quarta-feira, 24 de agosto de 2016

Diário - 240816



Estava eu no último domingo abstraindo de meu estresse
no Eixão quando senti um desconforto na parte posterior
da perna direita... ai que foda não poder correr uns dias!

Quarta-feira em Brasília. Estou cansado.

Foram três dias de trabalho com jornadas de manhã, tarde e noite na Cassi. Cheguei por volta das 21h em casa.

No domingo, quando fui para o Eixão correr, senti uma contusão na parte posterior da perna direita, provavelmente no grupo muscular do gastrocnêmio e sóleo. Estava longe de casa e foi um sacrifício voltar andando lentamente.

Eu deixei que o desejo de praticar atividade física fosse mais forte que a minha consciência do cansaço físico em que estava. Já no sábado, não fiz nada porque estava esgotado, após uma semana de trabalho de pouco dormir e de muita dedicação aos problemas da Cassi e por ter trabalhado em três bases sociais da entidade que atuo: no DF e no PR e SC.

Imaginem vocês o quanto estou como fera em jaula por não poder sair para as ruas de Brasília e correr após três dias de muito estresse em meu trabalho... é duro! Se tem duas coisas que são fundamentais em minha vida são minhas vistas, para poder ler, e minhas pernas e pés, para correr e andar. Sem isso, seria muito difícil seguir com uma vida tão dura como é a nossa. (além, é claro, de minha família e entes queridos)

E olha que na semana anterior, havia sido a semana de minha caminhada anual de 75 km, período de introspecção que tanto necessito. E neste ano foi bem difícil completar o percurso da Romaria porque meus pés machucaram faltando dezenas de quilômetros. Mas superei tudo e cheguei, como sempre!

Ao voltar para casa contundido no domingo, custando a pisar e dar a passada, lembrei na hora das caminhadas na Romaria. Pensei comigo: esquece e vai porque se estivesse na estrada só pararia quando chegasse ao objetivo final (como as pessoas persistentes fazem na Romaria).

A vida segue, mesmo sem correr ou pedalar ou caminhar por algum tempo. Nos próximos dias, além da cabeça enfiada nas crises que herdei ao virar gestor eleito em entidade de saúde de trabalhador, estarei no estado de Rondônia e depois no Acre, cumprindo minha missão e focado em meus compromissos com a Cassi, os associados e o modelo de saúde que acredito e defendo.

É isso para o momento. Enquanto vivo para o trabalho que estou designado, sigo com o coração amargo ao ver a destruição de meu país, de nossa democracia, dos direitos sociais e políticos da classe trabalhadora à qual pertenço e represento.

William
Um trabalhador

segunda-feira, 22 de agosto de 2016

Petróleo - Mad Max se tornou realidade




Refeição Cultural

E então, a ficção dirigida por George Miller, que fez grande sucesso nos anos oitenta apresentando um mundo distópico pós-apocalíptico se tornou realidade no século 21.

No mundo do caos e da desordem onde sobrevive o ex-patrulheiro Mad Max, o que importa é conseguir gasolina. É o combustível que dá mobilidade para se viver naquele mundo sem lei.

No início do segundo filme, a história contada fala das guerras e destruições nos países detentores das principais reservas de petróleo do mundo... 

E o que foram as "primaveras árabes" a partir de 2011 com apoio dos Estados Unidos, diga-se, o país das petroleiras que dominam o mundo? E o que foram antes das primaveras árabes, as guerras do Golfo, promovidas pelos mesmos Estados Unidos para estabelecer suas petrolíferas no controle das reservas?

Que coisa, heim? Agora os donos do mundo estão mantendo o barril de petróleo a preço de banana para quebrar os países e suas empresas e economias que ainda têm reservas de petróleo para mais algumas décadas do século 21. Estão no foco dos donos do mundo o Irã, a Venezuela e um país lá na América do Sul chamado "brazil"... os caras lá descobriram reservas nas camadas mais profundas do Oceano e a empresa brasileira Petrobras detinha o poder exclusivo da exploração do que viria a se chamar Pré-Sal (até que um certo Golpe de Estado ocorreu sob o silêncio dos Estados Unidos...).

Bem-vindos ao mundo Mad Max. Fodam-se países e povos dos países onde há algum tipo de reserva de petróleo para se explorar por mais alguns anos.

Que importam Kuait, Iraque, Egito, Arábia Saudita, Venezuela, Brasil...

E há gente inocente, pura e besta que não tem a menor noção do que se passa no mundo em termos de disputa de hegemonia mundial pelo petróleo. Tem bobinho enganado pelos donos das mídias tupiniquins e vira-latas, lacaias dos americanos, que acham que o petróleo não vale mais nada e que o Brasil tem mais é que se ver livre dessa coisa sem valor chamada Pré-Sal...

E aí, estamos preparados para viver naquele mundo tranquilo e calmo de Mad Max?

William


Sinopse dos dois que assisti: 


Mad Max (1979)


Responsável por lançar Mel Gibson ao estrelato mundialmente, o primeiro filme da franquia Mad Max mostra um futuro pós-apocalíptico onde um povo, praticamente sem lei, briga violentamente por água e gasolina. Quando uma gangue selvagem ataca a família do policial Max Rockatansky (Gibson), ele vira juiz, juri e executor por conta própria. Aqui, vemos os últimos dias "normais" de um homem que tinha tudo e acaba caindo em um abismo de loucura. Assim, o "louco" e "enfurecido" (duas palavras que traduzem a expressão "mad" para o português) Max se transforma em um anti-herói em busca de vingança e de esquecimento.


