domingo, 23 de abril de 2017

Leitura: Bom de briga (2000) - Markus Zusak



Dois bons livros do autor australiano Markus Zusak.

Refeição Cultural

"Do que ele pode ter medo?
- O que eu vou fazer quando tiver uma luta que posso perder?
Então, é isso.
O Rube é um vencedor.
Ele não quer ser.
Ele quer ser, primeiro, um lutador.
Como nós.
Lutar uma luta que pode perder.
Respondo à pergunta para tranquilizá-lo.
- Você vai lutar de qualquer jeito, como nós.
- Você acha?
Mas nenhum de nós sabe, porque uma luta não vale nada se você sabe desde o início que vai ganhar. São as lutas no meio disso que põem você à prova. São as que trazem perguntas com elas.
O Rube ainda não esteve numa luta. Não numa de verdade.
- Quando acontecer, será que eu vou me levantar? - pergunta.
- Não sei - confesso.
Ele preferia ser um lutador mil vezes entre o bando dos Wolfe a ser um vencedor no mundo uma só vez.
- Me diz como fazer isso - pede. - Me diz. - Mas nós dois entendemos que algumas coisas não podem ser ditas nem ensinadas. Um lutador pode ser um vencedor, mas isso não faz de um vencedor um lutador" (Bom de Briga, Markus Zusak)


Assim como fiz a leitura do livro anterior do australiano Markus Zusak, O Azarão (1999), sobre os irmãos Wolfe, sozinho em casa, longe de filho e esposa, em março passado, li neste feriado o outro livro dele, Bom de Briga (2000), dando sequência à estória dos adolescentes Cameron e Rubem Wolfe e sua família proletária cercada dos problemas comuns de nós todos trabalhadores do mundo. Falta de dinheiro para o sustento, pai encanador desempregado, a busca dos jovens para se estabelecerem na vida.

Eu pensei muito na minha infância e adolescência difícil e na vida de meu amado filho quando li no mês passado o livro dos irmãos Wolfe (ver comentário AQUI).

Hoje, li com saudades dele e com preocupações a respeito do presente e futuro, tanto de meu filho quanto dos jovens filhos da classe trabalhadora brasileira. A estória dos jovens Wolfe é muito bem contada, retrata bastante a realidade em nosso mundo e me fez lembrar bastante o meu mundo dos anos oitenta e noventa, um cenário desolador para a classe trabalhadora, cenário que retorna ao Brasil após o golpe de estado em 2016.

Me emocionei bastante com a leitura, talvez pelo contexto. Nós temos que ser lutadores, independente de sermos vencedores. Aprendi isso em minha vida desde a infância num local difícil, na adolescência e primeira vida adulta com a miséria que nosso País vivia e com ele toda a classe trabalhadora. O contexto de pobreza, de desemprego, faz os adultos, os pais, se sentirem derrotados pela vida, pelo mundo. E a culpa não é deles, pois um País e seus governos devem estar a serviço de seu povo, dando a ele oportunidades para a vida com dignidade.

Também me tocou relembrar o difícil trilhar de cada jovem no começo de sua vida, seja ela em condição de miséria e também em melhores condições de vida. O buscar estabelecer-se na vida em sociedade, num mundo duro como é o nosso, é sempre um desafio grande para os adolescentes. Independente do contexto social em que se encontram os adolescentes, todos eles vivem seus dramas de relacionamento, para serem aceitos, para lidarem com os assédios que a vida lhes apresenta.

Gostei muito do livro. Eu senti um pouco mais meu filho. Já havia sentido isso na leitura de J. D. Salinger em seu clássico O apanhador no campo de centeio (1951), ler comentário AQUI

O jovem autor Markus Zusak está de parabéns pelos dois livros retratando a família Wolfe. E olha que o livro mais famoso dele é A menina que roubava livros (2005), que ainda não li.

É uma leitura leve e que mexe com a gente que vive de levantar todos os dias para novas lutas, independente se vencemos ou perdemos a luta anterior (da vida).

William Mendes
Um amante da leitura

sábado, 22 de abril de 2017

Diário e reflexões - 220417 (Quem não é bárbaro?)



(atualizado às 10h30 de 23/4/17)




Refeição Cultural

Sábado, fim de noite. Silêncio. Reflexões.

Depois de assistir a uma série completa de um anime sugerido por meu filho, Death Note, agora estou vendo outra sugestão feita por ele, Vikings. Eu acho que é uma forma de ter algo que nos conecte com nossos jovens que estão inseridos em outra cultura, outro tempo, outro mundo muito diferente do que vivemos na nossa juventude.

Além da série recomendada por meu filho, estou vendo também a polêmica série 13 Reasons Why. Essa porque meu filho e tantas outras pessoas estão vendo também e porque o tema tanto me preocupa, quanto tem gerado acaloradas discussões. Eu quero ter a minha opinião a respeito.

A série Vikings acabei de ver a primeira temporada, foram nove episódios. Estou no episódio seis da outra série. Ambas são muito pesadas na minha opinião. Pela violência de Vikings e pela temática da depressão, do suicídio e da violência do bullying em 13 Reasons Why.

Estou pensando muito a respeito das duas séries, a respeito de meu filho, de nossos filhos, a respeito das perspectivas que se abrem aos meus pares da classe trabalhadora e aos humanos com o agravamento da crise política em meu País e no mundo todo com a ascensão da direita fascista e da prevalência dos desejos dos poucos capitalistas donos do mundo sobre os outros bilhões de humanos explorados.

Quando vi os primeiros dois ou três episódios da série Vikings, que se passa em uma Europa do século oito ou nove depois de Cristo, fiquei horrorizado com a violência dos massacres durante as invasões cometidas por eles para saquear outras terras e outros povos. Era o cotidiano deles.

