domingo, 4 de dezembro de 2016

Diário e reflexões - 041216



Lendo minha maior referência, o escritor do Cosme Velho...

Refeição Cultural - Memorial

Domingo. Meu corpo não quer sair para correr. Estou quebrado, corpo pedrado. Se eu insistir na tentativa do exercício físico sem ouvir meu corpo, posso lesionar e não correr a São Silvestre daqui a algumas semanas. Que dilema!

Acho que estou me matando de trabalhar pela causa para a qual me destacaram no ano de 2014: me colocar à disposição do processo eleitoral da Caixa de Assistência dos Funcionários do Banco do Brasil, ser eleito e dedicar toda a minha experiência e energia para a causa da saúde, da autogestão em saúde e para a defesa dos direitos dos associados da Cassi. Estou fazendo isso, mas a um custo pessoal e familiar altíssimo.

Finalizei mais uma semana de trabalho com jornadas de dedicação que me absorvem os turnos da manhã, tarde e noite. E mais, tem sido assim desde o início do processo eleitoral e após a posse para o mandato. Decidi conjugar a luta interna da gestão com a manutenção do trabalho nas bases sociais da Cassi: o País.

Como atuei em diversas áreas durante nossos mandatos em nome dos trabalhadores, pois estivemos envolvidos com organização do movimento, gestão de estruturas, coordenação de negociações, comunicação, formação e história, decidimos fazer um mandato na Cassi aproveitando esses conhecimentos que adquirimos ao longo de nossa história de representação.

Percebemos em nosso mandato na Cassi um enorme desconhecimento de todos sobre o que é esta entidade de saúde de autogestão, como ela deve funcionar para oferecer Atenção Integral à Saúde com base em atenção primária, e o que é necessário para que ela funcione bem no cumprimento de sua missão. O desconhecimento é geral, abrange todos os segmentos de associados e de suas entidades representativas, bem como o próprio patrocinador patrão e seus representantes institucionais.

Ao fazer a análise desse cenário de desconhecimento da entidade por parte de seu público alvo, decidimos incluir no nosso planejamento estratégico do mandato o trabalho focado de levar informações qualificadas sobre a Cassi às representações dos associados e do patrocinador Banco do Brasil. Juro que estamos seguindo fielmente esse objetivo desde 2014.

Estou revisitando nosso percurso nesse período de 2014, 2015 e 2016. Como tenho mania e gosto por história, hábito que levei para o movimento sindical desde 2002, quando fui eleito diretor do Sindicato dos Bancários de São Paulo, Osasco e região, acabei me dedicando à Cassi com o mesmo gosto pela história da instituição.

Eu me lembrei semanas atrás, quando comecei a reler as anotações e percurso no mandato de representação na Cassi, dos dois últimos livros de Machado de Assis, lançados já na última fase de sua vida: um lançado em 1904 (Esaú e Jacó) e outro lançado no ano de seu falecimento, 1908, Memorial de Aires.

Eu já estava revendo mês a mês a minha atuação no mandato da Cassi quando decidi pegar para ler o último romance de Machado, que por sinal eu não havia lido ainda. Até o momento, está muito interessante a leitura do Memorial de Aires. O legal é que é muito semelhante ao formato de meus diários e reflexões, que faço há anos. A menor parte de minhas reflexões é a que escrevo nos blogues. 

Enfim, eu acho importante que haja registros da história de lutas da classe trabalhadora, de suas instituições, de suas derrotas e vitórias. O Brasil está passando por uma de suas piores fases políticas em décadas, num movimento pendular clássico, logo após um outro momento de maior ascensão da classe trabalhadora com os governos do Partido dos Trabalhadores.

Chega, porque o texto já superou a capacidade de paciência dos humanos em tempos de pouca análise e reflexão.

William

sábado, 3 de dezembro de 2016

Brasil, uma província do império americano?!


Apresentação do blog:


Olá leitores amig@s, recomendo a leitura deste excelente artigo do diplomata brasileiro Samuel Guimarães a respeito do processo de desfazimento do país que vínhamos construindo a partir de 2003. É uma aula de história, política, economia e explicação sobre disputas de hegemonia no Planeta. As lideranças da classe trabalhadora precisam compreender o que está se passando para deixarem as disputas internas e vaidades de lado e construírem unidade de classe para salvar o Brasil e os brasileiros.

Se gostarem, compartilhem com seus pares.

Abraços, William


(artigo de 02/12/16 da RBA, com fotomontagem do Vi o Mundo)




A contrarreforma de Temer e das classes hegemônicas

Conspiração dos conservadores busca dominar o poder político, e as eleições de 2018 agora são um de seus objetivos para consolidar o país como “província” agroindustrial do império norte-americano


1. De 1500 a 2003, as classes hegemônicas brasileiras, estreitamente vinculadas às classes hegemônicas das metrópoles coloniais, hoje às classes hegemônicas dos Estados Unidos, organizaram a economia, a sociedade, o sistema político e o Estado brasileiros de acordo com seus interesses e em seu benefício.


2. A extrema concentração de riqueza e de renda, a situação de pobreza de grande parte da população, as condições de saúde, alimentação, saneamento, educação, transporte, segurança e cultura da enorme maioria demonstram cabalmente que a organização da sociedade feita pelas classes hegemônicas não beneficiou e não beneficia a esmagadora maioria do povo brasileiro.


3. Em 2003, com a vitória, de forma democrática e legítima, do Partido dos Trabalhadores e de seu candidato, Luiz Inácio Lula da Silva, torneiro mecânico e líder sindical, essas classes hegemônicas perderam parte, apenas parte, do controle que exerciam sobre a sociedade, a economia e o Estado brasileiros.


4. O Presidente Lula desenvolveu programas sociais de grande alcance e impacto; criou melhores condições de competitividade para as empresas de capital nacional; ampliou o sistema educacional em termos de número de estudantes e de condições de acesso; ampliou o sistema de saúde por meio do SUS, da Farmácia Popular e outros programas; expandiu as exportações; fortaleceu a agroindústria e a agricultura familiar; manteve sob controle a inflação; ampliou o crédito de forma notável; fortaleceu os programas estratégicos das Forças Armadas; reduziu a vulnerabilidade do país ampliando as reservas monetárias; fez uma política externa altiva e ativa, expandindo as relações políticas e econômicas com todos os Estados, desenvolvidos e subdesenvolvidos, e promoveu a integração sul-americana.


5. O Presidente Lula terminou seu segundo mandato em 2010, com 87% de aprovação popular e elegeu sua sucessora, Dilma Rousseff.


6. Desde então se iniciou uma conspiração das classes hegemônicas com o objetivo de recuperar totalmente, em 2014 ou em 2018, o Poder político e econômico.


7. Desta conspiração participaram políticos envolvidos em denúncias de corrupção; os partidos de oposição, inconformados com a derrota em 2014; políticos conservadores; o próprio vice-presidente Michel Temer; os meios de comunicação, em especial o sistema Globo, com suas dezenas de estações de televisão, de rádios, jornais e revistas; o Poder Judiciário, desde o Juiz Sergio Moro, disposto a praticar atos ilegais de toda ordem, aos Ministros do Supremo que, podendo e devendo, não o disciplinaram; os interesses estrangeiros que viram, nas dificuldades econômicas e políticas, a oportunidade de reverter políticas de defesa das empresas nacionais para promover a redução do Estado e a abertura aos bens e capitais estrangeiros, inclusive para explorar seu maior patrimônio natural que é o petróleo do pré-sal; do mercado financeiro, isto é, dos grandes investidores, milionários e rentistas, temerosos de uma política de redução de taxas de juros; das associações de empresários como Fiesp, Febraban, CNI, CNA; dos defensores de políticas de austeridade que visam ao equilíbrio fiscal pela redução do Estado, dos programas sociais, dos investimentos do Estado, dos direitos trabalhistas e previdenciários e, finalmente, de economistas e jornalistas, intérpretes, porta-vozes e beneficiários desses interesses.