Mad Max - a caçada continua (1981)

Considerado o melhor filme da franquia, Mad Max 2 continua a jornada de Max Rockatansky (Gibson) por vingança. Após deixar de lado sua vida de policial, ele se tornou um guerreiro solitário e destemido, vagando pelo deserto em seu carro e brigando com quem cruzasse o seu caminho. Porém, Mad Max recupera um pouco da sua humanidade e resolve ajudar uma comunidade de sobreviventes que vivem em uma refinaria a defenderem a si mesmos e seu estoque de combustível contra uma bárbara gangue de motoqueiros que querem roubar a gasolina, o bem mais precioso deste futuro apocalíptico.



(Fonte: Adoro Cinema)

domingo, 21 de agosto de 2016

O prazer em ler José J. Veiga



Me sinto em casa lendo José J. Veiga.

Neste domingo pela manhã, li O professor burrim e as quatro calamidades (1978), do escritor goiano José J. Veiga (1915-1999). Ontem, terminei a leitura do romance Sombras de reis barbudos (1972).

Estou encantado com a obra de Veiga. Nos conhecemos neste ano, após eu ler seu primeiro livro em janeiro - Os cavalinhos de Platiplanto (1959) -, um livro de contos. Veiga será o primeiro escritor que vou ler a obra inteira. Desde a leitura de seu segundo livro - A hora dos ruminantes (1966) -, saí procurando e comprando suas obras. Agora faltam poucas.


O professor burrim e as quatro calamidades

Ao ler pela manhã a estória do professor Burini e contextualizar a obra lá nos anos setenta, eu me emocionei.

A estória aborda a desvalorização histórica da profissão de professor, as maldades que os alunos fazem com os professores, e tem uma mensagem sobre o quanto a pobreza é responsável por grande parte dos males dos seres humanos e de suas famílias.

"Muitas vezes, quando chegava em casa tarde, com fome e cansado, ele encontrava a família em crise, os meninos chorando ou resmungando, a mulher ralhando e ameaçando, uma atmosfera pesada que ele precisava acalmar com paciência e jeito. Ele não culpava nem a mulher nem os filhos, sabia que todos eram vítimas. A culpa era da pobreza."

É verdade! Eu era criança nos anos setenta e oitenta. Vi o quadro da miséria junto com todos os meus familiares e conhecidos.

A mensagem é a da desvalorização da profissão dos professores, tão antiga em nosso país, área do saber que começava a ganhar esperanças e perspectivas durante os governos do Partido dos Trabalhadores, com a criação de programas voltados para a educação em todos os níveis. A promessa do Pré-Sal era o salto para o futuro na educação, até que um Golpe de Estado organizado pelos tucanos derrotados nas eleições de 2014 começa a destruir nosso futuro e retroceder o país em mais de um século.


"O pai sorriu. Podia ser 'legal' mesmo. Ele cercado de crianças na porta de uma escola ou numa esquina de bairro. Por menos que um vendedor de picolé ganhasse, não devia ganhar menos do que um professor. Podia até ganhar mais."


Vender picolé ou ficar numa profissão "nobre" e de "representação"?

"O gerente aconselhou-o a desistir. Como podia alguém trocar uma profissão nobre como a de professor por uma atividade sem nenhuma representação?

- Toda profissão é nobre, e representação não sustenta família. Me dê o emprego e o senhor vai ter um bom vendedor - disse o professor com tanta firmeza que o gerente cedeu..."

Pois é! O final da estória ainda emociona por sabermos como andam os garotos que foram responsáveis pelo professor desistir da profissão e ir vender picolé.


Coleção José J. Veiga.

Comentário final

Ao ler os romances e contos de José J. Veiga, estou vendo minha vida infanto-juvenil. A linguagem que ele usa, as questões tão comuns abordadas em suas estórias, fazem com que nos sintamos em casa ao viajar pela sua obra.

Na minha infância dura, semelhante a de quase todos de minha idade, filhos da classe proletária e povos simples nos anos setenta e oitenta, fui obrigado a trabalhar de muitas coisas desde os onze ou doze anos. Uma das experiências mais curtas que tive foi a de vender picolés.

Consegui uma vaga em uma sorveteria e saí com o carrinho pela manhã. A experiência foi difícil e eu não passei do primeiro dia. Onde nós morávamos era uma região dura. Mas apesar das ameaças dos caras maiores, não diria que foi por isso que não quis continuar não. É que no dia que saí eu não vendi quase nada.

Se compararmos o que foram os anos de governos do PT e o que nos espera com os golpistas que tomaram o país de assalto e já estão praticando seus crimes de lesa-pátria e estão revertendo todas as conquistas do povo trabalhador brasileiro obtidos durante os governos Lula e Dilma, veremos a interrupção das oportunidades criadas com o PT.

Meus sobrinhos receberam Bolsa Família durante suas infâncias. Só estudaram. Pelas oportunidades geradas pelos governos do PT, ambos entraram em Universidade Federal. contrariando as estatísticas anteriores a Lula e Dilma, porque são jovens humildes e negros.

O que será de nosso futuro com os desgraçados que assaltaram o poder e estão assaltando os nossos direitos e nosso patrimônio nacional, em vias de ser transferido para os imperialistas novamente?


William
Leitor brasileiro

sábado, 20 de agosto de 2016

E o Grande Irmão venceu e vivo sob os olhares das teletelas





Refeição Cultural indigesta

Noite quente de sábado em Brasília, em um país sob Golpe de Estado.

Sentimentos estranhos, não felizes, em minha cabeça. Ou no coração, como se diz de forma romântica.

