segunda-feira, 15 de outubro de 2018

O dia dos professores mais ameaçado da história do Brasil


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Diário e reflexões - 151018

Hoje é dia 15 de outubro, o Dia dos Professores.

Eu relutei o dia inteiro para escrever porque estou triste, estou com um sentimento ruim em minhas emoções por causa da ameaça que o nosso futuro enfrenta nestas eleições brasileiras após mais de uma década de ataques à política e à democracia por parte da elite vira-latas da secular casa-grande desta ex-colônia, elite que nunca aceitou perder as eleições a partir de 2003 para o Partido dos Trabalhadores.

As pessoas que são um pouco mais politizadas, parcela pequenina do povo brasileiro, viram ano após ano, desde a eleição de Lula, o sistema Globo e demais empresários da comunicação monopolizada no país criminalizar a política e a inclusão do pobre no orçamento público, disputando uma pequena parte do PIB com os bilhões distribuídos aos rentistas desse 1% de privilegiados (860 mil pessoas, segundo matéria recente de CartaCapital).

Antes de dar meus parabéns aos abnegados e resilientes professores e professoras pela heroica resistência em manter viva a nobre profissão, preciso registrar que o efeito do golpe organizado por tanto tempo pela casa-grande para interromper os governos democráticos e populares do Partido dos Trabalhadores, mandatos eleitos legitimamente pelo voto universal do povo brasileiro, o efeito será o fim da democracia, das instituições do Estado, das liberdades individuais e coletivas, dos direitos sociais em geral e da educação em especial.

Se permanecer a intenção do povo brasileiro em eleger em 2º turno o candidato nazifascista e os militares com ele, teremos o fim da liberdade de expressão, o fim do sagrado direito de aprender formalmente nas escolas, com professores presentes, e desde a infância até a formação superior. Teremos com isso, o fim da única oportunidade de se alimentar de milhões de crianças deste nosso país miserável. A novidade será a educação à distância, em casa.

Teremos uma coisa mentirosa (fake) chamada "escola sem partido" ideologizada para rever a história e dizer que o golpe civil-militar foi "movimento" em 1964. Que não poderá ensinar história e filosofia, mas que deverá obedecer ordens da caserna. Teremos um presidente com os torturadores do passado com autorização para torturar aqueles que pensam diferente ou trazem consigo aquela mania que o ser humano tem de divergir do que lhe impõem goela abaixo, seja uma pessoa ou o Estado.

Desde o nazismo e o fascismo que levou o mundo às grandes guerras e à morte de dezenas de milhões de seres humanos, a ameaça fascista bateu à porta de vários países, inclusive os maiores e mais desenvolvidos, mas nunca uma população elegeu com mais de 50% um candidato e um programa nazifascista. O Brasil seria o 1º a fazer isso desde a ascensão do nazismo nos anos 30. Que povo faria isso? O mundo inteiro está se perguntando.

Autorizar esse candidato mentiroso, que não se expõe a debates para continuar com sua rede do submundo das fake news em rede social, a ser o governante para terminar o que Temer não terminou de destruir dos direitos do povo e do patrimônio brasileiro será algo sem volta, não será possível reverter depois. Uma coisa são as diferenças programáticas entre petistas e tucanos, entre democratas e comunistas, Estado mínimo ou atuante na economia etc. Outra coisa é um regime autoritário, com base fundamentalista em determinada religião, mentiroso por natureza e contra os trabalhadores, além de lambe-botas do império americano. É ruim pra todos!

Temos 13 dias para conversar com os brasileiros e pedir a cada pessoa que pretende votar no nazifascismo que mude de opinião, e que dê uma chance ao nosso futuro, aos direitos do povo trabalhador, que nos permita continuar tendo professores, educação, liberdade, emprego com dignidade e direitos, aposentadoria ao final de uma vida de trabalho.

Parabéns aos professores e professoras que são as maiores esperanças de mudar o mundo para melhor, em paz, e sem violência e guerras através das armas e do ódio. Parabéns para a minha companheira que é professora e dedicou a vida toda a educar as crianças para construírem um mundo melhor, mais justo e solidário, com respeito aos outros.

Parabéns professores do Brasil.

William

quinta-feira, 11 de outubro de 2018

Brasil pode ter regime nazifascista após golpe na democracia



Livro sobre linguagem do nazismo e documentário sobre o apoio de
empresários ao regime militar no Brasil alertam para o risco atual.

Diário e reflexões - 111018

Hoje é quinta-feira, 11 de outubro. No último domingo, o povo brasileiro foi às urnas para participar de uma eleição fake, de mentira, mas que está valendo para definir a vida de cada um de nós, o povo brasileiro. O candidato que ganharia as eleições no 1º turno, o ex-presidente Lula, é um preso político e está numa masmorra, condenado sem provas e incomunicável com o povo brasileiro. Qualquer preso fala à imprensa, estuprador, assassino, traficante, qualquer um, menos o cidadão Lula.

Se o Brasil estivesse vivendo um período de normalidade democrática, não teríamos interrompido o mandato da presidenta Dilma Rousseff, eleita em 2014 com 54,5 milhões de votos. O candidato da oposição e da casa-grande ("mercado"), Aécio Neves, não aceitou a decisão do povo nas urnas e resolveu questionar o resultado só "para encher o saco do PT". A consequência foi jogar o país na maior crise de sua história.

Com o impedimento da presidenta eleita, também sem crime algum, assumiu o poder o vice-presidente Michel Temer, através de um golpe de Estado jurídico-parlamentar (lawfare) que contou com a participação dos partidos de oposição, empresários dos meios de comunicação, setores dos três poderes do Estado e apoio dos Estados Unidos. A agenda ultraliberal, derrotada quatro vezes nas urnas, passou a ser implantada no país.

O medo e a raiva, o ódio e a desesperança tomaram conta de meus conterrâneos, o povo brasileiro e trabalhador, ao sentir as consequências de se destruir a economia, as empresas nacionais, os direitos sociais, como os empregos formais e direitos trabalhistas, e o congelamento por vinte anos dos investimentos em saúde, educação e segurança, além da entrega do patrimônio nacional como o Pré-sal, Embraer, a base de Alcântara e mais retiradas de direitos na fila de espera, como a venda da Petrobras, da Eletrobras, dos bancos públicos, e o fim da aposentadoria, do 13º salário e das férias. Para completar, o povo morre nas ruas pela violência e insegurança.

RECEITA PARA O FASCISMO - Esse caos é a receita histórica para a implantação de regimes fascistas e totalitários, jogando o povo contra a política e a democracia, contra a cultura de paz e solidariedade, como a história já nos mostrou entre os anos 20 e 40 do século passado, regimes que levaram a duas grandes guerras e a morte de 100 milhões de pessoas. 

A estratégia dos donos verdadeiros do poder, do dinheiro e de todos os meios de produção, foi fazer uma guerra de mentiras (fake news) contra um alvo escolhido como inimigo comum e culpado por todos os males. Esse processo começou no Brasil desde a primeira vitória do Partido dos Trabalhadores, com Lula em 2003.

Os articuladores do processo de caos no Brasil não colheram os frutos que esperavam colher com o sucesso do ódio implantado ao inimigo comum, no nosso caso os escolhidos pela casa-grande como alvo foram Lula, o Partido dos Trabalhadores e a esquerda. A estratégia dos golpistas não deu certo. O povo não escolheu o PSDB para substituir o PT. É evidente que copiar os métodos de Goebbels não traria como consequência aderência à social-democracia. O método do grande pensador da linguagem nazista só poderia dar em envenenamento do povo e cultura para o ódio e a simplicidade fascista.

Quando se abre a Caixa de Pandora e se libera todos os males e demônios, não se prevê como vai terminar o caos. O partido de Aécio Neves afundou junto com o caos, e no lugar da destruição da política e do país surgiu o candidato nazifascista que obteve quase 50 milhões de votos no primeiro turno das eleições. A bancada parlamentar eleita também no domingo é muito pior para o povo em relação à de 2014, que aprovou tudo quanto foi reforma contra nós. Uma ampla maioria é contra o povo e a favor de ampliar a agenda reformista de Temer. Já será o caos em 2019 mesmo se o nazifascista não ganhar a presidência.