Fico pensando na hipocrisia da questão de uns grupos acharem bárbaros os outros, o de fora do quadrado e da cultura deles próprios. Qual a diferença do que os Vikings faziam ao saquear e arrasar os povos que invadiam comparado com o mesmo feito pelos portugueses e espanhóis aqui nas Américas? E todos os "civilizados" europeus nas demais regiões geográficas do planeta por séculos e séculos?

E os bárbaros norte-americanos ao invadirem e dizimarem povos de outras nações no último século? Derrubarem governos e jogarem milhares de toneladas de bombas nas terras dos outros?

E os burgueses e capitalistas que se acham alguma porcaria melhores que os outros seres humanos? Ao se destruírem ou desconsiderarem os direitos humanos e os tratados internacionais de respeito mútuo entre nações, colocando interesses de corporações até mesmo sobre países e povos soberanos, pergunto: o que virá pela frente?

E os jovens que praticam bullying em seus pares por pura maldade, só para se imporem e mostrarem suas "superioridades" ao humilharem outros jovens que deveriam acolher? E os trotes nas faculdades e universidades?

E os da classe trabalhadora que não conseguem se perceber como classe e ficam no meio da pirâmide e escala hierárquica de seus locais de trabalho barbarizando os que estão abaixo deles?

Quem não é bárbaro? Será que estamos caminhando para a construção de um mundo com menos barbárie?

Que merda tudo isso!

William

Lendo sobre a vitória do fascismo na Europa pós anos 20 e 30 (E o agora?)



Hitler e Mussolini, fascistas com motivos para rir nos anos trinta.

Refeição Cultural

"O fascismo era triunfantemente antiliberal...

"O medo da revolução social, e do papel dos comunistas nela, era bastante real, como provou a segunda onda de revolução durante e após a Segunda Guerra Mundial, mas nos vinte anos de enfraquecimento do liberalismo nem um único regime que pudesse ser chamado de liberal-democrático foi derrubado pela esquerda. O perigo vinha exclusivamente da direita. E essa direita representava não apenas uma ameça ao governo constitucional e representativo, mas uma ameaça ideológica à civilização liberal como tal, e um movimento potencialmente mundial, para o qual o rótulo 'fascismo' é ao mesmo tempo insuficiente mas não inteiramente irrelevante

(Hobsbawn)


O capítulo quatro da Era dos Extremos trata do tema "A queda do liberalismo". O conhecimento de Eric Hobsbawn é denso, nos obriga a uma leitura lenta, porque o tempo todo paramos para pensar no que ele está descrevendo dos anos vinte e trinta daquele período entre as duas guerras mundiais, com o mundo envolvido pela Grande Depressão.

Acredito que muita gente do meu entorno se entenda como "liberal" e essa gente não consegue perceber que ao ser atacada a democracia representativa, derrubar-se uma presidenta eleita (por não ter aceitado chantagem dos ladrões golpistas), deixar o PIG e empresários e parte da "justiça" corrompida questionarem a política, aceitar-se a destruição da economia e dos empregos de um país em nome da "corrupção", mexer na Constituição e nas leis que protegem o povo daquele país em prol dos mesmos golpistas (Empresários, banqueiros e PIG), retirar direitos dos segmentos sociais que mais precisam do Estado, enfim, não entendem esses "liberais" do meu entorno social que estão favorecendo os ideais fascistas. No século passado isso deu em Hitler, Mussolini, Salazar, Franco etc.

Eu sinceramente acho que todos os cidadãos do mundo deveriam estudar livros como este, os jovens, os adultos e os mais velhos. Mais ainda, os movimentos sociais deveriam fazer leitura em sala de aula com seus militantes, incluindo os "capas pretas" como dizem dos líderes porque eles têm pouca noção de história e, às vezes, suas arrogâncias e empáfias os levam a personalismos que nada contribuem para a unidade da esquerda contra o gigante fascista que está vencendo as batalhas - vejam a destruição do Brasil e dos direitos sociais brasileiros em praticamente dois anos de ataques ao processo democrático e golpe de 2016.

Hobsbawn até faz uma certa ironia em capítulos anteriores em relação a economistas e políticos porque eles podem até esquecer os erros e merdas cometidos no passado, mas que o papel dos historiadores e intelectuais é justamente o de lembrar os equívocos econômicos e decisões políticas que levaram a catástrofes e grandes merdas para os povos do mundo.

As pessoas do tempo em que vivemos estão capturadas pelo não pensar, pelo "instantaneísmo" dos mundos virtuais em que vivem, as tais redes sociais, com títulos fotos e vídeos de poucos sinais gráficos, imagens e tempo que circulam, manipulam, tiram a atenção e são replicados - contribuindo para a pós-verdade, a imposição por poder da opinião de alguns grupos.

Uma overdose nauseabunda nos meios midiáticos comerciais de "Odebrecht" ou "lista do Fachin", ou um evento de agressão do recém terminado 17º BBB, é capaz de colocar a massa trabalhadora sem ter a menor noção do que está sendo votado nestes mesmos dias de ataque à CLT, previdência, saúde, educação etc... Jesus!

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"A grande diferença entre a direita fascista e não fascista era que o fascismo existia mobilizando massas de baixo para cima. Pertencia essencialmente à era da política democrática e popular que os reacionários tradicionais deploravam, e que os defensores do 'Estado orgânico" tentavam contornar..."
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A direita fascista (Hobsbawn separa direita fascista e direita não-fascista) na atualidade está utilizando novamente como massa de manobra nossos pares cidadãos através de uma ferramenta ideológica tão antiga quanto as primeiras sociedades humanas: agora é o "anti-petismo" que unifica os grupos sociais manipuláveis no Brasil; na primeira metade do século 20 foi o "anti-comunismo" na Europa e Américas. 