8. A partir de 2010, e em especial a partir de 2014, a estratégia das classes hegemônicas para recuperar o poder se desenvolveu em várias etapas:

• fazer o governo adotar o programa econômico e social do “mercado”, isto é, da minoria multimilionária e de seus associados externos;

• ocupar os cargos de direção da administração pública (Ministérios, Secretarias Executivas, agências reguladoras) com representantes do “mercado”;

• enfraquecer política e economicamente o governo;

• enfraquecer o PT e os partidos progressistas com vistas às eleições de 2018;

• aprovar leis de interesse do “mercado”;

• e, se nada disso ocorrer, fazer o governo “sangrar” e aí, então, se necessário e possível, exigir e promover o impeachment da presidente.


9. Entre a classe política, 367 deputados e 61 senadores, muitos deles acusados de corrupção, representantes dos setores mais conservadores, dos indivíduos (e empresas) mais ricos em uma das sociedades mais desiguais do mundo e dos interesses estrangeiros mais vorazes, anularam o resultado de eleições em que 54 milhões de brasileiros escolheram a presidente Dilma Rousseff e, assim, interromperam a execução de um projeto de desenvolvimento social, econômico e político do Brasil que se iniciara em 2003.


10. Derrubado o governo Dilma, de forma jurídico-processual e com a conivência do Judiciário, se inicia a grande reforma econômica e política de Temer, em realidade uma contrarreforma, com inspiração e amplo apoio das classes hegemônicas e de seus aliados no Poder Judiciário, no Legislativo, no Ministério Público e na Polícia Federal.


11. A contrarreforma econômica conservadora de Temer, como representante e executivo das classes hegemônicas brasileiras, em estreita sintonia com as classes hegemônicas dos países desenvolvidos, em especial dos Estados Unidos, significa a adoção definitiva das políticas preconizadas pelo Consenso de Washington:

• abrir a economia do ponto de vista comercial e financeiro, unilateralmente e sem contrapartida;

• privatizar (desnacionalizar) as empresas estatais;

• desregulamentar (ou regulamentar de forma favorável ao capital) as atividades econômicas;

• manter uma política tributária favorável (regressiva) ao capital nacional e estrangeiro;

• desestimular o desenvolvimento industrial e desarticular as empresas nacionais de maior porte, estatais ou privadas, a começar pela Petrobras;

• reduzir o Estado ao mínimo e aniquilar sua capacidade de regulamentar a atividade econômica e de proteger os trabalhadores e os excluídos;

• “flexibilizar”, “modernizar”, o mercado de trabalho em favor do capital;

• consagrar essas políticas na legislação, de preferência constitucional.


12. Os principais instrumentos para a execução dessas políticas são:

• PEC 241, que se tornou PEC 55 no Senado e congela, durante vinte anos, de forma absolutamente antissocial, antidemocrática e inconstitucional, as despesas primárias do Estado e libera totalmente as despesas financeiras, isto é, o pagamento dos juros e da amortização da dívida pública;

• a reforma da Previdência e sua privatização;

• a revisão da legislação trabalhista em benefício do capital, isto é, das empresas;

• a desvinculação geral de despesas do Estado em relação ao salário mínimo;

• a utilização do BNDES para financiar as privatizações e a restrição de crédito para a empresa brasileira.


13. Este programa econômico, de extraordinária amplitude e profundidade, vem sendo executado:

• sem mandato popular;

• com a conivência do Judiciário;

• com a conivência da maioria do Legislativo, em parte devido à sua convicção conservadora, em parte corrupto e em parte “aliciado” pelo governo Temer.


14. Este programa conservador e ultraneoliberal, que dá continuidade ao programa iniciado pelos governos Fernando Collor e depois Fernando Henrique, que fracassaram, será consagrado, eventualmente, por acordos de livre comércio com as Grandes Potências industrializadas, a começar com a União Europeia, a que se seguirão acordos com os Estados Unidos e o Japão, e também com a China.


15. Com a execução dos programas da contrarreforma de Temer e com sua consolidação internacional por meio de eventuais acordos de “livre comércio”, o Brasil se consagraria definitivamente como o “celeiro do mundo” e uma “província” agroindustrial do império norte-americano e das filiais de megaempresas multinacionais instaladas no Brasil para exploração de seu mercado interno e do mercado regional.


16. Resta às classes hegemônicas um obstáculo importante a vencer para garantir que este conjunto de políticas econômicas e sociais não venha a ser derrotado e derrubado pela vontade popular.


17. Este obstáculo seria a possibilidade de eventual vitória nas eleições presidenciais de 2018 de um candidato progressista, nacionalista e independente.


18. Assim, pretendem Temer, seus mestres e seus acólitos:

• acelerar a aprovação de seus projetos econômicos e sociais no Legislativo;

• desmoralizar e fragmentar os partidos de esquerda;

• demonizar e desmoralizar os líderes de esquerda;

• despolitizar a população;

• criminalizar os movimentos sociais;

• conter a insatisfação popular por meio de métodos de violenta repressão policial e eventualmente adotar o voto facultativo, o parlamentarismo e o voto distrital.


19. Existe apenas um candidato viável das forças progressistas a Presidente da República, que é Luiz Inácio Lula da Silva.


20. Esta é a razão do ataque quotidiano e incessante dos órgãos da grande mídia a Lula, com a orquestração cuidadosa dos vazamentos de delações não comprovadas, e das ações espetaculosas da polícia, permitidas e promovidas pelo juiz Sergio Moro e pelos procuradores do Ministério Público de Curitiba, com a conivência do STF em conjunto e de cada um de seus ministros.


Samuel Guimarães: A contrarreforma de Temer visa tornar o Brasil uma “província” agroindustrial do império norte-americano e das multinacionais


21. Somente a união das forças progressistas, nacionalistas e de esquerda da sociedade brasileira; dos líderes sindicais e dos movimentos sociais; dos estudantes e suas organizações; dos intelectuais, dos cientistas, dos professores, dos médicos; dos militares nacionalistas e progressistas; dos artistas e dos empresários nacionais, em defesa do Presidente Lula, da democracia e de um programa de desenvolvimento econômico, social e político do Brasil poderá fazer com que a sociedade brasileira, a principal interessada e vítima desta conspiração das classes hegemônicas, de seus associados estrangeiros e de seus representantes, seja ouvida e que este processo seja barrado no Congresso Nacional e no Judiciário.


Samuel Pinheiro Guimarães é diplomata brasileiro e mestre em Economia pela Universidade de Boston

sábado, 26 de novembro de 2016

Sinais de um tempo que se encerra e não sabemos o que vem por aí



Fidel Castro - Créditos da foto - Montagem sobre
 foto de Javier Galeano - AP.

Refeição Cultural

O grande líder da Revolução Cubana, o Comandante Fidel Castro, faleceu na noite de sexta-feira, 25 de novembro de 2016. Nós do campo da esquerda perdemos uma de nossas principais referências mundiais, um dos intelectuais do campo progressista e liderança da classe trabalhadora que viveu e influenciou nossos pensamentos e atitudes entre os séculos XX e XXI.

A sociedade humana passa por um momento delicado em relação aos riscos que estão colocados para a classe trabalhadora explorada pelos donos das corporações que mandam em todo o Planeta.

Eu sou um simples cidadão do mundo, de um país latino-americano, o Brasil, ex-colonia cujo povo tenta ser feliz e viver melhor faz séculos e os descendentes dos imperialistas que aqui chegaram para explorar essa terra não deixam que isso aconteça. Temos uma pequena elite vira-latas, lesa-pátria, que nunca foi nacionalista, nunca se importou com esse País e seu povo.

Durante alguns anos dentro desses séculos, alguns governantes tentaram valorizar mais o Brasil e o povo brasileiro, e por incomodarem esses poucos donos de tudo, acabaram por serem retirados do poder por golpes de estado, desfazendo-se o pouco de políticas e benfeitorias com destinação ao povo humilde e trabalhador.

