domingo, 18 de fevereiro de 2018

Vamos viajar pelo país na companhia de Bertolt Brecht



Vamos viajar o país na companhia de Brecht.

Refeição Cultural

"Quem se defende

Quem se defende porque lhe tiram o ar

Ao lhe apertar a garganta, para este há um parágrafo
Que diz: ele agiu em legítima defesa. Mas
O mesmo parágrafo silencia
Quando vocês se defendem porque lhes tiram o pão.
E no entanto morre quem não come, e quem não come 
                     [o suficiente
Morre lentamente. Durante os anos todos em que 
                     [morre
Não lhe é permitido se defender."

(Bertolt Brecht, Poemas 1913-1956. Editora 34)


Noite de domingo. Cheguei há pouco em Osasco, São Paulo, para pernoitar e começar uma jornada de mais ou menos cinco semanas de viagens pelo Brasil para participar do processo democrático de consulta aos associados de nossa querida Caixa de Assistência dos Funcionários do Banco do Brasil, que vai renovar parte da governança da entidade de saúde, que pertence aos trabalhadores associados.

Ao mesmo tempo em que ficamos tristes ao ver o nosso país passando por uma de suas piores crises políticas na história, ficamos esperançosos em participar de um processo democrático que envolve quase duzentos mil cidadãs e cidadãos brasileiros. Somos oriundos e formados no movimento social desde muito jovem e acreditamos na democracia e na solução pacífica das controvérsias e divergências.

Serão semanas em que dormiremos pouco e viajaremos muito. Correria total. No entanto, eu já exerço um mandato de representação no qual procurei estar presente nas bases sociais ao longo desses quatro anos. Para mim é sempre uma alegria conversar com os trabalhadores. Vamos com o coração leve para o bom debate de ideias. Se depender de nós, o nível da campanha será alto, porque é nossa forma de fazer política.

Nestas primeiras semanas vou levar comigo Bertolt Brecht, o dramaturgo e poeta alemão que viveu um dos períodos mais conturbados do século vinte: as duas Grandes Guerras Mundiais e as crises políticas e econômicas da primeira metade do século passado. 

Eu não sou conhecedor de sua obra. Achei então que ele seria uma boa companhia de viagem, Brecht e sua vasta poética. O contexto que vivemos no Brasil e no mundo é complexo e de grandes riscos e ameaças aos povos como foi a primeira metade do século vinte, que gerou aquelas tragédias humanitárias.

O livro que adquiri tem 260 poemas de Brecht e já estou lendo. Conheci poemas interessantes.

É isso. Vamos seguir em frente e conversar com as pessoas, conversar com nossos colegas da ativa e aposentados da comunidade de trabalhadores a qual pertencemos. 

Eu terminei hoje um conjunto de textos de balanço do mandato que estamos encerrando em maio na gestão da nossa entidade de saúde. Publiquei os textos entre o fim de dezembro e hoje. 

Percorremos um período turbulento no setor de saúde e na própria Caixa de Assistência (e no Brasil), mas fizemos um mandato de resistência e manutenção dos direitos, e atuamos para fortalecer o modelo assistencial da entidade e a participação social. 

Quem se interessar em ler os textos de balanço é só clicar AQUI.

Abraços aos leitores amig@s.

William

domingo, 11 de fevereiro de 2018

Leitura: Nada de novo no front (1929) - Erich Maria Remarque




Refeição Cultural

"Dois homens morrem de tétano. A pele fica lívida, os membros enrijecem e, por fim, só os olhos teimam em viver. Muitos têm o membro atingido suspenso no ar por uma espécie de roldana; embaixo, colocam uma bacia, para onde escorre o pus. De duas em duas, ou três em três horas, eles esvaziam-na. Outros ficam em tração, com pesados sacos de areia que pendem da cama. Vejo ferimentos nos intestinos, que estão constantemente cheios de fezes. O auxiliar do médico mostra-me radiografias com ossos do quadril, joelhos e ombros totalmente esmagados.

Não se consegue compreender como, em corpos tão dilacerados, ainda há rostos de seres humanos, em que a evolução da vida prossegue normalmente. E, contudo, isto aqui é um único hospital, uma única enfermaria. Na Alemanha, há cem mil, cem mil na França, cem mil na Rússia. Como é inútil tudo quanto já foi escrito, feito e pensado, mentiras e insignificâncias, quando a cultura de milhares de anos não conseguiu impedir que se derramassem esses rios de sangue, e que existam aos milhares estas prisões, onde se sofrem tantas dores. Só o hospital mostra realmente o que é a guerra.

Sou jovem, tenho vinte anos, mas na vida conheço apenas o desespero, o medo, e a mais insana superficialidade que se estende sobre um abismo de sofrimento. Vejo como os povos são insuflados uns contra os outros, e como se matam em silêncio, ignorantes, tolos, submissos e inocentes. Vejo que os cérebros mais inteligentes do mundo inventam armas e palavras para que tudo isto se faça com mais requintes e maior duração. E, como eu, todos os homens da minha idade, tanto deste quanto do outro lado, no mundo inteiro, veem isto; toda a minha geração sofre comigo. Que fariam nossos pais se um dia nós nos levantássemos e nos apresentássemos a eles, para exigir que nos prestassem contas? Que esperam de nós, se algum dia a guerra terminar? Durante todos estes anos, nossa única preocupação foi matar. Nossa primeira profissão na vida. Nosso conhecimento da vida limita-se à morte. Que se pode fazer, depois disto? Que será de nós?"

(Nada de novo no front, Erich M. Remarque, 1929)


Reflexões como essa do jovem personagem Paul Bäumer, personagem inspirado nos jovens dilacerados na realidade bárbara dos campos de batalha da 1ª Guerra Mundial, são as reflexões que têm permeado meus pensamentos já faz algum tempo, principalmente depois que se desenhou a estratégia vitoriosa da direita capitalista de desestabilização dos governos democrático-populares da América do Sul dos anos 2010 adiante, incluindo o gigante Brasil, que sucumbiu a Golpe de Estado em 2016 e que vai se desfazendo enquanto país soberano nas mãos de uns quinhentos humanos lesas-pátrias (e os 200 milhões de cidadãos não fazem nada contra eles!)

Com a nova etapa de crise do sistema capitalista, com um marco importante a partir das consequências do crash das bolsas no evento subprime em 2008, e somando a secular questão da disputa de hegemonia e domínio da produção e distribuição de petróleo no mundo, tenho a impressão que não passaremos sem algum tipo de conflito armado de escala mundial ainda na primeira metade do século 21.

Um século atrás, homens de Estado (os "impérios") definiam as guerras, definiam as fronteiras, organizavam e distribuíam as colônias e humanos de exploração no tabuleiro mundial e colocavam seus jovens filhos, os proletários e os despossuídos nos fronts de batalha.

Um século depois, pátria e países são questões secundárias. Homens e suas corporações definem as guerras, o destino do mundo; definem os orçamentos públicos; definem as fronteiras, regiões e humanos a serem explorados no tabuleiro mundial. Patrocinam mercenários de ternos e camisas de marca nos espaços da burocracia estatal para darem canetadas com efeitos de bombas na vida de milhões de cidadãos civis.

O mundo pertence a algumas corporações da indústria armamentista, farmacêutica e de ciências, de tecnologia, do entretenimento, das comunicações. Além dos bancos e banqueiros, Google, Microsoft, Facebook, Aple, Amazon e mais algumas corporações detêm as ações mais valiosas da história.

Em um mundo de mais de 7 bilhões de humanos, poucas corporações e seus donos, acionistas, CEOs ou seja lá que nome que adotem têm o poder de decidir sobre a vida e a morte (por miséria) do conjunto da população global e decidem sobre destruir mais rápido ou não o único planeta habitável para nossa espécie e milhões de outras.

