sábado, 30 de maio de 2026

Livro: Clandestina - Ana Corbisier

 


Refeição Cultural

Conheci Ana Corbisier no dia 1° de outubro de 2025, em uma palestra dela em uma reunião do Diretório Zonal do PT da Lapa, Zona Oeste de São Paulo. Ela nos contou um pouco de sua participação extraordinária nas lutas emancipatórias do povo brasileiro, em geral, e das mulheres, em participar. 

Em poucos dias, li a metade do livro Clandestina, que registra parte das histórias de Ana Corbisier e das lutas contra a ditadura que havia sido implantada no Brasil pelas classes dominantes em 1964, com o apoio dos Estados Unidos. 

A cada página lida, aumenta nos leitores a admiração por essa mulher brasileira de referência para as pessoas que não aceitam conviver com a injustiça contra o povo. 

Comentário: tenho o hábito de começar dezenas de leituras ao mesmo tempo, o que acarreta a consequência de não terminar muitas delas. O livro de Ana foi mais um desses casos. Agora, meses após o início, vou finalizar a leitura. Decidi mudar a estratégia e não lerei mais vários livros ao mesmo tempo.

CLANDESTINA 

"Você já era clandestina antes de ser clandestina..."

Após um período de análise, Ana Corbisier diz que entendeu que sempre foi diferente das pessoas de seu ambiente familiar de classe média paulistana. 

O livro é intenso no conteúdo desde seu início. O poema "Setentistas", de Juan Muñiz, é profundo, nos toca no mais íntimo. 

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"Mis locos, mis valientes compañeros

Viven en mí, porfiadamente bellos

Ya nunca he de tapar este agujero:

La culpa de no haberme ido con ellos."

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Depois, vem o Prefácio de José Dirceu, com observações procedentes, como diz Ana nos agradecimentos. 

A militante revolucionária explica na Apresentação o conceito de "clandestina" e o motivo de dar a versão dela em muitas histórias já relatadas daquele período, inclusive por ela, na Comissão Nacional da Verdade e para dezenas de jovens e estudantes em seus trabalhos acadêmicos. 

"E fiquei pensando que tinha a obrigação de escrever eu, o meu, para deixar no papel muitas coisas que possam servir a outros jovens que, como eu e os da minha geração, ainda queiram mudar o mundo." (p. 20)

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Reproduzo a seguir a sinopse feita por Mayra Pascuet, para a edição do livro pela Expressão Popular. 


SINOPSE

Caro futuro leitor, não pense você que o que tem em mãos seja uma autobiografia qualquer e já explico o que quero dizer. Trata-se da narrativa de vida de uma brasileira que sempre esteve à dianteira de seu tempo, questionando, quebrando padrões culturais, sociais, familiares, pondo em xeque costumes estabelecidos e que, ao traçar sua trajetória, deixou seu legado de lutas e contribuições sociais e políticas para todos nós.

Paulista, nascida em 1941, já carregava o peso do nome da família tradicional burguesa que sempre questionou. Aos 18 anos ingressa no curso de Ciências Sociais da USP e casa-se. Três anos depois vém os 2 filhos. Sem demorar tanto vem o susto e o pesadelo do Golpe Militar de 1964. Com a luta armada vai treinar guerrilha em Cuba e volta ao Brasil Clandestina, num verdadeiro périplo passando por vários países, driblando a ditadura, tentando sobreviver e ajudar o movimento. Essa história está muito bem contada em O Tempo dos Cardos de Celso Horta. Com a anistia e no segundo casamento tem seu terceiro filho.

Poliglota, sempre leu muito, estudou muito, estimulou outras mulheres a fazerem o mesmo: formou grupos de estudos de mulheres nos anos 60, num momento em que nem participar das rodas de conversas com seus maridos nas festas era permitido; contribuiu com movimentos de moradias populares; participou da formação do Partido dos Trabalhadores (PT) nos anos 1980. Com esse olhar aguçado para as questões sociais, segue trabalhando com estudos e diagnósticos socioambientais.

Clandestina é um verdadeiro passeio pela história do Brasil, nossa história, onde em cada momento relatado de sua vida, Ana de Cerqueira Cesar Corbisier traz também a origem do que as futuras gerações herdariam de melhor, como a conquista da democracia e dos direitos sociais, muito caros para sua geração. Se hoje estamos aqui tendo a liberdade de expressão, de ir e vir e nos manifestar, podem ter certeza que foi devido a pessoas como ela.

Foi clandestina, mas nunca desistiu de lutar por sua pátria, cujo solo nem sempre foi gentil.

Que nos sirva de inspiração, e ajude a transformar (não importa o tamanho desta transformação) nossa realidade atual e futura.

E para quem teve o prazer de cruzar seu caminho (nós sabemos!), foi e sempre será um grande prazer convivê-la.

Mayra Pascuet

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LEITURA 


CARLOS MARIGHELLA

"Eu me senti muito bem com meu novo contato, especialmente depois de conhecer Carlos Marighella, que foi o líder da resistência armada à ditadura militar (1964-1985). Fiquei encantada com o 'Preto', como o chamávamos. Nos seus 60 anos, forte, alto, com aquela peruca esquisita, sua simplicidade, a atenção com todos, sua tranquilidade, tudo nele passava segurança, confiança na luta e na vitória." (p. 56)

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TÁTICA E ESTRATÉGIA 

"- Para todos os efeitos, tática é a cidade, e estratégia é o campo." (Marighella simplificando a questão para a jovem militante Ana)

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MANUAL DO GUERRILHEIRO URBANO

"(...) Datilografei muitos documentos que elaborou à época, inclusive o Mini Manual do guerrilheiro urbano, que se tornou uma obra universal, tendo sido traduzida para várias línguas, e distribuída pelos Panteras Negras nos Estados Unidos." (p. 56)

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O INIMIGO: IMPERIALISMO ESTADUNIDENSE

"Perguntado se deveríamos nos colocar contra todos os capitais estrangeiros ou concentrar nosso combate no imperialismo estadunidense, explicou que eram os ianques quem tinham as garras postas sobre o Brasil e, portanto, eram eles os inimigos principais da nossa Pátria..." (p. 57)

Comentário: essa explicação de Marighella nos anos 60/70 nos ensina muito sobre a história. Hoje, maio de 2026, os EUA são os inimigos que ameaçam a soberania do Brasil. Estão preparando algum tipo de intervenção no país por causa das eleições e pela atual política trumpista de agressão e invasão. 

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HAVANA E SALVADOR

(...) Havana e Salvador são duas faces de uma mesma moeda impressa sobre a cultura de escravizados africanos. A diferença é que os negros cubanos se rebelaram e conquistaram uma pátria de homens livres, orgulhosos de sua revolução." (p. 80)

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EXILADA, NÃO! EM TREINAMENTO REVOLUCIONÁRIO EM CUBA

"Nunca me considerei exilada. Estávamos em Cuba para fazer um treinamento militar e criar condições para voltar ao Brasil. Esta palavra, exilado, para mim não existia..." (p. 81)

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PENA DE MORTE A QUEM DISCORDAVA DA DITADURA NO BRASIL 

"Um documento das forças armadas brasileiras de que tivemos conhecimento sustentava que os 'terroristas', como eles nos chamavam, que tinham treinado em Cuba, tinham sofrido lavagem cerebral, nunca iriam mudar de ideia, e era preciso matá-los todos. Essa orientação existiu realmente, a repressão matou todos os companheiros em quem botou a mão..."

