quinta-feira, 13 de julho de 2017

Brasil - A classe trabalhadora brasileira não vai fazer nada?



Eu fico me perguntando até quando o povo enganado pelos meios de comunicação dos golpistas, uns 200 milhões de seres humanos brasileiros que não vivem de renda, até quando o povo vai ficar se fodendo sem emprego, sem direitos, sem nada, até quando os milhões de seres sem renda e herança vão ficar vendo a decretação da morte deles mesmos, o povo, de forma miserável, sem fazer nada, sem fazer uma guerra civil, sem incomodar a Casa Grande, sem interromper as transmissões dos veículos de manipulação dos golpistas. Até quando?

Até que ponto vale a pena sobreviver (de forma miserável) sem lutar pela sua própria condição de existência com dignidade?

Por que que os 200 milhões de despossuídos de patrimônio e renda, que vivem da venda de sua força de trabalho não reagem ao que fizeram com o Brasil?

segunda-feira, 10 de julho de 2017

Os miseráveis - Brasil pós Golpe avança para o século 19



(redação atualizada às 10h de 10/7/17)




Refeição Cultural

"Enquanto, por efeito de leis e costumes, houver proscrição social, forçando a existência, em plena civilização, de verdadeiros infernos, e desvirtuando, por humana fatalidade, um destino por natureza divino; enquanto os três problemas do século - a degradação do homem pelo proletariado, a prostituição da mulher pela fome, e a atrofia da criança pela ignorância - não forem resolvidos; enquanto houver lugares onde seja possível a asfixia social; em outras palavras, e de um ponto de vista mais amplo ainda, enquanto sobre a terra houver ignorância e miséria, livros como este não serão inúteis" (Prefácio de Os miseráveis, Victor Hugo, 1862)


Neste domingo, assistimos ao filme Os miseráveis (1978), uma adaptação inglesa com direção de Glenn Jordan. Minha edição do filme é de uma coleção da Folha "Ditabranda" de São Paulo. O livro-encarte que vem com o filme traz informações e avaliações bem interessantes (62 páginas). Vale a pena encontrar o material em algum sebo por aí.

Em 2016, havia assistido ao filme musical lançado em 2012 e também refleti muito a respeito do conteúdo da obra de Victor Hugo. Ler minhas reflexões AQUI.

Em 2015, comecei a ler este clássico de Victor Hugo, com duas mil páginas. Cheguei a ler 150 páginas (ler comentário AQUI), mas meu trabalho não me permitiu embalar na leitura, porque aquele ano foi de muita dedicação às causas da Cassi, e foi preciso imersão total numa luta nacional que ajudamos a organizar pela questão do déficit do Plano de Associados. Só de textos de nosso mandato, foram 208 postagens feitas no Blog Categoria Bancária.

Achei o filme muito bem feito. Também gostei do filme musical de 2012. Ainda vou retomar a obra de Victor Hugo e terminar os dois volumes.


OS MISERÁVEIS DO BRASIL

Neste momento em que escrevo, o nosso querido Brasil passa por um Golpe de Estado que tirou do poder uma presidenta eleita por 54,5 milhões de votos em 2014, Dilma Rousseff. Bandos de canalhas instalados no Congresso Nacional e em outros órgãos estatais e do poder destituíram uma mulher sem crime algum. O Golpe interrompeu os mandatos presidenciais do Partido dos Trabalhadores, que se iniciaram em 2003 com a eleição de Luiz Inácio Lula da Silva.

Ao lembrar dos miseráveis, dos milhões, dos bilhões de miseráveis do mundo, miseráveis por causa da ganância de uns poucos capitalistas donos de tudo, miseráveis por causa de decisões políticas, por causa da injustiça dos poderosos e do Estado, miseráveis por falta de políticas públicas que interfiram na vida de toda uma coletividade e que deem oportunidades iguais para aqueles que sempre estiveram abandonados à própria sorte, sinto uma raiva profunda dos golpistas e de todos que apoiaram o Golpe. E sinto uma necessidade de lutar contra toda essa iniquidade instalada em meu País.

Os avanços dos governos do Partido dos Trabalhadores para a soberania do Brasil e para o conjunto do povo brasileiro após a eleição de Lula em 2002 marcaram a nossa história. O Brasil que volta ao mapa da fome após o Golpe foi o que mais havia distribuído renda no mundo nos anos dois mil. Os índices desgraçados de desemprego no pós Golpe substituíram o quase pleno emprego (e com direitos sociais e aumento real de salários em 13 anos seguidos). Agora os golpistas estão destruindo direitos históricos para o povo brasileiro voltar ao século 19, tempo da escravidão e do proletariado da venda de mão de obra por um pedaço de pão (que os milhões de Jean Valjeans precisam para viver).

Chegamos a um ponto do Golpe no Brasil onde não há alternativas ao povo brasileiro que não seja reconhecer que este mesmo povo foi enganado pelos donos dos meios de comunicação - empresários corruptos -, que foram enganados pelo partido que perdeu a eleição em 2014, o PSDB, e que precisam enfrentar o conjunto dos golpistas e seus apoiadores em todos os órgãos estatais onde eles se enfiaram.

Se o povo não tomar coragem, reagir e lutar pela derrubada deste Golpe e pela volta da democracia com reversão de todas as reformas e das doações lesa-pátrias já feitas pelos golpistas como, por exemplo, a Petrobras e o Pré-sal, de nada vai adiantar uma eleição direta se não forem desfeitas todas as merdas já aprovadas pelos golpistas sem-vergonhas.

É o que eu penso como cidadão que já dedicou mais de vinte anos às lutas sociais e da classe trabalhadora a qual pertence e representa.

William

sábado, 8 de julho de 2017

Diário e reflexões - 080717 (Registro das histórias de lutas)



Aos poucos, estou organizando nossa contribuição à
Caixa de Assistência dos Funcionários do Banco do Brasil.