O fato é que se uniu todo tipo de vertente ideológica de direita para enfrentar um "inimigo comum" (os governos do PT) e depois se veria no que iria dar. Já deu merda para a classe trabalhadora. E vai dar mais ainda. É destruição total do Brasil e não temos a quem recorrer porque os três poderes estão envolvidos e os desgraçados do 4º poder é que mandam nos outros três. E o 4º poder é meia dúzia de corporações (empresários). Que legal!

O mundo do século 21 repete o mundo do século 20 da Era dos Extremos... e não adianta sabermos o que aconteceu... o roteiro está igual, segue igual... e aí, qual o próximo passo da classe trabalhadora? Uma greve geral está marcada para os próximos dias. É ver passo a passo a capacidade do povo de reagir e retomar o poder arrancado por golpe e manipulação.

William
Um cidadão

sexta-feira, 21 de abril de 2017

Diário e reflexões - 210417 (Sinais de guerras)



(atualizado às 21h50, de 21/4/17)


Cena do filme "Adeus às armas", de 1957,
com Rock Hudson, Vittorio De Sica e Jennifer Jones.

Refeição Cultural

Após ler dias atrás o livro fantástico de Ernest Hemingway, Adeus às armas (1929), sobre um romance entre um tenente americano e uma enfermeira escocesa que se passa no cenário italiano da 1ª Guerra Mundial, busquei informações sobre filmes baseados na obra. Encontrei um dos anos trinta e outro dos anos cinquenta, o que assisti. Ler comentário sobre o livro AQUI.

O filme tem direção de Charles Vidor, estreou em 1957, e teve como protagonistas Rock Hudson, Jennifer Jones e Vittorio De Sica. São duas horas e meia de filme. Um cenário belíssimo gravado em cidades italianas e nos alpes. Eu gostei muito da adaptação deste filme em relação ao livro de Hemingway. A estória é muito triste e reforçou bastante o meu sentimento ruim de que podemos estar caminhando para um contexto de guerras locais e ou entre países e grupos financiados por corporações e fim da vida civil como nossa geração conheceu até o momento.

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"Mas, à medida que crescia a maré do fascismo com a Grande Depressão, tornava-se cada vez mais claro que na  Era da Catástrofe não apenas a paz, a estabilidade social e a economia, como também as instituições políticas e os valores intelectuais da sociedade liberal burguesa do século XIX entraram em decadência ou colapso..." (Capítulo 'Rumo ao abismo econômico', da Era dos Extremos, Hobsbawn)
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Também fiz leituras correlatas com o cenário que tenho percebido no mundo atual, de certa forma. Li Hobsbawn, Era dos Extremos (1989), e comecei a leitura do livro de Miruna Genoino, Felicidade fechada (2017), contando o drama vivido por ela, seu pai José Genoino e família, frente a um massacre midiático e condenação injusta e sem crime, na lógica de macular a história de um homem que dedicou sua vida às causas sociais e democráticas do Brasil e do povo brasileiro. Seus algozes são todos do grupo que organizou e perpetrou o golpe de estado em 2016 colocando novamente o nosso País em estado de exceção, com forte ataque aos direitos históricos dos trabalhadores.

No silêncio solitário de minha casa, porque estou há semanas longe da família por causa de minha missão atual como representante eleito por trabalhadores em uma entidade de saúde, tenho refletido tanto tanto sobre a nossa existência de militante por causas sociais, sobre a dureza que é a nossa vida de classe trabalhadora contra o sistema de exploração capitalista que segue a passos largos destruindo o Planeta e a sociabilidade dos homens. Que merda de mundo é esse que impera quase sempre e ao longo do tempo a força dos poucos donos do poder, através de sua máquinas de opressão e de manipulação ideológica?

Mas enquanto estamos vivos e somos atores sociais, e enquanto temos princípios éticos e posições ideológicas de esquerda, temos que acordar e lutar e defender um mundo diferente desta merda colocada a nós pelos capitalistas e exploradores.

Não se deixar calar, não se deixar matar, não se deixar vencer sem lutar, essas são as únicas opções que temos. Então é fazer o que tem que ser feito.

William


Post Scriptum: sobreviver é preciso... comecei o feriado correndo 5k, apesar do cansaço físico em que me encontro.

segunda-feira, 17 de abril de 2017

Leitura: Estorvo (1991) - Chico Buarque





Refeição Cultural - Diário e Reflexões

"estorvo, estorvar, exturbare, distúrbio, perturbação, torvação, turva, torvelinho, turbulência, turbilhão, trovão, trouble, trápola, atropelo, tropel, torpor, estupor, estropiar, estrupício, estrovenga, estorvo" (Estorvo, Chico Buarque)


(e eu diria: "Incomodo (o patrão), logo existo!)


Após trabalhar doze horas nesta segunda-feira, 17 de abril, decidi me desligar das pautas da Caixa de Assistência dos Funcionários do Banco do Brasil, onde sou gestor, e busquei espairecer um pouco a mente e destravar o corpo físico, maltratado pelo estresse e as longas jornadas de trabalho sentado.

Saí para correr um pouco na noite de Brasília. Me esforcei para fazer o mesmo no feriado: corri na sexta e sábado e pedalei no domingo. Precisamos de muita disposição para enfrentar nossas batalhas na política e na representação de trabalhadores, que sofrem os ataques mais perversos em décadas de lutas contra a exploração do patronato. 

Hoje completou um ano que aqueles sujeitos do Congresso Nacional, denunciados por crimes diversos e pouco preocupados com o povo, aprovaram o afastamento da Presidenta Dilma Rousseff, sem crime algum, de seu legítimo mandato eletivo concedido pelo povo brasileiro com 54,5 milhões de votos. De lá para cá, não pararam os ataques aos direitos dos trabalhadores e desfazimento de avanços sociais para os brasileiros mais necessitados de políticas do Estado.

