ou Raito (o Killer ou Kira em japonês) também sentia um certo tédio ou descrença em nosso mundo, ao ver tanta violência e impunidade nas sociedades. Após testar o Caderno e perceber que ele poderia matar qualquer pessoa ao escrever o nome dela no Death Note, ele decide eliminar todos os "bandidos" do mundo e construir uma sociedade mais justa.

Bonita a ideia, não? Ele via na televisão e demais meios de comunicação os crimes que eram anunciados e seus respectivos "culpados" e definia para eles a pena capital. Minha santa inocência! Já pensaram se a estória se passasse no Brasil da Rede Globo, Folha, Estadão e Veja (P.I.G.)? Se essas fossem as fontes de quem é "bandido" e quem não é? Não haveria mais uma liderança de esquerda ou dos movimentos sociais e populares viva... No entanto, tod@s os articuladores do Golpe de Estado que fizessem parte deste sindicato de criminosos e lesa-pátrias estariam livres e bem vivos!

Depois de decretar pena de morte automática para criminosos que apareciam nos noticiários, Raito passou a ver e matar também os suspeitos; depois foi a vez de pessoas más vistas pelas esquinas da vida... depois quem ele achasse que poderia prejudicar seus planos de ser o novo senhor do mundo, um novo mundo onde ele seria o deus.


O shinigami Ryuk é o responsável pelo Death Note
que tirou por um tempo o tédio de si próprio,
de Raito e do mundo humano.

Há momentos muito bons em alguns episódios. Foi difícil assistir aos 37 por causa de minha falta de tempo livre, mas agradeço a sugestão de meu filho. Além de poder entrar um pouco no mundo dele, dos jovens de hoje, pudemos discutir alguns episódios e o final foi de arrepiar. Meu filho admirava muito a inteligência de Raito (Kira) e do outro jovem (L) que lutava para descobrir quem era o Kira.

Papel especial e destacado também damos ao shinigami Ryuk, o Deus da Morte que não aguentou o tédio em seu mundo e veio para o nosso passar um tempo ao lado do dono de seu Death Note, Raito.

Este anime Death Note tem na Netflix, não se sabe até quando, mas eu recomendo, tanto aos jovens quanto aos seus pais.

Ficam as reflexões que fiz nas postagens anteriores, principalmente na segunda (ler AQUI) e terceira (ler AQUI), onde reflito sobre o quanto é temeroso apostar em heróis, anti-heróis ou justiceiros, ao invés de investir e fortalecer instituições sociais dos Estados para que funcionem de forma imparcial e impessoal, para evitar que indivíduos dotados da natureza humana falível, façam papéis de deuses julgadores, porque ao final o que teremos é totalitarismos, falta de democracia e injustiça.


William

sábado, 18 de março de 2017

Diário e reflexões - 180317 (leituras e família)



É sempre melhor ler que não ler, já diziam autores clássicos...

Refeição Cultural

Sábado de março.

Após uma semana de trabalho de muito estresse, que manteve minha rotina de estar prostrado de cansaço quando chega o fim de semana, tive um dia bom, ao lado da esposa e filho, que nos visita. Saímos um pouco. Liguei para os pais, que tanto amo também.

Pela manhã, consegui me dedicar ao segundo livro dos quatro que estabeleci como objetivos de leituras das próximas semanas. Na semana passada, terminei a leitura de "Comunidades Imaginadas", de Benedict Anderson (ler comentário AQUI). Agora estou na leitura de "Tecnologia, Cultura e Formação... ainda Auschwitz". São textos densos e que exigem concentração, mas que valem a pena.

O livro traz diversos estudos e trabalhos acadêmicos abordando os efeitos da tecnologia na cultura e na formação das sociedades humanas, pensando os sistemas políticos e a dominação das massas. Eu refleti muito ao ler a apresentação do livro, feita pelo professor Bruno Pucci, e o primeiro artigo, de autoria de Isabel Loureiro.

Para vocês terem uma ideia da profundidade dos temas, os autores cujas opiniões e obras são estudadas e analisadas são Herbert Marcuse, Carl Marx, Max Weber, T. W. Adorno, M. Horkheimer, J. Habermas, a Escola de Frankfurt, dentre outros temas, filósofos e autores clássicos.

Juro, ao ler, pude refletir muito sobre os jovens hoje, os trabalhadores, o forte domínio dos meios de comunicação de massa monopolizados por alguns empresários; é possível ampliar nossa compreensão do porquê das coisas estarem como estão no mundo.

É isso. Para fechar o dia, vou assistir alguma coisa com meu filho, momento raro em nossas vidas atuais.

Abraços aos leitores amig@s,

William

quarta-feira, 15 de março de 2017

Dia Nacional de Lutas do Povo Brasileiro


(reprodução de matéria)

Contraf-CUT convoca todos os bancários para Dia Nacional de Paralisação Contra as Reformas da Previdência, Trabalhista, e a retirada de direitos dos trabalhadores


O objetivo é que a categoria bancária se una ao movimento e tome as ruas em protesto às reformas golpistas do presidente ilegítimo Michel Temer



Os bancários e bancárias de todo o Brasil vão participar do Dia Nacional de Paralisação Contra as Reformas da Previdência, Trabalhista, e a retirada de direitos, que será realizado nesta quarta-feira (15). A categoria vai se unir ao conjunto de trabalhadores e organizações da sociedade civil para tomar as ruas em protesto contra as reformas golpistas que o presidente ilegítimo Michel Temer quer impor.

A orientação para a participação dos bancários no protesto convocado pelas centrais sindicais foi aprovada pelos delegados e delegadas que participaram do Congresso Extraordinário da Confederação, realizado na semana passada, na quadra do Sindicato dos Bancários de São Paulo.