Refeição Cultural

O sábado foi de descanso, após uma sequência longa de dias de trabalho e lutas pela nossa entidade de autogestão em saúde (Cassi), na qual atuo como gestor eleito pelos trabalhadores.

A primeira coisa que fiz hoje foi dormir um pouco mais. Depois saí para caminhar, coisa que não pude fazer por vários dias. Li um pouco de Eduardo Galeano - Días y noches de amor y guerra (1986).

Estava refletindo sobre a vida e sobre a política. A rápida destruição do Brasil e dos avanços sociais para o povo brasileiro com o Golpe realizado pela direita fascista e pela Casa Grande é de fazer chorar, é de causar depressão, é de nos deixar catatônicos frente a tanto desfazimento do País que vínhamos construindo desde 2003.

Até o primeiro semestre de 2014, o Brasil era um país com recordes de inclusão social, combate à fome, estava quase no pleno emprego, aumentos reais de salários todos os anos e aumento do registro em Carteira de Trabalho e com a economia interna muito mais aquecida que outros países do mundo no pós crise de 2008, com aumento de direitos e não redução. Aí o PSDB e o PIG perdem a 4ª eleição presidencial seguida e decidem cumprir a promessa de que a presidenta eleita não iria governar. ("Só para encher o saco do PT", o derrotado Aécio Neves lidera a destruição da economia e do País)

Agora o nosso País está sendo desmanchado por canalhas unidos nos três poderes, em conjunto com o 4º poder, a imprensa partidária (PIG). Não há institucionalidade a recorrer mais dentro da democracia burguesa, republicana. O povo e a classe trabalhadora vão ser re-transformados em escravos e semoventes.

Parar um instante e relembrar essa realidade transformada em menos de três anos nos dá uma tristeza profunda. Mas morrer ou desistir não é uma opção. Então, é lutar, e eu fui destacado para uma frente de batalha na luta de classes desde 2014. É nela que tenho colocado toda a minha vida, minha inteligência, minha saúde e minha paixão militante.


REGISTRAR A HISTÓRIA DA LUTA DE CLASSES É FUNDAMENTAL

Mesmo trabalhando de forma ininterrupta pela causa que defendo, a Cassi e os direitos dos trabalhadores associados que representamos, estou há três anos registrando tudo que estamos fazendo, que estamos encaminhando, as lutas que estamos empreendendo.

Faço isso em dois blogs, o Categoria Bancária, que transformei no espaço para falar da Cassi e das questões de saúde afetas a ela e para prestar contas do nosso trabalho, e o Refeitório Cultural, onde falo como cidadão, mas um cidadão engajado na cultura e nas dimensões humanas de nossa classe trabalhadora.

Temos muito pouco registro da história de lutas da classe trabalhadora. A maior parte é oral e muito se perde ao longo do tempo.

Eu tinha um projeto até 2013 de escrever dois livros sobre o movimento sindical bancário. Iria escrever um sobre as campanhas e lutas dos funcionários do Banco do Brasil após os anos dois mil. E iria escrever um sobre formação sindical. Eu iria registrar minhas memórias e pontos de vista como alguém de dentro dos bastidores das lutas entre 2002 e 2013 e o mesmo em relação à formação sindical bancária, como secretário de formação da Contraf-CUT durante seis anos.

Veio a nova missão como eleito em 2014 na Caixa de Assistência dos Funcionários do Banco do Brasil e os livros que faria ficaram na vontade.

Estou trabalhando para deixar de contribuição para nossas entidades de classe e para nossos trabalhadores da comunidade Banco do Brasil, minhas memórias e registros da caminhada que estamos empreendendo em defesa dos direitos em saúde dos funcionários do BB e na defesa da Caixa de Assistência e seu modelo assistencial.

Está dando um trabalhão, mas entendo que temos que fazer isso. A história da classe trabalhadora é a história de povos subjugados pelas classes dominantes. 

Com as ferramentas tecnológicas e de comunicação do século 21 está cada dia mais difícil para enfrentar os mesmos donos capitalistas detentores de todos os meios midiáticos. Há um totalitarismo nunca visto no domínio das comunicações. A tecnologia da informação poderia libertar o homem, mas está alienando cada dia mais nossos pares. Estamos em tempos de pós-verdade. Se a verdade factual não vencer a manipulação, ela pouco importa.

Enfim, estou documentando e registrando nossa passagem e nosso ponto de vista na luta em defesa dos direitos dos associados que representamos na autogestão Cassi, uma entidade que aprendi a amar e respeitar pelo que ela representa para a saúde de centenas de milhares de participantes ao longo de mais de setenta anos.

Abraços aos amig@s leitores,

William

sexta-feira, 30 de junho de 2017

Paulo Nogueira (1956-2017) - Presente!



Jornalista Paulo Nogueira (1956-2017). Foto: DCM.

Faleceu em 29 de junho o grande jornalista brasileiro Paulo Nogueira, editor do Blog Diário do Centro do Mundo (DCM). Ele e seu irmão, Kiko Nogueira, fazem parte da geração de jornalistas que são referências para nós, blogueiros e militantes que lutamos pela democratização dos meios de comunicação. 

Profissionais e seres humanos como o Paulo Nogueira são referências para todos aqueles que acreditam em um jornalismo ético, baseado na verdade factual, um jornalismo crítico, independente das preferências políticas pessoais do profissional e cujas produções textuais tragam informações que contribuam para ampliar os conhecimentos de seus leitores.

Sou blogueiro há mais de dez anos, comecei quando era secretário de imprensa da Confederação Nacional dos Trabalhadores do Ramo Financeiro, a Contraf-CUT, e de lá adiante fui aprendendo a importância de lutar por uma mídia regulada, democrática, e que dê vazão a todas as formas de pensamento e que atue para divulgar e ampliar o conhecimento humano em todas as suas dimensões.