Eu falei e escrevi na última década que era possível acontecer o que está acontecendo. A quebra da institucionalidade e da civilidade, da cultura da paz e a volta de regimes de exceção e com riscos de barbárie. As famílias e amigos não se conversam mais. Os preconceitos saíram do armário. A intolerância e a violência grassam pelas ruas do país. Já assassinaram pessoas por votarem no candidato Fernando Haddad, do Partido dos Trabalhadores. Dezenas de casos de agressões e violências foram registrados em menos de uma semana a pessoas identificadas por agressores bolsonaristas como sendo simpatizantes ou militantes de esquerda, de causas sociais ou de minorias.

Estamos numa encruzilhada da história. A forma como o processo de destruição da democracia e da política se deu no Brasil, para desconstruir o Partido dos Trabalhadores, suas lideranças e o projeto de inclusão social de dezenas de milhões de pessoas no orçamento do Estado (mesmo sem ruptura alguma e com os ricos continuando a ganhar rios de dinheiro) fez com que neste momento de ódio e intolerância seja difícil dialogar com as pessoas envenenadas por um sistema internacional de fake news (mentiras e difamações) operado no submundo das redes sociais de WhatsApp (deep web). 

E para complicar mais a luta dos democratas, o mesmo ódio contra o PT faz com que todos os outros campos se declarem "neutros", o que é uma estratégia de lavar as mãos e permitir a vitória da outra candidatura. É muito triste ver figuras de peso do sistema democrático brasileiro não entrarem de cabeça na luta contra a vitória e implantação de um regime que vai calar os divergentes, que defende tortura, que defende aprofundar as reformas contra o povo, entregar o resto do patrimônio do país, e toda sua campanha ser baseada em mentir e enganar.

É muito difícil ver familiares queridos, com os quais convivemos décadas e os mais jovens vimos nascer, apoiarem abertamente o candidato nazifascista e ainda fazerem chacota de quem defende os princípios do campo democrático - solidariedade, direitos sociais, inclusão das minorias, respeito às diferenças com tolerância etc. 

Mas o momento não é sequer de entristecer de forma paralisante. Nossa missão é lutar pela vitória do campo democrático e popular, representado no dia 28 de outubro pelo professor universitário Fernando Haddad.

Neste momento Haddad não é o Partido dos Trabalhadores, é uma chance de liberdade para lutar contra o que vem por aí a partir da pior bancada do Congresso Nacional em décadas de regime republicano. Haddad é uma chance de lutar pelos direitos populares.

Foi um desabafo, mas peço com humildade que vocês que me leem não votem com ódio a favor do nazifascismo. Por favor, conversem com seus pares a respeito do que apresentei acima.

William

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quarta-feira, 10 de outubro de 2018

Eleições 2018 - A defesa do Banco do Brasil e das empresas públicas



Olá prezad@s colegas do Banco do Brasil e amig@s da comunidade BB.

Defender a existência e o fortalecimento do Banco do Brasil é um ato de cidadania que pratico desde meus vinte anos, junto com meus colegas bancários. Além de ser a empresa onde trabalho, é onde passei a maior parte de minha vida e onde aprendi política, através do movimento dos bancários na luta por condições dignas de trabalho e direitos trabalhistas.

O Brasil viverá nestas três semanas de segundo turno nas eleições presidenciais, um dos períodos mais importantes de sua história, olhando o passado, o presente e o futuro. Acredito que todo cidadão e cidadã devam se posicionar no dia 28 de outubro a respeito dos dois projetos que estão colocados para escolha do nosso futuro. 

Ao longo de minha vida de representante eleito pelos colegas bancários tive uma atuação muito focada em defender sobretudo os interesses daqueles que representava, os trabalhadores bancários. 

É evidente que ampliei meu horizonte de compreensão de mundo ao entrar no movimento sindical, porque passei a ver os problemas de meus colegas bancários como luta de classes, e com isso me tornei uma pessoa melhor, conseguindo enxergar além de meu próprio universo diário.

Fiz muitos amig@s e companheir@s ao longo dessas décadas de lutas bancárias. Participei ativamente da construção de nossa história e de nossos direitos desde os anos noventa. Direitos trabalhistas, políticos, sociais, corporativos dos bancários e do Banco do Brasil, direitos humanos etc. Convivi de forma fraterna e solidária com todos os segmentos políticos e linhas de pensamento nesta jornada, tanto da ativa quanto dos aposentados.

O momento político, de definições e de escolha democrática sobre o futuro, nos convoca como cidadãos a compartilhar o que temos de conhecimento e experiência de vida a partir de onde estamos, ou seja, no meu caso um bancário brasileiro de banco público que viu a categoria sofrer transformações em suas características e em seus direitos ao longo dos últimos 30 anos. Pretendo falar um pouco sobre isso para a comunidade em que vivo, a comunidade Banco do Brasil.

O Banco do Brasil e os demais bancos públicos têm um papel central na vida do país e na retomada do crescimento econômico. Mas, antes de tudo, será preciso lutar para que ele siga existindo fortalecido para poder ajudar o país e o povo brasileiro, pois uma das candidaturas é a representação da continuidade do golpe de 2016, que destruiu direitos e promete por fim às empresas públicas, privatizar e reduzir o Estado a pó. Nesta tragédia anunciada não sobraria nem o emprego dos colegas, nem as caixas de saúde e previdência, Cassi e Previ.

Após escrever com regularidade durante meus mandatos, perdi um pouco o jeito nos últimos meses sem escrever, mas não perdi a gana em defender o que acredito, a democracia, nosso maior banco público e os direitos dos colegas da ativa e aposentados. 

Espero contribuir com informações que acumulei nesta história coletiva de lutas para a reflexão de nossos colegas da comunidade Banco do Brasil, grupo social bastante qualificado.

Abraços,

William Mendes


Post Scriptum:

Pessoal, meu Twitter está aqui para aquel@s que quiserem nos seguir.

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sábado, 6 de outubro de 2018

Será o Brasil o berço do nazifascismo do século 21?


(Símbolo da Paz)
Precisamos de paz e amor, não ódio

Diário e reflexões - 061018

Hoje é sábado, 6 de outubro e véspera das eleições no Brasil, país que está sob golpe desde 2016 e que de lá para cá regrediu drasticamente em todos os sentidos e dimensões da vida em sociedade.

Ao analisar o cenário e o contexto em que se dão as eleições, ficamos apreensivos e alertas como diz o refrão da música "Forever Young", de Alphaville: "hoping for the best, but expecting the worst" (torcendo pelo melhor, mas esperando pelo pior).

O golpe perpetrado no Brasil em 2016 ocorreu com um forte componente de disputa de hegemonia internacional de poder, onde o Pré-sal e demais riquezas econômicas do país tiveram grande importância. Também foi engrenagem na etapa atual de reorganização do capitalismo financeiro contra Estados com governos progressistas e nacionalistas, menos pela relevância econômica do Brasil e mais pela repercussão em uma centena de países subdesenvolvidos e em desenvolvimento. Se o golpe tiver sucesso no Brasil, terá nos países menores do mundo.

Internamente, o golpe empreendeu etapas que permitissem à casa-grande voltar ao poder, após os mandatos dos tucanos até 2002, período de 500 anos interrompido pelos mandatos do PT. Golpe perpetrado com o uso das ferramentas modernas de manipulação de massas, com métodos do nazista Goebbels para implantar o ódio e a intolerância contra um segmento social (o PT) e com o alinhamento das instituições estatais (executivo, legislativo e judiciário) para frear a inclusão do povo no orçamento do Estado, voltando a elite com seus lacaios ao domínio total do país após 2016, e impondo o silêncio dos cemitérios aos 200 milhões de brasileiros miseráveis e remediados.

Como cidadão com consciência política e com noções de civilidade, vou comparecer às urnas no domingo e votar nos candidatos do Partido dos Trabalhadores, de ponta a ponta. É o partido e os programas que me representam e me defendem como classe trabalhadora desde que tirei meu título de eleitor, há mais de 30 anos.

Peço aos meus amig@s e conhecidos, e leitores do blog, que votem em candidatos progressistas, do povo, de esquerda, e com história de defesa dos trabalhadores, que nunca votaram nas reformas que destruíram o país neste período de golpe que estamos vivendo.