"(...) Eles mataram mesmo. E, pensando bem, acho que em um ponto eles tinham razão: nós éramos de fato irrecuperáveis, não íamos mudar de ideia. Como não mudei até hoje." (p. 82)

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MULHERES NA GUERRILHA

Ana Corbisier faz um relato importante à página 94 sobre o treinamento guerrilheiro, discordando do jornalista Luís Mir em seu livro "Revolução Impossível" (eu tenho o livro).

Os cubanos não eram contrários a participação feminina nas lutas. Ana cita, inclusive, algumas guerrilheiras destacadas como Haydeé Santamaría, Celia Sánchez e Vilma Espín. Ela própria foi treinada em Cuba. 

"(...) Essa história de TPM, menstruação, não existia. Os militares cubanos não admitiam frescura, a gente tinha que mandar ver, ir em frente. Eram bem rígidos." (p. 94)

Comentário: o livro do jornalista cubano Norberto Escalona Rodríguez - "Fidel Castro, comandante invicto (2025) - nos conta sobre o Pelotão das Marianas (ver aqui). E, na minha opinião, TPM não é frescura, é uma condição real das mulheres em determinado período. Sei que foi força de expressão de Ana, mas vale o registro. 

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REVOLUÇÃO SOCIALISTA OU LIBERTAÇÃO NACIONAL?

"Depois que voltei ao Brasil, muitos companheiros me perguntaram sobre a importância do debate do caráter da revolução brasileira - socialista ou de libertação nacional - quanto ao surgimento da dissidência do Molipo. A discussão realmente existia dentro do nosso grupo, mas nunca justificou a dissidência. (...) Alguns documentos discutidos em nosso grupo falavam realmente da necessidade de superar esta discussão, abraçando de vez a definição do caráter socialista da revolução brasileira. Mas nada disso foi além de discussão teórica." (p. 102/103)

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RETOMADA DA LEITURA 

Ao retomar a leitura e ler os capítulos "Buenos Aires" e "O último ponto", a gente percebe o quanto Ana Corbisier era destemida, ousada. 

Ela estava em Cuba e fez viagens para realizar missões que não estavam sendo realizadas por falta de agentes e por deserções. 

A missão em Pernambuco, para contatar João Leonardo, foi um exemplo de desprendimento de Ana. Após ficar sem contatos, ele recebeu a visita dela. Infelizmente, meses depois, João Leonardo morreu num tiroteio com as forças armadas na Bahia. 

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TERRA DE TODOS OS SANTOS 

Que capítulo de vida inspirador!

Ana nos conta as lutas populares empreendidas durante os anos em que morou em Salvador, Bahia.

Atitude! Essa mulher revolucionária é uma pessoa de atitude, um comportamento essencial em pessoas que enfrentam a dura realidade da vida.

Ela liderou movimentos de moradia, grupos de mulheres e fez ações revolucionárias, pois contribuiu para mudar a realidade do povo ao seu redor na segunda metade da década de setenta.

Comentário: meu problema momentâneo, de não conseguir enxergar direito (tive nesta semana um descolamento do humor vítreo do olho esquerdo), não é nada perto do que Ana enfrentou na vida. Fato!

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REENCONTRO COM OS FILHOS APÓS 10 ANOS NA CLANDESTINIDADE

"A emoção ao ver meus filhos foi muito forte. Eu e minha mãe fomos buscá-los na rodoviária da cidade. Me lembro até hoje, eles tinham crescido tanto! Quando fui embora de São Paulo eles tinham 4 e 7 anos e, quando voltei, tinham 14 e 17. Tiago é maior que Rodrigo. Eu olhava, olhava, não acabava de subir o olhar. Usavam tênis, roupa estranha, bem de rapazinhos, cabelos compridos. Lá em Cuba ninguém usa cabelo comprido e só Fidel usa barba. Isso é de Fidel. De ninguém mais. E o cheiro dos meus filhos. Sou muito sensível a cheiros e o cheiro deles tinha mudado... Estranhei tudo..." (p. 175)

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PT

Nos últimos capítulos do livro, Ana Corbisier nos conta de sua história e participação na criação do Partido dos Trabalhadores, sua contribuição na gestão da prefeita Luiza Erundina, seu trabalho na Cesp e na Consulta Popular.

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COMENTÁRIO FINAL 

Como militante das causas populares e na defesa de uma sociedade mais justa e igualitária, considero histórias de vida como a da companheira Ana Corbisier inspiradoras para nós que todos os dias temos que renovar nossas energias para não desistir de lutar pelo mundo que sonhamos.

Ana Corbisier é daquelas pessoas imprescindíveis que demos a sorte de ter do nosso lado da classe trabalhadora. 

Recomendo muito a leitura do livro Clandestina, da Editora Expressão Popular. 

Sigamos nas lutas do jeito que for possível.

William 

30/05/26


Bibliografia:

CORBISIER, Ana. Clandestina. 1a edição - São Paulo: Expressão Popular, 2024.

sexta-feira, 29 de maio de 2026

Instantes (16h20)


*

Minha visão do mundo mudou...

Não estou cego, mas minha vida mudou.

Se esse tal descolamento do humor vítreo é normal...

Então, deve ser normal ver o mundo como estou vendo:

Uma bosta!

Talvez seja melhor ficar dormindo.

William

29/05/26


(* desenho de meu filho aos dez anos)

Diário e reflexões


Ainda correndo, falando, lendo, escrevendo...

Refeição Cultural

Osasco, 29 de maio de 2026. Madrugada de sexta-feira.


Enquanto escrevo, "moscas volantes" atrapalham minha visão da tela do computador. Anteontem, essas "moscas" passaram a "voar" na minha visão do mundo. Como piorou de um dia para o outro, fui ao oftalmologista e descobri que terei que lidar com essas "moscas" porque houve um descolamento de meu humor vítreo posterior do olho esquerdo. Soube que essas manchas escuras como se fossem lágrimas de petróleo no olho podem ser consideradas normais em pessoas após os cinquenta anos de idade, principalmente se forem míopes como no meu caso. Se eu não tivesse "sorte" poderia ter tido um descolamento de retina, um caso bem mais sério para a visão de um ser humano. Após os exames adequados, o oftalmologista me tranquilizou e não será preciso intervenção cirúrgica no meu caso. É só eu me acostumar a viver com essa merda me atrapalhando ver o mundo. Em muitos casos, as "moscas" acabam se assentando ou deixando de incomodar muito ou coisa do tipo. É torcer...