É uma grande perda para todos nós que lutamos nos meios alternativos de comunicação para quebrar a invisibilidade de todos os assuntos de nosso interesse, os da classe trabalhadora, no que diz respeito às pautas viciadas e canalhas dos grandes jornais, revistas, canais de TV e rádios utilizados de forma totalitária para manipulação de massas por parte dos grandes empresários do Partido da Imprensa Golpista (PIG).

Paulo Nogueira, obrigado por tanto amor e dedicação ao verdadeiro jornalismo. Presente!

William

Leia: http://www.diariodocentrodomundo.com.br/

segunda-feira, 26 de junho de 2017

"Me dei conta de que era um caçador de palavras" - Eduardo Galeano



Obrigado, Eduardo Galeano, pelo
produto de sua "caça de palavras".

Refeição Cultural

"Después me levanté y caminé. Sentía la arena en las plantas de los pies descalzos y las hojas de los árboles me tocaban la cara. Había salido del hospital hecho un trapo, pero había salido vivo, y se me importaba un carajo el temblor del mentón y la flojera de las piernas. Me pellizqué, me reí. No tenía dudas ni miedo. El planeta entero era mi tierra prometida.

Pensé que conocía unas cuantas historias buenas para contar a los demás, y descubrí, o confirmé, que escribir era lo mío. Muchas veces había llegado a convencerme de que ese oficio solitario no valía la pena si uno lo comparaba, pongamos por caso, con la militancia o la aventura. Había escrito y publicado mucho pero me habían faltado huevos para llegar al fondo de mí y abrirme del todo y darme. Escribir era peligroso, como hacer el amor cuando se lo hace como debe ser.

Aquella noche me di cuenta de que yo era un cazador de palabras. Para eso había nacido. Ésa iba a ser mi manera de estar con los demás después de muerto y así no se iban a morir del todo las personas y las cosas que yo había querido.

Para escribir tenía que mojarme la oreja. Yo sabía. Desafiarme, provocarme, decirme: 'No podés, a que no'. Y también sabía que para que nacieran las palabras yo tenía que cerrar los ojos y pensar intensamente en una mujer"

(Os sublinhados são destaques feitos pelo Blog)


Li pela manhã esse excerto de Eduardo Galeano, em seu livro "Días y noches de amor y de guerra" (1986) e fiquei emocionado.

Saí para o trabalho. Voltei para casa no fim da tarde e estava lendo até agora há pouco (depois das 22h) a grande quantidade de textos técnicos da área de gestão em saúde que compõem as deliberações de minha reunião de Diretoria Executiva de amanhã cedo.

Peguei novamente o livro de Galeano e reli o trecho. Que coisa linda! Em suas reminiscências, o escritor uruguaio lembrou de uma de suas mortes - "Mi segunda muerte fue así" - quando teve duas malárias em um mês, estando como exilado em um país sul-americano. Os tempos eram de ditaduras militares sangrentas nas Américas.

--------------------------------------
"Aquella noche me di cuenta de que yo era un cazador de palabras. Para eso había nacido"
--------------------------------------

E que belo escritor nos saiu Eduardo Galeano!

Estou lendo seus livros agora, já entrando minha madurez. Galeano tem me inspirado muito com suas palavras.

E tenho pensado muito na militância, na vida, na dedicação às causas e nos sacrifícios que impomos a nós mesmos e nossos entes queridos.

Aprendi com a frase famosa de Galeano que a Utopia serve para seguirmos sempre em frente, por mais que andemos e a Utopia se afaste do mesmo tanto.

É isso! Obrigado por sua vida dedicada à caça das palavras, Eduardo Galeano!

--------------------------------------
"Escribir era peligroso, como hacer el amor cuando se lo hace como debe ser"
--------------------------------------

Fecho a refeição cultural com a frase do excerto comparando o perigo em escrever e fazer amor. Genial!

E por falar em amor, eu diria nos diversos amores:

- Filho, eu te amo! Sinta meu amor e meu apoio mesmo estando longe de ti no dia a dia. Tamo junto!

William
Um leitor

domingo, 25 de junho de 2017

Leitura: Benjamim (1995) - Chico Buarque


Completei a leitura dos dois primeiros
romances de Chico Buarque.

Refeição Cultural

"O pelotão estava em forma, a voz de comando foi enérgica e a fuzilaria produziu um único estrondo. Mas para Benjamim Zambraia soou como um rufo, e ele seria capaz de dizer em que ordem haviam disparado as doze armas ali defronte. Cego, identificaria cada fuzil e diria de que cano partira cada um dos projéteis que agora o atingiam no peito, no pescoço e na cara. Tudo se extinguiria com a velocidade de uma bala entre a epiderme e o primeiro alvo letal (aorta, coração, traqueia, bulbo), e naquele instante Benjamim assistiu ao que já esperava: sua existência projetou-se do início ao fim, tal qual um filme, na venda dos olhos. Mais rápido que uma bala, o filme poderia projetar-se uma outra vez por dentro das suas pálpebras, em marcha a ré, quando a sucessão dos fatos talvez resultasse mais aceitável. E ainda sobraria um fiapo de tempo para Benjamim rever-se aqui e acolá em situações que preferiria esquecer, as imagens ricocheteando no bojo do seu crânio..."


Esse é o início do romance Benjamim (1995), de Chico Buarque. Eu me lembrei do começo de Cem anos de solidão (1967), de Gabriel García Márquez, com as recordações do coronel Aureliano Buendía diante do pelotão de fuzilamento.

Foi meu segundo romance de Chico Buarque. Li em abril o seu primeiro romance, Estorvo (1991) - ler comentário AQUI. Os dois romances são narrativas exigentes, na minha opinião. O final de Benjamim é surpreendente. 

Por mais que eu tenha feito curso de Letras e procure atentar para as técnicas narrativas dos romances modernos, algo desejável nos leitores críticos, entendo que os dois romances mereceriam de minha parte novas leituras, para que apreciasse na segunda vez as nuanças que Chico utiliza para colocar seus leitores ligados do início ao fim da estória, pois aconteceu com Benjamim o mesmo que com Estorvo, abri o livro e quase não parei até acabar.