É assustador o Brasil correr o risco real neste mês de outubro de colocar pelo voto um nazifascista no comando do país. A Alemanha fez isso em 1933 e o mundo teve que se unir contra o nazismo durante anos para derrotar em 1945 Hitler, Mussolini e a ameaça do mundo todo ser derrotado por esse regime de ódio, extermínio, intolerância. A ascensão de Hitler (que levou o mundo à 2ª Guerra Mundial) gerou a morte de mais de 50 milhões de seres humanos e o mundo criou sistemas internacionais para evitar a volta do ódio como regime de Estado e de relações sociais.

O que posso fazer apenas como cidadão, um ser humano desta comunidade humana chamada Brasil, para evitar essa tragédia? Posso pedir que vocês não votem no nazifascismo e não apoiem candidatos nazifascistas.

Eu me desmancho de tristeza por dentro ao ver quase todos os meus familiares paulistas declarando voto no candidato nazifascista e ao ver colegas bancários e conhecidos do bairro dizerem que vão votar no nazifascista. Um terço do povo brasileiro está declarando voto em alguém que defende que se deve torturar e matar pessoas que pensam diferente, que mulheres e negros valem menos que homens brancos, que se deve castrar pessoas, fuzilar petistas, estuprar mulheres (se elas "merecerem").

Que fazer com relação a isso? São pessoas que conheço há décadas. Como podem regredir tanto na única existência que têm?

Nós temos que vencer esse risco nestas eleições. E será muito difícil cada etapa. Esse domingo dia 7 é a primeira etapa. Depois o segundo turno no domingo 28. Depois teremos que vencer as instituições estatais que se aliaram ao golpe e que vão tentar evitar a posse de um eventual governo progressista do Partido dos Trabalhadores (o melhor posicionado nas pesquisas para o 2º turno). E depois lutar pela revisão das reformas que prejudicaram o povo brasileiro para favorecer a casta golpista e privilegiada do 1%. Será uma luta permanente a partir de agora.

Nem deprimir podemos, amig@s! Temos muita luta cidadã pela frente.

Vamos tentar eleger centenas de parlamentares do PT e do PCdoB neste domingo. Parlamentares do PSOL, do PDT, do PSB, PCO e PSTU. Eu tenho críticas a vários desses partidos, mas são partidos e representantes que defendem direitos trabalhistas, direitos civis, direitos políticos, direitos humanos, direitos sociais, o povo que mais precisa do Estado.

Abraços e reflitam com seus amigos e familiares. Não podemos deixar o Brasil ser o berço do nazifascismo do século 21, assim como fizeram os alemães no século 20 e se arrependeram muito e se envergonham até hoje por isso.

William

quarta-feira, 3 de outubro de 2018

Semânticas em transição




Diário e reflexões - 031018

Hoje é dia 3 de outubro de 2018. Estamos na reta final das eleições brasileiras, que acontecem no domingo dia 7. A tendência é que o processo eleitoral ocorra, se não houver nenhum golpe de última hora. 

Gostando ou não dele, pois para mim eleições sem Lula é fraude, e independente de comparecerem às urnas algumas pessoas ou dezenas de milhões delas, a apuração vai definir o próximo presidente do país (ou duas candidaturas para segundo turno), governadores, senadores e deputados federais e estaduais, além dos distritais.

Havia parado de registrar reflexões na forma de diário aqui no blog desde que deixei de ser pessoa pública, representante eleito por trabalhadores. Ainda não defini meu papel social para as próximas etapas da existência. Estou reorganizando a vida e avaliando como posso ser útil para a sociedade e para as pessoas, encontrando em alguma tarefa social e coletiva a satisfação pessoal e a felicidade.

Tenho lido algumas autobiografias, livros de memórias e diários de personagens reais ou fictícios. Estou lendo o livro de José Dirceu e do roqueiro Bruce Springsteen. 

Estou relendo as memórias do falecido "coxinha" inútil Brás Cubas (Machado de Assis) e, por fim, a releitura mais necessária: estou relendo Victor Klemperer, o filólogo judeu alemão e suas anotações e análises sobre a linguagem nazista do Terceiro Reich e a transição semântica pela qual ela passou entre 1933 e 1945. É um dos livros mais importantes do mundo para o que estamos vivendo no Brasil: a ascensão de um nazifascismo tupiniquim e suas consequências.

Quando eu li o livro pela primeira vez, após as eleições brasileiras de 2010, comecei a perceber nitidamente a construção da semântica adotada pelas oposições aos governos do Partido dos Trabalhadores e sua maior liderança, Luiz Inácio Lula da Silva. 

A arquitetura metodológica adotada pelos donos dos meios de comunicação após a vitória do PT e Lula (2002), método de ataque liderado pelas Organizações Globo, não foge em nada ao método de comunicação e manipulação de massas adotado por Goebbels e Adolf Hitler, após a ascensão do nazismo em 1933. É impressionante a semelhança!

Apesar da tristeza n'alma ao ver colegas bancários, pessoas queridas e familiares apoiando o candidato nazifascista, que tem quase um terço das declarações de intenção de voto nestas eleições, é fácil compreender o porquê após ler o livro de Victor Klemperer.

Houve uma construção lógica e racional, cumprindo todas as etapas que o nazismo cumpriu para transformar o povo de maior cultura da Europa em uma massa manuseada pelo nazismo com ódio aos judeus, aos comunistas, aos diferentes de si mesmos. 

Eu não fico nem um pouco surpreso com o ódio irracional e patológico contra Lula e o Partido dos Trabalhadores na atualidade, tendo lido Victor Klemperer. O ódio como método e a escolha do PT como inimigo comum foi desenvolvido desde 2003. 

Assim como nós temos familiares e amigos apoiando a candidatura fascista que apoia a tortura, que incentiva o estupro, a violência, o racismo e intolerâncias várias, e que votou em todas as reformas contra os trabalhadores e pelo desfazimento do patrimônio nacional, juntamente com os golpistas após 2016, o professor judeu Victor Klemperer viu seu filho adotivo aderir ao nazismo após um período sob as técnicas de linguagem da LTI. 

"A língua conduz o meu sentimento, dirige a minha mente, de forma tão mais natural quanto mais inconscientemente eu me entregar a ela. O que acontece se a língua culta tiver sido constituída ou for portadora de elementos venenosos?" (Klemperer)

É isso. Já escrevi mais do que queria por hoje.

Abraços aos amig@s leitores. Vamos atuar para vencer o fascismo enquanto é tempo.

William

sábado, 29 de setembro de 2018

#EleNão - O dia que as mulheres salvaram o Brasil


(De nosso querido e saudoso Henfil)

Diário e reflexões - 290918

Um dia feliz e histórico este sábado, 29 de setembro de 2018. 

Hoje, centenas de milhares de pessoas foram às ruas do Brasil e de diversos países do mundo para darem um contundente #ELENÃO ao candidato da extrema direita e o que ele e seu vice representam para o mundo, para nosso país e para o povo brasileiro: o atraso civilizatório e a barbárie.

O movimento organizado e liderado pelas mulheres uniu os mais diversos segmentos progressistas da sociedade brasileira, grupos das mais diversas preferências partidárias e visões de mundo, todos unidos para darem um basta à pregação de violência contra mulheres, contra pessoas com identidades de gênero distintas da heterossexual, um basta contra toda forma de racismo, intolerância e ódio. Um dia para dar um basta às ameaças aos direitos sociais, políticos; aos direitos humanos.

Um dia importante e que nos enche de esperança para acreditar que o golpe à democracia brasileira pode encontrar resistência nas ruas e no povo. Um dia daqueles que podemos considerar que "o imponderável" veio meio que de surpresa e pode mudar a tendência de algo na luta de classes e na disputa de hegemonia nos rumos de uma sociedade, via de regra dominada por uma pequena casta detentora de todos os meios e que subjuga a quase totalidade de seres humanos.

Vai que amanhã e nos próximos dias o povo continue despertando do automatismo cotidiano, se ligue um pouco mais nos efeitos de deixar a política de lado (hegemonizada pelo 1% e seus ideólogos manipuladores). Vai que as pessoas comecem a ter menos ódio, mais tolerância, mais solidariedade, mais amor...