Sorte ou azar eu não sei. Sendo uma espécie de petróleo nos meus olhos tirando a beleza da visão das coisas - algo das profundezas do olho como o pré-sal -, pelo menos sei que o trump não terá interesse nessa coisa gelatinosa escura no meu território porque é uma quantidade irrelevante para o império. Sorte a minha. O azar é saber que é "normal" e que o mundo que vejo ficou mais feio.

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Antes de ter contato com a novidade das "moscas volantes" na minha visão do mundo, estive ontem em mais uma consulta de retorno sobre o caso da outra "sorte" que tive do ano passado para cá, ao descobrir uma reprodução acelerada de células na região da língua, uma lesão branca que pode se tornar algo mais sério. Essas lesões são denominadas leucoplasias e as pessoas acometidas por essas manchas na região da boca precisam ficar atentas e procurarem um especialista para avaliar o caso, um dentista ou estomatologista. Eu observei a mancha por conta própria e procurei saber o que era. Já fiz duas cirurgias, bastante incômodas por sinal, mas no meu caso, é só confiar na ciência e seguir sendo acompanhado pelos especialistas na questão. Uma porcentagem pequena dessas lesões pode se transformar em câncer, então é bom apostar na ciência para não dar sopa para o azar.

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E os desgastes na estrutura de locomoção desse animal humano que reflete neste texto? Por sorte, descobri que tenho desgastes nas estruturas do quadril já faz alguns anos. Sabendo do fato, passei a ter mais atenção com essa região importante de meu corpo de mamífero bípede com polegar opositor e telencéfalo altamente desenvolvido. Antes de ir ao oftalmologista para saber das "moscas volantes", tinha ido a um ortopedista de quadril e coluna para avaliar como estão as coisas no corpo já meio dolorido pelos caminhos percorridos e pelas trilhas difíceis que atravessou. Felizmente, por atitudes do dono do corpo e por sorte, em quase dez anos de início dos desgastes, a evolução do quadro (involução do corpo) não foi tão ruim como poderia ter sido. Farei novos exames de imagem (a ciência) e o especialista me ajudará e lidar com os fatos constatados da condição que tenho.

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Sou um homem de sorte.

Pude escrever esta reflexão, mesmo com as "moscas" me atrapalhando ver. Posso andar. Inclusive, andei alguns quilômetros até uma estação de trem num dia de sol morno. O médico disse, inclusive, que os estudos recentes (a ciência) não desestimulam mais a atividade física com o avançar da idade. Antes, prevalecia a ideia de preservar estruturas desgastadas de quadril e coluna e até preservar o corpo sem fazer nada. Hoje, se sabe que é importante fazer atividade física adequada por ser mais benéfica que só aguardar o efeito da genética no envelhecimento do corpo. 

Falar. Ainda posso falar. Ler e escrever. Ainda posso ler e tenho muitos textos que gostaria de ler para aprender coisas novas e saber de histórias exemplares de vida; ler e escrever para compartilhar com quem queira saber coisas que não sabe ainda, de fontes sérias e honestas, de pessoas que querem o bem das outras pessoas e das demais formas de vida no planeta. Este blog foi criado para compartilhar o que sei, o que penso, o que descubro, o que leio, o que vejo, sempre de forma gratuita.

Vamos dormir. Quando acordar, nesta mesma sexta-feira 29, irei ler algum dos textos que quero ler, e se der, irei compartilhar nesta página de textos o que achar interessante do que aprendi.

(eu sei do trump e das merdas do mundo e da extrema-direita... eu sei, mas estou fazendo o que posso)

William 

01h22

quarta-feira, 27 de maio de 2026

Livro: O Hamas conta seu lado da história



Refeição Cultural

"Nestas páginas, oferecemos ao leitor um conjunto de documentos e declarações que apresentam de maneira clara o que pensa o Hamas, e a sua versão dos acontecimentos do 7 de Outubro. Trata-se de uma verdade que forças poderosas trabalham para ocultar, para falsear, para distorcer. O resultado dessa operação fraudulenta é o de encobrir o genocídio do povo palestino." (Rui Costa Pimenta, na apresentação do livro)


Adquiri o livro O Hamas conta o seu lado da história (2024) nas manifestações do 30º Grito dos excluídos e excluídas, na Praça da Sé, em São Paulo. O livro foi organizado por Rui Costa Pimenta, presidente do PCO, e confeccionado pelas Edições Causa Operária.

Logo na apresentação do livro, um conceito importante é dito por Pimenta e vale a pena reproduzi-lo:

"É a opressão que dá legitimidade à luta pela liberdade, e não qualquer característica misteriosa dos que lutam. A luta contra a opressão - e estamos falando de uma das mais brutais e criminosas opressões contra todo um povo - é inerentemente libertária, independentemente de maiores considerações." (p. 13)

Li mais da metade do livro logo nas primeiras semanas de aquisição da obra em setembro de 2024, que é dividida em quatro partes, além da apresentação e prefácio. Naquele momento, o mundo já acompanhava de forma televisionada o bombardeio diário à população da Faixa de Gaza. Era algo indescritível! Milhares de crianças, mulheres, idosos e população civil em geral sendo dizimados diariamente pelas bombas do exército sionista.

Hoje, maio de 2026, praticamente não existe mais nada na Faixa de Gaza, nada, hospitais, escolas, habitações, água, comida, energia, nada. Centenas de milhares de palestinos estão cercados e morrendo porque até ajuda humanitária é proibida quando os povos do mundo tentam socorrer o povo palestino.

Ajuda humanitária através de grupos de pessoas e organizações é impedida de se realizar até com sequestro de embarcações em áreas marítimas internacionais. O mundo viu isso recentemente com o sequestro de pessoas de diversos países em flotilhas cercadas e capturadas pelos sionistas.

"Certamente é uma guerra, uma guerra entre um povo ocupado e os ocupantes. E esses ocupantes, infelizmente, quero dizer, estão todos armados, todos eles. O povo inteiro é um exército e tem um Estado. Ao contrário de todos os países do mundo, em que a norma é que o Estado tenha um exército, 'Israel' é um exército que tem um Estado e tem um sistema." (Dr. Musa Abu Marzuk, p. 38)

Na entrevista cedida a Rui Costa Pimenta, Abu Marzuk, intelectual palestino e dirigente político do Hamas, apresentou os pensamentos e objetivos das lutas lideradas pelo povo palestino em defesa das terras nas quais vivem há centenas de anos.

Cito abaixo um trecho da entrevista que, de certa forma, sintetiza um pouco a luta desenvolvida pelos palestinos há décadas, desde que foram expulsos de suas terras após o fim da 2ª Guerra Mundial.

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"Por que o Hamas considera necessário o recurso da luta armada?

     Acredito que a luta armada é necessária porque nenhuma ocupação no mundo lhe dará sua independência por meio de negociações. Nunca aconteceu na história uma ação política que libertasse um país, ou lhe desse independência. Temos a experiência dos nossos irmãos do Fatá e da OLP, que disseram: 'Não queremos resistência, queremos negociação política'. Então assinaram os Acordos de Oslo, em 1994, que previa sua implantação em cinco anos. O acordo previa, depois de cinco anos, a independência dos palestinos na Cisjordânia e na Faixa de Gaza, e Al-Quds (Jerusalém) como capital.