Aos poucos, vamos diminuindo as nossas lacunas culturais na área da literatura brasileira e mundial. Neste ano, já finalizei 33 obras que ou iniciei e terminei ou que vinha lendo e não havia terminado ainda.

Domingo acabando. O fim de semana é muito curto para recarregarmos as baterias para as frentes de batalha que participamos enquanto atores sociais num mundo em crise, o nosso mundo da classe trabalhadora.

Terminei a semana de trabalho bastante esgotado na última sexta-feira. E já começaremos outra semana muito estressante. Minha condição física não está das melhores. A pressão arterial anda um pouco alta. Preciso dormir mais, comer melhor e caminhar ou correr com periodicidade. Semana passada andei 8k no Eixão e hoje andei 8,5k. Mas isso não é suficiente.

Vamos para mais uma semana de lutas em defesa da entidade de saúde dos trabalhadores em que sou gestor eleito.

Abraços amig@s leitores!

William

sábado, 24 de junho de 2017

Diário e reflexões - 240617 (Pensando o mito Fausto)



Edição que vi do filme. O livro traz informações interessantes.
O filme completo está disponível no Youtube também.

Refeição Cultural

Olá prezad@s leitores amig@s!

Nesta semana, assisti à fantástica obra "Fausto" (1926), do cinema expressionista alemão, com direção de F. W. Murnau, o mesmo diretor de "Nosferatu" (1922). Para aqueles que gostam de filmes antigos, em preto e branco, e clássicos do cinema mudo, o filme é um banquete.

"Fausto" (1770), de Goethe, foi o primeiro livro que reli neste ano (comentário AQUI). Havia lido este clássico na adolescência.

A ideia da busca do conhecimento e do saber através da ciência, da filosofia e do místico, das religiões e dos mitos é algo que faz parte da história da humanidade desde os tempos ancestrais. É uma pena que parte tão pequena dos humanos desenvolva sua curiosidade filosófica e desejo de saber, haja vista que a maioria das pessoas acaba levando uma vida ou só em função do sustento, ou do prazer material, ou ambos, e com pouco desejo ou oportunidade de aprofundamento em um saber enciclopédico e filosófico.

Apesar de minha origem humilde, no seio da classe trabalhadora de nosso País, desde adolescente acumulo papeis, livros e revistas com o desejo de buscar conhecimento e autoconhecimento. Já busquei nas religiões, nos livros, filmes, documentários e nas formas diversas de cultura, ser menos ignorante e sem noção do que no dia anterior, nesta rápida existência humana que temos.

Já completei 48 anos e por mais que tenha me esforçado para estudar e ler nas poucas horas livres em que não estou vendendo minha força de trabalho e, nos últimos vinte anos, utilizando toda a minha energia para as lutas do movimento social, a verdade é que vai ficando mais distante o sonho de ler o que gostaria ou, ao menos, os livros que adquiri em quase três décadas de vida.

Há muitos anos minhas tentativas de estudos são frustradas pelo sono e pelo esgotamento físico.

Neste sábado, fiquei pensando se continuava a leitura de um livro clássico de Eduardo Galeano - Las venas abiertas de América Latina (1971), se seguia com o ensaio de Paul Preston - La Guerra Civil Española (1999), ou se escolhia algum livro mais leve e que não remetesse minha atenção para as guerras e as barbaridades da humanidade. 

Peguei o segundo romance de Chico Buarque - Benjamim (1995), que ganhei de minha esposa. Decidi por este. E quem disse que eu conseguia ler depois de uma semana de trabalho pela Cassi dormindo umas 5 horas por noite e chegando ao fim de semana prostrado como ocorre há 3 anos?

Eu continuo com um grande sonho de ler e estudar os diversos saberes e me tornar uma pessoa com mais conhecimento. É verdade que não sei ao certo qual seria a utilidade disso em minha existência atual. Talvez eu devesse dormir mais e descansar mais. Mas algo dentro de mim não me deixa relaxar, sabendo que tenho livros que gostaria de ler e uma existência finita logo ali.

A minha militância pela Caixa de Assistência dos Funcionários do Banco do Brasil e seus associados vai exigir de mim toda a energia e inteligência que tenho para o período que entra, como já ocorreu nas lutas que empreendemos nestes 3 anos. Ao mesmo tempo, teria que pegar fatias do tempo que sobra para olhar minha família, minha saúde e minha essência.

Por exemplo, eu já deveria estar me preparando para fazer minha caminhada de 75k em agosto e estou muito fora de forma para qualquer coisa...

Não é uma equação fácil de resolver. Não é.

Um abraço aos amig@s amantes da leitura.

William


Post Scriptum:

Texto feito ao som de Carmina Burana, de Carl Orff.

domingo, 18 de junho de 2017

Leitura: Toda poesia (2013) - Paulo Leminski




Refeição Cultural


"depois de muito meditar
  resolvi editar
  tudo o que o coração
  me ditar"


"   leite, leitura
letras, literatura,
     tudo o que passa,
tudo o que dura
     tudo o que duramente passa
tudo o que passageiramente dura
     tudo, tudo, tudo,
não passa de caricatura
     de você, minha amargura
de ver que viver não tem cura"

(Paulo Leminski)


Ao terminar a leitura das obras poéticas de Paulo Leminski, reunidas no livro Toda poesia, pela Companhia das Letras, fiquei pensando no quanto não conheço nada de nada em relação à literatura e produção literária do mundo, independente dos diversos tipos de gêneros, autores e países. Essa tomada de consciência é sempre dura, e deve-se ter humildade para lidar com o fato, senão ficaríamos deprimidos.