Durante a rotina do trabalho, visto meu personagem e saio para a rua, para o mundo, cumprindo fielmente minha missão como gestor eleito de saúde em entidade de trabalhador. Meu personagem é inquebrável e a peça não pode parar. Tudo conspira para que eu não faça o que tenho que fazer. Eu luto e busco energia todos os dias e já uso minha remuneração para trabalhar. Até o fim, vou fazer o que tem que ser feito.

Quando saio do palco, as luzes se apagam e a próxima sessão será daqui a dois dias, quase que desmorono nos bastidores. Passo um tempinho lembrando do mundo real, um mundo em desmoronamento. Meu país sob Golpe de Estado, o fim da ética e do caráter, e a total inversão dos valores. Os vilões pautando as versões oficiais dos vencedores sob nós vencidos.




As Olimpíadas no Brasil acabam neste domingo. Desde o dia que começaram numa certa sexta-feira, eu não acompanhei nem tomei conhecimento de nada, não vi nada, não torci, desconheci a respeito (e eu sempre fui apaixonado por esportes e pelas Olimpíadas). 

Quem trouxe esta edição para o nosso país foi Lula da Silva, quem incentivou e financiou a condição de treinamento de mais de 70% dos atletas pobres e não pobres foi o governo Dilma, enfim, os responsáveis por estas Olimpíadas, assim como a Copa do Mundo de Futebol, foram Lula, Dilma e o Partido dos Trabalhadores. E também foram responsáveis por todos os programas sociais e econômicos construídos em mais de 10 anos e que estão sendo destruídos em 100 dias pelos golpistas.

No entanto, Dilma e Lula e o PT estão sofrendo um massacre fascista, desumano, vil e canalha. E quem está transmitindo as Olimpíadas no Brasil? Os golpistas, a Globo, os outros canais, os veículos do Partido da Imprensa Golpista (P.I.G.).

Eu me sinto como o personagem Winston Smith ao final da ficção 1984, de George Orwell, após a tortura e a aceitação de que o mundo, aquele mundo do Grande Irmão, é o que deve ser mesmo. Eu não consigo ficar sem ouvir as teletelas dos golpistas em nenhum lugar, em nenhum canto deste meu mundo 1984.

Essa mesma camarilha de golpistas aplicou o golpe de 1964 e o povo brasileiro gastou gerações para voltar à liberdade e ao direito em experimentar um pouco de soberania. Não foram só 21 anos como os mais apressados calculam o tempo da ditadura iniciada em 1964. O Grande Irmão Globo e demais golpistas atuais - P.I.G, Fiesp, políticos dos partidos do golpe - mantiveram a ditadura iniciada em 1964 por mais vários anos, decidindo as eleições de 1989, 1994 e 1998. A vítima das teletelas da época: Lula e o PT.


E o Grande Irmão Globo e seus pares venceram...

Eu tenho 47 anos e sinto um peso destruidor sobre meus ombros ao ver, ler e ouvir as teletelas e panfletos e fontes do P.I.G. sendo replicados em sites, mídias sociais, nos locais onde me alimento, onde trabalho, na casa de meus familiares e amigos e funcionários e representados. Se a história iniciada em 1964 se repetir, será muito triste minha vida aos cinquenta, aos sessenta, quiça aos setenta...

Neste momento, neste sábado, no meu país, mesmo com o brazil do golpe tendo conseguido bons resultados no quadro de medalhas com os atletas financiados pelos governos do PT com o bolsa-atleta, mas com as coisas sendo contadas pelas teletelas do Grande Irmão e asseclas... eu me sinto Winston Smith.

Não aguento mais a tortura das máquinas do Grande Irmão...

Por fim, nestes dias de transmissão de Olimpíadas pelas teletelas, vi filmes e li livros de José J. Veiga como o que acabei agora, Sombras dos reis barbudos (1972), e vi Mad Max I (1979) durante a final de futebol masculino, mas é impossível não sofrer com a tortura das teletelas do Grande Irmão Globo.

O que fazer? Aceitar isso pelo tempo de vida que nos resta nas próximas décadas do golpe? (li que a audiência do Grande Irmão cresceu bastante nas últimas semanas por causa das Olimpíadas trazidas por Lula e o PT...)

William Winston Smith

segunda-feira, 15 de agosto de 2016

Romaria - Um homem na estrada


Um homem na estrada...

Refeição Cultural

Estou em Uberlândia, Minas Gerais. Vim para realizar minha caminhada anual até a cidade de Água Suja ou Romaria, local de peregrinação de milhares de pessoas das mais diversas cidades do Triângulo Mineiro, de Minas e creio que até de outros estados do país.

Fiz o percurso de 75 km entre Uberlândia e Água Suja da sexta-feira 12 para o sábado 13. Cada ano de caminhada traz uma experiência diferente se for comparar com as experiências já vividas nas caminhadas anteriores. Desta vez foi muito difícil, e é curioso, porque de alguma forma eu sentia e imaginava que seria assim. 

Sentia que iria pesar toda a carga que se abateu sobre o trabalhador brasileiro, sobre a nossa democracia que sofreu um golpe por um bando de fascistas desgraçados, calculava que sentiria os efeitos de toda a dureza de meu trabalho e de minha luta diária pelo que defendo na entidade de saúde onde participo da gestão como representante eleito por trabalhadores, enfim, que de alguma forma as crises vividas estariam pesando em meus ombros nesta caminhada. 

E devem ter pesado! Talvez meu peso corporal mais leve não tenha conseguido superar o peso em nossos ombros e cabeça. E meus pés e meus calcanhares sentiram.


A saída de Uberlândia

Cheguei à casa de meus pais na tarde de quinta-feira, após trabalhar em Uberaba, cidade da região do Triângulo Mineiro. Foi bom rever meus pais e familiares que não via há meses.