     Hoje estamos em 2024, ou seja, já se passaram trinta anos desde esse acordo, e não avançamos um único passo, porque é impossível a ocupação dar, em palavras, um Estado. Por quê? Por que o daria a você, se você não consegue conquistá-lo? É sabido que a liberdade é conquistada, não é dada. Ninguém dá liberdade a ninguém. Ela deve ser conquistada com suas forças e defesas, e continuamos nossa resistência até obter nossa liberdade." (p. 39)

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Comentário do blog:

O povo cubano que o diga em relação a essa afirmação de Abu Marzuk! Para conseguir a liberdade e independência dos impérios que subjugavam a ilha e seu povo - primeiro a Espanha e depois os Estados Unidos -, foram séculos de lutas para a libertação em 1º de janeiro de 1959, através do exército rebelde liderado pelo Comandante em Chefe Fidel Castro Ruz.

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Em outra entrevista, Rui Costa Pimenta, conversa com o doutor Basem Naim, membro do Birô Político do Hamas. Ele foi ministro da saúde do povo palestino.

Em uma parte da resposta à pergunta se a causa palestina estaria a caminho da vitória, Basem Naim aponta as dificuldades que seu povo vinha enfrentando por trinta anos pela estratégia do chamado "processo de paz", do qual diz que os palestinos foram enganados:

"Esta não é a nossa escolha. Se alguém puder nos ajudar a alcançar nossos objetivos de forma pacífica, por favor! Mas, se não, não podemos continuar a viver nessas condições desumanas. Portanto, quando Smotrich disse que os palestinos têm duas opções, sair ou serem mortos, nós respondemos. Também temos duas opções: viver aqui com liberdade e dignidade, ou morrer aqui de forma livre e digna. não há outra escolha." (p. 60)

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Na parte que trata da "Operação Dilúvio de Al-Aqsa", os leitores vão acessar os motivos acumulados ao longo de, pelo menos, 75 anos de ocupação e abusos que levaram os palestinos ao evento de 7 de outubro.

"A batalha do povo palestino contra a ocupação e o colonialismo não começou em 7 de outubro, mas sim há 105 anos, incluindo 30 anos de colonialismo britânico e 75 anos de ocupação sionista. Em 1918, o povo palestino possuía 98,5% das terras da Palestina e representava 92% da população na terra da Palestina, enquanto os judeus, que foram trazidos para a Palestina em campanhas massivas de imigração, em coordenação entre as autoridades coloniais britânicas e o Movimento Sionista, conseguiram controlar não mais que 6% das terras na Palestina e representavam 31% da população antes de 1948, quando a Entidade Sionista foi anunciada na histórica terra da Palestina. Naquela época, ao povo palestino foi negado o direito à autodeterminação, e as gangues sionistas empreenderam uma campanha de limpeza étnica contra o povo palestino, com o objetivo de expulsá-lo de suas terras e áreas. Como resultado, as gangues sionistas tomaram o controle à força de 77% da terra da Palestina, de onde expulsaram 57% do povo da Palestina e destruíram mais de 500 vilarejos e cidades palestinas, cometendo dezenas de massacres contra os palestinos, culminando na criação da Entidade Sionista em 1948. Além disso, em continuidade à agressão, as forças israelenses, em 1967, ocuparam o restante da Palestina, incluindo a Cisjordânia, a Faixa de Gaza e Jerusalém, além de territórios árabes ao redor da Palestina." (p. 65/66)

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Convivência pacífica é possível entre os diferentes?

Acho interessante citar uma passagem do livro que me fez lembrar da convivência entre povos e credos diferentes em outras partes do mundo ao longo da história.

"O povo palestino sempre se posicionou contra a opressão, a injustiça e a prática de massacres contra civis, independentemente de quem os comete. E, com base em nossos valores religiosos e morais, afirmamos claramente nossa rejeição ao que os judeus sofreram nas mãos da Alemanha nazista. Aqui, lembramos que o problema judaico, em essência, era um problema europeu, enquanto o ambiente árabe e islâmico foi, ao longo da história, um refúgio seguro para o povo judeu e para outras pessoas de outras crenças e etnias. O ambiente árabe e islâmico foi um exemplo de convivência, interação cultural e liberdades religiosas. O conflito atual é causado pelo comportamento agressivo sionista e sua aliança com as potências coloniais ocidentais; portanto rejeitamos a exploração do sofrimento judaico na Europa, para justificar a opressão contra nosso povo na Palestina." (p. 75)

Como aceitar a situação na qual se encontra o povo palestino em Gaza?

"(...) No curso da agressão em Gaza, a ocupação israelense privou nosso povo em Gaza de alimentos, água, medicamentos e combustível, privando-os simplesmente de todos os meios de vida..." (p. 75)

Na parte três os leitores têm acesso a documentos formais do Hamas e na parte quatro há um conjunto de artigos e reportagens sobre o evento de 7 de outubro e o período posterior.

Há diversas matérias de inúmeras fontes que alegam que parte das mortes de judeus ocorreu por ataques das próprias forças militares de Israel naquele dia 7 de outubro.

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LER PARA COMPREENDER

Enfim, a leitura do livro com a versão do povo palestino no conflito trágico da ocupação da Palestina desde 1948 agrega informações a qualquer pessoa que queira compreender melhor a questão.

Sigamos lendo, estudando e tentando compreender o mundo para influir nele e modificá-lo em busca da justiça, da verdade e da possibilidade de convivência sustentável, igualitária e pacífica entre todas as pessoas e demais formas de vida.

A vida na Terra pode ser melhor.

William

27/05/26


Bibliografia:

O Hamas conta o seu lado da história. Edição geral Rui Costa Pimenta. São Paulo: Editora Democritus, 2024. 

terça-feira, 26 de maio de 2026

Livro: Sussurros Metropolitanos - Sandro Sedrez dos Reis



Refeição Cultural

"Todas as histórias passam por términos..." (Sandro Sedrez)


Após ler dois livros de não ficção, leituras que considerei exigentes e cansativas, dei-me o direito ao prazer das estórias ficcionais. 

Em literatura, estórias ficcionais nos colocam em contato com histórias de personagens que poderiam ser qualquer um de nós, leitores do mundo.

Peguei na estante o livro Sussurros Metropolitanos (2024), de Sandro Sedrez dos Reis. 

O autor é meu amigo, trabalhamos juntos na área de gestão de saúde, e após uma vida de serviços prestados à comunidade do Banco do Brasil, Sandro está se dedicando a nos presentear com suas narrativas marcantes. 

Logo após a aquisição do livro, li os três primeiros contos, da primeira parte da obra, e gostei muito das estórias: "Uma História de Café da Manhã ", "Visitas, Mimos & Segredos" e "Tá descendo?".

Depois, me envolvi com as outras diversas leituras que faço ao mesmo tempo e guardei os Sussurros Metropolitanos

Recentemente, decidi mudar um pouco minha estratégia de leituras: vou ler um livro de cada vez ou, no máximo, dois livros com temáticas bem diferentes. 