Vi e vivi num Brasil que teve governos ditatoriais por duas décadas, e os donos das mídias comerciais eram parceiros desses ditadores. Depois vi e vivi sob os governos de representantes dessa mesma elite vira-latas, senti a vida dura sob os governos deles em nosso País, os governos Sarney, Collor e Fernando Henrique Cardoso. Eu e minha família e toda a minha classe só nos ferramos com esses governantes, sempre ao sabor das lavagens cerebrais da Rede Globo (Marinhos), dos Civita (Abril), dos Mesquita (Estadão), dos Frias (Folha Ditabranda).

Como militante de esquerda e representante dos trabalhadores, vi e vivi e participei da construção da chegada ao poder dos governos de Lula da Silva e Dilma Rousseff entre os anos de 2003 a 2016. O Brasil avançou para o nosso lado da classe como nunca na história desta ex-colonia. Os dados dos avanços em todas as áreas da dimensão humanas são públicos, mas são encobertos pela máquina totalitária e de lavagem cerebral dos empresários da velha e sempre poderosa mídia que fodeu o povo brasileiro por quase todo o século XX. 

Esses canalhas donos dos velhos e ainda poderosos meios de comunicação, aproveitando a facilidade em manipular pessoas num mundo de predominância da informação de massa monopolizada, e ainda virtual, além das redes sociais, conseguiram por influência colocar nos aparelhos da máquina estatal os piores tipos humanos em décadas, nas estruturas dos três poderes.

É nesse momento de nossa história que estamos. A morte de Fidel Castro é um evento que se encaixa neste cenário histórico. A morte de Hugo Chaves foi algo assim. Eu senti muito também a morte do historiador Eric Hobsbawn faz pouco tempo e do escritor português José Saramago. Acho que eram pessoas diferenciadas neste nosso mundo.

É muito incerto o que vem por aí. Temos uma forte ascensão de ideologias fascistas, de intolerância, de ódio e de caráter direitista. Temos um povo com cara na tela que não sei até onde temos capacidade de despertá-los para o que está ocorrendo com o mundo.

Estou num país que em poucos meses de golpe de estado vem destruindo direitos sociais conquistados em décadas e décadas de lutas civis e trabalhistas. Eu não vejo sequer uma tentativa de reação unitária e incomodativa dos movimentos organizados e populares como os sindicatos e partidos de esquerda. Não vejo.

As próximas semanas serão de estudos, revisões, balanços e reflexões sobre o último período que vivi, tanto na área de atuação como dirigente de saúde eleito por trabalhadores, quanto na minha dimensão pessoal. Preciso olhar e planilhar o que fiz, do que participei, o que tentamos fazer, porque estou esgotado de tanto trabalhar e lutar no fronte em que fui destacado por meus pares.

Sinto que estamos no fim de um tempo, no encerramento de um período da nossa vida social e humana.

William

domingo, 20 de novembro de 2016

A leitura e a escrita para dar sentidos à existência



Vamos achando um jeitinho de ler, porque ler é fundamental.

Refeição Cultural

Neste sábado, 19 de novembro, acabei a leitura de mais um livro lido em 2016. O livro foi presente da amiga Lorena, que vive em Belém do Pará. Nos conhecemos durante o percurso formativo que empreendemos na Contraf-CUT. Apesar de não termos nos encontrado, ela me enviou por um companheiro de lutas, o belo livro "Dois irmãos", do amazonense Milton Hatoum.

Acabei neste domingo a leitura de outro belo presente que ganhei do grande companheiro e amigo Jacy Afonso - "Não nascemos prontos", do filósofo Mario Sergio Cortella. Quanta sabedoria adquirimos em gotas a cada "pensata" lida neste livro.

Estou quase terminando o livro "A tristeza pode esperar" que ganhei de presente do amigo Maeda, quando estive em Porto Alegre em 2014. A leitura não é para ser feita em poucas sentadas, porque o médico e professor J. J. Camargo vai nos relatando dezenas de casos e relacionamentos do convívio entre médico e paciente que nos deixam meio chocados e deprimidos, e às vezes alegres.

Que dizer do belo livro que ganhei da esposa no mês dos namorados e que li entre os dias 11 e 12 de junho - "Um velho que lia romances de amor", do chileno Luis Sepúlveda (ler AQUI). Neste livro, mergulhei no cenário amazônico, assim como na estória que acabei de ler ontem, do escritor Milton Hatoum.

Em relação a livros presenteados recentemente, também li o belo "De jogos e festas", do escritor goiano José J. Veiga, autor que decidi pegar para ler a obra completa neste ano (ou a partir deste ano) e do qual já consegui ler sete livros. Ganhei este presente de nossa equipe de funcionários da Cassi Rondônia.

A insistência em ler é algo que não posso abdicar em minha vida, por mais difícil que seja minha rotina. 

Ganhei outros livros de presente que não pude ler e eles entrarão na lista de tentativas de leitura no próximo período de minha vida porque ler é preciso. 

Comecei a ler um dos volumes gigantes de "A comédia humana", de Balzac, que ganhei de minha esposa. Li quase duzentas páginas das "Ilusões perdidas". Mas não deu pra continuar. Acabei de ganhar do colega Irineu Roque Zolin, mais um livro interessante, de contos: "O BB de bombachas", comemorando os cem anos do Banco no Rio Grande do Sul. Também ganhei do Jacy Afonso outro livro neste ano, mas a leitura começada não será seguida porque o tema é para outros tempos.

Enfim, entre livros ganhos de presente e livros adquiridos, acho que terei lido bastante ao final deste ano, mesmo sendo um dos anos em que mais trabalhei em minha vida.

Só para se ter uma ideia do que temos feito neste ano em termos de produção intelectual, outra função importante que exigi a mim mesmo desde que virei representante eleito por trabalhadores, ou seja, a função de escrever e compartilhar conhecimento e opiniões, já escrevi neste ano nos blogs que temos, 310 postagens. É uma produção gigante, eu mesmo fiquei surpreso ao fazer um rápido apanhado.

Nosso intuito ao escrever sempre foi e continuará sendo partilhar tudo que aprendemos nesta nossa existência como cidadão do mundo e registrar nossa passagem pela história viva de nossa categoria e pelas lutas que empreendemos como apenas mais um cidadão trabalhador.

É isso!

William

sexta-feira, 18 de novembro de 2016

Diário e reflexões - 181116



Instante de interação com pessoas no mundo real.

Refeição Cultural

Sexta-feira. Acordei cedo pensando em escrever um texto antes de sair para a agenda do dia de trabalho aqui em Porto Alegre. Como me alonguei um pouco na leitura matinal de artigos nos sites progressistas nos quais me referencio, não sobrou tempo para fazer minha postagem ainda pela manhã.

Na quinta-feira à noite, havia voltado ao hotel cansado pela longa jornada de debates, apresentações e construções coletivas na área em que atuo: gestão de saúde em operadora de autogestão. 

Terminamos no final da tarde outro dia com jornada muito positiva de reuniões de fortalecimento de nossa Caixa de Assistência. Estou no aeroporto para voltar para Brasília.

Tenho uma sensação boa em relação aos dois dias de trabalho no Rio Grande do Sul. Acredito que fortalecemos a democracia, a participação social, o espírito de pertencimento e o apreço pela nossa Caixa de Assistência. 

Ao ler os textos formativos que li pela manhã, fiquei refletindo sobre fatos ocorridos recentemente relacionados com intolerância e violência: um pai que matou o filho com vários tiros e se suicidou em seguida por não gostar do envolvimento do jovem com movimentos sociais; um dos jornalistas do Grande Irmão Globo agredido pela população em ato de rua no Rio de Janeiro aos gritos de "o povo não é bobo, abaixo a Rede Globo"... enfim, vejo que seguimos para tempos sombrios na sociedade humana.