Que chato ficar repetindo isso! É provável que os leitores digam que sabem disso. Então, pra que gastar tempo escrevendo isso, se dá tanto trabalho produzir um texto reflexivo sobre essas questões? Gasto tempo nisso porque se eu desistir de alertar e levar minhas reflexões para uns poucos que consiga acessar, a vida não terá sentido. Se não houver esperança e resistência na luta por um mundo melhor para todos, não valerá a pena viver. Mas, desistir não é uma opção!

Tenho atualmente pouquíssimo tempo livre para estudos e reflexões sobre os temas políticos que definem o mundo, o nosso mundo da classe trabalhadora. Consumo meu tempo integral na defesa dos direitos em saúde dos trabalhadores associados à entidade de autogestão em que atuo como representante eleito. Não deixa de ser um fragmento da luta maior da classe trabalhadora, mas meu front é esse e envolve quase um milhão de vidas humanas.

VOLTANDO AO LIVRO de Remarque que nos coloca no meio das trincheiras, lama, sangue, ratos, bombas, gás mortal, hospitais com gente dilacerada pela guerra, eu recomendo a leitura porque esse cenário não é uma estória da carochinha. A crise que o mundo enfrenta por causa de poucos donos do mundo que decidem sobre a vida de bilhões, e em benefício de alguns milhares deles, é uma crise que pode nos levar a guerras mais sangrentas que as já conhecidas na história.

A crise em que os golpistas colocaram o Brasil tem efeitos semelhantes à clássica abertura da Caixa de Pandora. Todos os males e demônios foram soltos e não se volta para a situação anterior com um aperto de botão. Eu não acredito que haverá solução institucional e democrática em 2018. Não há mais democracia no país, e as instituições da República fizeram e fazem parte do golpe de uma casta contra o povo todo. Por mais que haja gente correta e decente nos aparelhos do Estado, um conceito de casta/corporação tomou conta deles. Me parece que são eles contra o povo, e estão fazendo chacota do povo, por não verem reação alguma à altura.

Termino citando um trecho de excelente artigo de Maria da Conceição Tavares, no site Carta Maior, pois felizmente ainda temos fonte de qualidade para dar subsídios aos militantes por um mundo justo e solidário e que não concordam com o que está aí:

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"O Estado sempre foi a nobreza do capital intelectual, da qualidade técnica, da capacidade de formular políticas públicas transformadoras. O que se fez no Brasil é assustador, uma calamidade. É necessário um profundo plano de reorganização do Estado até para que se possa fazer políticas sociais mais agudas. Chegamos, a meu ver, a um ponto de bifurcação da história: ou temos um movimento reformista ou uma revolução. A primeira via me soa mais eficiente e menos traumática. Ainda assim, reconheço, precisaremos de doses cavalares do medicamento para enfrentarmos tão grave enfermidade. Os sintomas são de barbárie. Parece um fim de século, embora estejamos no raiar de um. Em uma comparação ligeira, lembra o começo do século XX. Os fatos levaram às duas Guerras Mundiais. Aliás, a guerra, ainda que indesejável, é uma maneira de sair do impasse..."

(Restaurar o Estado é preciso, ler artigo AQUI). O destaque sublinhado é meu.

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O que falta ainda para os jovens, que têm a energia vital em suas veias, e o povo trabalhador e simples, lesado pelo Golpe, acordarem para o fato que uns poucos humanos estão em alguns postos chaves do Estado nacional destruindo o passado, o presente e o futuro do Brasil?

Neste momento, passados quase dois anos de domínio dos golpistas, não vejo "nada de novo no front". Mas alimento a esperança de ver uma reação popular logo ali, na próxima batalha. E que não demore dezenas de anos, porque acho que não vai sobrar nada do país.

Abraços aos valoros@s leitores que conseguimos acessar, enquanto os donos das ferramentas de estabelecimento de ideologias das classes dominantes acessam milhões de leitores em suas plataformas de comunicação de massa.

William

domingo, 4 de fevereiro de 2018

Diário e reflexões - 040218 (Alguns serão lixo na história)



Meu mundo, Osasco.

Domingo. Brasil. Osasco.

Estou quase terminando a releitura do livro "Nada de novo no front", publicado em 1929 pelo alemão Erich Maria Remarque. Quando o li na adolescência, fiquei muito impactado pelo relato do dia a dia da 1ª Guerra Mundial. Que merda de guerra imbecil que ainda duraria décadas considerando um intervalo de vinte anos de crises e a 2ª Guerra Mundial.

Aí volto para a nossa realidade num mundo em crise, num país sob Golpe de Estado desde 2016, num momento em que os golpistas que destroem o presente e o futuro do Brasil e do povo brasileiro ainda estão vencendo as batalhas travadas contra a classe trabalhadora. Uma quadrilha com membros em todos os espaços de poder da República derrubou um governo eleito pelo povo, sem crime algum, e agora avança com todo tipo de arbitrariedade contra o povo e seus representantes com abusos de poder por parte do Legislativo, Executivo e Judiciário.

Lendo várias matérias na revista Carta Capital nº 988, de 31/1/18, ficou-me uma esperança ao ler o artigo de Nirlando Beirão "O fascismo não acaba bem - Eles que não se iludam. A História pertence a outros protagonistas", que fala sobre como terminaram os líderes fascistas e totalitários e como a história os tratou. O duce Benito Mussolini e sua trupe justiçados pelo povo e pendurados de cabeça para baixo em praça pública. O nazismo e seus líderes como Hermann Göring, Rudolf Hess e mais uma dezena condenados à morte no julgamento de Nuremberg. Ditadores em diversas partes do mundo como o nicaraguense Anastasio Somoza justiçados pelo povo... 

Nós o povo da classe trabalhadora já sofremos diariamente a violência desses governos ilegítimos ou comprometidos com a elite através das injustiças diárias, através do desemprego, da miséria, da violência das forças repressivas do Estado que só abusam de pobres, estudantes, pessoas simples e representações populares, segmentos discriminados como, por exemplo, a comunidade negra, dentre outros segmentos sociais. Morremos todo dia nas periferias do Brasil. Morremos de morte morrida ou de morte matada. O mundo dos 99% é o da exposição à insegurança, às doenças oriundas da não intervenção do Estado no saneamento e na atenção básica.


Matéria de Carta Capital sobre o fim que tiveram alguns
fascistas pelo mundo. E o livro de Remarque sobre
a imbecilidade da guerra.

Que saco! Vivi para ver a miséria na minha infância, depois na adolescência. Depois vivi a esperança de um futuro melhor com a ascensão de forma democrática dos governos do PT e o Brasil deu um salto para melhor justamente para o povo sofrido e miserável e para milhões de remediados que melhoraram em mais de uma década de governos progressistas e com foco naqueles que mais precisam das políticas do Estado, o povo foi incluído no orçamento público nos governos do PT. 

Vivi para ver um golpe destruir décadas e décadas de avanços e lutas sociais em praticamente dois anos. Nossas riquezas sendo entregues. Nossos direitos sendo eliminados por uns 400 lesas-pátrias. E até agora não vi a reversão do processo de destruição de nosso país e de nosso povo.

Minha esperança fica ao olhar a história que conta que alguns casos de regimes de exceção e abusos de castas contra o povo podem ter finais felizes, com os desgraçados sendo justiçados pelo povo após o processo de destruição e abuso e violência que esses poucos cometeram contra os muitos, o povo todo.

Eu não posso aceitar os abusos que vejo ao meu redor, a tristeza que sentimos com as injustiças quase nos mata, mas não mata. Estou com energia para lutar por um mundo diferente desse que os golpistas, fascistas, capitalistas e lixos do tipo estão impondo ao povo ao qual pertenço.