Eu tenho 48 anos de idade. Sou bancário concursado do Banco do Brasil. Já fiz muita coisa na vida desde a adolescência. Vendi minha força de trabalho desde criança, lá nos anos oitenta. Fui lendo o que deu e do jeito que deu. Cursei Ciências Contábeis e Letras. Depois que passei a ter um pouco mais de formação política e experiência de vida foi que percebi o quanto era ignorante em relação às boas obras da literatura mundial.

Desde então, vou descobrindo autores, gêneros, temas, estilos, vidas, poéticas, e definindo minha própria poética, mesmo que em prosa bancária, de trabalhador, amador no escrever.

Olha, que legal!

Paulo Leminski foi um grande conhecedor da palavra, da poesia, do manuseio da língua, da linguagem. O cara foi um gênio naquilo que fez. Estou impressionado com sua obra e foi uma pena não ter conhecido o autor antes de meus quarenta e tantos anos de idade, inclusive porque fiz faculdade de letras nos anos dois mil. Mas como escrevo aqui há tantos anos, sou (somos) lacunas culturais.

------------------------------------------------

"a hora do tigre

um tigre
    quando se entigra
não é flor 
    que se cheire
não é tigre
    que se queira

    ser tigre
dura a vida
               inteira"

--------------------------------------------------

Agora, após leitura de apresentação (e não de exegese), haja vista que só passei pela obra entre a compra do livro em 2013 e a leitura dos poemas ao longo deste período, posso dizer que passei a ter uma leve noção do que é Paulo Leminski. Mas isso não é pouco, porque estamos num mundo onde as pessoas ao nosso redor muitas vezes sequer têm noção de quase nada.

O livro Toda poesia (2013) reuniu em quatrocentas páginas poesias de vários livros de Leminski:

- quarenta clics em curitiba (1976)
- caprichos & relaxos (1983)
- distraídos venceremos (1987)
- la vie en close (1991)
- o ex-estranho (1996)
- winterverno (2001)
- poemas esparsos

---------------------------------------------------

"no campo
em casa
no palácio
está nas últimas
a última flor do lácio

cretino
beócio
palhaço
dê o último adeus
à última flor do lácio

a fogo
a laço
ninguém segura
a queda da última flor do lácio"

-------------------------------------------------------

Uma leve conclusão

O livro passa a ficar disponível e com fácil acesso em minha casa, assim como ficam os livros de Drummond e Bandeira, para aqueles momentos duros dos dias de lutas em que chego desesperado, angustiado, com raiva ou tristeza ou coisa do tipo e necessito abrir algo para ler ou declamar, buscando um conforto ou alívio mental.

Abraços, leitores amig@s.

William
(em busca de noções)

sábado, 17 de junho de 2017

Leitura: Por quem os sinos dobram (1940) - Ernest Hemingway


Livros que li de Hemingway e livros
que li do ano passado pra cá.

Refeição Cultural

"Hoje é apenas mais um dia entre todos os que virão. Mas o que vai acontecer em todos os outros dias que ainda virão depende do que você fizer hoje. Foi assim o ano todo. Foi assim tantas vezes. Toda esta guerra é assim..." (Robert Jordan, Por quem os sinos dobram)


"Ele tinha apenas uma coisa a fazer: deveria estar muito consciente de sua tarefa e enfrentar o que quer que acontecesse, sem outras preocupações. Preocupar-se era o mesmo que sentir medo. Simplesmente tornava tudo mais difícil..." (narrador, Por quem os sinos dobram)


Ler Por quem os sinos dobram (1940), de Ernest Hemingway, é um feito pessoal de prazer e autoconhecimento. Tenho um sonho antigo de ler muitas obras clássicas da literatura mundial. O desejo de ler uma lista enorme de livros clássicos é sempre muito maior que a minha capacidade de leitura.

Tenho lido compulsivamente nas poucas horas de folga que tenho de meu trabalho, que é técnico e político e exige muita dedicação e estudos diários. Estar na função eleita de Diretor de Saúde e Rede de Atendimento da Caixa de Assistência dos Funcionários do Banco do Brasil é um desafio extremamente difícil, principalmente para realizar um mandato da maneira como nos formamos na representação de trabalhadores, de forma intensa e integral.

De Hemingway, passei a vida quase que só conhecendo o seu clássico O velho e o mar (1952), que já li 5 vezes. Foi então que decidi conhecer mais obras dele após reler O sol também se levanta (1926) em janeiro deste ano. Em seguida, acabei lendo Adeus às armas (1929) e agora terminei o grosso volume do romance Por quem os sinos dobram (1940).

Não vou parar por aqui, em relação a Hemingway. Vou atrás de mais algumas obras dele para incluir na lista infindável de livros a ler.

O cenário em que a estória se passa é o da Guerra Civil Espanhola (1936-39). Não foi por acaso que estou enveredando por obras que de alguma forma nos fazem refletir sobre o momento por que passa o nosso querido Brasil após o Golpe de Estado em 2016, aplicado por uma camarilha de ladrões e fascistas com apoio internacional de países imperialistas e de grandes corporações. O mundo passa por um contexto político e econômico muito semelhante ao período que marcou a 1ª Guerra Mundial, o crash de 1929 e a 2ª Guerra Mundial.

Ao ler sobre as atrocidades cometidas na Guerra Civil Espanhola, entre os dois lados, e ver o quanto o fato foi marcado pelo ódio e pela influência das diversas questões pungentes à época - comunismo, socialismo, republicanismo, liberalismo, fascismo, nazismo, catolicismo, totalitarismo e outros ismos - vemos o quanto estamos próximos de guerras semelhantes, tanto internas nos países, quanto entre países ou grupos que extrapolam bandeiras e pátrias.

Desde o ano de 2016 tenho lido muito a respeito de contextos históricos que levaram países à guerras e golpes de Estado. Mesmo trabalhando jornadas diárias em 3 períodos durante meu mandato de gestor de saúde, escrevi 181 postagens neste Blog ano passado e já postei 65 textos neste ano.