Vai que a democracia volte em nosso país, e a justiça comece a funcionar, vai que...

Foi um bom dia este do #ELENÃO

Viva as mulheres e tudo o que a luta das mulheres e das minorias e da classe trabalhadora significa.

terça-feira, 18 de setembro de 2018

Civilização ou barbárie? - Paulo Nogueira Batista Jr.


Apresentação do blog:


Olá amig@s leitores. Nestes tempos sombrios de baixa empatia pela tolerância e diálogo entre os diferentes na sociedade, tenho evitado escrever como fiz ao longo de minha vida de representação da classe trabalhadora.

A tragédia do fascismo ronda nossa sociedade e a cada dia fica mais claro que é preciso que cada pessoa saia de seu automatismo diário para se posicionar em relação às eleições majoritárias no Brasil no próximo dia 7 de outubro. 

Pela primeira vez no país há risco de um candidato fascista, racista, misógino, defensor da violência (que ele mesmo foi vítima) chegar à presidência via eleições, após impedirem a participação do favorito Lula da Silva. Setores conservadores da elite ("mercado") podem optar pela candidatura fascista para impedir a vitória de uma candidatura do campo democrático-popular, criando possibilidades reais de reversão da retirada de direitos sociais (exemplo: Reforma trabalhista) e desfazendo a entrega do patrimônio público como, por exemplo, as reservas do Pré-sal.

Eu cidadão brasileiro golpeado pelo impedimento ilegítimo da presidenta Dilma Rousseff (2015/16) e todas as consequências malévolas advindas com o golpe e também golpeado pela prisão sem crime do ex-presidente Lula da Silva, maior líder do povo brasileiro e candidato preferido de quase metade dos eleitores, impedido de concorrer pelo consórcio golpista, avalio que essas eleições são uma fraude ("Eleição sem Lula é fraude"), pois o povo não pode votar em quem deseja. Mas elas vão acontecer e podem legitimar os representantes do golpe que destrói o país desde 2016.

Cada um de nós cidadãos brasileiros temos um compromisso no dia 7 de outubro com a vida em sociedade, com a construção de um mundo melhor, mais justo e igualitário, mais coletivo e menos individualista, com mais solidariedade na partição dos bens humanos, que hoje se concentram nas mãos de 1% da população, enquanto 99% mal conseguem sobreviver com as mazelas sociais da falta de recursos de toda ordem. Temos um compromisso de não permitir que a sociedade humana vire uma selva onde quase todos nós somos caça e aquele 1% siga sendo nosso predador, no Brasil cerca de 860 mil senhores da casa-grande, donos de nosso destino.

A eleição no Brasil é acompanhada pelo mundo progressista, que sabe que se o fascismo vencer no Brasil, um gigante que é referência para mais de uma centena de países menores na América Latina e demais continentes pobres e em desenvolvimento, o mundo todo sofrerá as consequências dessa fase capitalista de financeirização, onde poucos humanos e suas corporações destroem democracias, direitos sociais, Estados e culturas, patrimônios diversos e bilhões de seres humanos, tudo em benefício de poucos. E contam com sistemas nunca vistos de dominação e manipulação de massas, com sistemas legislativos, judiciários e de comunicação totalmente à serviço desses magnatas.

Leiam abaixo o pequeno artigo de Paulo Nogueira Batista Jr. e reflitam a respeito. Conversem com toda a família e grupos sociais que estão em seus convívios. Se posicionem. Votem no dia 7 de outubro. Não deixem que outros decidam sua vida, nossa vida. Só a política substitui a guerra, evita a eliminação do outro, e dá oportunidades às pessoas de melhorarem suas vidas com o Estado a serviço do povo. Diga não ao fascismo!

Abraços e boa leitura,

William

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Opinião


Civilização ou barbárie?


Por: Paulo Nogueira Batista Jr. — Publicado em Carta Capital, 17/09/2018.

É provável que o eleitor se defronte com a incômoda pergunta no segundo turno das eleições

Nós, economistas, somos extraordinários profetas – mas do passado, só do passado. E temos dificuldades até com o passado, pois no Brasil também o passado é muito difícil de prever.

Há exceções, porém. Em artigo publicado nesta coluna em junho, há três meses, arrisquei algumas previsões eleitorais. Escrevi o seguinte: 

Nenhum candidato remotamente associado a Temer e ao golpe de 2016 tem chances de vencer a eleição de outubro. (...) O favoritismo parece ser de candidatos de esquerda/centro-esquerda. Bolsonaro, único candidato competitivo pela direita, pode chegar ao segundo turno, mas dificilmente vencerá a eleição. (...)"

"Tudo indica que a candidatura de Lula não será permitida. Um candidato indicado por ele, porém, tende a ser forte (...) Ciro Gomes também é um candidato forte de oposição, tem vasta experiência, está com discurso afiado e evolui favoravelmente nas pesquisas de intenção de voto
”. (O Brasil não quebrou, 13 de junho de 2018)

Essas previsões sobreviveram bem até agora. Talvez parecessem otimistas na época, mas hoje são amplamente compartilhadas. Com Haddad indicado para cabeça de chapa pelo PT, completa-se o rol dos candidatos à Presidência. Ele entra tarde, mas com a força de quem representa Lula. Ciro também vem crescendo. Um dos dois enfrentará Bolsonaro no segundo turno.

Assim, é muito provável que o eleitor brasileiro se defronte com uma disjuntiva dramática: civilização ou barbárie? E é por isso que a eleição de outubro está sendo vista por muitos como a mais importante desde a redemocratização.

Antigamente, a esquerda, mais confiante, ousava proclamar em situações semelhantes: socialismo ou barbárie? Foi-se o tempo. O horizonte dos adversários da barbárie estreitou-se consideravelmente. As ambições são mais modestas. Civilização, não mais socialismo.

Quando alguém no Ocidente fala em “civilização”, subentende-se, de alguma forma, o conceito iluminista de civilização e organização da sociedade. A concepção moderna de civilização tem suas raízes principalmente nos filósofos franceses do século XVIII e na Revolução de 1789.

O que impressiona, leitor, é a resiliência do iluminismo. Desde o século XIX, forças tremendas ergueram-se contra ele, com a pretensão de fazê-lo recuar, de restaurar o passado, ou – os mais ambiciosos – de ultrapassá-lo.

Todo o romantismo foi, na essência, uma apaixonada rebelião contra o iluminismo. Marx pretendia superar o iluminismo burguês. Nietzsche desconstruiu, de forma brilhante, muitas das ilusões e simplificações iluministas.

E, no entanto, a verdade é que os diferentes adversários do iluminismo tiveram, digamos, algumas dificuldades históricas. Marx, os românticos e Nietzsche não têm muita culpa pelo que fizeram em seus nomes.

Mas o marxismo desembocou em Stalin e, mais tarde, no colapso do socialismo real. Nietzsche e os românticos acabaram associados ao nazismo. Por mais brilhantes e fascinantes que as diferentes alternativas ao iluminismo tenham sido, os seus resultados foram bem problemáticos, para dizer o mínimo. De todas essas aspirações nascemos órfãos.

Há 60 anos, Sartre ainda se sentia em condições de declarar, taxativamente: “O marxismo é a filosofia insuperável do nosso tempo”. Hoje, com muito mais razão, poderíamos parafraseá-lo e dizer: “O iluminismo é a filosofia insuperável do nosso tempo”, com tudo que ele inclui ou lhe foi acrescentado nos últimos dois séculos: democracia representativa, sufrágio universal, separação dos poderes, Estado de Direito, garantias individuais e direitos sociais básicos.

Digo isso com uma ponta de tristeza. Afinal, é lamentável que, depois de dois séculos de reflexão, experiência e aventuras, o iluminismo, mesmo aperfeiçoado e desenvolvido, ainda tenha o papel que tem. Sabemos das suas limitações, da sua estreiteza, conhecemos os seus pontos cegos, as suas lacunas. Ele promete pouco e entrega pouco.