Na tentativa de buscar um pouco de prazer e realização pessoal, um alimento para nossa essência, li no feriado o meu primeiro livro em abril e o 20º livro em 2017. Foi experiência nova com o cantor, compositor e escritor Chico Buarque. Li "Estorvo" (1991). A leitura é diferente. Achei ela bem psicodélica. Mas foi interessante. Já li obras com texturas bem diversas.

O livro faz parte de uma coleção que ganhei de minha esposa pelo meu aniversário. Foram cinco romances de Chico Buarque. Quero ler todos e quero ler um monte de livros que selecionei para esta fase de minha vida. O personagem principal vai narrando de forma ininterrupta fatos e acontecimentos de um jeito que vamos com ele do início ao fim.

A linguagem de Chico Buarque é impecável. As construções frasais são bem ao estilo do cantor e compositor que conhecemos. Vamos para os próximos romances dele.

Vou me concentrar para me reinventar a cada dia e sobreviver a tudo que nós da classe trabalhadora estamos enfrentando na atualidade da crise política, econômica e social no Brasil e no mundo. Há riscos de guerras, destruição em escalas e caos social em diversas partes do planeta. Na minha leitura.

Apesar do pessimismo da razão, é necessário acreditar na luta coletiva e na perspectiva de um mundo melhor, mais justo e igualitário para todos os seres humanos e com maior consciência de preservação do planeta. Os recursos à vida e à existência não podem estar concentrados nas mãos de alguns humanos em detrimento de faltar para todos os demais bilhões de cidadãos.

Enquanto existirmos, temos que assumir um papel de contestação à isso que está colocado por ideologia como sendo algo normal, "natural". Não é! A desigualdade e a injustiça é opção, é escolha de alguns grupos no poder. Basta removê-los do poder e recomeçar. A vida é um eterno recomeçar.

Abraços aos amigos e amigas leitoras.

William

domingo, 16 de abril de 2017

Os tempos são de total domínio da Vaidade




Refeição Cultural - Após assistir "Advogado do Diabo" (1997)


"Melhor reinar no Inferno que servir no Paraíso" (John Milton - 1608/74)


Quando estudei Gnose, há muitos anos, refletia diariamente sobre as questões relativas àquela escola de conhecimento. Tínhamos que libertar e fortalecer nossa Essência e combater os principais vícios ou instintos humanos, classificados séculos atrás pela Igreja Católica como Pecados Capitais. Seriam eles a Ira, a Gula, a Avareza, a Luxúria, a Inveja, a Preguiça e a Vaidade, que também poderia se manifestar como Orgulho ou Soberba.


Após cada aula e exercício de meditação, ou seja, colocar a mente em repouso e não pensar em nada para buscar e ouvir nossa essência, tínhamos que exercitar o autocontrole e combater cada vício e ação dos Pecados Capitais atuando em nós mesmos. A Gnose e a busca pelo autoconhecimento foram fundamentais em um dos momentos mais difíceis de minha vida.

Ao assistir ao filme "Advogado do Diabo", lançado em 1997 e estrelado por Al Pacito, Keanu Reeves e Charlize Theron, fiquei impactado pela atualidade do tema.

O Diabo no filme escolheu o meio jurídico para se estabelecer na Terra nos últimos tempos. John Milton (Al Pacino) é dono de um dos principais escritórios de advocacia de Nova Iorque. Em determinado momento ele diz ao jovem advogado Kevin que o mundo está dominado por advogados e estudantes de advocacia. Para equilibrar a balança metafórica do personagem do filme, acredito que existam diversos anjos e arcanjos que nos guardam e nos defendem nos meios jurídicos também, senão o povo e os trabalhadores estavam lascados.

Fiquei pensando o domínio e o predomínio das Corporations (Corporações) do mundo capitalista, que passaram a ter "direitos" como pessoas (Pessoas Jurídicas). E hoje não existem mais "direitos humanos", porque os direitos todos ficaram com as Corporações (danem-se os humanos! Dane-se o Planeta!). É certo que por trás delas tem uns diabos humanos (o 1%), mas isso é um mero detalhe.

Caramba! Fiquei pensando o Brasil e o golpe de Estado em 2016. Fiquei pensando os homens de preto da República de Curitiba. Os "justiceiros" e os deuses (diabos?) do arcabouço do poder judiciário brasileiro. 

O poder do povo, a tal "Democracia", foi varrido do mapa pelas Corporações e pelos concursados dos órgãos do poder judiciário (com altos salários e estabilidade eterna e sem ninguém do povo que os controle). É uma situação dos diabos (como se diz) o que virou nosso mundo humano do povo trabalhador!

O Diabo confessa que o pecado que ele mais utiliza para tentar e manipular humanos é a Vaidade. É uma questão a se avaliar o tempo todo, a todo instante, em qualquer lugar onde estivermos nós humanos. A Vaidade está o tempo todo nos tentando... observem!

Se pensarmos o nosso ambiente de trabalho, lá estão os vícios capitais, e dentre eles a Vaidade. Se pensarmos os demais ambientes que frequentamos, lá está ela, disfarçada, mas vil e destruidora de relações e de mundos, a Vaidade.

Apesar de ser um velho filme, com vinte invernos nas costas, eu recomendo a vocês assistirem "Advogado do Diabo" e olharem ao redor... o Diabo está nos tentando e nos manipulando e são reais no mundo material as chances de perdemos nossa alma, nossa Essência, e nossa vida e as possibilidades que teríamos de fazer realizações conjuntas, de forma coletiva.

Independente de crença ou não crença (fé) de cada ser humano, a metáfora do Diabo no filme é muito real: ele diz que o século 20, os tempos atuais, foi amplamente dominado por ele na Terra.