“Vamos às ruas mostrar que os trabalhadores e a população não vão pagar o pato. Nossas federações e sindicatos estão mobilizando a categoria para que participem fortemente das paralisações em todos os estados, com defesa também dos bancos públicos. Só a luta garante que as reformas da previdência, trabalhista, e todas as propostas golpistas de Temer sejam barradas e não sigam em frente. Os bancários e bancárias da base sabem dos riscos e estão engajados na batalha”, reforça Roberto von der Osten, presidente da Contraf-CUT.

Confira onde haverá mobilização e integre você também a resistência contra os ataques a seus direitos.



Post Scriptum

(reprodução de matéria)


“Fora Temer” entoou em todo o país no Dia Nacional de Paralisação contra as Reformas da Previdência, Trabalhista, e a retirada de direitos

Diversas categorias paralisaram o Brasil para dar um recado claro ao governo golpista

15/03/2017




Os bancários de todo o Brasil se uniram com diversas categorias da classe trabalhadora nesta quarta-feira (15), no Dia Nacional de Paralisação contra as Reformas da Previdência, Trabalhista, e a retirada de direitos dos trabalhadores. ‘Fora Temer’ ecoou nos quatro cantos do País durante as manifestações. Mais de 200 mil trabalhadores e trabalhadoras se manifestaram na capital paulista contra o governo ilegítimo de Temer.

O dia começou com manifestações nas principais vias do País, paralisações dos transportes públicos, fechamento de agências bancárias e greves de diversas categorias em várias cidades brasileiras. À tarde, grandes atos públicos foram realizados nas principais avenidas. As mobilizações foram organizadas pelas centrais sindicais, movimentos sociais e integrantes das frentes Brasil Popular e Povo Sem Medo para pressionar o governo ilegítimo de Temer (PMDB) e o Congresso Nacional a suspenderem a tramitação das reformas que trarão prejuízos à classe trabalhadora.

“Hoje foi um dia histórico da classe trabalhadora, um dia que todas as categorias se uniram para dizer peremptoriamente que somos contra a reforma da previdência. A reforma que somos a favor é a reforma da presidência, nós queremos fora Temer. Desde o começo do dia de hoje, a nossa Confederação acompanhou a movimentação dos bancários no Brasil todo. De Norte a Sul os bancários paralisaram agências. Disseram que não concordam com a Reforma da Previdência, disseram que são contra a Reforma Trabalhista e que são contra a privatização dos bancos públicos, que está em curso também no Brasil hoje. Essas coisas só estão acontecendo porque houve um golpe que retirou a presidenta Dilma e colocou no seu lugar um presidente golpista. Hoje, está claro que a população brasileira não concorda com esse modelo de governo e quer imediatamente fora golpe, fora golpista, fora Temer”, exclamou o presidente da Contraf-CUT, Roberto von der Osten.

Bancários na luta

A categoria bancária demonstrou unidade e mobilização mais uma vez e atendeu ao chamado da Contraf-CUT, Federações e Sindicatos para tomar as ruas contra os ataques aos trabalhadores. Em várias cidades houve paralisações das atividades em agências e complexos administrativos dos bancos públicos e privados, com grande adesão dos funcionários e funcionárias.

A comunicação da Contraf-CUT fez uma grande cobertura da participação da categoria nas manifestações.

"Os trabalhadores estão reagindo e têm de reagir mesmo, porque senão morrem sem se aposentar", disse Juvandia Moreira, vice-presidenta da Contraf-CUT e presidenta do Sindicato dos Bancários de São Paulo. "O que está em jogo é o fim da aposentadoria, o fim dos direitos trabalhistas, da CLT, de tudo que conquistamos. Não podemos permitir que isso aconteça e este movimento é uma reação dos bancários e das outras categorias ".

Entre os principais pontos contestados pelos manifestantes estão o estabelecimento de idade mínima de 65 anos para requerer aposentadoria, igual para homens e mulheres, e os 49 anos de contribuição exigidos para acessar a aposentadoria integral, além de impactos negativos que a reforma proposta por Temer causará entre trabalhadores e trabalhadoras rurais. Movimentos sociais e centrais sindicais consideram que a reforma acaba com a possibilidade da maior parte da população conseguir se aposentar, abrindo espaço para os bancos oferecerem planos de previdência privada.

Os trabalhadores também ressaltaram que o argumento do governo Temer sobre o déficit na Previdência é falacioso, já que desconsidera que o orçamento da Seguridade Social contempla previdência, assistência social e saúde, e não apenas o pagamento dos benefícios previdenciários. Outro ponto destacado pelos opositores da reforma é que há muitas desonerações aplicadas pelo governo federal que reduzem o montante arrecadado pela Previdência, além de dívidas da ordem de R$ 487 bilhões.

Fonte: Contraf-CUT

domingo, 12 de março de 2017

Leitura: Comunidades Imaginadas (1991) - Benedict Anderson



Lido o 1º dos quatro livros que defini para o próximo período.

Refeição Cultural

Terminei o primeiro dos quatro livros que defini como próximas metas de leitura. Fui muito disciplinado para empreender uma leitura densa e focada entre a sexta-feira à noite e este domingo. Além de minha edição ser em espanhol, a letra é pequena e tem rodapés enormes.

Este livro tem um quê especial em sua leitura porque a ideia de "Comunidades Imaginadas" tem muita relação com o que faço em minha missão atual de gestor eleito de uma entidade de saúde de trabalhador, a "Comunidade Banco do Brasil".

Quando vi este livro lá em 2008, me interessei na hora pelo tema. A minha história de leitura é um verdadeiro dilema entre conciliar minhas tarefas de proletário e representante de trabalhadores, além de estudante, pois na época ainda estava terminando matérias na Faculdade de Letras da USP. Li dois quintos do livro entre 2009 e 2010 e depois nunca mais peguei.

Para retomar a leitura, fiz uma bateria de revisão de várias partes lidas antes de dar sequência até o final. Os conceitos de Benedict Anderson me fizeram refletir muito a respeito de várias coisas de nosso mundo e do cotidiano em que vivo e atuo. Ao buscar informações sobre o autor, vi que ele faleceu em dezembro de 2015. Uma pena!