Mas é o que temos. Um iluminismo tardio, maduro, desencantado é o anteparo contra as hordas bárbaras – não só no Brasil, mas em grande parte do mundo ocidental, acossado pela degeneração da democracia, pelo populismo de direita, pela xenofobia e pela regressão cultural.

Paro e releio o que escrevi. Acho que viajei. Não era para falar tanto e nem ir tão longe. Eis, em resumo, o que é preciso dizer agora: Fora Bolsonaro!


Fonte: Carta Capital

quarta-feira, 12 de setembro de 2018

Eleições 2018 - Carta de Lula ao povo brasileiro


“Nosso nome agora é Haddad”: em carta, Lula e PT indicam candidato

Anúncio foi feito nesta terça (11), em um ato emocionante em frente à sede da Polícia Federal em Curitiba com a presença de líderes e militantes



Carta de Lula ao Povo Brasileiro

“Por isso, quero pedir, de coração, a todos que votariam em mim, que votem no companheiro Fernando Haddad para Presidente da República”


Meus amigos e minhas amigas,

Vocês já devem saber que os tribunais proibiram minha candidatura a presidente da República. Na verdade, proibiram o povo brasileiro de votar livremente para mudar a triste realidade do país.

Nunca aceitei a injustiça nem vou aceitar. Há mais de 40 anos ando junto com o povo, defendendo a igualdade e a transformação do Brasil num país melhor e mais justo. E foi andando pelo nosso país que vi de perto o sofrimento queimando na alma e a esperança brilhando de novo nos olhos da nossa gente. Vi a indignação com as coisas muito erradas que estão acontecendo e a vontade de melhorar de vida outra vez.

Foi para corrigir tantos erros e renovar a esperança no futuro que decidi ser candidato a presidente. E apesar das mentiras e da perseguição, o povo nos abraçou nas ruas e nos levou à liderança disparada em todas as pesquisas.

Há mais de cinco meses estou preso injustamente. Não cometi nenhum crime e fui condenado pela imprensa muito antes de ser julgado. Continuo desafiando os procuradores da Lava Jato, o juiz Sérgio Moro e o TRF-4 a apresentarem uma única prova contra mim, pois não se pode condenar ninguém por crimes que não praticou, por dinheiro que não desviou, por atos indeterminados.

Minha condenação é uma farsa judicial, uma vingança política, sempre usando medidas de exceção contra mim. Eles não querem prender e interditar apenas o cidadão Luiz Inácio Lula da Silva. Querem prender e interditar o projeto de Brasil que a maioria aprovou em quatro eleições consecutivas, e que só foi interrompido por um golpe contra uma presidenta legitimamente eleita, que não cometeu crime de responsabilidade, jogando o país no caos.

Vocês me conhecem e sabem que eu jamais desistiria de lutar. Perdi minha companheira Marisa, amargurada com tudo o que aconteceu a nossa família, mas não desisti, até em homenagem a sua memória. Enfrentei as acusações com base na lei e no direito. Denunciei as mentiras e os abusos de autoridade em todos os tribunais, inclusive no Comitê de Direitos Humanos da ONU, que reconheceu meu direito de ser candidato.

A comunidade jurídica, dentro e fora do país, indignou-se com as aberrações cometidas por Sérgio Moro e pelo Tribunal de Porto Alegre. Lideranças de todo o mundo denunciaram o atentado à democracia em que meu processo se transformou. A imprensa internacional mostrou ao mundo o que a Globo tentou esconder.

E mesmo assim os tribunais brasileiros me negaram o direito que é garantido pela Constituição a qualquer cidadão, desde que não se chame Luiz Inácio Lula da Silva. Negaram a decisão da ONU, desrespeitando o Pacto Internacional dos Direitos Civis e Políticos que o Brasil assinou soberanamente.

Por ação, omissão e protelação, o Judiciário brasileiro privou o país de um processo eleitoral com a presença de todas as forças políticas. Cassaram o direito do povo de votar livremente. Agora querem me proibir de falar ao povo e até de aparecer na televisão. Me censuram, como na época da ditadura.

Talvez nada disso tivesse acontecido se eu não liderasse todas as pesquisas de intenção de votos. Talvez eu não estivesse preso se aceitasse abrir mão da minha candidatura. Mas eu jamais trocaria a minha dignidade pela minha liberdade, pelo compromisso que tenho com o povo brasileiro.

Fui incluído artificialmente na Lei da Ficha Limpa para ser arbitrariamente arrancado da disputa eleitoral, mas não deixarei que façam disto pretexto para aprisionar o futuro do Brasil.

É diante dessas circunstâncias que tenho de tomar uma decisão, no prazo que foi imposto de forma arbitrária. Estou indicando ao PT e à Coligação “O Povo Feliz de Novo” a substituição da minha candidatura pela do companheiro Fernando Hadda, que até este momento desempenhou com extrema lealdade a posição de candidato a vice-presidente.

Haddad e Lula. Foto: Ricardo Stuckert.

Fernando Haddad, ministro da Educação em meu governo, foi responsável por uma das mais importantes transformações em nosso país. Juntos, abrimos as portas da Universidade para quase 4 milhões de alunos de escolas públicas, negros, indígenas, filhos de trabalhadores que nunca tiveram antes esta oportunidade. Juntos criamos o Prouni, o novo Fies, as cotas, o Fundeb, o Enem, o Plano Nacional de Educação, o Pronatec e fizemos quatro vezes mais escolas técnicas do que fizeram antes em cem anos. Criamos o futuro.

Haddad é o coordenador do nosso Plano de Governo para tirar o país da crise, recebendo contribuições de milhares de pessoas e discutindo cada ponto comigo. Ele será meu representante nessa batalha para retomarmos o rumo do desenvolvimento e da justiça social.

Se querem calar nossa voz e derrotar nosso projeto para o País, estão muito enganados. Nós continuamos vivos, no coração e na memória do povo. E o nosso nome agora é Haddad.

Ao lado dele, como candidata a vice-presidente, teremos a companheira Manuela D’Ávila, confirmando nossa aliança histórica com o PCdoB, e que também conta com outras forças, como o PROS, setores do PSB, lideranças de outros partidos e, principalmente, com os movimentos sociais, trabalhadores da cidade e do campo, expoentes das forças democráticas e populares.

A nossa lealdade, minha, do Haddad e da Manuela, é com o povo em primeiro lugar. É com os sonhos de quem quer viver outra vez num país em que todos tenham comida na mesa, em que haja emprego, salário digno e proteção da lei para quem trabalha; em que as crianças tenham escola e os jovens tenham futuro; em que as famílias possam comprar o carro, a casa e continuar sonhando e realizando cada vez mais. Um país em que todos tenham oportunidades e ninguém tenha privilégios.

Eu sei que um dia a verdadeira Justiça será feita e será reconhecida minha inocência. E nesse dia eu estarei junto com o Haddad para fazer o governo do povo e da esperança. Nós todos estaremos lá, juntos, para fazer o Brasil feliz de novo.

Quero agradecer a solidariedade dos que me enviam mensagens e cartas, fazem orações e atos públicos pela minha liberdade, que protestam no mundo inteiro contra a perseguição e pela democracia, e especialmente aos que me acompanham diariamente na vigília em frente ao lugar onde estou.

Um homem pode ser injustamente preso, mas as suas ideias, não. Nenhum opressor pode ser maior que o povo. Por isso, nossas ideias vão chegar a todo mundo pela voz do povo, mais alta e mais forte que as mentiras da Globo.

Por isso, quero pedir, de coração, a todos que votariam em mim, que votem no companheiro Fernando Haddad para Presidente da República. E peço que votem nos nossos candidatos a governador, deputado e senador para construirmos um país mais democrático, com soberania, sem a privatização das empresas públicas, com mais justiça social, mais educação, cultura, ciência e tecnologia, com mais segurança, moradia e saúde, com mais emprego, salário digno e reforma agrária.

Nós já somos milhões de Lulas e, de hoje em diante, Fernando Haddad será Lula para milhões de brasileiros.

Até breve, meus amigos e minhas amigas. Até a vitória!