A primeira decisão sobre a caminhada foi escolher qual seria o melhor horário para sair neste ano, de manhã ou de tarde. Optei por sair na sexta-feira depois do almoço. E do bairro Alvorada.

Para se ter uma ideia do momento pelo qual passamos, mesmo tendo abonado o dia de trabalho, tive que me ocupar de algumas questões ainda pela manhã, porque elas são de minha responsabilidade.

Momento da saída, no carro com os pais,
que me levaram até o bairro Alvorada.

Saí do bairro Alvorada às 15h. O primeiro ponto de referência no meu percurso é chegar ao Rio Araguari, cerca de 16 km adiante. Calculei chegar por volta de 18h e cheguei. Vi o Por do Sol na estrada.

Um dos segredos dessas caminhadas é acertar o calçado que se vai usar. Outro conhecimento que se adquire com a experiência é o jeito de andar, é o economizar energia corporal para andar dezenas de quilômetros por horas e horas.

Eu não saí com a mochila pesada, e estou leve também. 

Outra coisa: depois que iniciamos uma caminhada, é seguir adiante, não tem mais volta (na minha opinião). Enfim, escolheu a vereda, agora é seguir.

Ipê amarelo com aquele céu azul mineiro.

Eu senti nos primeiros quilômetros que seria dura a jornada. O Sol escaldante já faz parte do previsto, mas os pés passavam uma impressão de desconforto. Adequei o pisar ao calçado para amenizar e protelar as sequelas que viriam com o tênis mais duro que o previsto.

Vi várias plantas características do seco mês de agosto na estrada (BR 365). Não quis ficar parando e batendo fotos. Fui econômico. Fiz umas vinte fotos em toda a Romaria. A primeira foi de um belo ipê amarelo com aquele céu azul mineiro.

Às minhas costas, o lado Sul do rio Araguari. 

A ponte sobre o Rio Araguari

Enquanto descansava uns 10 minutos, alonguei um pouco os músculos e admirei o belo rio, a paisagem e os reflexos do Por do Sol sob o vale. 

Agora era a hora de encarar uns 11,5 km até um antigo posto que já está desativado faz tempo, mas que é uma referência no meu roteiro.

Imaginem andar quase 10 km em subida na estrada... 

Cheguei por volta das 21h. Havia uma barraca de ajuda aos romeiros. Parei uns minutos, comi alguma coisa e preparei para a saída rumo ao próximo ponto de referência, o Posto N. Sra. da Guia.

Início da noite clara de Lua Crescente...

O caminhar com a luz da Lua Crescente

A caminhada do anoitecer até um pouco depois da meia-noite foi clara e sem necessidade de lanterna. A luz do luar deixava a nossa sombra na estrada assim como o andar sob o Sol.

Vi o Sol se por à esquerda de minhas costas e a Lua brilhar e fazer um círculo até descer, sempre à minha direita. A Lua Crescente foi uma grata companhia.

Ao chegar ao Posto N. Sra. da Guia, cerca de 23:30h, eu já havia caminhado uns 37 km e meus pés já me incomodavam um pouco. Já sabia que meus calcanhares estavam machucados. Porém, eu nunca tiro o tênis para verificar o estado de meus pés. 

Uma técnica que aprendi faz tempo é preparar com esparadrapos os locais onde podem surgir bolhas, porque elas não estouram e se evita que fiquem em carne viva.

Quase meia-noite, após andar 37 km.
Me preparava para andar até a Antena.

Comi um pão com carne e deitei no chão para relaxar uns 30 minutos. Começava a administrar a dor. Coloquei para funcionar meu toca-fitas Aiwa (1987), um aparelho precursor da independência em ouvir músicas por onde se vai. 

Meu Aikman e minhas fitas de rock e pop são guardados por mim exclusivamente para as caminhadas anuais porque tenho que virar as fitas a cada meia hora de música e isso quebra a monotonia de andar pela noite, por vezes quase dormindo acordado.


Esse bichinho tem 29 anos de uso.

Barraca da Antena, a tentação onde muitos desistem de seguir

A caminhada do Posto N. Sra. da Guia até a Antena, de 11 km, foi difícil como todos os anos, mas eu tinha os pés machucados, coisa que não ocorria desde 2012.

Em uma barraca de ajuda aos romeiros, encontrei um casal amigo da família. Fiquei quase meia hora com eles. Fui muito bem tratado. Sentei ao redor de uma fogueira, me cobriram um pouco (estava começando a esfriar) e tomei uma sopa. Faltavam uns 4 km para a Antena.

Quem disse que eu cheguei na barraca da Antena bom para sair direto? Tive que encostar a cabeça na mesa e cochilar uns 30 minutos sentado. Já havia feito quase 50 km e agora faltavam menos de 30 km. Eu estava quebradaço por causa das dores e saí dali às 5:20h.

O alvorecer - é uma de minhas fotos preferidas desta caminhada.

Alvorada na estrada

Mesmo com dor, foi uma madrugada de caminhar ao som de muitas bandas de rock e pop. Ouvi todas as fitas que levei.

Após a Lua Crescente ir embora, o breu destacou os milhões de pontos luminosos no céu... Esfriou... a dor nos pés aumentou...

Não vi muitos romeiros durante a noite. Menos que outras épocas.

Alvorada na BR 365 num certo agosto. Foto William.

Tem uma coisa que é definidora nas minhas caminhadas na Romaria. Desistir não é uma opção. Tem momentos que você está quase se arrastando, mas não pode deixar de ir adiante.


Final da caminhada - superação

Eu cheguei ao Posto Santa Fé às 8h da manhã. Entrei e tomei um café mineiro básico: pão de queijo e café com leite. Troquei os apetrechos de caminhada. Tirar blusa e gorro de frio. Guardar lanterna. Colocar boné. 