Gostaria de escrever e refletir também sobre a questão das bolhas. Sim, bolhas. Tenho lido textos elucidativos sobre o efeito das bolhas em que passamos a viver com o advento dos algoritmos nas redes sociais como o Facebook. Nosso mundo virtual é feito de gente que pensa igual a gente. O problema disso é nós esquecermos o mundo real lá fora, na vida verdadeira. Quando lidamos com gente de carne e osso presencialmente, que pensa diferente de nós... aí é que temos que exercitar a tolerância e lidar com a divergência que desacostumamos na rede social.

Enfim, o texto sobre as bolhas e a intolerância e violência crescentes fica para outro momento.

Apesar de viver nas bolhas como todo mundo, não abro mão de estar com as pessoas olho no olho, como estivemos ontem e hoje com os funcionários da Cassi, com lideranças do Banco do Brasil do Rio Grande do Sul e com associados da Cassi na Conferência de Saúde que participamos.

É muito bom o velho e tradicional relacionamento humano ali, direto, com cheiros e gestos, vozes e tonalidades, imprevistos e tudo mais do mundo humano.

William

quarta-feira, 16 de novembro de 2016

Destruição do Brasil - o povo organizado precisa reagir



(atualizado 20/11/16, às 2:27h)




"Se é de batalhas que se vive a vida..." (Tente outra vez, Raul Seixas)


Já é madrugada de quarta-feira, 16 de novembro de 2016.

Neste feriado de terça, passamos o dia em Brasília. Eu precisava muito descansar, não fazer nada. Na segunda-feira, saí da Cassi quase onze horas da noite.

Ao acordar, peguei para ler "A tristeza pode esperar", um livro de crônicas que ganhei do amigo Maeda, coordenador do Conselho de Usuários da Cassi Rio Grande do Sul. O livro é de autoria de um dos mais renomados médicos brasileiros na área de cirurgia de pulmão. Comecei a lê-lo quando ganhei o presente e ainda não terminei a leitura. São crônicas curtas que nos levam a muitas reflexões.

Após o intervalo para buscar pães e o café da manhã, retomei a leitura e parei para ver um vídeo lançado nesta semana sobre a tragédia que a Lava Jato causou ao Brasil e ao povo brasileiro. O vídeo se chama "Destruição a jato" (está no Youtube) e vale a pena procurar e ver. 

Até 2014, ou seja, até começarem os efeitos da tal Lava Jato, o Brasil era uma ilha no mundo, com quase pleno emprego, com distribuição de renda e ascensão social desde 2003; estava fora do mapa da fome no mundo; as empresas da construção civil e toda a cadeia produtiva relativa à extração de petróleo e gás eram as que mais se desenvolviam no mundo e ocupavam espaços de concorrentes estrangeiros; o Brasil tinha reservas em dólares como nunca dantes e não dependia mais do famigerado FMI...

Até que os pequenos grupos da elite secular decidiram interromper os avanços econômicos para mudar o cenário político. Deram um Golpe de Estado civil-midiático-parlamentar. Quebraram a economia brasileira para não permitirem mais o vigor da democracia, onde o povo decide o que é melhor para ele. Uma única "operação" da "justiça", um juiz e meia dúzia de fulanos do MPF interromperam e inviabilizaram dezenas de cadeias produtivas; desempregaram milhões e milhões de cidadãos brasileiros. O Brasil já havia passado o Reino Unido em termos econômicos. Nosso Pré-sal seria um fundo para o futuro do País como aconteceu na Noruega.

Para nós que somos oriundos do movimento sindical e social, que temos consciência política e não fazemos parte da massa manipulada pelos donos dos meios de comunicação empresariais e que participamos ativamente da construção de um Brasil melhor que surgiu após a ascensão à Presidência da República dos governos do Partido dos Trabalhadores, o vídeo nos emociona e nos revolta por ver tanta destruição em tão pouco tempo; destruição inconsequente da economia de um país só para interromper os avanços que a política e a democracia estavam trazendo ao povo sempre excluído das riquezas do País.

Eu chorei e fiquei muito abalado ao ver o vídeo. Acabei saindo para caminhar uma hora e refletir. É muito triste ver o que tão pouca gente fez com o nosso País (empresários donos dos meios de comunicação e seus pares capitalistas e funcionários públicos que se empoderaram das instituições estatais dos três poderes). Assim como a máquina de propaganda nazista de Goebbels guiou o povo alemão ao ódio contra os judeus e adversários entre os anos 30 e 40 do século XX, a velha Globo dos Marinho, mais os Frias, Mesquitas, Civitas et caterva comandaram a criação do ódio entre o povo brasileiro, ódio contra o PT, contra a esquerda e suas utopias libertárias e contra qualquer pessoa ou segmento que não partilhasse de suas ideologias empresariais e de direita.  

É desolador também ver que as lideranças populares de todos os segmentos sociais não conseguiram até agora se rearticularem e reagirem para enfrentar e derrubar esses grupos de lesas-pátrias que estão destruindo uma das principais nações do mundo: o Brasil.

Eu sinto um sofrimento que adoece e desanima, mas que não posso evitar. É o sofrimento de quem vê uma batalha de vida ou morte de toda a minha classe, a classe trabalhadora, contra os donos do poder e não pode fazer nada porque está numa outra frente de batalha e esta frente já me consome, já me dedico a ela com toda a minha energia vital. Fui designado para este front atual - um mandato de gestor em nome dos associados da Caixa de Assistência dos Funcionários do Banco do Brasil, uma autogestão em saúde que cuida de mais de 700 mil vidas. É por esta batalha que estou vivendo a minha vida. É nela que estarei focado com a mesma energia que iniciei o primeiro dia de mandato até o último dia lá no meio do ano de 2018. Nada me desviará do compromisso assumido com todos: associados, a instituição e seus funcionários, seu modelo de saúde, as entidades e lideranças que me colocaram nesta missão.


Lideranças devem deixar vaidades de lado e construírem estratégia e pauta unificada para retomar o Brasil

Eu tenho uma crítica e uma sugestão ao movimento organizado, tanto sindical como social e popular. A crítica é que se todas as lideranças dos movimentos sociais não colocarem de lado as suas vaidades, seus egos e seus egoísmos, e buscarem unidade com pauta prioritária de salvar o Brasil e os brasileiros, não servirão para nada no contexto de destruição rápida de nosso País e de nossos direitos históricos.

A sugestão é que organizem o mais breve possível um encontro dessas lideranças desunidas dos movimentos sociais. Estou falando em algumas dezenas de pessoas, e construam a reação contra o rolo compressor do Estado totalitário tomado pelos golpistas em seus três poderes, com amplo apoio de quem os organizou, os empresários monopolistas dos meios de comunicação comerciais cartelizados.

Nós já estamos numa guerra civil. Mas só tem vítimas de um lado, o lado da classe trabalhadora. O lado de quem vive de vender sua força de trabalho, de quem não vive de rendas e heranças e de juros criminosos. O lado de quem precisa de educação pública, saúde pública, transporte público, segurança pública, previdência pública e demais obrigações do Estado.

Para começar a reação não adianta chamar greve geral com os líderes dos movimentos desunidos, se odiando reciprocamente, tentando puxar o tapete um do outro, tendo na pauta interna de cada setor deles a disputa das máquinas sindicais e estruturas um do outro. É necessário colocar JUNTOS E UNIDOS a nata dos movimentos sindicais, partidários, sociais, rurais, urbanos, intelectuais, estudantis, de grupos sociais progressistas como jornalistas, artistas, juristas e cientistas e, de preferência, do setor empresarial progressista e mais nacionalista (acredito que haja).

Seria um encontro com algumas dezenas de pessoas do campo progressista e popular para sair com calendário de organização para todas as regiões e segmentos sociais do Brasil. Tarefas de aglutinação, formação e esclarecimento de toda a destruição em andamento e atuando para descontruir a lavagem cerebral dos meios midiáticos totalitários.

Aliás, o encontro só terá ou teria alguma chance de sucesso se a estratégia não for a acusativa, a de ficar um acusando os erros do outro e se autodestruindo com ranço e ódio. SÓ FUNCIONA SE SUPERAREM A VAIDADE! O encontro deve construir a pauta. Se conseguirmos algum tipo de reação civil e revertermos algumas das desgraças já feitas e outras em andamento, avaliaríamos depois os erros cometidos e os espaços deixados para que o golpe viesse com tanto poder destruidor neste momento da história.