Para ler postagens onde fiz alguns comentários sobre a obra, clique AQUI. Os textos estão sem a revisão atual que estou fazendo no Blog, mas têm citações e comentários interessantes.




A leitura para combater o
pessimismo da razão.

COMBATER A TRISTEZA COM MUITO TRABALHO E ESTUDOS

Após o Golpe de Estado e a atual destruição de minha querida "Comunidade Imaginada: Brasil" me transformei em uma pessoa com uma tristeza pessoal profunda. Isso não interfere em minhas lutas e nas minhas tarefas de cidadão defensor da vida em sociedade, da democracia, do fortalecimento da política como solução pacífica das controvérsias e do convívio entre todos os viventes de uma determinada "comunidade".

Quando paro para pensar no que está acontecendo com os direitos sociais do povo brasileiro e da falta de perspectivas de presente e futuro, não tem como não sentir uma tristeza profunda. Mas até por isso, estou mergulhado em minhas tarefas revolucionárias e contra-hegemônicas em defender a autogestão Cassi e os direitos em saúde dos associados e participantes. E tento ter resistência física e intelectual para as lutas diárias.

Vejam só, tenho chegado às sextas-feiras tão cansado das batalhas internas e externas pela Cassi e associados que aos sábados me pego prostrado para qualquer atividade física. Neste domingo, ainda acordei cansado e nem pude ir ao Eixão (DF) correr. Só agora de noite senti que poderia correr uns 6k para fazer a minha parte no autocuidado.

É isso. Para não ser longo, vamos terminando a postagem. Eu recomendo a leitura deste livro. Tem tradução em português, lançada em 2008. Vi na internet que é fácil para se adquirir.

Abraços,

William

segunda-feira, 6 de março de 2017

Próximos objetivos de autoconhecimento e resistência


Projetos de leitura para o próximo período.

Refeição Cultural

Acabou o primeiro final de semana de março de 2017. Tentei aproveitá-lo o máximo que pude.

Após conseguir empreender uma jornada importante de leituras em janeiro e fevereiro, quando li e terminei 12 livros no mês de férias e mais 5 livros no mês passado, iniciei este mês com a leitura de um livro leve e descontraído do australiano Markus Zusak - O azarão (1999) - ler AQUI. Foi uma leitura motivada por saudades de meu filho, jovem estudante ausente de casa.

Agora defini uma meta de leitura desafiadora para mim, apesar de parecer modesta para quem tem mais tempo de leitura. Hobsbawn é um clássico que sempre revisito a parte que já li, e capítulos soltos, mas nunca li de cabo a rabo. Comunidades Imaginadas (1983), de Benedict Anderson, é um tema que me interessa muito, comprei e li umas cento e poucas páginas em 2010 e nunca mais peguei. Hemingway é porque já li neste ano O sol também se levanta (1926) - ler AQUI - e quero seguir com o autor lendo a obra que tem como pano de fundo a 1ª Guerra Mundial.

Os quatro livros (da foto acima) têm relação profunda com política internacional, períodos anteriores às grandes guerras mundiais e pós-guerras. Na minha leitura, o mundo caminha para algum tipo de sociedade distópica, caótica e terrível para os seres humanos. O que podemos fazer? Algo central seria estudar e dar formação política e social para os nossos pares da classe trabalhadora para organizar a reação. Onde está a organização de base para isso? Ninguém sabe, ninguém viu. Mas já que pertenço ao pequeno grupo de militantes políticos e sociais que tomou a pílula da desalienação... não tenho como fugir de meu papel como ator social.

Por fim, como anda a minha saúde para seguir lutando? Anda meio ruim. Mas não é porque o cansaço pela dedicação canina ao projeto social em que estou engajado está me consumindo - a autogestão em saúde dos trabalhadores do Banco do Brasil -, que vou desistir de buscar uma condição mínima de saúde e condicionamento físico.

Em janeiro, fiz um tremendo esforço para correr, andar e me exercitar um pouco. Consegui correr 13 vezes e caminhei praticamente o mês todo. Em fevereiro, trabalhei longas jornadas de manhã, tarde e noite. mesmo assim, corri 7 vezes. O tempo todo, com desconforto nos Tendões de Aquiles.

Iniciei o mês de março concentrado em achar alguma energia para correr. Consegui correr no dia 1º (4k), no dia 3 (4,6k) e hoje, no Eixão, fiz uma corrida de 6k. Fiquei feliz nestas corridas de março, porque não senti muito os tendões.

Meu objetivo esportivo é desafiador para o meu momento atual e modesto para o que já corri de provas meio longas. Quero chegar aos 48 anos, daqui para abril conseguindo correr 10k. Atualmente não estou em condições para tal.

É isso. Acabou o domingo. Vamos para uma semana difícil de trabalho, simplesmente porque sempre é de batalhas o papel de um representante eleito em gestão compartilhada. O conflito de interesses e de visões na gestão é da natureza da entidade de saúde que administramos. E não estou dizendo com isso que o modelo deva mudar, porque lembrando os ensinamentos de Marilena Chauí, é da natureza da Política a divergência, o debate, o conflito, e ao final, deve prevalecer a busca de soluções conciliadas e em prol do bem comum e coletivo.

Boa semana a tod@s os meus pares da classe trabalhadora.

William

domingo, 5 de março de 2017

Distopia - Caminhamos para o fim do mundo (como o conhecemos)


Apresentação do Blog:


Olá leitores amig@s,

Ao fazer minhas leituras matutinas neste domingo, me peguei descabriado.

Outro dia, havia postado aqui o meu desacorçoo (ler AQUI). Hoje estou descabriado. O mundo como o conhecemos está se desfazendo. Me parece que as ficções do século 19 e 20 sobre mundos distópicos, mundos apocalípticos, deixarão de ser ficção e se tornarão realidade.