Vai um pão de queijo e café com leite?

Tomar coragem e esquecer a dor e sair para andar com Sol quente e andar a menos de 4 km por hora. Pisando do jeito que dá para completar os 14 km que faltam. 

Primeira referência que nunca chega desta fase final: o Atalho.

Andar... andar... Sol esquentando... e nada de Atalho chegar. E são só 6 km entre o posto e o Atalho.

Cheguei tão quebrado ao Atalho dos eucaliptais que não quis parar e descansar um pouco. Rejeitei comida na barraca de ajuda que havia ali. 

O Atalho nos eucaliptos.

Meu desejo era chegar e ainda tinha mais 8 km entre floresta de eucaliptos, plantações de café, pasto e descida em cascalho e pó, com uma subida "animal" de 1 km e inclinação de uns 45º. Detalhe: terrão vermelho onde os romeiros comem pó até pelos poros.


A chegada na cidade de Romaria

Cheguei cerca de meio dia e meia na cidade. Saí no dia anterior às 15h, andei 75 km, e lá estava eu mais uma vez no destino final.

Desta vez foi muito difícil. Em muitos momentos da metade do percurso para frente cheguei a pensar que não conseguiria completar. Mas os mesmos pés que reclamaram dor a noite toda, foram os que me levaram até o fim.


Chegando ao meu objetivo depois de
muito andar e muito sentir...

Na caminhada de um dia e uma noite, a gente alterna momentos de dor, de reflexão, de euforia, tem de tudo. Eu penso muito na vida neste dia todo. Nos desafios, nas escolhas, no passado e no presente, nas pessoas com quem convivemos, num provável futuro. Nos problemas do mundo. Nas maravilhas das coisas simples da natureza.

Igreja de N. Sra. da Abadia, Romaria - MG.

É possível fazer comparações usando uma régua interessante. A gente acha que nossa dor é insuportável, aí vê um senhor ou senhora com os pés mais feridos que o nosso e no maior pique para seguir. Aí vê um outro senhor subindo de joelhos a bendita ladeira de 1 km que a gente custa subir andando depois de mais de 70 km. Essas coisas nos fazem refletir que tem gente em condições piores que a gente e às vezes nós só reclamamos e terceirizamos responsabilidades...

Nossa dor não é maior que a dor dos outros. Fiquei pensando nas dores que meu pai reclama e sente faz anos. Fiquei pensando no relato de minha irmã com dores insuportáveis para conseguir trabalhar, com medo de se afastar por licença e ser demitida. O que é essa dor de meus calcanhares fodidos por causa de bolhas comparada até com a dor das pessoas que conheço? Nada!


Um dos inconvenientes desta jornada. Acho que vim
com o peso do mundo sobre meus ombros.

A dor permanente que sinto é muito maior que a física, a dor que disfarço ou abstraio diariamente, ao ver meu país sob um golpe e com bandidos no poder, nos órgãos do Estado, destruindo todos os direitos civis, políticos, trabalhistas, sociais e humanos conquistados com a nossa luta e suor e dores ao longo de anos e anos.

Mas desistir não é uma escolha. A gente tem que fazer o que deve ser feito. Eu por exemplo tenho um compromisso até o último dia de meu mandato de representação dos trabalhadores. Faço o que acredito ser o correto e dane-se até o que tenho passado por tentarem me impedir de trabalhar como entendo que devo fazer.

Vou embora pela manhã de segunda-feira sabendo o que provavelmente vem pela frente. E vou continuar fazendo o que acho que devo fazer. E sei que o mundo está um caos, e que há uma inversão de valores nos dias que correm. Não faz mal, seguimos adiante!

É isso! Fim da Romaria 2016.

William Mendes
Um homem na estrada

segunda-feira, 8 de agosto de 2016

Diário - 080816


Agora tenho dez livros de J. J. Veiga
e hoje achei mais três pela internet.

Refeição Cultural

Já estamos na madrugada de segunda-feira. Passei o fim de semana sozinho em Brasília. Minha esposa e filho estão lá em São Paulo. Vamos para mais uma semana de trabalho e lutas pelo que defendemos e representamos.

Após trabalhar até a madrugada de sábado, procurei esquecer um pouco o mundo do trabalho e o mundo lixo da política atual e da democracia golpeada de morte por estarmos sob um Golpe de Estado praticado por uma camarilha de corruptos e lesa-pátrias (e pensar que vários familiares meus e colegas bancários foram apoiadores do golpe...)

Até as Olimpíadas, que admiro e respeito, abri mão de ver e até de ouvir dizer, porque apesar da realização desta edição ser em nosso país e graças ao Lula, Dilma e o PT, até a transmissão é realizada pelos golpistas desgraçados, que monopolizam todo o espectro de comunicações brasileiras. Não liguei a TV em momento algum neste fim de semana.


A Estranha Máquina Extraviada, de José J. Veiga

Acabei de ler o meu terceiro livro de José J. Veiga, A Estranha Máquina Extraviada (1967). É um livro de contos, assim como o primeiro livro do autor - Os Cavalinhos de Platiplanto (1959). Gostei do livro e a temática mostra o quanto o autor é de leitura obrigatória para pensarmos o momento social e político dramáticos que estamos enfrentando. Cada um dos quatorze contos traz um personagem perdido, uma coisa perdida, algo que não se encaixa ou que está fora do lugar.

Os cenários e a linguagem me são extremamente familiares, pois nos remete ao mundo do interior do país nas décadas passadas. Eu sou filho de goianiense com mineiro. O mundo narrado por Veiga é o mundo de meus avós, meus pais, tios e primos. É o mundo onde cresci em Uberlândia e das visitas na infância ao interior de Goiás. Tem contos bem tristes, mas o último conto deixa uma espécie de porta aberta para a esperança.