Eu juro que se não estivesse envolvido em nenhuma tarefa e frente de batalha (com mandato eletivo), eu estaria colocando toda a minha energia vital no enfrentamento dos golpistas lesas-pátrias que estão destruindo o presente e o futuro do nosso povo brasileiro, despossuído e excluído dos direitos em geral por séculos e por culpa da pequena elite detentora de tudo.

Ver essa destruição que o vídeo nos lembra (porque sofro diariamente ao ver tudo acontecendo), nos deprimi e adoece. Mas a solução é organizar a reação popular. Os jovens estudantes brasileiros estão dando o exemplo, mas onde estão as lideranças e as entidades organizadas com estruturas para apoiá-los e fazer a reação acontecer? Estão dispersas por aí, desunidas e desarticuladas. O povo tem que tomar para si as instituições públicas sequestradas pelos golpistas e tem que tomar para si também as estruturas privadas que estão à frente do golpe como os meios de comunicação comercial.

Eu sei que o dia nacional de luta na última sexta-feira 11 foi importante. Mas não basta. Não estamos fazendo cócegas no golpismo que assaltou todas as instituições estatais. A força repressiva está em poder dos golpistas. O legislativo federal está dominado pelos golpistas. O executivo federal está na mão dos golpistas. Parte do judiciário está apoiando os golpistas ou está inerte vendo o golpismo. Os meios midiáticos comerciais e de massa estão com os golpistas.

Sem reação popular, o futuro será de poucas perspectivas em décadas, pois será de muita miséria! Temos que reagir com unidade na luta porque a vida deve ser de esperança, deve ser olhar o horizonte com utopia, com perspectivas de amanhã melhor. Os golpistas estão livres, leves e soltos, sem nenhum pudor, sem receios, e contam com o totalitarismo dos meios comunicacionais que imperam na forma como o mundo se organiza no século 21.

Se colocarmos algumas dezenas de líderes do nosso campo num encontro e eles conseguirem focar uma estratégia de volta às bases para aglutinar o povo, esclarecer sobre o que foi o golpe, o que vem por aí e a melhor forma de reação civil, teremos uma chance de salvar as próximas décadas deste que é um dos principais países do planeta.

Se é de batalhas que se vive a vida, vamos organizar o povo e suas lideranças contra a destruição do Brasil. Peço que compartilhem esse texto e essas ideias com seus líderes e suas entidades populares, de classe e representativas.

William Mendes
Um cidadão brasileiro

sexta-feira, 11 de novembro de 2016

Diário e reflexões - 111116



Cenário onde corro vez por outra.

Final de sexta-feira.

Estou fechando uma semana de trabalho que não foi diferente das outras: longas jornadas e muito estresse praticamente todos os dias da semana. Dormi pouco. Longos embates políticos e estudos sobre a entidade de saúde que atuo como gestor eleito.

Ao mesmo tempo em que atuamos no presente, também estamos revendo o passado para nos orientarmos se estamos cumprindo compromissos, se estamos lutando para evitar erros já cometidos por nossos antepassados e para atualizar os registros das ações realizadas e manter um memorial que sirva até de pesquisa aos participantes da nossa autogestão.

Após rever os dois primeiros meses de mandato na Cassi, reli nesta semana em meu Blog Categoria Bancária o mês de agosto de 2014 e fico com a consciência leve pelo que li em registros de prestação de contas. Eu estava completando três meses de trabalho e já investia fortemente em estudos da entidade, mesclando viagens para estar junto às bases sociais levando informações sobre a Caixa de Assistência e fortalecendo parcerias com os associados e suas entidades representativas.

Aquele mês foi impressionante! Eu lancei o 2º Boletim Prestando Contas Cassi (ler AQUI) e fiz distribuição em locais de Brasília, Paraná, Rio de Janeiro e São Paulo. Estive em duas Conferências de Saúde - em Rondônia e Piauí. Estive em entidade de aposentados para defender o modelo solidário de custeio na Caixa de Assistência (fui com recursos próprios); assessorei as negociações entre o BB e os bancários na mesa específica sobre saúde. Detalhe: eu estive alguns dias em férias e atuei normalmente pela defesa dos interesses da Cassi e dos associados. 

É bom reler o passado recente e ver que seguimos com a mesma dedicação ao nosso mandato e respeitando os princípios que aprendemos para a representação dos trabalhadores.

Nesta semana que se encerra, os associados de nossa entidade de saúde começaram a participar de consulta plebiscitária para dizer se são favoráveis ou não a uma proposta de solução para um déficit no plano de saúde dos funcionários. A proposta foi construída em quase dois anos de negociações que envolveram as maiores entidades nacionais do funcionalismo e contou com uma unidade importante ao focar os interesses coletivos da Cassi e seus associados.


Política em baixa: não-política está levando mundo ao fascismo

O mundo está de cabeça para baixo. Quando vemos o cenário em nosso país, na América do Sul, nos Estados Unidos e no mundo em geral, percebemos um clima semelhante ao período que antecedeu as duas grandes guerras na primeira metade do século 20. Período viveu a ascensão de fascismos, nazismo e totalitarismos que levaram o mundo a guerras de extermínio.

É isso. Evidente que está difícil de cuidar da saúde e da condição física com uma agenda de trabalho como esta que levo. Não consegui fazer exercícios durante a semana e para não descumprir totalmente minha programação pensando a participação na São Silvestre, dei um jeito de correr um pouco na noite desta quinta (4k), antes de viajar, só para ser persistente com meus objetivos.

Fim de registro. Vamos para o fim de semana em que terei que trabalhar porque tenho uma pauta bem gigante de reunião de Diretoria Executiva na segunda-feira em Brasília.

William

domingo, 6 de novembro de 2016

Diário e reflexões - 061116 (São Silvestre)



(Atualizado em 27/11/16, às 21:37h)





O duro caminho para a São Silvestre



Neste domingo, acordei com o cansaço de um corpo extenuado por excesso de trabalho, pouco dormir e mal se alimentar. No sábado, havia chegado pela manhã de Belém do Pará, onde trabalhei por dois dias. Acabou que não consegui descansar direito durante o dia.

Estou vivendo um dilema em relação à minha saúde e condições físicas: meus músculos estão sensíveis e mal estou me carregando nas últimas semanas. E tenho que retomar a forma física por questão de saúde e porque vou correr a São Silvestre daqui a 55 dias. Serão provavelmente os 15 km mais difíceis de minha jornada de corridas. E olha que já participo da prova desde 2007.

Eu definitivamente preciso refletir se devo seguir na rotina que estou levando em meu trabalho ou se devo me obrigar a dormir ao menos sete horas por noite e me alimentar um pouco melhor. Além de me obrigar a dedicar algumas horas da semana a mim mesmo.

Saí para correr no Eixão com o mesmo receio que tenho sentido cada vez que saio para correr um pouco desde setembro (me contundi em agosto), porque não estou sentindo firmeza em minha musculatura da parte posterior da perna, desde o calcanhar e tendão de aquiles até os músculos gastrocnêmios.

Mentalizei em correr 5 km. Para quem está começando do zero faz poucas semanas, este percurso é um longão - tenho que ter humildade e reconhecer minha condição física.

Desde setembro, só corri algumas vezes. Tenho tentado fazer ao menos caminhadas, mas estou com dificuldades de agenda.

Comecei a corrida no Eixão num trote bem leve, muito concentrado nos músculos da perna. Passada leve, sem dar impacto pesado. Corri 2,5 k num sentido e voltei. A temperatura estava quente na saída (26º) e na volta começou a chover. Os músculos incomodavam, mas segui concentrado. Terminei a corrida com 33' e a temperatura baixou para 22º com a chuva. 