William


Post Scriptum:

Como um soldado do povo trabalhador, tenho a noção exata que não posso quebrar nem fisicamente nem psicologicamente. Os assédios que tenho sofrido não vão me quebrar. As dores e efeitos físicos das batalhas que enfrentamos diariamente pelos direitos dos trabalhadores que representamos também não podem me quebrar. Acordei tão dolorido neste domingo pelo estresse ininterrupto de semanas e saí para correr, após perceber que não era dor muscular nem nos tendões. Talvez fosse efeito da tristeza de ver o que temos visto ao nosso redor. Resisti às dores e corri meus 5,5 km. Foi importante. 

Conversando com lideranças sindicais nesta semana, sugeri que as entidades sindicais deveriam pensar em programas de atenção à saúde e atividades físicas para o nosso pequeno exército de representantes dos trabalhadores, porque o que todos estão sofrendo para resistir aos ataques aos direitos do povo o tempo todo não está sendo fácil. É o que eu penso. Temos que estar firmes para resistir nas batalhas entre o povo e os golpistas encastelados nas estruturas do Estado.

Solidariedade e unidade entre nós do movimento social e popular são fundamentais para defender o povo e os trabalhadores. O momento não é de divisão entre nosso lado por divergências que eventualmente existam. O foco é enfrentar a destruição do Brasil e dos direitos sociais dos trabalhadores.

sábado, 3 de fevereiro de 2018

Ligando os pontos do que parecia ser teoria da conspiração, por Florestan Fernandes Jr.


Comentário do Blog:

Olá prezad@s leitores e amig@s.

Compartilho com vocês excelente texto de Florestan Fernandes Jr. que "liga os pontos" de eventos ocorridos na última década e dão fortes indícios sobre o que temos defendido aqui neste espaço. O Golpe de Estado contra nós povo brasileiro foi projetado dentro de um cenário internacional de disputa de hegemonia por petróleo e contra a soberania e altivez conquistadas pelo Brasil com a chegada do PT à presidência do país. Só foi preciso por parte do imperialismo comprar alguns brasileiros vira-latas e lesas-pátrias para destruir uma nação. 

Sem reação do povo, o Brasil terá o destino que teve o México, um país gigante com 120 milhões de pessoas que desapareceu do cenário político após ser subjugado pelos Estados Unidos e por esse 1% de humanos que destrói tudo. Alguém lembra do México hoje nas políticas internacionais? Ou virou quase que uma colônia de passeio de gringos como vários países da América Central? Não que esses povos não tenham lutado, mas suas lideranças e resistências foram eliminadas pelos imperialistas, eliminadas moralmente e fisicamente.

A dor sentida é imensa por aquel@s como eu que atuam com política, com organização social, com a luta e a resistência em defesa do povo trabalhador. Ter conhecimento dessa engrenagem global de como poucos donos do mundo manuseiam e manipulam as classes alienadas e desinformadas politicamente dói profundamente. Os que não quebram psicologicamente e fisicamente é por alguma coisa que carregam dentro de si de não desistir nunca e saber que não resta outra alternativa que acordar, levantar e sair para enfrentar toda essa merda contra nós o povo trabalhador.

Como diz o presidente Lula só vamos parar de lutar pelo povo e por um mundo mais justo e solidário para o povo se morrermos. Enquanto estamos vivos e vendo toda essa destruição e injustiça é obrigação nossa sentir aversão a essa desigualdade e injustiça que vendem ideologicamente como "natural". As instituições formais do Estado brasileiro hoje estão tomadas pelas forças que aplicaram o golpe contra o povo. Ao mesmo tempo que neste instante vejo a burocracia do Estado ser usada como força repressora contra o povo, vejo que o povo pode reverter isso com a ocupação das ruas.

Quero acreditar que cada pessoa manipulada e enganada ontem pelos meios midiáticos dos donos do mundo pode acordar hoje para a realidade de sua situação de classe e se somar com aqueles que estão chamando o povo para a luta contra essa injustiça de alguns seres humanos (o 1%), que são humanos e não imortais, porque esses poucos estão destruindo as perspectivas de vida e felicidade dos 99% dos demais humanos do mundo, nós.

Seguimos com desejo de lutar por um mundo melhor para tod@s.

William


(reprodução de artigo do Viomundo)


Ligando os pontos

Em 2007 a Petrobras descobre campos enormes de petróleo em águas ultra-profundas do nosso litoral. Uma reserva de mais de 80 bilhões de barris de petróleo.

Um ano depois, em janeiro de 2008 foram roubados 4 laptops e 2 HDs com informações sigilosas da bacia de Santos.

Dados de 30 anos de pesquisas da Petrobras no valor estimado de 2 bilhões de dólares.

Em 30 de outubro de 2009, o WikiLeaks uma organização transnacional com sede na Suécia publica em sua página informações “vazadas” de governos e empresas assuntos estratégicos de interesse público.

No documento, o nome do juiz Sérgio Moro é citado como participante de uma conferência promovida pelo programa Bridges Project (“Projeto Pontes”), vinculado ao Departamento de Estado Norte-Americano, cujo objetivo era “consolidar o treinamento bilateral [entre Estados Unidos e Brasil] para aplicação da lei”.

Em 2013, uma semana após notícias de que a presidente do Brasil, Dilma Rousseff, foi espionada pela CIA, o ex-consultor da agência de inteligência americana Edward Snowden indicou que os EUA espionavam também a Petrobras.

Em junho de 2013 a “Operação Lava Jato” tem início com o monitoramento das conversas de doleiros no Paraná.

Em março de 2014 é deflagrada a primeira fase ofensiva da operação que iria derrubar a presidente da República, paralisar a Petrobras, a economia do país e, sucatear os estaleiros responsáveis pela construção de plataformas e as fabricas de sondas de perfuração.

Tudo com a cobertura massificante dos nossos meios de comunicação.

Lá se vão 4 anos de uma lavagem que levou para o ralo, milhões de empregos, milhares de empresas públicas e privadas e quase todos os avanços sociais e econômicos.

O “novo” velho governo já extingue uma reserva ambiental em território de quase quatro milhões de hectares para atividades privadas de mineração. Anunciou a venda da gigante de energia elétrica Eletrobras, da Casa da Moeda e pasmem, vai oferecer ao mercado em leilões que pretende realizar a partir de 2018 campos de óleo e gás da Petrobras.

Ao todo, 21 áreas, com descobertas de petróleo e gás serão liberadas para petroleiras internacionais.

Parte destes poços estão localizados nas três bacias produtoras mais nobres da empresa brasileira — Campos, Santos e Espírito Santo.

Nesta quarta-feira 6*, o ex-ministro Antonio Palocci afirmou em seu depoimento ao juiz Sérgio Moro que a descoberta do pré-sal fez mal para o Brasil.

Como o pré-sal, responsável por mais da metade da produção brasileira poderia fazer mal ao país?

A afirmação é um claro sinal de submissão aos interesses estratégicos das forças que patrocinam a venda da empresa brasileira.

Para que o Brasil permaneça de joelhos é necessário agora impedir a chegada ao poder de grupos desenvolvimentistas comprometidos com a defesa das nossas riquezas. Por isso a eleição de 2018 é incerta e temerosa.

Como disse está semana o ex-ministro Bresser Pereira: “O Brasil está se condenando a ser uma economia de propriedade dos países ricos. E nós seremos todos empregados”.

(*Não dá para saber ao certo a qual data Florestan se refere)

Fonte: Viomundo

segunda-feira, 29 de janeiro de 2018

Diário e reflexões - 290118 (A injustiça se espalha como um vírus)



(atualizado às 0h50 de 30/1/18)




Tenho vivido uma agenda de trabalho e luta no mandato que exerço na Caixa de Assistência dos Funcionários do Banco do Brasil de forma tão intensa pela complexidade de problemas que estamos enfrentando, que mal consigo dormir o suficiente e sequer posso ler, ver um filme ou praticar atividades físicas como precisaria.

Vou cumprir meu período de férias nesses dias, mas tenho muita coisa a fazer e resolver em relação à nossa luta e militância pela Cassi e pelos direitos dos trabalhadores que represento. Tenho ainda questões de família para cuidar em poucos dias de ausência no trabalho. Não serão dias de curtição e repouso.