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Meu domingo acabando no cerrado goiano brasiliense.

Neste domingo, pedalei e andei por 90 minutos no Eixão, em um dia ensolarado, quente e de pouca umidade. Na sexta-feira, havia chegado de viagem a trabalho e feito uma corrida de 4k que me deixou sensível o Tendão de Aquiles do pé direito. 

Acho que fui descuidado porque estava bem cansado e corri assim mesmo. Fiquei em estado de alerta, porque no próximo final de semana farei minha caminhada de 75 km em MG. Vou me concentrar bastante em chegar em Uberlândia com o corpo descansado para a Romaria.

Comecei a assistir ao clássico Cleópatra (1963), mas só consegui ver a primeira parte, pois são 248 minutos de filme. Acabei escolhendo algo que me transportasse para outros ares neste fim de semana. Agora tenho que ver a outra metade, mas não sei se consigo antes de viajar para MG.

Bom, vamos encerrar o fim de semana. Falei com os meus pais nesses dias e foi importante lembrar o quanto eu os amo e o quanto eles são importantes para mim.

William
Um leitor

domingo, 7 de agosto de 2016

Sobre a Vida no Planeta



Programa fantástico da BBC.

Refeição Cultural

Domingo, final de tarde e início de noite em Brasília, cidade enfiada no Estado de Goiás (divisões políticas à parte).

Acabei de assistir a um programa sobre natureza (Planeta Terra) que sempre mexe comigo e me põe a pensar na existência minha e de todo o planeta. "Vida" é uma série da BBC feita em 2009 (ler AQUI) que aborda as estratégias que os seres vivos adotam para sobreviver, se alimentar e se reproduzir no Planeta Terra.

É impressionante o quanto é complexa a vida na terra. É revelador, para quem busca esse conhecimento, o quanto uma vida depende da outra, tanto para sobreviver em cooperação, quanto para sobreviver se alimentando uma vida da outra.


Ver um programa como a série "Vida" nos dá uma noção das
estratégias para esses ipês amarelo e lilás serem o que são.

Nós somos animais mamíferos e assim como nós existem milhões de outros seres com estratégias fantásticas de sobrevivência na Terra. Aliás, nós primatas estamos atrás de muitos seres no reino animal e vegetal, se pensarmos sob a ótica da longevidade da espécie.

Não sei sobre o amanhã, ninguém sabe, mas sei hoje que tenho que ter humildade para entender o quanto a nossa vida é fugaz, é de instantes. Já tenho dúvidas se somente nós humanos sabemos e refletimos a respeito de passado, presente e futuro por causa da nossa capacidade cerebral e racional. 

Ao ver o que há de conhecimento acumulado sobre o estudo da natureza neste século 21, ficamos impressionados com uma certa organização sistêmica em favor da vida no Planeta. Nós humanos não somos o centro das coisas, não somos. Se um vírus nos extinguir, somos um nada, uma insignificância nos reinos existentes aqui.


Belo ipê levando sua vida ao
lado do Eixão em Brasília.

Nesses momentos é que vejo o quanto é imbecil todo o processo de destruição recíproca na sociedade humana. Nós somos muito burros, apesar de cientificamente nos classificarmos como 'racionais'. Deveríamos nos ajudar uns aos outros para enfrentarmos as dificuldades inerentes ao viver, e não o contrário.

É meu dever tentar compreender os humanos e ainda conviver com eles e buscar contribuir para uma sociedade humana melhor. Mas não é fácil. Confesso!

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Tenho escrito mais nos últimos meses. Eu sei que ao menos meu pai lê este blog. Sei que alguns amigos e companheiros de trabalho também o leem. Como não pude ser literato e viver das letras, nem fui professor de nada, estou filosofando por escrito em local aberto à leitura de qualquer ser humano no Planeta. É uma espécie de memorial que deixo registrado.

William Mendes
Filho, pai, irmão, marido, tio, sobrinho, amigo

Sobre José J. Veiga, por Silviano Santiago


Ver Silviano Santiago falar sobre o grande escritor goianiense J. J. Veiga foi uma aula fantástica para mim.

Até recentemente, nunca havia lido uma obra do autor. Em janeiro de 2016, li finalmente Os Cavalinhos de Platiplanto (1959). Me identifiquei na hora com a obra e o estilo. Em seguida, seu romance mais famoso, A Hora dos Ruminantes, se apresentou a mim quando eu olhava uma estante na livraria. Já o li.

Comprei mais dois livros dele pela internet e agora, também quase de forma fantástica, pois não foi programada, adquiri mais seis livros dele estando em Goiânia. Vou ler as 10 obras de José. J. Veiga.

Se vocês assistirem ao vídeo da Companhia das Letras, com Silviano Santiago falando sobre o autor e sua obra, vão entender que a leitura neste momento por que passamos no Brasil e no mundo é uma necessidade inadiável. Inadiável!