Feliz por ter corrido tudo bem. Mas a preocupação continua. Estou longe de alcançar condições para correr os 15 km da São Silvestre no dia 31 de dezembro. E olha que eu tenho uma agenda absurda de trabalho já programada. Minha última viagem será no dia 16 de dezembro lá no Maranhão. Não será fácil...

Além de ter que exercitar corrida nos finais de semana, restam seis a considerar que no anterior à corrida devo descansar, preciso fazer exercícios físicos para o tronco e não estou achando energia extra para isso durante a semana.

É uma autocrítica a respeito do que estou fazendo com minha vida e saúde, mas sei que ocorre o mesmo com muitas pessoas ao nosso redor, trabalhadores como nós mesmos. Por isso compartilho, porque sou uma pessoa comum como meus pares.

Vamos nos esforçar para chegar bem à São Silvestre, mas vamos estar atentos e tentar ouvir nosso corpo e ter sabedoria para dosar todas as nossas tarefas profissionais e pessoais.

William


TREINAMENTO SÃO SILVESTRE

21/09 DF ......................... 3,5k 23º corrida noturna

23/09 DF ..........................3,5k corrida noturna

09/10 MG ........................ 6k 60' 32º caminhada Pq. do Sabiá

10/10 DF ......................... 5,5k 55' 23º caminhada noturna

11/10 DF ......................... 5,5k 53' 22º caminhada noturna

12/10 PB ......................... 6K 60' 24º caminhada Praia de Tambaú

23/10 DF ......................... 2k corrida e 4k caminhada no Eixão 30º

26/10 DF ......................... 3,2k 22' 25º corrida noturna

30/10 SP ......................... 3,5k corrida e 4k caminhada no Pq. Continental

06/11 DF ......................... 5k 33' 26º corrida no Eixão, com chuva refrescante


Post Scriptum:

10/11 DF ..........................4K 27' corrida noturna

15/11 DF ...........................6k 60' caminhada no Eixão

20/11 DF ...........................7k 46' 20º no Eixão, após chuva

(Esta corrida foi de muita superação e concentração. Corri com toda a atenção do mundo em meus tendões, respiração e desejo de superar novamente meus limites atuais. Fiquei muito feliz pela realização)

Post Scriptum:

27/11 DF ..........................8k 53' 27º no Eixão

(Se a corrida do domingo passado já foi de superação, esta de hoje foi emoção e felicidade pura! Depois de uma semana de trabalho em 3 turnos - manhã, tarde, noite, incluindo dois dias em Palmas (TO) - dei uma caminhada no sábado e fiz alongamentos. Saí para correr hoje com muito desejo de superar meus limites físicos atuais e lembrando que faltam algumas semanas para os 15k da São Silvestre. Cheguei ao Eixão e saí num trote muito concentrado com passadas leves e firmes. Foco na resistência e ritmo. Fui até o Sede I do BB e voltei. Foi uma corrida de superação, as dores nos tendões dos pés não incomodaram e fiquei muito feliz com a corrida! Como diz o Dr. J.J. Camargo... "A tristeza pode Esperar")

quarta-feira, 2 de novembro de 2016

É hora da reação popular em defesa dos direitos do povo brasileiro




Ditadura fascista estatal vai piorar contra o povo brasileiro. Quando começará a reação dos movimentos organizados e populares?

A estrutura estatal brasileira foi tomada pelos golpistas e por seus asseclas nos 3 níveis de poder: executivo, legislativo e judiciário. A tomada do poder estatal em todos os níveis contou com ação decisiva do chamado 4º poder: a mídia empresarial monopolizada e concentrada na mão de uma casta secular.


Estão desfazendo não só os avanços sociais dos governos federais do Partido dos Trabalhadores e de partidos com mais características progressistas e populares. Estão desfazendo as conquistas da Constituição Federal cidadã de 1988, fruto de décadas de lutas do povo contra o estado de exceção que vigorou entre 1964-85.

Fim dos direitos trabalhistas; fim dos direitos civis elementares; fim dos direitos previdenciários, fim das liberdades civis; violência dos aparelhos repressivos estatais contra o povo desarmado... Amig@s, não dá para esperar mais pela superação de vaidades menores de cada um de nós. É hora de organizar o povo para lutar pela manutenção de nossos direitos históricos.

Eu, cidadão brasileiro, conclamo as lideranças sociais de todos os segmentos organizados, lideranças sindicais, políticas, estudantis, intelectuais e do campo das artes, e também dos 3 níveis de poder que não compartilham do estado de exceção e parcial contra um segmento da sociedade, enfim, lideranças do campo progressista, que organizem rapidamente encontros e congressos e iniciem a reação civil organizada da classe trabalhadora.

Conclamo que cada um(a) e cada segmento supere as divergências internas e de leituras de eventuais erros cometidos na condução de projetos populares que cada grupo defende e se unam em nome de uma frente ampla em defesa dos direitos humanos, sociais, civis, políticos e trabalhistas. 

Nós povo brasileiro fomos enganados e manipulados pelos donos seculares de todos os meios de produção, os capitalistas, hoje donos das maiores ferramentas de comunicação global num mundo movido pelos meios midiáticos totalitários de alguns bilionários que contaram com apoio externo para destruirem um país que vinha se destacando em soluções anti-cíclicas desde que iniciou no mundo a nova fase de crise do capital com o crash do subprime em 2008. Os números sociais do Brasil registrados até o início de 2014 comprovam isso.

Boa parte das pessoas ainda não se deu conta do que vem por aí em termos de fim das liberdades e dos direitos da cidadania. Já é hora daqueles que entraram de gaiato no apoio ao golpe fazerem uma reflexão do que está ocorrendo com a imparcialidade e perseguição do aparelho estatal somente ao PT, à esquerda, aos movimentos sociais e populares. E ao mesmo tempo, amortecidos pelo efeito poderoso das ferramentas midiáticas dos bilionários, não iniciamos a reação à destruição de todos os direitos conquistados pelo povo em décadas de lutas coletivas e populares.


É hora de superar o ódio que estimularam em cada um de nós, um contra o outro. Os beneficiários de nosso ódio entre pares da mesma classe serão os poucos donos de tudo, que estão rindo em seus gabinetes e palácios enquanto não conseguimos nos unir para resistir e reagir.

A reação deve ser organizada já. O povo é maioria, mas nós do campo das esquerdas e dos movimentos sociais e populares estamos desorganizados. A hora é agora!

Conclamo que as lideranças iniciem as tratativas para salvarmos o povo trabalhador brasileiro do que está vindo por aí. Eu sei que existem pessoas capazes em cada um dos segmentos populares nacionais e locais. Pensem nisso. Conversem uns com os outros. Exijam de suas lideranças unidade na luta contra o fascismo que tomou o nosso país e o aparelho estatal de surpresa, porque a direita foi rápida no processo. Em pouco tempo, ocuparam tudo e nos deixaram sem reação ou amortecidos.

Reação civil organizada já! Organizemos encontros, fóruns e façamos uma pauta unificada básica e estratégica. Uma das primeiras necessidades é tirar o povo do amortecimento em que foi colocado e está sendo mantido.

Abraços a tod@s os meus pares da classe trabalhadora.


William Mendes

Reflexões a partir da história de Kimani Maruge



Filme "O aluno" retrata a vida do queniano Kimani Maruge.

Refeição Cultural

Assisti ao filme "O aluno" (2010) a convite de minha esposa. Havia chegado da Cassi depois das dez e meia da noite, após mais um dia com jornada de cerca de doze horas de trabalho.

O filme aborda a história real de Kimani Maruge, um notável cidadão queniano que lutou persistentemente pelo direito a se alfabetizar e estudar aos 84 anos de idade. Ele faz parte da história de luta de seu povo para libertar seu país do jugo dos colonizadores britânicos. Foi um dos combatentes revolucionários do movimento Kikuiu ou Mau Mau e nunca traiu seus juramentos patrióticos. Foi preso, torturado e viu sua família ser assassinada a sangue frio pelos britânicos (bárbaros!). Aos 84 anos, mantinha intacto seus princípios, juramentos e sonhos de uma nação queniana para seu povo. Também tinha claro que a educação é a chave para a libertação e por uma sociedade melhor e mais justa e igualitária. E lutou por isso até o fim de sua vida.