Enfim, dedicar horas de nossa vida à leitura e estudo das grandes questões humanas é algo central para não sermos meras marionetes de sistemas de manipulação de massas. Estudar e ler textos complexos é base para a formação intelectual e moral dos seres humanos.

As duas citações que coloquei de epígrafe retratam bastante o que penso de meu trabalho militante pela entidade de saúde que me destacaram como tarefa de representação de trabalhadores.

Apesar da abertura da Caixa de Pandora em nosso País, do envenenamento do povo brasileiro com um ódio plantado pelos golpistas, liderados pelos empresários dos meios de comunicação monopolizados, eu me formei acreditando na Política como solução pacífica das controvérsias, e para evitar as guerras e mortes e extermínios dos outros, do diferente, do diverso de mim.

Recomendo muito a leitura desta obra de Hemingway, a Espanha de ontem tem muita semelhança com o Brasil de hoje.

Abraços,

William
Um leitor

quinta-feira, 15 de junho de 2017

Diário e reflexões - 150617 (Leituras no entre guerras)



(atualizado à 1h27, de 16/6/17)


Um representante de trabalhadores.

Refeição Cultural

Dia de feriado nacional, Corpus Christi. No meu caso, foi um dia para um respiro.

Para abstrair do meu trabalho-militância na representação dos trabalhadores em uma autogestão em saúde (Cassi), busco fazer o que mais amo na vida: ler e buscar novos conhecimentos.

Estou quase terminando a leitura do grosso volume de Hemingway, Por quem os sinos dobram (1940). Faltam umas setenta páginas. Não quis terminar a leitura nas duas ou três oportunidades que tive nos últimos dias.

Hoje, por exemplo, encarei estudos sobre a Guerra Civil Espanhola em excelente livro de Paul Preston, livro que comprei em Madri, em 2009. Avancei alguns capítulos do livro.

I - Una sociedad dividida: España antes de 1930
II - El desafío de la izquierda, 1931-1933
III - Enfrentamiento y conspiración: 1934-1936

Eu fico analisando o cenário brasileiro, desde a eleição presidencial de 2010, quando o PT ganhou sua terceira eleição seguida, com o Presidente Lula fazendo sua sucessora e o grau de acirramento das elites tupiniquins de lá adiante. Acho o cenário muito semelhante com a Espanha dos anos 20 e 30.



Cenário de ódio e intolerância
pré Guerra é parecido ao brasileiro.

Na minha leitura política, o fim do pacto social entre o PT e a burguesia vira-latas brasileira, iniciado com a carta ao povo brasileiro (2002), terminou quando a Presidenta Dilma Rousseff decidiu mexer em um (unzinho) dos gargalos estruturais e econômicos do País - a maior taxa de juros e spread do mundo (a bolsa-rentistas). Dilma fez isso porque o mundo, liderado pela China, tinha diminuído o consumo de commodities e o Brasil teve que pensar em outras formas de manter a economia interna viva.

Enfim, não é sobre isso que estou escrevendo.

Estava falando da comparação de cenários entre a Espanha pré Guerra Civil e o Brasil pré Golpe de Estado em 2016 e as incertezas do amanhã por aqui. A diferença daquela Espanha é que a esquerda e a direita revezaram o poder democrático em 1931/33/36, ganhando cada segmento uma eleição nacional, e isso acirrou deveras o cenário de ódio e vingança para o estopim da guerra.

No Brasil, o PT ganhou as eleições em 2002, depois em 2006, ambas com Lula, e foi implantando mudanças sociais de forma lenta, mas sem rupturas, e com resultados expressivos no campo das conquistas sociais para o povo situado na base da pirâmide social. Ganhou depois a eleição presidencial em 2010, com Dilma (a terceira eleição) e o cenário econômico mundial havia piorado muito, exigindo mais dos governos do PT. Ao ganhar pela 4ª vez seguida, em 2014, foi avisado pela Casa Grande e seus representantes que o governo e suas políticas sociais não continuariam. Dito e feito.

Mais um detalhe: tinha um tal de Pré-sal que prometia, assim como ocorreu na Noruega, uma determinada soberania nacional no setor e um salto nas décadas seguintes nas áreas da Educação e Saúde... As sete irmãs e o Tio Sam não quiseram mais brincar de amiguinhos neutros com o Brasil.

Na Espanha, o cenário de ódio e revanche entre os segmentos sociais antagônicos - republicanos, socialistas, anarquistas e povo trabalhador de um lado, e monarquistas, igreja católica e latifundiários de outro - ocorreu após a vitória da esquerda nas eleições de 1931 e 1936. Com os militares se posicionando do lado das elites seculares, a guerra se instalou.

Enfim, para onde vamos no Brasil? Eu escrevi tanto em minhas horas de folga em 2016 e fiquei meio esgotado de fazer análises e reflexões sobre nossa vida e momento político. Mas sofro com tudo o que vem ocorrendo em nosso querido Brasil e ao povo brasileiro que amo e represento como eleito em um espaço de representação de trabalhadores.


ENQUANTO O BRASIL SEGUE EM CRISE E SENDO DESTRUÍDO PELOS GOLPISTAS, SEGUIMOS LENDO


Presente do dia dos namorados. Demais!!!

Para terminar minha reflexão, compartilho que ganhei um presente maravilhoso de minha companheira: livros, livros, livros. Ganhei 9 livros do fantástico escritor José Saramago. Obrigado Noni pelo presente! 

O duro é encontrar em minha vida o tempo necessário para ler tudo o que desejo. Já entrei na segunda metade de minha existência, que pode durar um minuto como alguns invernos. É por isso que às vezes leio até em pé para não cochilar pelo cansaço acumulado... (não tenho tempo a perder)

É isso! Dei uma pedalada deliciosa hoje no Eixão aqui em Brasília. Que tarde gostosa!

William

Leitura: La vie en close (1991) - Paulo Leminski



Paulo Leminski.

Refeição Cultural

A poesia é um inutensílio, dizia o poeta.