Abraços aos amigos e amigas leitoras,

William

sábado, 15 de abril de 2017

Leitura: Adeus às armas (1929) - Ernest Hemingway





Refeição Cultural

"Aos que trazem coragem a este mundo, o mundo precisa quebrá-los, para conseguir eliminá-los, e é o que faz. O mundo os quebra, a todos; no entanto, muitos deles tornam-se mais fortes, justamente no ponto onde foram quebrados. Mas aos que não se deixam quebrar, o mundo os mata. Mata os muito bons, os muito meigos, os muito bravos - indiferentemente. Se vocês não estão em nenhuma dessas categorias, o mundo vai matar vocês, do mesmo modo. Apenas não terá pressa em fazer isso"

Eu achei esse pensamento do narrador da estória muito forte. Fiquei pensando muito nessa frase durante a leitura do livro de Hemingway e fiquei refletindo sobre o contexto atual do nosso País e do mundo neste quarto da história mundial.

Outro pensamento do personagem narrador, Henry, que antecede o citado acima, é sobre o amor e o sentimento ou não de solidão ao estar com uma pessoa ao seu lado. Também achei muito bonito.

"Naquela noite, no hotel, em nosso quarto, com o comprido corredor do outro lado da porta e nossos sapatos lá fora, um espesso tapete sobre o assoalho, com a chuva caindo e o quarto aconchegante e alegre, as luzes apagadas e a excitante maciez dos lençóis de linho, a cama tão confortável, tínhamos a sensação de estar em nossa casa; não nos sentíamos mais sozinhos, vagando pela noite à procura um do outro, sem sair do lugar. Tudo o mais tornou-se irreal. Dormíamos quando estávamos cansados e, se um acordava, acordava também o outro, e assim nenhum dos dois se sentia sozinho. com frequência, um homem ou uma mulher tem vontade de ficar sozinho, e, se os dois se amam, um sente ciúmes desses momentos do outro, mas posso dizer com convicção que jamais sentimos isso. Podíamos até nos sentir sozinhos juntos, em relação a todos os demais. Isso só tinha me acontecido uma vez. Eu me senti sozinho acompanhado de muitas garotas - e essa é a solidão mais certa que existe. Mas nunca nos sentimos sozinhos, quando estávamos juntos, e nunca tivemos medo de nada. Sei que à noite o mundo não é o mesmo que de dia. Que as coisas que pertencem à noite não podem ser explicadas durante o dia, porque de dia não existem - a noite se torna ameaçadora para pessoas solitárias, essas que já de começo conhecem a solidão. Mas, junto a Catherine, quase não havia diferença entre noite e dia, exceto que para mim as noites eram melhores"

Declaração de amor muito bonita do jovem tenente.


REFLEXÕES

Eu me sinto bem quando completo a leitura de mais um clássico da literatura mundial. É muito bom preencher lacunas culturais.

É uma pena que no mundo em que vivo não haja espaço para sentar com amantes da literatura e da cultura e ficar horas debatendo e analisando obras clássicas. Eu gostaria muito de vivenciar momentos assim.

Talvez por isso sempre tenha sonhado em ser professor, para poder passar meus dias em locais com pessoas discutindo obras literárias e temas de conhecimento. (Mas fui parar no movimento social fazendo a luta coletiva que já fazia de forma individual desde que me entendo por cidadão do mundo)

A leitura desse livro se deu entre os dias 26 de março e 14 de abril. Confesso que o meu contexto de leitura foi dos mais difíceis. Enquanto no romance, o casal de personagens quere fugir do cenário da 1ª Guerra Mundial e encontrarem um canto para viver em paz, na minha vida também queria eu encontrar um pouco de paz e a cada dia mais distante via o alcance deste desejo.

Nesses dias de leitura tive morte na família e outras crises familiares; tive uma rotina de ataques internos na burocracia de meu trabalho; e, a cada dia, vejo o desmantelamento do meu mundo, o Brasil que ajudei a construir nos últimos vinte anos. Estamos vivendo agora sob estado de exceção, dominado por uma cleptocracia que tomou conta de todas as instituições do Estado, no pós-golpe. 

Para aqueles que se importam e que têm consciência de classe, morremos um pouco todo dia ao ver o que estão fazendo com o nosso povo e o nosso País.

Em vários momentos da obra, com o personagem e seus companheiros nos cenários de batalha, eu ficava pensando sobre a alimentação dos soldados no front nos anos da 1ª Guerra Mundial e nas demais guerras de longo prazo. Pensem na dificuldade de se fazer qualquer tipo de refeição nos cenários de guerra.

E pensar que os donos do mundo, o 1% detentor das corporações que dominaram até os países, estão a organizar guerras neste momento, estão jogando bombas por aí, destruindo democracias, pilhando Estados e patrimônios e direitos dos povos, e a perspectiva do amanhã não é de paz, é de guerra sem controle.

Triste. O final do romance também foi muito triste. Mas me lembrou a vida real.

Recomendo a leitura. Ler Hemingway é algo que vale a pena. Minha próxima leitura dele será "Por quem os sinos dobram" (1940), que até já comprei (o livro é bem volumoso). Mas tenho uns livros na frente como os que ganhei no aniversário, do Chico Buarque, e outros que já selecionei para os minutos livres de leitura.

Abraços aos amigos e amigas leitoras.

William

sábado, 8 de abril de 2017

Diário e reflexões - 080417





Sábado, estou em Brasília.

Acordei tão quebrado que só consegui sair da cama umas onze horas. Dias e semanas difíceis no trabalho. Estou extenuado. Por questões várias, estou sem ver a família há semanas.

Eu estou em um mandato de representação de trabalhadores numa autogestão em saúde. Vou completar três anos de gestão em maio. Minha vida e a de minha família mudaram completamente após eu ter aceitado este desafio proposto a mim pelo movimento sindical e grupo político ao qual eu era vinculado no início de 2014.