Abraços, William


sábado, 6 de agosto de 2016

Ortodoxias liberais quebram economias e seguem sendo aplicadas pela direita fascista





"Economistas que aconselhavam que se deixasse a economia em paz, governos cujos primeiros instintos, além de proteger o padrão ouro com políticas deflacionárias, era apegar-se à ortodoxia financeira, aos equilíbrios de orçamento e à redução de despesas, visivelmente não tornavam melhor a situação. Na verdade, à medida que continuava a Depressão, argumentava-se com considerável vigor, entre outros por J. M. Keynes - que em consequência disso se tornou o mais influente economista dos quarenta anos seguintes -, que tais governos estavam piorando a Depressão. Aqueles entre nós que viveram os anos da Grande Depressão ainda acham impossível compreender como as ortodoxias do puro mercado livre, na época tão completamente desacreditadas, mais uma vez vieram a presidir um período global de Depressão em fins da década de 1980 e na de 1990, que, mais uma vez, não puderam entender nem resolver..." (página 107)


Estou relendo o capítulo 3 da Era dos Extremos - Rumo ao abismo econômico

Neste trecho acima, Hobsbawn descreve impressionado como os governos dos anos 80 foram tão estúpidos em repetir as receitas ortodoxas dos economistas liberais dos anos 20 e 30 porque aprofundaram crises fazendo o inverso do que as políticas keynesianas defendiam.

Eu escrevi na aba do livro: - Hobsbawn, a mesma imbecilidade está acontecendo agora em 2016, após o Golpe de Estado perpetrado por empresários de comunicação e parte da burguesia vira-latas brasileira, e obviamente os partidos de direita como o PSDB e asseclas...

Ou seja, os desgraçados golpistas, por não aceitarem a 4ª vitória eleitoral do PT à presidência, levaram adiante a derrubada do governo e a quebra da economia brasileira, e agora, em poucas semanas sentados no poder, estão seguindo a receita liberal que quebrou o mundo nos anos 30, quebrou o mundo nos anos 80 e 90 e agora segue quebrando o mundo e o Brasil. Fazem isso somente para ganhar uns tostões como butim por entregar nosso patrimônio aos estrangeiros e porque são adoradores do estrangeiro e lesa-pátrias.

Durante os governos do PT, principalmente nos governos Lula e no primeiro governo Dilma, o Brasil aplicou políticas anticíclicas no auge da nova etapa da crise do capital, após a crise do subprime em 2008, e por anos seguidos manteve baixos níveis de desemprego com aumento da renda do trabalho, via aumentos reais do salário mínimo e das aposentadorias baseadas no salário mínimo, políticas sociais de inclusão e distribuição de renda e programas desenvolvimentistas como o PAC, Minha Casa Minha Vida, dentre outros. Incluiu dezenas de milhões de pessoas no consumo das mercadorias básicas da cidadania e o país teve uma economia interna pujante enquanto o mundo lá fora já sofria com a crise.


"Mesmo assim, esse estranho fenômeno deve lembrar-nos da grande característica da história que ele exemplifica: a incrível memória curta dos economistas teóricos e práticos. Também nos dá uma vívida ilustração da necessidade, para a sociedade, dos historiadores, que são os memorialistas profissionais do que seus colegas-cidadãos desejam esquecer" (página 107)


Hobsbawn termina lamentando a falta que faz os governos e lideranças políticas, assim como os cidadãos, conhecerem um pouco mais de história para não ficarem eternamente repetindo erros que destroem países e populações.


William

Cinismo - ante-sala do fascismo



Anoitecer de 06ago16... pensando
no cinismo de parte do povo brasileiro
pós golpe articulado pelos donos da
mídia monopolizada, que vem criando
um leitor-telespectador vil e cínico.

Refeição Cultural - indigestão

Estou no silêncio de minha sala. Vi o Por do Sol e o anoitecer.

Pensando com preguiça (mentira, é desilusão mesmo!) sobre o mundo e sobre meu mundo com o novo povo brasileiro pós Golpe de Estado. Como nos dividimos hoje? Não sei, estou sem vontade de dizer o que penso.

Quando estudei Educação Física por dois anos, entendi muito melhor a importância dos Jogos Olímpicos da modernidade, iniciados a partir de 1896, retomando ideais das Olimpíadas gregas de séculos antes.

Eu não tive nenhum interesse em ver absolutamente nada da primeira Olimpíada na América Latina, em meu querido país Brasil. Ligar as teletelas dos articuladores do novo golpe contra a democracia e o povo brasileiro me dá vontade de vomitar. Eu me nego a fazer parte da manipulação cínica em que vivemos o brazil do temer-moro-globo-veja-fiesp-serra-stf-pf-mpf-cunha-jornais-fascistas-e-lixos-afins.

Pulitzer nos avisou da imprensa cínica e canalha que transforma e conduz os leitores-ouvintes-espectadores que alcança para um padrão de comportamento com cinismo e mau-caratismo. Chegamos ao ponto. Apesar do efeito do cinismo e pregação de direita e fascista atingir todas as classes sociais, inclusive as vítimas, na "classe média" em que convivo, o efeito do cinismo fascista é exponenciado e desalentador.

Os manipuladores da mídia dizerem que as Olimpíadas no Brasil e a Copa do Mundo não são uma conquista a partir do prestígio de Luiz Inácio Lula da Silva e do salto evolutivo que o Brasil teve durante os governos do PT em todos os sentidos sociais, políticos e econômico (até que decidiram quebrar o país por não aceitarem a 4ª eleição do PT) é de um cinismo nauseabundo por parte dos donos de todos os meios de comunicação que manipulam o povo de meu país. Consequentemente penso o mesmo de todos os cidadãos que replicam essa ideia cínica (até onde eu separo sinceridade de cinismo?) que eu não sei mais o que dizer no meio em que convivo, a não ser falar da Cassi, que é meu papel social do momento. Somos judeus na Alemanha de 1933... 1936... 1938... (espero que não cheguemos a 1942... 1944...)


Ler e conhecer a história da
sociedade humana nos dá uma
noção tão clara das coisas... mas
pouca gente gosta de história...