Foi com essa nova estratégia de leituras que escolhi retomar e terminar o livro Sussurros Metropolitanos

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Almas e Rodas (p. 93)

Uma delícia de narrativa! A personagem Lúcia é encantadora. O nosso mundo está carente de lúcias e beatrizes.

- Ninguém solta a mão de ninguém, não é, Nina?

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Memória (p. 125)

Que diferença um gesto pode fazer na vida de alguém?

Narrativa incrível! O final da estória é de arrepiar!

Ao que parece, ao nos apresentar personagens como Lúcia ("Almas e Rodas") e Vicente, o autor nos lembra que a esperança no ser humano pode estar ao redor de cada um de nós, nas pessoas comuns do cotidiano. 

Assim seja, Sandro!

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Voz nos Trilhos (p. 153)

Para alguém que cresceu em cidades do interior como eu (Uberlândia, MG), causos como o investigado por Walter e Werner são comuns. 

Cantos, becos e passagens entre um lugar e outro são locais propícios para os sussurros da noite. 

Narrativa envolvente!

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Desfolha Outonal (p. 179)

Amig@s leitores, esse escritor, Sandro Sedrez, sabe pegar a gente de jeito...

Nossa! Essa estória bateu fundo neste leitor que vos escreve...

Após o término do conto, só foi possível enxugar a lágrima, calçar o tênis e sair para caminhar... respirar entre as árvores. 

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Invisível (p. 197)

Uma estória dramática a do personagem Joaquim, ou Quincas.

O autor nos coloca em enredos nos quais poderíamos figurar como personagens principais. 

A identificação do leitor com os personagens, os acontecimentos e os sentimentos amplia muito a experiência da leitura. 

Torci muito por Joaquim nesta narrativa. 

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Um dia de (Ro)Tina(S) (p. 213)

Sandro tem uma habilidade incrível de nos transportar para a história que nos conta, para nos colocar ao lado dos personagens e de seus dramas e sentimentos. 

Ao lado de Tina, vivi por instantes os desafios de milhões de mães solo no Brasil e no mundo. Refleti sobre muita coisa. 

Literatura também é isso.

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Conexão (p. 241)

O autor fechou com chave de ouro o livro através deste conto.

Haveria um destino desenhado para cada pessoa ou ser vivente? Como compreender os acasos e as veredas que a vida nos apresenta?

A história de Endrigo nos põe a pensar...

De fato, os aeroportos são lugares cheios de histórias...

Assim como a vida da gente.

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COMENTÁRIO FINAL 

O escritor Sandro Sedrez dos Reis é escritor refinado, criador de textos bem escritos e muito reflexivos.

As narrativas que nos conta trazem questões muito contemporâneas, tanto pessoais quanto coletivas, da vida em sociedade. 

Sandro tem a habilidade de colocar os leitores no cenário das histórias que conta, nos vemos nas cafeterias, nas ruas, ao lado das personagens. 

Seus textos nos dão prazer, algo raro hoje em dia, um prazer intelectual e popular, pois suas personagens são gente como a gente.

Valeu muito a leitura! Estou pensativo por causa de várias histórias que vivi com os Sussurros Metropolitanos

William 

26/05/26

domingo, 24 de maio de 2026

Leituras Capitais - Lula vai virar a página?




Refeição Cultural

CartaCapital nº 1412


LULA VAI VIRAR A PÁGINA?

O governo dividido entre o confronto com o Congresso e a aposta em uma agenda positiva contra a crise política


Mais uma edição lida por inteiro da revista semanal CartaCapital. A leitura me trouxe informações que eu não tinha e me fez refletir sobre algumas questões.

As matérias de capa e da seção "Seu País", que tratam das "derrotas" do governo Lula ao ter rejeitado sua indicação ao STF e ao ver cair o veto total à Lei da Dosimetria, e alguns textos sobre o mesmo tema como, por exemplo, o artigo "Dupla derrota para a democracia", de Pedro Serrano, enumerando as inconstitucionalidades praticadas por aquele Congresso de maioria de extrema-direita, uma gente troglodita eleita na onda bolsonarista, não me acrescentaram muita coisa. 

As aspas nas "derrotas" é porque não é o governo Lula que vem sendo derrotado diuturnamente por aquela canalha eleita ao Congresso pelo povo brasileiro. As derrotas são desse mesmo povo, da natureza, do mundo. Aqueles parlamentares federais em sua maioria estão usando todo o recurso do país, o orçamento, para favorecerem a si mesmos e aos seus "parças", e o povo continua capturado no pão e circo, na agenda do futebol, nas dancinhas e nas "bet" em suas telas-mundo, e na fé total em um bando de "pastores" vigaristas manipulando a boa-fé da gente simplória.

É o cotidiano da gente...

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GESTÃO DE SAÚDE

"A aprovação, na Câmara dos Deputados, de projeto que permite destinar recursos da saúde para o custeio de serviços pré-hospitalares realizados por Corpos de Bombeiros Militares altera profundamente o marco legal vigente. Ao incluir essas ações como despesas computáveis no piso constitucional da saúde, abre-se espaço para uma disputa direta por recursos já escassos."

A matéria mais grave é a última da revista, o artigo de Arthur Chioro, médico sanitarista e professor da Escola Paulista de Medicina (Unifesp), com o título "O SAMU por um fio" (p. 57).

"O Congresso tira recursos do serviço de urgência e coloca em perigo a sua sustentabilidade financeira" 

É desesperador, amig@s leitores! Fui gestor eleito de uma importante autogestão em saúde, que na minha época tinha um modelo assistencial baseado em atenção primária e medicina de família e comunidade. Aprendi bastante sobre gestão de sistemas de saúde e esse conhecimento aguçou minha percepção ao tema.

Chioro foi Ministro da Saúde no governo de Dilma Rousseff entre 2014 e 2015, mas no artigo de CartaCapital ele nos conta que coordenou a criação e implantação do SAMU-192, em 2003, no primeiro governo do presidente Lula.

Após explicar o que significa o SAMU, muito mais que um chamado a ambulâncias, ele explica que aqueles caras do Congresso, que falei acima, aprovaram uma lei que retira recursos do sistema e permite aberrações como a que ocorreu no estado do Mato Grosso, no qual o sujeito eleito lá em 2022, um bolsonarista de difícil descrição, extinguiu o SAMU e transferiu ao Corpo de Bombeiros o que o sistema fazia.

É terrível! O risco para o SUS e o SAMU é enorme.

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PLURAL

O SEGREDO DO OUZO (p. 48)

História - A tradição familiar e o clima único da ilha de Lesbos preservam a produção do célebre destilado grego à base de anis

Por Giacomo Sini, de Lesbos

A reportagem foi novidade pra mim. Eu não conheço essa bebida e sua tradição. Na época da faculdade, li alguma coisa sobre a poeta Safo e sobre a ilha de Lesbos. Mas não me lembrava mais. Texto interessante!