Um orgasmo não tem que ter um porquê; a poesia não tem que ter um porquê. Um gol do Zico não tem que ter um porquê... (Leminski)

mas...

"O poeta é uma necessidade orgânica das sociedades"

Terminei a leitura deste livro de poesia de Leminski, la vie en close (1991), em um hotel lá em Belo Horizonte, na madrugada de 7 de junho. Estava lá para participar de uma conferência de saúde. Cansadíssimo naquele instante, peguei as poesias para mudar minha onda cerebral e dormir.

Nesta madrugada de quinta-feira, 15, feriado nacional, reli poesias diversas de la vie en close. Novamente, estou cansado de tanto trabalhar um trabalho que é militância pela Caixa de Assistência em saúde, que administro como eleito por associados. Tenho trabalhado até a exaustão!

Não adianta conselhos de gente bem-intencionada para que a gente trabalhe menos. Meu trabalho é guerra. É frente de batalha. Ou se luta ou não se luta pela saúde, pelo modelo de saúde, pela nossa entidade de saúde, pelos direitos em saúde dos associados que se representa. É assim pra mim.

Enfim, na inutilidade da poesia, no inutensílio, segundo o poeta, sinto uma utilidade imensa em me desligar nas leituras, uma vez ou outra, de minha quase condenação às militâncias em que me meti ao longo de minha existência.

Saboreiem abaixo alguns poemas de Leminski e embarquem na viagem dos seus livros de poemas.


---------------------------------------------

      um bom poema
leva anos
      cinco jogando bola,
mais cinco estudando sânscrito,
      seis carregando pedra,
nove namorando a vizinha,
      sete levando porrada,
quatro andando sozinho,
      três mudando de cidade,
dez trocando de assunto,
      uma eternidade, eu e você,
caminhando junto

-----------------------------------------------

estupor

esse súbito não ter
esse estúpido querer
que me leva a duvidar
quando eu devia crer

esse sentir-se cair
quando não existe lugar
aonde se possa ir

esse pegar ou largar
essa poesia vulgar
que não me deixa mentir

------------------------------------------------

mais ou menos em ponto

     Condenado a ser exato,
quem dera poder ser vago,
      fogo-fátuo sobre um lago,
ludibriando igualmente
      quem voa, quem nada, quem mente,
mosquito, sapo, serpente.

      Condenado a ser exato
por um tempo escasso,
      um tempo sem tempo
como se fosse o espaço,
      exato me surpreendo,
losango, metro, compasso,
      o que não quero, querendo.

--------------------------------------------------

      atrasos do acaso
cuidados
      que não quero mais

      o que era pra vir
veio tarde
      e essa tarde não sabe
do que o acaso é capaz

--------------------------------------------------

suprassumos da quintessência

      O papel é curto,
Viver é comprido.
      Oculto ou ambíguo,
Tudo o que digo
      tem ultrassentido

      Se rio de mim,
me levem a sério,
      Ironia estéril?
Vai nesse ínterim,
      meu inframistério.

---------------------------------------------------

      Andar e pensar um pouco,
que só sei pensar andando,
      Três passos, e minhas pernas
já estão pensando.

      Aonde vão dar estes passos?
Acima, abaixo?
      Além? Ou acaso
se desfazem ao mínimo vento
      sem deixar nenhum traço?

---------------------------------------------------

    textos textos textos

      malditas placas fenícias
    cobertas de riscos rabiscos
como me deixastes os olhos piscos
    a mente torta de malícias
                   ciscos

---------------------------------------------------

      quem chega tarde
deve andar devagar
      andar como quem parte
para nenhum lugar

      vida que me venta
sina que me brisa
      só te inventa
quem te precisa

----------------------------------------------------

      o bicho alfabeto
tem vinte e três patas
      ou quase

      por onde ele passa
nascem palavras
      e frases

      com frases
se fazem asas
      palavras
o vento leve

      o bicho alfabeto
passa
      fica o que não se escreve

------------------------------------------------------

Comentário final

O relançamento das obras completas de Paulo Leminski pela Companhia das Letras é uma oportunidade de ouro para nós que não conhecemos o autor em sua época. Eu me incluo no "nós" porque só muito tarde em minha vida passei a apreciar poesia, depois dos trinta anos de idade.

Os livros contidos no volume "Toda poesia" são muito bons. Fica a sugestão aos leitores amigos.

William

domingo, 11 de junho de 2017

Leitura: O BB de bombachas (2016) - Alcy Cheuiche (Organizador)



Homenagens ao centenário do BB no Rio Grande do Sul.

Refeição Cultural

Li nesta semana um livro que ganhei em uma de minhas passagens pelo Rio Grande do Sul. O livro é fruto de uma oficina literária do SindBancários de Porto Alegre e região. Com a coordenação de Alcy Cheuiche, diversos colegas bancários e bancárias do Banco do Brasil e um pai de bancário produziram contos deliciosos sobre a história do nosso banco público no Estado do RS, história que completou cem anos em 2016.

O livro me foi presenteado pelo companheiro Irineu Roque Zolin, um dos escritores dos contos, e, desde já, agradeço pelo belo presente. Neste sábado 10 tive o privilégio de participar, a convite da Fetrafi RS, do Encontro dos Empregados da Caixa e dos Funcionários do Banco do Brasil e contribuir com uma análise de conjuntura abordando a conjuntura e os bancos públicos. Esta foi minha sétima passagem pelo Estado do RS para conversar com a base social do BB. (leia AQUI)

É emocionante conhecer as histórias cotidianas de cada bancário e bancária de nosso banco público em um Estado cujo papel do BB sempre foi muito relevante no apoio à comunidade rural gaúcha. Ao mesmo tempo, não tem como não ficar triste ao ver o governo atacando nosso patrimônio público, fechando centenas de agências justamente a partir de 2016 e fechando quase dez mil postos de trabalho. O povo brasileiro e nosso Banco não merecem esse sucateamento.