O filme já vale a pena só pelo fato de nos lembrarmos que no mundo existem pessoas como Kimani Maruge. Apesar da guinada à direita pela qual estamos passando; apesar da tristeza adoecedora que sentimos ao ver os golpistas destruírem o país que ajudamos a construir como militante de esquerda e sindicalista; apesar de ver a tendência de voltarmos a ser meros colonizados após tanto esforço do Governo Lula em sermos respeitados no mundo todo; e apesar da dor profunda de ver meus pares - os trabalhadores brasileiros e povo simples - serem tão facilmente manipulados por ferramentas ideológicas dos bilionários que ascenderam ao poder primeiro pelo golpe de estado no Brasil e agora pelo voto dos povos simples e despolitizados que escolheram a direita fascista e cruel para governá-los... apesar de tudo isso, tenho uma chama dentro de mim que queima por justiça, liberdade, igualdade, solidariedade e melhor condição de vida para o conjunto do povo e não somente para a parcela minoritária e secular que explora a massa humana de pessoas, cada uma delas, um ser humano com direitos universais.


Conhecer a história, o nosso passado e educar os trabalhadores é a chave para a libertação dos povos explorados por alguns humanos

Eu sou grato ao acesso que tive à educação pública, por mais depauperada que ela sempre tenha sido em nossa ex-colônia Brasil, porque através da alfabetização, da leitura, dos estudos, eu pude moldar meu caráter, minha ética, meus princípios. A educação obtida através de meus pais, somada à educação formal obtida na escola, me permitiu trilhar os caminhos que percorri em minha vida de trabalhador.

Também sou grato por ter tido a oportunidade de estar no seio do movimento organizado dos trabalhadores, o movimento sindical. Nenhuma escola, faculdade, mestrado, doutorado, "emebiei" e outros canudos do tipo ensinam tão bem o conteúdo de relacionamento humano em lidar com pessoas, organizá-las, ouvi-las e construir unidade e mobilização para atingimento de determinados objetivos coletivos. Essa matéria só se aprende no meio dessas bases sociais. Eu me formei efetivamente como cidadão politizado e com consciência de classe a partir do convívio com o movimento sindical. E nunca trairei os princípios que aprendi nesta vida de luta.

Eu acredito na formação e educação política através de um trabalho permanente, persistente e sistematizado de contato com as bases sociais que pretendemos organizar e representar para as lutas e conquistas daquele segmento social.

Desde que virei representante eleito por trabalhadores bancários, procurei executar com disciplina espartana meu trabalho de falar com a base, estar com ela no dia a dia, levar informações e, ao mesmo tempo, estudar muito a nossa história de lutas e conquistas e transmitir aos meus pares. Fiz isso durante meus quatro mandatos como diretor do Sindicato dos Bancários de São Paulo, Osasco e região; fiz isso durante meus três mandatos na Confederação dos Trabalhadores do Ramo Financeiro; e agora, estou fazendo exatamente o mesmo durante o mandato que me deram na Caixa de Assistência dos Funcionários do Banco do Brasil.

Eu escrevo diligentemente em meu blog de prestação de contas (leia AQUI) sobre a Cassi, sobre o mandato e sobre as questões afetas ao setor de saúde em que atuo com militância desde o primeiro dia de gestão. Cada vez que falo ou escrevo, procuro transmitir noções, história e conhecimentos afetos à esse eixo de direitos dos trabalhadores da comunidade Banco do Brasil: nossa autogestão em saúde.

Como boa parte dos escritores e escrevinhadores, sempre temos o desejo de melhorar nossas produções textuais, corrigir, agregar, diagramar melhor, fazer a "versão final" do texto. Estou relendo e fazendo versões finais de meus blogs sempre que posso. Mesmo estando num momento em que meu lado da classe está sendo derrotado, quero deixar meus registros como um cidadão proletário do mundo. As versões oficiais estão com os vencedores nas histórias das sociedades. As versões oficiais estão na Globo, Folha, Estadão, Editora Abril e lixos assemelhados que patrocinaram o golpe e a volta ao poder dos oligarcas e bilionários.

Reli o primeiro mês de postagens em meu blog de trabalho, o Categoria Bancária, e recuperei imagens perdidas, links desatualizados, padronizei diagramação etc. Ao ler o mês de junho de 2014, fiquei satisfeito e com a consciência leve ao ver que mais de dois anos depois estamos fazendo exatamente o que nos comprometemos com os associados que nos elegeram. Com poucos dias de mandato, lá estava eu participando de reuniões de Conselhos de Usuários da Cassi, lá estava eu trabalhando mais de dez horas por dia em defesa da nossa entidade, dos nossos projetos e dos direitos dos associados.

Ao mesmo tempo, quando leio o que escrevi no passado, vejo o mundo em acontecimentos, vejo as leituras de contexto e conjuntura que já fazia lá atrás e que se realizaram, infelizmente. No mês de junho de 2014, vi alertas do que poderia acontecer caso a direita brasileira chegasse ao poder, e chegou por golpe e agora as previsões estão se realizando. Neste momento, a cada semana, os poderes institucionais dos legislativos, executivos e até do judiciário estão destruindo o passado de conquistas trabalhistas e sociais recentes, destruindo o presente e o futuro de nossas gerações de trabalhadores. É uma tragédia. É um tsunami conservador varrendo a história de conquistas e com máquinas totalitárias de comunicação manipulando as massas alienadas e não politizadas.

Eu acredito na reação e reconquista de espaços se o nosso lado da classe, a classe trabalhadora, derrotada neste momento de nossa história por uma direita fascista, que ocupou os aparelhos estatais de forma geral e atua com rapidez em extinguir nossos direitos e conquistas e talvez qualquer capacidade nossa de resistência, atacando partidos de esquerda, sindicatos e movimentos sociais de jovens e despossuídos de terra e moradia, enfim, acredito na reação e para isso basta cada um de nós, com espíritos semelhantes aos de Kimani Maruge, de Lula e tantos outros como nós mesmos, sentarmos, nos unirmos por uma causa maior, deixar as vaidades de lado, e sair num trabalho organizado e disciplinado de reorganização de nossa classe trabalhadora para derrotarmos os golpistas, bilionários e traidores lesa-pátrias, mantidos a soldo por imperialistas que voltaram a tomar o poder e recolonizar nosso querido Brasil.

William


segunda-feira, 31 de outubro de 2016

Povo sem memória é povo condenado a sofrer


Onde ancorar nossa nau neste mundo da iniquidade?

Terminaram as "eleições" municipais brasileiras neste domingo. Sendo a urna eletrônica um instrumento seguro (seria?), o resultado do escrutínio mostra que o povo desta ex-colônia portuguesa deu permissão para os patrões bilionários e seus representantes levarem adiante a pauta de direita que vai trazer um retrocesso secular para aqueles que dependem da venda da força de trabalho de seus corpos para sobreviver.

Que falta faz ensinar história da luta de classes para os trabalhadores e seus familiares! É tão antigo e tão atual vermos a massa despolitizada sendo guiada para os matadouros através de ferramentas ideológicas bem manuseadas pelos donos de todos os meios de produção, os capitalistas que detêm os capitais, as terras, as armas, os cargos públicos dos poderes executivo, legislativo e judiciário, a "lei", o circo, as migalhas de pão para distribuir, e nossos corpos a soldo barato, pois com os empregos da terceirização total seremos somente coisas, gado, mantidos somente para manutenção da reposição do exército de reserva.

O povo que conheço tem a memória mais curta que a personagem Dory, do desenho "Procurando Nemo". Segundo parte de meus colegas bancários do BB, ativos e aposentados, o "país está quebrado" e então não temos o que fazer a não ser aceitar a PEC 241 e todas as merdas que os golpistas estão fazendo como entregar a nossa Petrobras e o Pré-sal para os articuladores do golpe contra o Brasil. Povo sem memória. Até o início de 2014, antes da Lava Jato fabricada nos EUA começar a foder as empresas e os empregos no país, além do foco central de tirar o PT do poder e todo o significado disso, estávamos resistindo à crise mundial melhor que qualquer outro país do mundo.