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O BAÚ DO REPÓRTER (p. 52)

Acervo - Fernando Morais prepara o lançamento de um centro de memória a partir dos próprios e de arquivos doados

Por Sérgio Barbo

Fiquei encantado com a novidade e a descrição do acervo do imprescindível escritor e jornalista Fernando Morais. Cara, que acervo espetacular! 

Queria ser como ele e queria ter as habilidades excepcionais de Morais! É uma referência a todos nós que gostamos de história e conhecimentos.

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ECONOMIA

CADÊ O CARTEIRO? (p. 32)

Estatal - Os Correios enfrentam um processo de encolhimento e descaracterização e precisam mirar iniciativas internacionais

Por Carlos Drummond

A leitura da matéria me deixou triste, sou um grande defensor das empresas públicas e sei da importância delas para o país e para o povo. Temos que defender os Correios e achar soluções para sua manutenção e fortalecimento.

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SEU PAÍS

DÍVIDA HISTÓRICA (p. 22)

Memória - MPF cobra da Caixa aprofundamento de investigação sobre poupanças de escravizados

Por Maurício Thuswohl

Outra matéria que me deixou pensativo foi essa relacionada a Caixa Econômica Federal e a questão das populações escravizadas. Tenho muitos senões a respeito.

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Enfim, a leitura da revista semanal do Mino Carta, hoje comandada por Manuela Carta, é sempre proveitosa. Sempre! 

Sigamos lendo e nos informando e refletindo sobre as informações do mundo.

William

sábado, 23 de maio de 2026

Livro: A era da empatia - Frans de Waal



Refeição Cultural

"Se eu fosse Deus, me esforçaria para que os humanos alcançassem a empatia." (p. 288)


O biólogo primatólogo Frans de Waal nos apresentou no livro "A era da empatia", lançado em 2009, reflexões a partir de estudos feitos por ele e suas equipes ao longo de décadas. Ao retomar a leitura, soube que ele faleceu em 2024, acometido por um câncer de estômago. 

Quando vi o livro em 2010, me interessei na hora pelo tema da empatia. Eu era dirigente sindical de uma grande categoria e me esforçava com sinceridade para me colocar no lugar dos outros no diálogo e representação política de milhares de pessoas. 

Do lançamento do livro sobre a empatia aos dias de hoje, a sociedade humana mudou substancialmente em curtíssimo espaço de tempo. O autor disse que se fosse Deus, faria um esforço para que os humanos alcançassem a empatia. Vieram as big techs, os algoritmos e as redes antissociais, e o ódio ao outro, ao diferente, é na atualidade o sentimento que mais engaja pessoas no mundo.

"(...) Hoje, com tantos grupos diferentes se acotovelando num planeta abarrotado, o maior problema é o excesso de lealdade dos indivíduos em relação a seu país, grupo ou religião. Os humanos são capazes de desprezar profundamente todo aquele que pareça diferente ou que pense de outra forma, mesmo quando se trata de grupos vizinhos e com DNA quase idênticos, como é o caso dos israelenses e dos palestinos. As nações julgam-se superiores aos países vizinhos e as religiões acreditam ser donas da verdade." (p. 288/289)

Frans de Waal disse isso em 2009...

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SOMOS NATUREZA, PARTE DA NATUREZA, NÃO SOMOS ALHEIOS A ELA

"(...) Afinal, a psicologia deriva seu nome de Psiquê, a deusa grega da alma. Essas raízes religiosas refletem-se na resistência inabalável à segunda mensagem da teoria da evolução. A primeira é a de que todas as plantas e animais, incluindo a espécie humana, são produto de um único processo. Essa ideia é amplamente aceita hoje em dia, inclusive fora da biologia. Mas a segunda afirma que há uma continuidade entre a nossa espécie e todas as outras formas de vida, não somente do ponto de vista corporal, mas também do ponto de vista mental. Isso permanece difícil de engolir..." (p. 292/293)

Quando se trata de refletir sobre nossa natureza violenta, ao matar, estuprar, fazer guerras, parte da sociedade atribui isso ao DNA, à nossa genética. 

"(...) É somente com relação às características consideradas nobres que a continuidade é colocada em dúvida, e a empatia é um bom exemplo disso." (p. 293)

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O LADO SOMBRIO 

Frans de Waal, no último capítulo, nos apresenta outras possibilidades oriundas da capacidade da espécie humana de se colocar no lugar dos outros e de outras espécies. 

Durante a leitura do livro, o leitor vai compreendendo que a empatia ocorre sob determinadas condições. Identificação é uma das condições. 

"(...) A empatia precisa tanto de um filtro que nos faça selecionar as situações às quais reagimos quanto de um dispositivo que permita ligá-la ou desligá-la. Como toda reação emocional, a empatia tem um 'portal', uma situação que tipicamente a desencadeia ou na qual permitimos que ela se manifeste. O principal portal da empatia é a identificação." (p. 301)

O autor explica que para aquelas pessoas com as quais nos identificamos, o 'portal' está sempre aberto. Fora desse círculo, a empatia é opcional. 

"(...) Por outro lado, há ocasiões em que o portal é fechado deliberadamente, como, por exemplo, quando suprimimos a nossa identificação com as pessoas que fazem parte de um grupo inimigo declarado." (p. 302)

Entra em ação o processo de desumanização, recurso historicamente empregado para justificar atrocidades cometidas contra grupos diferentes, nos explica o biólogo. 

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EM BUSCA DA EMPATIA

Entre a aquisição do livro de Frans de Waal e o término da leitura foram dezesseis anos. Nesse período, eu vi muita coisa acontecer no Brasil e no mundo. Vi as vidas seguirem e vi muitas vidas serem interrompidas.

Após a aquisição do livro sobre empatia, um comportamento humano desejado por mim na relação entre as pessoas, vi as "primaveras fabricadas" derrubarem governos mundo afora. Vi homens por trás de big techs inventarem formas de engajar pessoas pelo ódio, pelo oposto da empatia.

Vi as manifestações de junho de 2013 iniciarem uma longa noite de terror no Brasil; o golpe contra Dilma; a prisão injusta de Lula; a armação que colocou Bolsonaro no poder. Vi a pandemia mundial de Covid-19 matar milhões de pessoas, principalmente nos países com governos negacionistas, Trump e Bolsonaro à frente. A guerra na Ucrânia; o genocídio do povo palestino... 

Busquei exercer a empatia nos mandatos que tive à frente de movimentos e instituições importantes. Na formação sindical e política; na coordenação nacional das negociações do Banco do Brasil; na gestão de saúde da maior autogestão do país. Na relação com as pessoas próximas. Não é fácil ser empático sempre. Frans de Waal nos explica isso.

Saí do banco. Saí do movimento político. Rompi muitas relações antigas. O Brasil estava afundado no mal durante um governo fascista. Como precisávamos de empatia...

Li dezenas e dezenas de livros nos últimos anos. Compreendi muita coisa e encontrei muitas respostas para questionamentos que fiz por décadas de vida.

Sigo desejando empatia. Um mundo com a prevalência da empatia entre as pessoas. Tenho muito mais noções hoje que antes.