Eu parabenizo esta iniciativa do SindBancários que já produziu diversas obras com artistas e escritores bancários a partir das Oficinas Literárias. Esta nossa categoria é repleta de trabalhadores com diversas aptidões e vivências culturais, e cada entidade sindical que contribui para o desenvolvimento dessas dimensões humanas deve ser enaltecida.

O livro está em duas línguas, português e espanhol. Há contos que nos lembram da Cassi, da Previ, dos Cesec; contos que nos falam de presidente do BB oriundo do Rio Grande do Sul; contos que nos falam da história do Estado e dos gaúchos, assim como da participação do BB lá na Itália, durante a 2ª Guerra Mundial.

Não sei se está disponível para aquisição, mas sugiro a leitura. É sempre bom ler a respeito de nossa história.

William

Leia abaixo a matéria do SindBancários sobre o lançamento da obra.



(reprodução de matéria do SindBancários)


Lançamento da antologia de contos sobre história de 100 anos do BB na 62ª Feira do Livro consagra nono livro da Oficina do SindBancários


Lançamento do livro em Porto Alegre.

14/nov/16 - site do SindBancários


A sala Oeste do andar G do Santander Cultural, acolheu na sexta-feira, 11/11, um grupo de oito estudantes da Oficina Literária do SindBancários e revelou mais uma virtude de reunir bancários para escrever: contar a própria história ou pesquisar sobre a história de um banco fundamental para o desenvolvimento do País. Os oficineiros puderam, no mesmo dia à noite, também, agora no Memorial do Rio Grande do Sul, autografar “O BB de Bombachas – Homenagem ao Centenário do Banco do Brasil no Rio Grande do Sul”. Trata-se da nona antologia publicada pela Oficina Literária do SindBancários, desde 2008, sob a orientação do escritor Alcy Cheuiche. O lançamento fez parte da programação da 62ª Feira do Livro de Porto Alegre.


A nona antologia de contos segue a premissa das oito anteriores da oficina do SindBancários. São 60 contos, todos traduzidos para o espanhol, pela tradutora Andrea Barrios. A capa é um primor de arte, a cargo do ilustrador Marcos Cena, que vem a ser o presidente da Câmara Riograndense do Livro, dirigente da 62ª Feira do Livro de Porto Alegre. Durante a apresentação do livro no Santander Cultural, Alcy Cheuiche, falou sobre o tema. “Nosso desafio foi não só mostrar a história dos 100 anos do Banco do Brasil aqui no Rio Grande do Sul, mas a história de mulheres e homens que construíram essa história. Foi um privilégio trabalhar com vocês pela emoção, o carinho e a amizade. Vocês só não vão continuar escrevendo, e bem, se não quiserem”, discursou.


O presidente do SindBancários, Everton Gimenis, abordou o esforço que o Sindicato faz todo o ano e a importância de manter uma oficina literária no contexto político de agora. “A função primordial do nosso Sindicato é a luta da categoria. Mas o Sindicato tem que ter um papel na disputa da consciência das pessoas. Abrimos espaços culturais, como o nosso cinema, oficinas de dança e de teatro e um Festival de Música. As funções dos bancários são muito desgastantes dentro do banco. Ter um espaço de cultura e lazer é fundamental. Descobrimos que temos bancários e bancárias que são escritores de talento”, pontuou Gimenis.


Os 60 contos dos oito oficineiros foram produzidos ao longo do ano. Desde março, em encontros semanais às segundas-feiras, os oficineiros pesquisam, trocam ideias e escrevem. Neste ano, para reconstituir o centenário do Banco do Brasil, os alunos da oficina viajaram a Pelotas, Rio Grande e Bento Gonçalves. A primeira agência do Banco do Brasil foi inaugurada em 1º de março de 2016 na esquina da General Câmara (mesma rua da Casa dos Bancários, sede do SindBancários), com Sete de Setembro, no Centro Histórico de Porto Alegre. A Agência continua aberta no mesmo endereço. Após essa primeira agencia, vieram as de Pelotas e Rio Grande.


“É importante ter banco público. Neste momento em que um grupo político muito conservador e que tomou o poder sem ganhar as eleições ameaça o patrimônio público, mostramos a importância histórica de manter bancos púbicos. É preciso fortalecer cada vez mais o Banco do Brasil”, acrescentou Everton Gimenis.


Leitura de contos

No encontro do Santander Cultural, a já tradicional leitura de alguns contos ficou marcada pela democracia. Foram sorteados dois contos para serem lidos em português, pelo autor, e em espanhol pela tradutora Andrea Barrios. Assim, Michele Cardoso leu o “Canto do quero-quero”, que chamou de “uma tentativa de homenagear os bancários e os clientes que fazem o Banco do Brasil”. José Rodrigues Pereira leu “A Viagem de Numerário”, e chegou a cantar uma canção de bar que bancários costumavam entoar juntos em suas horas de lazer. De aniversários na sexta-feira, 11/11, Heraldo Velho Becker, ganhou de presente o “Parabéns a você” e a leitura do seu conto, “Grãos Dourados” sobre a importância do financiamento, via BB, da cultura agrícola da soja no Rio Grande do Sul.


Palavra de oficineiro

“Num primeiro momento, a dificuldade é criar um texto de duas páginas e reduzir para uma. Quando falamos em 1916, o centro de Porto Alegre era uma província com ruas mal desenhadas. O progresso de cada cidade veio junto com a chegada do Banco do Brasil.” Paulo Evaerte Ricalde de Freitas

“Trabalho há 41 anos na Caixa. Fiz uma linha do nosso trabalho e vivência. Tenho um filho que trabalha no Banco do Brasil. Um conto que escrevi fala da viagem que ele faz para trabalhar de Charqueadas para Triunfo. Fala da travessia de barco que ele faz diariamente.” Everton Araujo Pires

Para ver matéria e fotos, clique AQUI.

Fonte: site do SindBancários