Um abraço do companheiro de sempre,

Luiz Inácio Lula da Silva


Fonte: site do PT

sábado, 1 de setembro de 2018

A indescritível sensação de impotência ao viver ou presenciar a injustiça





Quando me pego pensando na amarga e dolorosa impotência que sentimos ao viver ou presenciar a injustiça, tento abstrair do fato e desviar os pensamentos para seguir respirando e buscando motivos que façam valer a pena estarmos vivos. Quase sempre temos alguém ou algo que nos vincule à vida. Falo em tentar abstrair ou desviar o pensamento da injustiça quando não vemos possibilidade de corrigi-la ou interrompê-la na hora, no instante em que ela ocorre.

A impotência causada pela injustiça que amargura meu ser neste momento é em relação ao que estão fazendo com o cidadão Luiz Inácio Lula da Silva e com o povo brasileiro. Falo dos 208,5 milhões de brasileiros (estimativa do IBGE) que estão sofrendo as consequências do golpe de Estado aplicado em nosso país por uma pequena casta que detém os poderes e as ferramentas do mundo capitalista. Obviamente excluo do sofrimento da injustiça as 860 mil pessoas citadas recentemente pela revista CartaCapital (edição 1009), cuja capa falava sobre "A turma do 1%". Ler matéria AQUI.

Quem nunca sentiu a dor, a humilhação, o sentimento de impotência do não se ter o que fazer quando se é assaltado ou furtado, ou agredido fisicamente, ou assediado e torturado das mais diversas formas físicas e psicológicas, ou quando se é injustiçado por alguém ou algo mais potente que si? De algum abuso de poder do ente estatal ou de uma empresa ou de uma pessoa em posição de poder? Quase todo mundo já passou por isso na atualidade, independente de sua crença, origem, característica ou posição social, de seus valores éticos ou morais. 

Me lembro de várias passagens em minha vida de brasileiro nascido fora da casa grande que me fizeram viver a dor da injustiça e a impotência. Eu tinha bem uns 12 anos quando coloquei pra secar no varal o primeiro tênis um pouco melhor que tive, depois das congas e kichutes de toda a vida infantil, e o tênis foi roubado. Tive que ficar vendo ele no pé de um sujeito maior e mal encarado do bairro porque as coisas eram assim onde morava em Uberlândia (MG). Eu criança senti uma impotência cruel... sentimento de criança que foi sacaneada. Ainda em Uberlândia, tive bicicleta furtada e para todo mundo a bicicleta era o meio de transporte para trabalhar e estudar. E eu já trabalhava desde os onze anos.

Já em São Paulo e Osasco, após os 17 anos, foram tantas as vezes que experimentei a sensação de impotência ao ser roubado ou furtado, que foi preciso ter uma cabeça boa para não fazer uma besteira pela revolta. Já trabalhava no Unibanco aos 20 anos quando arrombaram a casa de fundo que morava de aluguel e me roubaram as coisas que ainda estava pagando. Depois fui assaltado a mão armada com arma na cara para me roubarem a bicicleta. Depois me deram de presente de aniversário, dia 3 de abril, o furto de uma CB 400 TR, branquinha, linda, que eu tinha acabado de pagar. Não estava segurada. Eu só sentei na rua às 3 horas da manhã e chorei. A impotência que a gente sente é indescritível!

Anos noventa, já trabalhando no Banco do Brasil, tive mais experiências de assaltos ou tentativas de assaltos. O cotidiano nos impõe a sensação de impotência pelo medo e pela violência contra as pessoas comuns que somos. Na agência da Rua Clélia (uma das centenas fechadas após o golpe de 2016) vivenciamos um assalto com um bando de bruta montes com metralhadoras dizendo que matariam todos se alguém reagisse. Tudo correu bem (quis dizer sem tiros). 

Tivemos arma na cabeça eu e minha companheira em tentativa de assalto ao nosso carro, um carro velho. Reagimos estupidamente, sem explicação, e não atiraram em nós. Fiquei gritando com os bandidos enquanto o carro descia a ladeira no ponto morto e por algum motivo saímos ilesos.

No último assalto que sofri, alguns anos atrás, voltava de uma atividade do movimento dos sem mídia, realizada no vão do Masp na Avenida Paulista, numa tarde de sábado, quando um bando assaltou um monte de gente na passarela da CPTM da estação Presidente Altino, onde moro em Osasco, e eu fiquei por segundos negociando com os bandidos. Entreguei relógio e celular; não entreguei carteira e máquina fotográfica com as fotos da atividade. Coisa de maluco! Mas a sensação de humilhação e impotência em não poder fazer nada nessas horas é difícil de descrever.

Ainda sobre injustiça e sensação de impotência ao lidar com poderes desproporcionais e coisas do estado de exceção em que nos pegamos no país após 2016, sofri forte assédio moral no último período e isso me sensibiliza muito mais ao ver qualquer pessoa sendo injustiçada ou sofrendo processos violentos de exceção aos seus direitos como cidadão e ser humano. E eu já lutava contra injustiças desde muito jovem, seja individualmente de forma espontânea, seja coletivamente de forma organizada em movimentos sociais.

Por que citei essas passagens de um único cidadão, coisas que acontecem todo dia, toda hora, com gente como a gente? E que os meios midiáticos comerciais têm preferência em noticiar para alimentar o medo e gerar o ódio, e a sede de vingança tanto cidadã quanto estatal? 

Citei essas passagens porque lembrei que mesmo sendo mais um que viveu esse cotidiano de violências e injustiças, desde a tenra infância e adolescência, depois na vida adulta, acabei me pegando sempre envolvido em alguma causa ou mobilização que tivesse como origem a injustiça, a indignação, alguma situação que deixasse claro que algo ou alguém mais poderoso estava prejudicando algo ou alguém mais fraco, mais vulnerável. E assim me peguei organizando estudantes no ensino fundamental, no ensino médio, nas faculdades que frequentei. Assim me vi fazendo algo contra a injustiça, contra a impotência individual que sentimos com o que fazem conosco. Assim virei dirigente sindical bancário por vários anos de minha vida e representante de trabalhadores até bem recentemente.

Cara, o que estão fazendo com o presidente Lula é algo que me dilacera todos os dias. Estabeleci uma quarentena de silêncio em tempos em que as palavras e o debate de ideias foram superados pela intolerância, mas é muito difícil ficar calado diante de tanta injustiça. Minha leitura política me dava a certeza há dois anos, desde o golpe contra os 54,5 milhões de brasileiros que votaram em Dilma Rousseff, que aquele processo de impor ao Brasil a agenda que o povo não elegeu - de entregar o patrimônio brasileiro e acabar com os direitos sociais - não seria para tudo voltar ao normal em 2018. Eu não tinha ilusão alguma que o povo poderia reverter o golpe e as consequências do golpe logo depois de abril e agosto de 2016 pelas vias "institucionais". Ora, as "instituições" participaram do golpe.

É absurdamente escandaloso o processo parcial contra Lula e o Partido dos Trabalhadores para excluir o candidato da preferência do povo das eleições presidenciais, processo feito por uma casta que perdeu a vergonha de sua imoralidade (na verdade, são sujeitos amorais os privilegiados do 1%). Fico estupefato ao ver que pessoas que a gente conhece da família, colegas de trabalho e de convivência consigam lidar com todos os abusos contra Lula com naturalidade, endossando ou fazendo de conta que não é com eles, por mais que não gostem ou odeiem Lula, o PT, a luta dos movimentos sociais etc. Como pode cada qual levar sua vida como se nada estivesse acontecendo de injusto no mundo onde vivemos?

O que estão fazendo com o povo e a classe trabalhadora brasileira é algo que esmaga meu coração diariamente. Eu passei quase vinte anos de minha vida participando das lutas coletivas da classe trabalhadora de nosso país como dirigente eleito por meus colegas trabalhadores. Conheci profundamente o processo democrático e de lutas de classe e os sistemas que temos que enfrentar de manipulação e alienação de meus pares. Mesmo assim, é impressionante ver em menos de dois anos a destruição de um século de direitos políticos, sociais e humanos no Brasil, conquistados com muita luta, suor, sangue e lágrimas de um povo sofrido contra os abusos da casa grande.

Esse assalto ao meu direito político de votar no homem que mais fez pelo nosso povo na história do Brasil supera a sensação de impotência que senti todas as vezes que fui violado em meus direitos e pertences materiais e imateriais ao longo desta vida de quase meio século. 