Sigamos lendo, escrevendo, refletindo, buscando mudar a realidade e tentando ser mais empáticos nas relações com as pessoas e com os seres vivos no mundo.

(Vivi uma espécie de catarse ao escrever essa refeição cultural sobre o livro "A era da empatia" ao som de "Animal Instinct", do Cranberries. O videoclipe me faz viajar com aquela mãe e as crianças. O vídeo tem tudo a ver com empatia. Aliás, Dolores O'Riordan faleceu em 15/01/18, em Londres)

William


Bibliografia:

WAAL, Frans de. A era da empatia: lições da natureza para uma sociedade mais gentil. Com desenhos do autor. Tradução: Rejane Rubino. São Paulo: Companhia das Letras, 2010.

quinta-feira, 21 de maio de 2026

Sobre empatia (III): Lendo Frans de Waal



Refeição Cultural

LEITURA: A ERA DA EMPATIA

"(...) Se centenas de trabalhadores constroem um avião a jato contando com o trabalho uns dos outros, ou formam uma empresa em que os funcionários ocupam níveis muito diferentes, isso se deve apenas às nossas habilidades avançadas de organização, de divisão de tarefas, de armazenamento das interações passadas em nossa memória, da relação que estabelecemos entre esforço e recompensa, da construção de relações de confiança e da nossa capacidade de impedir o parasitismo. A psicologia humana evoluiu para possibilitar caçadas aos cervos cada vez maiores e mais complexas, ultrapassando de longe qualquer coisa que ocorra no reino animal. A caça de presas grandes pode ter sido o motor dessa evolução, mas os nossos ancestrais se envolveram em muitas outras empreitadas cooperativas, como o cuidado comunitário dos indivíduos mais jovens, a guerra, a construção de pontes e a proteção contra os predadores. Eles se beneficiaram da cooperação de uma infinidade de maneiras." (p. 257)


A cooperação entre os indivíduos está na base da construção das comunidades humanas. A ciência vem estudando essa questão há bastante tempo. Estou lendo o capítulo seis "Justiça seja feita".

Frans de Waal aborda no capítulo dois "O outro darwinismo" (p. 46-71) as teorias de Herbert Spencer, que adaptou para os negócios a Teoria da Evolução das Espécies - que se baseia em estudos das leis da natureza -, de Charles Darwin. Segundo Spencer, a sociedade humana não deveria ter nenhum tipo de cooperação entre os indivíduos, permitindo a "sobrevivência dos mais bem adaptados". 

Isso é ideologia, e essas ideias convencem muita gente porque somos influenciáveis. Quem detém os meios que criam as pautas e agendas que movem as pessoas e as sociedades, domina as ideias que prevalecem no mundo humano. 

O autor do Blog Refeitório Cultural segue no esforço de ler e estudar diariamente para manter a humanidade em si e para estimular as pessoas a lerem bons textos e bons autores. Ter conhecimento das ciências e da história humana é importante para se situar no mundo e para tentar compreender as coisas dos homens (mundo humano dominado pelos homens - raramente por mulheres).

Por décadas estive nas atividades de lutas dos movimentos reivindicatórios por mudanças sociais e políticas. Registro total apoio a ocupação das ruas pelas mudanças necessárias em benefício da coletividade. Neste momento, talvez contribua mais (ou de forma melhor) com nossas causas escrevendo e compartilhando o que sei e estudo.

As mobilizações terão resultados melhores se houver objetivos claros a serem alcançados, com métodos, com planejamento, estratégias e táticas de curto, médio e longo prazo. E com unidade de nossa classe de trabalhadores não detentores dos meios de produção. E com as pessoas sabendo o papel que cada uma delas tenha que desenvolver.

Isso eu sinto falta na atualidade: planejamento estratégico de onde chegar e como. Sugiro para a militância e para a juventude que além de estudar e ler diariamente - para se manterem humanas e não zumbis digitais -, façam planejamento estratégico, para que nossas lutas por mudanças da realidade tenham o melhor aproveitamento possível da cooperação humana, algo essencial para seguirmos por aqui, no planeta Terra. 

William 

21/05/26

Post Scriptum: os Estados Unidos são os predadores do momento. Sem cooperação inteligente e estratégica entre nós, seremos predados... não há dúvidas quanto a esse fato.

quarta-feira, 20 de maio de 2026

$. Vai ter copa nos EUA...


$. Vai ter copa nos EUA...

$. Rússia invade... fora
$. Putin comete crimes... Rússia fora...
$. Cuba exporta médicos... ameaça terrorista... fora
$. EUA bombardeia Venezuela... sequestra o presidente...
$. EUA bombardeia Irã... 1° alvo escola infantil...
$. EUA bloqueia sem motivos Cuba...
$. Israel... faz o que faz...
$. Vai ter copa nos EUA...

$. Não vi um progressista e democrata defender boicote à copa
$. E ainda vão levar aquele pilantra pra copa

Esse é o poder de quem define a pauta e agenda...

Normalizam tudo!

Até o Master é normal
O clã miliciano é normal
A Globo é normal...

O fim do mundo é normal
É só não olhar pra cima.


William Mendes
18/05/26 

Diário e reflexões



Refeição Cultural

Planeta Terra, 20 de maio de 2026. Quarta-feira. 


TODO MUNDO TÁ PRECISANDO DE AJUDA: QUEM PODERIA AJUDAR?

Como interagir com o mundo ao qual pertenço de forma consciente? Como mudar a realidade ao meu redor? 

Após a vida que vivi, e por ter sobrevivido até aqui, não me dou o direito de fazer de conta que não sei das coisas do mundo. Tenho noções que não tinha antes, quando fiz ou pensei coisas que não faria ou pensaria hoje. Nem posso fazer as perguntas que fazia antes, pois sei as respostas. 

Chegou um tempo em que saber as respostas não resolve nada. Tempo de absoluta compreensão de por que as coisas são como são. Poderia rimar mundo com Raimundo, seria uma rima, não uma solução... e nem sou Drummond, sou um qualquer no mundo raimundo. Um mundo de vidas severinas.

O que posso fazer pelas pessoas, pelas vidas raimundas e severinas? Pelas vidas comuns como a tua e a minha?

A senhora falando sozinha na calçada aqui do lado de casa: dizem estar há dois dias pela região; o idoso parado na frente do açougue morreu com um tiro na cabeça por causa de uma coisa qualquer que o ladrão queria. Nasci ali a poucos metros dessa morte severina no Rio Pequeno. Num instante estamos bem, noutro vem um surto, um AVC, um tiro. Fim.

Na casa de meus velhos pais, tudo está velho. O telhado da área não impede a água da chuva, molha mais dentro que fora. O que arrumar primeiro? A pia velha com vazamentos? O fogão velho e perigoso? O chão que pode derrubar um dos dois? O portão velho e pesado que não abre mais direito, pesadíssimo?