A INJUSTIÇA COMO REGRA CONTRA O POVO

Eu fico pensando pasmado onde o cidadão Lula da Silva encontra energia e equilíbrio para sobreviver ao massacre totalitário infligido a ele pelos grupos que mandam nas estruturas do nosso brazil-colônia. Sua esposa não resistiu. As pessoas que tiveram a sorte de não passarem por nenhum processo em suas vidas de assédio moral, de acusações vis e injustas contra as suas honras e contra a moral de cada uma delas não conseguiriam medir o quanto um ser humano sofre com tais processos. 

A tortura psicológica e física leva as vítimas à morte. O corpo não aguenta, explode. Os órgãos internos entram em falência. A psique da vítima se destrói. Muitos psicólogos e intelectuais dos séculos 20 e 21 produziram reflexões acerca do processo de extermínio nazista nos campos de concentração. 

O assassinato físico de milhões de pessoas nos campos de concentração foi a etapa final de um longo processo de mais de uma década no seio da Alemanha nazista após a ascensão do 3º Reich de Adolf Hitler, onde o assassinato moral era a moda e o cotidiano, a destruição de segmentos de seres humanos através da coisificação de pessoas e grupos sociais transformados em lixo social, responsáveis por qualquer mazela que o país alemão sofresse: judeus, pessoas com deficiência, comunistas, políticos da oposição ao governo nazista, todos fora do circulo de poder eram coisas, eram culpados de todo o mau.

É muito triste ver meu país viver no século 21 um processo semelhante ao da Alemanha nazista dos anos trinta e quarenta do século 20. O grupo que aplicou o golpe se instalou nas principais instâncias da república, com apoio e pressão de alguns empresários donos de todos os meios de comunicação de massa, e o Golpe caminha acelerado para recrudescer mais ainda os efeitos contra o povo, que foi vítima da manipulação totalitária dos meios midiáticos responsáveis pelo fim da jovem democracia brasileira. 

O que é pior e não tem gerado a reação popular devida é que o processo de condenação sem crime e sem provas e por motivações politicas do grupo que tomou o país de assalto gera mudança no cotidiano das pessoas no país, todas, desde as comuns e desconhecidas até as personalidades dos diversos segmentos sociais. O exemplo vindo desse julgamento de "petistas" a partir da Lava Jato e a partir do STF no caso que chamaram de "mensalão", e a criminalização dos movimentos sociais por parte dos representantes do Golpe nos órgãos do Estado, esses processos viciados já estão destruindo a sociabilidade nas relações diárias privadas e públicas, na vida civil de forma geral.

A abertura da Caixa de Pandora manuseada pela oposição aos governos do PT e contrária aos avanços sociais para o povo brasileiro, ameaçando a paz social que tanto dissemos neste blog ao longo dos anos de 2015 e 2016, significou liberar todas as maldades e elas repercutem mais na vida da grande massa da população que necessita do Estado para assegurar os direitos humanos e sociais básicos da cidadania.

Os sinais enviados a nós por uma pequena casta nos espaços do judiciário, por cerca de 400 lesas-pátrias no Congresso Nacional e por um executivo ocupado por Golpe de Estado são sinais de que a lei não é para todos, a justiça tem lado; sinais que a injustiça social será a regra, e eles eliminam direitos do povo com acordos de jantares e bilhões de dinheiros públicos repartidos entre eles. Em canetadas vão-se direitos de trabalhadores e segmentos sociais conquistados em décadas de lutas.

Vem aí um período de muito sofrimento para o povo e a classe trabalhadora a qual pertenço. A esperança que tenho na luta é porque a história da humanidade é feita de idas e vindas. Acredito que em algum minuto de qualquer dia desses o povo vai sair às ruas e dar o troco que essa pequena elite e seus asseclas merecem, ao estilo das estórias narradas pelo grande José Saramago.

Seguimos nas lutas porque somos humanos, estamos vivos e não pactuamos com injustiças sociais e domínio de minorias em prejuízo do povo.

William

sábado, 20 de janeiro de 2018

Jeferson Miola: A incrível semelhança entre os casos Lula e Dreyfus


Comentário do Blog:

Olá prezad@s leitores e amig@s! 

Eu tenho dedicado as últimas semanas de minha vida a reler e estudar todo o caminho que percorri nesses quatro anos de atuação política como gestor eleito pelos trabalhadores associados a maior autogestão do país, a Caixa de Assistência dos Funcionários do Banco do Brasil. No pouco tempo livre que me sobra em finais de semana e madrugadas, apesar do cansaço, não faço outra coisa que organizar o memorial das lutas que fizemos.

Estou trabalhando arduamente na produção e registro de tudo que foi possível fazer em defesa dos direitos em saúde dos trabalhadores que represento e em defesa da autogestão em saúde sem fins lucrativos com um modelo inovador de atenção primária e medicina de família. Este esforço e trabalho pessoal de reler centenas e centenas de postagens feitas nos dois blogs ao longo de 4 anos de lutas vale a pena porque foi feito com uma dedicação sincera às causas coletivas que represento.

O processo de quebra da institucionalidade em nosso país, processo golpista feito para interromper as mudanças sociais que estavam em curso em benefício do povo brasileiro desde o início dos anos dois mil, é um processo que expõe, que deixa desprotegido qualquer cidadão brasileiro. A destruição dos direitos constitucionais, dos direitos coletivos e individuais do povo brasileiro, por uma casta que organizou o golpe, com apoio e em favor de um pequeno grupo de empresários e rentistas da burguesia vira-latas tupiniquim e em favor dos Estados Unidos, abriu um período de estado de exceção que durará muito tempo.

Nós avisamos que se as instituições do Estado permitissem e até fizessem parte do golpe e das ilegalidades que vinham sendo cometidas contra dois presidentes, Lula da Silva e Dilma Rousseff, e contra um segmento social, petistas e simpatizantes, seria aberto um tempo de exceções na vida civil brasileira. Isso está acontecendo nos cotidianos das cidades, das empresas, das instituições e cenas da vida diária.

Hoje, qualquer pessoa pode ter sua honra atacada, sua honestidade e seu caráter colocados em prova e até sofrer algum tipo de processo ilegítimo ou julgamento formal ou informal baseado em mentiras, ilações, denúncias anônimas, arbitrariedades burocráticas e totalitárias orquestradas por tecnocratas subservientes ao poder e ao status quo dominante. E SEMPRE CONTRA O LADO MAIS FRACO, O LADO QUE DE ALGUMA FORMA REPRESENTA O POVO, O TRABALHADOR, A MUDANÇA DE STATUS QUO.

Eu e cada um de vocês estamos à mercê de processos arbitrários e injustos no Brasil pós Lava Jato, pós Golpe de Estado em favor da elite, da casa-grande e do império americano.

Leiam abaixo o texto do excelente articulista Jeferson Miola, lembrando o Caso Dreyfus com o que vem acontecendo com o cidadão Lula da Silva.

Abraços, William

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Lula e Dreyfus - Perseguição injusta e condenações sem provas. 

Caso Lula e Caso Dreyfus: qual a reação ao arbítrio?

por Jeferson Miola, no Facebook


Lula não está sendo julgado; ele está sendo condenado sem provas, num processo enviesado e carente de fundamentos jurídicos.

A condenação arbitrária do ex-presidente no TRF4 são favas contadas.

O regime de exceção perpetrará esta violência jurídica mesmo que a falsa acusação, forjada pela Lava Jato para condená-lo – a suposta propriedade de um apartamento triplex – tenha sido totalmente desmanchada em decisão recente da juíza Luciana Corrêa Tôrres de Oliveira, da 2ª Vara de Execução de Títulos Extrajudiciais do Tribunal de Justiça do Distrito Federal e Territórios.