Em meio à prevalência do estado natural do mundo animal (O leviatã, Thomas Hobbes), onde predomina a lei do mais forte e mais adaptado, e onde nós mamíferos humanos somos só mais uma espécie, o mundo humano alternou nas civitas, nas comunidades organizadas, de tempos em tempos, momentos de um pouco mais de prevalência de valores solidários, cooperativos, em sociedades humanas com limites ao poder totalitário e com mecanismos de maior democracia ou direitos coletivos.

No mundo ocidental no século 20, isso ocorreu depois das duas grandes guerras mundiais. Apesar do mundo passar a ser bipolar entre dois modelões antagônicos - Capitalismo x Socialismo -, havia um pouco mais de valores centrados nos seres humanos. Essa é a minha impressão.

E para onde caminhamos na atual fase do capitalismo global? Qual o valor de um ser humano neste tabuleiro onde as peças dos grandes players se movem? O que valho eu, você, a Dirce, minha mãezinha, o cidadão Luiz Inácio Lula da Silva? Quanto vale a vida do garotinho de 13 anos morto recentemente em frente ao Habib's (em São Paulo), ao que tudo indica pelos seguranças desta corporação?

Quem acredita que a minha existência tem o mesmo valor que a existência do dono do Facebook, ou dos irmãos Marinho?

Caminhamos ou já adentramos nos mundos ficcionais do 1984, de Orwell, ou no mundo Matrix, dos irmãos Wachowski. O previsto no Admirável Mundo Novo, de Huxley, já se tornou realidade. Nossa sociedade humana pós-crise do subprime (2008) e a disputa pelo que resta de petróleo no mundo já é a realidade apocalíptica Mad Max (que importa destruir uma dúzia de nações para ceder os poços de petróleo que restam para as Sete Irmãs do imperialismo do Norte?).

O Facebook confessou recentemente (matéria abaixo) que seu projeto de expansão global é político e de hegemonia. Assim como já é disputado por outras corporações do mundo cada metro quadrado do Planeta e cada neurônio disponível dos sete bilhões de mamíferos humanos. Com a velocidade da pregação de mentiras nas redes sociais, principalmente através de ferramentas como o Facebook, a pós-verdade é a nova ordem mundial)

E eu pergunto: o nosso histórico um ou dois por cento de lideranças do campo dos trabalhadores, dos explorados, do lado progressista, que conseguiu através das organizações sindicais e populares fazer enfrentamentos contra esse sistema desde pelo menos a revolução industrial, onde está? Temos um milheiro de pessoas do nosso campo, unidos e engajados neste momento em organizar a contra-ofensiva à dominação de nós todos por esses poucos donos de tudo? Temos NADA! Estão todos divididos disputando ninharias de estrutura de poder sindical.

Na boa, vou dar a minha opinião sobre uma suposta possibilidade de Lula ser candidato a uma suposta eleição para a presidência do que sobrou do Brasil devastado e em devastação pós-golpe organizado pelos lesa-pátrias: SEM TRABALHO DE BASE REAL, Lula não ganha a eleição contra nenhum candidato da nova ordem mundial. NÃO GANHA!

O tempo passa. Só de ficar pensando nisso, meu domingo já foi... que saco! Segunda-feira bem cedo, retomo minha vida na luta "quase inglória" pela defesa da Cassi (e seu sistema contra-hegemônico) e dos direitos dos associados. É minha tarefa neste front-latifúndio-mundo.

Chega por hoje!

William


(reprodução de matéria)


Quem conhece e controla as conexões
governará o mundo, sabe Zuckerberg.

Internet


Qual é o plano do Facebook para dominar o mundo?

Por Antonio Luiz M. C. Costa — publicado em Carta Capital, 05/03/2017 00h10, última modificação 03/03/2017 09h53


Mark Zuckerberg anuncia manifesto para construir uma comunidade global. Não é um exagero. Antes fosse


Seria de esperar, após a eleição de Donald Trump, alguma autocrítica por parte dos executivos do Facebook, mais eficiente das ferramentas para a difusão dos boatos e mensagens de ódio que contribuem para a ascensão da ultradireita no mundo.

Foram anunciadas em janeiro ideias sobre consultar agências especializadas na veracidade de notícias e restringir anúncios pagos em publicações de produtores contumazes de falsidades, até agora com poucos resultados práticos, mas faltava uma reflexão mais geral sobre o papel da rede.

Na quinta-feira 16, Mark Zuckerberg por fim a proporcionou – e o resultado é tão assustador quanto a própria ascensão da extrema-direita. Nesse manifesto de 6 mil palavras, “Construir a Comunidade Global”, exibe-se a pretensão não de aperfeiçoar um produto, mas de substituir os quatro poderes, mídia incluída, e ditar o destino do mundo. Alguns excertos:

Nosso próximo foco será desenvolver infraestrutura social para a comunidade – para nos apoiar, para nos manter seguros, para nos informar, para o engajamento cívico e para a inclusão de todos. A história é a narrativa de como aprendemos a conviver em números cada vez maiores, de tribos a cidades e nações. Hoje estamos perto do próximo passo. O Facebook propõe-se a construir uma comunidade global. Questiona-se se podemos fazê-la funcionar para todos e se o caminho é conectar mais ou voltar para trás. Vozes temerosas pedem a construção de muralhas.

Nosso sucesso não se baseia apenas em se podemos capturar vídeos e compartilhá-los com amigos. É sobre se estamos construindo uma comunidade que ajude a nos manter seguros, que previna danos, ajude nas crises e na posterior reconstrução. Nenhuma nação pode resolver esses problemas sozinha.

Os atuais sistemas da humanidade são insuficientes. Esperei muito por organizações e iniciativas para construir ferramentas de saúde e segurança por meio da tecnologia e fiquei surpreso por quão pouco foi tentado. Há uma oportunidade real de construir uma infraestrutura de segurança global e direcionei o Facebook para investir mais recursos para atender a essa necessidade
”.

O Facebook, conhecido em toda parte por se esquivar de impostos e de responsabilidades legais e morais, propõe-se a exercer em escala mundial funções típicas de um governo – se não também de uma igreja – e ainda monopolizar o acesso à informação. Se Zuckerberg tivesse anunciado abertamente a intenção de se candidatar à Presidência dos EUA, como chegou a se especular há algumas semanas, seria menos preocupante.