Como sou um cidadão, um militante político, forjado nas lutas, sejam individuais ao longo da vida, sejam nas lutas coletivas estudantis, sindicais e sociais, eu sou uma pessoa que põe toda a energia, a inteligência e a vida naquilo que me comprometi a fazer. Estou fazendo isso no mandato da Cassi, colocando tudo de mim na tarefa.

Procuro escolher as mais estratégicas dentre as inúmeras frentes de batalha existentes na tarefa de gerir a Cassi, preservar direitos dos associados (que não têm noção dos direitos deles), preservar o que a entidade é, e avançar nos gargalos que impedem as melhorias necessárias. Já abri e abro mão de remuneração própria para fazer o que entendo que deve ser feito; não estou interessado em cargos, indicações e conselhos em outras entidades, como usam gostar as pessoas ao nosso redor.

Passei tanta raiva nos últimos dias e semanas em questões internas de gestão por não poder deixar sem respostas e enfrentamento as merdas que fizeram e estão tentando fazer contra mim e o que eu represento, principalmente, que estou com o sangue azedo, com os humores afetados. Estou com os líquidos envenenados por dentro e isso está afetando minha saúde. Mas eu não deixo questões de princípios para trás. Não deixo! Os três anos de mandato me trouxeram dissabores o tempo todo mesmo, então é a vida (é o que eu represento).

Neste mês eu completei 48 anos de idade. Faz mais de trinta anos que um de meus sonhos pueris era ter ou encontrar paz. Eu me lembro de escrever metas e objetivos numa folha de papel quando ainda era adolescente. Paz era a palavra principal da linha imaginária do tempo e da vida, era aquela no fim da estrada a perseguir. Com o passar da vida e das lutas proletárias diárias, a gente vai compreendendo melhor como a vida humana está organizada numa sociedade capitalista injusta e má. Não há espaço para se viver em paz, não há!

A vida é luta.

Pensei em escrever tanta coisa nesta manhã de sábado. Mas acabei fazendo um outro texto sobre a Cassi e meu trabalho (em rede social), secou o repertório no momento, e o sábado já está indo embora, e eu nem li, nem escrevi, nem pratiquei esporte, nada. Mas é isso.

William


Post Scriptum (19h de sábado, 8/04/17):

E então, finalmente, tomei coragem e peguei a bike e fui pedalar no Parque da Cidade. Gostei do local. Me lembrou um pouco o Parque do Ibirapuera.


Ilha no Lago do Parque da Cidade, Brasília, DF.

segunda-feira, 3 de abril de 2017

Diário e reflexões - 030417





Hoje foi um dia de muito trabalho. Comecei às 8h30 da manhã e estou parando agora às 23h50.

Estou longe da família já vão fazer três semanas. São as incompatibilidades de agenda.

Muitas pessoas mandaram mensagens pelo meu aniversário. Eu não pude ler quase nada ainda, mas lerei todas. Algumas pessoas me ligaram também.

Se eu contar como foi estressante esta data de aniversário, as pessoas vão achar que eu estou exagerando. Então não conto nada. Posso dizer que estou no front, pois meu trabalho de representação é uma guerra.

Se meu dia foi assim, é sinal que pelo menos ainda estou com energia para defender as causas que represento.

Eu completei 48 anos de idade. Eu não posso reclamar porque tenho pessoas que me amam, que me respeitam, e eu agradeço de forma geral cada gesto e palavra que recebemos no fim de semana com a morte de meu primo e cada gesto e palavra que recebi hoje pelo aniversário (vou ler tudo).

Eu reforço aqui o meu compromisso, a minha ética e o meu empenho no que faço em nome dos associados que represento, e pelo respeito que tenho aos amigos e companheiros de lutas; reforço meu compromisso com a Cassi que administro e tenho como causa e com seu quadro de trabalhadores abnegados.

Meu dia de aniversário não foi de festas, não foi de lazer. Mas foi de lutas para as quais fui destacado.

Amo minha família e ela é meu esteio. Fiquem bem para eu poder seguir nas minhas lutas. E estou à disposição para o que precisarem. Do jeito que eu puder ajudar...

Abraços e beijos a tod@s,

William

sábado, 1 de abril de 2017

Diário e reflexões - 010417 (Tristezas, apesar das lutas)



Tristeza... mas resoluto nas lutas e nos objetivos...

Hoje é o primeiro dia do mês de abril. O mês começou triste, com perdas, assim como terminou o mês de março.

Quando recebi no início da noite aquela ligação que não queremos receber sobre morte na família, achei no instante seguinte que seria alguém mais velho que eu, ou seja, na linha de ascendência minha ou de meus primos. Não era. Meus tios acabaram de perder o segundo filho em acidente. Não dá para imaginar a dor dos outros, não dá para imaginar a dor de pais que perdem o segundo filho. Que fazer, que dizer aos meus tios, além de desejar muita força e que eles encontrem um pouco de paz? Que tristeza!

Ontem, dia 31 de março, ao final da noite e ainda no aeroporto em Florianópolis, Santa Catarina, voltando do trabalho, recebo mais uma daquelas ligações de falecimento. Um companheiro de longas jornadas de lutas havia falecido, vítima de um infarto fulminante. Já expressei pelas redes sociais meus sinceros sentimentos. Que tristeza!

O 31 de março, aliás, é um dia marcado pela tristeza ao se pensar o nosso País e a democracia, pois foi o dia que o Brasil sofreu um golpe de Estado em 1964, orquestrado pela burguesia vira-latas e fascista. A mesma que organizou o novo golpe de Estado em 2016, o ano sem fim, que nos colocou sob nova ditadura civil-jurídica-parlamentar, poderia continuar nos adjetivos da nova ditadura midiática-empresarial et caterva. Vejam quanta tristeza, pessoal e coletiva.