A juíza determinou a penhora do imóvel para a empresa Macife S/A, credora da OAS que ajuizou a empreiteira para cobrar dívidas.

A penhora comprova cabalmente que o apartamento pertence, de fato e de direito, à empreiteira OAS – e não ao Lula. Este fato soterra a acusação fraudulenta, e, portanto, o processo contra Lula deveria ir para a lixeira.

O Brasil e o mundo assistem não a um julgamento justo e legal do maior líder popular do país, mas sim a um processo kafkiano, no qual a condenação foi concebida de antemão, num quadro de guerra jurídica permanente [lawfare], perseguição midiática e emprego do direito penal do inimigo.

A narrativa da Rede Globo e da mídia hegemônica, que reverbera as vozes fascistas da Lava Jato e da oligarquia golpista, cinicamente busca confundir o direito do Lula a um julgamento justo e honesto com a defesa da sua impunidade.

Defender o direito de todo cidadão a um julgamento justo e legal – desde que existam, de fato, razões materiais para qualquer pessoa ser processada judicialmente – é o mínimo que se deve fazer para proteger a democracia e o devido processo legal.

Lula não está nem acima nem abaixo das leis e da Constituição do Brasil.

Com este julgamento de exceção, porém, a classe dominante coloca Lula à margem das leis e da Constituição; subtrai dele o direito inerente a todo ser humano, de não ser condenado sem provas.

A farsa jurídica montada para condenar Lula é um passo em direção ao totalitarismo.

Nos estudos sobre a gênese do nazismo, do anti-semitismo e dos processos totalitários, Hannah Arendt analisou o Caso Dreyfus, ocorrido no final do século 19 – que guarda semelhanças com o Caso Lula.

Alfred Dreyfus foi perseguido por ser o único oficial do exército francês de origem judaica, e foi acusado de alta traição por supostamente colaborar com os alemães durante a guerra franco-prussiana na disputa pelas terras da Alsásia-Lorena, ricas em carvão.

Num processo baseado em documentos falsos e provas forjadas, como ocorre com Lula, Dreyfus foi condenado, por unanimidade, à prisão perpétua.

Para o autor William Shirer, a condenação de Dreyfus “convencera grande parte da população de que os judeus [no regime de exceção, Lula e os petistas são os estigmatizados] eram responsáveis não só pela chocante corrupção nos altos círculos políticos e financeiros, como também por traírem segredos militares em favor dos odiados alemães, solapando com isso a segurança da nação, que ainda sofria com a recuperação após a derrota que lhe fora infligida pela Prússia em 1870” [A Queda da França: o colapso da Terceira República].

No livro As origens do totalitarismo, Hannah Arendt disserta que, “como eram judeus, tornava-se possível transformá-los em bodes expiatórios quando fosse mister aplacar a indignação do público.

Os antissemitas podiam imediatamente apontar para os parasitas judeus de uma sociedade corrupta para ‘provar’ que todos os judeus de toda parte não passavam de uma espécie de cupim que infestava o corpo do povo”.

20 anos mais tarde, depois de verdadeiro e honesto julgamento, Dreyfus foi finalmente inocentado.

Com Lula não será diferente. Em breve tempo esta farsa monstruosa, montada para impedir seu retorno à presidência do Brasil, também será escancarada.

Exigir o direito de um julgamento justo para o ex-presidente Lula não é sinônimo de privilégio e de impunidade; é um dever para a defesa do Estado de Direito e da democracia.

Lula será vítima do arbítrio e de uma violência jurídica monumental. É preciso, por isso, se perguntar: qual a reação democrática e popular diante deste arbítrio anunciado de antemão?

Uma realidade é inescapável: as instituições, o judiciário e o congresso estão totalmente dominados pelas lógicas fascistas e golpistas.

A soberania popular, a desobediência civil e o direito à insurgência contra toda tirania e arbítrio são dispositivos democráticos do Estado de Direito que precisa ser urgentemente restaurado no Brasil.


Fonte: Viomundo

quinta-feira, 11 de janeiro de 2018

"Uma mentira dita mil vezes torna-se uma verdade" - A pós-verdade desde Goebbels


Apresentação do Blog:

Olá prezad@s leitores. O artigo abaixo é muito interessante e atual. Tenho chamado a atenção nos meios sociais em que convivo para o fato da pós-verdade, uma mentira que causa efeitos irreparáveis porque ela é feita para influenciar pessoas em determinados contextos e depois dos resultados dela não adianta mais a verdade objetiva e material ser identificada, pois o dano já foi causado ou a consequência pretendida por quem plantou a mentira com mais capacidade de distribuição e velocidade já aconteceu.

Estamos num contexto de total degeneração dos valores éticos e morais neste começo de século 21. Eu fico me perguntando como um ser humano que participa de construções e tramoias canalhas baseadas em mentiras tem coragem de olhar nos olhos das pessoas. Fico me perguntando ainda como outros seres humanos ou instituições, segmentos, grupos, também têm coragem de se aproveitarem de falsidades para prejudicarem os outros.

Esses tempos que chegamos serão de muitas pós-verdades e de destruições de pessoas e instituições sérias. Apesar do nojo e repulsa que isso nos causa, porque ainda temos muita gente formada e educação para a prática da ética, da moral e com caráter, temos que seguir adiante, com força nos princípios que nos constituem.

Leiam o texto de Ian Martin Vargas, ele nos alerta sobre as pós-verdades.

Abraços, William 

(Post Scriptum: a imagem do nazista Goebbels abaixo foi escolha minha para ilustrar o texto)

Joseph Goebbels, Ministro da Propaganda do Nazismo.

A pós-verdade e o fascismo: uma ameaça antidemocrática



Publicado no Justificando, em 5/jan/18.


Recentemente foi compartilhada por milhares de pessoas nas redes sociais a informação de que o cantor Pabllo Vittar seria beneficiado pela Lei Rouanet em cerca de R$ 5 milhões de reais para uma produção musical. A notícia trazia o fato paralelo de que o Hospital de Câncer teria sido fechado por ausência de verba, fato este que trouxe imediata indignação coletiva de muitas pessoas que, antes da informação, possuíam algum tipo de preconceito com o cantor e com a representatividade LGBT no meio cultural.

Surpresa! A informação era falsa e compõe um dos diversos casos de notícias incorretas espalhadas virtualmente ao longo de 2017.

Governo de Goiás está distribuindo bonecas com órgão sexual trocado”; 


Maria do Rosário e Jean Wyllys se uniram para defender pedófilos

Estes e tantos outros exemplos vêm ocorrendo assiduamente nas redes sociais brasileiras. O fenômeno, porém, é mundial. Desde as eleições americanas em 2016, o termo “Pós-verdade” vem sendo citado em estudos, artigos, debates intelectuais e até entrou para o dicionário Oxford.

Tal fato se deu, principalmente, após o uso massivo de informações falsas e difamatórias utilizadas no Brexit britânico e na campanha eleitoral dos Estados Unidos de 2016 que culminou com a vitória do inescrupuloso Donald Trump. Todavia faz-se necessário aprofundarmos nas raízes desse fenômeno coletivo de ampla disseminação de informações espúrias e que possui indubitável uso político.

O termo pós-verdade foi utilizado pela primeira vez em meados dos anos 1990 pelo dramaturgo sérvio-americano Steve Tesich e referia-se a supressão da verdade dos fatos. Segundo o dicionário Oxford o termo se relaciona com as circunstâncias onde fatos objetivos possuem menor importância e influência em moldar a opinião pública do que os apelos emocionais e crenças morais na maneira com que se transmitem as informações. Há, evidentemente, uma apatia em relação à verdade.

As notícias falsas e a desinformação são espalhadas virtualmente em um ritmo e nível global assustador e correlacionam-se a um dos efeitos da globalização.