Ganhar bilhões com convencer as pessoas a desnudar a alma na internet e vender informações sobre elas a empresas e políticos já é ruim o suficiente. Enquanto Hillary Clinton conduziu uma campanha pela tevê difundida ao público geral, Trump baseou-se na rede social para direcionar anúncios a segmentos específicos e testar as reações a pequenas variações.

Propaganda anti-imigração, por exemplo, foi especialmente direcionada aos fãs de The Walking Dead após se constatar uma forte correlação entre xenofobia e o gosto pelo seriado e escondida de setores (latinos, por exemplo) que a consideravam antipática.

Com esse manifesto o Facebook propõe-se, porém, não apenas a catalogar identidades, opiniões, preferências, relações sociais e comunidades para lucro financeiro ou político de terceiros, mas a moldá-las e administrá-las conforme a visão da equipe de Zuckerberg, que não presta contas à democracia nem a ninguém, enquanto torna cada vez mais dependente dessa “infraestrutura” a busca de relacionamentos sociais, afetivos e profissionais e até o deslocamento no mundo real: uma viagem à Florida pode hoje depender da abertura de uma conta na rede social às autoridades dos EUA e estas ficarem satisfeitas com o que virem.

À luz dessa realidade, estes trechos soam ameaçadores: “Em campanhas recentes, dos EUA à Índia, passando pela Europa, vimos vencerem os candidatos com seguidores (no Facebook) mais numerosos e entusiasmados. Podemos estabelecer o diálogo e a prestação de contas diretamente com os líderes eleitos”. Conforme pergunta uma jornalista do Guardian, Carole Cadwalladr, como reagiríamos se Zuckerberg se chamasse Mikhail e sua empresa fosse sediada em Moscou?

Acrescente-se que, no Brasil, 55% pensam que o Facebook é a internet, assim como 58% na Índia, 61% na Indonésia e 65% na Nigéria, diz pesquisa da revista Quartz de fevereiro de 2015. A maioria dessas pessoas jamais pagará assinaturas físicas ou digitais de jornais e revistas e aceitará a informação como for apresentada na rede de Zuckerberg.

A possibilidade de descobrir outra coisa nem sequer existe para os mais de 40 milhões de usuários da internet.org, parceria de Zuckerberg com empresas de telecomunicações que oferece conexão grátis limitada ao Facebook e Wikipédia em vários países da América Latina, África e Ásia.

A seleção dessa informação tem sido baseada em grande parte em usuários dispostos a prestar serviços gratuitos como cobaias, editores e curadores. Os algoritmos sabidamente selecionam o que é apresentado em função de preferências anteriores, pois os usuários permanecem mais tempo ligados e clicam mais anúncios se não forem tirados de suas zonas de conforto.

Como também é notório, a exclusão de postagens e a suspensão ou expulsão de usuários baseiam-se em critérios ridículos, indiferentes a mentiras, mensagens de ódio e cenas de violência, impiedosos contra imagens de mamilos e nus artísticos e submissos a qualquer grupo organizado disposto a denunciar em massa quem postar mensagens – na maioria das vezes, feministas ou antirracistas – que lhes desagradem. Como será no futuro?

Zuckerberg conta com inteligências artificiais capazes de assinalar postagens “ofensivas” e capacitar os usuários a fazer sua própria censura: “Onde está seu limite para nudez, violência, imagens chocantes e obscenidades? Você decidirá suas preferências pessoais. Para quem não tomar uma decisão, a configuração predefinida será da maioria das pessoas de sua região, como em um referendo”.

Quem morar em uma região conservadora, verá apenas mensagens selecionadas por critérios conservadores. Em tese poderá decidir por outros filtros, mas, se acaso conseguir decifrar o funcionamento dos opacos algoritmos da rede, seu inconformismo logo será óbvio para os demais usuários e as autoridades.

Ao menos caiu a máscara com a qual o Facebook se apresentava como uma plataforma neutra para mensagens de responsabilidade de terceiros. Admitiu uma agenda política com o objetivo de conformar o mundo ao seu gosto e a um ideal tecnocrático que, tanto quanto o autoritarismo racista de Trump e Le Pen, fede aos anos 1930 e neles foi satirizado por Aldous Huxley em Admirável Mundo Novo. Cabe a quem acredita na democracia desafiá-la e buscar os meios de tirar do monopólio privado os meios de ditar a opinião e o interesse público.

Fonte: Carta Capital

sábado, 4 de março de 2017

Leitura: O azarão (1999) - Markus Zusak





Refeição Cultural


"A primeira coisa que me obrigou a fazer foi meter a mão na privada de uma velha e retirar tudo que estava entupindo o cano. Sério, quase vomitei na privada na mesma hora.

- Ah, que merda! - gritei, sem fôlego, e meu pai apenas sorriu.

Falou:

- Bem-vindo ao meu mundo, filho. - E foi a última vez que sorriu durante todo o dia. No restante do tempo, me obrigou a fazer todo o trabalho sujo, como pegar canos no teto da van, cavar uma fossa debaixo da casa, ligar e desligar a energia elétrica, e recolher e arrumar as ferramentas dele. No fim do dia, me deu vinte contos e, na verdade, me agradeceu.

Falou:

- Obrigado pela ajuda, garoto."


Comentário do Blog

Na quinta-feira à noite, dia 2 de março, cheguei do trabalho esgotado e já era quase onze horas. Estava sozinho em casa, estando a esposa em Osasco e o filho longe, estudando no interior de São Paulo. 

Fiquei pensando em meu filho. Entrei no quarto dele, hoje vazio, e acabei olhando algumas coisas. Apostilas de cursinho, livros. Peguei dois livros de Markus Zusak. Vi nas capas e orelhas que eram livros sobre jovens. Comecei a ler O azarão. O sono logo bateu por causa do cansaço. Li umas trinta ou quarenta páginas.