Em pouco menos de quarenta anos, vi o mundo dar uma volta quase completa em torno do eixo e voltar ao mesmo ponto, com os poucos capitalistas dando todas as cartas no "Tabuleiro de war" chamado Terra.

Quando nasci, meus pais viviam sob o Brasil do AI-5. Estados Unidos financiavam golpes e ditaduras em Nuestra América. Ao mesmo tempo, ao menos um povo bravo enfrentava com brio os americanos: os vietnamitas expulsaram o invasor imperialista de sua casa.

Nos anos setenta e oitenta, cresci num mundo sem liberdade, onde o Estado podia sumir conosco, invadir nossa casa, torturar nossa gente em delegacias (nunca mudou), matar os nossos entes queridos e os veículos de comunicação da elite, que financiaram o golpe junto com os americanos, diziam que trabalhador que lutava contra toda aquela miséria era terrorista, comunista, corrupto (somos corruptos... sempre a mesma lorota). 

Mas tudo ficava bem com o circo que havia. Tínhamos Chacrinha, Silvio Santos, futebol na televisão. Novelas... (não mudou nada, só os nomes... Faustão, Luciano Huck... ainda o Silvio Santos).

Veio a Constituição Cidadã de 1988 e nos garantiu diversos direitos civis, sociais, políticos, trabalhistas, humanos... (que estão sendo desfeitos por hora, por semana)

Anos noventa, depois de uma vida de miséria minha e de milhões de gentes como nós, vimos os governos Collor e FHC destruírem a coisa pública, dando e distribuindo a riqueza de nosso país e as empresas públicas do patrimônio nacional para amigos e para os estrangeiros que cobram os butins do apoio aos golpes lesa-pátria contra o povo brasileiro. Uma pequena elite, vagabunda e sem espírito nacionalista, sempre viveu em céu de brigadeiro no brazil-colônia.

Como a elite tupiniquim não é nacionalista como os árabes, nem é preciso financiar golpes com guerras civis como os imperialistas fizeram nos países árabes, para derrubar os governos nacionais e instalar as empresas americanas de petróleo no local (os países não existem mais). Aqui nossos vira-latas vendem tudo por uns trocados porque nunca foram nacionalistas.

Durante os anos dois mil, tivemos uma ascensão nunca vista em nosso país e nos países de Nuestra América com a eleição de governos de esquerda, ou nacionalistas, ou mais progressistas e populares. Diminuiu a miséria nauseabunda de séculos e séculos para os povos de ex-colônias portuguesas, espanholas, depois sob outros donos, ou seja, a tutela de ingleses e norte-americanos.

Com os novos estilos de golpes parlamentares-jurídicos-midiáticos, voltamos neste instante à condição de antes dos anos dois mil. Eu não concordo em ficar apedrejando com blá blá blá que a culpa é do PT e seus líderes, ou do chavismo, porque é simplista e desonesto o nosso lado da classe trabalhadora ficar realimentando o que a direita fez com propriedade ao organizar a retomada do poder secular. Os erros do PT devem ser analisados sob a ótica da característica do povo em nosso país: aqui não é terra de revolucionários e nosso povo não participa dos embates políticos, sequer como os nossos vizinhos latino-americanos. Fizeram repúblicas ao nosso redor quase um século antes de nós.

Estamos na merda e será difícil sair dela. No meu cálculo de cenário, serão anos e anos de sofrimento e miséria. Mas eu não isento o povo em ser manipulado tão facilmente e docilmente pelas ferramentas ideológicas dos donos do poder secular. Se quisessem, poderiam ser mais politizados e entender como as coisas funcionam no mundo.

Nós poderíamos começar a reação hoje, se a esquerda e os progressistas se unissem com um projeto único e não fossem demasiadamente humanos com seus pecados capitais como o principal deles - a vaidade.

Sem chance para nós neste momento. Na medida em que os golpistas foram avançando, nós da esquerda fomos nos dividindo mais ainda. Preciso que me provem que a esquerda consegue se unir novamente.

Gostaria de saber onde está a maior central sindical do país? E as demais centrais? Onde estão os líderes dos partidos de esquerda e dos movimentos sociais progressistas? Ninguém sabe, ninguém viu. Onde estão as lideranças dos trabalhadores? Estão todos divididos, estão todos disputando as máquinas e tentando eliminar "adversários" internos enquanto o país vira vinagre.

William


Post Scriptum:

Neste segundo turno, foi a primeira vez que votei nulo em minha vida de cidadão brasileiro. Acho isso triste, nunca quis fazer isso, mas já vivemos em estado de exceção, não há mais democracia.

sexta-feira, 28 de outubro de 2016

Diário e reflexões - 281016



Flamboyant...
Simples e belo...

Estou em Brasília, Distrito Federal do Brasil.

Cheguei nesta sexta-feira de Maceió, Alagoas, onde estive trabalhando nos últimos dois dias. Confesso que estou cansadíssimo. Apesar de ter chegado antes das oito horas da noite, não tive a menor condição de andar ou correr por causa do prego que estou.

Sentei no sofá para dar um respiro. Saudades da família. Liguei para os meus pais lá em Minas Gerais, distantes de mim mais de 400 km. Depois liguei para minha esposa, que está a 1000 km de distância. Por fim, liguei para meu filho, mais de 700 km de distância e eu não o vejo há quase um mês. Esta tem sido minha vida há muitos anos, desde que assumi tarefas militantes no movimento dos trabalhadores. Lutar por um mundo melhor tem um alto custo pessoal, juro a vocês.

Estou precisando de umas férias... mas não terei descanso nem um respiro nos próximos meses. Semana que vem estarei em Belém do Pará, lutando pela causa da saúde e de nossa Caixa de Assistência, uma autogestão dos bancários do BB.

Não vou me alongar, estou deverás com o olho ardendo e com sono. Estou meio zumbi.


Flamboyant... ainda bem que existem as flores e a natureza...

Nesta semana, alternei momentos sociais de crença no ser humano, como ocorreu na minha agenda de trabalho junto à base social que represento; e momentos de nojo e total descrença no caráter e na ética do ser humano (no mundo intra-paredes), ao saber de certos comportamentos canalhas de pessoas que dão tapinhas nas suas costas em sua presença e tentam te destruir quando você não está presente. Que nojo disso!

Por fim, existem as flores, a beleza da natureza, o carinho de pessoas que respeitam a gente, existem as utopias para nos dar o caminho a seguir. Nós somos militantes e nossas lutas são causas que assumimos. Sigamos no front fazendo o bom combate e deixando as feridas secarem.

Tchau leitores amig@s.

William

Post Scriptum...

No silêncio do lar, não teve como não passar pela minha cabeça a busca do sentido de tudo isso... todo o esforço que fazemos em prol do coletivo, a doação pessoal... e fico lembrando da votação do povo paulista nas eleições de 2 de outubro deste ano, dando mais da metade dos votos válidos para aquele sujeito eleito (um bilionário que caga e anda para o povo e para a cidade) e o prefeito inovador Haddad recebeu 16% de votos. Depois do resultado desse fatídico dia para o povo paulistano, não paro de pensar no sentido de todo esforço que a gente faz em benefício dos trabalhadores para depois fazerem o que eles fizeram na cidade onde nasci...

Vemos e sentimos o gasto de nossa energia, nossa saúde, nosso tempo de vida (curto para tudo que gostaríamos de fazer) e fico pensando o sentido de tudo isso.

O capitalismo e a ideologia dos poucos donos de tudo acabam sempre vencendo porque é mais fácil ser ignorante, viver dopado com as drogas manipuladoras. É bem mais fácil pensar em si que nos outros... 

Nós escolhemos uma profissão de fé meio inglória.