Mas o mês de março e o 31 de março foram também de lutas e de povo nas ruas, buscando se organizar para fazer o enfrentamento ao massacre dos direitos sociais, civis e políticos que estão sendo extintos pelos golpistas que tomaram conta do aparelho do Estado em todos os seus poderes.

Os golpistas estão tão senhores de si, apostam tanto na inconsciência da classe trabalhadora e no poder de manipular o povo brasileiro, através dos meios midiáticos-empresariais, que ao mesmo tempo em que dezenas de milhares de pessoas estavam nas ruas, o governo de plantão sancionou o projeto de escravidão total (terceirização) e fim dos direitos do trabalho e da organização sindical. Os golpistas apostam sem titubear na tese do brasileiro "cordial", e que aqui é mesmo uma república de bananas. Que tristeza!

Eu queria ter lido mais do que li, mas foi impossível. Estou sofrendo ataques internos na direção da entidade de saúde dos trabalhadores em que sou gestor eleito. O mês foi de tanta dedicação em estudos, leituras e confecção de defesas e votos, que faz três semanas que durmo menos de cinco horas por noite e praticamente não consegui correr nem caminhar e nem cuidar de minha saúde.

Apesar de tantas dificuldades e tristezas, apesar de ter passado a maior parte do mês longe da família, me sinto um soldado no front de batalha, numa guerra entre capital e trabalho, entre os desgraçados donos do mundo versus a classe à qual pertenço. A tristeza pode até adoecer a gente ou fechar nossas expressões, mas não esmorece nosso espírito de lutas por nossos objetivos e ideais.

Li dois livros neste mês de março, que somados aos cinco de fevereiro e aos doze de janeiro, já são 19 livros lidos ou finalizados em 2017. Deixo palavras de Drummond para expressar o que estou sentindo neste momento de minha vida, nesta quadra da história.


Os ombros suportam o mundo

Chega um tempo em que não se diz mais: meu Deus.
Tempo de absoluta depuração.
Tempo em que não se diz mais: meu amor.
Porque o amor resultou inútil.
E os olhos não choram.
E as mãos tecem apenas o rude trabalho.
E o coração está seco.

Em vão mulheres batem à porta, não abrirás.
Ficaste sozinho, a luz apagou-se,
mas na sombra teus olhos resplandecem enormes.
És todo certeza, já não sabes sofrer.
E nada esperas de teus amigos.

Pouco importa venha a velhice, que é a velhice?
Teus ombros suportam o mundo
e ele não pesa mais que a mão de uma criança.
As guerras, as fomes, as discussões dentro dos edifícios
provam apenas que a vida prossegue
e nem todos se libertaram ainda.
Alguns, achando bárbaro o espetáculo,
prefeririam (os delicados) morrer.
Chegou um tempo em que não adianta morrer.
Chegou um tempo em que a vida é uma ordem.
A vida apenas, sem mistificação.


(Carlos Drummond de Andrade, em Sentimento do Mundo, 1940)


Post Scriptum (domingo, 22:20h):




TRISTEZA PELA MORTE DE MEU PRIMO. QUE MEUS TIOS E TODA A FAMÍLIA ENCONTREM FORÇAS PARA SEGUIR JUNTO AOS ENTES QUERIDOS

Eu vi esse garoto crescer, pois teve uma época em minha vida que ia todos os anos para Barra do Garças (MT) e lá ficava por dias. O garotão Edlran era pequeno e bravo, mas tinha uma característica impressionante: era de um coração que não cabia nele, era um bom garoto.

Certa vez, já sendo mais adulto, sofreu um grave acidente em uma piscina, fraturou a cervical e teve um conjunto de fatores que contribuíram para se restabelecer.


Ele sempre quis ser locutor de rádio, desde molequinho. Eu tenho guardada em casa até hoje uma fita cassete daquelas antigas, que ele me deu de presente, com gravações dele treinando para ser locutor.

Eu gostava muito desse garoto, hoje era um homem de trinta e tantos anos.

A vida circulou para todos nós da família nas últimas duas décadas. Eu nunca mais pude ir a Barra do Garças e uma fatalidade ceifou a vida de nosso Edlran na tarde de ontem.

Minha vida está tão complicada que eu não tive condições de ir me somar aos meus tios e família para dar um abraço em cada um deles no enterro hoje (quando meu primo Cleyber morreu, eu estava lá ao lado da família).

Tia Regina, Tio Léo, Lara, me perdoem por não estar aí com vocês. Meus sinceros sentimentos e tenham muita força. Um beijo a todos.

William Mendes

domingo, 26 de março de 2017

Réquiem para o sonho americano - Noam Chomsky


Documentário fantástico com Chomsky.

Para melhor entendimento do que está acontecendo em nosso mundo

Apresentação do Blog:

Olá prezad@s leitores e amigos, eu já conhecia o linguista e intelectual Noam Chomsky desde que fiz o curso de Letras na Faculdade de Filosofia, Letras e Ciência Humanas (FFLCH) na Universidade de São Paulo (USP). Dias atrás, minha companheira de lutas formativas, Regina do Dieese, e agora meu sobrinho Victor Hugo, me indicaram este documentário com o mestre Chomsky.

Eu sou representante da classe trabalhadora, eleito por ela em diversas instâncias políticas e instituições dos trabalhadores como, por exemplo, Sindicato e Confederação dos Bancários (entre 2002 e 2015), e atualmente estou gestor eleito na Caixa de Assistência dos Funcionários do Banco do Brasil, a maior autogestão em saúde do País, definida em seus estatutos e regulamentos internos para organizar um sistema de serviços de saúde no Modelo de Atenção Integral, baseado na Atenção Primária à Saúde (APS), que na Cassi é operacionalizado pela Estratégia Saúde da Família (ESF), com unidades de atendimento à saúde (CliniCassi) como base da execução de nossos cuidados em saúde.