A tecnologia do momento, incluindo as chamadas "IA", está eliminando aceleradamente o trabalho humano, inclusive o de meus colegas da categoria bancária. A riqueza do sistema capitalista está se concentrando na mão de alguns fdp. O que faremos com o conjunto dos seres humanos sem recursos para sobreviver? A tecnologia, as "IA" usadas contra nós, é mais importante que a vida? Que o mundo?

No mundo das "IA" não haverá mais trabalho para uns 80% dos seres humanos que não têm dinheiro para sobreviverem. A Renda Básica da Cidadania (uma parte da riqueza do país distribuída a todos), objetivo de vida do nosso querido Eduardo Suplicy, seria uma solução básica para as comunidades humanas. Com uma renda de sustento e com a tecnologia que faz tudo que seja repetitivo e padronizável, nós poderíamos criar sinfonias, literatura, cultura, arte, cuidar da saúde dos seres vivos e do planeta Terra.

Mas alguns fdp não querem esse bem comum. Eles, inclusive, dominam as "IA" para acelerar a propagação de ódio, acumular a riqueza só pra eles e destruir aceleradamente a vida no planeta. 

Como mudar a realidade ao meu redor? Na minha casa, na frente de casa, na minha cidade, no mundo? No verdadeiro criador de tudo, o cérebro humano, a pauta que define a agenda daquela vida, está sendo definida neste segundo por alguma abstração, abstração que chegou a ele por uma fonte externa, uma fala, uma imagem, um texto, uma tela de celular, e o que o cérebro vê ao despertar definirá o que aquele ser fará. 

Como ajudar as pessoas e o mundo? Temos que discutir a questão da tecnologia que não beneficia a sociedade e a coletividade, somente alguns espertalhões. É preciso ter coragem de dizer não para certas tecnologias. 

Parte importante dos seres humanos vai precisar de ajuda humana em milhões de lares com milhões de pessoas idosas ou com dificuldades ou sem recursos financeiros. 

Que porra de "IA" vai fazer algo por lares e pessoas como meus pais, seus idosos, nossos irmãos com deficiência, pelas pessoas nas ruas sozinhas?

Tenhamos coragem de fazer essa discussão sobre limitar as "IA" na sociedade humana. Não se regula a destruição do capitalismo e o uso da tecnologia, pois são os capitalistas que definem a pauta e agenda no mundo. 

William 

terça-feira, 19 de maio de 2026

Viagem a Cuba (VI)



Refeição Cultural

"Que la dureza de estos tiempos no haga perder la ternura de nuestros corazones" (Ernesto "Che" Guevara)

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VISITA A CIDADE DE SANTA CLARA (CAPITAL DE VILLA CLARA)

Este texto e imagens fazem parte de um memorial da recente viagem que fiz a Cuba, país e povo que simbolizam a luta por uma sociedade alternativa ao modo capitalista de organização social, modelo baseado na exploração de homens e mulheres em benefício do lucro de pouquíssimos homens. A República Cubana adotou o socialismo como modelo de organização social. 

Fui com uma caravana solidária a Cuba entre o final de março e início de abril deste ano de 2026. O povo cubano tem enfrentado com valentia e criatividade o bloqueio criminoso dos EUA há décadas. No entanto, neste momento da história, o governo de Trump recrudesceu o bloqueio e ameaça invadir a ilha com força militar, como já vem fazendo desde janeiro: Venezuela e Irã foram agredidos pelos EUA. 

Nossa caravana era composta por 22 pessoas do Brasil, a maioria de Minas Gerais, pois a organizadora do grupo foi a companheira Telma Araújo, grande amiga de Cuba e responsável por brigadas latino-americanas e caravanas solidárias há décadas. Nossa estadia contou com apoio logístico da Amistur, agência de turismo do país. 

Fomos no final de semana de 28 e 29 de março a Santa Clara, capital do distrito de Villa Clara, para visitar o Monumento à captura do trem blindado e o Mausoléu do Che Guevara. A Batalha de Santa Clara e a captura do trem, ocorrida no dia 28 de dezembro de 1958 (conforme consta no memorial do trem blindado), foram decisivas para a vitória da Revolução liderada por Fidel Castro. 

Nessa batalha, os guerrilheiros liderados pelo Comandante Che Guevara utilizaram um trator-escavadeira para descarrilar um trem blindado com muitos soldados de Batista e, claro, muito armamento e munições para frear o avanço das tropas do Exército Rebelde do Comandante Fidel Castro. O local onde se deu a batalha abriga o Memorial, com vagões da época e esculturas de homenagem àquela batalha decisiva. 

MONUMENTO A LA TOMA DEL TREN BLINDADO





Além dos vagões e esculturas que compõem o ambiente de história e de cultura, há uma exposição de fotos da época, muito interessantes. 




O monumento da imagem abaixo é uma homenagem a Che Guevara e seus comandados na batalha vitoriosa em Santa Clara.



MAUSOLÉU DO CHE GUEVARA 

Quando chegamos a Santa Clara, no sábado, não havia energia elétrica, por causa do bloqueio estadunidense que impede a vida cotidiana dos cubanos. Sem luz não poderíamos visitar o Mausoléu do Che. 

No domingo, felizmente, havia eletricidade e visitamos o conjunto arquitetônico, uma obra que faz justiça aos heróis que homenageia.

Nossa caravana solidária foi tratada com muita deferência na visita ao Mausoléu. Os guias nos contaram a história sobre a vinda, no ano de 1997, dos restos mortais do Comandante Che e seus companheiros e dos demais combatentes enterrados ali.

Foi minha segunda visita ao Mausoléu do Che e a emoção tomou conta de mim como da primeira vez. A grandeza de Che Guevara e de seus companheiros será sempre uma referência para as pessoas que querem um mundo mais justo e solidário, livre da miséria humana causada pelo capitalismo. 





No conjunto arquitetônico do Memorial do Che Guevara há uma área com vasto material pessoal do líder revolucionário, abordando momentos de sua vida desde a infância até o período final na luta pela independência do povo da Bolívia. 

O jovem Che conhece Fidel Castro

Che e o cãozinho 

Raúl Castro e Che Guevara 

O Comandante Che

O garoto Che

Lendo Goethe

Che treina alpinismo

Abaixo, fotos especiais de nossa caravana de brasileiros solidários a Cuba e ao povo cubano. 

Brasileiros no Mausoléu do Che 

Brasileiros no monumento ao Che 

Brasileiros na sala sobre a história do Che 

Durante nossa estadia em Santa Clara, estivemos na sede do Partido Comunista de Cuba, onde se encontra uma estátua única de Che Guevara com um menino.

Sede do Partido Comunista de Cuba 
em Santa Clara 

Che e o menino 


Assinatura do Comandante "Che"


VIVA CUBA E A REVOLUÇÃO DO POVO CUBANO!

Nossa estadia em Santa Clara nos brindou com momentos de muita emoção e muito aprendizado.

Nossos guias durante toda a estadia em Cuba foram muito acolhedores e nos passaram muito conhecimento histórico. 

Visitem Cuba e apoiem o povo que vem sofrendo carências materiais absurdas resultantes dos ataques criminosos dos Estados Unidos à soberania do país. 

William 
19/05/26