Por mais que eu tenha me esforçado para acompanhar momentos importantes na vida deste belo jovem, meu filho, enquanto minhas lutas pelos trabalhadores me afastavam do dia a dia de casa, eu sinto que preciso sempre buscar formas de compreendê-lo mais, de estar mais disponível, de tentar entrar em seu mundo, se ele quiser que isso ocorra. Até uma série de Anime - Death Note - estou quase acabando de ver. Dos 37 capítulos, faltam 4 agora.

Superar a distância de mundos diferentes entre os adultos e os jovens é algo sempre desafiador para pais e filhos. Certa vez, li algo que nunca esqueci: que nós adultos devemos respeitar a dimensão sentida pelos jovens, às vezes dramática, dos problemas que eles têm, por mais que na nossa ótica, o caso concreto que eles enfrentem possa parecer algo menor, porque um problema deles para nós pode parecer bobagem, mas para o mundo deles pode ser algo de muito sofrimento real. É necessário estarmos atentos a isso.

Um dos livros que li faz pouco tempo, em 2012 - O apanhador no campo de centeio (1951) -, de J. D. Salinger, me fez refletir muito sobre a juventude, os jovens, as revoltas com causa ou "sem causa" dos jovens. Eu fui um jovem extremamente revoltado. (ler comentário sobre o livro de Salinger AQUI)

Enfim, neste sábado, acordei e retomei a leitura até o fim. A estória do jovem Cameron Wolfe e seus irmãos e irmã me fez pensar na juventude de meu filho, na sua geração e lembrei-me de minha própria juventude e geração.

A cena que coloquei em epigrama é a descrição exata do que vivi como ajudante de encanador lá na minha infância e que foi muito marcante para mim (ler uma crônica a respeito AQUI). Na estória o pai de Cameron é encanador e aceita o pedido do filho para ajudá-lo em troca de conseguir algum dinheiro, já que foi despedido pelo jornaleiro por quebrar um vidro sem querer nas entregas que fazia.

Os críticos e os operadores do mundo literário gostam de classificar os tipos de textos literários. Este que li está classificado como literatura para jovens. Assim como não sou muito favorável às classificações que se fazem de algumas obras clássicas como sendo de difícil compreensão para determinados grupos - muito jovens, com pouca formação etc - também acho que toda obra pode valer a pena conforme o momento em que um leitor se encontre em sua vida. 

Valeu a pena a leitura deste livro de Markus Zusak. Vou ler o outro dele publicado como sequência da estória dos irmãos Cameron e Ruben Wolfe - Bom de briga (2000).

Abraços,

William
Um leitor

terça-feira, 28 de fevereiro de 2017

Leitura: Lula, o filho do Brasil (2002) - Denise Paraná



Obra histórica e estudo denso realizado por Denise Paraná.

Refeição Cultural

"Havia uma dinâmica na categoria. À medida em que a categoria ia exigindo você ia... Na medida em que nós fizemos uma opção de que o sindicato não seria o tutor da categoria, mas seria uma espécie de caixa de ressonância da categoria, cada vez que os trabalhadores exigiam, ao invés da gente represá-los, a gente soltava. Então eles queriam mais boletim, era mais boletim; mais atividade, era mais atividade; mais curso de formação política, era mais curso de formação política. Eles queriam que a gente radicalizasse mais, a gente radicalizava mais. A gente passou a viver muito por conta do próprio crescimento da categoria. Por isso que eu digo sempre que eu sou o fiel resultado do crescimento de minha categoria. Nem mais, nem menos. À medida em que ela avançava eu avançava, na medida em que ela não avançava eu não avançava..."


Terminei há instantes a leitura da obra monumental de Denise Paraná - Lula, o filho do Brasil, publicado no final de 2002. Depois de ficar por anos seguidos com a leitura inacabada, retomei com decisão neste feriado de Carnaval e li e reli cerca de duzentas páginas. 

É um documento histórico dos mais valiosos para a classe trabalhadora brasileira, por causa das entrevistas orais colhidas por Denise Paraná entre os anos de 1993 e 1994, tanto de Lula quanto de seus familiares, incluindo todos os irmãos e irmãs vivos, além de Dona Marisa e Lambari, amigo de infância e irmão da primeira mulher de Lula.

A segunda parte do livro, com estudos sociológicos e psicológicos por parte da autora, com grande aprofundamento acadêmico, citação de diversas obras e autores conceituados, foi de grande reflexão para mim e ganhei grandes inspirações e aguçou minhas interpretações da realidade social de meu País e do contexto em que nos encontramos.

As teses levantadas sobre a "Cultura da pobreza" e a mudança para uma "Cultura da transformação" a partir da conscientização política e compreensão da questão de classe é muito interessante e abre várias linhas de possibilidades e retomadas nas lutas sociais, na minha opinião.

Para ser direto, eu gostaria muito que os segmentos sociais de onde sou oriundo, em termos sindicais, abrissem este livro em grupos de estudos, e fizessem um roteiro de debates analisando o nosso passado recente, pensando o contexto brasileiro dos anos de chumbo, o surgimento do "Novo Sindicalismo", as estratégias utilizadas por Lula e seus companheiros entre os anos sessenta e oitenta, bem como os reflexos dessas estratégias ao chegar ao poder nos anos dois mil e fazer o Brasil avançar em prol dos trabalhadores, lenta e gradualmente, ao jeito "Lulista" (para lembrar a tese de André Singer).

Seria muito interessante os sindicalistas conhecerem as estratégias adotadas por Lula durante todo o período de exceção e sem liberdades democráticas, compreenderem também os contextos históricos, e em grupos de estudo com lideranças sindicais e dos movimentos sociais traçarem iniciativas e tipos de reação ao estado atual de destruição dos direitos sociais brasileiros no pós golpe de Estado em 2016.