Tenho lido bons artigos com conteúdos formativos sobre o que estamos vivendo no Brasil, nos sites Carta Maior, Brasil 247, Revista Fórum, Carta Capital, Vi o Mundo, Blog da Cidadania, mas esses pontos de luz são como pirilampos no meio da noite. Não iluminam o ambiente onde está a massa que bebe no fascismo dos meios comunicativos dos articuladores do golpe.

Como diz minha esposa, que adianta artigos tão bons se ninguém lê, se todo mundo só vai ter acesso ao que os golpistas publicam...

Hoje estou folheando Hobsbawn e a Era dos Extremos... É tão igual o cenário hoje e ontem da ascensão do nazi-fascismo... já estamos vivendo isso. Só faltam algumas etapas porque o tempo das tragédias é diferente do tempo dos dias de nossas vidas humanas limitadas.

William

sexta-feira, 5 de agosto de 2016

Diário - 050816


Olha o que eu estou levando da terra de José J. Veiga...

Madrugada de sexta-feira iniciando. É hora de dormir porque vou levantar bem cedo.

Nesta quinta tive um dia intenso de trabalho aqui em Goiânia. Eu confesso que só parei de trabalhar agora à meia-noite. E comecei a trabalhar às 8 horas da manhã... são 16 horas de dedicação à gestão de nossa entidade de saúde dos funcionários do BB, que represento.

Eu estava revendo e dando os últimos retoques na apresentação que farei na Conferência de Saúde da Cassi em Goiás. Acho muito importante fazer uma exposição que contribua com informações claras e corretas aos participantes de nossa Caixa de Assistência.

Bom, encerrando o dia.

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Ganhei hoje esse presente emocionante de nossa equipe de trabalho
da Unidade Cassi Goiás. Nossa energia para lutar pelas coisas que
acreditamos vem dos momentos mais simples e singelos. Obrigado!

Só registro alguns instantes bem legais, desses que a vida reserva, às vezes, por acaso e nas horas menos esperadas possíveis.

Eu estava numa correria danada aqui na terra do escritor José J. Veiga. Tinha pensado em ir numa exposição permanente dele no Sesc de Goiânia. Imagina se eu teria tempo de algo mais que trabalhar...

De repente, parado na frente do BB que havíamos acabado de fazer uma reunião, e esperando o táxi para retornar à Cassi e seguir nossa agenda de trabalho, vi duas livrarias de livros usados (sebo) e pensei: - vai que eu encontro livros do José J. Veiga...

Atravessei a rua e entrei na primeira. Perguntei e achei um livro que eu não tinha. Comprei. Fui até a outra do lado e perguntei de novo. Achei 5 livros dele. Fiquei muito contente! Eu não vou embora de Goiás sem algo de José J. Veita!!! Foi um instante de meu dia.


"Flávio Lúcio Pereira disse...

Olá amigo William, tudo bem? É chegado o tempo de mais uma caminhada. Estamos com aquela expectativa gostosa de como será esse ano. Vamos sair na sexta a noite esse ano. E você, planeja ir quando? Esperamos que tudo corra bem e que vc cumpra seu objetivo com muita paz e segurança.

Abraços e boa viagem!"


Agora à noite, vi que uma pessoa, um romeiro de Uberlândia, deixou uma mensagem bonita a mim, desejando boa sorte na caminhada de 75 km da semana que vem. Fiquei tão surpreso! Fiquei emocionado... eu não o conheço e ele leu um texto meu da romaria anterior e se lembrou de vir me desejar uma boa caminhada. Que legal! O mundo anda tão ruim, tão duro, e tem pessoas assim, ainda solidárias.

E fechei meu dia ganhando uma lembrança muito bonita de nossa equipe da Cassi Goiás. Obrigado e agradeço de coração.

Boa noite a todos vocês da classe trabalhadora e pessoas que pensam um mundo mais justo, mais solidário, mais tolerante e com mais amor.

William

segunda-feira, 1 de agosto de 2016

Diário - 010816


Libertinagem é DEMAIS!

Instantes de relaxamento em prol de minha saúde física e mental

Segunda-feira, estou em Brasília. Parei de trabalhar depois das 21h. Foram 12 horas de trabalho.

Para relaxar um pouco, aproveitei que estou sozinho para voltar aos velhos tempos sem incomodar ninguém (talvez os vizinhos).

Ouvi um pouco de música, sempre, sempre, de minha época de ouro musical, anos oitenta e noventa. Comecei com David Bowie e depois enveredei pelo pop.

Após uma hora de boa música, fiz o que tinha hábito em minha época da Faculdade de Letras. Catei meu livro do Manuel Bandeira e reli inteiro Libertinagem...

Na verdade, declamei em voz alta, interpretei os poemas de Bandeira. Relembrei meus tempos de sarau!

Foi bem legal reler este clássico da poesia modernista brasileira!


Gente, poemas antológicos: Andorinha, Profundamente, Vou-me embora pra Pasárgada, Evocação do Recife, Belém do Pará, Porquinho-da-Índia, Poética...

Fica aqui o que mais marca o momento de meu eu, de minha vida.


"O Cacto - Manuel Bandeira


Aquele cacto lembrava os gestos desesperados da estatuária:
Laocoonte constrangido pelas serpentes,
Ugolino e os filhos esfaimados.
Evocava também o seco Nordeste, carnaubais, caatingas...
Era enorme, mesmo para esta terra de feracidades excepcionais.

Um dia um tufão furibundo abateu-o pela raiz.
O cacto tombou atravessado na rua,
Quebrou os beirais do casario fronteiro,
Impediu o trânsito de bondes, automóveis, carroças,
Arrebentou os cabos elétricos e durante vinte e quatro horas
            [privou a cidade de iluminação e energia:

- Era belo, áspero, intratável."



William
Cidadão