Me lembro de quando tive hepatite nos anos setenta, morando no sobradinho do Rio Pequeno, na Zona Oeste de São Paulo.
Provavelmente tive hepatite A porque a gente vivia enfrentando enchentes no bairro e água suja é uma das formas de transmissão da doença.
A lembrança que tenho são as cólicas abdominais na região do fígado. A gente mija urina escura e fica todo amarelo, até o branco do olho fica amarelão.
Na época, mandavam o doente comer doces. Cresci dizendo que não gosto muito de doce por isso. Tudo lenda urbana. Não há evidências sobre o benefício da prática e nem deve ser por isso que como poucos doces.
Faz meio século que tive hepatite morando ali no sobradinho. Incrível! Como o tempo passou!
Cinquenta anos depois, estive a poucas quadras de onde nasci numa reunião do Partido dos Trabalhadores, na Avenida Rio Pequeno.
Para fazer minha atividade física de caminhar, voltei para casa, no Continental, a pé. São 5 Km.
As dores meio século depois são de outra natureza. São crônicas e constantes. Desgastes nos ossos do quadril e coluna.
Tudo são lembranças e a vida em andamento. Natureza.
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Instantes de uma vida

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