Quando li todas as entrevistas de Lula, anos atrás, eu já havia me identificado demais com elas. Lula, a Central e o Partido não tinham as características das esquerdas comunistas e socialistas tradicionais. Era algo diferente que surgia ali. Ao estudar e conhecer esta história, busquei aplicar aquela concepção e prática no meu fazer político e sindical e nos contatos com a base social que representei em cada momento. Ainda hoje faço um mandato de representação baseado nas bases sociais que represento e vejo os representados como meus pares.

Com o término desta obra densa e inspiradora, fecho também as leituras no mês de fevereiro. Após ler ou terminar 12 livros em janeiro, li ou terminei 5 livros neste mês.

Meu sentimento de emergência segue me dando gana e energia para ler, estudar e buscar compreensão e inspiração para as lutas que lidero e as tarefas que tenho pela frente como um membro da classe trabalhadora.

Eu recomendo muito a leitura desta obra para os homens e mulheres que se encontram neste momento com algum tipo de mandato, principalmente de representação sindical - as entrevistas de Lula e os estudos de Denise Paraná -, para compreenderem o que tem de original na construção da CUT e do Partido dos Trabalhadores, em relação ao que havia de experiências em partidos e movimentos sindicais em países ocidentais, tanto europeus quanto americanos. Esses rachas e cisões no seio do movimento sindical é a nossa derrota certa!

É através do conhecimento do passado e dos processos históricos que podemos corrigir rotas e seguir avançando enquanto classe trabalhadora.

É isso.

William
(fui dirigente sindical entre 2002 e 2015)

Leitura: A morte de Ivan Ilitch (1886) - Lev Tolstói



Esta edição é traduzida diretamente do russo. Recomendo.

Refeição Cultural - Mortes que não importam aos outros

Me peguei pensando a respeito da morte. Eu estava para postar um comentário sobre minha terceira leitura de uma das mais famosas obras de Tolstói - A morte de Ivan Ilitch (1886). Cada releitura em nossa vida é uma nova leitura porque o leitor é outro, é um novo leitor. Eu era um em 2008, era outro em 2012 e sou este que vos fala neste momento em 2017.

Em 2008 ainda fervilhava em mim o mundo das Letras por ter sido por tanto tempo aluno da FFLCH-USP. Em 2012 eu já estava bastante envolvido com a formação sindical no ramo financeiro (Contraf-CUT) e iria assumir as negociações nacionais do Banco do Brasil como coordenador da Comissão de Empresa dos Funcionários (COE-Contraf). Hoje sou gestor de operadora de saúde no modelo de autogestão e conheço relativamente bem como opera o setor de saúde no Brasil e conheço alguma coisa em relação aos modelos no mundo.

Nesta releitura de Tolstói, me incomodou muito o descaso das autoridades médicas com o paciente, o sistema de saúde vigente à época do senhor Ivan Ilitch, na Rússia czarista da segunda metade do século 19. A forma como o paciente é tratado me incomodou sobremaneira. 

Das outras vezes, já havia me incomodado com o tratamento frio e pouco humano dos profissionais de saúde, mas também ficou martelando em mim a forma como todas as pessoas ao redor do senhor Ilitch se comportavam de forma hipócrita e com interesses absolutamente pessoais em levar algum tipo de vantagem com a morte daquele ser humano.

Então... eu reli o livro porque meu filho me perguntou se eu conhecia esta obra e se poderia dar de presente para ele. Fiquei feliz com o pedido e aproveitei para reler também.


French 87th Regiment Cote 34 Verdun 1916 -
Foto de domínio público sobre a 1ª GM,
autor desconhecido.

Hoje, assisti a um documentário encontrado na internet por puro acaso. Era a respeito da 1ª Guerra Mundial. O programa de pouco mais de uma hora era apresentado por um jovem youtuber chamado Castanhari, em um site chamado Canal Nostalgia. O jeito como o rapaz se comunica é bem interessante para a geração atual.

Enfim, eu sou um apreciador de história. Estudar história para mim é algo do prazer, do autoconhecimento e uma forma de melhorar minha compreensão de mundo. Foi bom rever o tema "guerras mundiais".

Estamos passando por um momento mundial de grandes riscos para a humanidade. As mudanças políticas e econômicas nas Américas, na Europa, no Ocidente e Oriente, podem caminhar no próximo período para novas guerras de extermínio de milhões de pessoas.

Aí fiquei pensando a respeito da morte, das mortes que não importam para os outros. Eu aprendi a valorizar a vida de cada ser humano, de cada ser vivo neste Planeta. É muito duro vermos o sofrimento da personagem Ivan Ilitch sem o devido respeito e atenção por parte dos profissionais de saúde e das pessoas ao seu redor. 

Mas durante um período de guerras, ou quando a maldade é a nova ordem e a vida humana perdeu o valor e os novos valores não incluem o foco no ser humano, o que vemos é não valer nada centenas, milhares e até milhões de vidas humanas.

Numa guerra, numa disputa de grupos rivais, sociedades rivais, sem a política para mediar e permitir o espaço do outro, vemos o que ocorreu nas guerras trágicas de nossa história mundial. Cada batalha morria-se 400 mil pessoas, depois mais 200 mil, depois mais um milhão...

Chega! Pensar em guerras e pensar em mortes é uma merda.

Eu gostaria de ver novamente a democracia restabelecida em meu País, o respeito às diferenças prevalecendo, e o mundo e as sociedades vivendo sob a égide da paz com mais solidariedade e valores humanos em alta, em detrimento do dinheiro e do poder absoluto de uns poucos sobre as imensas maiorias.

William (será que estou sonhando alto?)

segunda-feira, 27 de fevereiro de 2017

Leitura: A corrosão do caráter (1998) - Richard Sennett





Olá prezad@s leitores e amig@s,

Um dos livros que li neste mês de fevereiro, ou melhor, que concluí a leitura iniciada há muito tempo, foi o livro de Richard Sennett, A corrosão do caráter, consequências pessoais do trabalho no novo capitalismo (1998).