Eu tenho um misto de raiva, de tristeza, de perplexidade ao sair à rua, ir ao shopping, e ver as pessoas andando como se nada estivesse acontecendo. São 208,5 milhões de pessoas... como é que não temos 10% nas ruas do país indignadas com esse processo injusto contra Lula e contra a classe trabalhadora neste momento? Após a entrega do patrimônio nacional, após a terceirização total, após o fim dos direitos do trabalho, após a lei de destruição do SUS, após a impunidade contra tucanos e membros com mau caráter dos órgãos da justiça, enfim, toda a destruição do país feita ou endossada a toque de caixa por um pequeno grupo de 860 mil privilegiados?

Como pode tudo isso? Como andar na rua e ver tudo "normal" para as pessoas ao meu redor? Como suportar essa realidade com a consciência política que a vida de proletário me deu?

Difícil! Que sentimento de impotência!

William

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Post Scriptum:

Segue a nota do Partido dos Trabalhadores sobre a cassação da candidatura de Lula à Presidência da República nesta sexta, 31 de agosto.


Contra a cassação política, com Lula até o fim: Nota da Comissão Executiva Nacional do PT


Diante da violência cometida hoje (31) pelo Tribunal Superior Eleitoral contra os direitos de Lula e do povo que quer elegê-lo presidente da República, o PARTIDO DOS TRABALHADORES afirma que continuará lutando por todos os meios para garantir sua candidatura nas eleições de 7 de outubro.

Vamos apresentar todos os recursos aos tribunais para que sejam reconhecidos os direitos políticos de Lula, previstos na lei e nos tratados internacionais ratificados pelo Brasil. Vamos defender Lula nas ruas, junto com o povo, porque ele é o candidato da esperança.

É mentira que a Lei da Ficha Limpa impediria a candidatura de quem foi condenado em segunda instância, como é a situação injusta de Lula. O artigo 26-C desta Lei diz que a inelegibilidade pode ser suspensa quando houver recurso plausível a ser julgado. E Lula tem recursos tramitando no STJ e no STF contra a sentença arbitrária.

É mentira que Lula não poderia participar da eleição porque está preso. O artigo 16-A da Lei Eleitoral prevê que um candidato sub judice (em fase de julgamento) pode “efetuar todos os atos relativos à campanha eleitoral, inclusive utilizar o horário eleitoral gratuito no rádio e na televisão e ter seu nome mantido na urna eletrônica”.

A Justiça Eleitoral reconheceu os direitos previstos nestas duas leis a dezenas de candidatos em eleições recentes. Em 2016, 145 candidatos a prefeito disputaram a eleição sub judice, com registro indeferido, e 98 foram eleitos e governam suas cidades. É só para Lula que a lei não vale?

O Comitê de Direitos Humanos da ONU determinou ao Brasil garantir os direitos políticos de Lula, inclusive o de ser candidato. E o Brasil tem obrigação de cumprir, porque assinou o Protocolo Facultativo do Pacto Internacional de Direitos Civis e Políticos. E o Congresso Nacional aprovou o Decreto Legislativo 311 que reconhece a autoridade do Comitê. O TSE não tem autoridade para negar o que diz um tratado internacional que o Brasil assinou soberanamente.

É falso o argumento de que o TSE teria de decidir sobre o registro de Lula antes do horário eleitoral, como alegou o ministro Barroso. Os prazos foram atropelados com o objetivo de excluir Lula. São arbitrariedades assim que geram insegurança jurídica. Há um sistema legal para os poderosos e um sistema de exceção para o cidadão Lula.

Em uma semana que envergonhará o Judiciário para sempre, a cúpula desse Poder negociou aumento de 16,4% nos salários já indecentes de ministros e juízes, sancionou a criminosa terceirização dos contratos de trabalho e, agora, atacou frontalmente a democracia, os direitos dos eleitores e os direitos do maior líder político do país. É uma cassação política, baseada na mentira e no arbítrio, como se fazia no tempo da ditadura.

A violência praticada hoje expõe o Brasil diante do mundo como um país que não respeita suas próprias leis, que não cumpre seus compromissos internacionais, que manipula o sistema judicial, em cumplicidade com a mídia, para fazer perseguição política. Este sistema de poder, fortemente sustentado pela Rede Globo, levou o país ao atraso e o povo ao sofrimento e trouxe a fome de volta.

A candidatura do companheiro Lula é a resposta do povo brasileiro aos poderosos que usurparam o poder. Lula, e tudo o que ele representa, está acima dos casuísmos, das manobras judiciais, da perseguição dos poderosos.

É com o povo e com Lula que vamos lutar até o fim.

Lula Livre!

Lula Candidato!

Lula Presidente!

COMISSÃO EXECUTIVA NACIONAL DO PARTIDO DOS TRABALHADORES

domingo, 12 de agosto de 2018

Romaria de Uberlândia a Água Suja (MG) - Reflexões



Igreja N. Sra. da Abadia. Foto: William Mendes.

Refeição Cultural

Todos os anos, a região do Triângulo Mineiro vivencia entre julho e agosto uma festa popular e religiosa que envolve milhares de pessoas e que tem seu ápice no dia 15 de agosto, dia da festa de Nossa Senhora da Abadia, no pequeno município de Romaria, também conhecido pelas pessoas da região como Água Suja.

Participar desta festa religiosa é uma experiência ímpar, seja como romeiro (independente da religião que tenha ou não), seja ajudando os romeiros dando assistência ao longo de dezenas de quilômetros, dependendo de onde a pessoa saiu. Uma das questões que mais intrigam qualquer observador atento é como uma pessoa consegue percorrer distâncias absurdas à pé, não apresentando preparação física adequada.

Mesmo para o romeiro experiente, é possível afirmar que a caminhada de um ano nunca é igual à experiência do ano anterior. Nunca. Eu fiz minha primeira caminhada quando tinha uns 16 anos de idade, lá nos anos oitenta, quando morava em Uberlândia. Em 2018 fiz a caminhada aos 49 anos e confirmo o que disse: nunca é a mesma coisa.

Às vezes, chego a pensar que a tradição da Romaria na região do Triângulo Mineiro pode acabar algum dia, por diversos fatores como, por exemplo, questões econômicas e comerciais, ou mesmo políticas. Mas logo em seguida, ao participar da festa, vejo que ela segue firme e forte, independente das dificuldades para sua manutenção. Bastou ver o acostamento lotado de romeiros no sábado pela manhã, quando eu voltava de minha caminhada, para perceber que a tradição vai longe.

Neste ano, peguei a estrada na sexta-feira, saindo do Trevo de Uberlândia para Araxá, e caminhei cerca de 75 Km. Contei com a assistência de meu cunhado ao longo da jornada, e posso afirmar que ser acompanhado por alguém dando apoio faz uma diferença enorme, facilita bastante a vida do romeiro. Até porque o caminhante pode se dar ao "luxo" de não levar todos os apetrechos do romeiro na mochila nas costas.

Para a ampla maioria das pessoas que saem de suas casas para irem à pé até a cidade de Romaria os apoios ficam por conta de barracas de ajuda aos romeiros, montadas ao longo da estrada na BR 365. A mais conhecida e frequente todos os anos é a barraca da Antena, distante 47 Km do Trevo de Uberlândia para Araxá. Outras barracas também prestam apoios importantes aos romeiros, como a barraca Betânia, próxima ao Rio Araguari. Nada como chegar a uma barraca e tomar uma sopa ou comer um pãozinho com café e frutas.


Um homem na estrada, ipê amarelo
e o pensamento no filho amado.

Leituras

Ser romeiro ou fazer a romaria pode suscitar as mais diversas leituras, tanto dos próprios caminhantes quanto de seus amigos e conhecidos. O ato de caminhar dezenas de quilômetros é algo extraordinário, independente dos motivos pessoais para tal feito.

Se o caminhante pertence a uma comunidade ou região que não tem o hábito de caminhadas como essa, o romeiro pode ser considerado uma pessoa ousada, louca, forte, fraca das ideias etc. Se o romeiro é da própria região onde a tradição existe, ele é só mais um na estrada, simples assim.