A evolução da globalização caminhou junto com a evolução tecnológica e, desde os anos 1990, do crescimento da influência da Internet. Nesse contexto o surgimento das redes deu lugar a um espaço virtual de interação e propagação de informações. Alguns autores, como Levy [2], que esquadrinham o ciberespaço em análises sociológicas e filosóficas veem a mudança da esfera pública pela influência das redes sociais como positiva uma vez que fornece aos cidadãos maior capacidade de expressão, aquisição de informações e associação. Segundo Levy isso colaboraria para aumentar a capacidade cívica do povo de pressionar governos e obtendo assim maior transparência e diálogo democrático.

Grandes nomes como o filósofo alemão Jürgen Habermas [3] observam nas redes sociais da Internet um perfil potencializador de participação política mais efetiva que combina colaboração, interação, mediação, acessibilidade a informações e mobilização. Outros como Luhmann [4], discordam. Para Luhmann, em sua teoria da comunicação, há a ideia de que os meios de comunicação modernos não contribuem para melhoria da participação política ou interação e sim colaboram para a produção contínua do que chamou de “irritações”.

Nesse sentido o avanço das redes sociais teria representado uma certa ruptura paradigmática entre a emissão e a recepção das mensagens. O emissor, a origem e validade da informação perderam importância dando lugar ao teor emocional e moral. Fato este verificado diuturnamente na divulgação de notícias difamatórias e espúrias feitos no Brasil por grupos como MBL, alguns youtubers e think tanks de extrema-direita e que trabalham em regime de cooperação para desqualificação das esquerdas no geral.

Esse fundamentalismo comunicacional nas redes sociais criou uma espécie de histeria coletiva, quando o falso exercício de direitos fundamentais como liberdade de expressão, liberdade de imprensa e o direito de livre associação dão lugar à proliferação dos discursos de ódio, segregacionismo, racismo, machismo, misoginia, anti-sindicalismo, anti-socialismo. Os indivíduos que compartilham as informações sem verificar a originalidade do conteúdo, contribuem para ganho de força eleitoral dos grupos políticos que fazem oposição a qualquer grupo ou político progressista.

O compartilhamento desenfreado de notícias falsas acarreta na estruturação de um fenômeno político já conhecido no passado: o fascismo.

Não mais aquele fascismo dos tempos de Mussolini e Hitler, grandes expoentes do ultraconservadorismo e extrema-direita (em frustrantes tempos em que se fala que o nazismo é de esquerda), mas um fascismo cultural virtual, tecnocrático. Não é mais apenas a mídia tradicional que serve o fascismo com sua parcialidade como a demonstrada pelo saudoso crítico do fascismo Umberto Eco [5] em seu último romance Número Zero, onde um grupo de jornalistas preparam um jornal que não tem interesse informativo mas apenas em difamar e chantagear a serviço de seu editor, mas também a própria população através das redes e da falta de consciência ao reverberar fatos falsos. Porém, nitidamente existe um uso político por trás.

Assim como o Ministério da Verdade na obra de Orwell [6], as informações desleais propaladas nas redes sociais servem a grupos reacionários para amplificar e legitimar o ódio. Assim como nos Estados Unidos, segundo Chomsky [7] os governos fazem uso da mídia para angariar apoio da população e assim legitimar entrada nos confrontos militares.

A mesma direita que incansavelmente acusa inconcebivelmente os direitos e liberdades defendidos por progressistas e humanistas de “politicamente correto” e fruto do marxismo cultural da hegemonia gramsciana, possui agora uma produção constante e articulada de um possível “fascismo cultural” que utiliza das redes para legitimar poder político e enfraquecer as esquerdas e, acima disso, prejudicar a democracia, o pluralismo político e a cidadania.

Portanto faz-se necessário repensar a falta de consciência das redes e a instrumentalização das mesmas para fins político-partidários através da disseminação de difamações coletivas quase que instantâneas. Bauman [8] já apontava para tal perigo das redes de inibirem o medo dos chamados “caçadores” da sociedade de partirem para o ataque raivoso sobre os indivíduos a quem nutrem ódio. O império das mentiras e manipulação das massas não pode voltar a vigorar.

Concluímos com uma famigerada frase tão concernente e atual que relaciona-se com o fenômenos das fake news e seu uso político, proferida pelo pai da propaganda nazista:

"Uma mentira dita mil vezes torna-se uma verdade" – Joseph Goebbels



Ian Martin Vargas é graduando em Direito pelo Centro Universitário Dinâmica Cataratas. Ativista sindical e dos direitos humanos.

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[2] LÉVY, P. A mutação inacabada da esfera pública. In: LEMOS, A.; LÉVY, P. O futuro da internet: em direção a uma ciberdemocracia planetária. São Paulo: Paulus, 2010.

[3] HABERMAS, J. Mudança estrutural na esfera pública: investigações quanto a uma categoria da sociedade burguesa. 2ª ed. Rio de Janeiro: Tempo Brasileiro, 2003

[4] LUHMANN, Niklas. Introdução à teoria dos sistemas. tradução de Ana Cristina Arantes Nasser – Petrópolis, RJ: Vozes, 2009.

[5] ECO, Umberto. Número Zero. 1. ed. Record, 2015.

[6] ORWELL, George. 1984. Companhia das Letras: São Paulo, 2009.

[7] CHOMSKY, Noam. Mídia. Propaganda política e manipulação. Tradução: Fernando Santos. São Paulo: WMF Martins Fontes, 2013.

[8] BAUMAN, Zymunt. Medo líquido. Rio de Janeiro, Zahar, 2008.

domingo, 7 de janeiro de 2018

Leitura: Aquele mundo de Vasabarros (1982) - José J. Veiga



Primeira leitura literária do ano: José J. Veiga.

Refeitório Cultural

"Se houve algum dia quem desejasse conhecer Vasabarros por dentro, esse desejo se desvanecera há muito tempo. Vasabarros agora era um lugar situado fora dos caminhos e das cogitações do mundo..."


Nesta primeira postagem do ano aqui no blog, busquei no autor goiano José J. Veiga a já conhecida surpresa do fantástico, do estranho, do incomum ao adentrar em suas estórias. Queria uma espécie de distância dos sentimentos tristes que tomam conta de mim e do mundo que habito, o Brasil, o maior país sul-americano, que enfrenta uma virada política espantosa após golpe de Estado em 2016.

Conheci o autor goiano naquele ano do Golpe. Li os sete primeiros livros dele em ordem cronológica, e posso dizer que sei que sua obra não é leve no sentido de ser descontraída, porque todas elas nos põem a pensar muito. Mas é literatura da melhor qualidade! Já li Os cavalinhos de Platiplanto (1959), A hora dos ruminantes (1966), A estranha máquina extraviada (1967), Sombras de reis barbudos (1972), Os pecados da tribo (1976), O professor Burrim e as quatro calamidades (1978), De jogos e festas (1980).

Quando falo que optei por começar o ano com Veiga pensando em afastar a tristeza, é porque em dezembro comecei a ler um romance que havia lido na adolescência e que senti necessidade de rever: Nada de novo no Front (1928), do alemão Erich M. Remarque, a respeito da 1ª Guerra Mundial. Pesado! E quis lê-lo novamente porque tenho leitura que o crescimento do fascismo, do ódio e da intolerância vai nos levar para a guerra. Não terminei ainda. Não quis começar o ano comentando este romance.

Peguei o livro de Veiga no sábado achando que era leitura rápida. Era nada! Acabei lendo o romance nos dois dias, intercalando a ficção com outras coisas a fazer com a família (ver animes com o filho e esposa, correr e pedalar e amenidades). Também intercalei o lazer com o trabalho exaustivo que estou fazendo de releituras e pesquisas em relação ao balanço de meu mandato na Cassi.

Amig@s leitores, Aquele mundo de Vasabarros é o nosso mundo hoje. Incrível! Pode ser o Brasil. Pode ser o Rio de Janeiro e sua grave crise institucional. Pode ser os Estados Unidos e seu presidente impensável. Pode ser qualquer lugar, qualquer empresa. Que metáfora!