Tenho andado com certo sentimento de urgência, de emergência, na realização das leituras que tenho como objetivos de vida, tanto as literárias quanto as de outras linhas de conhecimento. Sempre tive pouco tempo para ler em função de uma vida com jornadas de trabalho e estudos nos 3 períodos do dia e desde a adolescência.

A solução para ler obras que desejo e que estão na fila tem sido pegar meus livros nos instantes em que não estou com minhas tarefas de gestão na Cassi e ler ler e ler.

Estamos no feriado de Carnaval e além de descansar um pouco o corpo, porque estou extenuado por causa do trabalho, aproveitei para ler e refletir sobre diversas questões da existência e da vida em sociedade.

A postagem é sobre este estudo de Sennett, analisando as mudanças comportamentais dos trabalhadores americanos entre as décadas de 1970 e 1990.

Meus dias deste feriado foram de leitura dedicada a terminar um livro profundo de Denise Paraná - Lula, o filho do Brasil (2002). É mais uma obra que fiquei anos lendo e nunca terminei. São mais de 500 páginas. Decidi terminar a leitura nestes dias. Amig@s, de sábado para hoje, segunda-feira, reli alguns capítulos e as análises em mais de 150 páginas e deixei o gran finale para amanhã, terça. O estudo sociológico e psicanalítico de Denise é fan-tás-ti-co!

Ambos, o de Sennett e o de Denise, nos deixam pensando muito sobre a nossa classe trabalhadora em seus contextos sociais.

Segue abaixo pequenos excertos sobre a obra de Richard Sennett. Não teria como eu fazer uma longa postagem crítica e analítica por falta de tempo para isso. Eu realmente recomendo a leitura desta pequena obra pela atualidade conceitual para compreender o efeito nefasto nas novas gerações em relação à visão de curto prazo e seu efeito sobre as relações pessoais, profissionais e sociais.


O NOVO CAPITALISMO E O CARÁTER

"Talvez o aspecto da flexibilidade que mais confusão causa seja seu impacto sobre o caráter pessoal. Os antigos anglófonos, e na verdade escritores que remontam à antiguidade, não tinham dúvida sobre o significado de 'caráter': é o valor ético que atribuímos aos nossos próprios desejos e às nossas relações com os outros. Horácio escreve que o caráter de alguém depende de suas ligações com o mundo. Neste sentido, 'caráter' é um termo mais abrangente que seu rebento mais moderno 'personalidade', pois este se refere a desejos e sentimentos que podem apostemar por dentro, sem que ninguém veja".


CARÁTER E A RELAÇÃO COM O LONGO PRAZO

"O termo caráter concentra-se sobretudo no aspecto a longo prazo de nossa experiência emocional. É expresso pela lealdade e o compromisso mútuo, pela busca de metas a longo prazo, ou pela prática de adiar a satisfação em troca de um fim futuro...".

Imaginem vocês, amig@s leitores, o efeito da visão de curto prazo para sistemas mutualistas como saúde e previdência... é uma tragédia, se as pessoas não conseguirem compreender que para saúde e previdência estamos falando de décadas, quiçá séculos.


Ao longo do estudo, Sennett compara a visão de mundo e comportamento dos trabalhadores nos anos noventa em relação aos seus pais ou geração anterior, nos anos setenta. A mudança no emprego e no comportamento é muito grande.

Nos anos setenta, o mundo do trabalho ao longo de uma vida (e os trabalhadores eram sindicalizados) apresentava uma perspectiva linear e criava certa segurança no amanhã. O criar os filhos, comprar a casa, aposentadoria etc. 


E HOJE?

"Como se podem buscar objetivos de longo prazo numa sociedade de curto prazo? Como se podem manter relações sociais duráveis? Como pode um ser humano desenvolver uma narrativa de identidade e história de vida numa sociedade composta de episódios e fragmentos? As condições da nova economia alimentam, ao contrário, a experiência com a deriva no tempo, de lugar em lugar, de emprego em emprego. Se eu fosse explicar mais amplamente o dilema de Rico (o jovem trabalhador analisado), diria que o capitalismo de curto prazo corrói o caráter dele, sobretudo aquelas qualidades de caráter que ligam os seres humanos uns aos outros, e dão a cada um deles um senso de identidade sustentável...".


O autor nos conta da desgraça que foi a terceirização nos Estados Unidos e os efeitos nocivos gerados para os trabalhadores por esta estratégia capitalista de exportar os empregos americanos para outros países de mão de obra mais barata. 

Imaginem vocês o que nos espera com a pauta "Terceirização" total sendo uma daquelas de destruição do mundo do trabalho e dos direitos sociais no Brasil após o golpe de Estado consubstanciado em 2016 por uma camarilha de ladrões que tomaram conta de todas as instituições do Estado Nacional?


O "NÓS" E A DEPENDÊNCIA MÚTUA

"No início do capitalismo, como mostrou Albert Hirschmann, a confiança nas relações comerciais surgiu pelo franco reconhecimento da dependência mútua..."

e

"(...) Uma visão positiva dos próprios limites e da dependência mútua parece ser mais da área da ética religiosa que da economia política. Mas a vergonha da dependência tem uma consequência prática. Corrói a confiança e o compromisso mútuos, e a ausência desse laços ameaça o funcionamento de qualquer empreendimento coletivo..."


ENFIM...

Caros leitores e leitoras, o livro é muito importante para nossa reflexão, consciência do estado atual das coisas e para pensar estratégias de como lidar com o novo comportamento humano e do mundo do trabalho.

Como gestor de autogestão em saúde, modelo mutualista solidário intergeracional, para cuidar de pessoas por décadas e décadas, eu tenho que desenvolver estratégias de congregar pessoas para o longo prazo, para as coisas coletivas, com base na confiança e na solidariedade.

É isso. Eu já conheço do tema e lido com ele. Mas temos que estudar muito e associar pessoas em nosso sistema de saúde e previdência, como deve ocorrer com os sistemas públicos e complementares, como ocorre no caso da comunidade Banco do Brasil, que tem a Cassi e a Previ.

Abraços,

William Mendes