O documentário com Noam Chomsky tem cerca de 70 minutos e eu digo a vocês que ele é tão profundo e necessário para os formadores de opinião do meu lado da classe, a classe trabalhadora, que se eu tivesse tempo livre e ainda fosse formador com dedicação para atuar junto à classe que represento, além do meu trabalho de gestor de saúde, eu organizaria sessões em todos os 150 sindicados de bancários do País, de forma organizada, com apresentação do vídeo e debates posteriores. Sugeriria que fosse feito o mesmo nas centenas de sindicados das categorias ainda existentes e organizadas por sindicados. Faria isso nas próximas semanas, dias. Porque a terceirização vai pulverizar o instrumento mais estratégico da classe trabalhadora: os sindicatos.

O vídeo abrange em pouco tempo, todos os eixos do mundo do trabalho e da disputa entre os patrões e donos do mundo contra nós que vivemos da venda de nossa força de trabalho.

A aprovação da terceirização total no Brasil na semana passada é engrenagem de tudo que significou o Golpe de Estado contra o povo brasileiro, contra a classe trabalhadora. Em 70 minutos vocês podem ver o conteúdo que aplicamos nos 6 anos de formação política e sindical, junto com o Dieese, quando estivemos à frente da formação da Contraf-CUT. Sempre abordamos em palestras e debates os temas que Chomsky apresenta, sempre falamos a respeito das questões nas conversas com lideranças de sindicatos e entidades de representação.

Este conteúdo não pode ser visto por apenas alguns milhares de cidadãos do mundo. Ele deve ser visto por milhões de pessoas. Afinal de contas, nunca nossas vidas de classe trabalhadora estiveram em maior risco no último século e meio de lutas e avanços, lentos, mas avanços na disputa pela distribuição das riquezas produzidas por nós, classe trabalhadora.

Por favor, organizem sessões com este vídeo curto e profundo sobre o que está acontecendo no Brasil e no mundo, acontecendo contra nós classe trabalhadora.

Réquiem é uma espécie de missa fúnebre, aqui algo como um "sinto muito", um "adeus" para o sonho de ascensão da classe trabalhadora tanto americana como do mundo todo em face do atual momento de ataque dos capitalistas e corporações contra as democracias e os avanços que haviam ocorrido por décadas e décadas de lutas dos povos explorados e trabalhadores. O que se desenha é praticamente a volta da escravidão para os 99% em detrimento do 1% que tudo domina no mundo. 

William Mendes
Um membro da classe trabalhadora


segunda-feira, 20 de março de 2017

Diário e reflexões - 200317 (Cismando na solidão)



Terminando a segunda-feira, mais uma num certo país latino-americano sob Golpe de Estado.

Decidi parar de trabalhar faz poucos minutos. Entendi que umas doze horas de jornada por hoje bastavam. Não que as tarefas tenham acabado. Não acabam nunca...

Estou sozinho em casa. Não sei quantos dias ficarei sem ver esposa e filho. Minha missão política atual desorganizou minha vida pessoal. E a dos meus entes queridos também. Faz parte de nossas jornadas de lutas nesta vida proletária militante. A gente faz o que tem que ser feito.

Fico pensando na desfaçatez dos desgraçados golpistas que vão a cada semana dizimando o patrimônio público brasileiro, como as doações das reservas do Pré-sal aos estrangeiros. 

Enoja ver a cara de pau do governo usurpador em fazer propagandas mentirosas dizendo que é bom para o povo acabar com os direitos trabalhistas e previdenciários do povo, através dos meios de comunicação pró-empresários e articuladores do Golpe, mídia dos capitães hereditários Marinhos, Civitas, Mesquitas, Frias, Saads e lixos afins, que antes era contra o governo petista, agora é favorável ao governo usurpador.

Está marcado para amanhã, terça 21 de março, votação no Congresso Nacional para acabar com os direitos dos trabalhadores e aprovar a volta da escravidão, a tal terceirização total. Já aprovaram tanta merda naquele local, a antiga casa do povo brasileiro, que já não sei se o povo defende que exista aquele antro de representantes de banqueiros, empresários, latifundiários e coronéis seculares.

E na vida humana, na vida em sociedade, é tudo junto misturado tudo ao mesmo tempo. Toda a desgraça lá fora no mundo, no nosso mundo, que nos entristece e aperta o coração, e aumenta o estresse, e gera hormônios e fenômenos que dilaceram os corpos dos humanos que se importam, e nos adoecem... enfim, tudo isso ao redor, não basta! Ainda temos, cada um de nós, os problemas pessoais, que se somam a toda essa desgraceira que estão fazendo com nosso País e conosco, povo trabalhador.

Hoje, estou longe da família, com o coração apertado, com eles, que tanto amo; com meu País, que tanto amo; com a destruição dos direitos do povo trabalhador, que tanto amo.

Tentei ler uns minutos após parar de trabalhar, e não dei conta. Cochilo em minutos.

Corri na noite brasiliense agora há pouco, para diminuir todo aquele treco do estresse e tristeza dentro do corpo da gente, porque quero meu coração, pulmão, órgãos vitais, estrutura corporal, cérebro, funcionando bem para continuar lutando contra essa merda toda que ocorre contra o povo que represento e amo e faço parte.

Estava pensando na violência que vi nos dois episódios da série Vikings, que mostra as barbaridades do mundo nas sociedades violentas do primeiro milênio de nossa era - assisti com meu filho, a convite dele. O que os atuais capitalistas donos das corporações que corrompem o mundo e fodem com tudo querem é a violência, as guerras, é destruição. Amor, compaixão, valores humanistas são coisas antiquadas.

Se estão exterminando o presente e o futuro de nossos trabalhadores e familiares, estão condenando meus pares à morte, talvez lenta. Era melhor o povo se revoltar e começar logo uma guerra civil.

Nada de novo no front... mas ainda estamos vivos e na luta!

William