Os governantes de Vasabarros são o Simpatia e a Simpateca. Os conselheiros do lugar são os senescas; temos os órgãos de investigação e repressão - os merdecas e os mijocas. Uns poucos privilegiados vivem nas partes altas das grandes construções. Nos calabouços e entranhas do lugar, além dos ratos e bichos, vivem todas as pessoas, sem direito a rir, reclamar, cantar... sem direito a qualquer coisa. Por qualquer erro ou por se pegar envolvida em algo, até sem ter culpa, a pessoa era condenada à morte sendo enfiada dentro de uma barrica.

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"A vida em Vasabarros tinha mudado muito desde a assunção do atual Simpatia. Antes ainda havia um pouco de claridade, havia uma relativa alegria nas pessoas, e um certo entusiasmo pelo que elas faziam, apesar da preocupação doentia com os regulamentos, esse um mal de todos os tempos. Mas com o novo Simpatia o arrocho aumentou, as pessoas foram perdendo os restos de alegria, de cordialidade, de confiança em si mesmas..."

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Os filhos do senhor Simpatia e da senhora Simpateca - Andreu e Mognólia, ambos no início da adolescência - começam a questionar a si mesmos e aos pais e conselheiros porque as coisas são como são, tristes, com tanta miséria para todo mundo com exceção deles da família do governante etc.

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"- Por que tem que ser assim, seu Zinibaldo? - perguntou Mognólia de repente.
- Assim como?
- Esses meninos, gente igual a mim e Andreu, viverem vigiados, castigados por qualquer brincadeira que fazem, não poderem ter um cachorrinho, um gato, um passarinho para distraí-los. Só trabalho e obediência o tempo todo. Acha direito, seu Zinibaldo?
- É a lei - disse o senesca evasivamente.
- O senhor não acha que essa lei devia cair? - perguntou Mognólia.
- Cair? Lei não cai. Está aí para ser aplicada.
- Está vendo, Mogui? Está tudo errado, mas não pode ser discutido. É a lei. A nossa lei - disse Andreu..."

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Ao correr da estória, fui vendo situações as mais absurdas possíveis e fui percebendo o quanto a ficção se mistura com a realidade. Esse diálogo acima é básico.

Eu fico me perguntando até quando o povo brasileiro vai aceitar cumprir as "leis" que os golpistas que assaltaram o poder nos impuseram - os três órgãos do poder da república sul-americana chamada Brasil (agora brazil?). A cada mês desde que o Golpe foi perpetrado a partir de abril de 2016 nos são retirados direitos, nosso patrimônio público é dilapidado e doado, nossa moral e nossa soberania são achincalhadas pela camarilha de ladrões que ocupou setores do executivo, legislativo e judiciário.

O final do romance traz mensagens interessantes para reflexão.

Ainda durante os desfechos finais, outro diálogo me chamou a atenção, porque sempre disse isso para as pessoas com quem convivo e para aquelas que represento, os trabalhadores.

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"- É. Está parecendo tapera.
- E vai ficar cada vez pior, se você não se compenetrar. Você agora é o dono. Tem que se compenetrar.
Outro silêncio longo. O céu lá em cima havia mudado de azul claro em azul escuro. Alguns pássaros já voltavam para seus ninhos na jaqueira e nos furos das paredes.
- E se a gente fugisse? Eu e você?
- Fugisse pra onde?
- Sei lá. Pra outras terras. O resto do mundo não pode ser triste como isso aqui.
- Sei não. Não conheço o resto do mundo. Mas se for melhor, não será porque os que vivem lá fizeram ele melhor?"

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Amig@s leitores, eu vejo o mundo assim. Acho que temos que fazer o que deve ser feito para mudar as coisas para melhor. A nossa vida, o nosso trabalho, a nossa comunidade, os nossos direitos, o nosso comportamento. Tudo.

Abraços a tod@s. O livro é fácil de encontrar em sebos e sites de vendas virtuais. Eu comprei assim por dez reais.

William

domingo, 31 de dezembro de 2017

Retrospectiva do Refeitório Cultural - Muita aprendizagem e pronto para as lutas em 2018



Cantinho da leitura e dos trabalhos intelectuais.

Refeição Cultural

Esta postagem fecha o ano neste nosso espaço de reflexões e cultura. Que ano complexo estamos terminando! Foram 114 textos escritos para dividir com leitores que nos acompanham o que aprendemos com leituras novas, o que pensamos a respeito de questões diversas de política, filosofia, sociedade e cultura em geral.

Entre janeiro e agosto, consegui imprimir uma sequência de leituras que marcaram bastante o meu ano como um ser humano sedento por novos conhecimentos. A partir de setembro passei a focar a revisão e organização do blog nas horas vagas. Estou encadernando os textos dos últimos 4 anos.

Terminei diversos livros que fui lendo vagarosamente ao longo do tempo. Conheci autores novos. Reli livros que me marcaram em épocas diversas da existência. Aprofundei o conhecimento em autores clássicos. Li muitos livros de poesia (fez falta ficar tanto tempo sem o prazer do contato com poemas). Vi vários filmes clássicos que tenho guardado há tempos. Conheci coisas novas como os animes. 

Enfim, nas poucas horas de folga que tenho em meu trabalho como gestor eleito pelos trabalhadores do Banco do Brasil na maior Caixa de Assistência do país (a Cassi), trabalho que representa uma luta diária na defesa dos direitos dos associados e da própria autogestão em saúde, busquei nas leituras subsídios para melhorar como ser humano e cidadão do mundo.

Registro abaixo as leituras e os links quando fiz comentários a respeito delas e deixei sugestão de leitura aos amig@s que nos acompanham:

1. LTI - A linguagem do 3º Reich (1947, ALE), de Victor Klemperer (ler AQUI).

2. Fausto (1770-1831, ALE), de Goethe (ler AQUI).

3. O Rio (1953, BRA), de João Cabral de Melo Neto (ler AQUI).

4. O sol também se levanta (1926, EUA), de Ernest Hemingway (ler AQUI).

5. Mar morto (1936, BRA), de Jorge Amado (ler AQUI).

6. Libertinagem (1930, BRA), de Manuel Bandeira (ler AQUI).

7. Estrela da manhã (1936, BRA), de Manuel Bandeira (ler AQUI).

8. Memorial de Aires (1908, BRA), de Machado de Assis (ler AQUI).

9. Discurso da servidão voluntária (Século XVI), de Etienne de La Boétie (ler AQUI).

10. Paisagens com figuras (1954, BRA), de João Cabral de Melo Neto.

11. Morte e vida severina (1954, BRA), de João Cabral de Melo Neto (ler AQUI).

12. Uma faca só lâmina (1955, BRA), de João Cabral de Melo Neto.


Essas leituras foram feitas em janeiro, estando em férias, o que me permitiu grande fôlego para ler e ler. Quase todas elas foram revisitas de leituras antigas e autores. A exceção foram os autores Victor Klemperer e La Boétie.


13. Manual inútil da televisão (2016, BRA), de Paulo Henrique Amorim (ler AQUI).

14. A corrosão do caráter (1998, EUA), de Richard Sennett (ler AQUI).

15. O perfume (1985, ALE), de Patrick Süskind (ler AQUI).

16. A morte de Ivan Ilitch (1886, RUS), de León Tolstói (ler AQUI).

17. Lula, o filho do Brasil (2002, BRA), de Denise Paraná (ler AQUI).


Leituras de fevereiro. Depois de um bom tempo de leitura, consegui finalizar o livro de Denise Paraná sobre a história de Lula até o momento anterior à sua eleição para presidente em 2002. Fiz a 3ª leitura dessa obra central de Tolstói e além do livro de Süskind, vi o filme baseado na obra.