Todos os anos, eu fico estupefato, intrigado, admirado com a grandeza das pessoas que fazem a caminhada. É um verdadeiro exercício de humildade para mim saber o quanto a caminhada é difícil e ver que, mesmo assim, milhares de pessoas em condições menos favoráveis que a minha completam e chegam à cidade e à igreja. É impressionante!

Neste ano, cheguei a Uberlândia com dores no quadril e na perna esquerda, dores que estão me incomodando há semanas. Receei até não conseguir fazer a caminhada. Porém, peguei a estrada e fui caminhando, caminhando, fiz os 15 Km até o Rio Araguari, depois a subidona de 10 Km após o rio, e fui dialogando com meu corpo até a Antena, quase 50 Km depois. Cheguei lá por volta de 23h e estava bem. Tomei a sopa e nem parei para cochilar um pouco, segui direto.

Tem ano que os pés dão bolhas, tem ano que não. Isso porque eu sei preparar meus pés com proteções de esparadrapos. Neste ano, já cheguei à Antena sentindo bolhas nos dois calcanhares. Paciência! Da barraca da Antena até o destino final são mais quase 30 Km. Para cada caminhante, a experiência da caminhada dá o tom. Para uns, chegar à Antena é ânimo para continuar, para outros é o ponto final, por não dar mais.

Da Antena adiante, no meu caso, é que a caminhada tem se tornado difícil nos últimos anos. O corpo cansado passa a dificultar a etapa final. Neste ano, fez um frio incomum na estrada durante a madrugada. Depois das duas horas da manhã, fez cerca de 7 graus, segundo a meteorologia. Se eu não tivesse pego uma blusa a mais, emprestada de meu cunhado, eu estava lascado.

Não tive sono na madrugada. A semana de lua minguante mudando para lua nova no dia da caminhada significa breu total na estrada sem lua. Mas o céu estrelado é impressionante. Magnífico! Zilhões de estrelas até o alvorecer. Ao percorrer a etapa final, fora da estrada, na parte de terra e mato, cerca de 8 Km, os campos congelados foram uma novidade neste ano. Não tem mais o Atalho entre os eucaliptos. Ele foi fechado pelo novo dono.

Cheguei à cidade às 8h da manhã. Mais um ano, mais uma caminhada. Junto comigo, foram chegando dezenas de romeiros. Idosos, jovens, homens, mulheres, corpos que nos fazem duvidar que aquelas pessoas poderiam caminhar dezenas de quilômetros. Caminharam. Isso nos dá uma humildade tremenda. Fui só mais um na multidão. Mas cada um de nós é único! O ser humano é incrível!

Todos os romeiros foram e são incríveis. Os que chegam caminhando, pedalando; os que não chegam caminhando porque o corpo não permitiu; os que dão assistência e apoio. Todos compõem a mesma tradição, o mesmo rito. Cada um no seu tempo e na sua possibilidade. Todos na mesma tradição da Romaria.

Ano que vem tem mais.

William Mendes
Romaria 2018

segunda-feira, 6 de agosto de 2018

Em busca da História


Luar pós eclipse de 27 de julho de 2018
a partir de meu mundo, Osasco.

Refeição Cultural

Quem sou, o que sou, porque as coisas são como são, porque vemos o mundo da forma como vemos - através de conceitos e valores que variam no tempo e no espaço, e de pessoa a pessoa -, o que aconteceu que nos levou aonde estamos neste momento da História, o que podemos aprender com as experiências do passado em todas as áreas e dimensões humanas e em relação ao próprio planeta que habitamos e suas mudanças, enfim, pensar e refletir questões como essas são evidências de que somos seres humanos e não somente animais irracionais, reles mamíferos bípedes como os demais no reino animal.

Após quase cinco décadas de existência, uma vida quase toda dedicada à sobrevivência pessoal e familiar e a lutas coletivas e movimentos sociais, tenho o desejo de abraçar uma busca por mais conhecimento humano através da História, quero ser menos ignorante nas coisas do mundo e da vida humana. Não sei ainda qual será a melhor estratégia e alternativa para alcançar esse objetivo de busca do conhecimento, mas vou achar a forma adequada para isso.

Quando criei este blog Refeitório Cultural tinha o desejo de compartilhar de forma gratuita aquilo que aprendia sobre as mais diversas áreas de conhecimento. A falta de tempo e o envolvimento cada vez maior com as lutas sociais às quais estava engajado sempre foram empecilhos para uma produção textual da forma como gostaria. Eu ainda estava sob o efeito do conceito WIKIpedia, ou seja, What I Know Is... e queria fazer a minha parte para compartilhar conhecimento humano, até com minha opinião sobre as coisas.

O mundo mudou rápido em menos de duas décadas em relação à tecnologia, ao mundo virtual, às redes sociais, à produção e distribuição de ciência e informações. Mas o resultado das mudanças, na minha opinião, é preocupante. Não vejo o mundo melhor para os seres humanos nesse início de século 21. Vejo com pessimismo o que vem por aí em relação a um mundo melhor para todos.

Meu desejo é conhecer mais sobre a História e, se for bem sucedido e me sentir menos ignorante sobre as coisas, ainda gostaria de desenvolver uma estratégia para compartilhar para outras pessoas o que aprendi.

É isso que tenho refletido recentemente.

William

segunda-feira, 30 de julho de 2018

Conhecendo animes perto dos 50 anos





Refeição Cultural

Num esforço para ampliar minha capacidade de comunicação com os mais jovens, em especial com o meu filho, tenho procurado conhecer novas linguagens e meios expressivos como os animes e mangás.

Minha primeira experiência em animes foi assistir a Death Note (2006), com 37 episódios, e depois passei a assistir aos animes de Naruto (que estreou no Brasil em 2006) e atualmente está na Netflix. Os animes são sugeridos pelo meu filho e acabam sendo uma forma de vermos algo juntos. 

De um tempo pra cá, uns dois anos, passamos a ver os episódios à noite, cada um num lugar físico, mas vendo ao mesmo tempo. Foi comum assistirmos Naruto eu num lugar, meu filho noutro, e a mãe dele num terceiro lugar. Mas unidos ao longo de dezenas de episódios. Estamos terminando mais de uma centena de episódios de Naruto, praticamente só faltam alguns episódios da saga "clássica" (a parte onde os personagens ainda são pré-adolescentes).

Nestes dias de férias escolares de julho, em que estamos juntos no recesso da faculdade de meu filho, assistimos aos 13 episódios de Angel Beats (2010). No início foi difícil pegar o ritmo, a ação do anime era muito doida, mas aos poucos a estória começou a ter sentido. Ao caminhar para o fim foi ficando emocionante, e a cada episódio, o anime nos deixou mais reflexivos sobre a vida e a morte.

Em um dos episódios, em que o enredo encaminha o desfecho relativo a uma das personagens principais, Yuri (ou Yurippe), me peguei pensando no que foi a minha vida nos últimos anos e como está sendo difícil o desapego da missão que eu tinha e que movia toda a minha existência até o final de maio passado. Mas é preciso se deixar "obliterar" e seguir para outra etapa das existências.



Por fim, ainda na linguagem de animes, vimos o longa metragem Your Name (Kimi no na wa, 2016). Novamente, que produção linda, emotiva, que nos põe a refletir. A estória tem amor, tradição, medos e dilemas dos jovens, e beleza no desenho, nas paisagens, nas personagens. Bem ao estilo do diretor Makoto Shinkai, de obras como Jardim das palavras (2013), que também assistimos.

Após assistir a esses dois animes, ainda vi, de quebra, ao filme Gênio Indomável (1997). Que soco no estômago. Me lembro de ter sido muito impactado pela estória do jovem Will (Matt Damon) quando eu mesmo era um jovem revoltado no final dos noventa e início dos anos dois mil.

Como escrevi na última postagem dias atrás (ler AQUI), não sei ainda o que vou fazer com meus blogs após o fim de um ciclo de quase duas décadas de vida política e representativa como eleito por trabalhadores em mandatos sindicais e de gestão em saúde.

Essa foi minha refeição cultural. Apesar do silêncio autoimposto e pela decepção que me domina em relação ao fim da democracia brasileira e a destruição de meu país após o golpe de Estado, ainda busco um sentido para escrever.