18. O azarão (1999, AUS), de Markus Zusak (ler AQUI).

19. Comunidades imaginadas (1991, EUA), de Benedict Anderson (ler AQUI).


Em março terminei um livro que gastei anos para concluir, o de Anderson. E conheci um autor novo, o australiano Zusak. No mês seguinte li outro livro dele, pois ambos tratam de mesmos personagens. Terminei a série de anime Death Note (ler AQUI), que assisti com meu filho. Agora estamos vendo (eu, esposa e filho) o anime Naruto. Já passamos de 50 episódios.


20. Adeus às armas (1929, EUA), de Ernest Hemingway (ler AQUI).

21. Estorvo (1991, BRA), de Chico buarque (ler AQUI).

22. Bom de briga (2000, AUS), de Markus Zusak (ler AQUI).

23. Felicidade fechada (2017, BRA), Miruna Genoino (ler AQUI).


Foi emocionante ler o clássico de Hemingway em abril. Conheci Chico como escritor de romances. E foi duro o depoimento da filha de Genoino, descrevendo toda a injustiça que ele sofreu.


24. Distraídos venceremos (1987, BRA), de Paulo Leminski (ler AQUI).

25. Ponciá Vicêncio (2003, BRA), de Conceição Evaristo (ler AQUI).



Em maio, curti Leminski e conheci a autora Conceição Evaristo. Que emocionante e tocante o livro de Evaristo, abordando com primor o universo e a condição das mulheres negras em condições sociais de muita vulnerabilidade.


26. O BB de bombachas (2016, BRA), organizado por Alcy Cheuiche (ler AQUI).

27. La vie en close (1991, BRA), de Paulo Leminski (ler AQUI).

28. Por quem os sinos dobram (1940, EUA), de Ernest Hemingway (ler AQUI).

29. Benjamim (1995, BRA), de Chico Buarque (ler AQUI).

30. O ex-estranho (1996, BRA), de Paulo Leminski.

31. Winterverno (2001, BRA), de Paulo Leminski (ler AQUI).


Em junho deste ano, completei a leitura de um dos livros mais marcantes da carreira de Hemingway. Após ter lido em abril seu livro que se passa durante a 1ª Guerra Mundial, Adeus às armas, conheci Por quem os sinos dobram, cujo cenário é a Guerra Civil Espanhola. Esse livro mexeu muito comigo. Continua mexendo, ao ter a consciência política do que estamos vivendo no Brasil.

Ainda em junho li o segundo romance de Chico Buarque e completei a leitura das poesias de Leminski.


32. A guerra dos mundos (1898, ENG), de H. G. Wells (ler AQUI).

33. O chamado da floresta (1903, EUA), de Jack London - mas li uma adaptação para jovens (ler AQUI).


A leitura de Wells foi fantástica. Eu não tinha a menor noção do quanto é boa a ficção deste clássico autor inglês.


34. Alguma poesia (1930, BRA), de Carlos Drummond de Andrade (ler AQUI).

35. Cataratas do Iguaçu (BRA), de Maurício Bevervanso.

36. Cataratas e a floresta Iguaçu (2008, BRA), de Alex P. Schorsch (ler AQUI).

37. Olhos D'Água (2014, BRA), de Conceição Evaristo (ler AQUI).


Neste ano, tive a oportunidade de visitar as Cataratas do Iguaçu duas vezes. É sempre uma experiência fantástica e eu sugiro que a pessoa que não conheça ainda essa maravilha da natureza, que reserve uns 3 dias e vá até lá. É algo único.


38. A quinta-coluna (1938, EUA), de Ernest Hemingway (ler AQUI).


Terminei as leituras do ano com mais um clássico de Hemingway. Foi uma experiência enriquecedora ler tantos livros deste grande autor da literatura mundial.

Depois de agosto, peguei para ler vários livros, mas estão todos no ritmo de minha pouca disponibilidade de leituras do prazer.



Natal em família. Faltou a maninha querida.

BALANÇO DE 2017

O ano foi muito duro para a ampla maioria dos cidadãos brasileiros. A exceção ficou por conta do pequeno grupo de humanos e corporações que aplicou o golpe de Estado e nos colocou sob estado de exceção e na condição de desfazimento do Brasil, da soberania nacional e dos direitos do povo simples e trabalhador.

Eu fechei mais um ano de lutas ininterruptas pelos direitos dos trabalhadores associados à entidade de saúde em que sou gestor eleito. Na verdade, estamos completando um mandato de quatro anos. E também estou fazendo no blog Categoria Bancária (acessar AQUI) textos de balanço de nosso trabalho à frente de uma das diretorias da entidade, a de Saúde e Rede de Atendimento (própria).

As pessoas não têm muita noção do quanto é sofrida a vida de um representante de trabalhadores quando seus mandatos decidem enfrentar poderes instituídos. Estamos terminando esse longo período de lutas em defesa dos trabalhadores que representamos enfrentando armações feitas para atacar aqueles que atuam com firmeza nos propósitos, comprometimento com as causas coletivas e transparência pouco comuns em mandatos de representação. No meu caso, tudo que fiz em nome de nossos colegas representados na última década publiquei em centenas de postagens e boletins virtuais, e também divulguei presencialmente nas bases sociais do país todo.

Estamos vivendo no Brasil e também no mundo a era da inversão dos valores sociais da ética, da solidariedade, da verdade, da justiça. O que está em vigor, na moda, após o crescimento de ideais fascistas, ultraconservadores, é a iniquidade, a pós-verdade construída pelos poucos donos do poder que têm os instrumentos para estabelecer suas mentiras e versões, suas ilações, como se fossem os fatos.

Começo 2018 cheio de energia, disposição e força para enfrentar tudo e todos que estejam contra a classe trabalhadora a qual pertenço. Fechei o mês de dezembro e o ano com boas condições físicas, porque sou um instrumento de luta de nossa classe e sei que devo me cuidar para as batalhas que participamos por um mundo melhor. Não sabemos do futuro, do acaso. Não sabemos se uma doença nos atingirá, nem se uma fatalidade ocorrerá, um acidente etc. Não sabemos se alguma trama nos impedirá de lutar. Mas sem essas possibilidades, estamos firmes para defender as causas coletivas dos trabalhadores da ativa e aposentados.

ESPORTE E SAÚDE - Apesar de não ter me inscrito na São Silvestre 2017, por opção e decisão consciente, porque a organização está maltratando demais os participantes da prova que participo há quase uma década, corri 12k no Eixão de Brasília neste dia 31 e me senti leve e resistente. 

Por que coloco nas postagens algo tão pessoal como minhas corridas? Porque sou um simples cidadão da classe trabalhadora e, além de atuar na área da saúde, sou um militante social que luta por um mundo melhor e para isso temos que atuar em todas as áreas da dimensão humana. Cultura, conhecimento, saúde e condições físicas são básicos para nós humanos e da classe trabalhadora.

Deixo a tod@s que nos leem um forte abraço e um desejo de bom Ano Novo com o convite para as lutas pelas causas da solidariedade, da igualdade de oportunidades, pelo respeito ao próximo e tolerância ao outro, pela liberdade plena dos seres humanos, pela recuperação de uma justiça que seja para todos e não parcial em favor da casa-grande e contra o povo e suas causas. Pelo desenvolvimento com distribuição de renda a todo o povo.

Seguimos firmes nas lutas e estamos prontos!

William


Post Scriptum: 

Neste mês de dezembro fiz excelente corridas: 4k (dia 2, DF), 4k (dia 6, DF), 3k (dia 7, DF), 9k (dia 10, DF), 1,5k / 2,2k / 3,2k / 4,5k / 2,2k (nas areias de Porto de Galinhas - PE), 3,2K (dia 23, DF), 10k (dia 24, DF), 5k (dia 26, DF) e 12k no Eixão para fechar o ano. Foram 63,8k no mês. Faz tempo que não cumpria uma sequência boa como essa.